{"id":24527,"date":"2019-12-18T21:50:32","date_gmt":"2019-12-19T00:50:32","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24527"},"modified":"2019-12-18T21:50:32","modified_gmt":"2019-12-19T00:50:32","slug":"breve-guia-de-estudos-sobre-a-realidade-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24527","title":{"rendered":"Breve guia de estudos sobre a realidade brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2019\/12\/realidade-brasileira-jones.jpg?w=174&amp;h=131&amp;crop=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Estudar a realidade brasileira: a prioridade para os revolucion\u00e1rios<\/p>\n<p>Blog da Boitempo<\/p>\n<p>Um pequeno guia de estudos para a realidade brasileira, que debate os erros a serem evitados nesse processo de mergulho com vistas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista no Brasil.<\/p>\n<p>Por Jones Manoel<\/p>\n<p>Esta coluna d\u00e1 sequ\u00eancia \u00e0s reflex\u00f5es contidas no texto \u201cQuatro princ\u00edpios para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria\u201d. Neste escrito busco fazer um pequeno guia de estudos para a realidade brasileira, debatendo os erros a serem evitados nesse processo de mergulho com vistas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista no Brasil.<\/p>\n<p>O comunista Bertolt Brecht disse, certa vez, que os nossos tempos s\u00e3o ruins, afinal temos que dizer o \u00f3bvio. \u00c9 algo evidente que militantes revolucion\u00e1rios devem, entre outras coisas, ter um profundo conhecimento da realidade nacional na qual est\u00e3o inseridos\/as, no interior da qual fazem pol\u00edtica e a partir da qual pretendem fazer a revolu\u00e7\u00e3o para construir uma sociedade socialista. Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00f3bvia, contudo, muitas vezes escapa ao nosso cotidiano no processo de estudo e forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Todos os grandes revolucion\u00e1rios da hist\u00f3ria, especialmente os que tiveram \u00eaxito e conseguiram dirigir as revolu\u00e7\u00f5es em seus pa\u00edses, eram profundamente nacionais em um sentido muito preciso: dominavam, uns mais outros menos, vastos campos do conhecimento e do saber universal e tinham um ac\u00famulo gigantesco sobre sua realidade nacional, sendo esse saber universal subsidi\u00e1rio para entender a sua realidade \u2013 o universal se realiza no particular.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a revolu\u00e7\u00e3o socialista necessariamente tem uma puls\u00e3o internacionalista e o comunismo s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ado em um plano mundial. Todavia, as tarefas concretas da conquista do poder e da edifica\u00e7\u00e3o do socialismo, sem desconsiderar a din\u00e2mica de acumula\u00e7\u00e3o capitalista e a geopol\u00edtica mundial, t\u00eam uma dimens\u00e3o nacional. A melhor forma de ser internacionalista \u00e9 derrotar a \u201csua\u201d burguesia!<\/p>\n<p>Esta coluna, portanto, \u00e9 uma pequena contribui\u00e7\u00e3o para come\u00e7ar a conhecer o Brasil a partir da ci\u00eancia. Mas n\u00e3o a ci\u00eancia entendida como cultura livresca, como quem ficaria enfurnado dentro de uma biblioteca lendo tudo que for poss\u00edvel, mas sim segundo o imperativo de combinar o estudo com a pr\u00e1tica pol\u00edtica, guiando a pr\u00e1tica pela teoria e repensando a teoria a partir da pr\u00e1tica \u2013 o verdadeiro sentido da palavra forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Tendo como horizonte tal perspectiva, este escrito se divide em tr\u00eas partes. Primeiro vamos colocar algumas advert\u00eancias que acredito necess\u00e1rias para quem est\u00e1 come\u00e7ando o estudo sobre a forma\u00e7\u00e3o social brasileira. A ideia \u00e9 fornecer um subs\u00eddio te\u00f3rico pol\u00edtico para evitar que o militante se perca no processo de estudos sendo tragado por algumas tend\u00eancias nocivas para o prosseguimento do aprendizado. Vamos abordar o colonialismo cultural, o academicismo, o culto da novidade, a hist\u00f3ria oficial do pensamento social brasileiro e os processos de apagamento da hist\u00f3ria. Ao final do escrito, vamos indicar algumas poucas obras que v\u00e3o ser \u00fateis no estudo sistem\u00e1tico da nossa realidade e do programa da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista no Brasil.<\/p>\n<p>O colonialismo cultural<br \/>\nN\u00e3o estamos na Europa, no EUA nem no Jap\u00e3o. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds de capitalismo dependente que teve como antecedente hist\u00f3rico mais de 300 anos de escravismo mercantil colonial e que a partir do s\u00e9culo XIX passou a ser uma forma\u00e7\u00e3o social de tipo dependente. Ser um capitalismo dependente significa, dentre outras coisas, que em nosso pa\u00eds o padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o de capital, domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e produ\u00e7\u00e3o cultural e ideopol\u00edtica \u00e9 dominado pelo imperialismo, leia-se, pela fra\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica do bloco no poder.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias dessa realidade da periferia do capitalismo \u00e9 a onipresen\u00e7a do colonialismo cultural. O colonialismo cultural \u00e9 a ideologia \u2013 materializada em aparelhos ideol\u00f3gicos e no sistema de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u2013 de legitima\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia e do subdesenvolvimento que visa, centralmente, ocultar do debate pol\u00edtico e do conhecimento das classes populares essa realidade perif\u00e9rica e seus determinantes, impondo programas de pesquisas, conceitos, categorias, no\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias na \u201copini\u00e3o p\u00fablica\u201d estranhas \u00e0 nossa realidade, pois gestados nos pa\u00edses centrais do capitalismo \u2013 ou com inspira\u00e7\u00e3o neles \u2013, com o objetivo de garantir os interesses do imperialismo e da burguesia interna. Em suma, \u00e9 uma forma de des-historicizar, legitimar e naturalizar o capitalismo dependente afirmando a hegemonia do bloco no poder.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias desse colonialismo cultural s\u00e3o amplas. Desde o cinema, passando pela m\u00fasica at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento nas universidades e centros de pesquisa. Por exemplo, todo cidad\u00e3o brasileiro sabe o nome de v\u00e1rias cidades, presidentes, bairros, personalidades ou eventos hist\u00f3ricos importantes da hist\u00f3ria do EUA. Concretamente, o folclore dos EUA \u00e9 mais presente em nosso cotidiano que o brasileiro \u2013 pense, por exemplo, que voc\u00ea sabe quem \u00e9, ao menos vagamente, Al Capone e Bonnie &amp; Clyde, mesmo n\u00e3o lembrando quando nem como aprendeu isso.<\/p>\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e no ensino a pr\u00e1tica \u00e9 lermos muito mais autores estrangeiros da moda que brasileiros e latino-americanos. Na minha gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por exemplo, tive mais acesso \u00e0 Escola de Frankfurt, Hannah Arendt e Michel Foucault do que a Caio Prado Jr., Florestan Fernandes e Nelson Werneck Sodr\u00e9. Fazendo uma rememora\u00e7\u00e3o do que me foi ensinado na gradua\u00e7\u00e3o, sou muito mais preparado para falar da Fran\u00e7a do que do Brasil.<\/p>\n<p>A maioria dos autores, categorias e problemas de pesquisa na universidade perif\u00e9rica foram formulados n\u00e3o s\u00f3 ignorando a realidade dos pa\u00edses dependentes, bem como fundamentados em uma profunda ignor\u00e2ncia induzida desses pa\u00edses. Um exemplo b\u00e1sico \u00e9 suficiente para demonstrar isso. Michel Foucault e suas interessantes pesquisas sobre sistema carcer\u00e1rio \u2013 especialmente, mas n\u00e3o s\u00f3, na sua aclamada obra Vigiar e punir: nascimento da pris\u00e3o \u2013 trata de um poder cada vez mais capilar, organizado para esquadrinhar todos os meandros da vida social e que visa, nos m\u00ednimos detalhes, disciplinar o corpo do sujeito em uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es de controle organizadas que assumem o modelo prisional pan\u00f3ptico como paradigma b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Se essa an\u00e1lise foucaultiana correspondia \u00e0 realidade europeia \u2013 debate que n\u00e3o queremos fazer \u2013, \u00e9 algo demasiado evidente que n\u00e3o se aplica a realidade da Am\u00e9rica Latina. Aqui nunca existiu uma sociedade disciplinar nos termos pensados por Foucault. Todavia, faz um sucesso gigantesco nas universidades, especialmente nas p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es, realizar um projeto de pesquisa que consiste em: a) estudar a obra do autor europeu; b) pegar aspectos t\u00f3picos da realidade nacional e encaixar no conceito do autor; c) fazer alguma \u201cpesquisa emp\u00edrica\u201d, normalmente entrevistas, que \u201cprovam\u201d a justeza do encaixe.<\/p>\n<p>Consequ\u00eancia? Uma ignor\u00e2ncia sistem\u00e1tica da nossa realidade. Cada pesquisador assume seu santo de devo\u00e7\u00e3o \u2013 normalmente um franc\u00eas ou ingl\u00eas \u2013 e passa a \u201cpesquisar\u201d at\u00e9 o final da vida a obra desse sujeito e volta e meia tenta falar alguma coisa da realidade brasileira.<\/p>\n<p>Neste ponto \u00e9 necess\u00e1rio evitar a caricatura muito presente quando se fala de colonialismo cultural. Primeiro, com esta reflex\u00e3o n\u00e3o afirmamos que n\u00e3o se deve ler autores gringos ou de qualquer outro lugar do mundo, estudando apenas os perif\u00e9ricos: numa esp\u00e9cie de \u201cnacionalismo metodol\u00f3gico\u201d ou \u201cepistemologia centrada no Sul\u201d. Longe disso. Tampouco afirmamos que autores dos pa\u00edses centrais n\u00e3o possam fornecer contribui\u00e7\u00f5es fundamentais ao estudo da realidade dos pa\u00edses dependentes e perif\u00e9ricos. Para ficar em apenas dois exemplos: o estadunidense James Petras e o italiano Domenico Losurdo t\u00eam contribui\u00e7\u00f5es fundamentais, indispens\u00e1veis, para compreender a exist\u00eancia e as lutas das massas exploradas dos pa\u00edses coloniais, semicoloniais e dependentes. Ali\u00e1s, eu desenvolvi a preocupa\u00e7\u00e3o de latino-americanizar meu pensamento e estudos a partir da leitura dos livros de Domenico Losurdo!<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, nessa tem\u00e1tica, \u00e9 bem simples e pode ser resumida da seguinte maneira. Todo conhecimento \u201cuniversal\u201d deve ter como fun\u00e7\u00e3o adensar, robustecer, a compreens\u00e3o da realidade nacional. O que estudar, como faz\u00ea-lo e com qual prioridade devem ter este crit\u00e9rio como norteador. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 problema nenhum em ler os autores da Escola de Frankfurt desde que, concretamente, o estudo seja guiado pela problem\u00e1tica: em que a produ\u00e7\u00e3o desses autores ajuda a entender genuinamente minha realidade nacional e qual seu grau de validade na periferia do capitalismo? H\u00e1 um crit\u00e9rio objetivo em termos de tempo, esfor\u00e7o f\u00edsico, dinheiro e desgaste emocional nos estudos. Quem estuda com seriedade todas as modas da Fran\u00e7a n\u00e3o vai conseguir conhecer o pensamento cr\u00edtico brasileiro e latino-americano. Nesse sentido, conhecer a nossa realidade imp\u00f5e uma escolha de prioridades muito clara e objetiva.<\/p>\n<p>Academicismo e culto da novidade<br \/>\nO combate ao colonialismo cultural no padr\u00e3o de estudos e na forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (sempre lembrando: a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deve vir atrelada \u00e0 pr\u00e1tica pol\u00edtica) n\u00e3o \u00e9 feito sem consequ\u00eancias. Tratando diretamente de quem est\u00e1 inserido nas universidades e depende do mercado editorial brasileiro, n\u00e3o se enquadrar nesse padr\u00e3o colonial tem consequ\u00eancias graves. Nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado, o que \u00e9 aceito para publica\u00e7\u00e3o no mercado editorial e os temas da moda na \u201copini\u00e3o p\u00fablica\u201d, o colonialismo cultural reina com poucas resist\u00eancias. Quem se insurge ter\u00e1 muitas dificuldades objetivas e subjetivas \u2013 o que n\u00e3o significa negar os focos de resist\u00eancia: eles existem.<\/p>\n<p>Por exemplo, se o seu tema de pesquisa for a luta de classes em pa\u00edses capitalistas latino-americanos de baixo desenvolvimento industrial, como a Bol\u00edvia e o Peru, voc\u00ea ter\u00e1, para in\u00edcio de conversa, dificuldades de encontrar publica\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas e livros dispon\u00edveis \u00e0 venda no Brasil. Em segundo lugar, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil encontrar orienta\u00e7\u00e3o no Programa Institucional de Bolsas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (PIBIC) e em programas de mestrado ou doutorado. Al\u00e9m disso, encontrar\u00e1 ainda dificuldades de conseguir publicar seu trabalho em uma editora e dificilmente ter\u00e1 inser\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, o que por sua vez impacta na capacidade de ganhar dinheiro com seu trabalho. Por isso a maioria dos estudantes que s\u00e3o militantes fazem uma dupla forma\u00e7\u00e3o conflitante: estudam o que \u00e9 passado nas suas gradua\u00e7\u00f5es e leem temas e autores totalmente diferentes do que entram em contato pela pr\u00e1tica pol\u00edtica e as forma\u00e7\u00f5es nos seus espa\u00e7os de milit\u00e2ncia (esta \u00e9 a hist\u00f3ria da minha forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre 2011 e 2016).<\/p>\n<p>A din\u00e2mica colonial da universidade e da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento em geral na periferia do capitalismo tem como contraface necess\u00e1ria o academicismo. Academicismo n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de estudar muito \u2013 como, na maioria das vezes, aparece na fala de pessoas, especialmente no movimento estudantil. Academicismo \u00e9 uma forma e uma l\u00f3gica de produzir e repassar conhecimento onde os espa\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o centram-se em si mesmos realizando reflex\u00f5es descoladas dos problemas fundamentais do pa\u00eds e da classe trabalhadora, sem valida\u00e7\u00e3o social do que \u00e9 produzido.<\/p>\n<p>Vamos exemplificar isso. Tive um professor que pesquisava hist\u00f3ria oral. Esse professor trabalhava basicamente com autores europeus, publica v\u00e1rios artigos todo ano, tem amplo acesso para publicar na editora universit\u00e1ria e \u00e9 reconhecido no seu meio como um pesquisador de respeito e prest\u00edgio. Em suma, tem carreira acad\u00eamica brilhante. Por\u00e9m, seus escritos s\u00e3o uma exegese do que j\u00e1 disseram Michel Foucault, Reinhart Koselleck e Michel de Certeau. O conhecimento que produz n\u00e3o tem qualquer valida\u00e7\u00e3o social ou incid\u00eancia em qualquer aspecto da vida social, e n\u00e3o existe, evidentemente, qualquer preocupa\u00e7\u00e3o em envolver a comunidade no entorno da universidade ou qualquer coletividade nos problemas de ensino, pesquisa e (teoricamente) extens\u00e3o no qual est\u00e1 inserido. Ele produz na academia para acad\u00eamicos sendo avaliado por acad\u00eamicos sobre temas considerados importantes na\u2026 academia.<\/p>\n<p>Os marxistas n\u00e3o est\u00e3o imunes ao academicismo. Al\u00e9m de um encastelamento dentro da universidade fazendo pesquisas longe de qualquer din\u00e2mica de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (muitas vezes, inclusive, renegando at\u00e9 o sindicato ou associa\u00e7\u00e3o de sua institui\u00e7\u00e3o), despreocupa\u00e7\u00e3o em popularizar o marxismo e buscar uma postura de intelectual p\u00fablico, muitos marxistas ainda se digladiam em assuntos que s\u00e3o t\u00edpicos da defini\u00e7\u00e3o que demos acima de academicismo.<\/p>\n<p>Milhares de folhas de papel gastas no debate sobre a tradu\u00e7\u00e3o mais fidedigna direto do alem\u00e3o dos conceitos de aliena\u00e7\u00e3o e estranhamento, se servi\u00e7o social \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 trabalho no sentido ontol\u00f3gico, se Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 melhor que Louis Althusser, se existe ou n\u00e3o um \u201ccorte epistemol\u00f3gico\u201d entre o \u201cjovem Marx\u201d e o \u201cMarx maduro\u201d, se Engels deturpou ou n\u00e3o a obra de Marx, se Engels entendia realmente o que \u00e9 dial\u00e9tica, se a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica seria mais democr\u00e1tica sob comando de Leon Tr\u00f3tski ou \u2013 a melhor de todas \u2013, o que Marx disse sobre determinado tema comparando com qualquer aspecto da realidade nos dias atuais mostrando que o real traiu Marx.<\/p>\n<p>O militante formado nesse tipo de marxismo n\u00e3o consegue perceber os problemas t\u00e1ticos, estrat\u00e9gicos e organizativos postos pela luta pol\u00edtica e, normalmente, n\u00e3o t\u00eam respostas para as quest\u00f5es de soberania nacional, produ\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e tecnologia, pol\u00edtica externa, quest\u00e3o agr\u00e1ria, sa\u00fade, cultura, seguran\u00e7a p\u00fablica etc. Como se tudo se passasse no reino de uma afirma\u00e7\u00e3o abstrata, coagulada de media\u00e7\u00f5es e particularidades, da revolu\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o do Estado e do capital, sem conseguir fazer a liga\u00e7\u00e3o efetiva entre o objetivo final e as conjunturas de cada momento. Marx, na m\u00e3o desse tipo de academicismo marxista, torna-se o autor de um evangelho b\u00edblico onde os cap\u00edtulos e vers\u00edculos parecem dotados de poderes sobrenaturais \u2013 n\u00e3o deixa de ser coincid\u00eancia que para a maioria dos marxistas academicistas, autores como L\u00eanin, Mao, Che Guevara, Rosa Luxemburgo, Amilcar Cabral, Fidel Castro, Kim Il-sung, em suma, todos os revolucion\u00e1rios importantes do s\u00e9culo XX, n\u00e3o devem ser estudados e reivindicados porque eles deturparam o pensamento marxiano.<\/p>\n<p>Esse marxismo academicista tamb\u00e9m tem outra caracter\u00edstica muito marcante (comportamento t\u00edpico do academicismo no geral): o culto da novidade. Pesquisas r\u00e1pidas, exig\u00eancias de produtividade cada vez maiores, din\u00e2mica do mercado editorial e necessidade de sempre apresentar o novo como condi\u00e7\u00e3o para ter espa\u00e7o na grande m\u00eddia, combinado com a forma\u00e7\u00e3o cada vez mais prec\u00e1ria no aprendizado dos cl\u00e1ssicos, criam o estranho costume na universidade de redescobrir a roda ou fazer previs\u00f5es espetaculosas que nunca se confirmam.<\/p>\n<p>Constantemente se descobre o \u201cnovo mundo do trabalho\u201d, um \u201cnovo imperialismo\u201d, a \u201cnova aliena\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201cnova explora\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201cnova interpreta\u00e7\u00e3o de Marx\u201d, a \u201cnova classe trabalhadora\u201d, a \u201cnova luta de classes\u201d, o \u201cnovo estranhamento\u201d, a \u201cnova mercantiliza\u00e7\u00e3o\u201d e assim segue. Normalmente tais novidades e seus estranhos conceitos correlatos fazem um certo barulho, rendem uma boa quantidade de livros, entrevistas, congressos e col\u00f3quios e depois somem dando espa\u00e7o a uma nova moda \u2013 na maioria das vezes, inclusive, o pr\u00f3prio criador depois de um tempo abandona o conceito ou teoria \u201cnova\u201d por ele criado.<\/p>\n<p>Para quem tiver curiosidade sobre um excelente resumo das modas e novidades das \u00faltimas d\u00e9cadas, recomendo o livro Trabalho e proletariado no capitalismo contempor\u00e2neo, de Sergio Lessa, e Da sociedade p\u00f3s-industrial \u00e0 p\u00f3s-moderna: novas teorias sobre o mundo contempor\u00e2neo, de Krishan Kumar. Com perspectivas e objetivos diferentes, os dois autores mostram como as modas te\u00f3ricas dos anos de 1970, 1980 e 1990 erraram feio em suas previs\u00f5es fant\u00e1sticas: fim da classe oper\u00e1ria, f\u00e1bricas totalmente automatizadas sem qualquer a\u00e7\u00e3o humana, internet e computador transformando o mundo e acabando com mis\u00e9ria, o desemprego e a fome, toyotismo pondo fim a linhas de montagem de tipo fordista, o fim da divis\u00e3o entre trabalho manual e intelectual, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Em nossa forma\u00e7\u00e3o, somos pouco incentivados a estudar e dominar bem os cl\u00e1ssicos. Em m\u00e9dia, temos muito mais acesso a informa\u00e7\u00e3o e leitura do que grandes pensadores do s\u00e9culo XIX tiveram. Por exemplo, um doutor na \u00e1rea de humanidades, no Brasil, com certeza leu bem mais livros que Kant. Essa carga de informa\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o est\u00e1 contribuindo na forma\u00e7\u00e3o de grandes intelectuais.<\/p>\n<p>Neste ponto, novamente, \u00e9 necess\u00e1rio evitar caricaturas f\u00e1ceis. N\u00e3o se trata de negar as mudan\u00e7as na realidade e afirmar que para entender o capitalismo basta ler Marx ou L\u00eanin e acabou. Evidentemente existem mudan\u00e7as reais no processo hist\u00f3rico de desenvolvimento do capitalismo e essas mudan\u00e7as exigem pesquisas constantes para apreender os novos fen\u00f4menos e modificar sempre que necess\u00e1rio as concep\u00e7\u00f5es de forma organizativa, t\u00e1tica, estrat\u00e9gia e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Entretanto todo militante deve manter uma desconfian\u00e7a saud\u00e1vel do ciclo de produ\u00e7\u00f5es de novidades do mercado editorial e da universidade e buscar uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o nos cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do militante com a ci\u00eancia deve ser a de procurar adquirir os instrumentos para ele pr\u00f3prio fazer suas an\u00e1lises de conjuntura, julgar a justeza te\u00f3rica das reflex\u00f5es cient\u00edficas e a pertin\u00eancia dos \u201cnovos\u201d conceitos para acompanhar mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es sociais organizadas pela acumula\u00e7\u00e3o capitalista. Nesse sentido, a forma mais importante e fundamental de adquirir essa capacidade de ser um militante apto a questionar e formular e n\u00e3o apenas consumir as teorias, \u00e9 mergulhar nos cl\u00e1ssicos, ter uma s\u00f3lida apropria\u00e7\u00e3o de suas obras, contexto hist\u00f3rico de produ\u00e7\u00e3o e suas pol\u00eamicas imbricadas.<\/p>\n<p>Dominar com propriedade os cl\u00e1ssicos do marxismo (Marx, Engels, L\u00eanin, Rosa Luxemburgo e afins, os debate na Terceira Internacional e os cl\u00e1ssicos do marxismo latino-americano, como Jos\u00e9 Carlos Mari\u00e1tegui e Ruy Mauro Marini, por exemplo) \u00e9 a melhor forma de mergulhar nos programas de pesquisa que dizem respeito aos problemas pr\u00e1ticos e te\u00f3ricos da revolu\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da tomada do poder, e assim se vacinar contra o culto da novidade. Por exemplo, grande parte das reflex\u00f5es atuais que questionam a validade na contemporaneidade da teoria do valor trabalho de Marx tem como pressuposto um desconhecimento real do que essa teoria representa na obra marxiana. Todavia, estudar os cl\u00e1ssicos tamb\u00e9m apresenta dificuldades.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria oficial do pensamento social brasileiro e os int\u00e9rpretes renegados<br \/>\nAbstraindo das condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que fazem de um autor um cl\u00e1ssico, dir\u00edamos que se torna cl\u00e1ssico aquele pensador ou aquela pensadora que consegue captar as tend\u00eancias hist\u00f3ricas mais profundas dos fen\u00f4menos que analisa de tal forma que suas reflex\u00f5es seguem v\u00e1lidas e iluminam a compreens\u00e3o do real para al\u00e9m da conjuntura hist\u00f3rica imediata de sua produ\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa estar abstra\u00eddo de seu momento hist\u00f3rico. Muito pelo contr\u00e1rio. Por exemplo, h\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-conjuntural muito clara nas produ\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de Florestan Fernandes e Ruy Mauro Marini, e muitos escritos desses dois pensadores est\u00e3o superados em termos de dados, previs\u00f5es conjunturais e momento sociopol\u00edtico de elabora\u00e7\u00e3o dos conceitos. Contudo, at\u00e9 hoje e enquanto seguir existindo capitalismo dependente no Brasil as obras de Florestan e Marini ter\u00e3o utilidade na compreens\u00e3o de nossa realidade.<\/p>\n<p>Por isso tamb\u00e9m o estudo dos cl\u00e1ssicos \u00e9 fundamental. N\u00e3o obstante, na hist\u00f3ria, a defini\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 cl\u00e1ssico nunca escapa da luta de classes e dos confrontos pol\u00edticos passados, presentes e futuros. Mas n\u00e3o s\u00f3 quem \u00e9 considerado cl\u00e1ssico, como a pr\u00f3pria vis\u00e3o que se tem da obra desse cl\u00e1ssico \u00e9 objeto de uma constante luta pol\u00edtica no \u00e2mbito da luta de classes, ou, para ser mais preciso, da luta de classes na teoria. Na hist\u00f3ria oficial do pensamento social brasileiro, por exemplo, os pais fundadores do pensar o Brasil s\u00e3o: Caio Prado Jr., Sergio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre. O primeiro \u00e9 um marxista que militou a vida toda no PCB, o segundo um liberal de esquerda que no final da vida integrou o PT e o \u00faltimo um intelectual org\u00e2nico das oligarquias decadentes do Nordeste e um pensador oficial da ditadura empresarial militar instalada em 1964.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o ensino de teoria social nas universidades brasileiras e as tend\u00eancias do mercado editorial apontam para o estudo desses tr\u00eas nomes e em seguida, transitam por autores como Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Novais e Florestan Fernandes, entre outros. Alguns elementos sobre essa hist\u00f3ria oficial precisam ser considerados. Primeiro, com algumas exce\u00e7\u00f5es (que s\u00f3 confirmam a regra) como Florestan e Caio Prado, todos os nossos considerados cl\u00e1ssicos s\u00e3o liberais (seja de esquerda ou de direita) e, quando de esquerda, autores bem moderados em suas posi\u00e7\u00f5es (como, por exemplo, Celso Furtado).<\/p>\n<p>Segundo, a hist\u00f3ria do pensamento social brasileiro \u00e9 ensinada de forma desconectada dos debates latino-americanos. \u00c9 como se o pa\u00eds fosse uma ilha isolada do ponto de vista pol\u00edtico, te\u00f3rico e cultural e tudo se passava em nossas terras tendo como refer\u00eancia, apenas, os debates nos EUA e na Europa. \u00c9 evidente que isso \u00e9 falso e, como ilustra\u00e7\u00e3o, podemos citar o debate sobre o modo de produ\u00e7\u00e3o vigente na \u00e9poca colonial e as posi\u00e7\u00f5es de Nelson Werneck Sodr\u00e9, Jacob Gorender e Fernando Novais: aquele debate brasileiro n\u00e3o \u00e9 plenamente compreens\u00edvel sem entender toda pol\u00eamica que se desenrolava sobre o tema na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, mas de forma alguma menos importante, existe uma exclus\u00e3o sistem\u00e1tica de importantes pensadores e pensadoras na vis\u00e3o oficial de quem \u00e9 cl\u00e1ssico no Brasil. Exclus\u00e3o em dois sentidos muito precisos. Primeiro, com o golpe empresarial militar houve uma castra\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria sobre a produ\u00e7\u00e3o intelectual e pol\u00edtica do pr\u00e9-1964. As duas grandes almas pol\u00edticas do proletariado brasileiro, a produ\u00e7\u00e3o pecebista e da esquerda trabalhista foram, no geral, banidas ou tornadas caricaturas na hist\u00f3ria da teoria social nacional.<\/p>\n<p>No caso da produ\u00e7\u00e3o de intelectuais ligados ao PCB, a abordagem hegem\u00f4nica transita entre a simples distor\u00e7\u00e3o grosseira, resumindo, por exemplo, a grandiosa e brilhante obra de Nelson Werneck Sodr\u00e9 ou Alberto Passos Guimar\u00e3es a uma reflex\u00e3o mecanicista e stalinista da realidade brasileira \u2013 chamados pejorativamente de te\u00f3ricos do feudalismo brasileiro \u2013, e o simples sil\u00eancio, como no caso de Cl\u00f3vis Moura e Edison Carneiro. O militante formado a partir de 1990 exibe uma ignor\u00e2ncia magistral da obra desses revolucion\u00e1rios. No caso da esquerda trabalhista \u00e9 poss\u00edvel dizer que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior; a produ\u00e7\u00e3o dessa corrente pol\u00edtica est\u00e1 condenada ao esquecimento eterno, como se para eles, o ex\u00edlio nunca tivesse terminado.<\/p>\n<p>Os autores desse per\u00edodo hist\u00f3rico \u2013 e outros pr\u00e9-Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, como Ot\u00e1vio Brand\u00e3o \u2013, normalmente s\u00e3o lembrados apenas em antologias que se prop\u00f5em a falar dos renegados e exclu\u00eddos da hist\u00f3ria do pensamento social brasileiro.<\/p>\n<p>Para concluir, a hist\u00f3ria das exclus\u00f5es e banimentos na defini\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 cl\u00e1ssico no pensamento social brasileiro n\u00e3o estaria completa se n\u00e3o fal\u00e1ssemos dos autores da Teoria Marxista da Depend\u00eancia (TMD). Ruy Mauro Marini, V\u00e2nia Bambirra e Theot\u00f4nio dos Santos \u2013 para ficar apenas nos principais nomes \u2013 s\u00e3o expoentes da mais criativa e inventiva tentativa de compreender as particularidades do desenvolvimento capitalista na periferia latino-americana e realizar uma verdadeira cr\u00edtica da economia pol\u00edtica da depend\u00eancia. As reflex\u00f5es desses autores, n\u00e3o desconsiderando as diferen\u00e7as que eram significativas, expressam uma cr\u00edtica radical do liberalismo, desenvolvimentismo, eurocentrismo e das ideologias modernizantes dos centros imperialistas \u2013 notadamente os EUA.<\/p>\n<p>S\u00f3 recentemente, as principais obras de V\u00e2nia, Ruy Mauro e Theot\u00f4nio come\u00e7aram a ser publicadas em portugu\u00eas e os autores valorizados como grandes int\u00e9rpretes da realidade brasileira. Foram anos de ostracismo pol\u00edtico e intelectual e uma vit\u00f3ria da compreens\u00e3o de depend\u00eancia de corte weberiano e liberal de esquerda tendo como principal formulador Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>Portanto, o militante ao mergulhar na hist\u00f3ria do pensamento social brasileiro e seus cl\u00e1ssicos n\u00e3o pode nunca perder de vista os banimentos, as exclus\u00f5es e o dom\u00ednio onipresente do liberalismo, num contexto de colonialismo cultural e da baixa radicalidade da hist\u00f3ria oficial.<\/p>\n<p>O que come\u00e7ar a ler?<br \/>\nFeitas todas essas ressalvas acima, podemos, finalmente, passar \u00e0s indica\u00e7\u00f5es de obras.<\/p>\n<p>Int\u00e9rpretes do Brasil: cl\u00e1ssicos, rebeldes e renegados (Boitempo, 2014), organizado por Luiz Bernardo Peric\u00e1s e Lincoln Secco. O livro fornece um mapeamento de grandes pensadores e pensadoras da cultura brasileira pouco conhecidos e, como o t\u00edtulo diz, renegados. \u00c9 um guia inicial para saber quem ler.<\/p>\n<p>Caminhos da revolu\u00e7\u00e3o brasileira (Boitempo, 2019), organizado e apresentado por Luiz Bernardo Peric\u00e1s. A obra re\u00fane material de debates sobre os caminhos da Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira passando por grandes nomes da luta pol\u00edtica e do pensamento radical do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Jones Manoel \u00e9 pernambucano, filho da Dona Elza e comunista de carteirinha. Come\u00e7ou sua milit\u00e2ncia na favela onde nasceu e cresceu, a comunidade da Borborema, construindo um cursinho popular, o Novo Caminho, junto com seu amigo Julio Santos (ele, Julio e outro amigo, Felipe Bezerra, foram os primeiros jovens da hist\u00f3ria de Borborema a entrar em uma universidade p\u00fablica). Depois de dois anos com o cursinho popular, passou a militar no movimento estudantil em paralelo ao seu curso de hist\u00f3ria na UFPE. Pouco tempo depois, ingressou nas fileiras da UJC (a juventude do PCB). Ativo no movimento estudantil at\u00e9 2016, hoje atua no movimento sindical e na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o popular. Mestre em servi\u00e7o social, atualmente \u00e9 professor de hist\u00f3ria, mant\u00e9m um canal no YouTube e participa do podcast Revolushow. Segue militante do PCB. Escreve para o Blog da Boitempo mensalmente, \u00e0s quartas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24527\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[223],"class_list":["post-24527","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6nB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24527","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24527"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24527\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}