{"id":246,"date":"2010-01-08T20:04:06","date_gmt":"2010-01-08T20:04:06","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=246"},"modified":"2010-01-08T20:04:06","modified_gmt":"2010-01-08T20:04:06","slug":"a-nova-estrategia-golpista-dos-eua-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/246","title":{"rendered":"A nova estrat\u00e9gia golpista dos EUA na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>O desfecho do golpe nas Honduras chamou a aten\u00e7\u00e3o para a nova estrat\u00e9gia golpista dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u00c9 transparente que Washington, recorrendo a processos diferentes dos tradicionais, conseguiu o que pretendia: afastar um presidente progressista democraticamente eleito e substitui-lo por gente da sua inteira confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Essa vit\u00f3ria do imperialismo n\u00e3o deve ser subestimada porque se integra numa estrat\u00e9gia ambiciosa, que visa a neutralizar, sem pressas, o movimento de contesta\u00e7\u00e3o dos povos da Am\u00e9rica Latina \u00e0 domina\u00e7\u00e3o dos EUA.<\/p>\n<p>O sistema de poder imperial identifica como \u00abamea\u00e7a\u00bb os governos da Venezuela Bolivariana e da Bol\u00edvia, que condenam o capitalismo, propondo como alternativa o socialismo. A Casa Branca teme que o Equador siga o mesmo rumo e n\u00e3o esconde a sua inquieta\u00e7\u00e3o pela elei\u00e7\u00e3o no Uruguai, na Nicar\u00e1gua, em El Salvador e no Paraguai de presidentes com programas anti-neoliberais (embora n\u00e3o os apliquem).<\/p>\n<p>Atolados em guerras perdidas no Iraque e no Afeganist\u00e3o, alarmados com o caos paquistan\u00eas e incapazes, at\u00e9 agora, de impor a sua vontade ao Ir\u00e3o \u2013 o \u00fanico grande pais mu\u00e7ulmano da \u00c1sia que desenvolve uma politica independente \u2013 o sistema de poder dos EUA sentiu o perigo da \u00abavan\u00e7ada revolucion\u00e1ria\u00bb dos povos da Am\u00e9rica Latina. O precedente de Cuba assusta.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o golpe at\u00edpico nas Honduras foi o pr\u00f3logo de uma estrat\u00e9gia cujo objectivo \u00e9 o restabelecimento da velha ordem imperial numa Regi\u00e3o que durante mais de um s\u00e9culo era olhada como \u00abo p\u00e1tio das traseiras\u00bb.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea at\u00edpico?<\/p>\n<p>Na apar\u00eancia foi um <em>cuartelazo <\/em>\u00e0 moda antiga. O comandante do ex\u00e9rcito (um general formado na Escola das Am\u00e9ricas, com cadastro por ter chefiado uma gang de ladr\u00f5es de autom\u00f3veis) mandou prender o presidente. De madrugada, a tropa invadiu o pal\u00e1cio e Manuel Zelaya, ainda em pijama, foi metido num avi\u00e3o e expulso para a Costa Rica. Simultaneamente um pol\u00edtico de extrema-direita, proclamou-se Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Mas tudo fora minuciosamente preparado. O primarismo e a brutalidade do golpe suscitaram repulsa universal. A Casa Branca apressou-se a condenar o gorilazo e a pedir o restabelecimento da normalidade constitucional. Tudo foi montado para colocar Obama acima de suspeitas. Mas enquanto os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia retiraram os embaixadores de Tegucigalpa, os EUA mantiveram o seu na capital hondurenha e n\u00e3o suspenderam a ajuda econ\u00f3mica e militar ao governo fantoche de Micheletti.<\/p>\n<p>Com o correr dos dias a cumplicidade dos EUA tornou-se transparente. O embaixador Hugo Llorens \u00e9 um cubano de Miami naturalizado norte-americano. Foi na pr\u00f3pria embaixada que Micheletti e os generais gorilas montaram o golpe. O comando da for\u00e7a a\u00e9rea hondurenha est\u00e1 ali\u00e1s instalado na Base militar estadounidense de Palmerola.<\/p>\n<p>Seguiu-se o folhetim da condena\u00e7\u00e3o formal do golpe pela OEA e a media\u00e7\u00e3o do costarricense Oscar Arias, um incondicional de Washington. Era preciso ganhar tempo. O regresso sensacional de Manuel Zelaya e a sua instala\u00e7\u00e3o na Embaixada do Brasil criou uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista. Mas Hillary Clinton manobrou de maneira a impedir que o presidente leg\u00edtimo reassumisse o cargo. Ali\u00e1s recusou sempre definir como \u00abgolpe\u00bb o<em>cuartelazo <\/em>que derrubou Zelaya.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es farsa de Novembro foi montada de acordo com o subsecret\u00e1rio de Estado dos EUA, Thomas Shanon. Enviado por Obama, esse membro do governo garantiu ao ent\u00e3o candidato \u00e1 Presid\u00eancia, o milion\u00e1rio Porfirio Lobo, seu ex-colega na universidade de Yale, que Washington reconheceria as elei\u00e7\u00f5es como legitimas.<\/p>\n<p>Nas semanas seguintes, marcadas por intensa repress\u00e3o, ocorreram ainda alguns epis\u00f3dios de farsa que n\u00e3o alteraram o desfecho. A absten\u00e7\u00e3o real na elei\u00e7\u00e3o fraudulenta, elogiada como democr\u00e1tica nos EUA, ter\u00e1 sido superior a 60 %.<\/p>\n<p>Em Janeiro Porfirio Lobo tomar\u00e1 posse e a Administra\u00e7\u00e3o Obama reconhecer\u00e1 como legitimo o seu governo. Tudo indica que os governos da Uni\u00e3o Europeia, com poucas excep\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m restabelecer\u00e3o gradualmente rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com as Honduras.<\/p>\n<p>A Casa Branca n\u00e3o esconde a sua satisfa\u00e7\u00e3o. Considera resolvida a crise hondurenha. Afinal, os EUA idearam e patrocinaram um golpe militar, simularam condenar o derrubamento do presidente constitucional, e, atrav\u00e9s de uma farsa eleitoral, colocaram em Tegucigalpa um homem da sua inteira confian\u00e7a. O governo de Lobo ser\u00e1 uma ditadura de fachada institucional.<\/p>\n<p>O caso hondurenho refor\u00e7ou em Washington a autoridade dos defensores da nova estrat\u00e9gia musculada para a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Outra vertente desta \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a militar directa dos EUA na Regi\u00e3o. O regresso da IV Frota a \u00e1guas sul-americanas antecipou uma decis\u00e3o que configura uma amea\u00e7a ostensiva aos pa\u00edses que tentam seguir uma politica soberana: a instala\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia de 7 bases militares norte-americanas.<\/p>\n<p>A iniciativa suscitou uma vaga de protestos de dimens\u00e3o continental. A divulga\u00e7\u00e3o do texto ingl\u00eas do acordo assinado com o governo de Bogot\u00e1 confirmou que as For\u00e7as Armadas dos Estados Unidos instaladas em territ\u00f3rio colombiano n\u00e3o somente podem, doravante, participar do combate \u00e0s guerrilhas das FARC e do ELN como intervir sem limita\u00e7\u00f5es onde quer que Washington considere isso necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o dos povos latino-americanos ficou patente na Confer\u00eancia da UNASUR, realizada em Bariloche, na Argentina. Mas nada saiu desse encontro onde o presidente Lula, conciliador com Uribe, dedicou mais tempo a criticar Ch\u00e1vez, Evo Morales e Rafael Correa do que a denunciar a amea\u00e7a para a Am\u00e9rica Latina das novas bases militares estadounidenses.<\/p>\n<p>Washington, al\u00e9m do apoio incondicional do governo neofascista de \u00c1lvaro Uribe, tem um aliado firme no governo do peruano Alan Garcia e confia que no Chile o candidato da extrema-direita, o multimilion\u00e1rio Sebastian Pinera, seja eleito presidente a 17 de Janeiro, na segunda volta.<\/p>\n<p>O apoio dessa troika e as excelentes rela\u00e7\u00f5es mantidas com o Brasil, a Argentina e o Uruguai permitir\u00e3o a Obama, no \u00e2mbito da nova estrat\u00e9gia, endurecer a sua posi\u00e7\u00e3o perante os governos de Ch\u00e1vez, Evo e Correa.<\/p>\n<p>A ratifica\u00e7\u00e3o pelo Congresso do Brasil da ades\u00e3o da Venezuela ao Mercosul foi, entretanto, um rude golpe para os EUA. Washington n\u00e3o esconde o seu apoio \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f3mica e financeira do governo Lula, de recorte neoliberal, que no fundamental, como bom administrador do capitalismo, favorece o grande capital e a agro-ind\u00fastria e n\u00e3o afecta os interesses das transnacionais. Mas Obama n\u00e3o esconde as suas apreens\u00f5es relativamente a algumas iniciativas tomadas por Bras\u00edlia no campo da pol\u00edtica externa. O projecto de criar o Sucre como moeda que substituiria o d\u00f3lar nas transac\u00e7\u00f5es comerciais entre os membros da ALBA \u00e9 visto \u2013 um exemplo \u2013 pela Casa Branca e pelos banqueiros de Wall Street como um desafio intoler\u00e1vel. O aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es da ALBA com a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 outro motivo de preocupa\u00e7\u00e3o para a Administra\u00e7\u00e3o Obama.<\/p>\n<p>A nova estrat\u00e9gia golpista para o Hemisf\u00e9rio foi concebida precisamente para dar uma resposta global ao avan\u00e7o das for\u00e7as progressistas no Sul do Continente. O Departamento de Estado e o Pent\u00e1gono chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que era urgente travar esse avan\u00e7o.<\/p>\n<p>Em Washington exclui-se por ora a interven\u00e7\u00e3o militar directa em pa\u00edses que n\u00e3o se submetem. A repercuss\u00e3o internacional de uma iniciativa desse g\u00e9nero seria desastrosa para a imagem dos EUA, t\u00e3o desgastada pelas suas guerras asi\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Mas seria uma ingenuidade crer que as bases norte-americanas na Col\u00f4mbia n\u00e3o ser\u00e3o utilizadas para uma escalada de provoca\u00e7\u00f5es contra a Venezuela e outros pa\u00edses da Regi\u00e3o. Independentemente do refor\u00e7o da interven\u00e7\u00e3o contra as FARC, a her\u00f3ica guerrilha-partido caluniada pelo imperialismo.<\/p>\n<p>O Departamento de Estado \u2013 onde Hillary Clinton desenvolve uma actividade t\u00e3o negativa como a de Condoleeza Rice na presid\u00eancia de Bush \u2013 confia sobretudo no efeito da sua politica nos pa\u00edses cujos governos define como \u00abinimigos\u00bb.<\/p>\n<p>Espera, gra\u00e7as a uma nova estrat\u00e9gia, ter \u00eaxito naquilo que em meio s\u00e9culo de guerra n\u00e3o declarada os EUA n\u00e3o conseguiram em Cuba.<\/p>\n<p>O golpe hondurenho n\u00e3o se pode obviamente repetir em qualquer dos pa\u00edses sul-americanos que defendem uma alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>Mas Washington soube extrair li\u00e7\u00f5es importantes do seu sucesso.<\/p>\n<p>Destruir por dentro o regime venezuelano seria, na opini\u00e3o dos assessores de Obama, o objectivo principal. Hillary tem ali\u00e1s multiplicado os ataques ao governo de Caracas, consciente de que a Venezuela bolivariana \u00e9 hoje \u2013 como afirma o economista franc\u00eas Remy Herrera \u2013 \u00abuma das frentes anti-imperialistas mais din\u00e2micas do mundo\u00bb<\/p>\n<p>Mas a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana atravessa uma fase dif\u00edcil. A queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo privou o governo de recursos financeiros que foram fundamentais na batalha contra o analfabetismo, no fornecimento de alimentos subsidiados \u00e0s camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o e para o \u00eaxito das <em>misiones <\/em>que tornaram poss\u00edvel, com a coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria de mais de 20.000 m\u00e9dicos cubanos, prestar assist\u00eancia m\u00e9dica a milh\u00f5es de venezuelanos que a ela n\u00e3o tinham acesso.<\/p>\n<p>A enorme popularidade do presidente junto das massas e a ades\u00e3o destas \u00e0 condena\u00e7\u00e3o do capitalismo e ao projecto de transi\u00e7\u00e3o para o socialismo como alternativa \u00e0 hegemonia do imperialismo resultou sobretudo da humaniza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, afundada na mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Os efeitos da crise mundial do capitalismo, ao manifestarem-se na Venezuela \u2013 nomeadamente atrav\u00e9s das cota\u00e7\u00f5es do petr\u00f3leo e de uma infla\u00e7\u00e3o acelerada \u2013 afectaram, como era inevit\u00e1vel, toda a estrat\u00e9gia de desenvolvimento.<\/p>\n<p>O Partido Socialista Unido da Venezuela \u2013 PSUV \u2013 n\u00e3o atingiu o objectivo. A sua funda\u00e7\u00e3o respondeu a uma necessidade hist\u00f3rica. Mas o PSUV foi criado \u00e0 pressa, por decis\u00e3o do Presidente, e estruturado de cima para baixo, com interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima das massas populares. Resultado: nasceu infestado de oportunistas. \u00c9 significativo que o Partido Comunista da Venezuela e o P\u00e1tria para Todos, duas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias que sempre apoiaram (e apoiam) Ch\u00e1vez n\u00e3o se tenham dissolvido e integrado no PSUV.<\/p>\n<p>O chamado Socialismo do S\u00e9culo XXI pretende ser a ideologia que encaminhar\u00e1 a Revolu\u00e7\u00e3o bolivariana para um socialismo original. Mas aqueles que identificam nele um \u00abmodelo\u00bb para a Am\u00e9rica Latina t\u00eam contribu\u00eddo sobretudo para semear a confus\u00e3o ideol\u00f3gica. Alguns dirigentes e quadros do PSUV mostram-se mais preocupados em criticar o marxismo do que em colaborar com o Presidente na desmontagem das engrenagens do Estado venezuelano que permanecem sob controlo da burguesia.<\/p>\n<p>Contrariamente ao que muitos europeus cr\u00eaem, a Venezuela continua a ser um pa\u00eds capitalista no qual as antigas elites conservam um grande poder econ\u00f3mico que lhes garante a propriedade dos meios de produ\u00e7\u00e3o (terras, ind\u00fastrias, com\u00e9rcio, etc.), o controle parcial da actividade banc\u00e1ria e financeira, e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que uma oposi\u00e7\u00e3o poderosa e cada vez mais arrogante desafia Hugo Ch\u00e1vez, consciente de que a sobreviv\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o bolivariana est\u00e1 indissoluvelmente ligada \u00e0 pessoa do Presidente.<\/p>\n<p>As esperan\u00e7as dos EUA residem por isso mesmo num agravamento da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds que altere a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as existente.<\/p>\n<p>Sondagens recentes revelaram que a popularidade de Ch\u00e1vez tem diminu\u00eddo.<\/p>\n<p>N\u00e3o podendo intervir militarmente, Washington apoia nos bastidores todas as iniciativas da oposi\u00e7\u00e3o que possam destabilizar o pa\u00eds, dividir o chavismo, semear d\u00favidas nas For\u00e7as Armadas e enfraquecer o poder do Presidente.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deve \u2013 repito \u2013 subestimar o perigo representado pela paciente estrat\u00e9gia golpista da Administra\u00e7\u00e3o norte-americana no tocante \u00e0 Venezuela. Washington trata de favorecer ao m\u00e1ximo, e estimular atrav\u00e9s de provoca\u00e7\u00f5es externas, o trabalho interno de sabotagem da Revolu\u00e7\u00e3o bolivariana.<\/p>\n<p><strong>BOLIVIA E EQUADOR <\/strong><\/p>\n<p>A Bol\u00edvia \u00e9 outro alvo da nova estrat\u00e9gia golpista estadounidense.<\/p>\n<p>Tal como na Venezuela, o \u00eaxito do processo revolucion\u00e1rio em curso \u00e9 insepar\u00e1vel da ac\u00e7\u00e3o e do prest\u00edgio do seu l\u00edder. Evo Morales conta com o apoio esmagador das massas<em>aymaras <\/em>e <em>quechuas<\/em>, que constituem a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Evo \u00e9 o primeiro ind\u00edgena que chega \u00e0 Presid\u00eancia na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>N\u00e3o somente honrou os compromissos assumidos com o seu povo como foi mais longe numa radicaliza\u00e7\u00e3o progressiva de posi\u00e7\u00f5es, que o levou a tomar medidas revolucion\u00e1rias geradoras de confronta\u00e7\u00e3o com o imperialismo norte-americano e com transnacionais brasileiras e espanholas. Entretanto, o MAS, que conta agora com mais de dois ter\u00e7os do Congresso, continua a ser mais um Movimento do que propriamente um partido. O \u00absocialismo comunit\u00e1rio\u00bb, a op\u00e7\u00e3o boliviana que encaminharia o pa\u00eds para o socialismo, reflecte as contradi\u00e7\u00f5es do MAS e a influ\u00eancia de uma exacerba\u00e7\u00e3o do indigenismo.<\/p>\n<p>No governo, actuam for\u00e7as que se esfor\u00e7am por travar transforma\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. O pr\u00f3prio vice-presidente da Rep\u00fablica, Garcia Linera, \u00e9 um intelectual cuja tese sobre a necessidade de um \u00abcapitalismo andino-amaz\u00f3nico\u00bb deixa transparecer a sua confus\u00e3o ideol\u00f3gica, expressa alias na defesa que faz das ideias de Toni Negri.<\/p>\n<p>Washington acompanha com aten\u00e7\u00e3o as fragilidades do processo boliviano. A embaixada norte-americana tem-se envolvido em conspira\u00e7\u00f5es contra Evo Morales e agentes dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia, da CIA e da DEA, mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es estreitas com os dirigentes da oligarquia de Santa Cruz, n\u00facleo do movimento separatista.<\/p>\n<p>Sendo a Bol\u00edvia pela for\u00e7a da oposi\u00e7\u00e3o o elo mais vulner\u00e1vel da troika progressista sul-americana, os EUA n\u00e3o perdem a esperan\u00e7a de criar no pa\u00eds uma situa\u00e7\u00e3o de caos, propicia a abrir a porta ao restabelecimento da velha ordem<\/p>\n<p><strong>CORREA NA LISTA NEGRA DE WASHINGTON <\/strong><\/p>\n<p>Rafael Correa \u00e9 um reformador anti-neoliberal, mas n\u00e3o se prop\u00f5e encaminhar o Equador para o socialismo. Passou, entretanto, a ser tamb\u00e9m considerado pelo Pent\u00e1gono como \u00abinimigo dos EUA\u00bb a partir do dia em que declarou que fecharia a Base Militar de Manta quando expirasse o Acordo que tinha permitido a sua instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A maneira como defendeu a soberania do seu pais em situa\u00e7\u00f5es de conflito com transnacionais petrol\u00edferas e bananeiras que a desrespeitavam e as excelentes rela\u00e7\u00f5es que desenvolveu com a Venezuela, a Bol\u00edvia e Cuba contribu\u00edram para piorar as rela\u00e7\u00f5es de Washington com o jovem presidente do Equador. E a tens\u00e3o aumentou quando o governo de Quito apresentou provas de que a Base de Manta tinha colaborado activamente com a for\u00e7a a\u00e9rea colombiana na prepara\u00e7\u00e3o do bombardeamento em territ\u00f3rio do Equador do acampamento do comandante Raul Reyes, das FARC, agress\u00e3o pirata que provocou ent\u00e3o o rompimento de rela\u00e7\u00f5es com o governo de Uribe.<\/p>\n<p>A dignidade e firmeza de Rafael Correia na defesa da independ\u00eancia nacional conquistaram o respeito do seu povo, mas a agressividade da direita olig\u00e1rquica, apoiada pelos EUA, aconselha muita prud\u00eancia nas previs\u00f5es sobre o futuro pr\u00f3ximo. Na pr\u00e1tica \u00e9 muito reduzido o poder real de um presidente patriota e progressista num pa\u00eds que no final do s\u00e9culo XX foi for\u00e7ado pelos EUA a adoptar o d\u00f3lar como moeda nacional.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>O discurso humanista de Barack Obama n\u00e3o emociona mais a maioria daqueles que acreditaram nas promessas da sua campanha. Os actos do presidente dos EUA desmentem-lhe as palavras. O cidad\u00e3o distinguido com o Pr\u00e9mio Nobel da Paz aprova e incentiva uma politica que promove o terrorismo, estimula o militarismo e tem contribu\u00eddo para a intensifica\u00e7\u00e3o e alastramento das guerras desencadeadas pelo seu pa\u00eds no M\u00e9dio Oriente e na \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>O actual or\u00e7amento de defesa dos EUA, de 700.000 milh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e9 superior a todos os demais or\u00e7amentos militares do mundo somados.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 Am\u00e9rica Latina, o compromisso de uma nova pol\u00edtica \u00e9 negado pela realidade. A nova estrat\u00e9gia intervencionista da Casa Branca para o Sul do Hemisf\u00e9rio \u00e9 mais intervencionista e perigosa do que de George Bush.<\/p>\n<p>Do Rio Grande \u00e0 Patag\u00f3nia os povos come\u00e7am a tomar consci\u00eancia dessa amea\u00e7a. Os alvos priorit\u00e1rios s\u00e3o a Venezuela bolivariana e a Bol\u00edvia. Grandes lutas contra o imperialismo estadounidense esbo\u00e7am-se no horizonte.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/odiario.info\/articulo.php?p=1435&#038;more=1&#038;c=1\">http:\/\/odiario.info\/articulo.php?p=1435&#038;more=1&#038;c=1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 2.bp.blogspot.com\n\n\n\n\n\u201cO desfecho do golpe nas Honduras chamou a aten\u00e7\u00e3o para a nova estrat\u00e9gia golpista dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 transparente que Washington, recorrendo a processos diferentes dos tradicionais, conseguiu o que pretendia: afastar um presidente progressista democraticamente eleito e substitui-lo por gente da sua inteira confian\u00e7a. Essa vit\u00f3ria do imperialismo n\u00e3o deve ser subestimada porque se integra numa estrat\u00e9gia ambiciosa, que visa a neutralizar, sem pressas, o movimento de contesta\u00e7\u00e3o dos povos da Am\u00e9rica Latina \u00e0 domina\u00e7\u00e3o dos EUA\u201d.\nMiguel Urbano Rodrigues &#8211; 07.01.10\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/246\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-246","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-3Y","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}