{"id":24617,"date":"2020-01-02T23:06:39","date_gmt":"2020-01-03T02:06:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24617"},"modified":"2020-01-02T23:06:39","modified_gmt":"2020-01-03T02:06:39","slug":"chile-quando-a-dor-nao-paralisa-muito-pelo-contrario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24617","title":{"rendered":"Chile: quando a dor n\u00e3o paralisa, muito pelo contr\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/werkenrojo.cl\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Cuando-el-dolor-no-paraliza-640x300.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Carlos Azn\u00e1rez, desde o Chile, Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>Para alguns, \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o, porque est\u00e1 transformando tudo desde a raiz, outros dizem que \u00e9 uma revolta em movimento, interclassista e at\u00e9 plurinacional. H\u00e1 quem pense que est\u00e1 em marcha desde outubro um novo tipo de processo insurrecional, que aposta na continuidade para aumentar sua for\u00e7a. A verdade \u00e9 que n\u00e3o importa como \u00e9 chamada essa enorme mobiliza\u00e7\u00e3o popular nacional, que nos move todos os dias e nos desafia. Especialmente para aqueles de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es que, tempos atr\u00e1s, quando jovens, tamb\u00e9m fomos \u00e0s ruas para que &#8220;la tortilla se vuelva&#8221;.<\/p>\n<p>O importante \u00e9 que, como dizem companheiros de outras latitudes da P\u00e1tria Grande, a luta est\u00e1 sendo travada. E aqui, garanto que esta consigna \u00e9 v\u00e1lida todos os dias. Por exemplo, no fim de semana passado, houve demonstra\u00e7\u00f5es claras de que a rebeli\u00e3o popular, com um componente juvenil muito forte (e eu acrescentaria que tamb\u00e9m adolescente), n\u00e3o est\u00e1 disposta a parar por causa de tal ou qual calend\u00e1rio. Claro est\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o dias para se relaxar, pois a morte de Mauricio Fredes, eletrocutado por cair em um po\u00e7o aberto de prop\u00f3sito em um local escuro, a um quarteir\u00e3o da Plaza de la Dignidad, enquanto fugia de uma persegui\u00e7\u00e3o policial violenta, n\u00e3o deixa margem para d\u00favidas sobre os pontos em que a repress\u00e3o dos meganhas chilenos se encaixa. Mauricio era um cara amado em sua humilde comuna nos arredores de Santiago. \u00c9 a cl\u00e1ssica solidariedade militante, amig\u00e1vel, mas ao mesmo tempo comprometida at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias. Portanto, desde o in\u00edcio da primeira grande luta contra o governo de direita de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, ele n\u00e3o hesitou em se unir ao protesto e depois se alistar na &#8220;primeira linha&#8221; de conten\u00e7\u00e3o e autodefesa contra o ataque feroz daquela for\u00e7a policial apenas compar\u00e1vel ao Esmad colombiano, \u00e0 guarda civil espanhola ou \u00e0 soldadesca sionista.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, quando o corpo de Mauricio, aos 31 anos, ainda estava no necrot\u00e9rio, seus companheiros de bairro e de cora\u00e7\u00f5es cheios de ternura, al\u00e9m de outras pessoas movidas por sua morte (que n\u00e3o foi acidental como a m\u00eddia amarela diz, mas deliberada), come\u00e7aram a se reunir em um vel\u00f3rio improvisado (velas de homenagem), novamente foram os policiais que quiseram mostrar que estavam dispostos a exterminar aqueles que seus superiores ordenam. Apareceram com pelo menos oito carros blindados e um lan\u00e7ador de d&#8217;\u00e1gua com produtos qu\u00edmicos, pulverizaram e jogaram gases sobre o pequeno grupo que apenas colocava velas e flores no lugar. L\u00e1, se repetiu novamente o sadismo que eles costumam usar como arma, esses sujeitos impunes. N\u00e3o apenas atacaram os presentes, mas, como resultado da \u00e1gua e do g\u00e1s, conseguiram levar ao desmaio uma mulher que, com sua filha de 10 anos, havia se aproximado para colocar algumas flores. A garota se aproximou desesperadamente do corpo de sua m\u00e3e chorando, e foi nesse momento que um dos monstros uniformizados lan\u00e7ou um jato poderoso que jogou longe seu pequeno corpo, fazendo-a se chocar brutalmente ao solo. Hoje, a menina est\u00e1 em estado grave e provavelmente sofrer\u00e1 dificuldades motoras quando se recuperar. E a classe pol\u00edtica? Sil\u00eancio. E a m\u00eddia? Sil\u00eancio. \u00c9 assim que acontece neste pa\u00eds, onde h\u00e1 entre 2.500 e 3.500 pol\u00edticos e numerosas pessoas desaparecidas, al\u00e9m de nunca terem sido punidos os militares genocidas do pinochetismo.<\/p>\n<p>Por outro lado, de Vina del Mar, veio outra not\u00edcia semelhante, anunciando que outro jovem da primeira linha havia sido morto em circunst\u00e2ncias muito estranhas, atingido por um ve\u00edculo. Seu primeiro nome \u00e9 Lian, e seu grande rosto n\u00e3o deixa d\u00favidas sobre o que seus companheiros contam, sobre seu desejo de lutar para que os nascidos de hoje n\u00e3o sofram as adversidades desse presente neoliberal obscuro e repressivo.<\/p>\n<p>Sem demora, e isso demonstra que esta Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 dotada de toneladas de solidariedade corpo a corpo entre seus guerreiros e guerreiras, as ruas de Santiago foram preenchidas neste domingo com atos de homenagem aos ca\u00eddos. Um gigantesco passeio de bicicleta, carregando as bandeiras mapuche e chilena, andou pelas ruas denunciando os assassinos e seus promotores intelectuais e, quando chegaram ao necrot\u00e9rio, cantou m\u00fasicas como as que Mauricio certamente cantava. Ent\u00e3o, depois de in\u00fameras horas de burocracia, a fam\u00edlia conseguiu velar o corpo do garoto, e a caravana de ciclistas e muitas outras pessoas em carros ou a p\u00e9, se aproximou da casa do lutador da linha de frente. L\u00e1, em meio ao choro incontrol\u00e1vel de seus irm\u00e3os de luta, os slogans antecipat\u00f3rios de que &#8220;as balas lan\u00e7adas contra n\u00f3s retornar\u00e3o&#8221; e reiterando que &#8220;o povo unido jamais ser\u00e1 vencido&#8221;, alguns com viol\u00f5es, outros com harm\u00f4nicas, dedicaram m\u00fasicas compostas ao longo destes dias de rebeldia. Al\u00e9m disso, uma das rappers mais conhecidas da Am\u00e9rica Latina, que fez da m\u00fasica uma ferramenta de den\u00fancia e convocat\u00f3ria \u00e0 resist\u00eancia, Anita Tijoux, chegou ao local para se juntar \u00e0 homenagem.<\/p>\n<p>E por momentos a dor se transformou em recital, do modo que Mauricio mais gostaria.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"75FDzXk3tD\"><p><a href=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/12\/30\/chile-cuando-el-dolor-no-paraliza-sino-todo-lo-contrario\/\">Chile. Cuando el dolor no paraliza, sino todo lo contrario<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#171;Chile. Cuando el dolor no paraliza, sino todo lo contrario&#187; &#8212; Resumen Latinoamericano\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2019\/12\/30\/chile-cuando-el-dolor-no-paraliza-sino-todo-lo-contrario\/embed\/#?secret=75FDzXk3tD\" data-secret=\"75FDzXk3tD\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24617\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[87],"tags":[226],"class_list":["post-24617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c100-chile","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6p3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}