{"id":24659,"date":"2020-01-08T21:47:02","date_gmt":"2020-01-09T00:47:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24659"},"modified":"2020-01-08T21:47:02","modified_gmt":"2020-01-09T00:47:02","slug":"franca-como-e-possivel-vencer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24659","title":{"rendered":"Fran\u00e7a: como \u00e9 poss\u00edvel vencer"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.marxist.com\/images\/cache\/3d2c979baeb8228d550614aa5e714a3f_w720_h720.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Tend\u00eancia Marxista Internacional &#8211; marxist.com<\/p>\n<p>J\u00e9r\u00f4me M\u00e9tellus<\/p>\n<p>No momento em que escrevi essas linhas, o resultado da luta que come\u00e7ou em 5 de dezembro ainda \u00e9 incerto. O governo deixou claro que n\u00e3o recuar\u00e1 sobre os principais elementos de sua \u201creforma\u201d (uma contrarreforma, na realidade). Diante disso, os trabalhadores em greve demonstraram coragem e milit\u00e2ncia exemplares.<\/p>\n<p>Qualquer que seja o resultado imediato dessa luta, os trabalhadores do transporte ferrovi\u00e1rio e de Paris &#8211; a espinha dorsal do movimento &#8211; est\u00e3o mostrando a toda a classe trabalhadora como lutar. Esse \u00e9 um trunfo desse movimento, que ter\u00e1 um efeito positivo no desenvolvimento futuro da luta de classes na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma greve popular<\/p>\n<p>Um conflito dessa natureza amplia a brecha entre as duas principais classes sociais: a burguesia e o proletariado. Os burgueses apoiam de todo o cora\u00e7\u00e3o seu governo e divulgam isso diariamente em sua m\u00eddia, pela boca de seus jornalistas. Dia e noite, somos alimentados por uma chuva torrencial de mentiras e cal\u00fanias. Os cortes de aposentadoria propostos s\u00e3o apresentados na m\u00eddia dos patr\u00f5es como o modelo de &#8220;justi\u00e7a&#8221; e &#8220;progresso social&#8221;, enquanto a greve \u00e9 pintada como a a\u00e7\u00e3o de uma camada &#8220;privilegiada&#8221; \u00edmpia e sem lei.<\/p>\n<p>Apesar desse fluxo cont\u00ednuo de propaganda reacion\u00e1ria, a greve \u00e9 amplamente apoiada pela massa da classe trabalhadora. Isso n\u00e3o deveria nos surpreender. Os trabalhadores n\u00e3o precisaram ler o relat\u00f3rio Delevoye para descobrir que essa reforma est\u00e1 no mesmo esp\u00edrito que o restante das pol\u00edticas de Macron. Seu objetivo \u00e9 tornar os ricos mais ricos, em detrimento de todos os outros, come\u00e7ando pelos mais pobres da sociedade.<\/p>\n<p>Obviamente, o governo tentou semear confus\u00e3o, revelando apenas uma parte da reforma. Mas tomar a classe trabalhadora como um bando de tolos \u00e9 um erro grave. Ningu\u00e9m poderia acreditar que, de repente, o Presidente dos Ricos decidiu se dedicar a melhorar a vida dos trabalhadores e pobres.<\/p>\n<p>O equil\u00edbrio de for\u00e7as<\/p>\n<p>Portanto, embora seja poss\u00edvel que o governo ven\u00e7a essa batalha, certamente n\u00e3o ser\u00e1 porque convenceu a maioria dos trabalhadores. Isso acontece porque, no in\u00edcio de janeiro, o n\u00edvel de mobiliza\u00e7\u00e3o de nossa classe \u00e9 insuficiente para fazer o governo recuar. Como escrevemos em 12 de dezembro:<\/p>\n<p>\u201cMacron s\u00f3 recuar\u00e1 se a onda de greves por tempo indefinido estiver sendo continuamente estendida a mais setores da economia; isto \u00e9, somente se o governo come\u00e7ar a temer que a luta de massas possa se tornar incontrol\u00e1vel e se orientar para uma greve geral ilimitada &#8211; em outras palavras, para uma crise revolucion\u00e1ria \u201d.<\/p>\n<p>Isso pode parecer exagerado, mas \u00e9 de fato a conclus\u00e3o l\u00f3gica tirada da experi\u00eancia dos \u00faltimos 20 anos &#8211; e especialmente das grandes lutas de 2010 e 2016. A crise org\u00e2nica do capitalismo est\u00e1 levando a classe dominante francesa a atacar todos os ganhos feita pelos trabalhadores atrav\u00e9s da luta. O sistema obriga os chefes a faz\u00ea-lo. Nesta ofensiva implac\u00e1vel, a burguesia est\u00e1 pronta para lutar, com inferno ou mar\u00e9 alta.<\/p>\n<p>Por si s\u00f3, a greve dos trabalhadores ferrovi\u00e1rios n\u00e3o pode fazer o governo ceder. Esses trabalhadores, por mais militantes que sejam, n\u00e3o a podem manter forte indefinidamente. O governo sabe disso e est\u00e1 contando com um refluxo gradual da mobiliza\u00e7\u00e3o no setor de transportes. A chave da nossa vit\u00f3ria reside, portanto, n\u00e3o tanto na dura\u00e7\u00e3o da greve, como em sua r\u00e1pida extens\u00e3o a outros setores da economia. Se o movimento de greve nas refinarias de petr\u00f3leo se desenvolver e se consolidar, \u00e9 claro que isso pesar\u00e1 muito a favor dos trabalhadores, mas \u00e9 improv\u00e1vel que isso seja suficiente. Outras \u00e1reas &#8211; tanto no setor p\u00fablico quanto no privado &#8211; sem d\u00favida precisar\u00e3o participar da greve, para que o governo comece a temer uma revolta generalizada. Uma mobiliza\u00e7\u00e3o em massa de estudantes e jovens contribuiria para essa din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Que estrat\u00e9gia?<\/p>\n<p>Rejeitamos firmemente os ataques \u00e0 CGT vindos da ala direita e do governo. Por meio da CGT, esses ataques t\u00eam como alvo os elementos mais militantes de nossa classe. No entanto, isso n\u00e3o deve nos impedir de formular algumas cr\u00edticas \u00e0 estrat\u00e9gia e ao programa dos l\u00edderes da CGT. Ao fazer isso, nosso \u00fanico objetivo \u00e9 declarar quais s\u00e3o, segundo n\u00f3s, as condi\u00e7\u00f5es da vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 19 de dezembro, Philippe Martinez (Secret\u00e1rio Geral da CGT) anunciou um &#8220;dia de a\u00e7\u00e3o interprofissional&#8221; para 9 de janeiro. Sem exigir explicitamente uma &#8220;tr\u00e9gua&#8221; durante o feriado (como Macron havia pedido aos sindicatos), Martinez adiou de fato por tr\u00eas semanas a possibilidade de expandir as greves. Isso criou um desconforto compreens\u00edvel no interior do movimento, especialmente entre os trabalhadores da RATP e da SNCF, que j\u00e1 estavam em greve h\u00e1 14 dias.<\/p>\n<p>A greve dos transportes se manteve est\u00e1vel durante as f\u00e9rias. Manifesta\u00e7\u00f5es muito militantes foram organizadas. Mas a quest\u00e3o das perspectivas do movimento ainda precisa ser respondida. N\u00e3o basta dizer que &#8220;o movimento continuar\u00e1&#8221; at\u00e9 o governo recuar: isso simplesmente n\u00e3o \u00e9 realista. Mais uma vez, diante do movimento atual, onde apenas um pequeno n\u00famero de trabalhadores est\u00e1 em greve, o governo n\u00e3o recuar\u00e1. Contar\u00e1 com o movimento se esgotando lentamente. Isto \u00e9 o que os l\u00edderes da CGT devem explicar sistematicamente a todos os trabalhadores.<\/p>\n<p>Ou melhor, a lideran\u00e7a da CGT deveria ter explicado isso muito antes de 5 de dezembro, no \u00e2mbito de uma vasta campanha de agita\u00e7\u00e3o conduzida em todas as fileiras da classe trabalhadora. Gra\u00e7as a essa campanha, os organizadores da CGT poderiam ter tido uma ideia da milit\u00e2ncia relativa dos diferentes setores. Ent\u00e3o, se as condi\u00e7\u00f5es apropriadas estivessem presentes, eles poderiam ter elaborado um plano de batalha detalhado, com o objetivo de mobilizar primeiro e acima de tudo os setores mais receptivos e depois envolver outros no movimento, etc.<\/p>\n<p>Nada disso foi tentado, nem mesmo previsto. Pelo contr\u00e1rio, por 18 meses, a lideran\u00e7a da CGT participou de in\u00fameras reuni\u00f5es de &#8220;consulta&#8221; com o governo. O \u00fanico objetivo de Macron nessas reuni\u00f5es era fazer as massas acreditarem que o governo estava \u201cdiscutindo\u201d, \u201couvindo\u201d, \u201cnegociando\u201d &#8211; em suma, que a \u201cdemocracia social\u201d estava em pleno andamento e que, consequentemente, os trabalhadores n\u00e3o precisavam se preparar para uma luta.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes da CGT devem parar de ir a essas reuni\u00f5es. Elas s\u00e3o contraproducentes. Eles devem se voltar para as massas, explicar-lhes as condi\u00e7\u00f5es da vit\u00f3ria e fazer tudo ao seu alcance para estender a greve a novos setores. O tempo est\u00e1 passando!<\/p>\n<p>Qual programa?<\/p>\n<p>A outra fraqueza do movimento \u00e9 o seu programa. Ao limitar os objetivos do movimento \u00e0 derrubada da reforma previdenci\u00e1ria, os l\u00edderes da CGT e os partidos de esquerda est\u00e3o efetivamente limitando o potencial do movimento. Na realidade, para muitos trabalhadores, entrar em greve indefinidamente envolve aceitar n\u00e3o apenas perdas salariais, mas tamb\u00e9m san\u00e7\u00f5es no local de trabalho. Eles s\u00f3 entrar\u00e3o em greve se acharem que vale a pena correr o risco. Mas o governo teve o cuidado de dar &#8220;garantias&#8221; aos trabalhadores mais velhos. E quando se trata dos trabalhadores mais jovens, eles hesitam em mobilizar-se contra um ataque cujos efeitos eles n\u00e3o sentir\u00e3o imediatamente, pois t\u00eam muitos outros problemas.<\/p>\n<p>No contexto de uma profunda crise do capitalismo e do decl\u00ednio social generalizado, os trabalhadores entendem que lutar contra essa ou aquela reforma n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para resolver seus problemas. Muitos s\u00e3o simp\u00e1ticos ao movimento atual, mas aspiram a mudan\u00e7as mais radicais. Para mobilizar essas camadas de trabalhadores em um movimento t\u00e3o duro quanto uma greve indefinida, eles devem ter a perspectiva de profundas mudan\u00e7as. Em outras palavras, a luta deve ser conduzida com base em um programa ofensivo e, em vez de simplesmente defender os ganhos do passado, exige um aumento r\u00e1pido e significativo nos padr\u00f5es de vida das massas. Al\u00e9m disso, como fica claro que Macron nunca implementar\u00e1 esse programa, a derrubada de seu governo deve encerrar a lista de demandas do movimento atual. Este governo deve ser substitu\u00eddo por um governo do &#8220;povo&#8221;, ou seja, dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma proposta ut\u00f3pica. No contexto atual, essa estrat\u00e9gia e este programa s\u00e3o o \u00fanico caminho realista a seguir. A experi\u00eancia provar\u00e1 isso.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: https:\/\/www.marxist.com\/france-how-we-can-win.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24659\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[109],"tags":[226],"class_list":["post-24659","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c122-franca","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6pJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24659\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}