{"id":24705,"date":"2020-01-16T23:02:27","date_gmt":"2020-01-17T02:02:27","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24705"},"modified":"2020-01-16T23:02:27","modified_gmt":"2020-01-17T02:02:27","slug":"apelo-urgente-a-solidariedade-internacionalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24705","title":{"rendered":"Apelo urgente \u00e0 solidariedade internacionalista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.periodico26.cu\/images\/mundo\/chile-manifestantes.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Carlos Azn\u00e1rez\u00a0*<\/p>\n<p>Resumen Latinoamericano<\/p>\n<p>\u00c0s organiza\u00e7\u00f5es sociais e populares, \u00e0s trabalhadoras e aos trabalhadores, aos intelectuais de Nossa Am\u00e9rica:<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses se passaram desde a explos\u00e3o da grande revolta popular que o Chile est\u00e1 enfrentando. A partir daqueles dias de meados de outubro de 2019, quando um agitado grupo de estudantes decidiu pular as catracas do metr\u00f4 de Santiago, protestando contra o alto custo do ingresso (mais de um d\u00f3lar) e, assim, acordar a sociedade chilena de um sonho prolongado, o pa\u00eds viveu um abalo que, sem d\u00favida, deu origem a um novo Chile.<\/p>\n<p>A bravura daqueles e daquelas \u201ccabras\u201d que zombavam da vigil\u00e2ncia do metr\u00f4 e depois eram violentamente reprimidos pelos carabineros gerou uma cadeia de solidariedade com os estudantes espancados e feridos. De repente, o povo do Chile foi \u00e0s ruas e n\u00e3o as abandonou at\u00e9 agora. Milhares e milhares de jovens promoveram tantas manifesta\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio contra a a\u00e7\u00e3o policial que logo levaram o protesto a um salto qualitativo. A batalha que o Chile est\u00e1 vivenciando hoje \u00e9 sintetizada em duas palavras de ordens centrais: &#8220;Renuncia, Pi\u00f1era!&#8221; e &#8220;Pacos culiaos&#8221;, referindo-se com ironia e raiva \u00e0 institui\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas nazistas que torturou e assassinou durante a ditadura de Pinochet e agora continua repetindo esse mesmo roteiro contra aqueles que protestam pacificamente.<\/p>\n<p>Desde os primeiros combates duros em outubro, muitos imaginaram que essa revolta seria tal qual chuva de ver\u00e3o e que os jovens, fartos do capitalismo selvagem e se sentindo exclu\u00eddos em todos os sentidos, iriam relaxar. Que &#8220;a onda ia passar&#8221;, como sugeriu um ministro. Nada disso aconteceu, muito pelo contr\u00e1rio. Com o passar dos dias, a rebeli\u00e3o juvenil tornou-se uma mobiliza\u00e7\u00e3o massiva interclassista, abrangendo todas as idades. Reunir centenas de milhares ou at\u00e9 um milh\u00e3o de pessoas na renomeada Plaza de la Dignidad tornou-se um cen\u00e1rio habitual. E tudo isso, apesar da crescente repress\u00e3o, dos poderosos jatos de \u00e1gua com soda c\u00e1ustica que queimam o corpo, dos gases que provocam v\u00f4mitos e dos proj\u00e9teis lan\u00e7ados no rosto e nos olhos, seguindo os ensinamentos israelenses sobre o assunto. Nada afastou esse furac\u00e3o que sabe o que n\u00e3o quer e o que o leva \u00e0 rebeli\u00e3o. &#8220;Acordamos e lutamos por nossa dignidade&#8221;. Nem mais nem menos.<\/p>\n<p>Nada foi capaz de amainar a raiva saud\u00e1vel daqueles que &#8220;n\u00e3o t\u00eam nada a perder porque j\u00e1 perdemos tudo&#8221;, nem mesmo os fizeram recuar diante da a\u00e7\u00e3o dos milicos, do toque de recolher, das execu\u00e7\u00f5es clandestinas, de tortura e assassinato cometidos pelos &#8220;pacos culiaos&#8221;. Ningu\u00e9m aceita mais a ditadura, cujos funcion\u00e1rios hoje n\u00e3o podem pisar nas ruas, exceto disfar\u00e7ados, se n\u00e3o quiserem ser escorra\u00e7ados, escrachados, ou como ocorre nos est\u00e1dios e em cada pra\u00e7a do pa\u00eds, faz\u00ea-los ouvir o hit do ver\u00e3o chileno: \u00abPi\u00f1era conchitumadre, assassino como Pinochet\u00bb.<\/p>\n<p>Esse movimento impar\u00e1vel \u00e9 uma assembleia horizontal para onde se olha, sem l\u00edderes no estilo de outros tempos, mas com o voto de confian\u00e7a daqueles que lutam na linha de frente, pondo seu corpo \u00e0 frente das balas de borracha, dos gases lacrimog\u00eaneos ou da morte por emboscada. Esse movimento est\u00e1 \u00e0 margem dos pol\u00edticos burgueses, todos eles sem distin\u00e7\u00e3o, que pactuaram com Pi\u00f1era uma constituinte que n\u00e3o \u00e9 a reivindicada pelas classes populares. &#8220;A nossa ser\u00e1 inclusiva, popular, protag\u00f4nica, feminista e com os povos origin\u00e1rios&#8221;, dizem. Esse movimento de massas \u00e9 a express\u00e3o mais acabada de uma revolu\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica \u00fanica do s\u00e9culo XXI, produzida pelos netos daqueles milhares que arriscaram a pele por fazer a Revolu\u00e7\u00e3o nos anos 70, muitos dos quais foram assassinados nesta tentativa.<\/p>\n<p>Esse movimento une, na for\u00e7a de estar cotidianamente nas ruas, o legado hist\u00f3rico das rebeli\u00f5es chilenas, de Manuel Rodriguez a V\u00edctor Jara, Salvador Allende e Miguel Enriquez, mas n\u00e3o precisa exp\u00f4-los em cartazes ou bandeiras, pois incorpora o canto, a poesia e a raiva das novas insurg\u00eancias. Para esses jovens, outros nomes mais pr\u00f3ximos servem como refer\u00eancia, como Mauricio Fredes, da primeira linha, morreram na briga com os pacos, a metros da Plaza de la Dignidad, ou Gustavo Gatica, cego pelas balas atiradas contra os olhos.<\/p>\n<p>Esses lutadores e lutadores escrevem nas paredes seus documentos e declara\u00e7\u00f5es, com textos criativos, assim como com os banners feitos \u00e0 m\u00e3o com os quais se mobilizam. Eles s\u00e3o uma for\u00e7a arrebatadora quando enfrentam a brutalidade b\u00e9lica dos homens uniformizados, que nunca entender\u00e3o por que esses e essas \u201ccabras\u201d t\u00e3o pequenos carregam uma bandeira chilena ou mapuche nas m\u00e3os, riem e dan\u00e7am, correm como brincam, andam de bicicleta, cantam ao som da m\u00fasica transmitida pela Radio Plaza de la Dignidad. Eles se beijam apaixonadamente ou se abra\u00e7am para agruparem-se quando um pandem\u00f4nio de gases, explos\u00f5es e gritos explode ao seu redor. S\u00e3o vida diante da morte, porque &#8220;perdemos o medo&#8221;.<\/p>\n<p>A revolta \u00e9 territorial: ora explode em Santiago, ora em Valpara\u00edso, em Pudahuel Sur, em Antofagasta, Temuco, Concepci\u00f3n ou Iquique. O pa\u00eds inteiro &#8220;j\u00e1 disse BASTA! e come\u00e7ou a andar&#8221;, batendo nas panelas (que rendem homenagem \u00e0 rapper combativa Ana Tijoux) ou encarando as armas com pedras ou mesmo com os punhos. Diante de todo esse gigantesco movimento, a ditadura conseguiu que os meios de comunica\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nicos se calassem vergonhosamente, censurassem o \u00f3bvio, tentassem encobrir a realidade, mas, volta e meia, eram atingidos por ela. E isso n\u00e3o ocorre apenas no Chile, pois o discurso \u00fanico prevalece em toda a imprensa submissa do continente. Mas o que eles n\u00e3o conseguem domar s\u00e3o as centenas de guerrilheiros da comunica\u00e7\u00e3o que, atrav\u00e9s de v\u00eddeos nas redes, denunciam os horrores da repress\u00e3o e as pequenas mas gratificantes vit\u00f3rias dos mobilizados.<\/p>\n<p>Da\u00ed a raz\u00e3o fundamental para essa urgente nota escrita das entranhas e com a paix\u00e3o que nos provoca a rebeli\u00e3o popular. \u00c9 necess\u00e1rio que, no local em que estivermos, tomemos como nossa a causa do povo chileno, que n\u00e3o o deixemos s\u00f3 na tentativa de construir uma sociedade na qual todas e todos se igualem. Que quebremos o muro da desinforma\u00e7\u00e3o e, da maneira que for poss\u00edvel, em cada cidade, em cada pa\u00eds, nos manifestemos, abra\u00e7ando aqueles que lutam na p\u00e1tria de Gabriela Mistral.<\/p>\n<p>\u00c9 hora tamb\u00e9m de despertar esse est\u00edmulo t\u00e3o indispens\u00e1vel que \u00e9 o internacionalismo solid\u00e1rio. O Chile, seu povo e sua juventude corajosa est\u00e3o nos convocando pelo exemplo. N\u00e3o faltemos a este chamado, fa\u00e7amos uma sauda\u00e7\u00e3o fraterna que n\u00e3o significa apenas isso, mas nos comprometa a que, nas ruas de nossos pa\u00edses, tamb\u00e9m seja poss\u00edvel ver serem desfraldadas essas duas bandeiras (a chilena e a mapuche) que se irmanaram para sempre. Que nossos vizinhos descubram que o que acontece l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 por acaso, mas porque o imperialismo e o capitalismo asfixiam o povo de tal maneira que um dia &#8220;vem a explos\u00e3o&#8221;. E isso se torna imposs\u00edvel de conter.<\/p>\n<p>*Diretor de Resumen Latinoamericano e integrante de \u00abResistir y Luchar\u00bb Alba Movimentos<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.resumenlatinoamericano.org\/2020\/01\/15\/chile-llamamiento-urgente-a-la-solidaridad-internacionalista-con-la-lucha-del-pueblo-chileno\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24705\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[87],"tags":[225],"class_list":["post-24705","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c100-chile","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6qt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24705","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24705"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24705\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}