{"id":24668,"date":"2020-01-10T20:19:22","date_gmt":"2020-01-10T23:19:22","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24668"},"modified":"2020-01-10T20:19:22","modified_gmt":"2020-01-10T23:19:22","slug":"duas-semanas-que-arrepiaram-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24668","title":{"rendered":"Duas semanas que arrepiaram o mundo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/static.timesofisrael.com\/www\/uploads\/2020\/01\/Untitled-14-1-640x400.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Mulheres enlutadas protestam contra o assassinato do general Qassem Soleimani, em Teer\u00e3, Ir\u00e3, em 4 de Janeiro de 2020<br \/>\nCr\u00e9ditosAtta Kenare \/ AFP\/Getty Images<\/p>\n<p>Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>O assassinato de Qassem Soleimani confirma a tend\u00eancia norte-americana para ajustar contas com pessoas, entidades e organiza\u00e7\u00f5es que combatem o terrorismo oriundo do tronco comum afeg\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes que a enxurrada de desinforma\u00e7\u00e3o produzida pela comunica\u00e7\u00e3o social corporativa mistifique a hist\u00f3ria oficial destes dias de guerra, caos e ilegalidade na cena internacional, \u00e9 preciso decodificar a cadeia de acontecimentos, para que seja poss\u00edvel distribuir responsabilidades e invalidar mentiras. Se os Estados Unidos da Am\u00e9rica, como \u00e9 habitual e natural, sobressaem como os art\u00edfices de uma trama que amea\u00e7a o planeta, \u00e9 importante notar que o \u00abnosso mundo civilizado\u00bb, com a OTAN e a Uni\u00e3o Europeia \u00e0 cabe\u00e7a, n\u00e3o fazem figura de inocentes. Ali\u00e1s, nem o governo da Rep\u00fablica Portuguesa se salva.<\/p>\n<p>J\u00e1 poucos ter\u00e3o presente que esta escalada de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque e o Ir\u00e3 \u2013 ao que parece agora militarmente amainada \u2013 se iniciou em 27 de dezembro com um suposto ataque da organiza\u00e7\u00e3o paramilitar iraquiana xiita Kataeb Hezbollah contra uma base ocupada por tropas norte-americanas no Iraque, provocando a morte de um contratado civil e ferimentos em quatro militares.<\/p>\n<p>E aqui come\u00e7a a hist\u00f3ria a ser mal contada.<\/p>\n<p>Em momento algum, at\u00e9 hoje, as fontes oficiais e oficiosas norte-americanos prestaram informa\u00e7\u00f5es adicionais sobre este incidente, por exemplo divulgando a identidade do falecido, a entidade para a qual trabalhava e os nomes dos feridos.<\/p>\n<p>No dia seguinte veio a \u00abresposta\u00bb norte-americana: ca\u00e7as F-15 bombardearam cinco bases do Kataeb Hezbollah no Iraque e na S\u00edria, instala\u00e7\u00f5es que foram e continuam a ser fulcrais no combate contra o Isis ou Estado Isl\u00e2mico e a Al-Qaeda. Desenhava-se aqui uma tend\u00eancia: punir organiza\u00e7\u00f5es ou entidades que contribuem para tentar desmantelar o terrorismo que descende diretamente do que foi criado no Afeganist\u00e3o por Bin Laden e a CIA em coordena\u00e7\u00e3o com outros servi\u00e7os secretos, designadamente os brit\u00e2nicos, sauditas e paquistaneses.<\/p>\n<p>O pormenor mais intrigante da \u00abresposta\u00bb militar norte-americana levanta ainda outras fortes suspeitas sobre a vers\u00e3o dos acontecimentos difundida por Washington. As bases do Kataeb Hezbollah atingidas pelos bombardeamentos situam-se a mais de 500 quil\u00f4metros das instala\u00e7\u00f5es onde supostamente ter\u00e1 morrido o mercen\u00e1rio e foram feridos os quatro soldados. \u00c9 de admitir, portanto, que o grupo paramilitar iraquiano n\u00e3o seja respons\u00e1vel pela a\u00e7\u00e3o, como o pr\u00f3prio garante; e que o suposto \u00abataque com rockets\u00bb n\u00e3o tenha passado de uma provoca\u00e7\u00e3o que qualquer reminisc\u00eancia do Isis ainda seja capaz de executar.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o terrorista norte-americana gerou rea\u00e7\u00f5es imediatas e espont\u00e2neas sobretudo no Iraque. O Kataeb Hezbollah \u00e9 uma fac\u00e7\u00e3o das Unidades de Mobiliza\u00e7\u00e3o Popular (UMP), mil\u00edcias da Alian\u00e7a para a Conquista (Alian\u00e7a Fatah), do segundo maior grupo do Parlamento iraquiano1. Al\u00e9m disso, integra operacionalmente o ex\u00e9rcito regular do pa\u00eds. Com esta representatividade n\u00e3o espanta que se tenham formado importantes manifesta\u00e7\u00f5es contestando o bombardeamento norte-americano e tendo como alvo a Embaixada dos Estados Unidos. Em momento algum, por\u00e9m, houve invas\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, ao contr\u00e1rio do que foi afirmado pelos media corporativos ecoando as mensagens de propaganda emanadas do Departamento de Estado em Washington.<\/p>\n<p>Um ato de guerra<br \/>\nOs protestos, por\u00e9m, serviram como novo pretexto para alimentar a escalada.<\/p>\n<p>Invocando os focos de viol\u00eancia em torno da embaixada \u2013 motivo que depois desapareceu, para ser substitu\u00eddo por uma mentira que continua a ser repetida \u2013 os Estados Unidos assassinaram, em 3 de Janeiro, o general Qassem Soleimani, comandante da organiza\u00e7\u00e3o Al-Quds (Jerusal\u00e9m) da Guarda Revolucion\u00e1ria do Ir\u00e3. Demonstrando que conhecia ao mil\u00edmetro os movimentos do general, o Pent\u00e1gono enviou um drone Reaper contra o conjunto de viaturas que transportava Soleimani do aeroporto internacional de Bagdade para uma reuni\u00e3o com o primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdul al-Mahdi.<\/p>\n<p>No ataque morreram tamb\u00e9m o n\u00famero dois das UMP do Iraque2 e um destacado dirigente do Hezbollah liban\u00eas, organiza\u00e7\u00e3o que integra o governo do L\u00edbano.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos tinham acabado de cometer um ato de guerra contra tr\u00eas Estados Soberanos.<\/p>\n<p>O Iraque protestou oficialmente contra o evidente ataque \u00e0 sua soberania.<\/p>\n<p>E o Ir\u00e3 prometeu reagir.<\/p>\n<p>Logo acudiu a chamada \u00abcomunidade internacional\u00bb, praticamente a uma voz e com uma s\u00f3 palavra de ordem: \u00abconten\u00e7\u00e3o\u00bb \u2013 pedida a todas as partes, agressor e agredidos.<\/p>\n<p>Do \u00abnosso mundo civilizado\u00bb n\u00e3o se ouviu qualquer condena\u00e7\u00e3o do ato de barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>A OTAN, pela voz do secret\u00e1rio-geral Stoltenberg, garantiu que n\u00e3o estava envolvida mas fora informada e sabia de tudo. E recomendou ao Ir\u00e3o, pa\u00eds v\u00edtima de uma agress\u00e3o prim\u00e1ria que rasgou tamb\u00e9m o direito internacional, o cuidado de \u00ababster-se de viol\u00eancia e provoca\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p>O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assegurou que se tratava de \u00abum acontecimento americano\u00bb no qual o seu pa\u00eds n\u00e3o deveria ser \u00abmisturado\u00bb. E, no entanto, a opera\u00e7\u00e3o replicou os muitos \u00abassassinatos seletivos\u00bb praticados pelo Estado sionista, principalmente na Faixa de Gaza. Netanyahu amea\u00e7ou ainda o Ir\u00e3 com uma \u00abresposta retumbante\u00bb no caso de atacar alvos israelenses.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, falou mais ou menos do sexo dos anjos, na impossibilidade de discorrer, por uma vez, das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas: \u00abo caldeir\u00e3o de tens\u00f5es conduz cada vez mais pa\u00edses a tomar decis\u00f5es imprevistas com imprevistas consequ\u00eancias e risco profundo de erros de c\u00e1lculo\u00bb, declarou. Concluiu ainda que \u00abas tens\u00f5es geopol\u00edticas est\u00e3o ao n\u00edvel mais elevado deste s\u00e9culo\u00bb, coisa que ainda ningu\u00e9m tinha percebido.<\/p>\n<p>N\u00e3o se ouviu, no entanto, qualquer coment\u00e1rio de Guterres quando o Departamento de Estado norte-americano se recusou a emitir um visto ao ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif, que pretendia deslocar-se \u00e0 sede das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em Nova Iorque, para explicar os acontecimentos. Uma recusa que deveria suscitar rea\u00e7\u00f5es exemplares da ONU, uma vez que viola o tratado celebrado entre esta organiza\u00e7\u00e3o e os Estados Unidos que regula, desde 1947, o funcionamento das Na\u00e7\u00f5es Unidas na cidade norte-americana.<\/p>\n<p>A R\u00fassia e a Turquia, em declara\u00e7\u00e3o conjunta, admitiram que as atitudes dos Estados Unidos no M\u00e9dio Oriente s\u00e3o \u00abilegais\u00bb.<\/p>\n<p>Guerra para calar negocia\u00e7\u00f5es<br \/>\nO general Soleimani n\u00e3o era apenas um general admirado no seu pa\u00eds. Ficou conhecido como brilhante estrategista do combate travado internacionalmente contra o \u2013 praticamente dizimado \u2013 Estado Isl\u00e2mico e a Al-Qaeda \u2013, em vias de sofrerem uma esmagadora derrota na S\u00edria e em fase de transfer\u00eancia para a L\u00edbia.<\/p>\n<p>O assassinato de Qassem Soleimani confirma, portanto, a tend\u00eancia norte-americana para ajustar contas com pessoas, entidades e organiza\u00e7\u00f5es que combatem o terrorismo oriundo do tronco comum afeg\u00e3o. O que n\u00e3o surpreende, porque o Estado Isl\u00e2mico e a al-Qaeda desempenharam \u2013 e desempenham \u2013 fun\u00e7\u00f5es de bra\u00e7os armados dos Estados Unidos e da OTAN em guerras como as do Iraque, da S\u00edria e da L\u00edbia.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro do Iraque revelou, entretanto, que o general Soleimani se deslocara a Bagd\u00e1 para se encontrar com ele pr\u00f3prio e entregar a resposta do governo do Ir\u00e3o a uma iniciativa da Ar\u00e1bia Saudita, na qual o Iraque serviu de mediador, e que tinha o objetivo de reduzir as tens\u00f5es entre Teer\u00e3 e Riade. Uma aproxima\u00e7\u00e3o entre o Ir\u00e3o e a Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 fulcral para qualquer processo de pacifica\u00e7\u00e3o em todo o M\u00e9dio Oriente; por outro lado, seria um obst\u00e1culo \u00e0 estrat\u00e9gia de \u00abguerra sem fim\u00bb conduzida pelos Estados Unidos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o norte-americana de fazer abortar negocia\u00e7\u00f5es desenvolvidas entre Teer\u00e3 e Riade atrav\u00e9s de Bagd\u00e1 \u00e9 muito mais do que uma simples suspeita.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o norte-americana sobre a viagem de Soleimani \u00e9 diferente: o general iria preparar ataques contra alvos militares e interesses norte-americanos. Nem o secret\u00e1rio de Estado Pompeo nem o presidente Trump, em m\u00faltiplas interven\u00e7\u00f5es, conseguiram ir al\u00e9m da formula\u00e7\u00e3o abstrata desta teoria, apesar de instados a apresentar pormenores. A acusa\u00e7\u00e3o a Soleimani acaba por revelar-se uma deslavada e repetida mentira.<\/p>\n<p>V\u00edtima de uma agress\u00e3o norte-americana contra o seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio, o Parlamento iraquiano decidiu, por unanimidade, expulsar as tropas estrangeiras e revogar o pedido de assist\u00eancia de uma coliga\u00e7\u00e3o internacional com base na OTAN, fundada com o alegado intuito de combater o Isis ou Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>A OTAN suspendeu as opera\u00e7\u00f5es em solo do Iraque. O primeiro-ministro Al-Mahdi recebeu uma carta norte-americana \u2013 com vers\u00f5es em ingl\u00eas e em \u00e1rabe \u2013 manifestando disponibilidade para acatar a decis\u00e3o. Como os textos t\u00eam conte\u00fados diferentes nas duas l\u00ednguas, o chefe do governo do Iraque pediu esclarecimentos. Ent\u00e3o os Estados Unidos argumentaram que a carta n\u00e3o deveria ainda ter sido enviada, pelo que n\u00e3o existe resposta oficial \u00e0 posi\u00e7\u00e3o soberana de Bagd\u00e1.<\/p>\n<p>Tanto quanto se sabe, a vers\u00e3o oficial de Donald Trump \u00e9 a de que n\u00e3o tenciona retirar as tropas do Iraque. O assunto vai dar ainda muito pano para mangas.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o iraniana<br \/>\nO Ir\u00e3o n\u00e3o tinha outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fosse a de reagir ao ato de guerra norte-americano. Por raz\u00f5es de dignidade e soberania, por necessidades internas e por lhe ser facultada pelo direito internacional.<\/p>\n<p>Teer\u00e3 come\u00e7ou por anunciar que deixa de respeitar os limites de enriquecimento de ur\u00e2nio impostos pelo acordo nuclear internacional 5+1, do qual os Estados Unidos j\u00e1 se tinham retirado.<\/p>\n<p>E o circo da \u00abcomunidade internacional\u00bb voltou a reagir a preceito, argumentando que, agora sim, o Ir\u00e3o iria avan\u00e7ar para a bomba nuclear \u2013 circunst\u00e2ncia que passou a valer propagandisticamente como se o regime iraniano j\u00e1 tivesse entrado no \u00abclube at\u00f4mico\u00bb, pronto a \u00abvarrer Israel do mapa\u00bb, como se ouviu a circunspectos analistas.<\/p>\n<p>O filme come\u00e7ou, uma vez mais, a ser rodado ao contr\u00e1rio, escondendo que Israel \u00e9 a \u00fanica pot\u00eancia nuclear do M\u00e9dio Oriente em condi\u00e7\u00f5es de \u00abvarrer vizinhos do mapa\u00bb, atividade em que tem muita e proveitosa experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A OTAN garantiu que \u00abn\u00e3o permitir\u00e1 que o Ir\u00e3o tenha armas nucleares\u00bb. Donald Trump assegurou que \u00abo Ir\u00e3 jamais ter\u00e1 armas nucleares\u00bb. Afinal, apesar dos \u00abdistanciamentos\u00bb, OTAN e Trump, Trump e OTAN atuam a uma s\u00f3 voz.<\/p>\n<p>Na madrugada de 8 de Janeiro, o Ir\u00e3 bombardeou ent\u00e3o duas bases iraquianas ocupadas por tropas norte-americanas. Na sua conta twitter, o chefe da diplomacia iraniana, Javad Zafari, explicou que \u00aba resposta foi proporcional\u00bb ao ataque sofrido e que o Ir\u00e3 ir\u00e1 se abster de novos ataques.<\/p>\n<p>As narrativas em torno deste ataque, por\u00e9m, est\u00e3o longe de serem coincidentes e de estarem conclu\u00eddas.<\/p>\n<p>Circulam informa\u00e7\u00f5es, por um lado, de que antes da opera\u00e7\u00e3o o Ir\u00e3 contatou o Iraque e este pa\u00eds os Estados Unidos a tempo de serem tomadas precau\u00e7\u00f5es para evitar baixas. Alguns m\u00edsseis, inclusivamente, teriam sido preparados para evitar danos.<\/p>\n<p>Existem, por\u00e9m, informa\u00e7\u00f5es completamente diferentes. O Ir\u00e3 teria procedido exatamente como os Estados Unidos na altura do assassinato de Soleimani: informou o Iraque praticamente em cima da execu\u00e7\u00e3o do ataque.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o oficial de Donald Trump \u00e9 a de que o ataque n\u00e3o causou baixas nas tropas norte-americanas ou iraquianas.<\/p>\n<p>Trump e os seus amigos<br \/>\nO presidente norte-americano fez um balan\u00e7o oficial dos acontecimentos num \u00abdiscurso \u00e0 na\u00e7\u00e3o\u00bb proferido na manh\u00e3 (de Washington) de dia 8, quarta-feira. Anunciou novas san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3, al\u00e9m de estar \u00abavaliando outras op\u00e7\u00f5es de resposta\u00bb. De momento, a escalada militar parece entre par\u00eantesis, embora permane\u00e7am todas as circunst\u00e2ncias que conduziram a esta nova fase da agress\u00e3o norte-americana.<\/p>\n<p>Trump pediu \u00abmaior envolvimento da OTAN\u00bb, n\u00e3o especificando em que relativamente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o criada, confirmando assim a \u00abdecep\u00e7\u00e3o\u00bb transmitida por Pompeo perante a rea\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a ao assassinato de Soleimani. Ficou impl\u00edcita, atrav\u00e9s desta abordagem, a obrigat\u00f3ria disponibiliza\u00e7\u00e3o de meios atlantistas para o que quer que se siga na guerra sem fim sustentada pelos Estados Unidos na regi\u00e3o do M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Donald Trump parece estar ainda a avaliar os resultados da situa\u00e7\u00e3o, como manobra de divers\u00e3o do impeachment, e as suas repercuss\u00f5es na campanha para as elei\u00e7\u00f5es de Novembro deste ano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da press\u00e3o do impeachment, que em \u00faltima an\u00e1lise ser\u00e1 travado pela maioria republicana do Senado, Trump est\u00e1 sob press\u00e3o do Congresso por n\u00e3o ter comunicado previamente a opera\u00e7\u00e3o contra Bagd\u00e1 e por n\u00e3o dispor de qualquer autoriza\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para travar uma guerra contra o Ir\u00e3. Alguns congressistas consideram este fato como a raz\u00e3o de maior peso para um impeachment de um presidente.<\/p>\n<p>Apesar da agressividade, o discurso de Trump soou como recuo: est\u00e1 colocado perante a exig\u00eancia de retirada das tropas do Iraque, as press\u00f5es do Congresso, a multiplica\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es em dezenas de cidades do pa\u00eds contra a guerra, a den\u00fancia das suas mentiras sobre Soleimani na pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o social dominante e tamb\u00e9m a possibilidade de as vers\u00f5es sobre avultadas baixas militares ganharem terreno se forem, de fato, fundamentadas.<\/p>\n<p>O ataque cerrado a Obama no seu discurso, personificando na circunst\u00e2ncia o Partido Democr\u00e1tico, confirma que a agress\u00e3o contra o Ir\u00e3o integra os planos de Donald Trump para tentar retomar a iniciativa frente ao impeachment e desenvolver a campanha eleitoral.<\/p>\n<p>A campanha \u00abAm\u00e9rica primeiro\u00bb parece ter derivado para as campanhas de guerra como suporte da propaganda pol\u00edtico-eleitoral, ao leme das quais, sem horizonte estrat\u00e9gico, v\u00e3o Pompeo e os seus crist\u00e3os sionistas, os fundamentalistas evang\u00e9licos de Pence e as manobras sionistas do genro de Trump, Jarred Kushner, em sintonia absoluta com o primeiro-ministro de Israel.<\/p>\n<p>Estando Trump e Netanyahu ambos acossados internamente, tanto em termos pol\u00edticos como de justi\u00e7a, a associa\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias n\u00e3o joga a favor da redu\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es mas sim da sua explora\u00e7\u00e3o ao ritmo das batalhas pol\u00edtico-jur\u00eddicas que se seguem nos Estados Unidos e em Israel.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio mundial est\u00e1 assim ref\u00e9m das necessidades e interesses pr\u00f3prios dos Estados Unidos e seu sat\u00e9lite israelense \u2013 ou vice-versa \u2013 em plena guerra intercapitalista. Enquanto a Uni\u00e3o Europeia prega a \u00abconten\u00e7\u00e3o\u00bb ao Ir\u00e3; e o governo portugu\u00eas, na velha tradi\u00e7\u00e3o de bom e respeitador aluno, esteve mudo perante a manobra terrorista que consumou o assassinato do general Soleimani mas j\u00e1 teve voz para condenar o ataque de retalia\u00e7\u00e3o conduzido pelo Ir\u00e3. Coment\u00e1rios dispensam-se.<\/p>\n<p>As duas \u00faltimas semanas foram exemplares da situa\u00e7\u00e3o arrepiante a que a chamada \u00abcomunidade internacional\u00bb deixou que o mundo fosse conduzido pelas m\u00e3os de sociopatas incur\u00e1veis.<\/p>\n<p>1. Para compreender a posi\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Fatah no contexto das for\u00e7as pol\u00edticas iraquianas, ver a entrada \u00abCouncil of Representatives of Iraq\u00bb, na Wikipedia.<br \/>\n2. Importa referir que estas mil\u00edcias, incorporadas por volunt\u00e1rios mu\u00e7ulmanos (xiitas e sunitas), crist\u00e3os e yazidis, constitu\u00edam, para os terroristas do Daesh e Al-Qaeda, tem\u00edveis advers\u00e1rios, e que participaram, como for\u00e7as de choque, nas mais importantes batalhas pela liberta\u00e7\u00e3o do Iraque e da S\u00edria do jugo fundamentalista. Por mais de uma vez, como em Setembro de 2018, as UMP acusaram os EUA de bombardearem as suas bases e destacamentos a meio de ofensivas contra os terroristas tafkiri, objetivanente protegendo estes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24668\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[219],"class_list":["post-24668","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6pS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24668","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24668"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24668\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24668"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}