{"id":24531,"date":"2019-12-18T22:08:04","date_gmt":"2019-12-19T01:08:04","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24531"},"modified":"2019-12-18T22:08:04","modified_gmt":"2019-12-19T01:08:04","slug":"portugal-otan-e-a-dignidade-nacional-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24531","title":{"rendered":"Portugal: OTAN e a dignidade nacional perdida"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.gingrich360.com\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/trumpnato2-900x.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>Os exemplos sucedem-se, soltam-se do discurso oficial, passam pela comunica\u00e7\u00e3o social sem o menor sobressalto cr\u00edtico e entranham-se na opini\u00e3o p\u00fablica como a mais in\u00f3cua banalidade. Portugal j\u00e1 n\u00e3o governa os portugueses, o governo portugu\u00eas delegou as decis\u00f5es fulcrais sobre o destino dos portugueses a entidades, interesses e pessoas que n\u00e3o querem saber dos portugueses para nada a n\u00e3o ser como m\u00e3o de obra barata ou membros de destacamentos armados envolvidos em policiamento colonial e guerras imperiais. A dignidade nacional esvaiu-se e chega perversamente a ser confundida com nacionalismo e populismo quando algu\u00e9m ousa criticar o federalismo e a subservi\u00eancia aos mecanismos imperiais.<\/p>\n<p>O governo da Rep\u00fablica Portuguesa teve uma ideia sobre uma coisa t\u00e3o simples como os crit\u00e9rios para definir as cobran\u00e7as de energia el\u00e9trica, mas tem de pedir autoriza\u00e7\u00e3o aos organismos n\u00e3o eleitos em Bruxelas para poder pass\u00e1-la \u00e0 pr\u00e1tica\u2026 Ou n\u00e3o. Correm-se os olhos sobre a comunica\u00e7\u00e3o social e o que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 a humilha\u00e7\u00e3o de ter de pedir permiss\u00e3o para um ato elementar de gest\u00e3o governativa, mas sim a d\u00favida sobre o lado para o qual ir\u00e3o cair os humores das c\u00fapulas do federalismo europeu \u2013 n\u00e3o assumido, mas em atividade clandestina.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos dias t\u00eam sido animados, e prometem continuar a s\u00ea-lo depois do interregno comercial das festas, pela elabora\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento do Estado. Uma coisa levada t\u00e3o a s\u00e9rio, motivadora de s\u00e1bios e acad\u00eamicos pareceres de analistas bastante monol\u00edticos no seu pluralismo formal, que quase convence os portugueses de que a palavra final \u00e9 dada aqui. Nada disso: o verdadeiro Or\u00e7amento do Estado Portugu\u00eas para 2020 ou qualquer outro ano ser\u00e1 aquele que tiver a chancela final dos eurocratas de Bruxelas.<\/p>\n<p>Sendo o Or\u00e7amento o instrumento fundamental das decis\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas a aplicar nos pr\u00f3ximos meses, o seu conte\u00fado depende de algu\u00e9m que os portugueses n\u00e3o foram chamados a escolher, que nem sequer conhecem e para quem n\u00e3o passam de n\u00fameros, metas, percentagens, inimigos de gest\u00f5es corretas e lucrativas at\u00e9 prova em contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>A b\u00fassola aponta para Washington<\/p>\n<p>Portugal, sempre acomodado, resguardando-se de tempestades assumindo com boa \u00edndole o lado de onde sopra o vento, cumpriu com a conveniente discri\u00e7\u00e3o o papel de um vinte e nove avos da recente Cimeira da OTAN em Londres.<\/p>\n<p>Uma reuni\u00e3o que trouxe pol\u00eamica, algumas declara\u00e7\u00f5es fora da f\u00f4rma, como as do presidente franc\u00eas, algumas contradi\u00e7\u00f5es nos campos de batalha, como as da Turquia na S\u00edria, algumas express\u00f5es de rebeli\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o apenas desabafadas entre dentes contra as contribui\u00e7\u00f5es financeiras impostas pelo quartel-general de Washington.<\/p>\n<p>Portugal, uma velha entre as mais velhas na\u00e7\u00f5es aliadas, com uma independ\u00eancia \u2013 agora nominal \u2013 que caminha para os 900 anos de idade \u2013 passou de largo e de fininho pela tormenta, como se n\u00e3o existisse. Por\u00e9m, atrav\u00e9s das declara\u00e7\u00f5es de circunst\u00e2ncia, meias palavras e tweets dos representantes presentes em Londres percebeu-se que Portugal alinhou comodamente ao lado de quem manda, o que significa identificar-se com uma figura chamada Donald Trump.<\/p>\n<p>T\u00e3o europe\u00edsta, t\u00e3o federalista \u2013 sem que esteja mandatado para tal pelos portugueses \u2013 o governo de Portugal abriga-se em Washington quando a pol\u00eamica interna da OTAN passa pelo meio da Uni\u00e3o Europeia. Sejamos justos: o cacoete j\u00e1 vem de tr\u00e1s, recorde-se o caso do golpe de Guaid\u00f3 na Venezuela, em que o governo de Lisboa se colocou expressamente ao lado dos Estados Unidos e das manobras fascistas e sem que a Uni\u00e3o Europeia, enquanto tal, tenha tomado uma posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 usurpa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos sabemos que o federalismo europeu \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do controlo pol\u00edtico-militar dos Estados Unidos sobre a Europa. A f\u00f3rmula governamental portuguesa formatada pelo bloco central acrescido do ap\u00eandice de extrema-direita, no entanto, excede-se como exemplo. Entre Bruxelas e Washington, as b\u00fassolas de Lisboa apontam sempre para a capital federal norte-americana independentemente de quem passa pela Casa Branca.<\/p>\n<p>Com os canh\u00f5es, marchar, marchar<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias foram tornados p\u00fablicos, em Washington, os chamados \u201cAfghanistan Papers\u201d, as conclus\u00f5es de um inqu\u00e9rito interno conduzido pelo governo dos Estados Unidos e segundo as quais os respons\u00e1veis norte-americanos mentiram e mentem sobre a guerra do Afeganist\u00e3o iniciada em 2001, sabendo que \u201cnunca a poder\u00e3o ganhar\u201d.<\/p>\n<p>De fato, al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, da liquida\u00e7\u00e3o de milhares e milhares de civis num conflito sem fim, as tropas norte-americanas contribu\u00edram tamb\u00e9m para transformar o Afeganist\u00e3o num para\u00edso para o tr\u00e1fico de drogas derivadas do \u00f3pio, com a hero\u00edna \u00e0 cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Tropas norte-americanas e n\u00e3o s\u00f3. A invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o obra da OTAN, alian\u00e7a da qual Portugal \u00e9 membro, com tropas envolvidas no conflito.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, Portugal \u00e9 parte de uma guerra imperial, criminosa e de agress\u00e3o, envolvimento que acontece \u00e0 revelia dos portugueses, que nunca foram tidos e achados para o caso.<\/p>\n<p>Tal como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra criminosa e colonial da OTAN nos B\u00e1lc\u00e3s que desmembrou a Iugosl\u00e1via e inventou situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o ninho do terrorismo isl\u00e2mico e de outras atividades delituosas, como a B\u00f3snia e o Kosovo.<\/p>\n<p>Tropas portuguesas integram igualmente as opera\u00e7\u00f5es coloniais europeias e norte-americanas em regi\u00f5es africanas, por exemplo na Rep\u00fablica Centro-Africana. A pretexto do combate ao terrorismo, que continua intocado, trata-se de defender o com\u00e9rcio e o tr\u00e1fico de mat\u00e9rias-primas valiosas em benef\u00edcio de interesses que s\u00e3o completamente alheios aos dos portugueses, com cobertura da televis\u00e3o p\u00fablica reciclada em modo colonial \u2013 com algum esfor\u00e7o ainda vai a tempo de recuperar as tradicionais \u201cmensagens de Natal\u201d.<\/p>\n<p>Portugal \u00e9 uma das na\u00e7\u00f5es aliadas que n\u00e3o cumpre a exig\u00eancia de Trump de contribuir com dois por cento do PIB para a guerra imperial. Mas vai a caminho de o fazer: como se viu, posiciona-se do lado de Washington nesta quest\u00e3o; e projeta para 2024 atingir essa meta, isto \u00e9, reservar mais de quatro bilh\u00f5es de euros (4 000 000 000 euros, 360 euros por cada portugu\u00eas) dos contribuintes nacionais para alimentar as guerras movidas pelo complexo militar e industrial que prospera nas duas margens do Atl\u00e2ntico independentemente de o capitalismo estar ou n\u00e3o mergulhado em crise.<\/p>\n<p>A guerra \u00e9 uma atividade sempre lucrativa: Portugal contribui para isso, mas limitado ao papel de ter de pagar. Resta dizer que, segundo as normas da OTAN que s\u00e3o dogmas para Trump, 20% das participa\u00e7\u00f5es dos Estados membros da OTAN para a organiza\u00e7\u00e3o t\u00eam de ser destinadas \u00e0 compra de material de guerra norte-americano. Portugal dever\u00e1, por isso, passar a dedicar 800 milh\u00f5es de euros para alimentar os lucros gigantescos dos fornecedores do Pent\u00e1gono, verdadeiro lixo tecnol\u00f3gico para um pa\u00eds que n\u00e3o tem inimigos no mundo a n\u00e3o ser as fic\u00e7\u00f5es que a OTAN inventou para justificar a exist\u00eancia e o seu neg\u00f3cio da morte.<\/p>\n<p>Foi um governo fascista que introduziu Portugal na OTAN \u2013 coisa que em nada incomodou esta alian\u00e7a dedicada a levar a \u201cdemocracia\u201d na boca dos canh\u00f5es. Qualquer governo portugu\u00eas pretensamente antifascista deveria, no m\u00ednimo, colocar esta participa\u00e7\u00e3o absurda no aparelho de guerra imperial \u00e0 discuss\u00e3o pelos portugueses, os quais, obviamente, n\u00e3o foram consultados na altura da ades\u00e3o.<\/p>\n<p>Como o governo atual e os seus semelhantes t\u00eam, no fundo, medo da democracia e nunca se dispuseram a conhecer a verdadeira opini\u00e3o dos portugueses em aspectos decisivos da sua vida como a presen\u00e7a na Uni\u00e3o Europeia, no euro e na OTAN, cabe aos cidad\u00e3os mobilizarem-se para que isso aconte\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 \u201cvalores civilizacionais\u201d ou \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d ou \u201cocidentais\u201d que impliquem a presen\u00e7a de Portugal numa alian\u00e7a militar que tem como objetivo montar mecanismos policiais repressivos, envenenar as rela\u00e7\u00f5es internacionais e fazer guerras em defesa dos interesses mundiais dominantes, espalhando a morte e destruindo na\u00e7\u00f5es, agravando as desigualdades sociais e regionais, al\u00e9m de aprofundar os desequil\u00edbrios ambientais do planeta.<\/p>\n<p>Portugal n\u00e3o tem de ser membro da OTAN. Cabe aos portugueses, inimigos jurados da guerra como ficou demonstrado em 25 de abril de 1974, corrigir a enorme trapa\u00e7a hist\u00f3rica que foi a integra\u00e7\u00e3o na alian\u00e7a, a gigantesca fraude pol\u00edtica que \u00e9 a insist\u00eancia dos governos atuais num status quo que resultou de uma manobra atrav\u00e9s da qual o salazarismo ganhou alento e prote\u00e7\u00e3o aliada para sobreviver durante mais 25 anos.<\/p>\n<p>Questionar a presen\u00e7a na OTAN \u00e9 uma quest\u00e3o de democracia e dignidade nacional. \u00c9 uma tarefa dos cidad\u00e3os, porque j\u00e1 percebemos que este princ\u00edpio \u00e9 letra morta para o governo em fun\u00e7\u00f5es, que aceita entregar a estrangeiros sem rosto \u2013 mas com interesses alheios aos de Portugal \u2013 as decis\u00f5es que s\u00e3o fundamentais para a vida dos portugueses.<br \/>\n15\/Dezembro\/2019<br \/>\n[*] Jornalista.<\/p>\n<p>O original encontra-se em https:\/\/www.oladooculto.com\/noticias.php?id=591<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em https:\/\/resistir.info\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24531\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[98],"tags":[233],"class_list":["post-24531","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c111-portugal","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6nF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}