{"id":24723,"date":"2020-01-19T21:33:44","date_gmt":"2020-01-20T00:33:44","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24723"},"modified":"2020-01-19T21:34:13","modified_gmt":"2020-01-20T00:34:13","slug":"o-imperio-e-o-poder-da-midia-causos-e-reflexoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24723","title":{"rendered":"O Imp\u00e9rio e o poder da m\u00eddia: \u201ccausos\u201d e reflex\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pimentalab.milharal.org\/files\/2015\/03\/monopolio-midia-300x176.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Luis Rodrigo (\u201cAzar\u201d) &#8211; UJC\/SP<\/p>\n<p>O bot\u00e3o vermelho no gabinete de Trump<\/p>\n<p>Recentemente os Estados Unidos assassinaram um l\u00edder militar iraniano; um epis\u00f3dio altamente noticiado, e que portanto tem sido muito comentado em diversos c\u00edrculos. Voc\u00ea mesmo j\u00e1 deve ter conversado com algu\u00e9m ou ao menos ouvido coment\u00e1rios sobre o assunto. Agora quero que voc\u00ea reflita sobre as seguintes perguntas: o general iraniano era um terrorista? O Ir\u00e3 enquanto pa\u00eds, afinal, \u00e9 terrorista? Sendo assim, o ataque ordenado por Trump foi um \u201cato justo de guerra\u201d? Tome nota: o parlamento iraniano recentemente declarou as for\u00e7as armadas estadunidenses como uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista. Eles est\u00e3o errados? E o mais importante: de quem \u00e9 que n\u00f3s, brasileiros, dever\u00edamos sentir mais medo: do Ir\u00e3 ou dos EUA?<\/p>\n<p>Aqui eu quero observar que o \u201csenso comum\u201d, a opini\u00e3o m\u00e9dia das pessoas sobre as coisas, se presta a um papel important\u00edssimo; um papel pol\u00edtico, diga-se. Muitos acreditam que o senso comum \u00e9 neutro, que n\u00e3o \u00e9 determinado por interesses maiores, vindos de cima; que de alguma forma esse senso comum expressa o pensamento genu\u00edno e aut\u00eantico do povo&#8230; bem, o que a ci\u00eancia social nos tem demonstrado j\u00e1 h\u00e1 muitas d\u00e9cadas \u00e9 o contr\u00e1rio, mas neste texto procurarei mostrar com exemplos simples, da observa\u00e7\u00e3o cotidiana, que n\u00e3o \u00e9 nada dif\u00edcil p\u00f4r em xeque essa no\u00e7\u00e3o. Procurarei, assim, levantar algumas reflex\u00f5es sobre o cuidado que todos n\u00f3s devemos ter ao formar o nosso julgamento sobre alguns assuntos.<\/p>\n<p>Quero come\u00e7ar narrando alguns \u201ccausos\u201d, que acho que podem ter grande valor ilustrativo e de alguma forma servir a uma posterior an\u00e1lise, mais cient\u00edfica, do assunto.<\/p>\n<p>William Bonner, a forca e as armas qu\u00edmicas<\/p>\n<p>O primeiro deles se passa na zona rural nordestina. Minha m\u00e3e nasceu num povoado no interior do Maranh\u00e3o, que n\u00e3o cabe nomear aqui, mas quero ressaltar sobre ele algumas coisas. Quando eu era muito novo, nos primeiros dos anos 2000, l\u00e1 n\u00e3o havia luz el\u00e9trica; nas minhas viagens de f\u00e9rias em visita a meus av\u00f3s, eu, cria da cidade, conheci a tecnologia do lampi\u00e3o a querosene. Rede de esgoto, ent\u00e3o, nem se fala: era o tempo da fossa. Pois bem, agora voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 um pouco situado na realidade sobre a qual se desenrola o nosso primeiro \u201ccauso\u201d. O fato \u00e9 que em 2006 j\u00e1 havia eletricidade e, portanto, televis\u00e3o e Rede Globo. Dessa \u00e9poca eu me recordo da ocasi\u00e3o em que o telejornal noticiava o enforcamento de um homem no outro lado do mundo. O homem era mau, e as pessoas em frente \u00e0 tev\u00ea se regozijavam com aquela not\u00edcia; algumas quase vibravam, porque de alguma forma a not\u00edcia era muito boa.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea j\u00e1 saiba que o homem de quem falo era Saddam Hussein. As pessoas do outro lado do televisor eram em sua maioria trabalhadores rurais, que sobreviviam ou do pr\u00f3prio pequeno peda\u00e7o de terra, ou de di\u00e1rias que recebiam trabalhando na lavoura dos que tinham uma terra maior. \u00c9 claro que a vida dessas pessoas era perfeitamente a mesma com ou sem a execu\u00e7\u00e3o de Saddam. Mas, de alguma forma, eles foram levados a crer que aquilo era algo bom; deviam at\u00e9 saber que o impacto nas suas vidas seria nulo, mas a sensa\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a era tamanha que havia neles a dita satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas qual seria a origem dessa percep\u00e7\u00e3o? Seria a grande e inabal\u00e1vel eloqu\u00eancia da Verdade, transmitida em toda a sua pureza pelos telejornais e programas de r\u00e1dio da \u00e9poca?<\/p>\n<p>Bem, os fatos apontam que n\u00e3o. Basta lembrar que a execu\u00e7\u00e3o de Saddam era simplesmente a cereja do bolo de uma guerra inventada pelos EUA, a qual deixou, segundo as estimativas mais conservadoras, dezenas de milhares de civis iraquianos mortos. Alguns estimam centenas de milhares. Do outro lado, cerca de 4 mil soldados estadunidenses perderam a vida no conflito; por raz\u00f5es \u00f3bvias, nenhum civil. A justificativa? Saddam teria armas qu\u00edmicas, que, 17 anos depois da invas\u00e3o, jamais foram vistas. N\u00e3o resta d\u00favida hoje de que a motiva\u00e7\u00e3o dessa invas\u00e3o genocida, chamada \u201cguerra\u201d pelo discurso oficial, era controlar os po\u00e7os de petr\u00f3leo daquele pa\u00eds. [1]<\/p>\n<p>Mas a vers\u00e3o dos Estados Unidos era de que era preciso levar \u201cdemocracia e liberdade\u201d ao Iraque, o que supostamente foi alcan\u00e7ado com sucesso pela invas\u00e3o, cujo \u00e1pice simb\u00f3lico foi o enforcamento de Saddam. E note que essa vers\u00e3o, n\u00e3o percebida enquanto vers\u00e3o, mas como verdade nua e simples, era a \u00fanica presente (e onipresente) entre aquelas pessoas simples da ro\u00e7a maranhense, que formavam sua opini\u00e3o assistindo ao Jornal Nacional, supostamente neutro, ou acompanhando programas de r\u00e1dio igualmente \u201cisentos\u201d, etc. O que fica claro \u00e0 luz dos fatos \u00e9 que essa vers\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 neutra como \u00e9, em verdade, uma grande mentira que justificou uma ocupa\u00e7\u00e3o genocida. E \u00e9 completamente estarrecedor que pessoas t\u00e3o humildes, num local um tanto remoto, totalmente alheio ao conflito, s\u00e3o \u201cnaturalmente\u201d levadas a essa \u00fanica vers\u00e3o. E tome aspas: n\u00e3o h\u00e1 nada de natural nisso; \u00e9 preciso questionar e compreender o sistema midi\u00e1tico que produz e reproduz esse tipo de certeza.<\/p>\n<p>\u201cBem, mas Saddam n\u00e3o era um ditador?\u201d Aguardemos: mais adiante outra reflex\u00e3o nos levar\u00e1 a um ponto similar. Por ora basta dizer que, para o povo iraquiano, o assassinato do pol\u00edtico n\u00e3o era motivo de comemora\u00e7\u00e3o: ainda estava longe de acabar a viol\u00eancia brutal daquela ocupa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 teria fim em 2011.<\/p>\n<p>Duas rosas, duas torres<\/p>\n<p>Proponho ao leitor mais uma pergunta: qual foi o maior atentado terrorista da hist\u00f3ria? Pense r\u00e1pido! Guarde sua resposta. Fa\u00e7a melhor: pergunte \u00e0s pessoas ao seu redor. Pergunte na rua, no bar, no seu trabalho. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever o resultado desse experimento social: \u201co maior atentado terrorista da hist\u00f3ria foi o ataque \u00e0s Torres G\u00eameas em 2001\u201d. Eu perguntei ao Google e confirmei: segundo todas as fontes, \u00e9 isso mesmo.<\/p>\n<p>Agora eu vou lhe contar um epis\u00f3dio hist\u00f3rico que talvez voc\u00ea n\u00e3o conhe\u00e7a. H\u00e1 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, os Estados Unidos atacaram uma cidade japonesa. Lan\u00e7aram s\u00f3 uma bomba. Imediatamente mais de cem mil pessoas estavam mortas. Em segundos, a cidade deixou de existir. N\u00e3o satisfeitos, os estadunidenses repetiram a receita em outra cidade japonesa, tr\u00eas dias depois. Sim, eu fui ir\u00f4nico; voc\u00ea sabe do que eu estou falando. Quando eu perguntei do maior atentado terrorista da hist\u00f3ria, esses dois ataques nucleares ao menos passaram pela sua cabe\u00e7a?<\/p>\n<p>Imagine o que \u00e9 matar mais de 100 mil pessoas em um estalar de dedos. Riscar do mapa uma cidade. Repetir a dose tr\u00eas dias depois. Agora imagine viver numa cidade japonesa nesse meio tempo, sabendo o que tinha acontecido em Hiroshima e sabendo que poderia se repetir, a qualquer momento, em qualquer cidade. \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do terror?<\/p>\n<p>\u00c9 quase certo que jamais em toda a hist\u00f3ria da esp\u00e9cie humana uma quantidade t\u00e3o grande de pessoas tenha sido levada \u00e0 morte num intervalo t\u00e3o curto de espa\u00e7o e de tempo. Isso para n\u00e3o falar dos que morreram soterrados nos escombros, dos que n\u00e3o sobreviveram aos ferimentos por se encontrarem sem socorro ap\u00f3s o ataque, dos que morreram de c\u00e2ncer por conta da radia\u00e7\u00e3o, dos que nasceram com muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas\u2026<\/p>\n<p>O maior atentado terrorista da hist\u00f3ria da humanidade, sem a menor sombra de d\u00favidas, foi o massacre nuclear de Hiroshima. O segundo maior, o de Nagasaki. Isso \u00e9 um fato.<\/p>\n<p>Para fins de compara\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de v\u00edtimas fatais no caso das Torres G\u00eameas gira em torno de 4 mil. Hiroshima e Nagasaki, combinadas, somam um n\u00famero que varia, conforme a estimativa, entre 100 mil e quase 300 mil mortos. De qual desses epis\u00f3dios voc\u00ea sabe inclusive a data?<\/p>\n<p>A coisa s\u00f3 piora quando se levam em conta as motiva\u00e7\u00f5es do ataque. P\u00f4r fim \u00e0 guerra, diziam. S\u00f3 que a guerra j\u00e1 estava vencida. Mussolini e Hitler, mortos. De fato o conflito na Europa tivera fim, e \u00e9 evidente que a situa\u00e7\u00e3o no Pac\u00edfico j\u00e1 estava desequilibrada a favor dos Estados Unidos. N\u00e3o havia resqu\u00edcio de chance de vit\u00f3ria para o Jap\u00e3o contra a coaliz\u00e3o de todas as chamadas pot\u00eancias aliadas.<\/p>\n<p>Assim mesmo, dir\u00e3o, os japoneses se recusavam \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o. Pois bem\u2026 quer dizer que entre os mais estrelados estrategistas militares do Pent\u00e1gono n\u00e3o havia um sequer capaz de desenhar um movimento que for\u00e7asse a rendi\u00e7\u00e3o sem liquidar duas cidades inteiras?<\/p>\n<p>Aqui vai o segundo \u201ccauso\u201d, n\u00e3o um evento pontual, mas uma mem\u00f3ria mais ampla que trago, tamb\u00e9m, da inf\u00e2ncia. Eu estudei num col\u00e9gio privado de S\u00e3o Lu\u00eds, muito bem estruturado, inclusive caro. Lembro-me bem de algumas coisas que ouvia na \u00e9poca em que pela primeira vez vi professores falando em aula sobre o epis\u00f3dio das bombas at\u00f4micas. (\u00c9 muito bom poder se referir de forma t\u00e3o sucinta \u00e0queles ataques \u2013 afinal, nenhuma outra vez na Hist\u00f3ria se lan\u00e7ou armas at\u00f4micas contra seres humanos.) Eu devia ter 11 ou 12 anos. Era comum ouvir, n\u00e3o sei se diretamente dos professores ou entre os colegas que teriam ouvido de algu\u00e9m, que os bombardeios foram necess\u00e1rios para p\u00f4r fim \u00e0 guerra, e que muito mais pessoas poderiam ter morrido se esse \u201crecurso\u201d n\u00e3o tivesse sido usado para encerrar de vez os conflitos. Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 ouviu esse \u201cargumento\u201d em algum lugar. Ele \u00e9 tido como verdade absoluta. \u00c9 o que diz o senso comum sobre esse epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>\u201cAh, mas se n\u00e3o foi pra acabar com a guerra, por que fizeram isso? Pura maldade?\u201d Claro que n\u00e3o; isso seria uma leitura manique\u00edsta da hist\u00f3ria. O fato \u00e9 que aquele aniquilamento de gente foi muito importante para os Estados Unidos. Era preciso mostrar para o mundo quem ditava as regras do jogo na ordem mundial reorganizada ap\u00f3s a guerra. \u201cSabe a tal bomba nuclear que a gente tem? Pois \u00e9, ela funciona muito bem.\u201d Liquidar duas popula\u00e7\u00f5es inteiras era, do ponto de vista dos interesses do imp\u00e9rio, apenas um pequeno pre\u00e7o a se pagar. A ser pago, diga-se, pelos japoneses! \u00c9 esse o pa\u00eds que hoje se diz pol\u00edcia do mundo e anda distribuindo megatons de \u201cdemocracia\u201d no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Inclusive, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ouvir algu\u00e9m se referindo a Hiroshima e Nagasaki como palcos de uma \u201ctrag\u00e9dia\u201d, uma \u201ccat\u00e1strofe\u201d, ou qualquer coisa do tipo. Mas o que mostram os fatos \u00e9 que essas qualifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o completamente descabidas. N\u00e3o houve ali nenhuma trag\u00e9dia: o que houve foi um crime sem precedentes, um ataque genocida, um massacre, uma carnificina sanguin\u00e1ria e absolutamente terrorista; ponto final: n\u00e3o se pode brigar contra a realidade!<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 curioso que Harry Truman, mandante do ataque, n\u00e3o \u00e9 tido na cultura popular ocidental como um genocida. Entre os estadunidenses, certamente \u00e9 visto como um patriota, qui\u00e7\u00e1 um her\u00f3i. Para n\u00f3s, talvez mais um homem envolvido \u201cno neg\u00f3cio da guerra e seus tr\u00e1gicos desfechos\u201d; talvez n\u00e3o uma pessoa santa, mas com certeza n\u00e3o um genocida. Che Guevara, por outro lado, muitas vezes \u00e9 chamado de genocida. Qual dos dois fez riscar do mapa duas cidades inteiras? Qual dos dois tem mais mortes na conta? Em que pesem todas as mentiras inventadas em cima da mem\u00f3ria de Che, eu garanto que nem os c\u00e1lculos mais inescrupulosos chegariam perto de 300 mil. Mas nem uma m\u00edsera fra\u00e7\u00e3o disso! [2]<\/p>\n<p>No fim, quem foi enforcado no pr\u00f3prio pa\u00eds: Truman, que lan\u00e7ou armas nucleares contra centenas de milhares de civis, ou Hussein, que \u201ctinha\u201d armas qu\u00edmicas invis\u00edveis, inodoras e ins\u00edpidas?<\/p>\n<p>\u201cDireitos humanos\u201d e embargo<\/p>\n<p>J\u00e1 que tocamos no assunto cubano, \u00e9 emblem\u00e1tico tamb\u00e9m considerar o embargo econ\u00f4mico que o pa\u00eds tem sofrido por parte dos Estados Unidos. N\u00e3o \u00e9 preciso muita pesquisa para questionar as justificativas do embargo, o qual \u00e9 condenado pela ONU h\u00e1 mais de vinte anos. A \u00faltima resolu\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio ao bloqueio econ\u00f4mico foi aprovada em fins de 2019 pela assembleia geral das na\u00e7\u00f5es unidas por 187 votos favor\u00e1veis, com apenas duas absten\u00e7\u00f5es e tr\u00eas votos contr\u00e1rios. Os contr\u00e1rios s\u00e3o \u00f3bvios: EUA, Israel e Brasil. (Sim: sob a chancela de Ernesto Ara\u00fajo, passamos a integrar a nata global da rea\u00e7\u00e3o.) [3, 4]<\/p>\n<p>Isto significa que 187 pa\u00edses do mundo s\u00e3o diplomaticamente contr\u00e1rios ao embargo, e isso inclui Alemanha, Fran\u00e7a, Inglaterra, Canad\u00e1, Jap\u00e3o \u2013 quantos desses voc\u00ea acha que s\u00e3o comunistas?<\/p>\n<p>Agora, as motiva\u00e7\u00f5es do bloqueio seriam, genericamente, viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Pois bem. Sabe-se que um dos maiores aliados dos EUA no Oriente M\u00e9dio \u00e9, talvez atr\u00e1s somente de Israel, a Ar\u00e1bia Saudita. Esta monarquia teocr\u00e1tica \u00e9 uma das ditaduras mais sanguin\u00e1rias do mundo atualmente, e ningu\u00e9m discorda disso. A Ar\u00e1bia Saudita mata gays? Sim. A Ar\u00e1bia Saudita mata jornalistas? Sim. Na Ar\u00e1bia Saudita existe liberdade religiosa? N\u00e3o. A Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 uma democracia? De modo algum. A Ar\u00e1bia Saudita viola os direitos humanos? Hum\u2026 [5]<\/p>\n<p>E veja bem, essas perguntas n\u00e3o s\u00e3o nem um pouco pol\u00eamicas. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 pol\u00eamico que os EUA e a Ar\u00e1bia Saudita s\u00e3o importantes aliados econ\u00f4micos e militares. Cad\u00ea o bloqueio econ\u00f4mico \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita, Trump? Ser\u00e1 que tem mais persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Cuba que na Ar\u00e1bia Saudita? Ser\u00e1 que existe um compl\u00f4 marxista cultural entre todas as pot\u00eancias capitalistas do mundo, exceto os EUA, para condenar o bloqueio contra Cuba?<\/p>\n<p>Dando liga<\/p>\n<p>O que eu expus at\u00e9 aqui foi essencialmente uma maratona de fatos e factoides; \u00e9 bom dar uma pausa e refletir sobre o porqu\u00ea disso tudo.<\/p>\n<p>O meu objetivo \u00e9 lhe mostrar, em primeiro lugar, que o senso comum n\u00e3o \u00e9 neutro. A suposta neutralidade seria sustentada pela ideia de que o senso comum est\u00e1 em correspond\u00eancia direta e harmoniosa com a verdade. Mas, como se verifica facilmente, o senso comum nos dir\u00e1 que o maior atentado terrorista da hist\u00f3ria foi o do WTC; que os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki foram um \u201cdesfecho tr\u00e1gico da viol\u00eancia\u201d, necess\u00e1rio para p\u00f4r fim \u00e0 guerra; que a invas\u00e3o do Iraque era para levar liberdade \u00e0quele povo e, se n\u00e3o havia de fato armas qu\u00edmicas, pelo menos um ditador foi deposto; que o bloqueio econ\u00f4mico a Cuba \u00e9 apenas uma estrat\u00e9gia pac\u00edfica de combate a um regime ditatorial; que Che Guevara era um assassino, indiscutivelmente uma figura muito mais ingrata que a de Harry Truman; e por a\u00ed vai \u2013 apenas para ficar nos exemplos j\u00e1 discutidos.<\/p>\n<p>J\u00e1 deve estar claro, a esta altura, que todas essas concep\u00e7\u00f5es s\u00e3o falsas.<\/p>\n<p>Igualmente falsa \u00e9 a ideia geral, subjacente a todas aquelas, de que os Estados Unidos s\u00e3o guardi\u00f5es mundiais da liberdade e da democracia. Talvez haja certa parcela do senso comum que n\u00e3o chegue ao ponto de acreditar nisso; mas a vers\u00e3o que substitui a mais ing\u00eanua ser\u00e1 algo como: o mundo \u00e9 violento, existem guerras e os EUA v\u00eam levando a melhor, simples assim.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m \u00e9 falso. O que a realidade mostra \u00e9 que na verdade os EUA t\u00eam sistematicamente provocado guerras, incentivado massacres, promovido a viol\u00eancia e patrocinado golpes de Estado a n\u00edvel global, h\u00e1 pelo menos 70 anos, por motiva\u00e7\u00f5es estritas de domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica. E o discurso (completamente mentiroso) de que cada um desses epis\u00f3dios encontra raz\u00e3o na defesa dos direitos humanos ou algo do tipo \u00e9 necess\u00e1rio para que voc\u00ea, cidad\u00e3o comum, n\u00e3o veja os EUA como um estado terrorista, mas sim o Ir\u00e3, embora nem fa\u00e7a ideia do que se passa neste \u00faltimo pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 bom ratificar que o senso comum n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 neutro, como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 aleatoriamente pulverizado entre diferentes vers\u00f5es deturpadas da realidade. N\u00e3o: existe um padr\u00e3o muito claro e bem estruturado. Esse senso comum quase invariavelmente pende para um mesmo lado. No nosso caso, como estamos falando essencialmente de geopol\u00edtica, esse lado \u00e9 o lado dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Sempre.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, fique registrado que \u00e9 por isso que a esquerda radical n\u00e3o deixa de falar em imperialismo. Sem esse conceito seria imposs\u00edvel descrever o mundo em que n\u00f3s vivemos hoje. E \u00e9 um erro crasso o fato de certas esquerdas abandonarem essa no\u00e7\u00e3o nas suas an\u00e1lises, substituindo-a por no\u00e7\u00f5es esquisit\u00edssimas como \u201cordem multipolar\u201d etc. N\u00e3o h\u00e1 \u201cpoder global\u201d contra o poder do Imp\u00e9rio: vide a invas\u00e3o ao Iraque feita por cima do veto do conselho de seguran\u00e7a da ONU. [6]<\/p>\n<p>Mas como pode?<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, feitas todas essas pondera\u00e7\u00f5es, o passo seguinte \u00e9 compreender como uma mir\u00edade t\u00e3o grande de mentiras e falsifica\u00e7\u00f5es pode ter sido transformada sistematicamente em verdade absoluta, a ponto de uma pessoa num distante vilarejo brasileiro ter 100% de suas opini\u00f5es perfeitamente alinhadas com o discurso que melhor conv\u00e9m \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o global por um \u00fanico pa\u00eds. Essa vis\u00e3o deturpada da realidade, feita senso comum a servi\u00e7o da reprodu\u00e7\u00e3o do status quo, \u00e9 a ess\u00eancia do que os marxistas chamam tradicionalmente de ideologia. O conceito de ideologia \u00e9 estudado desde o pr\u00f3prio Marx, e muitos outros autores t\u00eam contribu\u00eddo \u00e0 compreens\u00e3o dos mecanismos pelos quais a ideologia se produz e se reproduz.<\/p>\n<p>Sendo assim, entender mais amplamente esses mecanismos demanda um aprofundamento na literatura que j\u00e1 existe sobre o assunto, mas procurarei passar aqui pelo menos uma ideia do que esses mecanismos s\u00e3o e, tamb\u00e9m, do que n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Para aquele lavrador nordestino ter a sua opini\u00e3o formada a favor dos Estados Unidos, ele passou a vida toda assistindo a telejornais, ouvindo notici\u00e1rios no r\u00e1dio, etc. Num caso um pouco mais contempor\u00e2neo, a internet teria desempenhado importante papel tamb\u00e9m. No fundo, isso n\u00e3o faz tanta diferen\u00e7a. O fato central \u00e9 que, na nossa sociedade, o poder midi\u00e1tico \u00e9 t\u00e3o concentrado quanto o poder econ\u00f4mico como um todo.<\/p>\n<p>Veja: ningu\u00e9m est\u00e1 alegando que Donald Trump se re\u00fane semanalmente na casa branca com os chefes editoriais de todos os grandes jornais do mundo. Isto certamente n\u00e3o acontece. Mas n\u00e3o precisa. H\u00e1 outros meios. Por exemplo, o mercado de not\u00edcias internacionais no mundo \u00e9 praticamente monopolizado por tr\u00eas ag\u00eancias: Associated Press, Reuters e France Press. Sobre esse assunto, escreveu muito bem o camarada Jones Manoel em seu texto sobre a Coreia do Norte. [7]<\/p>\n<p>Tornemos \u00e0 quest\u00e3o do Ir\u00e3. A grande m\u00eddia mancheteia o assassinato de um general iraniano. De fato isso ocorreu. Mas \u00e9 preciso examinar com um pouco mais de cuidado as not\u00edcias de G1, Estad\u00e3o, Folha etc. para n\u00e3o passar batida a informa\u00e7\u00e3o de que o militar se encontrava em um aeroporto comercial em Bagd\u00e1, e que com ele morreram pelo menos mais oito pessoas. Na mat\u00e9ria do G1 divulgada logo ap\u00f3s o ataque, nada se dizia sobre o perfil dessas pessoas; n\u00e3o deve ser surpreendente que houvesse, ali, civis. A fonte da not\u00edcia? Associated Press.<\/p>\n<p>Em suma, a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 concentrada porque o poder econ\u00f4mico \u00e9 concentrado. Poucas pessoas controlam as not\u00edcias que chegam a voc\u00ea atrav\u00e9s dos meios tradicionais, e todas elas s\u00e3o muito ricas, tendo portanto interesses comuns a pessoas muito ricas.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que os donos desses grandes jornais e canais de televis\u00e3o realmente controlam o que \u00e9 noticiado?<\/p>\n<p>Sim. Paulo Henrique Amorim, com d\u00e9cadas de experi\u00eancia no jornalismo dos oligop\u00f3lios, nos contou muito sobre isso antes de morrer. [8]<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, boa parte do poder de penetra\u00e7\u00e3o desses meios (grande m\u00eddia) tem a ver com o fato de as pessoas j\u00e1 os considerarem neutros. Mas s\u00f3 \u00e9 esse o caso porque eles, com toda a massividade e o alcance que t\u00eam \u2013 e t\u00eam por mera consequ\u00eancia do seu poder econ\u00f4mico \u2013, acabaram se tornando o pr\u00f3prio referencial de neutralidade. Sendo assim, \u00e9 considerado aceito numa discuss\u00e3o voc\u00ea apresentar como argumento uma manchete do G1 ou do Estad\u00e3o, mas experimente usar a Carta Capital \u2013 s\u00e3o de esquerda!<\/p>\n<p>Para ilustrar, um \u00faltimo exemplo. N\u00f3s temos visto, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas, a grande m\u00eddia brasileira noticiar que as taxas de desemprego est\u00e3o diminuindo. A manchete de sempre: \u201cdesemprego tem nova queda\u201d; entre os mais ousados se ler\u00e1 \u201cqueda t\u00edmida\u201d. Mas n\u00e3o basta ler a manchete para descobrir que a taxa de desemprego s\u00f3 diminui (a rid\u00edculos 0,2% ao m\u00eas) porque s\u00e3o considerados empregados os que est\u00e3o trabalhando sem carteira assinada no setor privado ou como \u201caut\u00f4nomos\u201d sem CNPJ. Ou seja, o que est\u00e1 aumentando \u00e9 o trabalho informal. Estes somam, hoje, 39 milh\u00f5es. Juntamente aos desempregados, batem os 51 milh\u00f5es. Esta soma n\u00e3o para de crescer desde Temer. A precariza\u00e7\u00e3o do trabalho no Brasil s\u00f3 aumenta, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas: trabalhar de carteira assinada j\u00e1 \u00e9 um luxo. Percebe que \u201cdesemprego tem nova queda\u201d n\u00e3o \u00e9 uma manchete t\u00e3o fiel?<\/p>\n<p>D\u00e1 pra pensar muito al\u00e9m do mercado de not\u00edcias propriamente dito. Cinema, escola, Igreja, a pr\u00f3pria fam\u00edlia\u2026 tudo entra no que chamamos de \u201caparelhos ideol\u00f3gicos\u201d, significando, em ess\u00eancia, que essas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m transmitem consistentemente ideias sempre enviesadas para a manuten\u00e7\u00e3o desse tal senso comum que, como voc\u00ea j\u00e1 sabe, cumpre um papel pol\u00edtico muito preciso. \u00c9 assistindo a filmes de Hollywood que todos n\u00f3s aprendemos que a derrota de Hitler foi um triunfo e um m\u00e9rito do ex\u00e9rcito estadunidense. Quantos filmes russos voc\u00ea j\u00e1 viu sobre a Segunda Guerra? Pois \u00e9&#8230;<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea acredite que, hoje, voc\u00ea tem um grande poder sobre essa circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, porque voc\u00ea tem um smartphone. Mas n\u00e3o se engane. A maior parte das not\u00edcias lidas no Brasil ainda v\u00eam de oligop\u00f3lios gestados nas m\u00eddias tradicionais, como Globo, Estad\u00e3o, Folha, R7 etc. As correntes de WhatsApp que voc\u00ea recebe s\u00e3o muitas vezes geradas por rob\u00f4s que trabalham para interesses muito espec\u00edficos e muito bem pagos. [9]<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o pretendo de forma alguma esgotar a quest\u00e3o com um coment\u00e1rio t\u00e3o breve, mas apenas indicar que, num mundo em que t\u00e3o poucos det\u00eam toda a riqueza, n\u00e3o chega a ser surpreendente que a sua opini\u00e3o sobre a maioria dos assuntos seja exatamente a que os donos do mundo querem que voc\u00ea tenha.<\/p>\n<p>Arremate<\/p>\n<p>\u201cE agora? O que eu fa\u00e7o com isso tudo?\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter clareza de que este texto \u00e9 apenas introdut\u00f3rio. Meu principal objetivo era fazer com que voc\u00ea, leitor, come\u00e7asse a se questionar sobre contradi\u00e7\u00f5es que talvez n\u00e3o tivesse percebido ainda. Numa conversa vulgar sobre a quest\u00e3o do Ir\u00e3, voc\u00ea talvez j\u00e1 seja inclinado, antes de se informar, a achar que esses \u201c\u00e1rabes\u201d s\u00e3o os terroristas e, portanto, o lado mau da hist\u00f3ria. (O Ir\u00e3 n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds \u00e1rabe!) Mas, para muitas pessoas no Oriente M\u00e9dio, os EUA \u00e9 que s\u00e3o os terroristas. Como n\u00f3s n\u00e3o convivemos diretamente com esse tipo de viol\u00eancia, nossa opini\u00e3o \u00e9 formada atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, notadamente os de massa, a grande m\u00eddia. Mas, como vimos, esses meios n\u00e3o s\u00e3o imparciais. E n\u00e3o o s\u00e3o por raz\u00f5es materiais, concretas, pela maneira como se inserem na sociedade os seus principais caciques, pelos interesses envolvidos, pela cadeia internacional de produ\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n<p>Sendo assim, um bom primeiro passo \u00e9 buscar se informar, tamb\u00e9m, atrav\u00e9s da m\u00eddia chamada alternativa. Muitas coisas que n\u00e3o s\u00e3o noticiadas na Globo e similares saem em p\u00e1ginas da internet que se mant\u00e9m atrav\u00e9s de financiamento coletivo ou de grupos que conseguem levantar fundos de maneira aut\u00f4noma. Muitos movimentos sociais e partidos pol\u00edticos tamb\u00e9m mant\u00e9m seus ve\u00edculos de m\u00eddia. Abaixo trarei uma lista de p\u00e1ginas que podem ser boa fonte de informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o se pode de forma alguma entender isso como uma solu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. [10-14] Libertar-se da vis\u00e3o dos fatos deturpada pela ideologia dominante \u00e9 um processo que, num certo sentido, n\u00e3o acaba nunca, mas precisa ser sustentado. Procure usar sempre de senso cr\u00edtico para pesar a origem das informa\u00e7\u00f5es, os interesses por tr\u00e1s de quem as veiculou, etc. (E abandonar de vez o mito da neutralidade da Rede Globo, ok?)<\/p>\n<p>Mas, para uma compreens\u00e3o mais aprofundada, que ter\u00e1 inclusive importante influ\u00eancia sobre a pr\u00f3pria postura no ato de se informar, \u00e9 importante ter contato com maiores reflex\u00f5es acerca da tem\u00e1tica da ideologia. Tamb\u00e9m indicarei mais material introdut\u00f3rio sobre o assunto. [15-17]<\/p>\n<p>Evidentemente, tamb\u00e9m procurei mostrar que os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o nem um pouco interessados na paz mundial, e s\u00f3 estar\u00e3o se esta se tornar mais lucrativa que a guerra. Refletir com rigor acerca de qual pode ser a sa\u00edda, de como se poderia construir uma ordem mundial em que deixem de imperar esses interesses que levam inexoravelmente \u00e0 viol\u00eancia, \u00e9 tamb\u00e9m imprescind\u00edvel para que se forme uma leitura honesta e coerente das rela\u00e7\u00f5es de poder no mundo. Sustentamos que a constru\u00e7\u00e3o dessa nova ordem passa necessariamente pela solidariedade internacional entre na\u00e7\u00f5es socialistas. Mas essa tem\u00e1tica j\u00e1 n\u00e3o cabe neste texto; sobre isso, e sobre imperialismo, deixarei tamb\u00e9m mais material para consulta. [18-20]<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o aos camaradas e amigos que revisaram criticamente as primeiras vers\u00f5es deste texto.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias externas<\/p>\n<p>[1] http:\/\/m.acervo.estadao.com.br\/noticias\/acervo,com-justificativa-falsa&#8211;iraque-era-invadido-ha-10-anos,8951,0.htm<\/p>\n<p>[2] https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2cFscxhhwxE<\/p>\n<p>[3] https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2019\/11\/1050891<\/p>\n<p>[4] https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2019\/11\/07\/brasil-muda-posicao-historica-e-vota-contra-resolucao-que-condena-embargo-a-cuba-na-onu.ghtml<\/p>\n<p>[5] https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/alta-comissaria-da-onu-para-os-direitos-humanos-condena-decapitacao-de-37-homens-pela-arabia-saudita-23619061<\/p>\n<p>[6] https:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/geral,invasao-do-iraque-sem-autorizacao-da-onu-foi-um-erro,484948<\/p>\n<p>[7] https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2019\/05\/29\/sim-eu-apoio-a-coreia-do-norte-notas-sobre-anticolonialismo-imperialismo-e-hegemonia\/<\/p>\n<p>[8] https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2TF1EYI-Tco<\/p>\n<p>[9] https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/ultimas-noticias\/2019\/09\/19\/fake-news-pro-bolsonaro-whatsapp-eleicoes-robos-disparo-em-massa.htm<\/p>\n<p>[10] https:\/\/revistaopera.com.br\/<\/p>\n<p>[11] https:\/\/operamundi.uol.com.br\/<\/p>\n<p>[12] https:\/\/theintercept.com\/brasil\/<\/p>\n<p>[13] https:\/\/mst.org.br\/<\/p>\n<p>[14] https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/<\/p>\n<p>[15] https:\/\/revistaopera.com.br\/2017\/09\/15\/linguagem-e-ideologia-como-os-jornais-mentem-sobre-a-economia-do-brasil\/<\/p>\n<p>[16] https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/8516\/violencia-e-ideologia\/<\/p>\n<p>[17] https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PO42EKGODCA<\/p>\n<p>[18] https:\/\/youtu.be\/rW9LaT4u7Y8<\/p>\n<p>[19] http:\/\/www.esquerdadiario.com.br\/O-que-e-Imperialismo-Algumas-reflexoes-sobre-sua-influencia-no-Brasil-hoje<\/p>\n<p>[20] https:\/\/portaldisparada.com.br\/politica-e-poder\/imperialismo-america-do-sul\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24723\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[219],"class_list":["post-24723","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6qL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24723"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24723\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}