{"id":245,"date":"2010-01-08T19:28:33","date_gmt":"2010-01-08T19:28:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=245"},"modified":"2010-01-08T19:28:33","modified_gmt":"2010-01-08T19:28:33","slug":"as-farc-sao-invenciveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/245","title":{"rendered":"As FARC s\u00e3o invenc\u00edveis!"},"content":{"rendered":"\n<p>Botero \u00e9 um jornalista diferente daqueles melindrosos e cretinos que vemos nos cen\u00e1rios dos escrit\u00f3rios das ind\u00fastrias midi\u00e1ticas. Trajando seu uniforme de combate, Jorge Enrique percorre os lugares mais rec\u00f4nditos para indagar, investigar sobre os acontecimentos, sobretudo para, atrav\u00e9s de uma pr\u00e1tica militante n\u00e3o apenas relacionada a sua atividade de jornalista, mas sim com a causa revolucion\u00e1ria, divulgar com objetividade e veracidade o que ocorre nos locais onde avan\u00e7a a luta pela conquista de uma Nova Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Apesar das acusa\u00e7\u00f5es feitas contra ele pelo narco-paramilitar presidente da Col\u00f4mbia, \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez e seus auxiliares, n\u00e3o possui nenhum temor de expor com clareza as mentiras que se divulgam sobre as FARC- EP atrav\u00e9s de uma muito efetiva campanha propagand\u00edstica, difundida pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da oligarquia colombiana e do imperialismo ianque.<\/p>\n<p>Com seus conhecimentos, resultado de suas viv\u00eancias e sua atividade como rep\u00f3rter, assim como de seu amplo saber sobre a hist\u00f3ria de seu pa\u00eds, p\u00f4de demonstrar que a insurg\u00eancia colombiana n\u00e3o \u00e9 uma agrupa\u00e7\u00e3o terrorista, e sim uma forma\u00e7\u00e3o constitu\u00edda de homens e mulheres com profundas convic\u00e7\u00f5es e ideais revolucion\u00e1rios que lutam para mudar a realidade vergonhosa a que est\u00e1 submetida a maioria de colombianas e colombianos.<\/p>\n<p>Jorge Enrique Botero representa o que os jornalistas deveriam ser: profundos conhecedores da hist\u00f3ria e realidade social dos povos, indagadores ass\u00edduos que buscam a raiz das coisas, pessoas com convic\u00e7\u00f5es profundas e com s\u00f3lidos princ\u00edpios, lutadores e revolucion\u00e1rios da causa dos oprimidos e explorados e n\u00e3o rasteiros e obedientes reprodutores dos donos das ind\u00fastrias midi\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Com Botero \u00e9 poss\u00edvel compreender em sua totalidade o que \u00e9 a insurg\u00eancia colombiana, representada, principalmente, pelas FARC-EP.<\/p>\n<p><strong>1. A propaganda do imperialismo e da oligarquia colombiana representada, principalmente, pelas ind\u00fastrias midi\u00e1ticas qualificam as FARC-EP como uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista, de narcotraficantes. Como jornalista e investigador, o que pode dizer sobre essas afirma\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Responderia a voc\u00ea, Dax, o mesmo que disse a um tribunal dos EUA, quando julgavam um dos comandantes das FARC extraditados para esse pa\u00eds, Sim\u00f3n Trinidad, em virtude de um tratado que existe entre o governo da Col\u00f4mbia e o dos EUA. Um magistrado perguntou o que eram as FARC para mim. Respondi que para mim as FARC s\u00e3o uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar que levanta armas contra o governo colombiano h\u00e1 quase 50 anos, que possui uma estrutura e uma forma organizativa que permitem a exist\u00eancia de um ex\u00e9rcito rebelde dentro do territ\u00f3rio colombiano e que \u00e9 inspirada em ideais e convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas, estendida por todo o territ\u00f3rio colombiano e que tem uma decidida voca\u00e7\u00e3o de poder e que, neste momento, \u00e9 um fator de poder no pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de nenhuma maneira uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista. Me parece que esta tem sido uma cria\u00e7\u00e3o p\u00e9rfida da m\u00eddia orientada e dirigida pelas elites da Col\u00f4mbia e dos EUA, que se aproveitam um pouco da conjuntura posterior ao 11 de Setembro de 2001 e sustentam em evid\u00eancias inexistentes, posto que n\u00e3o h\u00e1 provas sobre isso.<\/p>\n<p>S\u00e3o muito mencionados certos tipos de a\u00e7\u00f5es empreendidas pelas FARC para sustentar sua suposta condi\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o terrorista, como, por exemplo, os seq\u00fcestros. Este \u00e9 um dos cavalos de batalha com que se trabalha a id\u00e9ia de terrorismo das FARC.<\/p>\n<p>Eu posso relatar, por j\u00e1 ter estado em contato e no local, sobre a condi\u00e7\u00e3o dos prisioneiros de guerra, membros da for\u00e7a p\u00fablica, que est\u00e3o atualmente sob a cust\u00f3dia da insurg\u00eancia. S\u00e3o pessoas que ca\u00edram em poder de seu advers\u00e1rio depois de horas e horas de combate, de enfrentar com balas seu advers\u00e1rio. Ent\u00e3o, algumas pessoas duraram dez, quinze horas combatendo e ca\u00edram em poder de seu advers\u00e1rio. Elas n\u00e3o podem ser chamadas de seq\u00fcestradas. S\u00e3o prisioneiros de guerra. Isso n\u00e3o possui outra denomina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, se acusa a insurg\u00eancia armada de ser uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista porque, supostamente, faz recrutamentos for\u00e7ados de menores de idade. Isso \u00e9 absolutamente falso! Eu podia constatar essa situa\u00e7\u00e3o com meu pr\u00f3prio trabalho como rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Evidentemente existem menores de idade na insurg\u00eancia. Isso \u00e9 uma quest\u00e3o ineg\u00e1vel e tampouco \u00e9 algo que diminui a insurg\u00eancia. Quando as c\u00e2meras fotogr\u00e1ficas de todo o mundo entraram na zona de Cagu\u00e1n, puderam registrar, aberta e livremente, a presen\u00e7a de menores de idade ali. Por\u00e9m, a explica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a dos menores n\u00e3o tem nada a ver com um recrutamento for\u00e7ado. Tem a ver com a falta de oportunidades e de futuro que possuem esses garotos, tem a ver com a aus\u00eancia total do Estado, de uma perspectiva educativa e com a aus\u00eancia total, em muitos casos, de condi\u00e7\u00f5es materiais adequadas para seu desenvolvimento. E mais, eu diria que a grande maioria desses menores que militam nas fileiras insurgentes est\u00e3o ali porque seus pais ou seus familiares foram assassinados, seja pelas for\u00e7as paramilitares, seja pelas for\u00e7as do Estado. Eu vi crian\u00e7as que chegam l\u00e1 fugindo de epis\u00f3dios brutais de viol\u00eancia. E o que faz a guerrilha? A guerrilha os acolhe. N\u00e3o vai deix\u00e1-los \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p>Posso dar meu testemunho de que s\u00e3o crian\u00e7as que n\u00e3o participam diretamente dos confrontos b\u00e9licos, que n\u00e3o est\u00e3o submetidos aos terr\u00edveis riscos do combate e que desempenham, quando muito, fun\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 log\u00edstica. Isso \u00e9 muito ir\u00f4nico. A acusa\u00e7\u00e3o de terrorismo \u00e0s FARC quanto ao seu m\u00e9todo de recrutamento de menores \u00e9 uma verdadeira ironia, porque o que se v\u00ea \u00e9 que esses menores s\u00e3o obrigados sim a aprender a ler, a escrever, alfabetizando-se no mundo insurgente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual viola\u00e7\u00e3o aos Direitos Humanos Internacionais est\u00e1 ocorrendo aqui? Ao meu modo, nenhuma.<\/p>\n<p>Enfim, h\u00e1 uma s\u00e9rie de acusa\u00e7\u00f5es que necessitam de evid\u00eancias, n\u00e3o s\u00e3o mais que uma constru\u00e7\u00e3o da m\u00eddia.<\/p>\n<p><strong>2. Outra acusa\u00e7\u00e3o que fazem \u00e0s FARC como parte de uma campanha de desprestigio, que est\u00e1 mais evidente desde o assassinato de Ra\u00fal Reyes, de Iv\u00e1n R\u00edos, as deser\u00e7\u00f5es de pessoas que, supostamente, teriam uma alta patente dentro da estrutura militar das FARC como Karina ou a trai\u00e7\u00e3o de comandantes na famosa Opera\u00e7\u00e3o Jaque, \u00e9 de que esta organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria est\u00e1 desmoralizada, em vias de ser derrotada e que seus combatentes nela permanecem n\u00e3o por princ\u00edpios revolucion\u00e1rios, e sim para delinq\u00fcir. Voc\u00ea que conhece de fato as FARC-EP e que tem estado em acampamentos guerrilheiros, o que pode dizer a respeito?<\/strong><\/p>\n<p>Bom, \u00e9 evidente que ao longo dos anos de 2007 e 2008 se desenvolveu uma gigantesca opera\u00e7\u00e3o militar que vem custando milhares e milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares ao governo dos EUA e ao governo da Col\u00f4mbia. Essa opera\u00e7\u00e3o faz uso dos mais sofisticados aparatos de tecnologia moderna no terreno b\u00e9lico. Assim, as FARC receberam uma s\u00e9rie de golpes que, em primeiro lugar, comprovam que o Estado colombiano e seu grande aliado norte-americano investem somas monstruosas de dinheiro para poder confrontar seu advers\u00e1rio, desmentindo aquela id\u00e9ia de que na Col\u00f4mbia n\u00e3o h\u00e1 conflito armado. Dessa maneira, receberam golpes, \u00e9 uma guerra e nessa guerra h\u00e1 momentos de desequil\u00edbrio da balan\u00e7a militar.<\/p>\n<p>Recordo, por exemplo, que no ano de 1998 as FARC empreenderam mais ou menos 10 golpes de grandes propor\u00e7\u00f5es \u00e0s for\u00e7as militares e chegaram a ter 500 soldados e policiais em seu poder como prisioneiros de guerra. A balan\u00e7a militar estava decididamente a favor da insurg\u00eancia. Entre outras coisas, alguns analistas dizem que foi isso que obrigou o governo do presidente Pastrana a chegar a uma negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que ficou conhecida como a negocia\u00e7\u00e3o de Cagu\u00e1n.<\/p>\n<p>Agora, os golpes sofridos pelas FARC atualmente, indubitavelmente ressentiram a estrutura e, porque n\u00e3o, o \u00e2nimo da insurg\u00eancia. Para uma guerrilha cujo grande mito fundacional, cujo grande emblema, cuja luz era Manuel Marullanda V\u00e9lez, j\u00e1 n\u00e3o t\u00ea-lo \u00e9 um grande golpe mental nos guerrilheiros. Os epis\u00f3dios que voc\u00ea menciona, a morte em territ\u00f3rio equatoriano do Comandante Ra\u00fal Reyes, o posterior assassinato de Iv\u00e1n R\u00edos, etc, geraram tamb\u00e9m efeitos na estrutura militar porque eram chefes guerrilheiros e sobre seus homens, j\u00e1 que pesaram sobre eles a responsabilidade de substituir os antigos chefes.<\/p>\n<p>Por\u00e9m quero dizer a voc\u00ea, Dax, que eu, como observador atento dessa realidade, prognostiquei naqueles momentos que a guerrilha ia custar muit\u00edssimo tempo e esfor\u00e7o para recompor-se dos golpes sofridos. E no desenvolvimento de meu trabalho como rep\u00f3rter e de cobertura do conflito colombiano voltei ao mundo insurgente em v\u00e1rias ocasi\u00f5es depois desses epis\u00f3dios e eu fiquei verdadeiramente surpreso, at\u00f4nito, diria eu, com a capacidade de recupera\u00e7\u00e3o que tem a guerrilha. Isso talvez porque, digamos, sua for\u00e7a interior \u00e9 muito grande ou porque seus mitos fundacionais e seus prop\u00f3sitos s\u00e3o a prova de tudo ou, talvez, porque haviam previsto tudo.<\/p>\n<p>Eu recordo bem que em minhas viagens para entrevistar o Comandante Ra\u00fal Reyes, eu mencionava com pesar ou prestava condol\u00eancias por estar inteirado do assassinato ou da morte em combate de algum guerrilheiro que conhec\u00edamos e que ele se surpreendia com a minha preocupa\u00e7\u00e3o. Dizia \u201cse n\u00f3s assumimos que estamos em uma guerra, o mais normal que poder acontecer \u00e9 a morte\u201d. Eles t\u00eam assumido isso desde que tomaram as armas e enfrentaram o Estado. Tamb\u00e9m sabem que uma das possibilidades, inclusive uma das maiores possibilidades de sua vida, \u00e9 a morte. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o sei na realidade quais s\u00e3o os significados ou a soma dos significados que existe hoje em dia. Depois de semelhantes golpes, as FARC est\u00e3o novamente com grande disposi\u00e7\u00e3o combativa, talvez at\u00e9 maior que a de alguns anos, e que com uma imensa capacidade de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu acredito que o discurso deste oficial do alto comando militar e do pr\u00f3prio presidente Uribe no sentido de que as FARC est\u00e3o a ponto de serem exterminadas, a poucas horas de sua dissolu\u00e7\u00e3o total, n\u00e3o \u00e9 mais que uma aspira\u00e7\u00e3o deles, um sonho.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, eu digo com todas as letras, e n\u00e3o digo como uma frase feita, eu digo como uma realidade hist\u00f3rica, poss\u00edvel de comprovar pela ci\u00eancia, pela hist\u00f3ria, pela pol\u00edtica que as FARC s\u00e3o invenc\u00edveis! S\u00e3o invenc\u00edveis!<\/p>\n<p>A outra discuss\u00e3o \u00e9 sobre as possibilidades ou a capacidade de chegar ao poder. \u00c9 uma outra discuss\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o v\u00e3o aniquilar as FARC. E como n\u00e3o a aniquilar\u00e3o, isto nos leva a concluir, se somos seres humanos sensatos, pensamos num pa\u00eds, no futuro da sociedade colombiana e no \u00e2mbito latino-americano, que a \u00fanica sa\u00edda \u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9 a via do di\u00e1logo, \u00e9 a assinatura de um grande pacto de paz que devolva aos colombianos algo que nos \u00e9 de muito apre\u00e7o e que perdemos durante cinco d\u00e9cadas, a paz, e que nos permita ver o futuro de outra maneira, n\u00e3o com esta sensa\u00e7\u00e3o permanente de belicismo e agressividade a qual estamos acostumados no governo Uribe.<\/p>\n<p><strong>3. Muito poucas pessoas podem ter acesso a uma informa\u00e7\u00e3o objetiva, ver\u00eddica do que realmente constitui as FARC-EP. Esta situa\u00e7\u00e3o permite que a propaganda do imperialismo e dos regimes narco- paramilitares colombianos se dissemine e conven\u00e7a muita gente, internalizando a qualifica\u00e7\u00e3o das FARC como organiza\u00e7\u00e3o terrorista. Como comunicador social, que elementos voc\u00ea considera que caracterizam essa propaganda e como enfrentar essa propaganda para que as pessoas compreendam melhor o que s\u00e3o as FARC?<\/strong><\/p>\n<p>Important\u00edssima essa pergunta, Dax. Porque creio que a\u00ed est\u00e1 o n\u00f3 que temos que desatar. Eu acredito que a sociedade colombiana est\u00e1 aterrorizada. O grande trabalho da m\u00eddia \u00e9 conduzido pelas mais altas esferas do poder, sobretudo o poder econ\u00f4mico, \u00e9 fazer a sociedade colombiana acreditar que existe um inimigo a postos, que estamos em meio aos piores perigos e que h\u00e1 que cerrar fileiras e apoiar a id\u00e9ia de que a \u00fanica forma de acabar com esse monstro que supostamente existe, pronto para devorar a sociedade colombiana, \u00e9 com todos os fogos, com todos os ferros.<\/p>\n<p>Repare que a constru\u00e7\u00e3o da amea\u00e7a terrorista das FARC, que assim \u00e9 denominada pelo presidente Uribe, est\u00e1 agregada a outro grande dem\u00f4nio que tem aterrorizado e paralisado a sociedade colombiana. H\u00e1 movimentos de resist\u00eancia, h\u00e1 gente na rua e na insurg\u00eancia armada, por\u00e9m, se voc\u00ea observa o conjunto da sociedade colombiana, ver\u00e1 que ela est\u00e1 absolutamente paralisada e isso facilita a constru\u00e7\u00e3o de outro dem\u00f4nio que \u00e9 ningu\u00e9m menos que o presidente Ch\u00e1vez. Falta pouco para que nas rotinas familiares da Col\u00f4mbia, aquela amea\u00e7a feitas \u00e0s crian\u00e7as que n\u00e3o querem comer, de trazer o bicho pap\u00e3o, se converta em se n\u00e3o comerem, trar\u00e3o Ch\u00e1vez. \u00c9 impressionante o n\u00edvel de macartiza\u00e7\u00e3o, estigmatiza\u00e7\u00e3o e caricaturiza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo feito do presidente da Venezuela pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nessa atmosfera de sociedade paralisada, que repito ser fruto de uma grande constru\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e com isso respondo a sua primeira pergunta, eu vejo que n\u00e3o nos resta outro caminho que o de estimular e dar todo apoio, impulso, esfor\u00e7o que seja poss\u00edvel \u00e0quelas express\u00f5es comunicativas que saem do discurso oficial.<\/p>\n<p>Convers\u00e1vamos ontem, na abertura do encontro continental de jornalistas, sobre a quantidade de ferramentas que est\u00e3o ao nosso alcance agora, e tamb\u00e9m fal\u00e1vamos da afortunada apari\u00e7\u00e3o da Telesur no espectro eletromagn\u00e9tico de nosso continente. E falamos at\u00e9 das paredes. Enfim, eu penso, Dax, que n\u00e3o nos resta outra sa\u00edda se n\u00e3o nos engajar numa guerra midi\u00e1tica, \u00e0s armas midi\u00e1ticas, com todos os ferros, com todas as ferramentas ao nosso alcance!<\/p>\n<p>Temos que contra-atacar de mil maneiras este ataque t\u00e3o terr\u00edvel do qual estamos sendo v\u00edtimas. N\u00e3o como revolucion\u00e1rios, mas as sociedades como um todo, a sociedade colombiana no nosso caso, e a sociedade latino- americana que parece adormecer perante o exitoso projeto comunicacional impulsionado pelas elites.<\/p>\n<p>Isso n\u00f3s tamb\u00e9m temos que aprender. Eu n\u00e3o creio que vamos apelar para as imundices que eles apelam e para as manipula\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, do ponto de vista t\u00e9cnico, do ponto de vista est\u00e9tico, da qualidade, temos que aprender a utilizar muitos desses recursos porque, repito, se algo que temos que reconhecer \u00e9 que sua tarefa foi objetiva e eficaz. \u00c9 uma porcaria, um atropelo, \u00e9 uma coisa maquiav\u00e9lica, mas eficaz. Ent\u00e3o, temos que redobrar os esfor\u00e7os com grande decis\u00e3o, para ver se conseguimos reverter ou nivelar um pouco a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>4. Parte dos ataques contra as FARC-EP constituem a criminaliza\u00e7\u00e3o de todas e todos aqueles que, de certa maneira, manifestam apoio \u00e0 insurg\u00eancia colombiana. J\u00e1 o qualificaram de porta-voz dos \u201cterroristas\u201d. Isto faz, inclusive, com que as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e os intelectuais que vem expressando certo respaldo \u00e0s FARC-EP, tenham medo de faz\u00ea-lo com maior empenho, mantendo-se em sil\u00eancio, enquanto o imperialismo e a oligarquia vociferam o que bem entendem. O que fazer para enfrentar esta campanha de amedrontamento que conduz ao silenciamento?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho uma teoria sobre isso. O que se busca com essa tarefa de criminalizar, estigmatizar e p\u00f4r uma etiqueta, um \u201cINRI\u201d nas pessoas \u00e9 basicamente amedrontar, para que nos escondamos, fujamos. Por exemplo, eu que estou na Col\u00f4mbia fugiria para o Equador, para a Venezuela, para a Europa. Isso \u00e9 o que querem e por isso colocam em perigo a vida de muitas pessoas e reproduzem estas qualifica\u00e7\u00f5es absurdas e sem sustento que fazem sobre essas pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, equipes de trabalho.<\/p>\n<p>O presidente Uribe disse numa entrevista coletiva que fulano, fulano e fulano, referindo-se a tr\u00eas jornalistas, entre eles eu, \u201cs\u00e3o porta-vozes da insurg\u00eancia e publicit\u00e1rios do terrorismo\u201d. Na Col\u00f4mbia, h\u00e1 mais de dez loucos que interpretam isso como uma ordem para assassinar uma a uma essas pessoas citadas pelo presidente. Ent\u00e3o, \u00e9 isso que acontece. As op\u00e7\u00f5es, repito, s\u00e3o duas; me escondo, passo para a clandestinidade e come\u00e7o a fazer coisas que eu n\u00e3o conhe\u00e7o e n\u00e3o sei fazer e farei mal ou amplio meu cen\u00e1rio de a\u00e7\u00e3o e sigo fazendo meu trabalho e o fa\u00e7o com mais empenho, me coloco mais vis\u00edvel e com mais visibilidade, de certa maneira, me protejo.<\/p>\n<p>E bom, tenho que apelar tamb\u00e9m para as organiza\u00e7\u00f5es internacionais que velam por esses temas de direitos humanos, as organiza\u00e7\u00f5es de jornalistas de todo o mundo, aos pronunciamentos de personalidades internacionais. Isso de alguma maneira limita a capacidade de agress\u00e3o das pessoas contra as quais decidimos enfrentar.<\/p>\n<p>Eu me situo ao lado dos que buscam crescer perante esses ataques e censuro, ainda que entenda e aceite em muitos casos, j\u00e1 que n\u00e3o parece ser o caminho mais adequado, o ex\u00edlio, o desaparecer de cena, o calar-se.<\/p>\n<p><strong>5. Outra acusa\u00e7\u00e3o contra as FARC-EP \u00e9 a de que esta organiza\u00e7\u00e3o mant\u00e9m seq\u00fcestrados um grande n\u00famero de pessoas em campos de prisioneiros na selva, onde os mesmos s\u00e3o maltratados e at\u00e9 mesmo torturados. Voc\u00ea que teve a oportunidade de estar nestes lugares, pode contar-nos qual \u00e9 a realidade sobre os c\u00e1rceres das FARC-EP?<\/strong><\/p>\n<p>Este assunto sobre a suposta crueldade no tratamento aos prisioneiros de guerra \u00e9 outra constru\u00e7\u00e3o da m\u00eddia.<\/p>\n<p>Vejamos.<\/p>\n<p>Evidentemente as imagens do cativeiro, eu gravei v\u00e1rias delas, ali\u00e1s, acredito que oitenta por cento das imagens que saem do cativeiro s\u00e3o minhas j\u00e1 que eu estive ali algumas vezes, s\u00e3o bastante fortes. Estamos falando de pessoas que est\u00e3o num cativeiro localizado na selva fechada, em condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas dif\u00edceis, em condi\u00e7\u00f5es de salubridade complicadas, com dificuldades de alimenta\u00e7\u00e3o muitas vezes, em \u00e9pocas como ver\u00e3o aumentam as dificuldades de conseguir \u00e1gua, s\u00e3o lugares onde entra muito pouco sol, est\u00e3o no meio da mata. Repito que, do ponto de vista do impacto visual, \u00e9 muito f\u00e1cil usar essas imagens para o fim que se deseja.<\/p>\n<p>Eu me recordo, por exemplo, quando eu exibi algumas imagens no canal do Caracol onde eu trabalhava, dos 500 soldados que diziam terem estado presos pela guerrilha. Quando apresentei essas imagens, apresentei tamb\u00e9m um document\u00e1rio e o canal me censurou, n\u00e3o deixou ir ao ar, por\u00e9m ficou com as minhas imagens. Eu denunciei a censura e eles me demitiram. Por\u00e9m, os filhos da m\u00e3e ficaram com as minha imagens e come\u00e7aram a divulg\u00e1-las, colocando na metade da tela imagens dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazifascista na Alemanha da Segunda Guerra Mundial e na outra metade da tela as minhas imagens, fazendo uma compara\u00e7\u00e3o, uma analogia entre os campos de concentra\u00e7\u00e3o nazista e os lugares onde estive. Nada a ver! Era uma utiliza\u00e7\u00e3o, uma manipula\u00e7\u00e3o. Eu processei a Caracol por isso, porque entre outras coisas, estavam colocando minha vida em risco, aparentando que eu estivera ido a esses lugares para tal prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Pois bem, vou falar um pouquinho das condi\u00e7\u00f5es do cativeiro. A figura me causa sentimentos conflitantes. Eu entendo que a guerra \u00e9 uma confronta\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o pessoas que caem em meio a conflagra\u00e7\u00e3o nesta situa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o extrema que \u00e9 muito f\u00e1cil de manipular e de converter em uma m\u00e1 imagem para a insurg\u00eancia.<\/p>\n<p>Advirto que s\u00e3o as mesmas condi\u00e7\u00f5es nas quais est\u00e3o os guerrilheiros. As pessoas que est\u00e3o no cativeiro tomam caf\u00e9-da-manh\u00e3, almo\u00e7am e jantam o mesmo que os guerrilheiros. S\u00e3o pessoas que recebem assist\u00eancia m\u00e9dica, inclusive odontol\u00f3gica. Do ponto de vista da rotina, n\u00e3o recebem maus tratos, n\u00e3o servem de exemplo para ensinamentos por parte de seus captores e at\u00e9 tenho percebido certas situa\u00e7\u00f5es de familiaridade, de camaradagem e de amizade, de alguma forma, entre uns e outros.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a resposta que se d\u00e1 a um preso que se insurreta num c\u00e1rcere qualquer do mundo? \u00c9 o castigo e castigos tenebrosos. Calabou\u00e7o, isolamento, etc.<\/p>\n<p>O que acontece a um preso em qualquer c\u00e1rcere do mundo que tenta fugir? Existe uma ordem que \u00e9 impedir a fuga ou a inten\u00e7\u00e3o de fuga, o que ocorrer\u00e1 com graves conseq\u00fc\u00eancias para sua vida. O mesmo acontece l\u00e1, porque a insurg\u00eancia trata de prisioneiros. Ent\u00e3o, se um grupo de prisioneiros tenta fugir, no dia seguinte todos amanhecem presos com cadeados. Se um grupo de presos ou um preso faz coisas que possam colocar em perigo a seguran\u00e7a dos demais e tamb\u00e9m da insurg\u00eancia e dos guerrilheiros que os guardam, recebem um castigo. Claro, que isso num relato, na utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia \u00e9 transformado em algo absurdamente cruel e inumano.<\/p>\n<p>Cabe advertir que \u00e9 muito doloroso quando me encontro nessas situa\u00e7\u00f5es. Creio que se tem explorado muito o tema com o intuito, repito, de dar uma apar\u00eancia de crueldade, a qual estou seguro que n\u00e3o existe na insurg\u00eancia. E se existe, s\u00e3o fatos isolados, fatos que s\u00e3o pun\u00edveis por estatuto e regulamentos das FARC.<\/p>\n<p><strong>6. Para desprestigiar as FARC-EP, a campanha propagand\u00edstica do imperialismo e da oligarquia colombiana assinala permanentemente que nas fileiras desta organiza\u00e7\u00e3o se maltrata as mulheres. Voc\u00ea teve a oportunidade de conhecer a Lucero, a \u201cbel\u00edssima Lucero\u201d, a companheira de Sim\u00f3n Trinidad. Conte-nos algo sobre essa excepcional mulher.<\/strong><\/p>\n<p><em>(Jorge Enrique Botero se comove ao escutar o nome de Lucero. Seus olhos se enchem de l\u00e1grimas)<\/em><\/p>\n<p>Homem, Dax. Escutar o nome de Lucero \u00e9 emocionante. \u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o grande, \u00edntima, interna.<\/p>\n<p>Lucero \u00e9 uma t\u00edpica representante das jovens colombianas que chegam \u00e0 insurg\u00eancia por via pol\u00edtica. Ela \u00e9 uma garota que em sua \u00e9poca de estudante se forma politicamente, ingressa nas fileiras da Juventude Comunista, atua na legalidade e v\u00ea cair ao seu redor todos os companheiros de luta que n\u00e3o desfechavam tiros, mas lutavam na esfera legal da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Lucero \u00e9 proveniente de uma pequena popula\u00e7\u00e3o da Costa Atl\u00e2ntica colombiana. Ingressa \u00e0 Uni\u00e3o Patri\u00f3tica e assiste ao assassinato a tiros de todos os seus dirigentes. Tem a sorte de encontrar com uma frente guerrilheira comandada por Sim\u00f3n Trinidad e ante a eventualidade de morrer ou abandonar a luta, prefere optar por seguir seus ideais.<\/p>\n<p>Maus tratos? Jamais observei. \u00c9 muito poss\u00edvel. Estamos falando de homens e mulheres que possuem sentimentos, inclusive, inveja. \u00c9 poss\u00edvel que tenham ocorrido epis\u00f3dios meio dram\u00e1ticos, inclusive violentos, entre paredes, assim como atitudes machistas, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, por exemplo, um epis\u00f3dio de viol\u00eancia sexual contra uma guerrilheira \u00e9 o menos prov\u00e1vel que eu possa imaginar. Um epis\u00f3dio de viol\u00eancia sexual contra uma guerrilheira \u00e9 castigado com pena m\u00e1xima ou se um guerrilheiro se sobrep\u00f5e ou atua de maneira agressiva contra mulheres da popula\u00e7\u00e3o civil, tamb\u00e9m \u00e9 objeto de fort\u00edssimos castigos.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pr\u00e1tico, da rotina di\u00e1ria da guerrilha, o conceito e a pr\u00e1tica do machismo n\u00e3o existe. Eu creio que um dos lugares onde as mulheres s\u00e3o mais realizadas e respeitadas em sua totalidade \u00e9 no mundo da insurg\u00eancia.<\/p>\n<p>Acho muita gra\u00e7a quando escuto fal\u00e1cias sobre os maus tratos \u00e0s mulheres, sobre a transforma\u00e7\u00e3o de mulheres em objeto sexual e sobre uma esp\u00e9cie de prova na qual, para ingressar na organiza\u00e7\u00e3o, as mulheres t\u00eam de passar aos bra\u00e7os dos comandantes. O que se objetiva com essas afirma\u00e7\u00f5es mentirosas \u00e9 desestimular o ingresso de garotas \u00e0 insurg\u00eancia e tenta-se criar a sensa\u00e7\u00e3o de que l\u00e1 \u00e9 um verdadeiro inferno machista, no qual a mulher \u00e9 apenas um objeto sexual para satisfazer os instintos dos demais. Por\u00e9m, creio que as guerrilheiras e os guerrilheiros morrem de rir e de raiva ao ouvir tais absurdos, pois l\u00e1 \u00e9 o local onde as mulheres s\u00e3o mais respeitadas.<\/p>\n<p>Obrigado, Jorge. Todo o meu carinho, respeito e admira\u00e7\u00e3o a voc\u00ea, por sua convic\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e sua atividade profissional como jornalista, mantendo-se ativo nos movimentos sociais e n\u00e3o apenas no cen\u00e1rio das ind\u00fastrias da m\u00eddia.<\/p>\n<p>Obrigado a voc\u00ea.<\/p>\n<p>Dezembro de 2009.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\">http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ANNCOL-Brasil\n\n\n\n\nEscrito por Dax Toscano Segovia\nNesta entrevista, o importante jornalista colombiano analisa a atualidade e a hist\u00f3ria das FARC, o maior grupo guerrilheiro que existe na Am\u00e9rica.\n\u00c0 \u201cbel\u00edssima Lucero\u201d e ao seu companheiro de luta, Sim\u00f3n Trinidad\nResumo latino-americano\/ ABP \u2013 Dias antes de contatar Jorge Enrique Botero, o entrevistador come\u00e7ou a ler um livro de autoria do jornalista colombiano, intitulado \u201cSim\u00f3n Trinidad, um homem de ferro\u201d. A leitura o fascinou desde o in\u00edcio ao tratar das passagens da vida de um dos comandantes das FARC, hoje detido injustamente num c\u00e1rcere norte-americano, pa\u00eds para o qual foi extraditado com o aval de Uribe, mas tamb\u00e9m por explicar a hist\u00f3ria de resist\u00eancia e rebeldia de um povo que vem sofrendo os embates de uma criminosa oligarquia criolla e do voraz imperialismo ianque, o que permite compreender porque a insurg\u00eancia colombiana \u00e9 a for\u00e7a revolucion\u00e1ria que, ao levantar as armas, se constituiu em ex\u00e9rcito e os colombianos que formam parte dessa massa s\u00e3o despossu\u00eddos, sem-terras e violentados por esses grupos do poder e seus criminosos aparatos militares e paramilitares.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/245\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-245","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3X","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}