{"id":24708,"date":"2020-01-16T23:13:42","date_gmt":"2020-01-17T02:13:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24708"},"modified":"2020-01-17T00:09:40","modified_gmt":"2020-01-17T03:09:40","slug":"i-curso-oswaldo-pacheco-novo-momento-na-formacao-de-quadros-sindicais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24708","title":{"rendered":"I Curso Oswaldo Pacheco: novo momento na forma\u00e7\u00e3o de quadros sindicais"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/H4ad1b-0Q7loJtQWhDJC0nMiy3gg7B-TXGjmWWSHbko8tJy_4YWp0aiEEtRVLiyJzY--Syfpg213SMSwoPVZgW3nptLSzzaqYDaXfY0i-cuUfg-KUSxu6c3RRkIHov6eD-bDAqiTw7w82o7idv0Q4PqwtrIQfdRUWUPvh9uWIc9MrARK57U_NcE7FpwhLFKl9ItVJnFHFz8U88TImVCuFUHhqVw0KWW7QQA5E0N8PVtSgoT5uE8MOd18yC10u6LqfLO3WL1RYqevgrhBoG4_y4-98oz8xGQulWOWO78ptgx7eRZJhyhz4WWv4LqdU0VDAvfmQuYkUrrK2mBHsyS-YDYhyfBTE92MPiSpnJ4Figt-QLyT6vDY8JZCPtLxT4Zfxvn1NANdAIcSR5qzo-48aAtZb4mQKNtjwZyQGwie5ENNbbQZCPDVjcaZDTqLqSUMY_tmQV48pTXb7eBC_oxg_HopX74AZBavCxxG5ghoMU3VY0ZpzEmDiDZjIZ1wDAEMNC90ogBzpbsOf4M7-fQ7baegr_05BZAlMbD2RyCx9AI5zyPx_qnLXH6YiSNxRwuH02VqS-g7rzRQh1kns8OWQew7P4ITAiI4Dh3nnR8kehJSr5xiCDpnusgXUt1VRzQFijNtKHXlnAlbmRq7hEXD6C3l3PcoE7QzX44ABUlSAUxPFHgefs_9IcA=w1149-h696-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Vinte e nove trabalhadores, vindos de quatro regi\u00f5es diferentes do Brasil, participaram entre os dias 6 e 11 de janeiro do I Curso Nacional de Forma\u00e7\u00e3o de Quadros Sindicais do Instituto Oswaldo Pacheco (IOP). Al\u00e9m da diversidade geogr\u00e1fica, a turma tamb\u00e9m contou com a presen\u00e7a de militantes sindicais das mais variadas categorias profissionais: psic\u00f3logos, m\u00e9dicos, professores, trabalhadores dos correios, servidores t\u00e9cnico-administrativos, petroleiros, banc\u00e1rios, engenheiros, entre outros. A atividade aconteceu na sede campestre da Associa\u00e7\u00e3o de Aposentados e Anistiados da Petrobras no Estado do Rio de Janeiro (ASTAPE-RJ), localizada no munic\u00edpio do Mag\u00e9.<\/p>\n<p>A metodologia do curso se pautou pela exist\u00eancia de momentos de trabalho coletivo, aulas expositivas, debates, conviv\u00eancia e troca de experi\u00eancias. Os participantes se dividiram em cinco brigadas que, ao longo da semana, se alternaram para cumprir as tarefas antes e depois das aulas, ficando respons\u00e1veis por contribuir com o preparo da alimenta\u00e7\u00e3o, a limpeza do espa\u00e7o, a disciplina e a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na segunda-feira pela manh\u00e3, a Coordena\u00e7\u00e3o Pol\u00edtico Pedag\u00f3gica, representada na ocasi\u00e3o por Laura Beraldo, Genobre Lima e Caio Andrade, abriu os trabalhos, reafirmando a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical na atual conjuntura. O Coordenador Pol\u00edtico da Unidade Classista, C\u00e1ssio Canhoto, apresentou a biografia de Oswaldo Pacheco e frisou a rela\u00e7\u00e3o entre o curso de forma\u00e7\u00e3o, a linha pol\u00edtica e a concep\u00e7\u00e3o sindical da corrente.<\/p>\n<p>O Secret\u00e1rio Nacional de Forma\u00e7\u00e3o da Unidade Classista, Caio Andrade, destacou que a realiza\u00e7\u00e3o do I Curso Nacional Oswaldo Pacheco \u00e9 um acontecimento hist\u00f3rico, pois abre caminho para que atual gera\u00e7\u00e3o de militantes sindicais classistas esteja cada vez mais preparada para contribuir no processo de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&#8220;A forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical, por si s\u00f3, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de superar os grandes desafios colocados para o movimento dos trabalhadores. Contudo, estamos convencidos de que, sem a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 imposs\u00edvel aprender com os erros do \u00faltimo per\u00edodo e criar as condi\u00e7\u00f5es para um novo ciclo de lutas. Talvez nem todos tenham se dado conta, mas cada integrante da primeira turma de forma\u00e7\u00e3o de quadros sindicais do IOP, reunida na Baixada Fluminense, est\u00e1 fazendo hist\u00f3ria. Temos certeza que neste curso e nos pr\u00f3ximos que vir\u00e3o est\u00e3o homens e mulheres que contribuir\u00e3o decisivamente para a constru\u00e7\u00e3o de um novo momento da luta de classes neste pa\u00eds&#8221;, afirmou Caio Andrade.<\/p>\n<p>O curso contou com a interven\u00e7\u00e3o qualificada de diversos formadores*. Ainda no primeiro dia, na parte da tarde, Filipe Boechat conduziu o primeiro m\u00f3dulo de no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de economia pol\u00edtica, apresentando conceitos b\u00e1sicos como trabalho, valor e mais-valor; na ter\u00e7a-feira pela manh\u00e3, Edmilson Costa ministrou o segundo m\u00f3dulo de no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de economia pol\u00edtica, desenvolvendo uma an\u00e1lise sobre os processos de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital, o imperialismo e as crises do capitalismo; na parte da tarde, Virginia Fontes debateu a forma\u00e7\u00e3o social brasileira com os participantes; tamb\u00e9m na ter\u00e7a-feira, no per\u00edodo da noite, a turma assistiu o document\u00e1rio Vidas Entregues** e, na sequ\u00eancia, conversou com Renato Prata Biar, diretor do curta-metragem que trata da realidade dos entregadores de aplicativos de comida que trabalham de bicicleta; na quarta-feira, Muniz Ferreira fez uma s\u00edntese da trajet\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio e sindical no Brasil, seguido por Taisa Falc\u00e3o e Marta Bar\u00e7ante, que debateram o movimento dos trabalhadores e as lutas contra o machismo e o racismo; na quinta-feira, Eduardo Serra apresentou um painel sobre concep\u00e7\u00f5es sindicais; na sequ\u00eancia, Ricardo Costa tra\u00e7ou um quadro sobre as contribui\u00e7\u00f5es de Lenin para a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora; na sexta-feira, Hamilton Moreira discutiu a organiza\u00e7\u00e3o das lutas no local de trabalho; em seguida, Hiran Roedel fez uma exposi\u00e7\u00e3o sobre comunica\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, \u00faltimo dia do curso, os presentes realizaram o balan\u00e7o das atividades. A turma apontou algumas insufici\u00eancias na infraestrutura e na metodologia do curso, trazendo propostas importantes que certamente contribuir\u00e3o para aperfei\u00e7oar a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, muitas avalia\u00e7\u00f5es positivas saudaram o trabalho dos organizadores e confirmaram a import\u00e2ncia de consolidar o Curso Oswaldo Pacheco, que j\u00e1 se coloca como a principal atividade nacional de forma\u00e7\u00e3o sindical ligada \u00e0 Unidade Classista desde a sua funda\u00e7\u00e3o, em novembro de 2012. Mais do que isso, o que ocorreu em Mag\u00e9 entre os dias 6 e 11 de janeiro foi uma experi\u00eancia marcante nas vidas de camaradas que passaram seis dias imersos em um exerc\u00edcio concreto de constru\u00e7\u00e3o coletiva, com erros e acertos, do novo homem e da nova mulher para a sociedade socialista.<\/p>\n<p>INSTITUTO OSWALDO PACHECO<\/p>\n<p>* Os depoimentos dos membros da equipe de formadores do I Curso Nacional Oswaldo Pacheco se encontram dispon\u00edveis no canal do IOP no YouTube: https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCryJdhyZt2MIkoVbcoctoIw<\/p>\n<p>** O document\u00e1rio est\u00e1 dispon\u00edvel no link: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cT5iAJZ853c<\/p>\n<p>QUEM FOI OSWALDO PACHECO DA SILVA<\/p>\n<p>Oswaldo Pacheco nasceu em 4 de setembro de 1918, em Malhada dos Bois, SE, foi um dos 18 filhos de Jos\u00e9 Pacheco da Silva e Eud\u00f3xia Pacheco da Silva, camponeses pobres do sert\u00e3o sergipano e ao longo de sua trajet\u00f3ria tornou-se um dos maiores l\u00edderes sindicais e pol\u00edticos da hist\u00f3ria do Brasil. Iniciou sua vida pol\u00edtica em 1935, como estivador do Porto de Santos (SP), tomando parte nas campanhas contra o fascismo. Ap\u00f3s a vit\u00f3ria do franquismo na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), integrou o movimento deflagrado pelos estivadores de Santos, que se recusaram a descarregar os navios espanh\u00f3is. Tornando-se l\u00edder de seus companheiros de profiss\u00e3o, em 1945 tornou-se presidente do sindicato de sua categoria, cargo que exerceria at\u00e9 1947.<\/p>\n<p>Em 1945, levado por Ant\u00f4nio Bernardino dos Santos, conhecido como Salim, filiou-se ao PCB, e elegeu-se, em dezembro do mesmo ano, deputado \u00e0 Assembleia Nacional Constituinte, assumindo seu mandato em fevereiro de 1946. Foi Vice-L\u00edder do PCB na Assembleia e um dos mais combativos e atuantes Constituintes na defesa dos interesses da classe trabalhadora, participou ativamente das v\u00e1rias fases do processo de elabora\u00e7\u00e3o constitucional, utilizando-se da palavra frequentemente, para apoiar reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e denunciar viol\u00eancias e arbitrariedades contra os mesmos.<\/p>\n<p>Assim, logo no in\u00edcio dos trabalhos constituintes, ocupou a tribuna para proferir diversos discursos, entre eles, solicitou \u201cvoto de pesar\u201d por todas as v\u00edtimas da rea\u00e7\u00e3o e do fascismo, onde enumerou longamente os nomes de v\u00e1rios militantes comunistas e lideran\u00e7as populares que foram assassinados ou v\u00edtimas de torturas durante a vig\u00eancia de regimes ditatoriais no Brasil e em outros pa\u00edses e lendo telegramas de diversas categorias de trabalhadores brasileiros denunciou viola\u00e7\u00f5es de seus direitos individuais e coletivos, de organiza\u00e7\u00e3o e de protesto por parte da Pol\u00edcia Pol\u00edtica. Ainda nessa fase inicial do funcionamento da Constituinte, destacou-se por ter sido o primeiro signat\u00e1rio da maior parte das emendas apresentadas pela bancada do PCB ao Regimento Interno e tamb\u00e9m ocupou a tribuna para:<\/p>\n<p>\u2022 Denunciar a prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia Social legada pelo Estado Novo.<br \/>\n\u2022 Solicitar a \u201cnomea\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o para dar sugest\u00f5es \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da casa popular\u201d.<br \/>\n\u2022 Contestar longa e veementemente, em nome dos trabalhadores do Porto de Santos, as declara\u00e7\u00f5es do Ministro do Trabalho, Negr\u00e3o de Lima (PTB), que pretendia adotar duras medidas punitivas contra os estivadores santistas que se recusavam a descarregar navios espanh\u00f3is representantes da ditadura de Franco.<br \/>\n\u2022 Emitir o parecer geral da bancada comunista ao T\u00edtulo VIII \u201cDos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos\u201d.<br \/>\n\u2022 Denunciar v\u00e1rias modalidades de viol\u00eancias e arbitrariedades (espancamentos, pris\u00f5es, torturas, demiss\u00f5es, proibi\u00e7\u00e3o de com\u00edcios e manifesta\u00e7\u00f5es, espionagem de assembleias sindicais, interdi\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o de sedes de partidos e sindicatos por policiais, proibi\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de jornais e panfletos etc.) perpetradas pela pol\u00edcia contra o movimento grevista e popular.<\/p>\n<p>Manifestou-se favor\u00e1vel \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores na gest\u00e3o dos Institutos de Aposentadorias e de Pens\u00f5es, \u00e0 unicidade sindical, \u00e0 concess\u00e3o do direito de greve aos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es diretas para prefeito em todos os munic\u00edpios brasileiros. Apresentou tamb\u00e9m diversas emendas ao Projeto Constituinte, para: obrigar a Uni\u00e3o a \u201csocorrer as fam\u00edlias de prole numerosa\u201d que n\u00e3o tivessem condi\u00e7\u00f5es materiais de sustento, condicionar a interven\u00e7\u00e3o nos Estados \u00e0 pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados, assegurar a gratuidade das Justi\u00e7as criminal, trabalhista e eleitoral, isentar do pagamento do imposto de consumo os artigos que a lei classificasse como m\u00ednimo indispens\u00e1vel \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, alimenta\u00e7\u00e3o e tratamento m\u00e9dico da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda (rejeitada), condicionar a abertura de cr\u00e9dito extraordin\u00e1rio \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o expressa do Congresso Nacional, estipular que \u201ca associa\u00e7\u00e3o profissional ou sindical \u00e9 livre\u201d e equiparar os extranumer\u00e1rios com mais de dois anos de servi\u00e7o aos demais funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, apresentou destaque (rejeitado), tornando est\u00e1veis os funcion\u00e1rios p\u00fablicos n\u00e3o concursados depois de dois anos no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o. Com a promulga\u00e7\u00e3o da nova Constitui\u00e7\u00e3o em 18 de setembro de 1946, passou a exercer mandato ordin\u00e1rio. Ap\u00f3s a suspens\u00e3o em in\u00edcio de 1947 do registro do PCB pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), transferiu-se para a cidade de S\u00e3o Paulo, passando a atuar na comiss\u00e3o do partido naquele estado. Em janeiro do ano seguinte, juntamente com os demais parlamentares comunistas, teve seu mandato cassado pela mesa da C\u00e2mara. Em mar\u00e7o de 1948, com outros ex-deputados comunistas, assinou um manifesto contra as amea\u00e7as de interven\u00e7\u00e3o federal em S\u00e3o Paulo, ent\u00e3o governado por Ademar de Barros. Essa atitude lhe valeu um processo no qual foi enquadrado como subversivo. Em 1949 passou a atuar na cidade de Campos (RJ).<\/p>\n<p>Transferindo-se para o Nordeste em 1953, organizou em Pernambuco o comit\u00ea estadual do PCB, passando a militar, no ano seguinte, na Bahia, de onde voltou em 1957 para Santos, retomando seu trabalho na estiva. Em agosto de 1958 representou os ferrovi\u00e1rios, os mar\u00edtimos e os portu\u00e1rios no III Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores, onde defendeu, ao lado de outros l\u00edderes comunistas, a forma\u00e7\u00e3o de uma central sindical nacional. Eleito em 1960 presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Estivadores, mudou-se para o Rio de Janeiro, ent\u00e3o Distrito Federal, sede da entidade. Em maio de 1961, durante uma reuni\u00e3o de representantes de 45 sindicatos filiados \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Portu\u00e1rios, \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Mar\u00edtimos e \u00e0 Uni\u00e3o dos Portu\u00e1rios do Brasil, os ferrovi\u00e1rios, mar\u00edtimos e portu\u00e1rios criaram o Pacto de Unidade e A\u00e7\u00e3o (PUA) e tornou-se um dos principais dirigentes da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Engajou-se depois na luta pela concretiza\u00e7\u00e3o do programa de reformas de base proposto pelo presidente Jo\u00e3o Goulart (1961-1964), empossado na chefia do governo no dia 7 de setembro de 1961, ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros em agosto desse ano e a instaura\u00e7\u00e3o do regime parlamentarista pela Emenda Constitucional n\u00ba 4, de 2 de setembro. Com a ren\u00fancia do primeiro-ministro Tancredo Neves em junho de 1962 e a aprova\u00e7\u00e3o do nome do senador Auro de Moura Andrade para substitu\u00ed-lo, as lideran\u00e7as do PUA, juntamente com as dire\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias entidades sindicais, amea\u00e7aram deflagrar uma greve geral e formaram o Comando Geral de Greve (CGG). No dia 5 de julho seguinte, a despeito da ren\u00fancia de Moura Andrade, o CGG decretou uma greve geral de 24 horas. Finalmente o Congresso aceitou a indica\u00e7\u00e3o do pol\u00edtico ga\u00facho Francisco Brochado da Rocha.<\/p>\n<p>Em agosto desse mesmo ano, o IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores, realizado em S\u00e3o Paulo, decidiu transformar o CGG em Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Organizado para dirigir as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais dos trabalhadores do pa\u00eds, o CGT tamb\u00e9m n\u00e3o foi reconhecido pelo Minist\u00e9rio do Trabalho. Eleito secret\u00e1rio-geral dessa organiza\u00e7\u00e3o, Osvaldo Pacheco participou, ainda em agosto de 1962, da campanha em favor da antecipa\u00e7\u00e3o do plebiscito que decidiria sobre a manuten\u00e7\u00e3o do sistema parlamentarista de governo implantado em setembro de 1961 ou o retorno ao sistema presidencialista. Diante da recusa do Congresso em aprovar a antecipa\u00e7\u00e3o, o CGT deflagrou uma greve geral, recebendo, nessa oportunidade, apoio de alguns setores militares. Diante da press\u00e3o trabalhista e militar, o Congresso cedeu e convocou o plebiscito para o dia 6 de janeiro de 1963. Realizada a consulta, o povo preferiu o retorno do pa\u00eds ao presidencialismo. Em maio de 1963, quando o CGT elegeu seus novos dirigentes, Osvaldo Pacheco tornou-se primeiro secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>O apoio do CGT ao governo Goulart, ainda que associado a press\u00f5es no sentido da acelera\u00e7\u00e3o do ritmo de implanta\u00e7\u00e3o das reformas de base, despertou o temor dos setores empresariais e militares conservadores em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento da influ\u00eancia dos trabalhadores sobre o governo. Em fevereiro de 1964, Osvaldo Pacheco foi um dos signat\u00e1rios do Manifesto dos trabalhadores, convocando o povo em geral para um com\u00edcio a ser realizado no dia 13 do m\u00eas seguinte, no Rio de Janeiro, em favor da implanta\u00e7\u00e3o das reformas de base, das liberdades democr\u00e1ticas e sindicais e da extens\u00e3o do direito de voto aos analfabetos e soldados. Esse ato, de cuja organiza\u00e7\u00e3o Oswaldo Pacheco participou, foi realizado no dia marcado na pra\u00e7a Cristiano Otoni, em frente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro Central do Brasil. Conhecido como o Com\u00edcio da Central, reuniu grande p\u00fablico, foi presidido pelo pr\u00f3prio presidente Jo\u00e3o Goulart e contou, entre os oradores, com l\u00edderes pol\u00edticos, sindicais e estudantis. Dias depois, setores contr\u00e1rios a linha pol\u00edtica expressa na Central, deflagraram o golpe empresarial-militar de 31 de mar\u00e7o de 1964, que dep\u00f4s o chefe do governo.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia do golpe, Osvaldo Pacheco foi preso e teve os seus direitos pol\u00edticos suspensos pelo Ato Institucional n\u00ba 1, editado em 9 de abril seguinte pela junta militar que assumiu o poder. Posto em liberdade, exilou-se na embaixada do M\u00e9xico, pa\u00eds para onde viajou em seguida. Ainda em 1964 visitou a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a Tchecoslov\u00e1quia, a Iugosl\u00e1via, a Bulg\u00e1ria, o Chile e o Uruguai. Regressou clandestinamente ao Brasil em 1967, entrando no pa\u00eds atrav\u00e9s das fronteiras do Sul e usando o nome de Ernesto Pereira Morais, esteve em Porto Alegre, de onde foi para S\u00e3o Paulo em 1971, tornando-se, de 1973 a 1974, respons\u00e1vel pelo trabalho do PCB junto aos sindicatos paulistas.<\/p>\n<p>Julgado em 1972 \u00e0 revelia pela 1\u00aa Auditoria de Guerra em S\u00e3o Paulo, foi condenado a quatro anos de pris\u00e3o. Preso na capital paulista em abril de 1975, foi indiciado pela Justi\u00e7a no Inqu\u00e9rito Policial-Militar (IPM) que apurava as atividades do PCB e a exist\u00eancia de gr\u00e1ficas clandestinas. Na ocasi\u00e3o foi classificado como profissional do partido. Em novembro desse mesmo ano, foi condenado pela 2\u00aa Auditoria de Guerra em S\u00e3o Paulo a tr\u00eas anos e meio de reclus\u00e3o, acusado de, na condi\u00e7\u00e3o de membro do comit\u00ea central do partido, usar falsa identidade e desenvolver atividades contr\u00e1rias \u00e0 Lei de Seguran\u00e7a Nacional. Em dezembro de 1978 foi posto em liberdade condicional, sendo anistiado em agosto de 1979 pelo governo do presidente Jo\u00e3o Batista Figueiredo. Foi ainda, durante seus \u00faltimos anos de milit\u00e2ncia sindical, fundador da Uni\u00e3o dos Sindicatos de Santos e membro do conselho administrativo da Cooperativa dos Trabalhadores Sindicalizados da mesma cidade. Participou ainda do Movimento em Defesa do PCB em 1992, lutou contra os liquidacionistas e faleceu em setembro de 1993.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24708\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,31],"tags":[219],"class_list":["post-24708","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c31-unidade-classista","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6qw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24708"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24708\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}