{"id":24508,"date":"2019-12-15T12:33:22","date_gmt":"2019-12-15T15:33:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24508"},"modified":"2019-12-15T12:33:22","modified_gmt":"2019-12-15T15:33:22","slug":"mp-910-estimula-a-devastacao-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24508","title":{"rendered":"MP 910 estimula a devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49213862831_169013d5f7_z.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Registro de queimadas na BR-155, em Eldorado do Caraj\u00e1s, no Par\u00e1 \/ Catarina Barbosa\/Brasil de Fato<\/p>\n<p>Medida assinada por Bolsonaro pode incentivar o mercado da grilagem e favorecer acumula\u00e7\u00e3o de terras<\/p>\n<p>Catarina Barbosa<\/p>\n<p>Brasil de Fato | Bel\u00e9m (PA)<\/p>\n<p>O presidente Jair Bolsonaro assinou, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (10), a Medida Provis\u00f3ria (MP) 910 e anunciou que pretende legalizar, at\u00e9 2022, cerca de 600 mil im\u00f3veis rurais.<\/p>\n<p>Segundo especialistas consultados pelo Brasil de Fato, a MP vai premiar grileiros que invadem e desmatam a floresta Amaz\u00f4nica. A medida agora depende da aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, que tem prazo de 120 dias para analisar o texto.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora Brenda Brito, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a medida est\u00e1 alinhada aos interesses da bancada ruralista. Segundo ela, a medida pode estimular a invas\u00e3o de terras p\u00fablicas e o desmatamento ilegal.<\/p>\n<p>&#8220;Isso porque ela altera a data que diz at\u00e9 quando uma terra p\u00fablica pode ter sido ocupada para ter direito a um t\u00edtulo, cumprindo certos requisitos. Toda vez que essa data \u00e9 mudada a mensagem que se passa \u00e9 de que \u00e9 poss\u00edvel sempre mudar a lei para beneficiar quem est\u00e1 roubando terra p\u00fablica&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O texto da MP prev\u00ea que terras da Uni\u00e3o ou de responsabilidade do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) ocupadas at\u00e9 5 de maio de 2014 podem ser regularizadas. A regra anterior exigia que o ocupante comprovasse ocupa\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 22 de julho de 2008.<\/p>\n<p>&#8220;Se o Congresso Nacional aceitar essa MP, ser\u00e1 c\u00famplice de mais uma anistia ao roubo de terra p\u00fablica, j\u00e1 que quem invadiu ap\u00f3s 2011 sabia que estava cometendo um crime. Vai refor\u00e7ar a mensagem de que invadir e desmatar s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que merecem ser premiadas ao em vez de punidas&#8221;, resume.<\/p>\n<p>::Gest\u00e3o Bolsonaro agrava grilagem e estrangeiriza\u00e7\u00e3o de terras, dizem especialistas::<\/p>\n<p>A MP altera trechos de uma s\u00e9rie de leis, estabelecendo crit\u00e9rios, assim como a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, para a regulariza\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis rurais de at\u00e9 quinze m\u00f3dulos fiscais. Essa unidade de medida corresponde a uma \u00e1rea fixada pelo Incra em cada munic\u00edpio brasileiro, e pode variar de 180 hectares, no sul do pa\u00eds, at\u00e9 1,5 mil hectares na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>A norma em vigor at\u00e9 ent\u00e3o englobava propriedades de at\u00e9 quatro m\u00f3dulos fiscais. Com a expans\u00e3o da \u00e1rea m\u00e1xima, na Amaz\u00f4nia, por exemplo, propriedades de 22,5 mil hectares poder\u00e3o se tornar legais.<\/p>\n<p>Incentivo ao mercado do desmatamento<\/p>\n<p>O an\u00fancio do governo vem em um momento em que a Amaz\u00f4nia segue em foco, por conta dos n\u00fameros alarmantes do desmatamento ilegal, mas tamb\u00e9m do debate sobre as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas provocadas pelo avan\u00e7o desenfreado do capitalismo.<\/p>\n<p>Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2018 e julho de 2019 a \u00e1rea desmatada na Amaz\u00f4nia foi de 9.762 km\u00b2. O aumento foi de 29,5% em rela\u00e7\u00e3o aos 7.536 km\u00b2 devastados no ano anterior.<\/p>\n<p>::Campe\u00f5es de desmatamento e queimadas na Amaz\u00f4nia s\u00e3o dominados pelo gado e pela soja::<\/p>\n<p>Outro dado, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), que analisa informa\u00e7\u00f5es do Prodes (do INPE), mostra que 61% do desmatamento na Amaz\u00f4nia ocorrido em julho e agosto de 2018 foi realizado em terras p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O professor na Amaz\u00f4nia da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), Andr\u00e9 Cutrim explica que, se a MP 910 tivesse mesmo a pretens\u00e3o de promover a reforma agr\u00e1ria, deveria estar alinhada a outros prop\u00f3sitos, como a reestrutura\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria na regi\u00e3o e a desapropria\u00e7\u00f5es de terras improdutivas para fomentar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o fortalecimento da agricultura familiar.<\/p>\n<p>Especialista em gest\u00e3o de recursos naturais e desenvolvimento local, ele afirma que &#8220;h\u00e1 fortes raz\u00f5es para a gente acreditar que medidas como essas podem legalizar certos atos de grilagem e apossamento ileg\u00edtimo de terras que foram desmatadas&#8221;.<\/p>\n<p>::Pecu\u00e1ria \u00e9 respons\u00e1vel por 80% do desmatamento na Amaz\u00f4nia, afirma pesquisadora::<\/p>\n<p>Segundo ele, a MP, sem uma pol\u00edtica consistente de reforma agr\u00e1ria, pode terminar acirrando ainda mais os conflitos agr\u00e1rios dentro da fronteira amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00f3s avaliarmos a origem desse conflito \u00e9 um conflito gerador de morte, de persegui\u00e7\u00e3o, de expropria\u00e7\u00e3o e que \u00e9 \u2013 de alguma forma o resultado do antagonismo entre a propriedade privada familiar e a propriedade privada capitalista por assim dizer.&#8221;<\/p>\n<p>Fiscaliza\u00e7\u00e3o precarizada<\/p>\n<p>O sucateamento de institui\u00e7\u00f5es fiscalizadoras, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), por exemplo, corroboram para o aumento do desmatamento.<\/p>\n<p>O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi claro \u2013 desde a campanha \u2013 ao dizer que iria acabar com as multas ambientais e j\u00e1 fez diversos ataques verbais ao \u00f3rg\u00e3o fiscalizador e ao Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), ambos vinculados ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>::&#8221;Sou o capit\u00e3o motosserra&#8221;, diz Bolsonaro sobre aumento do desmatamento na Amaz\u00f4nia::<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos acompanhado uma discuss\u00e3o em torno das quest\u00f5es do desmatamento e h\u00e1 uma disposi\u00e7\u00e3o muito baixa do governo federal de verdadeiramente combater essa mazela na nossa regi\u00e3o e parece que o governo coloca muito mais a culpa nos outros do que nele mesmo&#8221;, argumenta Andr\u00e9 Cutrim.<\/p>\n<p>Para Ac\u00e1cio Briozo, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), a MP n\u00e3o representa uma novidade, mas um aprofundamento do discurso de Bolsonaro. Ele pede aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise da medida pelo Congresso Nacional.<\/p>\n<p>&#8220;A MP d\u00e1 uma sinaliza\u00e7\u00e3o muito forte de que vale um trip\u00e9 de ocupa\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio nacional que \u00e9 grilagem, viol\u00eancia e desmatamento. Isso \u00e9 algo que aparece com muita solidez quando coloca o limite de \u00e1rea no limite constitucional. Quando dispensa as vistorias das \u00e1reas, ent\u00e3o, s\u00e3o sinais bem caracter\u00edsticos da postura geral do governo, que est\u00e1 relacionado com a GLO [Garantia de Lei e da Ordem], com o armamento rural, todas essas outras pautas.&#8221;<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Rodrigo Chagas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24508\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[224],"class_list":["post-24508","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6ni","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24508"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24508\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}