{"id":2468,"date":"2012-02-27T14:56:53","date_gmt":"2012-02-27T14:56:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2468"},"modified":"2012-02-27T14:56:53","modified_gmt":"2012-02-27T14:56:53","slug":"futuro-do-regime-de-metas-divide-opiniao-de-analistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2468","title":{"rendered":"Futuro do regime de metas divide opini\u00e3o de analistas"},"content":{"rendered":"\n<p>O regime de metas de infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 na berlinda, com as mudan\u00e7as na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria promovidas pela gest\u00e3o de Alexandre Tombini. Os mais cr\u00edticos dizem que o Banco Central simplesmente n\u00e3o se preocupa mais com o cumprimento da meta, de 4,5%, dando mais peso ao crescimento, enquanto outros afirmam que a institui\u00e7\u00e3o ainda se orienta pelo alvo, mas age apenas quando a infla\u00e7\u00e3o amea\u00e7a romper o teto, de 6,5%. H\u00e1 ainda quem defenda a atua\u00e7\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria, destacando que o cen\u00e1rio internacional continua longe da normalidade, com baixo crescimento ou recess\u00e3o nos pa\u00edses desenvolvidos e uma abundante liquidez nos mercados globais &#8211; al\u00e9m disso, a economia brasileira perdeu for\u00e7a no segundo semestre.<\/p>\n<p>Em pouco mais de um ano \u00e0 frente da institui\u00e7\u00e3o, Tombini alterou significativamente a forma de atuar do BC. Em agosto de 2011 inverteu a m\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, come\u00e7ando um ciclo de baixa da Selic depois de seis altas seguidas. Passou a dar grande peso \u00e0s chamadas medidas macroprudenciais, para regular o cr\u00e9dito, n\u00e3o confiando apenas no manejo dos juros. Em seus documentos, tenta convencer os analistas de que a taxa neutra de juros (aquela que n\u00e3o acelera a infla\u00e7\u00e3o) caiu expressivamente. Para completar, na ata da reuni\u00e3o de janeiro do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), indicou que pretende reduzir a Selic para a casa de um d\u00edgito.<\/p>\n<p>Em documento distribu\u00eddo na \u00faltima quinta-feira, resultado da consulta a cerca de 100 analistas, o Banco Central informou que o pr\u00f3prio mercado considera que a taxa de juros real de equil\u00edbrio est\u00e1 hoje em 5,5% ao ano. Nesta semana, primeiro em S\u00e3o Paulo, e depois no Rio de Janeiro, esses e outros assuntos devem compor a reuni\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria com os economistas do mercado.<\/p>\n<p>Professor da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEA-USP), Carlos Eduardo Gon\u00e7alves n\u00e3o acha que o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o acabou. O arcabou\u00e7o do sistema &#8211; como as reuni\u00f5es peri\u00f3dicas do Copom, a divulga\u00e7\u00e3o da atas dos encontros e a publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio trimestral de infla\u00e7\u00e3o &#8211; continua de p\u00e9, e se trata de uma parte importante dele, segundo Gon\u00e7alves. O que mudou, para ele, \u00e9 que o BC d\u00e1 sinais de que passou a tratar os 4,5% do centro da meta como um piso. Isso n\u00e3o quer dizer, contudo, que a autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o tenha mais nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, diz ele. Se a infla\u00e7\u00e3o se aproxima do teto de 6,5%, o BC tende a agir.<\/p>\n<p>Em artigo recente, Gon\u00e7alves escreveu que &#8220;a fun\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00e3o do BC dita o seguinte curso de a\u00e7\u00e3o: quando a infla\u00e7\u00e3o amea\u00e7ar romper o teto de 6,5% no ano calend\u00e1rio, deve-se subir os juros e tamb\u00e9m os compuls\u00f3rios e quando a infla\u00e7\u00e3o se aproximar de 4,5%, deve-se afrouxar a pol\u00edtica monet\u00e1ria, com \u00eanfase na queda de juros&#8221;.<\/p>\n<p>Ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Vieira da Cunha diz que a an\u00e1lise da fun\u00e7\u00e3o de rea\u00e7\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria mostra, a partir do segundo trimestre de 2009, uma redu\u00e7\u00e3o significativa do peso do diferencial entre as expectativas de infla\u00e7\u00e3o e a meta, enquanto ganhou espa\u00e7o a atividade econ\u00f4mica (medido pelo hiato do produto, a diferen\u00e7a entre o PIB efetivo e o potencial, que retrata a ociosidade de recursos na economia). Para Vieira da Cunha, essa mudan\u00e7a de atua\u00e7\u00e3o, seguida por muitos bancos centrais, fazia sentido em 2009, no auge do impacto da crise. A quest\u00e3o \u00e9 que o peso da infla\u00e7\u00e3o seguiu baixo mesmo depois que o cen\u00e1rio global tornou-se menos incerto e se afastou o risco de depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Vieira da Cunha v\u00ea com reservas a atua\u00e7\u00e3o recente do BC. &#8220;A infla\u00e7\u00e3o continua preocupante&#8221;, diz ele, observando que os pre\u00e7os de servi\u00e7os seguem pressionados, na casa de 8% a 9% em 12 meses. &#8220;A infla\u00e7\u00e3o tem hoje um car\u00e1ter muito inercial, o que a torna mais dif\u00edcil de ser debelada.&#8221; A in\u00e9rcia \u00e9 o fen\u00f4meno pelo qual a infla\u00e7\u00e3o passada alimenta a futura. Ele acha que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) pode ficar entre 6% e 6,5% em 2012 &#8211; em 2011, ficou em 6,5%. Um dos problemas \u00e9 que diminuiu a efici\u00eancia da pol\u00edtica monet\u00e1ria, avalia Vieira da Cunha, s\u00f3cio do Tandem Global Partners.<\/p>\n<p>O ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman tem uma vis\u00e3o ainda mais cr\u00edtica. Para ele, a autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o mostra preocupa\u00e7\u00e3o com a converg\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta. Nesse sentido, a ata da reuni\u00e3o mais recente do Copom seria emblem\u00e1tica. O BC indicou que pretende reduzir os juros para a casa de um d\u00edgito mesmo com seus modelos projetando infla\u00e7\u00e3o distanciando-se do centro da meta em 2013, num cen\u00e1rio em que leva em conta as proje\u00e7\u00f5es do mercado para os juros, que inclu\u00eda a redu\u00e7\u00e3o da Selic para 9,5% ao ano.<\/p>\n<p>Gon\u00e7alves tem uma opini\u00e3o mais branda sobre a pol\u00edtica monet\u00e1ria do BC, mas tamb\u00e9m v\u00ea com reservas o an\u00fancio expl\u00edcito da inten\u00e7\u00e3o de derrubar a Selic abaixo de 10%. &#8220;E se ocorrer um choque de oferta?&#8221;, questiona ele.<\/p>\n<p>Schwartsman tamb\u00e9m v\u00ea com grande ceticismo a tese de que a Selic pode recuar mais porque a taxa neutra de juros no Brasil seria hoje mais baixa &#8211; segundo o BC, devido a fatores como o cumprimento da meta de infla\u00e7\u00e3o pelo oitavo ano consecutivo, a manuten\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios elevados, o aprofundamento do mercado de cr\u00e9dito, as mudan\u00e7as no mercado financeiro e o aumento da oferta de poupan\u00e7a externa.<\/p>\n<p>Schwartsman acredita que a taxa neutra pode ser hoje algo entre 6% a 6,5%, descontada a expectativa de infla\u00e7\u00e3o, inferior aos 7% que ele estimou tempos atr\u00e1s, mas ainda assim superior aos cerca de 4% atuais. Com um mercado de trabalho apertado e uma infla\u00e7\u00e3o em 12 meses ainda bastante acima de 4,5%, essa taxa de juros n\u00e3o lhe parece compat\u00edvel com a converg\u00eancia do IPCA para o centro da meta.<\/p>\n<p>O ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo est\u00e1 na ponta contr\u00e1ria de Schwartsman. Para ele, o regime de metas continua vivo. &#8220;Na minha vis\u00e3o, o mundo mudou, e o cen\u00e1rio externo continua ainda muito distinto de um quadro de relativa normalidade.&#8221; Os EUA crescem pouco, a Europa deve retra\u00e7\u00e3o neste ano e h\u00e1 liquidez abundante no mercado internacional, o que implica em enxurrada de dinheiro para o Brasil. Nesse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais flex\u00edvel, como t\u00eam feito Inglaterra e Israel, afirma ele.<\/p>\n<p>Figueiredo tamb\u00e9m diz que houve uma forte redu\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento no Brasil. No primeiro trimestre, a expans\u00e3o anualizada em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior foi de 4,5%, feito o ajuste sazonal, caindo para zero no terceiro. No quarto, a taxa anualizada deve ter ficado no m\u00e1ximo em 1%, estima ele, o que significa que a atividade tamb\u00e9m justifica uma pol\u00edtica monet\u00e1ria mais relaxada.<\/p>\n<p>&#8220;Em agosto, o BC surpreendeu a todos ao reduzir a Selic, e ficou claro que eles estavam cert\u00edssimos&#8221;, avalia Figueiredo, que acredita num IPCA de 5% em 2012 e numa Selic possivelmente abaixo de 9%. O erro da autoridade monet\u00e1ria, segundo ele, ocorreu no segundo semestre de 2010, quando a atividade econ\u00f4mica estava forte e um ciclo de alta da Selic foi interrompido. &#8220;Mas em 2011 o BC deu show.&#8221; Figueiredo tamb\u00e9m n\u00e3o v\u00ea problemas no an\u00fancio de que a Selic deve cair para a casa de um d\u00edgito. &#8220;V\u00e3o reclamar que o BC \u00e9 muito transparente?&#8221;, diz ele, s\u00f3cio da Mau\u00e1 Sekular Investimentos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>A outra crise europeia<\/strong><\/p>\n<p>Ag\u00eancia Carta Maior &#8211; Larissa Ramina<\/p>\n<p>O processo de edifica\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia (UE) iniciado ap\u00f3s o final da Segunda Guerra Mundial, ao lado da constru\u00e7\u00e3o de uma trama institucional ambiciosa, provocou em v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento um interesse euf\u00f3rico pelos processos de integra\u00e7\u00e3o. Diante da crise atual, todavia, a Europa deixa de ser protagonista da integra\u00e7\u00e3o bem sucedida, e amarga o resultado de suas escolhas equivocadas. Fica demonstrado que uma verdadeira uni\u00e3o n\u00e3o se sustenta com base em assimetrias e desequil\u00edbrios econ\u00f4micos mal resolvidos, nem tampouco em identidades artificialmente costuradas.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, as experi\u00eancias integracionistas demonstraram que uma verdadeira integra\u00e7\u00e3o exige a converg\u00eancia de v\u00e1rios fatores, que n\u00e3o apenas econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m pol\u00edticos e culturais. Diante da UE afogada em uma complexa crise de m\u00faltiplas facetas que dever\u00e1 perdurar por muito tempo, parece que o sonho europeu est\u00e1 se transformando em verdadeiro pesadelo.<\/p>\n<p>A crise financeira \u00e9 a mais grave desde os anos trinta, com altas taxas de desemprego, crescimento quase inexistente, fal\u00eancia de bancos e endividamento de v\u00e1rios governos. A crise econ\u00f4mica, por sua vez, \u00e9 a mais profunda da hist\u00f3ria da UE, com seu projeto mais ambicioso, o da moeda \u00fanica comum, gravemente amea\u00e7ado.<\/p>\n<p>A outra crise que afeta a Europa, e talvez a mais profunda, \u00e9 a de identidade, que est\u00e1 na base de seus problemas econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Intui-se que a Europa foi constru\u00edda sem os europeus, j\u00e1 que estes n\u00e3o parecem comungar de uma identidade comum, ancorada em valores partilhados. A crise revelou que diversidade n\u00e3o significa toler\u00e2ncia, e que as diferen\u00e7as nacionais constituem s\u00e9rios obst\u00e1culos para a integra\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s d\u00e9cadas, preconceitos persistem e os partidos pol\u00edticos que pregam menos diversidade e mais intoler\u00e2ncia ganham espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio das turbul\u00eancias, faz eco o descontentamento da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses europeus, uma vez que as medidas de austeridade fiscal adotadas afetam diretamente os cidad\u00e3os e suas condi\u00e7\u00f5es de bem estar social, levando tamb\u00e9m a uma instabilidade pol\u00edtica, decorrente da insatisfa\u00e7\u00e3o coletiva. As minorias e os imigrantes pagam o pre\u00e7o mais alto. O princ\u00edpio da livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas, outra pedra angular da integra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, est\u00e1 sucumbindo diante da reintrodu\u00e7\u00e3o dos controles de fronteiras em diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>No decorrer da chamada Primavera \u00c1rabe, muito se debateu na Europa acerca de suas conquistas em rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos. Entretanto, desde o desencadear da turbul\u00eancia econ\u00f4mica, parece que outra faceta da crise vem sendo menosprezada, mais silenciosa, mas t\u00e3o violenta quanto aquela, qual seja, a crise dos direitos humanos. Em seu relat\u00f3rio anual, a ONG Human Rights Watch constatou uma Europa menos democr\u00e1tica em 2011 e um recuo da prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, principalmente com as discrimina\u00e7\u00f5es, a intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s minorias, \u00e0s migra\u00e7\u00f5es e aos asilos. A crise migrat\u00f3ria suscitada pelo conflito na L\u00edbia e o \u00eaxodo de tunisianos em 2011 revelou uma esp\u00e9cie de Europa-fortaleza quase impenetr\u00e1vel.<\/p>\n<p>O euro, s\u00edmbolo da verdadeira integra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia, ao inv\u00e9s de aproximar a UE de seus cidad\u00e3os, est\u00e1 condenando milh\u00f5es de europeus a d\u00e9cadas de mis\u00e9ria, ao mesmo tempo em que o preconceito e a intoler\u00e2ncia os est\u00e3o afastando de um dos mais aclamados valores que deveriam partilhar, aquele da prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Bancos podem tomar \u20ac 470 bi no leil\u00e3o do BCE<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es financeiras da zona do euro poder\u00e3o novamente acessar na pr\u00f3xima semana uma linha de tr\u00eas anos do Banco Central Europeu (BCE), assim como fizeram em dezembro, em uma opera\u00e7\u00e3o que poder\u00e1 prolongar o rali do mercado de b\u00f4nus.<\/p>\n<p>Bancos poder\u00e3o pedir \u20ac470 bilh\u00f5es (US$ 629 bilh\u00f5es) em linhas de tr\u00eas anos em oferta no dia 29 de fevereiro, segundo a mediana de 28 proje\u00e7\u00f5es colhidas pela &#8220;Bloomberg&#8221;. Embora esse volume seja menor do que o recorde de \u20ac489 bilh\u00f5es obtidos no primeiro leil\u00e3o em 21 de dezembro, ele poder\u00e1 elevar a liquidez total do sistema para mais de \u20ac300 bilh\u00f5es, disse Luca Cazzulani, estrategista de renda fixa do UniCredit SpQ, em Mil\u00e3o, na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>&#8220;Parte desse crescimento (da liquidez) dever\u00e1 ficar estacionado, pelo menos temporariamente, no mercado de t\u00edtulos soberanos e dar suporte ao desempenho dos b\u00f4nus italianos e espanh\u00f3is&#8221;, disse Cazzulani. Ainda assim, &#8220;as expectativas est\u00e3o em um n\u00edvel bastante elevado, o que cria algum espa\u00e7o para decep\u00e7\u00e3o&#8221;, e &#8220;uma demanda bruta abaixo de \u20ac400 bilh\u00f5es poderia pressionar os spreads de curto prazo&#8221;.<\/p>\n<p>B\u00f4nus italianos e espanh\u00f3is subiram desde o primeiro empr\u00e9stimo do BCE, sugerindo que os bancos est\u00e3o investindo pelo menos parte do dinheiro em pap\u00e9is de alto rendimento. Isso ajudou a aliviar a preocupa\u00e7\u00e3o com uma crise de cr\u00e9dito e garantiu tempo aos governos para chegarem a um acordo sobre medidas para conter a crise de cr\u00e9dito soberano.<\/p>\n<p>O rendimento dos b\u00f4nus de dois anos da Espanha caiu de 3,88% para 2,62% desde 21 de dezembro e a taxa equivalente dos b\u00f4nus italianos recuou de 5,14% para 2,87%.<\/p>\n<p>O rendimento extra exigido pelos investidores acima dos b\u00f4nus alem\u00e3es caiu para 263 pontos base, ante 492 pontos em 22 de dezembro. Esse spread atingiu 720 pontos em 20 de novembro, n\u00edvel mais alto desde a implanta\u00e7\u00e3o do euro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Dieese: Greves deram resultado positivo para trabalhador em 2011<\/strong><\/p>\n<p>Ag\u00eancia Carta Maior<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 Nesta sexta-feira (24), os funcion\u00e1rios do Ita\u00fa Unibanco recebem sua participa\u00e7\u00e3o nos lucros e resultados (PLR) referente a 2011, quando a institui\u00e7\u00e3o registrou o maior lucro da hist\u00f3ria do sistema financeiro nacional, de R$ 14,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Cada trabalhador ter\u00e1 a mais em seu contracheque o correspondente a 2,2 sal\u00e1rios, com montante total limitado a R$ 17,2 mil, al\u00e9m de um adicional de R$ 2,8 mil. Os valores foram conquistados ap\u00f3s a greve nacional de 21 dias que a categoria realizou entre setembro e outubro do ano passado.<\/p>\n<p>Para o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos S\u00f3cio-econ\u00f4micos (Dieese), que presta assessoria t\u00e9cnica ao movimento sindical, as conquistas dos banc\u00e1rios est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0s paralisa\u00e7\u00f5es dos trabalhadores. Em 2011, os banc\u00e1rios obtiveram aumento real de sal\u00e1rio pelo oitavo ano seguido. Em todos esses anos houve greves.<\/p>\n<p>\u201cEssas mobiliza\u00e7\u00f5es decorreram da intransig\u00eancia patronal, da dist\u00e2ncia que havia entre o que pediram os trabalhadores e o que ofereceu o setor financeiro\u201d, explica \u00e0 Carta Maior o coordenador de rela\u00e7\u00f5es sindicais do Dieese, Jos\u00e9 Silvestre Prado de Oliveira.<\/p>\n<p>A entidade realiza anualmente uma pesquisa sobre o n\u00famero e o tipo das greves no Brasil. Entre janeiro e setembro de 2011, ocorreram cerca de 300 paralisa\u00e7\u00f5es \u2013 55% delas no setor privado e 45% no p\u00fablico. Os dados completos do ano passado devem ser divulgados at\u00e9 maio deste ano.<\/p>\n<p>Constru\u00e7\u00e3o civil<\/p>\n<p>De acordo com Oliveira, al\u00e9m da greve nacional dos banc\u00e1rios, outro setor marcado por paralisa\u00e7\u00f5es em 2011 foi o da constru\u00e7\u00e3o civil. \u201cDe modo geral, as mobiliza\u00e7\u00f5es em usinas hidrel\u00e9tricas, como Jirau, refinarias da Petrobras, obras do Minha Casa, Minha Vida, no porto de Suape e em algumas arenas da Copa do Mundo foram positivas para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>No caso de Jirau, \u00e0s margens do rio Madeira, em Rond\u00f4nia, al\u00e9m de aumento da remunera\u00e7\u00e3o, os trabalhadores lutavam por alojamentos mais decentes. A greve durou quase 30 dias, entre mar\u00e7o e abril, e serviu de inspira\u00e7\u00e3o para outras paralisa\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds. Segundo Oliveira, foi um movimento peculiar, porque surgiu espontaneamente entre os trabalhadores e s\u00f3 depois foi coordenado por sindicatos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os protestos, o governo federal, junto a empres\u00e1rios do setor e representa\u00e7\u00f5es sindicais, criou a Mesa Nacional da Constru\u00e7\u00e3o Civil, com o objetivo de instituir padr\u00f5es m\u00ednimos de condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas obras.<\/p>\n<p>O acordo, que n\u00e3o tem for\u00e7a de lei, prioriza o recrutamento de trabalhadores na regi\u00e3o do entorno dos projetos, estabelece planos de qualifica\u00e7\u00e3o profissional e detalha diretrizes para sa\u00fade e seguran\u00e7a, representa\u00e7\u00e3o sindical no local de trabalho e rela\u00e7\u00f5es com a comunidade. A vers\u00e3o final do acordo est\u00e1 quase pronta e deve ser lan\u00e7ada at\u00e9 o in\u00edcio de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Entre outras grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de 2011, Oliveira destaca o magist\u00e9rio p\u00fablico e sua luta pelo pagamento do piso da categoria. \u201cEm Minas Gerais, os trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o chegaram a ficar 104 dias em greve\u201d, lembra o coordenador do Dieese.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>G-20 reafirma regula\u00e7\u00e3o de bancos<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os ministros de Finan\u00e7as dos Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) discutiram nesse fim de semana na Cidade do M\u00e9xico a cria\u00e7\u00e3o de um novo banco multilateral de desenvolvimento, comandado apenas por pa\u00edses emergentes. Ainda sem nome definitivo, a nova institui\u00e7\u00e3o financeira vem sendo informalmente chamada de Banco Sul-Sul, ou Banco dos Brics.<\/p>\n<p>O tema j\u00e1 vinha sendo discutido em conversas informais desde fins do ano passado, mas o projeto ganha outra dimens\u00e3o agora que os Estados Unidos caminham para manter seu monop\u00f3lio na presid\u00eancia do Banco Mundial, indicando outro americano para suceder Robert Zoellick, que anunciou que deixar\u00e1 o cargo em junho.<\/p>\n<p>Os Brics tamb\u00e9m debateram a sucess\u00e3o do Banco Mundial, mas \u00e9 bastante incerto se ser\u00e3o capazes de apresentar um candidato alternativo para disputar com o candidato americano. Especula-se que os Estados Unidos possam indicar o ex-assessor econ\u00f4mico da Casa Branca Larry Summers, ou a secret\u00e1ria de Estado, Hillary Clinton.<\/p>\n<p>A ideia de criar um novo banco foi sugerida originalmente pela \u00cdndia e conta com a simpatia do Brasil. As conversas est\u00e3o em est\u00e1gio bastante inicial e, se forem levadas adiante, ser\u00e1 um projeto para um prazo bem longo, dado os desafios para criar uma institui\u00e7\u00e3o do tipo.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses emergentes, que representam fatia cada vez maior da economia mundial, sentem-se exclu\u00eddos dos processos decis\u00f3rios dos dois organismos criados pelo acordo do Bretton Woods: por um acerto n\u00e3o escrito, um europeu sempre preside o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), enquanto um americano comanda o Banco Mundial. Na sucess\u00e3o do FMI, a China acabou apoiando Christine Lagarde em troca do terceiro cargo mais importante no \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos desafios para os emergentes criarem um banco multilateral \u00e9 conseguir levantar o dinheiro. O Banco Mundial e outros bancos multilaterais funcionam num esquema em que a maior parte dos recursos s\u00e3o colocados por pa\u00edses desenvolvidos, enquanto que os pa\u00edses em desenvolvimentos s\u00e3o tradicionalmente tomadores de empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Mas as economias emergentes mais din\u00e2micas, como os Brics, t\u00eam contribu\u00eddo com cada vez mais recursos para refor\u00e7ar o caixa de organismos multilateriais. Mesmo assim, as economias avan\u00e7adas seguem preponderantes. O FMI, por exemplo, est\u00e1 pedindo US$ 600 bilh\u00f5es aos seus s\u00f3cios. A Europa sozinha vai colocar US$ 250 bilh\u00f5es, e esperam-se US$ 100 bilh\u00f5es do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro problema relevante \u00e9 o custo de capta\u00e7\u00e3o de um banco s\u00f3 com emergentes. O Banco Mundial consegue captar recursos no mercado com baixos juros porque se beneficia do rating de risco baixo de seus principais s\u00f3cios, as economias avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>Os mais otimistas afirmam que hoje os emergentes est\u00e3o com posi\u00e7\u00e3o fiscal mais s\u00f3lida, ao contr\u00e1rio das economias avan\u00e7adas, que em geral exibem altos graus de endividamento p\u00fablico. Ser\u00e1 apenas uma quest\u00e3o de tempo, por esse racioc\u00ednio, para a avalia\u00e7\u00e3o de risco dos emergentes melhorar.<\/p>\n<p>Mas, mesmo entre os que acreditam que os emergentes s\u00e3o capazes de criar um banco pr\u00f3prio, h\u00e1 o reconhecimento de que esse ser\u00e1 um processo longo &#8211; incluindo criar uma sede e treinar um corpo de funcion\u00e1rios especializados para desempenhar a tarefa.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a primeira iniciativa entre paises emergentes para criar seu pr\u00f3prio banco. Na Am\u00e9rica Latina, discute-se a cria\u00e7\u00e3o do Banco do Sul. Ele seria uma contrapartida ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cujo principal s\u00f3cio s\u00e3o os Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>&#8216;Modelo sindical brasileiro \u00e9 arcaico e inconveniente&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>&#8220;O modelo sindical brasileiro \u00e9 arcaico e inconveniente para a sociedade porque propicia o surgimento e a prolifera\u00e7\u00e3o de milhares de sindicatos fantasmas, sem poder de barganha&#8221;, alerta o ministro Jo\u00e3o Orestes Dalazen, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Ele prega uma grande reforma sindical. &#8220;H\u00e1 muitos sindicatos d\u00e9beis, onde ocorrem assembleias muitas vezes vazias, conduzidas por lideran\u00e7as sindicais sem representatividade e ao sabor de suas conveni\u00eancias&#8221;.<\/p>\n<p>Enquanto a reforma n\u00e3o vem, o ministro vai propor altera\u00e7\u00e3o legislativa para permitir que os sindicatos negociem diretamente por empresa, n\u00e3o mais por categoria. O expediente que Dalazen sugere \u00e9 a conven\u00e7\u00e3o coletiva especial. Em minuta que prepara, ele exp\u00f5e seus argumentos ao Congresso.<\/p>\n<p>Ele governa uma Justi\u00e7a que em 2011 recebeu 2,15 milh\u00f5es de novas reclama\u00e7\u00f5es trabalhistas. Sob seu poder e orienta\u00e7\u00e3o est\u00e3o 1.383 varas do Trabalho em todo o Pa\u00eds, 24 tribunais regionais, 3 mil magistrados e desembargadores e 40 mil servidores. No TST lhe fazem companhia 26 ministros.<\/p>\n<p>Hoje, Dalazen inaugura no f\u00f3rum do Aruj\u00e1, na Grande S\u00e3o Paulo, o processo judicial eletr\u00f4nico &#8211; vers\u00e3o que p\u00f5e fim \u00e0 secular Justi\u00e7a de papel porque os autos ir\u00e3o transitar diretamente pelos computadores dos ju\u00edzes e advogados das partes.<\/p>\n<p>Aos 59 anos, juiz de carreira h\u00e1 32, Dalazen \u00e9 dono de uma biografia incomum na toga. Filho de fam\u00edlia humilde de Get\u00falio Vargas (RS), na inf\u00e2ncia e na juventude dividiu os estudos com atividades bra\u00e7ais &#8211; foi engraxate, lavador de caminh\u00e3o, gar\u00e7om, cobrador e balconista. &#8220;Venho de baixo, como se diz.&#8221;<\/p>\n<p>Como reduzir os lit\u00edgios na \u00e1rea trabalhista?<\/p>\n<p>Os sindicatos devem negociar diretamente por empresa. Veja o Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC, s\u00e9rio, combativo, trava um di\u00e1logo permanente com as montadoras. Promove atua\u00e7\u00e3o inovadora e importante por meio do comit\u00ea sindical, \u00f3rg\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o no local de trabalho.<\/p>\n<p>Como v\u00ea o modelo sindical?<\/p>\n<p>Ultrapassado, arcaico. Isso se deve tamb\u00e9m ao fato de que, infelizmente, nossa organiza\u00e7\u00e3o prev\u00ea contribui\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria. Prev\u00ea monop\u00f3lio da representa\u00e7\u00e3o sindical. Em uma determinada base territorial, n\u00e3o pode existir mais de um sindicato, por exemplo, do com\u00e9rcio varejista.<\/p>\n<p>O sr. \u00e9 contra a contribui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Esse sistema de contribui\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de imposto sindical s\u00f3 serve para alimentar sindicatos fantasmas e para que alguns dirigentes se perpetuem no poder. As entidades n\u00e3o prestam o servi\u00e7o que se espera. Bastaria que acab\u00e1ssemos com a contribui\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria e com o monop\u00f3lio da representa\u00e7\u00e3o sindical para que se produzisse profunda reforma na organiza\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Precisamos ratificar a Conven\u00e7\u00e3o 87 da OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho), de 1948. A maioria dos pa\u00edses ratificou, o Brasil n\u00e3o. A Conven\u00e7\u00e3o prev\u00ea regime de ampla liberdade sindical, possibilidade de surgirem sindicatos espontaneamente e desvincula o sindicato do Estado. Nosso modelo \u00e9 inspirado no sistema fascista e corporativista dos anos 30.<\/p>\n<p>O que isso acarreta?<\/p>\n<p>O sistema \u00e9 engessado, n\u00e3o funciona. O resultado \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de sindicatos que visam atender aos interesses preponderantemente das diretorias. No Brasil, com honrosas exce\u00e7\u00f5es, a cria\u00e7\u00e3o de um sindicato transformou-se num grande neg\u00f3cio que s\u00f3 \u00e9 bom para uns poucos dirigentes, n\u00e3o para os representados, sejam empregados ou empregadores. A reforma sindical que defendo alcan\u00e7a a \u00e1rea patronal e a de empregados.<\/p>\n<p>Os sindicatos n\u00e3o atendem seus representados?<\/p>\n<p>Vemos hoje in\u00fameros dirigentes sindicais que permanecem por d\u00e9cadas na dire\u00e7\u00e3o de sindicatos ou de federa\u00e7\u00f5es e confedera\u00e7\u00f5es. Isso n\u00e3o \u00e9 bom para a sociedade. Tenho grande apre\u00e7o pelo movimento sindical, mas \u00e9 for\u00e7oso reconhecer que nosso modelo \u00e9 ultrapassado.<\/p>\n<p>O sistema atual n\u00e3o \u00e9 bom?<\/p>\n<p>S\u00f3 favorece as c\u00fapulas sindicais, que permanecem indefinidamente no poder, \u00e0 sombra de benef\u00edcios, sob os ausp\u00edcios da famigerada contribui\u00e7\u00e3o sindical obrigat\u00f3ria. Se h\u00e1 a receita compuls\u00f3ria, \u00e9 claro que n\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulo para a sindicaliza\u00e7\u00e3o, novos associados que passem a contribuir espontaneamente como em qualquer associa\u00e7\u00e3o. O descompasso \u00e9 t\u00e3o grave que nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas, sobretudo quando h\u00e1 diss\u00eddio, grupos negociam com empregados e n\u00e3o com os sindicatos, correntes opostas em uma mesma categoria defendem pontos de vista e pleitos diversos.<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 um mal?<\/p>\n<p>A Medida Provis\u00f3ria que reconheceu as centrais sindicais permitiu que repartissem entre si parte da receita bilion\u00e1ria da contribui\u00e7\u00e3o sindical, o que propiciou a prolifera\u00e7\u00e3o de sindicatos e uma guerra entre as centrais. Isso desestimula.<\/p>\n<p>Sindicato deve prestar contas?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada que obrigue as entidades a prestarem contas do que recebem a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00e3o. Foi vetado preceito da lei que previa a obrigatoriedade da presta\u00e7\u00e3o de contas ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o. As entidades chegaram praticamente ao para\u00edso. Imagine esse cen\u00e1rio: n\u00e3o presta servi\u00e7os, aufere receita financeira polpuda e n\u00e3o presta contas das receitas, nem da aplica\u00e7\u00e3o dos valores. O sistema vive ciclo vicioso e, assim, se perpetua esse estado de coisas que s\u00f3 favorece dirigentes, com honrosas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a do Trabalho n\u00e3o d\u00e1 conta de tanta demanda?<\/p>\n<p>As provid\u00eancias ortodoxas de moderniza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho j\u00e1 se esgotaram, como a cria\u00e7\u00e3o de cargos, novas varas, amplia\u00e7\u00e3o do quadro de magistrados e servidores. Em seus 70 anos, a Justi\u00e7a do Trabalho apenas cresceu do ponto de vista quantitativo. Eram oito tribunais regionais e passaram a 24. Como est\u00e1, o sistema n\u00e3o pode continuar. Al\u00e9m de constituir m\u00e1quina pesada e onerosa para o Estado, n\u00e3o consegue dar vaz\u00e3o com a celeridade desejada aos milh\u00f5es de processos. Em 2011, s\u00f3 nas varas do Trabalho deram entrada 2,15 milh\u00f5es de reclama\u00e7\u00f5es, sem falar nos tribunais regionais e no TST.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o processo eletr\u00f4nico?<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o do processo eletr\u00f4nico decorre n\u00e3o apenas dessas circunst\u00e2ncias, mas de uma lei federal que obriga os \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio a encerrar a era dos autos impressos. Desde a cria\u00e7\u00e3o dessa lei in\u00fameros sistemas eletr\u00f4nicos foram desenvolvidos, mas cada um procurou resolver o problema a seu tempo e modo, sistemas e linguagens diferentes, que n\u00e3o se comunicam. Mais de 40 sistemas diferentes existem no Judici\u00e1rio. A Justi\u00e7a do Trabalho conseguiu, enfim, desenvolver um sistema uno e definitivo.<\/p>\n<p>Como vai funcionar?<\/p>\n<p>Vai substituir todos os outros no \u00e2mbito da Justi\u00e7a do Trabalho. Come\u00e7ou a ser implantado em dezembro, em Navegantes (SC), depois em Caucai (CE) e V\u00e1rzea Grande (MT). Agora em Aruj\u00e1 (SP). Vai proporcionar celeridade porque n\u00e3o ter\u00e1 mais aquela papelada, os autos f\u00edsicos. Tamb\u00e9m vai propiciar ganho extraordin\u00e1rio porque estamos falando de um modelo sem filas, sem congestionamentos, de portas abertas da Justi\u00e7a, dia e noite, pois as partes e seus advogados poder\u00e3o acessar processos a qualquer hora.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, como vai ser?<\/p>\n<p>Sem sair de seu escrit\u00f3rio, o advogado, com verifica\u00e7\u00e3o digital e senha que o incluir\u00e1 no nosso cadastro, poder\u00e1 peticionar \u00e0 Justi\u00e7a e, automaticamente, haver\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o do processo para uma vara. Apertando um bot\u00e3o, da mesma forma, haver\u00e1 a designa\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia.<\/p>\n<p>Quanto tempo um processo trabalhista leva para terminar?<\/p>\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia at\u00e9 o tribunal regional cerca de um ano. Esse prazo vai cair pela metade. Todo processo judicial tem alguns atos b\u00e1sicos que n\u00e3o podem deixar de ser cumpridos, postula\u00e7\u00e3o de direitos, fase de defesa, probat\u00f3ria, de recursos e julgamento pelos tribunais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2468\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-DO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}