{"id":2474,"date":"2012-02-29T21:08:25","date_gmt":"2012-02-29T21:08:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2474"},"modified":"2012-02-29T21:08:25","modified_gmt":"2012-02-29T21:08:25","slug":"em-um-mes-governo-atinge-74-da-meta-do-quadrimestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2474","title":{"rendered":"Em um m\u00eas, governo atinge 74% da meta do quadrimestre"},"content":{"rendered":"\n<p>O super\u00e1vit prim\u00e1rio do governo central (Tesouro Nacional, Previd\u00eancia Social e Banco Central) ficou em R$ 20,8 bilh\u00f5es em janeiro, o que corresponde a 74,3% da meta fixada para o primeiro quadrimestre deste ano. Foi o melhor resultado para um m\u00eas de janeiro de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica elaborada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).<\/p>\n<p>O dado negativo ficou por conta dos investimentos, que ca\u00edram 17,4% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano passado. Eles ficaram em R$ 6,5 bilh\u00f5es, contra R$ 7,9 bilh\u00f5es em janeiro de 2011. A partir deste ano, o governo passou a contabilizar os recursos gastos pelo Tesouro com o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) no total dos investimentos.<\/p>\n<p>Os investimentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) atingiram R$ 3,1 bilh\u00f5es no m\u00eas passado, com crescimento de 5,6% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro de 2011. Desse total, R$ 2,5 bilh\u00f5es se referem aos gastos do Tesouro com o MCMV.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio do Tesouro, Arno Augustin, admitiu que o ritmo dos investimento n\u00e3o\u00a0\u00e9 muito bom desde o ano passado. Ele espera, no entanto, uma melhoria nos pr\u00f3ximos meses, mas n\u00e3o quis prever quando acontecer\u00e1 essa retomada. &#8220;O investimento p\u00fablico vai ser um dos fatores que impulsionar\u00e3o o crescimento da economia deste ano&#8221;, afirmou. A expectativa de Augustin \u00e9 que o crescimento da economia seja intensificado ao longo deste ano.<\/p>\n<p>O resultado prim\u00e1rio do governo central no m\u00eas passado foi superior em R$ 6,6 bilh\u00f5es ao registrado em janeiro de 2011. O Tesouro Nacional contribuiu com um super\u00e1vit de R$ 23,8 bilh\u00f5es, enquanto a Previd\u00eancia Social registrou d\u00e9ficit de R$ 3 bilh\u00f5es e o Banco Central, d\u00e9ficit de R$ 11,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio do Tesouro disse que o super\u00e1vit de janeiro foi &#8220;muito positivo&#8221; e &#8220;reflete a inten\u00e7\u00e3o do governo de ter um novo mix de pol\u00edtica econ\u00f4mica&#8221;. Com esse novo mix, definido a partir de agosto do ano passado, a pol\u00edtica fiscal passou a dar uma contribui\u00e7\u00e3o maior ao Banco Central no controle da demanda agregada da economia. Assim, o governo acredita que ser\u00e1\u00a0poss\u00edvel abrir espa\u00e7o para que o BC reduza a taxa de juro b\u00e1sica da economia, a Selic.<\/p>\n<p>Augustin atribuiu o super\u00e1vit recorde de janeiro ao forte aumento das receitas e ao menor crescimento das despesas. &#8220;Tivemos uma boa receita em janeiro, com as despesas crescendo menos&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>As receitas totais do governo federal avan\u00e7aram de R$ 90,8 bilh\u00f5es, em janeiro de 2011, para R$ 102,4 bilh\u00f5es no m\u00eas passado, com um aumento nominal de 12,7%. O crescimento das receitas previdenci\u00e1rias foi ainda maior, de 14,5%.<\/p>\n<p>As despesas totais do governo central subiram de R$ 61,1 bilh\u00f5es em janeiro de 2011 para R$ 66 bilh\u00f5es no m\u00eas passado, com aumento nominal de 8%. As despesas com o pagamento de pessoal e encargos sociais subiram apenas 3,8%, na mesma compara\u00e7\u00e3o, ficando abaixo da varia\u00e7\u00e3o nominal do PIB.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, as despesas do governo com pessoal atingiram R$ 16,3 bilh\u00f5es, contra R$ 15,7 bilh\u00f5es em janeiro de 2011. Augustin disse que a inten\u00e7\u00e3o do governo \u00e9\u00a0que essa despesa cres\u00e7a menos que o PIB este ano.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Planalto demite o presidente da Previ<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff mandou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, demitir Ricardo Flores da presid\u00eancia da Previ, o fundo de pens\u00e3o dos empregados do Banco do Brasil. O Pal\u00e1cio do Planalto identificou que o executivo, respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio superior a R$ 150 bilh\u00f5es, \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela guerra por poder que engolfou o BB e est\u00e1 contaminando a Fazenda e parte da base aliada do governo. Entre Flores, que \u00e9 ligado ao ex-ministro da Casa Civil Jos\u00e9 Dirceu, e o presidente da institui\u00e7\u00e3o financeira, Aldemir Bendine, que est\u00e1 na outra ponta da disputa, tanto Dilma quanto Mantega optaram por substituir o primeiro. &#8220;A irrita\u00e7\u00e3o com Flores chegou ao limite&#8221;, disse ao Correio um importante assessor do Planalto.<\/p>\n<p>Flores e Bendine n\u00e3o se falam h\u00e1 quase um ano. Depois de uma longa conviv\u00eancia \u2014 foi Bendine quem apoiou a nomea\u00e7\u00e3o de seu desafeto para a vice-presid\u00eancia de Cr\u00e9dito do BB antes de ele ir para a Previ \u2014, os dois resolveram disputar quem \u00e9 mais influente dentro do governo. O problema \u00e9 que eles se juntaram a grupos de parlamentares do PT descontentes com a gest\u00e3o de Dilma, espalhando boatos e minando vota\u00e7\u00f5es no Congresso importantes para o Planalto, como o projeto que cria o fundo de previd\u00eancia dos servidores p\u00fablicos. O auge do descontentamento se deu em janeiro, ap\u00f3s o presidente do BB demitir 13 diretores de uma s\u00f3 vez. At\u00e9 o presidente da C\u00e2mara, Marco Maia (PT-RS), reclamou.<\/p>\n<p>Autonomia<\/p>\n<p>A ideia do governo \u00e9 usar as mudan\u00e7as na diretoria executiva e no Conselho Deliberativo da Previ, previstas para maio pr\u00f3ximo, para substituir Flores, sem causar grande barulho. Est\u00e1 previsto o fim do mandato do presidente do Conselho, Robson Rocha, que responde pela vice-presid\u00eancia de Gest\u00e3o de Pessoas do BB, e de dois outros conselheiros. Ligado ao PT, Rocha dever\u00e1 ser reconduzido ao cargo, com a miss\u00e3o de promover altera\u00e7\u00f5es na gest\u00e3o executiva do fundo de pens\u00e3o. Pelo estatuto da Previ, o Conselho tem total autonomia para nomear e destituir diretores que tocam o dia a dia da funda\u00e7\u00e3o, incluindo o presidente executivo, Ricardo Flores, cujo mandato acaba em 2014.<\/p>\n<p>Quem acompanha as negocia\u00e7\u00f5es garante que o BB, patrocinador da Previ, j\u00e1\u00a0escolheu os dois futuros conselheiros, al\u00e9m de ratificar a recondu\u00e7\u00e3o de Robson Rocha. No entanto, ainda n\u00e3o est\u00e1\u00a0fechado o nome do poss\u00edvel substituto de Flores, que vem se articulando politicamente para reverter a decis\u00e3o de Dilma. &#8220;Ele tem muitos contatos no PT e no PMDB, os dois maiores partidos da base aliada do governo. Portanto, tudo pode acontecer, a despeito de a presidente Dilma n\u00e3o costumar muito recuar em suas decis\u00f5es&#8221;, disse um outro assessor palaciano.<\/p>\n<p>Pelas regras em vigor, o BB tem direito a indicar tr\u00eas representantes para o Conselho Deliberativo e tr\u00eas para a diretoria executiva. Os funcion\u00e1rios do banco disp\u00f5em da mesma prerrogativa, pois h\u00e1\u00a0 a chamada paridade. Mas o presidente do Conselho det\u00e9m maior poder. Cabe a ele o voto de minerva. Como um juiz, pode votar duas vezes. Isso ficou claro no in\u00edcio do anos 2000, quando a Previ sofreu a primeira interven\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria por estar envolvida em uma s\u00e9rie de irregularidades. A funda\u00e7\u00e3o, por sinal, faz sil\u00eancio sobre a crise que envolve seu presidente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Acordo deve aprovar C\u00f3digo Florestal com revis\u00e3o futura<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Ambientalistas e ruralistas articulam um acordo que imponha uma revis\u00e3o, em cinco anos, do C\u00f3digo Florestal que deve ser aprovado na pr\u00f3xima semana no Congresso Nacional. Trata-se da sa\u00edda para corrigir o que consideram falhas no texto que j\u00e1\u00a0n\u00e3o podem mais ser sanadas. O texto que foi aprovado pelo Senado e que voltou \u00e0\u00a0C\u00e2mara dos Deputados para aprecia\u00e7\u00e3o final s\u00f3\u00a0pode ser modificado de forma limitada &#8211; trechos poder\u00e3o ser suprimidos ou restabelecidos itens aprovados anteriormente pelos deputados, mas s\u00f3\u00a0isso.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9\u00a0importante a revis\u00e3o dentro de alguns anos. Com dados concretos, poderemos verificar os efeitos do C\u00f3digo aprovado no meio ambiente&#8221;, afirma o l\u00edder do PV, deputado Sarney Filho (MA). Ele diz que o texto aprovado pelo Senado, embora &#8220;menos ruim&#8221; que o da C\u00e2mara, ainda &#8220;n\u00e3o contempla nossas preocupa\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Sarney Filho reconhece que a minoria no plen\u00e1rio inevitavelmente os levar\u00e1\u00a0a uma nova derrota, raz\u00e3o pela qual avalia que, de imediato, o ideal \u00e9\u00a0atuar no Pal\u00e1cio do Planalto para que sejam vetados artigos que ameacem a preserva\u00e7\u00e3o da natureza. A m\u00e9dio prazo, avalia que o melhor caminho \u00e9 a revis\u00e3o. &#8220;Nosso campo de a\u00e7\u00e3o agora, na C\u00e2mara, \u00e9 muito restrito, porque s\u00f3 pode rejeitar o que os senadores colocaram ou adicionar o que os deputados haviam aprovado&#8221;.<\/p>\n<p>O presidente da Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria, Moreira Mendes (PSD-RO), foi quem levantou, junto com outros deputados ligados ao setor, a ideia de rever o texto. Conversou com Sarney Filho, que se mostrou receptivo \u00e0 ideia. &#8220;Para n\u00f3s, como estamos sem saber as consequ\u00eancias e os impactos que o C\u00f3digo ter\u00e1 para a agricultura, a pecu\u00e1ria e a produtividade, a revis\u00e3o \u00e9 uma boa solu\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Mendes.<\/p>\n<p>Ele defende que seja apresentado um projeto de lei com apoio de todos os l\u00edderes partid\u00e1rios, de modo que sua tramita\u00e7\u00e3o seja mais r\u00e1pida. A ideia foi levantada durante uma reuni\u00e3o da frente parlamentar e j\u00e1 se fala em t\u00ea-la como &#8220;uma nova bandeira&#8221; da bancada.<\/p>\n<p>A justificativa para essa a\u00e7\u00e3o s\u00e3o trechos que, em sua vis\u00e3o, s\u00e3o imposs\u00edveis de ser corrigidos, j\u00e1\u00a0que sequer s\u00e3o mencionados. &#8220;Como tratar de um C\u00f3digo que n\u00e3o fala de irriga\u00e7\u00e3o?&#8221;, exemplifica Mendes. Outro motivo \u00e9\u00a0a oposi\u00e7\u00e3o do governo a altera\u00e7\u00f5es consideradas cruciais pelos ruralistas. A principal delas \u00e9 a que se refere \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das APPs. O texto aprovado pelos deputados, afirma Mendes, \u00e9 amb\u00edguo, pois ao mesmo tempo em que exigia a recupera\u00e7\u00e3o ambiental de pelo menos 15 metros em \u00e1reas com rios de at\u00e9 10 metros de largura tamb\u00e9m previa que todas as \u00e1reas que estivessem em APPs estariam consolidadas. No Senado houve mudan\u00e7a &#8211; todos os rios ficaram com metragens m\u00ednimas a serem recuperadas. &#8220;O governo, provavelmente, n\u00e3o vai abrir m\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 tecnicamente uma solu\u00e7\u00e3o para corrigir isso na vota\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou Mendes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>A China est\u00e1\u00a0certa em abrir-se devagar<\/p>\n<p>Financial Times- Martin Wolf<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima grande crise financeira mundial vir\u00e1\u00a0da China. N\u00e3o se trata de uma previs\u00e3o inflex\u00edvel. Poucos pa\u00edses, no entanto, conseguiram evitar crises depois de terem promovido liberaliza\u00e7\u00e3o financeira e integra\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Pense nos Estados Unidos dos anos 30, Jap\u00e3o e Su\u00e9cia no in\u00edcio dos 90, M\u00e9xico e Coreia do Sul no final dos 90 e nos Estados Unidos, Reino Unido e grande parte da regi\u00e3o do euro dos dias de hoje. Crises financeiras atingem todos os tipos de pa\u00edses. Como Carmen Reinhart, do Peterson Institute for International Economics, e Kenneth Rogoff, de Harvard, ressaltaram, as crises representam &#8220;uma amea\u00e7a que paira igualmente&#8221; sobre todos os pa\u00edses. A China poderia ser diferente? Apenas se as autoridades chinesas mantiverem a cautela.<\/p>\n<p>A cautela permeou o informe, na semana passada, em que o Banco do Povo da China, autoridade monet\u00e1ria do pa\u00eds, recomendou acelerar a abertura do sistema financeiro chin\u00eas. Tendo em vista o que est\u00e1\u00a0 em jogo, tanto na China como no mundo, \u00e9\u00a0essencial considerar as implica\u00e7\u00f5es. Assim, talvez, o mundo fa\u00e7a agora um trabalho melhor do que fez no passado ao administrar esse processo.<\/p>\n<p>O plano foi divulgado pela ag\u00eancia de not\u00edcias estatal Xinhua, n\u00e3o no site do banco central chin\u00eas. Al\u00e9m disso, foi divulgado sob o nome de Sheng Songcheng, chefe do departamento de estat\u00edsticas, n\u00e3o do presidente ou vice-presidente. Isso deve significar que se trata mais de um exerc\u00edcio para sondar as opini\u00f5es a respeito da ideia do que uma pol\u00edtica j\u00e1 definida. Ainda assim, o informe foi divulgado com a aprova\u00e7\u00e3o do Banco do Povo da China e, muito possivelmente, com a de pessoas bem acima na hierarquia.<\/p>\n<p>O artigo apresenta tr\u00eas fases de reforma. A primeira, a ocorrer nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, abriria caminho para mais investimentos chineses no exterior uma vez que &#8220;o encolhimento dos bancos e empresas ocidentais deixou espa\u00e7o livre para investimentos chineses&#8221; e, portanto, trouxe uma &#8220;oportunidade estrat\u00e9gica&#8221;. A segunda fase, a ocorrer entre tr\u00eas e cinco anos, aceleraria a concess\u00e3o de empr\u00e9stimos internacionais em yuans. No longo prazo, de cinco a dez anos, os estrangeiros poderiam investir em b\u00f4nus, a\u00e7\u00f5es e propriedades na China. A livre convers\u00e3o do yuan seria o &#8220;\u00faltimo passo&#8221;, a ser dado em algum momento n\u00e3o definido. Esse passo tamb\u00e9m seria combinado com restri\u00e7\u00f5es aos fluxos de capital &#8220;especulativos&#8221; e \u00e0 capta\u00e7\u00e3o estrangeira de curto prazo. Em resumo, a integra\u00e7\u00e3o plena seria adiada indefinidamente.<\/p>\n<p>Quais as implica\u00e7\u00f5es do plano? A resposta \u00e9\u00a0que o plano parece ser sensato. Para chegar a essa opini\u00e3o, \u00e9\u00a0preciso levar em conta os benef\u00edcios e riscos para a China e o mundo da &#8220;reforma e abertura&#8221; financeira dos chineses.<\/p>\n<p>Os argumentos a favor de tal abertura para o mundo est\u00e3o ligados intimamente aos favor\u00e1veis \u00e0\u00a0reforma dom\u00e9stica. De fato, a primeira n\u00e3o pode ser promovida antes da \u00faltima: abrir ao resto do mundo o sistema financeiro chin\u00eas altamente regulamentado seria uma receita para um desastre, como as autoridades chinesas j\u00e1\u00a0sabem. \u00c9\u00a0 por esse motivo que a conversibilidade plena chegaria apenas em um futuro distante, com indica o plano.<\/p>\n<p>Felizmente, os argumentos para uma reforma dom\u00e9stica s\u00e3o fortes. Mercados financeiros din\u00e2micos s\u00e3o elemento essencial em qualquer economia que deseje sustentar seu crescimento e come\u00e7ar a rivalizar com os pa\u00edses ricos em produtividade, como a China certamente aspira a fazer. De forma mais imediata, como destaca Nicholas Lardy, do Peterson Institute for International Economics, em recente estudo, &#8220;taxas de dep\u00f3sitos reais negativas imp\u00f5em um imposto impl\u00edcito elevado \u00e0s fam\u00edlias, que s\u00e3o grandes depositantes l\u00edquidos no sistema banc\u00e1rio, e levam a investimentos excessivos em im\u00f3veis residenciais&#8221;. &#8220;Taxas de empr\u00e9stimo reais negativas subsidiam investimentos em setores de uso intensivo de capital, minando, portanto, o objetivo de reestrutura\u00e7\u00e3o da economia em favor da ind\u00fastria leve e do setor de servi\u00e7os.&#8221;*<\/p>\n<p>No entanto, como Lardy tamb\u00e9m sabe, esse regime financeiro distorcido faz parte de um sistema mais amplo de tributa\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a, promo\u00e7\u00e3o dos investimentos e limita\u00e7\u00e3o do consumo, que levou a imensas interven\u00e7\u00f5es nos mercados de c\u00e2mbio e \u00e0 vasta acumula\u00e7\u00e3o de reservas internacionais. O argumento mais forte pelas reformas \u00e9 que esse sistema n\u00e3o mais contribui para um padr\u00e3o de desenvolvimento desej\u00e1vel. A estrutura, por\u00e9m, est\u00e1 t\u00e3o arraigada \u00e0 economia que reform\u00e1-la \u00e9 algo politicamente tenso e economicamente destrutivo. A quest\u00e3o, inclusive, \u00e9 se tal reforma \u00e9 politicamente vi\u00e1vel. Certamente, ser\u00e1 um processo lento.<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, as medidas de abertura propostas pelo banco central se encaixam em tal reforma cautelosa? Presumivelmente, a maior liberdade de fluxos de sa\u00edda de capital prevista para os pr\u00f3ximos cinco anos ajudaria a substituir em parte o ac\u00famulo de reservas internacionais. Se isso, contudo, ocorresse paralelamente \u00e0\u00a0rota indicada de aumento nos juros reais, os super\u00e1vits da China em conta corrente e na poupan\u00e7a poderiam disparar, agravando os desequil\u00edbrios externos.<\/p>\n<p>Isso evidencia como \u00e9\u00a0grande a aposta em jogo para o resto do mundo com o tipo de reforma e de abertura do setor financeiro que vier a ocorrer na China.<\/p>\n<p>A poupan\u00e7a bruta da China est\u00e1\u00a0em um \u00edndice anual bem acima de US$ 3 trilh\u00f5es, o que \u00e9\u00a0mais de 50% maior do que a poupan\u00e7a bruta dos Estados Unidos. A integra\u00e7\u00e3o total desses vastos fluxos certamente ter\u00e1\u00a0imenso impacto no mundo. As institui\u00e7\u00f5es financeiras da China, j\u00e1\u00a0enormes, quase certamente se tornar\u00e3o as maiores do mundo nos pr\u00f3ximos dez anos. Basta lembrar-se da integra\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o da d\u00e9cada de 80 e a subsequente implos\u00e3o financeira para ver os poss\u00edveis perigos. Devemos ficar satisfeitos, portanto, de que a China esteja adotando uma abordagem cautelosa.<\/p>\n<p>O mundo tem interesses enormes na reorienta\u00e7\u00e3o da economia da China em dire\u00e7\u00e3o a um crescimento mais equilibrado. Tamb\u00e9m tem interesse paralelo na forma como a China administrar sua reforma dom\u00e9stica e abertura do sistema financeiro. Toda uma s\u00e9rie de pol\u00edticas precisa ser coordenada, particularmente no que se refere \u00e0\u00a0regulamenta\u00e7\u00e3o financeira, pol\u00edtica monet\u00e1ria e regimes cambiais. Se isso for bem realizado, a atual crise dos pa\u00edses de alta renda n\u00e3o ser\u00e1\u00a0seguida logo depois pela &#8220;crise da China&#8221; dos anos 2020 ou 2030. Se for mal realizado, at\u00e9\u00a0os chineses poderiam perder o controle, com resultados devastadores.<\/p>\n<p>O Banco do Povo da China sugere um cronograma de reformas que se adequaria \u00e0s necessidades da China e do mundo. Mas para que isso aconte\u00e7a, discuss\u00f5es meticulosas de todas as implica\u00e7\u00f5es precisam ocorrer agora. As pol\u00edticas da China n\u00e3o importam apenas aos chineses. \u00c9\u00a0isso que significa ser uma superpot\u00eancia &#8211; como os EUA deveriam saber.<\/p>\n<p>* Sustaining China&#8221;s Economic Growth After the Global Financial Crisis, (algo como &#8220;sustentando o crescimento econ\u00f4mico da China depois da crise financeira mundial&#8221;) Peterson Institute for International Economics, 2012.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>At\u00e9\u00a02020, gasto das fam\u00edlias cresce 50%<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O consumo das fam\u00edlias, que tem sido a principal alavanca da expans\u00e3o da economia nacional, dever\u00e1\u00a0chegar a R$ 3,5 trilh\u00f5es em 2020. Isso significa um salto de 50% em rela\u00e7\u00e3o aos R$ 2,2 trilh\u00f5es de 2010, quando as empresas varejistas absorveram R$ 800 bilh\u00f5es desses gastos e registraram o melhor ano da d\u00e9cada. A desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sentida em 2011 n\u00e3o preocupa o varejo, mas o que pode atrapalhar o cen\u00e1rio de forte expans\u00e3o, segundo estudo que est\u00e1\u00a0sendo divulgado hoje pela Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio do Estado de S\u00e3o Paulo (FecomercioSP), \u00e9 a volta da infla\u00e7\u00e3o e a falta de uma infra-estrutura robusta.<\/p>\n<p>O trabalho, de 56 p\u00e1ginas e que levou seis meses para ser feito, avalia as mudan\u00e7as no padr\u00e3o de consumo ocorridas entre 2003 e 2009, com base nos dados da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O estudo estima que existam pouco mais de 57 milh\u00f5es de fam\u00edlias no pa\u00eds. O consumo dessa massa de gente, que em 2010 chegou a 61,7% do Produto Interno Bruto (PIB), pode subir a 65,4% daqui a oito anos.<\/p>\n<p>Essas proje\u00e7\u00f5es consideram que a expans\u00e3o do PIB se mantenha na faixa entre 3% e 4% e que n\u00e3o haja uma turbul\u00eancia s\u00e9ria na economia mundial, com efeitos negativos sobre o pa\u00eds; que a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o volte a subir e que os governos invistam em infraestrutura.<\/p>\n<p>O panorama tra\u00e7ado permite concluir que &#8220;o Brasil tende a ser tornar um pa\u00eds de classe m\u00e9dia. J\u00e1\u00a0temos mais de 100 milh\u00f5es de pessoas nessa faixa de renda&#8221;, diz o economista da FecomercioSP, Altamiro Carvalho. &#8220;Mas isso \u00e9 v\u00e1lido se a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o voltar&#8221;, pondera.<\/p>\n<p>Carvalho e seus colegas na FecomercioSP avaliam que o movimento de aumento de renda &#8211; que fez com que cerca de 20,5 milh\u00f5es de pessoas migrassem da base da baixa renda para a classe C na d\u00e9cada passada &#8211; deva continuar, mas em ritmo menor. A classe m\u00e9dia, segundo os crit\u00e9rios da FecomercioSP, re\u00fane as fam\u00edlias que t\u00eam renda mensal entre R$ 1,4 mil e R$ 7 mil.<\/p>\n<p>Fabricantes de produtos de consumo e varejistas est\u00e3o se adaptando e tentando entender os desdobramentos desse novo padr\u00e3o de consumo. O estudo da FecomercioSP destaca algumas mudan\u00e7as interessantes nos gastos das fam\u00edlias entre 2003 e 2009: enquanto o consumo de carne de boi cresceu 4,2%, o de frango caiu 11,8%; o de azeite de oliva deu um salto de 45,5%, enquanto o de de \u00f3leo de soja caiu 13,8%.<\/p>\n<p>Despesas em sal\u00f5es de beleza cresceram 44% e em festas, 45%. &#8220;A pesquisa mostrou que s\u00f3 em cabeleireiros o consumo \u00e9 de mais de R$ 1 bilh\u00e3o por m\u00eas&#8221;, diz Carvalho.<\/p>\n<p>&#8220;O que se nota \u00e9\u00a0uma sofistica\u00e7\u00e3o, mas nem sempre acompanhada de h\u00e1bitos saud\u00e1veis&#8221;, diz Carvalho. A fato de o brasileiro estar gastando mais com alimenra\u00e7\u00e3o fora do lar, de estar comendo mais carne vermelha do que branca, por exemplo, pode ajudar a explicar o aumento de 63% nos gastos com medicamentos.<\/p>\n<p>No campo dos bens de consumo, o estudo prev\u00ea\u00a0que &#8220;a evolu\u00e7\u00e3o se dar\u00e1\u00a0na forma de aquisi\u00e7\u00e3o de produtos grande valor agregado, principalmente em artigos para o lar, autom\u00f3veis e acess\u00f3rios pessoais.<\/p>\n<p>Os economistas da Fecom\u00e9rcio n\u00e3o acreditam que o aumento de cr\u00e9dito no pa\u00eds, que ajudou a impulsionar o consumo nos \u00faltimos anos, esteja gerando aumento de inadimpl\u00eancia &#8211; o que poderia mudar o quadro de crescimento econ\u00f4mico. &#8220;No ano passado, a renda subiu e a inadimpl\u00eancia n\u00e3o subiu. O pr\u00f3prio Banco Central informou estabilidade no n\u00edvel de inadimpl\u00eancia em 2001&#8221;, diz Carvalho.<\/p>\n<p>O que pode jogar \u00e1gua na fervura do cen\u00e1rio de expans\u00e3o tra\u00e7ado pelo estudo da Fecom\u00e9rcio \u00e9 a falta de investimento ou o ritmo lendo de gastos de governos &#8211; federal e estaduais &#8211; em infraestrutura. E a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a velocidade atual desse tipo de gasto \u00e9 insuficiente.<\/p>\n<p>&#8220;O PAC [Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento, do governo federal] est\u00e1\u00a0engasgado, meio parado&#8221;, diz Carvalho. Os brasileiros, lembra, querem viajar de avi\u00e3o, ter acesso \u00e0\u00a0internet, &#8220;mas h\u00e1\u00a0gargalos de estrutura.&#8221;<\/p>\n<p>As empresas que vendem produtos pela internet tamb\u00e9m &#8220;precisam de rodovias para entregar suas mercadorias. \u00c9 preciso dar melhores condi\u00e7\u00f5es log\u00edsticas para que o consumo continue crescendo&#8221;, diz o economista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bol\u00edvia volta a amea\u00e7ar nacionalizar petroleiras<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>LA PAZ. O presidente da Bol\u00edvia, Evo Morales, amea\u00e7ou ontem nacionalizar as opera\u00e7\u00f5es de empresas petrol\u00edferas estrangeiras que descumprirem seus compromissos de investimentos, como ocorreu no m\u00eas passado com ativos da argentina Pan American Energy (PAE).<\/p>\n<p>Sem dar detalhes, Morales fez o an\u00fancio na inaugura\u00e7\u00e3o das obras de amplia\u00e7\u00e3o do maior complexo de g\u00e1s natural do pa\u00eds, o San Antonio, cuja capacidade de produ\u00e7\u00e3o passou de 15,4 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios para 22,1 milh\u00f5es, o que permite assegurar a eleva\u00e7\u00e3o da oferta ao Brasil e \u00e0 Argentina.<\/p>\n<p>A usina de San Antonio, na regi\u00e3o do Chaco, \u00e9 operada pela Petrobras, que tem uma participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria de 35%. Suas s\u00f3cias s\u00e3o a francesa Total (15%) e uma filial da estatal local YPFB, dona de metade do complexo.<\/p>\n<p>&#8211; Aproveitando a presen\u00e7a de duas empresas como Total e Petrobras, e todas as empresas que prestam servi\u00e7os na Bol\u00edvia, quero lhes dizer que seu investimento sempre ser\u00e1\u00a0bem protegido e bem garantido &#8211; disse Morales no evento. &#8211; Saudamos a acelera\u00e7\u00e3o no tema do investimento, mas h\u00e1 empresas que n\u00e3o s\u00e3o iguais. A empresa que estiver boicotando, sabotando o investimento, ser\u00e1 recuperada. Agora temos capacidade para recuperar suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A &#8220;recupera\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es&#8221; pelo suposto descumprimento dos investimentos foi a defini\u00e7\u00e3o usada no fim de janeiro pelo governo para estatizar os 25% de participa\u00e7\u00e3o que a PAE tinha no projeto gas\u00edfero de Caipipendi, operado pela espanhola Repsol-YPF e voltado ao mercado argentino.<\/p>\n<p>Morales nacionalizou o setor de hidrocarbonetos em 2006 e, desde ent\u00e3o, as petroleiras estrangeiras operam na Bol\u00edvia apenas como prestadoras de servi\u00e7os \u00e0\u00a0YPFB, que aprova e supervisiona todos os planos de investimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2474\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2474","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-DU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2474\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}