{"id":24539,"date":"2019-12-19T23:07:22","date_gmt":"2019-12-20T02:07:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24539"},"modified":"2019-12-19T23:07:22","modified_gmt":"2019-12-20T02:07:22","slug":"chile-mulheres-comunistas-e-luta-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24539","title":{"rendered":"Chile: mulheres comunistas e luta ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcchile.cl\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Simone-Co%C3%B1oman-Pascual-768x576.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Partido Comunista do Chile<\/p>\n<p>Uma conversa sobre o feminismo mapuche e sobre o andamento do debate em torno de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, que vem sendo liderado pelas equipes dos partidos chilenos que assinaram o acordo com o governo. O Programa de R\u00e1dio &#8220;Mulheres Comunistas &#8211; por ti e por todas companheiras&#8221;, dirigentes do PC Chileno entrevistaram Patricia Co\u00f1oman, assistente social e l\u00edder sindical, primeira pessoa encarregada da Secretaria de Mulheres da CUT em 1988, que apresentou uma vis\u00e3o geral da situa\u00e7\u00e3o atual que afeta as mulheres ind\u00edgenas no Chile e como elas enfrentam a repress\u00e3o policial na regi\u00e3o, por rejeitar o modelo neoliberal imposto ao Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Bem sabemos que em La Araucan\u00eda vive-se dia a dia a criminaliza\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e viol\u00eancia com a presen\u00e7a permanente da PDI e dos Carabineros das For\u00e7as Especiais, institui\u00e7\u00f5es que constantemente reprimem as comunidades mapuches. Por esse motivo, os grupos Mapuche e Huilliches divulgaram uma declara\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es atuais dos cidad\u00e3os: \u201cDamos todo o nosso apoio \u00e0 luta que est\u00e1 ocorrendo na futxa warria (Santiago) e a todas as pessoas que lutam por sua justa liberta\u00e7\u00e3o\u201d. Co\u00f1oman, que tamb\u00e9m foi candidata a senadora na regi\u00e3o de La Araucan\u00eda, valorizou essa afirma\u00e7\u00e3o e o uso da bandeira Mapuche (azul, com lua e estrela) presente nas marchas, representando um s\u00edmbolo de rebeli\u00e3o. Nas mobiliza\u00e7\u00f5es, as desigualdades que afetam as mulheres mapuches tamb\u00e9m s\u00e3o expressas, porque &#8220;ser mulher, mapuche e trabalhadora \u00e9 uma tr\u00edade maquiav\u00e9lica&#8221;, assinalou a dirigente.<\/p>\n<p>Explicou que no Chile h\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o cultural no local de trabalho. Por exemplo, aquelas que trabalham como empregadas dom\u00e9sticas, camareiras ou nos servi\u00e7os de limpeza de empresas, bancos e lojas s\u00e3o mulheres ind\u00edgenas. Nestes locais ficam invis\u00edveis, assim como nas casas de &#8220;topless&#8221;, onde sofrem explora\u00e7\u00e3o sexual em alguns casos, juntamente com outros grupos \u00e9tnicos como Aymara e Rapa Nui. As mulheres que conseguiram sair desses ambientes foram para as f\u00e1bricas, acrescentou. A segrega\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas tamb\u00e9m est\u00e1 na sa\u00fade, causada pelo tipo de trabalho que realizam e tamb\u00e9m por problemas de adapta\u00e7\u00e3o ao local onde moram. Muitas das doen\u00e7as adquiridas pelas mulheres surgem ap\u00f3s a migra\u00e7\u00e3o do campo para a cidade, onde os espa\u00e7os s\u00e3o muito menores e superlotados.<\/p>\n<p>No que se refere ao reconhecimento constitucional dos povos origin\u00e1rios, ela afirmou que uma nova Constitui\u00e7\u00e3o deve &#8220;levar a s\u00e9rio as pessoas&#8221; que est\u00e3o se mobilizando e lutando para uma Assembleia Constituinte. Ressaltou o fato de que os povos nativos &#8220;n\u00e3o votam&#8221; porque &#8220;eles n\u00e3o acreditam no que se passa&#8221;. Nesse sentido, afirmou que os assentos reservados nos parlamentos podem contribuir para uma maior participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena na pol\u00edtica chilena, e \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o ter assentos reservados e parit\u00e1rios para mulheres ind\u00edgenas, tanto nas casas do Congresso quanto no espa\u00e7o constituinte atualmente em discuss\u00e3o. Trata-se de garantir que a vis\u00e3o de mundo mapuche seja representada, porque n\u00e3o \u00e9 a mesma que o mundo ocidental tem sobre g\u00eanero e todas as coisas. Por exemplo, a figura das machis, que s\u00e3o as curandeiras e as que fazem as peti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Destacou que a vis\u00e3o dos povos ancestrais ajuda a visualizar a mudan\u00e7a de paradigma que surge, em dire\u00e7\u00e3o a um novo modelo de desenvolvimento e organiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Ela nos relatou que est\u00e1 sendo organizados os \u201ctrawum\u201d, pequena assembleia onde todos falam e pensam, que s\u00e3o realizadas em conjunto com comunidades de outras comunas. Recentemente, se reuniram nas comunidades de La Reina, El Bosque, entre outras, e prepararam documentos com propostas. Somente na comuna de El Bosque existem 17 mil ind\u00edgenas e uma das propostas estabelece redes de apoio em casos de emerg\u00eancia de qualquer natureza, compostas por mulheres mapuches. Est\u00e1 sendo constru\u00eddo para ajudar as pr\u00f3prias mulheres e produzir um interc\u00e2mbio como uma pr\u00e1tica cultural.<\/p>\n<p>O feminismo mapuche<\/p>\n<p>Consultada Co\u00f1oman sobre como o movimento feminista se expressa no mundo e na cultura mapuche, ela afirmou que entre as mulheres mapuches h\u00e1 um debate sobre como o feminismo deve ser entendido, porque, para a mulher mapuche, existe uma vis\u00e3o diferente dos corpos, dos elementos da terra e do conceito de bem viver. Ela disse que as mulheres mapuche desejam que sua cultura e sua vis\u00e3o de mundo sejam reconhecidas, e tamb\u00e9m que n\u00e3o haja abusos e viol\u00eancia por parte dos homens mapuches. Lembrou que, em termos de posse da terra, as mulheres mapuches promovem uma luta importante, porque &#8220;n\u00e3o h\u00e1 mulher que n\u00e3o aspire a ter seu lar&#8221; e \u00e9 por isso que agora elas podem ser titulares dos direitos \u00e0 terra, que costumavam ser apenas dos homens.<\/p>\n<p>Outro tema em que tamb\u00e9m as demandas n\u00e3o s\u00e3o iguais \u00e0s das mulheres chilenas, \u00e9 o aborto. \u00c9 diferente porque as mulheres mapuches levam em considera\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o dos corpos com a natureza, com as ervas, e nessa rela\u00e7\u00e3o de cada mulher com seu corpo n\u00e3o se intromete o restante da comunidade ind\u00edgena. Deste \u00e2ngulo, as mulheres mapuches &#8220;s\u00e3o muito feministas&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>Nova Constitui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A ex-Ministra das Mulheres tamb\u00e9m se referiu ao \u201ccabo de guerra\u201d que est\u00e1 ocorrendo entre os partidos que assinaram o Acordo de Paz e o projeto de uma Nova Constitui\u00e7\u00e3o. Assinalou que &#8220;custa dar corpo ao acordo&#8221;, basicamente porque eles se recusam a atender as demandas das pessoas que se manifestaram livremente nas ruas durante esse per\u00edodo. Nos temas sobre a paridade, assentos reservados para os povos ind\u00edgenas, forma de elei\u00e7\u00e3o desses assentos, os requisitos, entre outros, n\u00e3o concordam e s\u00e3o &#8220;pegos de surpresa&#8221;, enquanto o povo do Chile segue desacreditado desta pol\u00edtica. Criticou que este acordo tenha sido &#8220;assinado muito rapidamente&#8221; e, portanto, \u00e9 d\u00e9bil por causa de muitas omiss\u00f5es. No entanto, ela reiterou a necessidade de estar presente nesta discuss\u00e3o para conquistar os pontos que interessam aos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a o programa em: https:\/\/youtu.be\/rt9IKs8zCBA<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/pcchile.cl\/2019\/12\/09\/mujeres-comunistas-capitulo-11-como-aportan-las-mujeres-indigenas-al-feminismo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24539\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[87],"tags":[228],"class_list":["post-24539","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c100-chile","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6nN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24539"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24539\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}