{"id":2452,"date":"2012-02-23T02:09:46","date_gmt":"2012-02-23T02:09:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2452"},"modified":"2012-02-23T02:09:46","modified_gmt":"2012-02-23T02:09:46","slug":"a-qcrise-do-capitalismo-globalq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2452","title":{"rendered":"A &#8220;crise do capitalismo global&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>por James Petras\u00a0[*]<\/p>\n<p>Desde o\u00a0<em>Financial Times <\/em>at\u00e9 \u00e0 extrema-esquerda, toneladas de tinta t\u00eam sido gastas a escrever acerca de alguma variante da &#8220;Crise do capitalismo global&#8221;. Se bem que os autores divirjam quanto \u00e0s causas, consequ\u00eancias e curas, de acordo com as suas luzes ideol\u00f3gicas, h\u00e1 um acordo comum em que &#8220;as crises&#8221; amea\u00e7am acabar o sistema capitalista tal como o conhecemos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, entre 2008 e 2009, o sistema capitalista na Europa e nos Estados Unidos sofreu um choque severo que abalou os fundamentos do seu sistema financeiro e amea\u00e7ou levar \u00e0 bancarrota seus &#8220;sectores principais&#8221;.<\/p>\n<p>Contudo, argumentarei que as &#8220;crises do capitalismo&#8221; foram transformadas em &#8220;crises do trabalho&#8221;. O capital financeiro, o principal detonador do crash e da crise, recuperou-se, a classe capitalista como um todo foi fortalecida e, acima de tudo, ela utilizou as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e ideol\u00f3gicas criadas em resultado das &#8220;crises&#8221; para mais uma vez consolidar sua domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sobre o resto da sociedade.<\/p>\n<p>Por outras palavras, a &#8220;crise do capital&#8221; foi convertida numa vantagem estrat\u00e9gica para promover os interesses mais fundamentais do capital: a expans\u00e3o de lucros, a consolida\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio capitalista, a maior concentra\u00e7\u00e3o da propriedade, o aprofundamento de desigualdades entre capital e trabalho e a cria\u00e7\u00e3o de enormes reservas de trabalho para promover o aumento dos seus lucros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a no\u00e7\u00e3o de um crise global homog\u00e9nea do capitalismo passa por alto as profundas diferen\u00e7as em desempenho e condi\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses, classes e grupos et\u00e1rios.<\/p>\n<p>A tese da crise global: O argumento econ\u00f3mico e social<\/p>\n<p>Os advogados da crise global argumentam que come\u00e7ando em 2007 e continuando at\u00e9 o presente, o sistema capitalista mundial entrou em colapso e a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma miragem. Eles mencionam a estagna\u00e7\u00e3o e a recess\u00e3o cont\u00ednua na Am\u00e9rica do Norte e na Eurozona. Eles apresentam dados do PIB que variam entre o crescimento negativo e o zero.<\/p>\n<p>A sua argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiada por dados que mencionam dois d\u00edgitos de desemprego em ambas as regi\u00f5es. Frequentemente corrigem os dados oficiais que minimizam a percentagem desempregada atrav\u00e9s da exclus\u00e3o de trabalhadores desempregados em tempo parcial e a longo prazo. O argumento da &#8220;crise&#8221; \u00e9 fortalecido com a cita\u00e7\u00e3o dos milh\u00f5es de propriet\u00e1rios de casas que foram despejados pelos bancos, pelo aumento agudo da pobreza e da pen\u00faria que acompanha perdas de emprego, redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rio e a elimina\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os sociais. A &#8220;crise&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 associada ao aumento maci\u00e7o de bancarrotas, principal de pequenos e m\u00e9dios neg\u00f3cios e bancos regionais.<\/p>\n<p>A crise global: A perda de legitimidade<\/p>\n<p>Cr\u00edticos, especialmente na imprensa financeira, escrevem acerca de uma &#8220;crise de legitimidade do capitalismo&#8221; citando inqu\u00e9ritos que mostram maiorias substanciais a questionarem a justi\u00e7a do sistema capitalista, as vastas e crescentes desigualdades e as regras manipuladas pelas quais bancos exploram a sua dimens\u00e3o (&#8220;demasiado grande para falir&#8221;) a fim de atacar o Tesouro a expensas de programas sociais.<\/p>\n<p>Em suma, os advogados da tese de uma &#8220;Crise global do capitalismo&#8221; apresentam uma argumenta\u00e7\u00e3o convincente, demonstrando os efeitos profundos e generalizados do sistema capitalista sobre a vida da grande maioria da humanidade.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que uma &#8220;crise da humanidade&#8221; (mais especificamente dos trabalhadores assalariados) n\u00e3o \u00e9 o mesmo que uma crise do sistema capitalista. De facto, como argumentaremos adiante, a adversidade social crescente, o decl\u00ednio do rendimento e do emprego tem sido um factor importante que facilitou a recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e maci\u00e7a das margens de lucro da maior parte das corpora\u00e7\u00f5es de grande dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a tese de uma crise &#8220;global&#8221; do capitalismo combina economias, pa\u00edses, classes e grupos et\u00e1rios d\u00edspares com desempenhos agudamente divergentes em diferentes momentos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Crise global ou desenvolvimento irregular e desigual?<\/p>\n<p>\u00c9 absolutamente louco argumentar a exist\u00eancia de uma &#8220;crise global&#8221; quando v\u00e1rias das maiores economias na economia mundial n\u00e3o sofreram uma grande baixa de actividade e outras recuperaram-se e expandiram-se rapidamente. A China e a \u00cdndia n\u00e3o sofreram sequer uma recess\u00e3o. Mesmo durante os piores anos do decl\u00ednio europeu-estado-unidense, os gigantes asi\u00e1ticos cresceram a uma m\u00e9dia de cerca de 8%. As economias da Am\u00e9rica Latina, especialmente os maiores exportadores agro-minerais (Brasil, Argentina, Chile) com mercados diversificados, especialmente na \u00c1sia, detiveram-se brevemente (em 2009) antes de assumirem crescimento moderado a r\u00e1pido (entre 3% e 7%) entre 2010 e 2012.<\/p>\n<p>Ao agregar dados econ\u00f3micos da eurozona como um todo os advogados da crise global ignoraram as enormes disparidades de desempenho dentro da zona. Enquanto a Europa do Sul afunda-se numa depress\u00e3o profunda e constante, por qualquer medida, desde 2008 at\u00e9 o futuro previs\u00edvel, as exporta\u00e7\u00f5es alem\u00e3s em 2011 estabeleceram um recorde de um milh\u00e3o de milh\u00f5es\u00a0<em>(trillion) <\/em>de euros; seu excedente comercial atingiu 158 mil milh\u00f5es de euros, depois de excedentes de 155 mil milh\u00f5es de euros em 2010. (BBC News, Feb. 8 2012).<\/p>\n<p>Enquanto o desemprego agregado da eurozona atinge os 10,4%, as diferen\u00e7as internas desafiam qualquer no\u00e7\u00e3o de uma &#8220;crise geral&#8221;. O desemprego na Holanda \u00e9 4,9%, na \u00c1ustria 4,1% e na Alemanha 5,5% com reclama\u00e7\u00f5es do patronato de escassez de trabalho qualificado em sectores chave para o crescimento.<\/p>\n<p>Por outro lado, no explorado Sul da Europa o desemprego caminha para n\u00edveis de depress\u00e3o, Gr\u00e9cia 21%, Espanha 22,9%, Irlanda 14,5% e Portugal 13,6% (FT 1\/19\/12, p.7). Por outras palavras, &#8220;a crise&#8221; n\u00e3o afecta adversamente algumas economias, que de facto lucram com a sua domina\u00e7\u00e3o de mercado e fortaleza tecno-financeira em rela\u00e7\u00e3o a economias dependentes, devedoras e atrasadas.<\/p>\n<p>Falar de uma &#8220;crise global&#8221; obscurece as rela\u00e7\u00f5es fundamentais dominantes e exploradoras que facilitam a &#8220;recupera\u00e7\u00e3o&#8221; e o crescimento das economias de elite sobre e contra os seus competidores e estados clientes. Al\u00e9m disso os te\u00f3ricos da crise global erradamente amalgamam economias financeiras-especulativas cavalgadas pela crise (EUA, Inglaterra) com economias produtivas exportadoras (Alemanha, China).<\/p>\n<p>O segundo problema com a tese de uma &#8220;crise global&#8221; \u00e9 que ela ignora profundas diferen\u00e7as internas entre grupos et\u00e1rios. Em v\u00e1rios pa\u00edses europeus a juventude desempregada (16-25) chega a estar entre 30 e 50% (Espanha 48,7%, Gr\u00e9cia 47,2%, Eslov\u00e1quia 35,6%, It\u00e1lia 31%, Portugal 30,8% e Irlanda 29%) ao passo que na Alemanha, \u00c1ustria e Holanda o desemprego juvenil vai dos 7,8% para a Alemanha, 8,2% para a \u00c1ustria e 8,6% para a Holanda (<em>Financial Times <\/em>2\/1\/12, p2).<\/p>\n<p>Estas diferen\u00e7as fundamentam a raz\u00e3o porque n\u00e3o h\u00e1 um &#8220;movimento juvenil global&#8221; de &#8220;indignados&#8221; e &#8220;ocupantes&#8221;. Diferen\u00e7as de cinco vezes entre juventude desempregada n\u00e3o s\u00e3o prop\u00edcias \u00e0 solidariedade &#8220;internacional&#8221;. A concentra\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros do alto desemprego juvenil explica o desenvolvimento desigual dos protestos de rua em massa centrados especialmente no Sul da Europa. Tamb\u00e9m explica porque o movimento &#8220;anti-globaliza\u00e7\u00e3o&#8221; no Norte euro-americano \u00e9 em grande medida um f\u00f3rum sem vida que atrai explica\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas pomposas sobre a &#8220;crise capitalista global&#8221; e a impot\u00eancia dos &#8220;F\u00f3runs Sociais&#8221; que s\u00e3o incapazes de atrair milh\u00f5es de jovens desempregados do Sul da Europa. Eles s\u00e3o mais atra\u00eddos para a ac\u00e7\u00e3o directa.<\/p>\n<p>Te\u00f3ricos globalistas ignoram o modo espec\u00edfico pelo qual a massa de jovens trabalhadores desempregados \u00e9 explorada nos seus pa\u00edses dependentes cavalgados pela d\u00edvida. Eles ignoram o modo espec\u00edfico pelo qual s\u00e3o dominados e reprimidos por partidos capitalistas de centro-esquerda e de direita. O contraste \u00e9 mais evidente no Inverno de 2012. Trabalhadores gregos s\u00e3o pressionados a aceitar um corte de 20% nos sal\u00e1rios m\u00ednimos ao passo que trabalhadores da Alemanha est\u00e3o a exigir um aumento de 6%.<\/p>\n<p>Se a &#8220;crise&#8221; do capitalismo se manifesta em regi\u00f5es espec\u00edficas, ela igualmente afecta diferentes sectores et\u00e1rios\/raciais das classes assalariadas. As taxas de desemprego da juventude aos trabalhadores mais velhos variam enormemente. Na It\u00e1lia a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 3,5\/1, na Gr\u00e9cia 2,5\/1, em Portugal 2,3\/1, na Espanha 2,1\/1 e na B\u00e9lgica 2,9\/1. Na Alemanha \u00e9 1,5\/1 (FT 2\/1\/12). Por outras palavras, devido aos n\u00edveis de desemprego mais altos entre os jovens eles t\u00eam maior propens\u00e3o para a ac\u00e7\u00e3o directa &#8220;contra o sistema&#8221;, ao passo que trabalhadores mais velhos com n\u00edveis de emprego mais altos (e benef\u00edcios de desemprego) t\u00eam mostrado uma maior propens\u00e3o para confiar na urna eleitoral e comprometer-se em greves limitadas sobre quest\u00f5es relacionadas com o emprego e o pagamento. A vasta concentra\u00e7\u00e3o do desemprego entre jovens trabalhadores significa que eles constituem o &#8220;n\u00facleo dispon\u00edvel&#8221; para a ac\u00e7\u00e3o constante; mas tamb\u00e9m significa que s\u00f3 podem alcan\u00e7ar limitada unidade de ac\u00e7\u00e3o com a classe trabalhadora mais velha que experimenta desemprego de um algarismo.<\/p>\n<p>Contudo, tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro que a grande massa da juventude desempregada proporciona uma arma formid\u00e1vel, nas m\u00e3os dos patr\u00f5es, para amea\u00e7ar substituir trabalhadores empregados mais velhos. Hoje, os capitalistas recorrem constantemente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos desempregados para reduzir sal\u00e1rios e benef\u00edcios e intensificar a explora\u00e7\u00e3o (baptizada como &#8220;aumento de produtividade&#8221;) para aumentar margens de lucro. Longe de serem simplesmente um indicador da &#8220;crise capitalista&#8221;, os altos n\u00edveis de desemprego t\u00eam servido juntamente com outros factores para aumentar a taxa de lucro, acumular rendimento, ampliar desigualdades de rendimento as quais aumentam o consumo de bens de luxo para a classe capitalista: as vendas de autom\u00f3veis e rel\u00f3gios de luxo est\u00e3o florescentes.<\/p>\n<p>Crise de classe: A contra-tese<\/p>\n<p>Contrariando os te\u00f3ricos da &#8220;crise capitalista global&#8221;, emergiu uma quantidade substancial de dados que refuta suas suposi\u00e7\u00f5es. Um estudo recente informa &#8220;Lucros corporativos estado-unidenses est\u00e3o mais altos em propor\u00e7\u00e3o do produto interno bruto do que em qualquer momento desde 1950&#8221; (FT 1\/30\/12). Os saldos de caixa de companhias dos EUA nunca foram maiores, gra\u00e7as \u00e0 explora\u00e7\u00e3o intensificada dos trabalhadores e a um sistema de sal\u00e1rios multi-estratificado no qual novos contratados trabalham por uma frac\u00e7\u00e3o do que os trabalhadores mais velhos recebiam (gra\u00e7as a acordos assinados por l\u00edderes sindicais capachos).<\/p>\n<p>Os ide\u00f3logos da &#8220;crise do capitalismo&#8221; ignoraram os relat\u00f3rios financeiros das principais corpora\u00e7\u00f5es estado-unidenses. Segundo o relat\u00f3rio de 2011 da General Motors destinado aos seus accionistas, eles celebraram o maior lucro de sempre, revelando um lucro de US$7,6 mil milh\u00f5es, o que ultrapassa o recorde anterior de US$6,7 mil milh\u00f5es em 1997. Uma grande parte destes lucros resulta do congelamento dos seus fundos de pens\u00e3o subfinanciados e da extrac\u00e7\u00e3o de maior produtividade do menor n\u00famero de trabalhadores \u2013 por outras palavras, da intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o \u2013 e do corte pela metade dos sal\u00e1rios hor\u00e1rios dos novos contratados. (Earthlink News 2\/16\/12)<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a import\u00e2ncia agravada da explora\u00e7\u00e3o imperialista \u00e9 evidente pois a propor\u00e7\u00e3o de lucros das corpora\u00e7\u00f5es estado-unidenses que \u00e9 extra\u00edda al\u00e9m-mar mant\u00e9m-se em ascens\u00e3o a expensas do crescimento do rendimento dos empregados. Em 2011, a economia dos EUA cresceu em 1,7%, mas a mediana dos sal\u00e1rios caiu em 2,7%. Segundo a imprensa financeira, &#8220;as margens de lucro das S&amp;P 500 saltaram de 6% para 9% do PIB nos \u00faltimos tr\u00eas anos. A \u00faltima vez que foi alcan\u00e7ada tal propor\u00e7\u00e3o foi h\u00e1 tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es. Em linha gerais um ter\u00e7o, a fatia estrangeira destes lucros, mais do que duplicou desde 2000&#8221; (FT 2\/13\/12 P9. Se isto \u00e9 uma &#8220;crise capitalista&#8221;, ent\u00e3o quem \u00e9 que precisa de um boom capitalista?<\/p>\n<p>Inqu\u00e9ritos a corpora\u00e7\u00f5es de topo revelam que companhias estado-unidenses possuem US$1,73 milh\u00e3o de milh\u00f5es em cash, &#8220;os frutos do recorde de altas margens de lucro&#8221; (FT 1\/30\/12 p.6). Estas margens de lucro recorde resultam de despedimentos em massa os quais levaram \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o dos restantes trabalhadores. Taxas de juro federais desprez\u00edveis e acesso f\u00e1cil ao cr\u00e9dito tamb\u00e9m permitem aos capitalistas explorarem amplos diferenciais entre a contrac\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos e a concess\u00e3o dos mesmos e o investimento. Impostos mais baixos e cortes em programas sociais resultam numa crescente acumula\u00e7\u00e3o de cash das corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentro da estrutura corporativa, o rendimento vai para o topo onde executivos seniores pagam a si pr\u00f3prios b\u00f3nus enormes. Dentre as principais corpora\u00e7\u00f5es S&amp;P 500 a propor\u00e7\u00e3o de rendimento que vai para dividendos de accionistas \u00e9 a mais baixa desde 1900 (FT 1\/30\/12, p.6).<\/p>\n<p>Uma crise capitalista real afectaria adversamente margens de lucro, ganhos brutos e a acumula\u00e7\u00e3o de cash. Lucros ascendentes est\u00e3o a ser amontoados porque quando capitalistas se aproveitam da explora\u00e7\u00e3o intensa o consumo das massas estagna.<\/p>\n<p>Os te\u00f3ricos da crise confundem o que \u00e9 claramente a degrada\u00e7\u00e3o do trabalho, a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho e mesmo a estagna\u00e7\u00e3o da economia, com uma &#8220;crise&#8221; do capital: quando a classe capitalista aumenta suas margens de lucros, arrecada milh\u00f5es de milh\u00f5es, ela n\u00e3o est\u00e1 em crise.<\/p>\n<p>O ponto-chave \u00e9 que a &#8220;crise do trabalho&#8221; \u00e9 um grande est\u00edmulo para a recupera\u00e7\u00e3o de lucros capitalistas. N\u00e3o podemos generalizar de uma para a outra. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que houve um momento de crise capitalista (2008-2009) mas gra\u00e7as \u00e0 maci\u00e7a transfer\u00eancia de riqueza, sem precedentes no estado capitalista, do tesouro p\u00fablico para a classe capitalista \u2013 bancos da Wall Street em primeiro lugar \u2013 o sector corporativo recuperou, ao passo que os trabalhadores e o resto da economia permaneceu em crise, foi \u00e0 bancarrota e ficou sem trabalho.<\/p>\n<p>Da crise \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de lucros: 2008\/9 a 2012<\/p>\n<p>A chave para a &#8220;recupera\u00e7\u00e3o&#8221; de lucros corporativos tem pouco a ver com o ciclo de neg\u00f3cios e tudo com a tomada de poder em grande escala da Wall Street e a pilhagem do Tesouro dos EUA. Entre 2009-2012 centenas de antigos executivos da Wall Street, administradores e conselheiros de investimento apoderaram-se de todas as principais posi\u00e7\u00f5es decisiva no Departamento do Tesouro e canalizaram milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares para os cofres das principais financeiras e corpora\u00e7\u00f5es. Eles intervieram em corpora\u00e7\u00f5es financeiramente perturbadas, como a General Motors, impondo grandes cortes salariais e demiss\u00f5es de milhares de trabalhadores.<\/p>\n<p>Os homens da Wall Street no Tesouro elaboraram a doutrina do &#8220;Demasiado grande para falir&#8221; a fim de justificar a transfer\u00eancia maci\u00e7a de riqueza. A totalidade do edif\u00edcio especulativo constru\u00eddo em parte por um aumento de 234 vezes no volume de transac\u00e7\u00f5es cambiais entre 1977-2010 foi restaurado (FT 1\/10\/12, p.7). A nova doutrina argumentou que a primeira e principal prioridade do estado \u00e9 devolver a lucratividade ao sistema financeiro a qualquer custo para a sociedade, os cidad\u00e3os, os contribuintes e os trabalhadores.<\/p>\n<p>O &#8220;Demasiado grande para falir&#8221; \u00e9 um rep\u00fadio completo dos mais b\u00e1sicos princ\u00edpios do sistema capitalista de &#8220;mercado livre&#8221;: a ideia de que aqueles capitalistas que perdem arquem as consequ\u00eancias; que cada investidor ou presidente de empresa \u00e9 respons\u00e1vel pela sua ac\u00e7\u00e3o. Os capitalistas financeiros j\u00e1 n\u00e3o precisam justificar sua actividade em termos de qualquer contribui\u00e7\u00e3o para o crescimento da economia ou da &#8220;utilidade social&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com os que agora dominam a Wall Street deve ser salva porque \u00e9 a Wall Street, mesmo se o resto da economia e o povo afundarem (FT 1\/20\/12, p.11). Os salvamentos e financiamentos do estado s\u00e3o complementados por centenas de milhares de milh\u00f5es em concess\u00f5es fiscais, levando a d\u00e9fices fiscais sem precedentes e ao crescimento de desigualdades sociais maci\u00e7as. O pagamento de um presidente de empresa (CEO) como um m\u00faltiplo do trabalhador m\u00e9dio passou de 24 para 1 em 1965 para 325:1 em 2010 (FT 1\/9\/12, p.5).<\/p>\n<p>A classe dominante exibe a sua riqueza e poder com a ajuda conivente da Casa Branca e do Tesouro. Face \u00e0 hostilidade popular \u00e0 pilhagem do Tesouro pela Wall Street, Obama chegou ao fingimento de pedir ao Tesouro para impor um teto aos b\u00f3nus de muitos milh\u00f5es de d\u00f3lares que os presidentes de bancos salvos concediam-se a si pr\u00f3prios. Os homens da Wall Street no Tesouro recusaram-se a impor a ordem executiva, os CEOs obtiveram milhares de milh\u00f5es em b\u00f3nus em 2011. O presidente Obama continuou, pensando que enganava o p\u00fablico estado-unidense com o seu gesto falso, enquanto arrecadava milh\u00f5es de fundos de campanha junto \u00e0 Wall Street!<\/p>\n<p>A raz\u00e3o porque o Tesouro foi capturado pela Wall Street \u00e9 que nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000 os bancos se tornaram uma for\u00e7a dominante nas economias ocidentais. Sua fatia do PIB subiu drasticamente (de 2% na d\u00e9cada de 1950 para 8% em 2010&#8243; (FT 1\/10\/12, p.7).<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 &#8220;procedimento operacional normal&#8221; para o presidente nomear homens da Wall Street para todas as posi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas chave e \u00e9 &#8220;normal&#8221; para estes mesmos respons\u00e1veis prosseguirem pol\u00edticas que maximizam lucros da Wall Street e eliminam qualquer risco de fracasso, n\u00e3o importa qu\u00e3o aventurosos e corruptos sejam os seus praticantes.<\/p>\n<p>A porta girat\u00f3ria: Da Wall Street para o Tesouro e retorno<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a Wall Street e o Tesouro tornou-se efectivamente uma &#8220;porta girat\u00f3ria&#8221;: da Wall Street para o Departamento do Tesouro para a Wall Street. Banqueiros privados assumem compromissos no Tesouro (ou s\u00e3o recrutados) para assegurar que todos os recursos e pol\u00edticas que a Wall Street s\u00e3o concedidas com o m\u00e1ximo esfor\u00e7o, com o m\u00ednimo obst\u00e1culo de cidad\u00e3os, trabalhadores ou contribuintes. Os homens da Wall Street no Tesouro d\u00e3o a mais alta prioridade \u00e0 sobreviv\u00eancia, recupera\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o dos lucros da Wall Street. Eles bloqueiam quaisquer regulamenta\u00e7\u00f5es ou restri\u00e7\u00f5es a b\u00f3nus ou a repeti\u00e7\u00f5es das fraudes do passado.<\/p>\n<p>Os homens da Wall Street &#8220;ganham reputa\u00e7\u00e3o&#8221; no Tesouro e ent\u00e3o retornam ao sector privado em posi\u00e7\u00f5es mais altas, como conselheiros s\u00e9nior e s\u00f3cios. Uma nomea\u00e7\u00e3o no Tesouro \u00e9 uma escada para subir na hierarquia da Wall Street. O Tesouro \u00e9 um posto de abastecimento para a Limusine da Wall Street: o ex homens da Wall Street enchem o tanque, verificam o \u00f3leo e ent\u00e3o salvam para o assento da frente e correm para um emprego lucrativo, deixando o posto de abastecimento (p\u00fablico) pagar a conta.<\/p>\n<p>Aproximadamente 774 executivos sa\u00edram do Tesouro entre Janeiro de 2009 e Agosto de 2011 (FT 2\/6\/12, p. 7). Todos eles proporcionaram &#8220;servi\u00e7os&#8221; lucrativos para os seus futuros patr\u00f5es da Wall Street, descobrindo uma grande maneira de re-entrar nas finan\u00e7as privadas numa posi\u00e7\u00e3o lucrativa mais alta.<\/p>\n<p>Uma not\u00edcia no\u00a0<em>Financial Times <\/em>Fev. 6, 2012 (p. 7) adequadamente intitulada &#8220;Manhattan Transfer&#8221; proporcionava ilustra\u00e7\u00f5es t\u00edpicas da &#8220;porta girat\u00f3ria&#8221; Tesouro-Wall Street.<\/p>\n<p>Ron Bloom passou de banqueiro j\u00fanior no Lazard para o Tesouro, ajudando a engendrar um salvamento de um milh\u00e3o de milh\u00f5es de d\u00f3lares da Wall Street e retornou ao Lazard como conselheiro s\u00e9nior. Jake Siewert foi da Wall Street tornando-se ajudante principal do secret\u00e1rio do Tesouro Tim Geithner e ent\u00e3o graduado na Goldman Sachs, tendo servido para solapar qualquer tecto nos b\u00f3nus da Wall Street.<\/p>\n<p>Michael Mundaca, o mais s\u00e9nior respons\u00e1vel fiscal no regime Obama veio da Street e ent\u00e3o passou par um posto altamente lucrativo na Ernst and Young, uma firma corporativa de contabilidade, tendo ajudado a reduzir impostos corporativos durante o seu per\u00edodo no &#8220;gabinete p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p>Eric Solomon, um respons\u00e1vel fiscal s\u00e9nior na infame isen\u00e7\u00e3o de impostos corporativos da administra\u00e7\u00e3o Bush, fez a mesma comuta\u00e7\u00e3o. Jeffrey Goldstein que Obama encarregou da regula\u00e7\u00e3o financeira e teve \u00eaxito em solapar exig\u00eancias populares, retornou ao seu patr\u00e3o anterior, Hellman and Friedman, com a adequada promo\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os prestados.<\/p>\n<p>Stuart Levey que dirigiu as san\u00e7\u00f5es da AIPAC contra pol\u00edticas do Ir\u00e3o a partir da chamada &#8220;ag\u00eancia anti-terrorista&#8221; do Tesouro foi contratado como advogado geral pelo HSBC para defend\u00ea-lo de investiga\u00e7\u00f5es de lavagem de dinheiro (FT 2\/6\/12, p. 7). Neste caso Levey passou da promo\u00e7\u00e3o dos objectivos de guerra de Israel para a defesa de um banco internacional acusados de lavar milhares de milh\u00f5es do cartel mexicano. Levey, a prop\u00f3sito gastou tanto tempo a insistir na agenda iraniana de Israel que ignorou totalmente a lavagem de dinheiro dos carteis mexicanos da droga com opera\u00e7\u00f5es transfronteiri\u00e7as durante quase uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Lew Alexander, conselheiro s\u00e9nior de Geithner na concep\u00e7\u00e3o do salvamento de mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, \u00e9 agora respons\u00e1vel s\u00e9nior no Nomura, o banco japon\u00eas. Lee Sachs passou do Tesouro para o Bank Alliance (sua pr\u00f3pria &#8220;plataforma de concess\u00e3o de empr\u00e9stimos&#8221;). James Millstein foi do Lazard para o Tesouro, salvou a seguradora AIG dirigida abusivamente por Greenberg e ent\u00e3o estabeleceu a sua pr\u00f3pria firma privada de investimento tomando consigo um conjunto de respons\u00e1veis do Tesouro bem conectados.<\/p>\n<p>A &#8220;porta girat\u00f3ria&#8221; Goldman Sachs-Tesouro continua ainda hoje. Al\u00e9m do passado e actual chefes do Tesouro, Paulson e Geithner, Mark Patterson, antigo s\u00f3cio da Goldman, foi recentemente nomeado &#8220;chefe de equipe&#8221; de Geithner. Tim Bowler, antigo administrador director foi nomeado por Obama para chefe da divis\u00e3o de mercados de capital.<\/p>\n<p>Deveria ser perfeitamente claro que elei\u00e7\u00f5es, partidos e os mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de campanhas eleitorais t\u00eam pouco a ver com &#8220;democracia&#8221; e mais a ver com a selec\u00e7\u00e3o dos presidente e dos legisladores que nomear\u00e3o homens n\u00e3o eleitos da Wall Street para tomarem todas as decis\u00f5es econ\u00f3micas estrat\u00e9gicas para 99% dos americanos. Os resultados da porta girat\u00f3ria Wall Street-Tesouro s\u00e3o claros e proporcionam-nos uma estrutura para entender porque a &#8220;crise do lucro&#8221; desvaneceu-se e a crise do trabalho aprofundou-se.<\/p>\n<p>Os &#8220;alcances pol\u00edticos&#8221; da porta girat\u00f3ria<\/p>\n<p>O conluio Wall Street-Tesouro (CWST) tem desempenhado um trabalho herc\u00faleo e audacioso para o capital financeiro e corporativo. Face \u00e0 condena\u00e7\u00e3o universal da Wall Street pela vasta maioria do p\u00fablico pelas suas fraudes, bancarrotas, perdas de empregos e arrestos hipotec\u00e1rios, o CWST apoiou publicamente os trapaceiros com um salvamento de um milh\u00e3o de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Um movimento ousado face a isto, como se maiorias e elei\u00e7\u00f5es contassem para alguma coisa. Igualmente importante \u00e9 que o CWTS lan\u00e7ou ao lixo toda a ideologia do &#8220;livre mercado&#8221; que justificava lucros dos capitalistas com base nos seus &#8220;riscos&#8221;, pela imposi\u00e7\u00e3o do novo dogma do &#8220;demasiado grande para falir&#8221; pelo qual o tesouro do estado garante lucros mesmo quando capitalistas enfrentam a bancarrota, desde que sejam firmas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>O CWST tamb\u00e9m jogou no lixo o principio capitalista da &#8220;responsabilidade fiscal&#8221; em favor de centenas de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de isen\u00e7\u00f5es fiscais para a classe dominante corporativo-financeira, provocando d\u00e9fices or\u00e7amentais recordes em tempo de paz e tendo ent\u00e3o a aud\u00e1cia de culpar os programas sociais apoiados pelas maiorias populares. (Ser\u00e1 de admirar que estes ex-respons\u00e1veis do Tesouro obtenham ofertas t\u00e3o lucrativas no sector privado quando abandonam o gabinete p\u00fablico?)<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, o Tesouro e o Banco Central (Federal Reserve) proporcionam empr\u00e9stimos a juro pr\u00f3ximo de zero que garantem grandes lucros a institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas as quais tomam emprestado a juro baixo do Fed e concedem empr\u00e9stimos a juro alto (incluindo o Governo!) especialmente na compra de governos al\u00e9m mar e t\u00edtulos corporativos. Eles recebem em qualquer lugar de quatro a dez vezes as taxas de juro que pagam.<\/p>\n<p>Por outras palavras, os contribuintes proporcionam um monstruoso subs\u00eddio \u00e0 especula\u00e7\u00e3o da Wall Street. Com a condi\u00e7\u00e3o acrescentada de que hoje estas actividades especulativas s\u00e3o agora assegurados pelo governo federal, sob a doutrina do &#8220;Demasiado grande para falir&#8221;.<\/p>\n<p>Sob a ideologia da &#8220;recupera\u00e7\u00e3o da competitividade&#8221;, a equipe econ\u00f3mica de Obama (desde o Tesouro at\u00e9 o Federal Reserve, o Departamento do Com\u00e9rcio e o do Trabalho) encorajaram o patronato a empenhar-se no mais agressivo despedimento acelerado\u00a0<em>(shedding) <\/em>de trabalhadores da hist\u00f3ria moderna. A produtividade e a lucratividade aumentadas n\u00e3o s\u00e3o o resultado de &#8221; inova\u00e7\u00e3o&#8221; como proclamam Obama, Geithner e Bernache; s\u00e3o produto de uma pol\u00edtica de estado quanto ao trabalho que aprofunda a desigualdade pela manuten\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios baixos e margens de lucro em ascens\u00e3o. Menos trabalhadores a produzirem menos mercadorias. Cr\u00e9dito barato e salvamentos para os bancos de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares e nenhum refinanciamento para casas e firmas de pequena e m\u00e9dia dimens\u00e3o que levam a bancarrotas, absor\u00e7\u00f5es\u00a0<em>(buyouts) <\/em>e nomeadamente &#8220;consolida\u00e7\u00e3o&#8221;, maior concentra\u00e7\u00e3o de propriedade. Em resultado o mercado de massa estagna mas os lucros corporativos e dos bancos alcan\u00e7am n\u00edveis recorde. Segundo peritos financeiros, sob a &#8220;nova ordem&#8221; do CWST &#8220;os banqueiros s\u00e3o uma classe protegida que desfruta de b\u00f3nus sem rela\u00e7\u00e3o com o desempenho, enquanto confia no contribuinte para socializar suas perdas&#8221; (FT 1\/9\/12, p.5).<\/p>\n<p>Em contraste, o trabalho, sob a equipe econ\u00f3mica de Obama, enfrenta a maior inseguran\u00e7a e a mais amea\u00e7adora situa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria recente: &#8220;o que \u00e9 inquestionavelmente novo \u00e9 a ferocidade com que os neg\u00f3cios nos EUA sangra o trabalho agora que o pagamento dos executivos e os esquemas de incentivo est\u00e3o ligados a objectivos de desempenho a curto prazo&#8221; (FT 1\/9\/2012, p. 5).<\/p>\n<p>Consequ\u00eancias econ\u00f3micas de pol\u00edticas de estado<\/p>\n<p>Por causa da captura pela Wall Street das posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas no governo quanto \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f3mica, podemos entender o paradoxo de margens de lucro recordes em meio \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. Podemos compreender porque a crise capitalista, pelo menos a curto prazo, foi substitu\u00edda por uma profunda crise do trabalho.<\/p>\n<p>Dentro da matriz de poder da Wall Street-Departamento do Tesouro, retornaram todas as velhas e corruptas pr\u00e1ticas de explora\u00e7\u00e3o que levaram ao crash de 2008-2009: b\u00f3nus multi-bilion\u00e1rios para banqueiros de investimento que conduziram a economia ao crash; bancos &#8220;a apanharem rapidamente milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares de produtos hipotec\u00e1rios empacotados que recordam a d\u00edvida fatiada e jogada aos dados que alguns (sic) culpam pela crise financeira&#8221; (FT 2\/8\/12, p.1). A diferen\u00e7a hoje \u00e9 que estes instrumentos especulativos s\u00e3o agora apoiados pelo contribuinte (Tesouro). A supremacia da estrutura financeira da economia estado-unidense anterior \u00e0 crise est\u00e1 em vigor em pr\u00f3spera &#8230; &#8220;s\u00f3&#8221; a for\u00e7a de trabalho dos EUA afundou no maior desemprego, decl\u00ednio de padr\u00f5es de vida, inseguran\u00e7a generalizada e profundo descontentamento.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: O processo contra o capitalismo e pelo socialismo<\/p>\n<p>A crise profunda de 2008-2009 provocou um jorro de questionamentos do sistema capitalista, mesmo entre muitos dos seus mais ardentes advogados a cr\u00edtica abunda (FT 1\/8\/12 a 1\/30\/12). &#8220;Reforma, regulamenta\u00e7\u00e3o e redistribui\u00e7\u00e3o&#8221; eram o card\u00e1pio de colunistas financeiros. Mas a classe dominante na economia e no governo n\u00e3o lhe presta aten\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores s\u00e3o controlados por l\u00edderes sindicais capachos e falta-lhe um instrumento pol\u00edtico. Os pseudo populistas de direita abra\u00e7am uma agenda pr\u00f3 capitalista ainda mais virulenta, clamando pela elimina\u00e7\u00e3o total de programas sociais e impostos corporativos.<\/p>\n<p>Dentro do estado, verificou-se uma grande transforma\u00e7\u00e3o que efectivamente esmagou qualquer liga\u00e7\u00e3o entre capitalismo e estado previd\u00eancia, entre a tomada de decis\u00f5es pelo governo e o eleitorado. A democracia foi reatada por um estado corporativo, fundamentado na porta girat\u00f3ria entre o Tesouro e a Wall Street, a qual canaliza riqueza p\u00fablica para cofres dos financeiros privados. A brecha entre o bem-estar da sociedade e as opera\u00e7\u00f5es da arquitectura financeira \u00e9 definitiva.<\/p>\n<p>A atividade da Wall Street n\u00e3o tem utilidade social; seus praticantes enriquecem-se sem actividade que os redima. O capitalismo demonstrou conclusivamente que prospera atrav\u00e9s da degrada\u00e7\u00e3o de dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores e rejeita as s\u00faplicas infind\u00e1veis por reforma e regulamenta\u00e7\u00e3o. O capitalismo real existente n\u00e3o pode ser arreado para elevar padr\u00f5es de vida ou assegurar emprego livre do medo de despedimentos em grande escala, s\u00fabitos e brutais. O capitalismo, como experimentamos ao longo da \u00faltima d\u00e9cada e no futuro previs\u00edvel, est\u00e1 em oposi\u00e7\u00e3o polar \u00e0 igualdade social, \u00e0 tomada de decis\u00f5es democr\u00e1ticas e ao bem-estar colectivo.<\/p>\n<p>Lucros capitalistas recordes s\u00e3o ampliados pela pilhagem do tesouro p\u00fablico, negando pens\u00f5es e prolongando &#8220;trabalho at\u00e9 que voc\u00ea morra&#8221;, levando fam\u00edlias \u00e0 bancarrota com exorbitantes custos corporativos de medicina e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais do que nunca na hist\u00f3ria recente, maiorias recordes rejeitam o dom\u00ednio por e para os banqueiros e a classe dominante corporativa (FT 2\/6\/12, p. 6). Desigualdades entre os 1% do topo e a base dos 99% atingiram propor\u00e7\u00f5es recordes. Presidentes de empresas ganham 325 vezes mais do que um trabalhador m\u00e9dio (FT 1\/9\/12, p.5). Desde que o estado tornou-se um &#8220;fundamento&#8221; da economia dos predadores da Wall Street, e desde que a &#8220;reforma&#8221; e regulamenta\u00e7\u00e3o fracassaram tristemente, \u00e9 tempo de considerar uma transforma\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica fundamental que abra caminho a uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a qual for\u00e7osamente expulsar\u00e1 as elites financeiras e corporativas n\u00e3o eleitas que dirigem o estado para os seus pr\u00f3prios exclusivos interesses.<\/p>\n<p>A totalidade do processo pol\u00edtico, incluindo elei\u00e7\u00f5es, est\u00e1 profundamente corrompida: cada n\u00edvel de gabinete tem o seu pr\u00f3prio pre\u00e7o inflacionado. A actual disputa presidencial custar\u00e1 US$2 a US$3 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares para determinar qual dos servidores da Wall Street presidir\u00e1 sobre a porta girat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O socialismo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a palavra assustadora do passado. O socialismo envolve a reorganiza\u00e7\u00e3o em grande escala da economia, a transfer\u00eancia de milh\u00f5es de milh\u00f5es dos cofres das classes predadoras de nenhuma utilidade social para o bem-estar p\u00fablico. Esta mudan\u00e7a pode financiar uma economia produtiva e inovadora baseada no trabalho e no lazer, no estudo e no desporto.<\/p>\n<p>O socialismo substitui o terror di\u00e1rio da demiss\u00e3o pela seguran\u00e7a que traz confian\u00e7a, seguran\u00e7a e respeito ao lugar de trabalho. A democracia no lugar de trabalho est\u00e1 no cerne da vis\u00e3o de socialismo do s\u00e9culo XXI. Come\u00e7amos por nacionalizar os bancos e eliminar a Wall Street. As institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o redesenhadas para criar emprego produtivo, servir o bem-estar social e preservar o ambiente. O socialismo come\u00e7aria a transi\u00e7\u00e3o, de uma economia capitalista dirigida por predadores e trapaceiros e um estado sob o seu comando, rumo a uma economia de propriedade p\u00fablica sob controle democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>[*] O seu livro mais recente \u00e9\u00a0<a href=\"http:\/\/www.claritypress.com\/PetrasVI-2.html\" target=\"_blank\">The Arab Revolt and the Imperialist Counter Attack,<\/a> Clarity Press, 2012, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=29388\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=29388<\/a><\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\n\u2013 Crise de quem? 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