{"id":24493,"date":"2019-12-13T22:51:13","date_gmt":"2019-12-14T01:51:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24493"},"modified":"2019-12-13T22:51:13","modified_gmt":"2019-12-14T01:51:13","slug":"as-veias-da-america-latina-voltam-a-sangrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24493","title":{"rendered":"As veias da Am\u00e9rica Latina voltam a sangrar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogs.publico.es\/otrasmiradas\/files\/2019\/12\/Cartel-768x1006.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por \u00c1ngeles Maestro, Espanha &#8211; Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Dois processos opostos, mas com a mesma origem, est\u00e3o sacudindo a turbulenta Am\u00e9rica Latina: o golpe de estado na Bol\u00edvia e a revolta em massa dos povos contra a vers\u00e3o mais selvagem do capitalismo. A origem \u00e9 a mesma: o aprofundamento da crise geral que abala o centro do imperialismo e que intensifica sua natureza predat\u00f3ria, prescindindo, como sempre, da m\u00e1scara da democracia com a qual se cobre em tempos de relativa bonan\u00e7a.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria eleitoral de Hugo Ch\u00e1vez em 1998 marcou o in\u00edcio de um processo no qual chegam aos governos de importantes pa\u00edses latino-americanos for\u00e7as pol\u00edticas que desbancam os representantes da burguesia aliada do imperialismo e promovem, em graus variados, medidas destinadas a melhorar os padr\u00f5es de vida das classes populares, com nacionaliza\u00e7\u00f5es de empresas e recursos.<\/p>\n<p>H\u00e1 j\u00e1 algum tempo os porta-vozes da Casa Branca, depois de verificar suas dificuldades econ\u00f4micas e militares em outras partes do mundo, anunciaram que voltavam a ficar de olho no seu pretenso quintal. Na apresenta\u00e7\u00e3o do documento que resume a estrat\u00e9gia para o per\u00edodo 2017-2027 do Comando Sul (USSOUTHCOM, na sigla em ingl\u00eas), intitulada \u00abTheater Strategy\u00bb, seu chefe desenvolveu a prioridade que, para os EUA, voltam a ter a Am\u00e9rica Latina e seus enormes recursos naturais [1].<\/p>\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o do paramilitarismo na Col\u00f4mbia, j\u00e1 sem a conten\u00e7\u00e3o das Farc, tenta desestabilizar a Venezuela e a Nicar\u00e1gua com o objetivo \u00f3bvio de desencadear um golpe de estado, ou o golpe que parece consumado na Bol\u00edvia quando essas linhas s\u00e3o escritas, respondem ao mesmo programa reeditado pela en\u00e9sima vez na Am\u00e9rica Latina saqueada. O roteiro e a dire\u00e7\u00e3o t\u00eam a assinatura dos EUA com uma crescente import\u00e2ncia de Israel na ind\u00fastria de repress\u00e3o [2]. A execu\u00e7\u00e3o direta ficou encarregada, como sempre, das oligarquias locais bestiais, prenhas de \u00f3dio e racismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe trabalhadora e aos povos origin\u00e1rios, \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a daqueles que, em nome da cruz e do imp\u00e9rio espanh\u00f3is, iniciaram a pilhagem da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio salientar que, exceto na Venezuela &#8211; especialmente ap\u00f3s a tentativa de golpe de estado de 2002 &#8211; os diferentes governos progressistas n\u00e3o procederam \u00e0 depura\u00e7\u00e3o do aparato estatal. No comando do judici\u00e1rio (como p\u00f4de ser verificado no Paraguai ou no Brasil), o ex\u00e9rcito e a pol\u00edcia, permaneceram representantes das mesmas classes sociais que haviam sido temporariamente afastadas dos governos e recorriam sistematicamente ao imperialismo dos EUA para recuperar seus privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>Especialmente significativo \u00e9 que, apesar da intensifica\u00e7\u00e3o da penetra\u00e7\u00e3o militar dos EUA na regi\u00e3o (75 bases militares dos EUA s\u00e3o contabilizadas em diferentes pa\u00edses [3]), a Col\u00f4mbia formalizou sua entrada na OTAN em 2018, desde 2008 a IV Frota reativou e s\u00e3o cada vez mais frequentes as manobras militares &#8220;Unitas&#8221;, com participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o [4]), pa\u00edses como o Equador de Correa ou a Bol\u00edvia de Evo Morales n\u00e3o romperam a cadeia de controle do imperialismo sobre seus ex\u00e9rcitos e for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas a m\u00e3o do imperialismo norte-americano n\u00e3o deve esconder os interesses europeus e, especialmente, os das multinacionais espanholas &#8211; t\u00e3o imperialistas quanto os de Washington &#8211; que provavelmente est\u00e3o por tr\u00e1s do golpe na Bol\u00edvia, como no golpe fracassado contra Ch\u00e1vez em 2002. \u00c9 dramaticamente imposs\u00edvel que um movimento da envergadura do golpe na Bol\u00edvia fosse desconhecido por causa da presen\u00e7a comercial espanhola muito importante naquele pa\u00eds e na Am\u00e9rica Latina como um todo.<\/p>\n<p>H\u00e1 de recordar que a Espanha \u00e9 o segundo pa\u00eds investidor na regi\u00e3o &#8211; depois dos EUA &#8211; e que esta situa\u00e7\u00e3o, iniciada nos anos 90, est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 recente constru\u00e7\u00e3o do capitalismo espanhol. Ap\u00f3s o desmantelamento do setor industrial nas d\u00e9cadas de 80 e 90 (o PIB passou de 34% do total para 15% [5]), liderado pela entrada da Espanha na CEE (1986) e eufemisticamente denominado \u00abreconvers\u00e3o industrial \u00bb, o governo do PSOE e depois do PP privatizaram em tempo recorde os monop\u00f3lios p\u00fablicos de empresas estrat\u00e9gicas em hidrocarbonetos, telefonia, transporte, bancos, comunica\u00e7\u00f5es, eletricidade, etc. As novas empresas privatizadas a um pre\u00e7o de liquida\u00e7\u00e3o, que rapidamente acumulam fortunas consider\u00e1veis &#8211; com clientela cativa e portas girat\u00f3rias garantidas &#8211; s\u00e3o organizadas em um truste criado sob as inst\u00e2ncias do governo de Felipe Gonz\u00e1lez e dirigido por ele. O objetivo era conseguir, atrav\u00e9s de press\u00f5es e subornos, a venda, tamb\u00e9m a pre\u00e7os irris\u00f3rios, de recursos naturais e empresas p\u00fablicas dos diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. O \u00eaxito foi enorme.<\/p>\n<p>Em um artigo recente intitulado \u00abO Regime de Transi\u00e7\u00e3o e o capital espanhol no saqueio da Am\u00e9rica Latina\u00bb[6], analisei este processo.<\/p>\n<p>Alguns dados das privatiza\u00e7\u00f5es referentes a Bol\u00edvia s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<p>&#8211; A Repsol comprou a IPBF em 1995 e controla at\u00e9 hoje 45% das reservas de g\u00e1s e 39% das reservas de petr\u00f3leo.<br \/>\n&#8211; A Rede El\u00e9trica Espanhola (privatizada, apesar do nome patri\u00f3tico) comprou a empresa p\u00fablica de distribui\u00e7\u00e3o de eletricidade boliviana ENDE em 1995.<br \/>\n&#8211; Desde 1997, o BBVA controla dois fundos de pens\u00e3o privatizados que representam 53% do total.<br \/>\n&#8211; Outras empresas com neg\u00f3cios importantes no pa\u00eds s\u00e3o Iberdrola, Uni\u00e3o Espanhola de Explosivos, Editorial Santillana, Abertis, etc.<\/p>\n<p>A Espanha \u00e9 o segundo maior investidor na Bol\u00edvia, atr\u00e1s apenas dos EUA. Muitas dessas multinacionais espanholas e outras europeias, especialmente da Alemanha, estavam em conflito com o governo de Evo Morales, que pretendia assumir, mesmo que parcialmente, seu controle.<\/p>\n<p>Algumas semanas antes do in\u00edcio do golpe, o governo de Evo Morales cancelou um projeto de parceria para a explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio entre a empresa p\u00fablica Lithium Deposits e a multinacional alem\u00e3 ACI Systems [7]. Um ano antes o governo de La Paz concedeu a uma empresa chinesa a explora\u00e7\u00e3o de uma planta de l\u00edtio, descartando os projetos apresentados pelas empresas espanholas Asociaci\u00f3n Accidental TSK SEP Electr\u00f3nica Electricidad, grupo de neg\u00f3cios presidido pelo rico empres\u00e1rio Sabino Garc\u00eda, INTECSA Industrial &#8211; Filial da ACS de Florentino P\u00e9rez &#8211; e a Asociaci\u00f3n Accidental AFK ACI Group [8].<\/p>\n<p>O golpe na Bol\u00edvia teve a mesma partitura de outros ataques contra governos progressistas na Am\u00e9rica Latina, come\u00e7ando com o mais emblem\u00e1tico e terr\u00edvel de 1973 contra a Unidade Popular no Chile. A Igreja Cat\u00f3lica e outras seitas religiosas tiveram uma participa\u00e7\u00e3o not\u00e1vel, como em outras derrubadas de governos populares na regi\u00e3o. &#8220;A B\u00edblia retornar\u00e1 ao pal\u00e1cio do governo&#8221; era um dos lemas dos conspiradores bolivianos.<\/p>\n<p>Em diferentes publica\u00e7\u00f5es [9], foi documentado o papel das ONGs no financiamento do golpe, sob o pretexto de ajuda humanit\u00e1ria, assim como sua penetra\u00e7\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muito se sabe que a USAID estava desenvolvendo projetos de &#8220;autonomia regional&#8221;, isto \u00e9, projetos desestabilizadores de oligarquias locais no leste da Bol\u00edvia, nas \u00e1reas mais ricas. Os inc\u00eandios florestais de agosto passado, na v\u00e9spera das elei\u00e7\u00f5es, visavam mostrar Evo Morales como um agressor do meio ambiente. Algo como a fabrica\u00e7\u00e3o do &#8220;ecoterrorista&#8221; Saddam Hussein e a ave marinha banhada em petr\u00f3leo, que serviu para justificar os atentados contra o Iraque em 1991. El Pa\u00eds aponta claramente para o objetivo: &#8220;Durante toda a sua administra\u00e7\u00e3o, Morales argumentou que agora, em nenhum campo, o pa\u00eds precisa \u201cpedir esmolas\u201d \u00e0s pot\u00eancias mundiais. Esse discurso dificulta a aprova\u00e7\u00e3o de uma declara\u00e7\u00e3o de &#8220;desastre nacional&#8221; que, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o nacional, implicaria em aceitar que o Estado n\u00e3o tem capacidade para enfrentar a trag\u00e9dia. Dezenas de institui\u00e7\u00f5es ambientais e civis, incluindo a Igreja Cat\u00f3lica, bem como manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas nas tr\u00eas principais cidades bolivianas &#8211; La Paz, Santa Cruz e Cochabamba &#8211; exigiram que ele fizesse essa declara\u00e7\u00e3o \u00bb[10].<\/p>\n<p>Alguns preparam a cena do golpe, enquanto outros, como Pedro S\u00e1nchez e a UE, leais \u00e0s multinacionais que representam e protegidos na equidist\u00e2ncia &#8220;contra a viol\u00eancia&#8221; [11], justificam os conspiradores. Eles at\u00e9 compartilham o esc\u00e1rnio do decreto do governo golpista, que concede \u00e0s for\u00e7as repressivas uma licen\u00e7a para matar e \u201cque prev\u00ea a isen\u00e7\u00e3o de responsabilidade criminal, sob certas condi\u00e7\u00f5es, para o pessoal das For\u00e7as Armadas que participam das opera\u00e7\u00f5es para a restaura\u00e7\u00e3o da ordem interna&#8221;. O ponto alto da cumplicidade no crime \u00e9 o envio de instrutores de pol\u00edcia espanh\u00f3is para treinar os Carabineros do Chile.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes como essa, as m\u00e1scaras s\u00e3o descartadas, n\u00e3o h\u00e1 terceiras vias. Mas algo deve ser aprendido, porque o script se repete e se repete e n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel continuar alegando ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Atilio Bor\u00f3n escreveu, no auge da resist\u00eancia desarmada do povo boliviano e ap\u00f3s a ren\u00fancia de Evo Morales, o seguinte: &#8220;As &#8216;for\u00e7as de seguran\u00e7a&#8217; entram em cena. Nesse caso estamos falando de institui\u00e7\u00f5es controladas por v\u00e1rias ag\u00eancias, militares e civis, do governo dos Estados Unidos. Estas as treinam, as armam, fazem exerc\u00edcios conjuntos e as educam politicamente. Tive a oportunidade de verificar quando, a convite de Evo, inaugurei um curso sobre &#8216;Anti-imperialismo&#8217; para oficiais superiores das tr\u00eas armas. Naquela ocasi\u00e3o, fiquei envergonhado pelo grau de penetra\u00e7\u00e3o das consignas americanas mais reacion\u00e1rias herdadas da era da Guerra Fria e pela irrita\u00e7\u00e3o indiscut\u00edvel causada pelo fato de um ind\u00edgena ser presidente de seu pa\u00eds. O que essas &#8216;for\u00e7as de seguran\u00e7a&#8217; fizeram foi sair de cena e deixar o campo livre para a atua\u00e7\u00e3o descontrolada das hordas fascistas, com as que atuaram na Ucr\u00e2nia, na L\u00edbia, no Iraque, na S\u00edria, para derrubar ou tratar de faz\u00ea-lo neste \u00faltimo caso, os l\u00edderes indesej\u00e1veis ao imp\u00e9rio &#8211; e desse modo intimidar a popula\u00e7\u00e3o, a milit\u00e2ncia e as pr\u00f3prias figuras do governo. Ou seja, uma nova figura sociopol\u00edtica: golpismo militar &#8216;por omiss\u00e3o&#8217;, deixando que os bandos reacion\u00e1rios, recrutados e financiados pela direita, impusessem sua lei. Uma vez que reina o terror e, diante da incapacidade de defesa do governo, o desenlace era inevit\u00e1vel&#8221; [12].<\/p>\n<p>Os povos do Estado espanhol temos uma responsabilidade especial com os povos latino-americanos e as raz\u00f5es s\u00e3o abundantes:<br \/>\n\u00c9 mais que prov\u00e1vel que os interesses de empresas espanholas sejam c\u00famplices do golpe de Estado na Bol\u00edvia.<br \/>\nTemos \u00e0 nossa frente os mesmos capitalistas exploradores que, sob uma ou outra sigla da extrema direita, instigam o enfrentamento dos setores mais desesperados do povo contra as pessoas imigrantes. Ningu\u00e9m fala que os trabalhadores e trabalhadoras de l\u00e1 sofrem com o saqueio de seus pa\u00edses pelas multinacionais daqui. O objetivo \u00e9 nos dividir, impedir que olhemos para cima e vejamos as m\u00e3os dos mesmos poderosos movendo as cordas da trag\u00e9dia.<br \/>\n\u00c9 imprescind\u00edvel que a classe trabalhadora e os povos, como fazem o venezuelano e o cubano, aprendamos do sangue derramado as li\u00e7\u00f5es que a hist\u00f3ria insistentemente nos mostra. O capitalismo e o imperialismo, e \u00e9 indiferente que seja estadunidense ou europeu, n\u00e3o se det\u00eam diante de considera\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, nem diante do massacre de popula\u00e7\u00f5es desarmadas. Por isso, quando um povo decide recuperar \u2013 ainda que somente em parte \u2013 os recursos que s\u00e3o soberanamente seus e as riquezas constru\u00eddas com seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o, h\u00e1 que se preparar para defend\u00ea-los com suas pr\u00f3prias armas.<\/p>\n<p>Nos manifestaremos em Madri no s\u00e1bado dia 21 de dezembro, \u00e0s 18 horas, a partir da Glorieta de Atocha at\u00e9 o Minist\u00e9rio de Assuntos Exteriores, contra o golpismo imperialista e em solidariedade com a luta dos povos latino-americanos.<\/p>\n<p>[1] Navarro Santiago (2018) La nueva estrategia del Comando Sur de los Estados Unidos en Latinoam\u00e9rica. http:\/\/rcci.net\/globalizacion\/2019\/fg3932.htm<\/p>\n<p>[2] Neste artigo\u00bb Israel y su larga data en Am\u00e9rica Latina\u00bb Yadira Cruz Valera analisa a implica\u00e7\u00e3o de Israel em diversos golpes de Estado na Am\u00e9rica Latina https:\/\/www.prensa-latina.cu\/index.php?o=rn&amp;id=308864&amp;SEO=israel-y-su-larga-data-en-america-latina . Aqui se faz refer\u00eancia \u00e0s m\u00faltiplas den\u00fancias da utiliza\u00e7\u00e3o de armamento e t\u00e9cnica militar israelenses na repress\u00e3o \u00e0s mociliza\u00e7\u00f5es populares contra Pi\u00f1era no Chile http:\/\/piensachile.com\/2019\/11\/chile-e-israel-una-alianza-asesina\/<\/p>\n<p>[3] http:\/\/www.institutodeestrategia.com\/articulo\/americas\/estados-unidos-otan\/20171030175356007625.html<\/p>\n<p>[4] Os pa\u00edses latino-americanos participantes das manobras militares Unitas 2018, junto aos EUA foram: Argentina, Brasil, Costa Rica, Equador, Honduras, M\u00e9xico, Panam\u00e1, Honduras, Reino Unido, Rep\u00fablica Dominicana.<\/p>\n<p>[5] https:\/\/www.asturbulla.org\/index.php\/temas\/economia\/32685-el-impacto-de-la-ue-en-la-industria-espan-ola<\/p>\n<p>[6] Maestro Mart\u00edn, \u00c1ngeles (2018) \u00abEl R\u00e9gimen de la Transici\u00f3n y el capital espa\u00f1ol en el saqueo de Am\u00e9rica Latina\u00bb. http:\/\/redroja.net\/index.php\/autores\/angeles-maestro\/4862-el-regimen-de-la-transicion1-y-el-capital-espanol-en-el-saqueo-de-america-latina#sdfootnote16sym<\/p>\n<p>[7] https:\/\/www.pv-magazine-latam.com\/2019\/11\/04\/bolivia-cancela-la-joint-venture-para-explotar-el-litio-con-una-empresa-alemana\/<\/p>\n<p>[8] http:\/\/www.finanzas.com\/noticias\/empresas\/20180518\/consorcio-chino-adjudica-millones-3843525.html<\/p>\n<p>[9] https:\/\/www.tercerainformacion.es\/articulo\/internacional\/2019\/12\/06\/demuestran-implicacion-de-eeuu-en-golpe-de-estado-en-bolivia<\/p>\n<p>[10] https:\/\/elpais.com\/internacional\/2019\/08\/27\/america\/1566924897_335190.html<\/p>\n<p>[11] https:\/\/www.tercerainformacion.es\/articulo\/actualidad\/2019\/11\/12\/el-gobierno-espanol-condena-la-intervencion-del-ejercito-para-forzar-la-dimision-de-evo-morales-pero-elude-hablar-de-golpe-de-estado<\/p>\n<p>[12] http:\/\/atilioboron.com.ar\/el-golpe-en-bolivia-cinco-lecciones\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24493\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[228],"class_list":["post-24493","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6n3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24493\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}