{"id":24599,"date":"2019-12-30T23:26:00","date_gmt":"2019-12-31T02:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24599"},"modified":"2019-12-30T23:26:00","modified_gmt":"2019-12-31T02:26:00","slug":"falece-harry-villegas-pombo-combatente-amigo-de-che","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24599","title":{"rendered":"Falece Harry Villegas, &#8220;Pombo&#8221;, combatente amigo de Che"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/12555\/production\/_110339057_pombo01.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>O general de brigada e destacado combatente cubano Harry Villegas morreu em Havana aos 79 anos, informou a m\u00eddia local, que abordou sua trajet\u00f3ria revolucion\u00e1ria e lealdade ao comandante Ernesto Che Guevara.<\/p>\n<p>O notici\u00e1rio nacional divulgou, em sua edi\u00e7\u00e3o vespertina, que Villegas, conhecido como Pombo, nasceu em uma fam\u00edlia humilde na prov\u00edncia oriental de Granma e que desde tenra idade ele foi talhado na luta contra a ditadura de Fulg\u00eancio Batista. O trabalho internacionalista de Villegas foi intenso desde que integrou as miss\u00f5es militares de Che no Congo e na Bol\u00edvia, onde demonstrou coragem e tenacidade, acrescentou o comunicado de imprensa.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m cumpriu uma miss\u00e3o internacional em Angola e foi promovido a general de brigada em 1994. O combatente tinha responsabilidades diversas, foi fundador do Partido Comunista de Cuba, deputado e recebeu v\u00e1rias decora\u00e7\u00f5es, entre outras, a de Her\u00f3i da Rep\u00fablica de Cuba. A vida e a obra de Villegas s\u00e3o exemplos de mod\u00e9stia, honestidade e integridade para a Revolu\u00e7\u00e3o, Che, Fidel e Ra\u00fal Castro, conclui a reportagem.<\/p>\n<p>rgh\/lbp<br \/>\nPL*<\/p>\n<p>Faleceu o Her\u00f3i da Rep\u00fablica Harry Villegas, o \u00abPombo\u00bb da guerrilha de Che na Bol\u00edvia<br \/>\nO general de brigada e her\u00f3i da Rep\u00fablica de Cuba, Harry Villegas Tamayo, conhecido como \u00abPombo\u00bb na guerrilha liderada por Che Guevara, morreu no domingo, 29 de dezembro de 2019 em Havana, aos 79 anos de idade, devido a disfun\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos \u00f3rg\u00e3os. Seu corpo foi cremado pela vontade da fam\u00edlia. Nesta segunda-feira, 30 de dezembro, foi prestada homenagem p\u00f3stuma ao destacado combatente, nascido em 1940, em Yara, prov\u00edncia de Granma.<\/p>\n<p>Aos dezessete anos, ele j\u00e1 estava lutando no Ex\u00e9rcito Rebelde em Sierra Maestra. Na invas\u00e3o ao centro da ilha, ingressou na coluna 8 Ciro Redondo e fez parte da escolta pessoal de Che. Ap\u00f3s o triunfo revolucion\u00e1rio, continuou a atuar ao lado de Che como chefe de sua escolta, quando ent\u00e3o o comandante Guevara o nomeou administrador da f\u00e1brica de produtos sanit\u00e1rios de San Jos\u00e9. Mais tarde, solicitou a libera\u00e7\u00e3o dessa fun\u00e7\u00e3o e foi para a escola de administradores. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, Che decidiu envi\u00e1-lo com o cargo anterior para outra f\u00e1brica, mas Pombo se recusou, afirmando que ele era um guarda. Passou ent\u00e3o a trabalhar nas For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Ele lutou ao lado de Che no Congo e na Bol\u00edvia. Tamb\u00e9m cumpriu miss\u00e3o internacionalista em Angola e Nicar\u00e1gua. Recebeu a condecora\u00e7\u00e3o de Her\u00f3i da Rep\u00fablica de Cuba. Foi Brigadeiro Geral das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias (FAR), membro do PCC &#8211; Partido Comunista Cubano, vice-presidente e secret\u00e1rio executivo da Dire\u00e7\u00e3o Nacional da Associa\u00e7\u00e3o de Combatentes da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e um estudante do pensamento militar de Ernesto Che Guevara.<\/p>\n<p>En mem\u00f3ria de Harry Villegas, \u00abPombo\u00bb, entrevista realizada com o revolucion\u00e1rio: \u00abCada povo pode fazer sua revolu\u00e7\u00e3o\u00bb<br \/>\nAndr\u00e9s Figueroa Cornejo<\/p>\n<p>Em outubro de 2010, o revolucion\u00e1rio cubano e amigo \u00edntimo de Ernesto Guevara, Harry Villegas, &#8220;Pombo&#8221;, visitou Santiago, Chile. Na ocasi\u00e3o, quem escreve teve a sorte de encontrar o lend\u00e1rio guerrilheiro. Em homenagem modesta a \u00abPombo\u00bb, morto em 29 de dezembro de 2019 em Cuba, aos 79 anos de idade, a entrevista \u00e9 reproduzida abaixo:<\/p>\n<p>Em 1967, o ent\u00e3o presidente do Senado do Chile, Salvador Allende, desempenhou um papel central no resgate do grupo de sobreviventes da guerrilha de Che na Bol\u00edvia. Entre os rapazes estava o cubano Harry Villegas, a quem Che apelidou de &#8220;Pombo&#8221;. 40 anos ap\u00f3s esses eventos hist\u00f3ricos que abalaram o mundo, o &#8220;Pombo&#8221; &#8211; parlamentar da Maior Ilha das Antilhas e general de Brigada &#8211; visitou o Chile, convidado pela Associa\u00e7\u00e3o de Internacionalistas e Lutadores Antifascistas do Chile. Nomeado &#8220;Ilustre Filho de Iquique&#8221;, Harry Villegas, entre muitas atividades, reuniu-se com a juventude e a imprensa popular de Santiago na sede da Federa\u00e7\u00e3o Estudantil da Universidade do Chile. Na ocasi\u00e3o, Alihu\u00e9n Antileo, l\u00edder mapuche, cumprimentou o revolucion\u00e1rio cubano, denunciando a repress\u00e3o sistem\u00e1tica por parte do Estado chileno que sofre o principal povo nativo do pa\u00eds e que j\u00e1 custara seis vidas e 13 presos pol\u00edticos. &#8220;Pombo&#8221; imediatamente simpatizou com as demandas mapuche e lembrou que havia v\u00e1rios jovens da mais importante etnia no Chile estudando nas universidades cubanas, gratuitamente, por meio de bolsas de estudo. O que vem a seguir faz parte da rica conversa que foi estabelecida.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea caracteriza sua turn\u00ea pelo Chile?<\/p>\n<p>\u201cTive a oportunidade de visitar um conjunto de lugares que, h\u00e1 40 anos, em condi\u00e7\u00f5es diferentes, tive que conhecer. Mantive contato com setores progressistas da sociedade chilena, com quem, em alguns casos, fui ouvido, em outros, fiz perguntas. Mantivemos, de v\u00e1rias maneiras, um di\u00e1logo. Acho que aprendi muito e transmiti alguma coisa\u201d.<\/p>\n<p>Que rela\u00e7\u00e3o existe entre os povos cubano e chileno?<\/p>\n<p>\u201cTivemos quatro guerras: a de 1868, onde sentimos a solidariedade chilena de tal maneira que chegaram for\u00e7as de l\u00e1. Os chilenos foram internacionalistas em Cuba. Houve uma expedi\u00e7\u00e3o de chilenos que participaram da independ\u00eancia frente \u00e0 Espanha. De fato, um chileno alcan\u00e7ou o posto de general. Portanto, nosso v\u00ednculo com o Chile \u00e9 forte. Mais tarde, quando os chilenos sofreram a tirania de Pinochet, muitos chilenos foram a Cuba e os recebemos l\u00e1 como irm\u00e3os. E Cuba compartilhou com eles o que possu\u00eda. N\u00e3o o que nos sobrara, porque n\u00e3o nos sobra nada. As casas que estavam sendo constru\u00eddas para os cubanos foram compartilhadas com os chilenos. Assim tamb\u00e9m, trabalho, educa\u00e7\u00e3o. E durante grande parte da ditadura, os chilenos ficaram em Cuba. E isso determinou que, para n\u00f3s, os chilenos s\u00e3o bem conhecidos. Eles s\u00e3o os latino-americanos que conhecemos melhor, com quem estabelecemos mais rela\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>REBELDES COM CAUSA<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a origem da na\u00e7\u00e3o cubana?<\/p>\n<p>\u201cNossas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o do Caribe. Somos um h\u00edbrido de tr\u00eas nacionalidades: os europeus, atrav\u00e9s de diferentes regi\u00f5es da Espanha; os africanos, quando entraram escravos na ilha e os chineses, que chegaram a Cuba como for\u00e7a de trabalho, originalmente oper\u00e1ria, mas concretamente escrava. Assim surge a nacionalidade cubana. O homem nativo desapareceu. O \u00edndio foi totalmente aniquilado. Nesse contexto, nasceu uma psicologia rebelde da na\u00e7\u00e3o cubana. De n\u00e3o aceitar imposi\u00e7\u00f5es, de combate cont\u00ednuo. N\u00e3o somos rebeldes sem causa. Temos muitos motivos para sermos rebeldes.\u201d<\/p>\n<p>A disputa entre Cuba e os governos dos EUA \u00e9 antiga &#8230;<\/p>\n<p>\u201cSou de um pa\u00eds pequeno, uma ilha bem distante do Chile, que \u00e9 a chave do Golfo do M\u00e9xico e, portanto, est\u00e1 mais pr\u00f3xima da Am\u00e9rica do Norte. N\u00f3s n\u00e3o somos iguais aos americanos. Na verdade, tivemos confrontos contra eles desde antes da funda\u00e7\u00e3o de Cuba como na\u00e7\u00e3o pela pretens\u00e3o estadunidense de nos agredir. Estamos a apenas 90 milhas dos EUA. E aqueles que reivindicam 200 quil\u00f4metros de soberania mar\u00edtima consideram que Cuba deve pertencer a eles.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 agora &#8211; quando os americanos se tornaram uma grande na\u00e7\u00e3o -, mas muito antes, nos tempos das treze col\u00f4nias, durante a Guerra Civil, os sulistas j\u00e1 tinham inten\u00e7\u00f5es &#8211; como representavam o estado escravista &#8211; de estender suas fronteiras a Cuba. Nesse contexto, ocorreu a liberta\u00e7\u00e3o de Cuba, a pseudoliberta\u00e7\u00e3o de Cuba, na guerra hispano-cubana e que mais tarde foi chamada hispano-americana, e eles assinaram a rendi\u00e7\u00e3o em Paris, deixando Cuba &#8220;fora do neg\u00f3cio&#8221;.<\/p>\n<p>Os cubanos, depois de muitas lutas, conseguimos nos livrar um pouco dos norte-americanos, apesar de uma emenda que os autorizou a intervir na ilha sempre que quisessem. Se chovia no &#8220;Pico do Turquino&#8221; e consideravam que havia ca\u00eddo muita \u00e1gua, eles intervinham atrav\u00e9s de suas tropas&#8221;.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea define as fontes que inspiram o projeto pol\u00edtico da Revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201cQuando duas ideias se juntam: uma nativa, latino-americana, martiana, bolivariana, por um lado, que coincide, por outro lado, com uma concep\u00e7\u00e3o que busca o bem de todos, uma rep\u00fablica que consagra a dignidade do homem e, no marxismo, surge nossa concep\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da Revolu\u00e7\u00e3o cubana. Dizemos que nossa ideologia \u00e9 &#8220;martiana-marxista-leninista&#8221;. Mas n\u00e3o seguimos o marxismo como um dogma. E dentro das cr\u00edticas de Che aos socialismos europeus, entram as cr\u00edticas ao aspecto economicista que se sobrep\u00f5e ao aspecto humano.\u201d<\/p>\n<p>Os inimigos da revolu\u00e7\u00e3o falam muito da falta de democracia na Ilha &#8230;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos ter um sistema de v\u00e1rios partidos porque os partidos nos dividem, criam desuni\u00e3o, e os partidos s\u00e3o consistentes com o princ\u00edpio romano que diz &#8220;Divida e vencer\u00e1s&#8221;. Assim, acreditamos que, para impedir que o inimigo nos derrote, precisamos estar unidos. A uni\u00e3o para n\u00f3s \u00e9 muito importante e \u00e9 por isso que temos apenas um partido. Vem da nossa hist\u00f3ria, da nossa experi\u00eancia, das nossas tradi\u00e7\u00f5es. Mas n\u00f3s temos democracia. E mais democracia do que em outros lugares. Como quem indica os candidatos n\u00e3o \u00e9 um partido, n\u00e3o h\u00e1 quatro homens ricos que se re\u00fanem e decidem quem tem mais dinheiro e quem \u00e9 o candidato a ser deputado, senador, presidente da Rep\u00fablica, quem ocupa os cargos municipais. Em Cuba, o povo faz isso. L\u00e1, o bairro se re\u00fane e todos os cidad\u00e3os nomeiam e prop\u00f5em de dois a oito candidatos. V\u00eam as elei\u00e7\u00f5es e eles s\u00e3o eleitos e, dentre os candidatos que foram eleitos na cidade, no bairro, \u00e9 feita uma porcentagem que passa a exercer o governo provincial e outra, o governo nacional. E outra elei\u00e7\u00e3o acontece em que se vota nesses companheiros. Em seguida, o governo municipal, o governo provincial e o governo nacional s\u00e3o eleitos. H\u00e1 mais participa\u00e7\u00e3o do povo. Temos uma na\u00e7\u00e3o de todos e para o bem de todos. Nenhum cargo eletivo \u00e9 permanente. Os eleitores devem ser responsabilizados e, se discordarem de sua administra\u00e7\u00e3o, podem revog\u00e1-la. Do n\u00edvel nacional at\u00e9 os munic\u00edpios.\u201d<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o cultural e intelectual \u00e9 um dos horizontes de sentido da Revolu\u00e7\u00e3o &#8230;<\/p>\n<p>\u201cEm Cuba, temos universidades em todos os munic\u00edpios. E n\u00f3s temos universidades no local de trabalho e agora estamos em um processo de trabalho chamado \u201cuniversaliza\u00e7\u00e3o do conhecimento\u201d. Aqui estamos criando um conjunto gigantesco de profissionais. Temos escolas de medicina em todas as prov\u00edncias. E estamos treinando m\u00e9dicos: 10 mil m\u00e9dicos que planejamos multiplicar para a Am\u00e9rica Latina. As primeiras gera\u00e7\u00f5es desses m\u00e9dicos j\u00e1 foram embora, e vivem com o povo e nas casas dos trabalhadores. O m\u00e9dico cubano n\u00e3o vive isolado da nossa sociedade, ele vive como todos os cubanos. Temos universidades mesmo nas pris\u00f5es, porque Fidel diz que o crime, em grande parte, decorre da ignor\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p>AM\u00c9RICA LATINA<\/p>\n<p>Como voc\u00ea observa a atual realidade latino-americana?<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, latino-americanos, temos grande dificuldade de nos unir, e isso vem da maneira como eles nos colonizaram. Porque nascemos de diferentes regi\u00f5es da Espanha que hoje n\u00e3o est\u00e3o mais unidas. E a esquerda tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil unir. Por diferen\u00e7as que considero pequenas. No Chile, esse fen\u00f4meno \u00e9 muito caracter\u00edstico, acho que todo povo pode fazer sua revolu\u00e7\u00e3o. Eu acho que quando temos uma base comum, podemos unir os povos. Creio que temos melhores condi\u00e7\u00f5es de nos unir, por termos a mesma l\u00edngua, por termos uma mesma idiossincrasia, do que os africanos.<\/p>\n<p>Estamos enfrentando uma situa\u00e7\u00e3o surpreendente, porque ningu\u00e9m poderia prever que um grupo de soldados de carreira, treinado nas academias americanas em um determinado momento, tomariam consci\u00eancia, como \u00e9 o caso da Venezuela, e lidariam com a viol\u00eancia de tomar o poder. E que, ap\u00f3s o fracasso inicial, descobririam que, com o apoio das massas, havia possibilidades de alcan\u00e7ar o governo atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es. Hoje Hugo Ch\u00e1vez quer que a riqueza do pa\u00eds seja colocada a servi\u00e7o do bem-estar de seu povo e de outros povos. O Petrocaribe \u00e9 uma maneira de levar combust\u00edvel a um pre\u00e7o normal para os povos do Caribe, que s\u00e3o pa\u00edses pequenos. Essa \u00e9 uma maneira de colabora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o para dar o que resta, mas para compartilhar o que temos. Os atuais processos latino-americanos n\u00e3o t\u00eam nada a ver com socialismos europeus, que j\u00e1 desapareceram. Agora estamos procurando um socialismo diferente. Estamos vendo at\u00e9 onde \u00e9 conveniente ter o monop\u00f3lio sobre tudo e nos concentramos no controle dos meios fundamentais de produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sobre tudo.\u201d<\/p>\n<p>O CHE: AMIGO E COMANDANTE<\/p>\n<p>Como Che aparece na hist\u00f3ria de Cuba?<\/p>\n<p>\u201cEm uma estrutura hist\u00f3rica e cultural muito particular. Durante uma tirania imposta pelos norte-americanos antes da possibilidade de estabelecer um governo muito mais democr\u00e1tico, foi estabelecido um militar, chefiado pelo general Fulg\u00eancio Batista, que por sinal n\u00e3o era general. Era um bombeiro que entrou nas for\u00e7as armadas, tornou-se sargento e, com o golpe militar, foi imediatamente nomeado general. A partir desse momento, ele se tornou um ditador. Em seguida foi derrotado e depois reintegrado, sempre sendo um pe\u00e3o a servi\u00e7o dos americanos. Isso \u00e9 paradoxal, porque se diz que Fidel era de origem burguesa, era filho de um propriet\u00e1rio de terras e que, no entanto, em sua luta, assumiu as posi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores. Batista era um trabalhador e se tornou burgu\u00eas, o outro era burgu\u00eas e defende os interesses dos trabalhadores.\u201d<\/p>\n<p>Como voc\u00ea se tornou companheiro de Che?<\/p>\n<p>\u201cTive a sorte de atuar sob as ordens de Che desde os 14 anos, na guerra pela liberta\u00e7\u00e3o de Cuba. Eu sou de origem camponesa. Me incorporei a Sierra Maestra &#8211; que \u00e9 o sistema montanhoso da ilha &#8211; e acompanhei Che em uma a\u00e7\u00e3o chamada &#8220;A Invas\u00e3o&#8221;, que consistia em mover a guerra do leste para o oeste do pa\u00eds. As guerras em Cuba sempre come\u00e7aram no leste, porque \u00e9 a regi\u00e3o mais pobre e mais sofrida. Mas se define o sucesso das guerras no oeste porque \u00e9 onde est\u00e1 o centro pol\u00edtico, econ\u00f4mico e militar do pa\u00eds. Depois eu o acompanhei \u00e0 \u00c1frica, ao Congo. E eu estava com ele na Bol\u00edvia.\u201d<\/p>\n<p>O que Che lembra voc\u00ea?<\/p>\n<p>\u201cTenho uma avalia\u00e7\u00e3o de Che como pessoa, como se ele fizesse parte da minha fam\u00edlia, e tenho a avalia\u00e7\u00e3o de Che que todos os cubanos t\u00eam e que tem grande parte do mundo: um homem altru\u00edsta, capaz de se sacrificar por seus semelhantes, capaz de n\u00e3o pedir nada para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio e de dar tudo, o homem capaz de desistir da vida sem qualquer exig\u00eancia. Che era um homem muito inteligente, capaz de escrever sobre a guerra de uma maneira bonita &#8211; como Passagens da Guerra na \u00c1frica, Passagens da Guerra Revolucion\u00e1ria em Cuba. Aqui encontramos um homem com uma enorme sensibilidade art\u00edstica, capaz de escrever poesia. Um homem com extraordin\u00e1ria capacidade de supera\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. Ele, como todos sabem, tinha a medicina como profiss\u00e3o, mas conseguiu dominar exaustivamente a arte da guerra e fez proezas conduzindo os homens \u00e0 guerra. Al\u00e9m disso, quando a revolu\u00e7\u00e3o exigia, Che se preparou, estudou e foi um economista eficiente. Ele tamb\u00e9m era um diplomata que levou a mensagem da revolu\u00e7\u00e3o cubana a quase todos os povos do mundo. Ele era um estadista rigoroso. Nesta perspectiva, temos que ver Che. E com a mesma proje\u00e7\u00e3o, o Che chegou aos europeus, mas de uma maneira diferente. Como o homem que conseguiu prever, analisando profundamente a estrutura do socialismo na Europa, seu desaparecimento se ele n\u00e3o resolvia seus problemas. Quando ele apareceu na Bol\u00edvia, ele foi visto como um homem que ofereceu sua vida pelos bolivianos, e ent\u00e3o os bolivianos o observam como um Cristo e o chamam de &#8220;San Ernesto de La Higuera&#8221;. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um conjunto de maneiras pelas quais voc\u00ea pode ver como a atividade de Che se entrela\u00e7ou entre os jovens, entre as pessoas progressistas. E assim um \u00eddolo foi criado a partir dele, um exemplo, algu\u00e9m digno de ser imitado, um verdadeiro paradigma. Com suas a\u00e7\u00f5es, ele provou ser um homem universal que buscava o bem-estar da humanidade e a cria\u00e7\u00e3o de um mundo diferente.\u201d<\/p>\n<p>Alguns argumentam que Che tinha um apre\u00e7o particular pela luta militar &#8230;<\/p>\n<p>Che Guevara tinha uma tend\u00eancia \u00e0 luta armada, n\u00e3o porque ele quisesse. Ele n\u00e3o tinha tend\u00eancia \u00e0 luta armada porque gostava de matar, mas Guevara tinha a concep\u00e7\u00e3o de que a luta armada era vi\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina porque n\u00e3o havia outra alternativa. E que onde havia outra alternativa, a via eleitoral era aplic\u00e1vel. Depende da situa\u00e7\u00e3o concreta em que se vive.\u201d<\/p>\n<p>Como era a disciplina militar de Che?<\/p>\n<p>\u201cChe Guevara, como militar, era um sonhador. Mas, ao mesmo tempo, um militar pr\u00e1tico. Portanto, o conceito de disciplina de Che como revolucion\u00e1rio era o de uma disciplina consciente. A ideia era de que o homem internalizasse a conveni\u00eancia de cumprir as regras estabelecidas para que um guerrilheiro pudesse permanecer e n\u00e3o ser destru\u00eddo. Foi exigente. Se voc\u00ea n\u00e3o entendeu por que n\u00e3o deveria adormecer quando estava no posto e colocou em risco a vida de todos os seus colegas de classe, sofreu uma puni\u00e7\u00e3o. Uma puni\u00e7\u00e3o que podia ser ter que cozinhar tr\u00eas ou quatro dias ou suspender sua refei\u00e7\u00e3o por dois dias. Por exemplo, minha comida foi suspensa em v\u00e1rias ocasi\u00f5es: eu era muito jovem e travesso. Foi assim que Che ordenou. O poeta Nicol\u00e1s Guill\u00e9n diz que &#8220;ordenava amigo e comandava comandante&#8221;.<\/p>\n<p>A mim, que era analfabeto, n\u00e3o me tratava da mesma maneira que Acevedo, que era bacharel. Che considerou que em um grupo de camponeses analfabetos, um bacharel deveria ter um comportamento melhor. E que o bacharel n\u00e3o deveria deixar ser absorvido pelos camponeses, mas deveria ajud\u00e1-los a elevar seu n\u00edvel cultural e disciplinar. Sempre havia uma inten\u00e7\u00e3o de Che ser o mais justo poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"VB1umXk9nX\"><p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/12\/29\/cuba-fallece-el-destacado-combatiente-y-amigo-del-che-harry-villegas-pombo\/\">Cuba. Fallece el destacado combatiente y amigo del Che, Harry Villegas, &#8216;Pombo&#8217;<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#171;Cuba. Fallece el destacado combatiente y amigo del Che, Harry Villegas, &#8216;Pombo&#8217;&#187; &#8212; Resumen Latinoamericano\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/12\/29\/cuba-fallece-el-destacado-combatiente-y-amigo-del-che-harry-villegas-pombo\/embed\/#?secret=VB1umXk9nX\" data-secret=\"VB1umXk9nX\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"VD7nikOoic\"><p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/12\/29\/en-memoria-de-harry-villegas-pombo-entrevista-realizada-al-revolucionario-yo-pienso-que-cada-pueblo-puede-hacer-su-revolucion\/\">En memoria de Harry Villegas, \u00abPombo\u00bb, entrevista realizada al revolucionario: \u00abYo pienso que cada pueblo puede hacer su revoluci\u00f3n\u00bb<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#171;En memoria de Harry Villegas, \u00abPombo\u00bb, entrevista realizada al revolucionario: \u00abYo pienso que cada pueblo puede hacer su revoluci\u00f3n\u00bb&#187; &#8212; Resumen Latinoamericano\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/12\/29\/en-memoria-de-harry-villegas-pombo-entrevista-realizada-al-revolucionario-yo-pienso-que-cada-pueblo-puede-hacer-su-revolucion\/embed\/#?secret=VD7nikOoic\" data-secret=\"VD7nikOoic\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24599\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[47],"tags":[234],"class_list":["post-24599","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6oL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24599\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24599"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24599"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}