{"id":24589,"date":"2019-12-29T11:37:00","date_gmt":"2019-12-29T14:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24589"},"modified":"2019-12-29T11:37:00","modified_gmt":"2019-12-29T14:37:00","slug":"ceifando-o-sangue-dos-pobres-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24589","title":{"rendered":"Ceifando o sangue dos pobres dos EUA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.mintpressnews.com\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/PC3B.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->A mais recente etapa do capitalismo<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Alan Macleod<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que o capitalismo mercantiliza tudo, e extrai lucro de tudo. Quando se trata de algo t\u00e3o vital como o sangue humano, poderia haver alguma reserva, mas o que sucede \u00e9 o contr\u00e1rio. Nos EUA, o sangue das camadas mais vulner\u00e1veis e empobrecidas da popula\u00e7\u00e3o (que se contam por muitos milh\u00f5es) \u00e9 o centro de uma florescente e lucrativa ind\u00fastria. Ser\u00e1 dif\u00edcil encontrar-se imagem mais flagrante do car\u00e1ter anti-humano do capitalismo na sua fase atual.<\/p>\n<p>Para boa parte do mundo, doar sangue \u00e9 puramente um ato de solidariedade, um dever c\u00edvico que os saud\u00e1veis cumprem para ajudar os necessitados. A ideia de ser pago por tal a\u00e7\u00e3o seria considerada bizarra. Mas nos Estados Unidos \u00e9 um grande neg\u00f3cio. De fato, na desgra\u00e7ada economia de hoje, em que cerca de 130 milh\u00f5es de norte-americanos admitem a incapacidade de pagar por necessidades b\u00e1sicas como alimenta\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o ou assist\u00eancia m\u00e9dica, comprar e vender sangue \u00e9 uma das poucas ind\u00fastrias em expans\u00e3o que restam nos EUA.<\/p>\n<p>O n\u00famero de centros de coleta nos Estados Unidos mais do que duplicou desde 2005, e o sangue representa agora em valor mais de 2% do total das exporta\u00e7\u00f5es dos EUA. Para colocar isso em perspectiva, o sangue dos norte-americanos vale agora mais do que todos os produtos de milho ou soja exportados que cobrem vastas \u00e1reas do cora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Os EUA fornecem na totalidade 70% do plasma do mundo, sobretudo porque a maioria dos outros pa\u00edses proibiu essa pr\u00e1tica por raz\u00f5es \u00e9ticas e m\u00e9dicas. As exporta\u00e7\u00f5es aumentaram mais de 13%, para US $ 28,6 milhares de milh\u00f5es, entre 2016 e 2017, e o mercado de plasma dever\u00e1 \u201ccrescer radiosamente\u201d, segundo um relat\u00f3rio sobre a ind\u00fastria. A maioria vai para pa\u00edses europeus ricos; a Alemanha, por exemplo, compra 15% de todas as exporta\u00e7\u00f5es de sangue dos EUA. China e Jap\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o tamb\u00e9m clientes-chave.<\/p>\n<p>\u00c9 principalmente o plasma &#8211; um l\u00edquido dourado que transporta prote\u00ednas e gl\u00f3bulos vermelhos e brancos por todo o corpo &#8211; que o torna t\u00e3o procurado. O sangue doado \u00e9 crucial no tratamento de problemas m\u00e9dicos como anemia e cancro, e \u00e9 em geral necess\u00e1rio para a realiza\u00e7\u00e3o de cirurgias. As mulheres gr\u00e1vidas precisam frequentemente tamb\u00e9m de transfus\u00f5es para tratar perdas de sangue durante o parto. Como todas as ind\u00fastrias em matura\u00e7\u00e3o, algumas enormes e sedentas de sangue empresas, como Grifols e CSL, passaram a dominar o mercado norte-americano.<\/p>\n<p>Mas para gerar lucros t\u00e3o enormes essas empresas vamp\u00edricas apontam conscientemente aos norte-americanos mais pobres e desesperados. Um estudo constatou que a maioria dos doadores em Cleveland gera mais de um ter\u00e7o do seu rendimento por \u201cdoar\u201d sangue. O dinheiro que recebem, observa a professora Kathryn Edin, da Universidade de Princeton, \u00e9 literalmente \u201ca for\u00e7a vital dos pobres com US $ 2 por dia\u201d. O Professor H. Luke Schaefer, da Universidade de Michigan, coautor com Edin de $2 a Day: Living on Almost Nothing in America, disse ao MintPress News:<\/p>\n<p>&#8220;O aumento maci\u00e7o das vendas de plasma sangu\u00edneo \u00e9 o resultado de uma rede de seguran\u00e7a monet\u00e1ria inadequada e em muitos lugares inexistente, combinada com um mercado de trabalho inst\u00e1vel. A nossa experi\u00eancia \u00e9 que as pessoas precisam do dinheiro, \u00e9 essa a principal raz\u00e3o pela qual as pessoas aparecem nos centros de plasma&#8221;.<\/p>\n<p>Quase metade dos EUA est\u00e1 falida e 58% do pa\u00eds vive de sal\u00e1rio em sal\u00e1rio, com poupan\u00e7as de menos de US $ 1000. 37 milh\u00f5es de norte-americanos v\u00e3o para a cama com fome, incluindo um sexto dos nova-iorquinos e quase metade dos residentes no South Bronx. E mais de meio milh\u00e3o de pessoas dormem em qualquer noite nas ruas, com muitos milh\u00f5es mais em ve\u00edculos ou recorrendo a amigos ou familiares. \u00c9 nesse contexto que milh\u00f5es de pessoas no limite se voltam, para sobreviver, para a venda de sangue. Num sentido muito real, ent\u00e3o, essas empresas est\u00e3o ceifando o sangue dos pobres, literalmente sugando-lhes a vida.<\/p>\n<p>Vejo que passamos \u00e0 etapa de \u201cceifar o sangue dos pobres\u201d do capitalismo tardio.<\/p>\n<p>O MintPress News falou com v\u00e1rios norte-americanos que t\u00eam frequentemente doado plasma. Alguns n\u00e3o quiseram ser completamente identificados. Mas nenhum tinha quaisquer ilus\u00f5es sobre o sistema e como estavam sendo explorados.<\/p>\n<p>\u201cOs centros nunca est\u00e3o numa parte boa da cidade, est\u00e3o sempre em algum local onde podem obter uma intermin\u00e1vel fonte de pessoas pobres desesperadas por aqueles cem d\u00f3lares por semana\u201d, observou Andrew Watkins, que vendeu o seu sangue em Pittsburgh, PA durante cerca de 18 meses.<\/p>\n<p>As pessoas que aparecem s\u00e3o uma mistura de deficientes, trabalhadores pobres, sem-abrigo, monoparentais e estudantes universit\u00e1rios. Com exce\u00e7\u00e3o dos estudantes universit\u00e1rios que procuram dinheiro para bebida, isto \u00e9 provavelmente o rendimento mais f\u00e1cil e confi\u00e1vel que t\u00eam. O teu trabalho pode despedir-te a qualquer momento quando est\u00e1s neste n\u00edvel da sociedade, mas tens sempre sangue. E vender o seu sangue n\u00e3o conta como emprego ou rendimento quando se trata de determinar benef\u00edcios por invalidez, senhas de refei\u00e7\u00e3o ou elegibilidade para o desemprego, por isso \u00e9 uma fonte de dinheiro para as pessoas que n\u00e3o t\u00eam absolutamente mais nada\u201d.<\/p>\n<p>Rachel, de Wisconsin, que doou centenas de vezes durante um per\u00edodo de sete anos, tamb\u00e9m comentou a \u00f3bvia composi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica dos doadores.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s \u00e9ramos pobres, todos n\u00f3s l\u00e1 dentro, podia-se facilmente dizer que nos encontr\u00e1vamos nos n\u00edveis mais baixos da escala de rendimentos. Eles nos incentivam com b\u00f4nus e quanto mais doares num m\u00eas, mais recebes, recrutando b\u00f4nus de amigos, b\u00f4nus de f\u00e9rias etc\u201d.<\/p>\n<p>Keita Currier, de Washington D.C., observou que ela e o marido tinham pouca escolha a n\u00e3o ser continuar durante anos a visitar cl\u00ednicas em Maryland, mas ressentiam-se com seus m\u00e9todos de pagamento.<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o predat\u00f3rios, o pre\u00e7o estabelecido para o teu plasma \u00e9 baseado num capricho. Por exemplo, num lugar em que doei as cinco primeiras vezes, recebe-se US $ 75, depois recebe-se 20, 20, 30, 50, 25. \u00c9 aleat\u00f3rio, n\u00e3o importa, mas eles sabem que est\u00e1s desesperado e se n\u00e3o fizeres a tua doa\u00e7\u00e3o de US $ 30, n\u00e3o receber\u00e1s 50 na pr\u00f3xima vez. Aparentemente, o plasma vale algo na ordem das centenas, por isso n\u00e3o \u00e9 de surpreender que estejas enredado\u201d.<\/p>\n<p>Zumbificando os pobres dos EUA<\/p>\n<p>Todos os entrevistados concordaram que estavam efetivamente sendo explorados, mas de v\u00e1rias maneiras. Norte-americanos desesperados podem doar duas vezes por semana (104 vezes por ano). Mas perder tanto plasma pode ter s\u00e9rias consequ\u00eancias para a sa\u00fade, a maioria das quais n\u00e3o foi estudada, alerta o Professor Schaefer, enfatizando que \u00e9 necess\u00e1ria mais investiga\u00e7\u00e3o. Cerca de 70% dos doadores sofrem complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Os doadores t\u00eam uma taxa de prote\u00ednas no sangue mais baixa, colocando-os em maior risco de infec\u00e7\u00f5es e dist\u00farbios hep\u00e1ticos e renais. Muitos doadores regulares sofrem de fadiga quase permanente e est\u00e3o no limite da anemia. Tudo isso por uma m\u00e9dia de US $ 30 por visita. Rachel descreveu o terr\u00edvel Catch-22 em que muitos dos trabalhadores pobres se encontram:<\/p>\n<p>&#8220;Fui recusada duas vezes &#8211; uma vez por estar muito desidratada e outra por ser an\u00eamica. Ser pobre criou um paradoxo terr\u00edvel em que eu n\u00e3o conseguia comer, e porque n\u00e3o conseguia comer, os meus n\u00edveis de ferro n\u00e3o eram suficientemente altos para permitirem que doasse. Aquela foi a semana de um corte no sal\u00e1rio, dinheiro de que eu precisava desesperadamente para a renda, as contas e medicamentos\u201d.<\/p>\n<p>Um m\u00e9todo comum de fazer trapa\u00e7a em esportes de resist\u00eancia \u00e9 injetar sangue extra no teu sistema antes de uma corrida, proporcionando um enorme aumento no desempenho. Mas extra\u00ed-lo tem o efeito oposto, deixando-te lento e cansado durante dias. Portanto, esta pr\u00e1tica debilitante est\u00e1 zumbificando os pobres dos EUA.<\/p>\n<p>O processo de doar sangue n\u00e3o \u00e9 apraz\u00edvel. Currier observou que, depois de doar constantemente, \u201cos hematomas se tornam terr\u00edveis\u2026 Por vezes eles n\u00e3o conseguem encontrar a veia ou inserem incorretamente e precisam de ajustar a agulha por baixo da tua pele\u201d, disse ela, alegando que s\u00f3 de pensar nisso a assusta, e revelou que seu marido tivera que parar temporariamente de doar, pois os seus patr\u00f5es pensavam que estava usando hero\u00edna devido \u00e0s marcas nos seus bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Watkins concordou. \u201cPodia sempre se dizer h\u00e1 quanto tempo algu\u00e9m fazia o trabalho por essa agulha\u201d, lembra ele. \u201cDepois de um ano ou mais, eles tinham literalmente esfaqueado milhares de pessoas e poderiam apenas dar um toque no teu cotovelo e enfiar a agulha na veia sem problemas. Indiv\u00edduos novos errariam a veia, atravessariam a veia ou tentariam ca\u00e7\u00e1-la com a ponta da agulha, o que deixaria contus\u00f5es terr\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 pouco cuidado com o conforto dos pacientes. Como Watkins explicou, os termostatos est\u00e3o sempre regulados para cerca de 50-60\u00baF por causa do plasma. Uma vez extra\u00eddo o plasma de cor \u00e2mbar, o teu sangue arrefecido \u00e9 injetado novamente num processo doloroso que se sente como se estivesse a ser inserido gelo no corpo. \u201cCombinado com a temperatura j\u00e1 fria do ar, era enlouquecedor\u201d, observa.<\/p>\n<p>Assim, os zumbis pobres dos EUA s\u00e3o deixados quase permanentemente drenados mentalmente, como os viciados em hero\u00edna, e com os bra\u00e7os igualmente macerados e perfurados, exceto que est\u00e3o sendo pagos pela inconveni\u00eancia. Mas talvez a pior coisa da experi\u00eancia, segundo os entrevistados, seja a desumaniza\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n<p>Os doadores s\u00e3o pesados publicamente para garantir que t\u00eam peso suficiente. As pessoas obesas valem mais para as empresas sedentas de sangue, pois podem em cada sess\u00e3o extrair com seguran\u00e7a mais plasma delas (enquanto pagam a mesma compensa\u00e7\u00e3o). \u201cEles definitivamente transformam-te num produto num sentido muito literal\u201d, diz Watkins. \u201c\u00c9 profundamente explorador e um sintoma de qu\u00e3o fora dos trilhos est\u00e1 o capitalismo\u201d.<\/p>\n<p>Muitos centros s\u00e3o enormes, com m\u00faltiplas filas de dezenas de m\u00e1quinas a trabalhar na tentativa de apaziguar o insaci\u00e1vel apetite da vamp\u00edrica empresa. E, segundo Watkins, n\u00e3o faltam \u201cv\u00edtimas\u201d humanas dispostas a serem tratadas como animais nos est\u00e1bulos em bateria, em troca de alguns d\u00f3lares: \u201cEra uma linha de montagem para extrair ouro l\u00edquido de minas humanas\u201d, observa.<\/p>\n<p>Currier tamb\u00e9m destacou o tratamento do pessoal e as medidas de redu\u00e7\u00e3o de custos das cl\u00ednicas em Maryland que visitou ilustrariam:<\/p>\n<p>&#8220;Normalmente, os locais t\u00eam um largamente insuficiente n\u00famero de funcion\u00e1rios, o que significa que eles frequentemente n\u00e3o trocam de luvas, que as pessoas est\u00e3o sobrecarregadas de trabalho e que, no m\u00ednimo, ficas l\u00e1 por 2-3 horas, o que significa que precisas de planear um dia inteiro s\u00f3 por essa merda apenas para conseguir ter 20 d\u00f3lares no bolso para te governares nos pr\u00f3ximos dias. \u00c9 deprimente, desanimador e francamente embara\u00e7oso ter de se arrastar assim. Eu sinto-me uma merda depois de doar\u201d.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o atinge novos n\u00edveis<\/p>\n<p>Mas a explora\u00e7\u00e3o de seres humanos atingiu novos n\u00edveis em cl\u00ednicas na fronteira EUA-M\u00e9xico. Todas as semanas, milhares de mexicanos entram nos EUA com vistos tempor\u00e1rios para vender o seu sangue a empresas farmac\u00eauticas com fins lucrativos. A pr\u00e1tica \u00e9 proibida no M\u00e9xico por motivos de sa\u00fade, mas \u00e9 completamente legal a norte da fronteira. Segundo a ProPublica, existem pelo menos 43 centros de doa\u00e7\u00e3o de sangue ao longo da fronteira que, numa pr\u00e1tica legalmente amb\u00edgua, rapinam principalmente cidad\u00e3os mexicanos.<\/p>\n<p>De acordo com um document\u00e1rio su\u00ed\u00e7o sobre o assunto, existe muito pouca an\u00e1lise sobre a limpeza do sangue que essas empresas aceitam, com alguns doadores entrevistados admitindo que eram viciados em drogas. Mas tudo \u00e9 sacrificado na busca de deslumbrantes lucros, algo de que os doadores estavam bem cientes. Rachel de Wisconsin admitiu,<br \/>\nFi-lo pelo dinheiro, penso que todos o fazemos pelo dinheiro, mas n\u00e3o \u00e9 realmente algo que se apregoe, porque existe derramado por cima um verniz de \u201cajudar os doentes\u201d. Tive ocasionalmente vislumbres do tipo de ind\u00fastria que era atrav\u00e9s de questionamentos in\u00f3cuos. A quantidade de plasma extra\u00eddo de uma pessoa por doa\u00e7\u00e3o valia mais de US $ 600, nunca recebi uma resposta clara sobre isso.<\/p>\n<p>Andrew da Pensilv\u00e2nia concordou, observando ironicamente:<\/p>\n<p>&#8220;Sei que meu plasma valia milhares de d\u00f3lares por doa\u00e7\u00e3o [a outros], porque vi o que um hospital na minha cidade cobrava a um hemof\u00edlico por plaquetas, portanto a quantia que pagam \u00e9 rid\u00edcula, mas h\u00e1 apenas um comprador fazendo ofertas no n\u00edvel humano. Se \u00e9s pobre e sem outras op\u00e7\u00f5es, aceitar\u00e1s US $ 40 seja como for. Numa tempestade qualquer porto serve\u201d.<\/p>\n<p>Michael, um assistente social da Ge\u00f3rgia que vendeu o seu sangue por um dinheiro extra, estava profundamente incomodado com toda a situa\u00e7\u00e3o. \u201cConhe\u00e7o bastantes pessoas que dependem de dinheiro ganho com a venda de plasma. Muitas vezes \u00e9 necess\u00e1rio para cuidar de crian\u00e7as ou receitas m\u00e9dicas ou algo assim&#8221;, disse. \u201c\u00c9 absolutamente deplor\u00e1vel que se aproveite aquilo que literalmente \u00e9 dinheiro de sangue de pessoas que t\u00eam t\u00e3o poucas op\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>As grandes empresas farmac\u00eauticas est\u00e3o particularmente interessadas no sangue dos jovens. Uma campanha de cartazes da Grifols apontou intencionalmente a estudantes da classe trabalhadora. \u201cPrecisa de livros? N\u00e3o se preocupe. Doe plasma\u201d, diz a manchete. O sangue dos adolescentes est\u00e1 em alta procura em, de todos os lugares, Silicon Valley, onde as tecnologias antienvelhecimento s\u00e3o a \u00faltima tend\u00eancia. Uma empresa, Ambrosia, cobra US $ 8.000 por tratamento a executivos de tecnologia envelhecidos, infundindo-lhes sangue de jovens, transformando esses indiv\u00edduos em sugadores de sangue de v\u00e1rias maneiras. Apesar do fato de existir prova cl\u00ednica de que a pr\u00e1tica tenha efeitos ben\u00e9ficos, o neg\u00f3cio prospera. Um comprometido cliente \u00e9 o cofundador do PayPal que tornado assessor de Trump Peter Thiel, que ao que se diz est\u00e1 a gastar grandes somas de dinheiro no financiamento de startups antienvelhecimento. Thiel afirma que temos sido enganados pela \u201cideologia da inevitabilidade da morte de todo indiv\u00edduo\u201d e acredita que a sua pr\u00f3pria imortalidade pode estar \u00e0 beira de chegar, uma no\u00e7\u00e3o que tem preocupado profundamente tanto acad\u00eamicos como comentadores.<\/p>\n<p>O novo e florescente mercado do sangue \u00e9 a personifica\u00e7\u00e3o perfeita da distopia capitalista tardia em que os EUA modernos se tornaram. O desumanizador processo de ceifa do sangue dos pobres para financiar os quixotescos sonhos de imortalidade dos super-ricos transforma os primeiros em zumbis vivos andantes e os segundos em vampiros, banqueteando-se com o sangue dos jovens; uma verdadeira hist\u00f3ria de terror americana digna de Stephen King ou H.P. Lovecraft. Como disse Rachel de Wisconsin:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 realmente \u00e9 uma ind\u00fastria em que \u201cespremer sangue de pedras\u201d \u00e9 o mais literal que se pode encontrar. \u201d<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.mintpressnews.com\/harvesting-blood-americas-poor-late-stage-capitalism\/263175\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24589\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[227],"class_list":["post-24589","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6oB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24589\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}