{"id":2476,"date":"2012-03-01T23:24:32","date_gmt":"2012-03-01T23:24:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2476"},"modified":"2015-04-24T00:39:19","modified_gmt":"2015-04-24T00:39:19","slug":"brics-querem-o-comando-da-omc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2476","title":{"rendered":"Brics querem o comando da OMC"},"content":{"rendered":"<p>Com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) dirigido por uma europeia e os americanos insistindo em manter o controle do Banco Mundial (Bird), os emergentes j\u00e1 se preparam para brigar pela dire\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Comercio (OMC) e equilibrar o comando da governan\u00e7a global.<\/p>\n<p>As manobras para escolha do novo presidente do Bird, em agosto, v\u00e3o acelerar em Genebra tamb\u00e9m as articula\u00e7\u00f5es para a sele\u00e7\u00e3o do futuro diretor da OMC e h\u00e1 a expectativa de que o Brasil possa apresentar um candidato.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sa\u00edda de Robert Zoellick do Bird, emergentes como Brasil e China insistem que \u00e9 hora de o monop\u00f3lio americano no banco ser quebrado desta vez, mas at\u00e9 agora n\u00e3o lan\u00e7aram candidatos.<\/p>\n<p>Mas os EUA j\u00e1 deixarem claro que n\u00e3o abrir\u00e3o m\u00e3o do controle do banco, at\u00e9 para mostrar, num ano eleitoral, que n\u00e3o perderam influ\u00eancia na governan\u00e7a global. O secret\u00e1rio do Tesouro, Tim Geithner, disse que os EUA propor\u00e3o um candidato nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 inconceb\u00edvel que os europeus e americanos tamb\u00e9m conseguir\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o da OMC, depois de manterem o controle do FMI e do Banco Mundial&#8221;&#8221;, diz o professor de com\u00e9rcio internacional Simon Evenett, da Universidade de Saint Gallen, na Su\u00ed\u00e7a. &#8220;A pr\u00f3xima ser\u00e1 a vez de um representante emergente, e isso poder\u00e1 at\u00e9 facilitar a conclus\u00e3o de acordos na OMC.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 para Amrita Narkilar, professora da Universidade de Cambridge com estudos sobre os Brics, &#8220;os sistemas de sele\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o no FMI e Banco Mundial est\u00e3o completamente errados, e dois erros n\u00e3o resultam numa terceira decis\u00e3o correta&#8221;&#8221;. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 replicando a mesma pr\u00e1tica na OMC que a governan\u00e7a ser\u00e1 equilibrada. &#8220;Mas os negociadores dos Brics s\u00e3o inteligentes e, formando uma s\u00f3lida alian\u00e7a e n\u00e3o aparecendo divididos, como na \u00faltima vez, poder\u00e3o legitimamente obter o cargo.&#8221;<\/p>\n<p>As primeiras discuss\u00f5es informais sobre o futuro substituto do franc\u00eas Pascal Lamy como xerife do com\u00e9rcio mundial come\u00e7aram em Davos, \u00e0 margem do F\u00f3rum Mundial de Economia. Os candidatos ser\u00e3o conhecidos at\u00e9 dezembro, e a elei\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 em abril de 2013. At\u00e9 agora, s\u00f3 as Am\u00e9ricas e a \u00c1frica ainda n\u00e3o dirigiram o \u00f3rg\u00e3o multilateral de com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>A disputa j\u00e1 come\u00e7ou a causar confronto entre os pa\u00edses-membros. A \u00cdndia, de olho na sucess\u00e3o de Lamy, bloqueou a escolha de um representante de Cingapura para presidir este ano o \u00d3rg\u00e3o de Solu\u00e7\u00e3o de Controv\u00e9rsias (OSC). \u00c9 que o escolhido para esse cargo ser\u00e1 o presidente do Conselho Geral, entidade m\u00e1xima da OMC, no ano que vem, e estar\u00e1 no centro da sele\u00e7\u00e3o do futuro diretor-geral, junto com dois outros representantes de pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, para a \u00cdndia, Cingapura n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds em desenvolvimento e, assim, a escolha do futuro diretor estaria controlada totalmente pelos desenvolvidos. Depois de muita confus\u00e3o, os indianos aceitaram um representante do Paquist\u00e3o no comando do OSC.<\/p>\n<p>Na OMC, n\u00e3o h\u00e1 elei\u00e7\u00e3o. Um comit\u00ea de tr\u00eas membros faz consultas com os pa\u00edses para aferir o consenso em torno dos candidatos e sugere ao final um nome. J\u00e1 aconteceu no passado de os pa\u00edses recusarem a indica\u00e7\u00e3o e, na disputa, o mandato acabou dividido entre o tailand\u00eas Supachai Panitchpakdi e o neozeland\u00eas Mike Moore.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o sobre o comando da OMC acabar\u00e1 sendo do G-5 &#8211; EUA, Uni\u00e3o Europeia, China, \u00cdndia e Brasil. \u00c9 dif\u00edcil que americanos e europeus aceitem um chin\u00eas \u00e0 frente do com\u00e9rcio mundial, j\u00e1 que Pequim \u00e9 alvo de boa parte dos conflitos na OMC, e tamb\u00e9m por conta da competitividade chinesa. J\u00e1 a \u00cdndia tenta recriar na OMC o G-77, de pa\u00edses em desenvolvimento, numa posi\u00e7\u00e3o mais radical que dificulta o entendimento com os desenvolvidos. E n\u00e3o h\u00e1 nenhum nome significativo da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Resta o Brasil. Em Davos, v\u00e1rias delega\u00e7\u00f5es queriam saber quando o pa\u00eds lan\u00e7aria a candidatura de seu embaixador junto \u00e0 OMC, Roberto Azevedo. Ele tem \u00f3tima reputa\u00e7\u00e3o na OMC e \u00e9 visto como capaz de estimular as partes para alcan\u00e7ar consensos e como um &#8220;honest broker&#8221; (mediador neutro).<\/p>\n<p>Mas certos negociadores notam que o Brasil conquistou recentemente a dire\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia da ONU para a Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO). Ao mesmo tempo, o pa\u00eds aprofunda uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o comercial, cada vez mais criticada pelos parceiros.<\/p>\n<p>Para Evenett, por\u00e9m, o maior problema \u00e9 que a Am\u00e9rica Latina sempre aparece dividida. Ele lembra que o Brasil lan\u00e7ou uma candidatura para se opor ao representante do Uruguai, visto como excessivamente pr\u00f3-pa\u00edses desenvolvidos na elei\u00e7\u00e3o vencida por Lamy.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o ministro de Com\u00e9rcio da Nova Zel\u00e2ndia, Tim Groser, j\u00e1 vem tentando aparecer como candidato de consenso entre ricos e emergentes.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fabricantes de bens de capital cortam vagas<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Um cen\u00e1rio de demiss\u00f5es, queda na atividade e forte entrada de produtos importados foi tra\u00e7ado ontem por representantes da ind\u00fastria nacional de m\u00e1quinas e equipamentos &#8211; na esteira da divulga\u00e7\u00e3o de um crescimento de 9,2% do faturamento do setor em 2011.<\/p>\n<p>A Abimaq &#8211; entidade que abriga os interesses do setor de bens de capital mec\u00e2nicos &#8211; informou que os fabricantes eliminaram 2,32 mil vagas de trabalho nos dois \u00faltimos meses de 2011. O movimento, contudo, n\u00e3o impediu um crescimento de 3,6% na ocupa\u00e7\u00e3o do setor em todo o ano passado.<\/p>\n<p>Os cortes, segundo a associa\u00e7\u00e3o, est\u00e3o relacionados \u00e0 maior penetra\u00e7\u00e3o de equipamentos importados no mercado nacional, levando a uma queda na utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada. Em janeiro, o uso da capacidade ficou em 75,8%, abaixo dos 79,2% de um ano antes e tamb\u00e9m inferior a patamares registrados nos piores momentos da crise financeira internacional de 2008.<\/p>\n<p>Em apresenta\u00e7\u00e3o a jornalistas, Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, disse ontem que n\u00e3o acredita em demiss\u00f5es em massa. Por outro lado, previu a continuidade dos ajustes no quadro de funcion\u00e1rios, dada a tend\u00eancia de retra\u00e7\u00e3o de 20% na produ\u00e7\u00e3o neste ano. &#8220;O empres\u00e1rio est\u00e1 perdendo esperan\u00e7a de que vai ganhar competitividade.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2011, o setor acumulou d\u00e9ficit comercial recorde de US$ 17,88 bilh\u00f5es. Mantidas as condi\u00e7\u00f5es atuais de c\u00e2mbio, juros e demanda, a entidade acredita que esse saldo comercial poder\u00e1 superar a marca de US$ 20 bilh\u00f5es neste ano.<\/p>\n<p>Na luta contra a crescente entrada de m\u00e1quinas asi\u00e1ticas, a Abimaq chegou a pleitear a\u00e7\u00f5es de salvaguarda contra sete produtos da China, mas por enquanto s\u00f3 conseguiu obter novo tratamento administrativo para v\u00e1lvulas solen\u00f3ides e v\u00e1lvulas borboletas, que est\u00e3o sujeitas agora a licen\u00e7as n\u00e3o autom\u00e1ticas para entrar no Brasil.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Desvaloriza\u00e7\u00e3o do real rendeu R$ 90,2 bi ao BC<\/strong><\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ante o d\u00f3lar levou o Banco Central (BC) a ter um ganho de R$ 90,2 bilh\u00f5es com a administra\u00e7\u00e3o das reservas internacionais no segundo semestre do ano passado. Esse valor ser\u00e1 transferido ao Tesouro Nacional nos pr\u00f3ximos dias. No primeiro semestre, a institui\u00e7\u00e3o havia registrado perda por causa da queda de valor da moeda americana, preju\u00edzo que foi coberto pelo Tesouro.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o do BC em 2011, aprovado ontem pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), mostra que, no acumulado do ano, o ganho com as reservas somou R$ 43,3 bilh\u00f5es. O custo de manuten\u00e7\u00e3o foi de R$ 30,6 bilh\u00f5es, mas a corre\u00e7\u00e3o cambial rendeu R$ 73,9 bilh\u00f5es, que seria o ganho com a venda das reservas.<\/p>\n<p>A rentabilidade das reservas foi de 3,52% em 2011, sem considerar a corre\u00e7\u00e3o cambial. Com a varia\u00e7\u00e3o da moeda estrangeira, o rendimento sobe para 16,7%. Em 2010, a rentabilidade sem corre\u00e7\u00e3o havia sido positiva em 1,88%. No c\u00e1lculo com corre\u00e7\u00e3o, no entanto, o resultado naquele ano foi negativo em 2,92%.<\/p>\n<p>O BC tamb\u00e9m ter\u00e1 de repassar ao Tesouro outros R$ 11,3 bilh\u00f5es, referentes ao lucro obtido nas opera\u00e7\u00f5es em moeda nacional. Assim como o ganho com as reservas, esse dinheiro n\u00e3o vai engordar as receitas do governo. Ele s\u00f3 pode ser usado para abater parte da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Com\u00e9rcio exterior cai no G-7 e em emergentes<\/strong><\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>PARIS. O com\u00e9rcio exterior registrou diminui\u00e7\u00e3o na maior parte dos pa\u00edses do G-7 e do Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) no quarto trimestre de 2011. De acordo com dados divulgados ontem pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), as importa\u00e7\u00f5es no G-7 e nos Brics ca\u00edram 0,2% no per\u00edodo, ap\u00f3s j\u00e1 terem registrado um retrocesso de 0,7% no terceiro trimestre. J\u00e1 as exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edram 1,2%, ap\u00f3s uma alta de 0,9% nos tr\u00eas meses anteriores.<\/p>\n<p>\u00cdndia e \u00c1frica do Sul tiveram um comportamento negativo tanto nas importa\u00e7\u00f5es como nas exporta\u00e7\u00f5es. O resultado nas duas frentes foi positivo tanto na R\u00fassia quanto no Brasil.<\/p>\n<p>As trocas comerciais tamb\u00e9m ca\u00edram entre outubro e dezembro de forma significativa nas principais economias da zona do euro. Na Alemanha, por exemplo, as exporta\u00e7\u00f5es foram reduzidas em 4%, enquanto as importa\u00e7\u00f5es ca\u00edram 5,9%. Na Fran\u00e7a, a redu\u00e7\u00e3o das vendas ao exterior foi de 3,9%, e a compra de produtos de fora caiu 4,1%. J\u00e1 na It\u00e1lia, as redu\u00e7\u00f5es foram de 3,1% e 6,9%, respectivamente.<\/p>\n<p>Nos EUA, as importa\u00e7\u00f5es cresceram 1,8%, enquanto na China a eleva\u00e7\u00e3o foi de 4,7%. Nos dois casos, as exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edram pela primeira vez desde o segundo trimestre de 2009. J\u00e1 o Jap\u00e3o vendeu 5% a menos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Arrecada\u00e7\u00e3o faz setor p\u00fablico ter maior super\u00e1vit desde 2001<\/strong><\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O bom n\u00edvel de arrecada\u00e7\u00e3o em janeiro, motivado pelo pagamento antecipado feito por empresas do Imposto de Renda e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre Lucro L\u00edquido, colaborou de forma expressiva para que o setor p\u00fablico registrasse um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 26,016 bilh\u00f5es, o melhor resultado para este m\u00eas desde o come\u00e7o de 2001, avaliou o economista da MCM Consultores, Marcos Fantinatti. Ele estimava um resultado de R$ 24,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo Fantinatti, o efeito de antecipa\u00e7\u00e3o de pagamentos de impostos tamb\u00e9m pode ter beneficiado a receita de Estados e munic\u00edpios, especialmente por causa de tributos como IPVA e IPTU, o que contribuiu para o bom resultado de janeiro do setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Para Fantinatti, o resultado bem mais alto do super\u00e1vit prim\u00e1rio de janeiro deste ano (R$ 26,016 bilh\u00f5es) em rela\u00e7\u00e3o ao apurado no mesmo m\u00eas de 2011 (R$ 16,084 bilh\u00f5es) foi o principal respons\u00e1vel pelo setor p\u00fablico ter revertido o d\u00e9ficit nominal de R$ 1,532 bilh\u00e3o exibido no primeiro m\u00eas do ano passado para um super\u00e1vit nominal de R$ 6,355 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 cedo para dizer que a partir deste bom desempenho de janeiro o governo vai conseguir apresentar um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 139,8 bilh\u00f5es neste ano&#8221;, comentou Fantinatti. Segundo ele, o governo tem diversos projetos de investimentos em 2012 a fim de fazer frente \u00e0 agenda de obras de infraestrutura relativas \u00e0 Copa do Mundo de 2014, Olimp\u00edada de 2016 e empreendimentos do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Fantinatti estima que o super\u00e1vit prim\u00e1rio neste ano ficar\u00e1 em 2,6% do PIB. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, contudo, tr\u00eas fatores podem colaborar para que o resultado suba e o governo cumpra a meta cheia, prometida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Um deles \u00e9 um aux\u00edlio substancial das receitas extraordin\u00e1rias, que, por defini\u00e7\u00e3o, s\u00e3o dif\u00edceis de prever.<\/p>\n<p>Outros dois elementos s\u00e3o uma redu\u00e7\u00e3o dos investimentos programados e uma gest\u00e3o muito eficiente dos gastos correntes do governo.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Os crescentes riscos da China<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico &#8211; Yao Yang<\/p>\n<p>Se tudo continuar bem para a China, o pa\u00eds superar\u00e1 os Estados Unidos como maior economia do mundo, em d\u00f3lares correntes, em 2021 (ou ainda antes em termos reais). Sua renda per capita atingir\u00e1 o que hoje \u00e9 a faixa mais baixa dos pa\u00edses de alta renda. Apesar do impulso \u00e0 frente, a economia chinesa depara-se com riscos \u00e0 espreita nos pr\u00f3ximos dez anos.<\/p>\n<p>O risco imediato \u00e9 o de continuidade da estagna\u00e7\u00e3o, ou recess\u00e3o, na Europa. Nos \u00faltimos dez anos, o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es representou cerca de 30% do crescimento econ\u00f4mico da China e cerca de 30% das exporta\u00e7\u00f5es chinesas tiveram como destino a Uni\u00e3o Europeia. Se a situa\u00e7\u00e3o na Europa continuar a se agravar, o crescimento na China ser\u00e1 afetado.<\/p>\n<p>Endurecer excessivamente as pol\u00edticas macroecon\u00f4micas dom\u00e9sticas, especialmente as voltadas ao mercado imobili\u00e1rio, poderia incrementar o risco de desacelera\u00e7\u00e3o. Os pre\u00e7os dos im\u00f3veis residenciais na China j\u00e1 est\u00e3o em queda, afetados por medidas governamentais mais rigorosas. De fato, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem parecida com a da crise financeira asi\u00e1tica de 1997. V\u00e1rios anos antes de a crise estourar, a China vinha combatendo a infla\u00e7\u00e3o e parecia encaminhar-se a uma desacelera\u00e7\u00e3o suave. A crise, no entanto, em conjunto com medidas de austeridade, condenou o pa\u00eds a v\u00e1rios anos de defla\u00e7\u00e3o e a um crescimento menor.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto a China pensa no m\u00e9dio prazo, o governo precisa abordar os problemas criados por seu papel predominante na economia. Um novo informe do Banco Mundial aponta a falta de reforma das empresas estatais como o maior obst\u00e1culo ao crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. Isso, no entanto, \u00e9 apenas sintoma de um problema mais profundo: o papel dominante do governo nos assuntos econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de controlar diretamente entre 25% e 30% do Produto Interno Bruto (PIB), o governo tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela maior parte dos recursos financeiros. Nos \u00faltimos anos, cerca de 35% dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios foram destinados \u00e0 infraestrutura, sendo a maior para obras de institui\u00e7\u00f5es governamentais. \u00c9 verdade que o governo admitiu seu excesso de investimentos em infraestrutura e recentemente abandonou v\u00e1rios projetos de trens de alta velocidade que j\u00e1 estavam em constru\u00e7\u00e3o. O excesso de investimentos governamentais, no entanto, tamb\u00e9m \u00e9 flagrante nos v\u00e1rios parques industriais e zonas de alta tecnologia.<\/p>\n<p>O frenesi de investimentos da China faz muitas pessoas recordarem o Jap\u00e3o nos anos 80, quando as linhas de trens de alta velocidade foram levadas aos cantos mais remotos do Jap\u00e3o. A maioria depende de subs\u00eddios do governo at\u00e9 hoje. E, embora os subs\u00eddios possam melhorar a qualidade de vida das pessoas comuns em v\u00e1rios aspectos, tamb\u00e9m a prejudicam ao suprimir o consumo dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Os investimentos em infraestrutura inevitavelmente ser\u00e3o contidos pela lei de diminui\u00e7\u00e3o dos retornos marginais. O crescimento no consumo, contudo, n\u00e3o tem limite. Suprimir o consumo, portanto, sufocaria o crescimento futuro, sendo que a participa\u00e7\u00e3o do consumo dom\u00e9stico no PIB caiu de 67% em meados da d\u00e9cada para menos de 50% nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>O governo chin\u00eas \u00e9 orientado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o por natureza. A vantagem \u00e9 que isso ajudou a manter altas taxas de expans\u00e3o do PIB. O lado negativo, contudo, \u00e9 igualmente forte. Uma consequ\u00eancia negativa \u00e9 o aprofundamento persistente da desigualdade de renda. O coeficiente Gini de renda per capita \u00e9 superior a 50 pontos (100 representa o m\u00e1ximo de desigualdade), o que coloca a China entre os piores 25% em desigualdade no mundo.<\/p>\n<p>O problema pode n\u00e3o ser a desigualdade por si s\u00f3, mas suas consequ\u00eancias, como a bifurca\u00e7\u00e3o do capital humano. O retorno do investimento em educa\u00e7\u00e3o na China vem aumentando, mas o acesso ao ensino torna-se cada vez mais dividido social e geograficamente. Embora a educa\u00e7\u00e3o esteja melhorando nas \u00e1reas urbanas, as crian\u00e7as na zona rural deparam-se com um decl\u00ednio na qualidade do ensino, porque os melhores professores mudam-se para as cidades. Al\u00e9m disso, tendo em vista a disparidade de renda entre o campo e a cidade, a educa\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas rurais \u00e9 mais cara.<\/p>\n<p>Como resultado, a maioria das crian\u00e7as em \u00e1reas rurais entrar\u00e1 na for\u00e7a de trabalho sem diploma universit\u00e1rio. Entre os 140 milh\u00f5es de trabalhadores migrantes da China, 80% t\u00eam apenas nove anos ou menos de educa\u00e7\u00e3o formal &#8211; bem menos do que requerem os pa\u00edses de alta renda.<\/p>\n<p>Apesar do aparente desejo das autoridades de reduzir a desigualdade de renda, o governo da China a agrava ao, entre outras coisas, subsidiar produtores, favorecer ind\u00fastrias de uso intensivo de capital e manter um setor financeiro altamente ineficiente. Tamb\u00e9m h\u00e1, no entanto, sinais promissores de avan\u00e7o econ\u00f4mico. O governo acaba de anunciar novas regras para o registro familiar, conhecido como &#8220;hukou&#8221;. A n\u00e3o ser nas grandes cidades, as pessoas agora podem escolher livremente seu &#8220;hukou&#8221; ap\u00f3s tr\u00eas anos de resid\u00eancia. Isso ajudar\u00e1 os migrantes imensamente, ao garantir condi\u00e7\u00f5es iguais de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para seus filhos.<\/p>\n<p>Mudar completamente o comportamento distorcivo do governo, no entanto, requer mudan\u00e7as mais radicais nas pol\u00edticas. A reforma do &#8220;hukou&#8221; \u00e9 um bom come\u00e7o, j\u00e1 que fortalecer\u00e1 os direitos pol\u00edticos dos migrantes nas comunidades locais. Tende em vista seu grande n\u00famero, sua participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pode obrigar os governos locais a ficarem mais atentos \u00e0s necessidades das pessoas comuns. E se os degraus mais baixos do governo come\u00e7arem a dar mais aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 de se esperar que isso acabe chegando \u00e0s esferas mais altas do poder. (Tradu\u00e7\u00e3o de Sabino Ahumada)<\/p>\n<p>Yao Yang \u00e9 diretor do Centro para a Reforma Econ\u00f4mica da China, da Universidade de Pequim.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>BCE concede mais \u20ac 529,5 bi a bancos<\/strong><\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Banco Central Europeu (BCE) forneceu ontem liquidez recorde de \u20ac 529,5 bilh\u00f5es para 800 bancos, numa segunda rodada de apoio vital para o combalido setor banc\u00e1rio da zona do euro. Mas analistas alertam que quem esperar que o vertiginoso volume de recursos resolver\u00e1 tamb\u00e9m a crise fiscal e aliviar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na zona do euro poder\u00e1 se decepcionar.<\/p>\n<p>Com cerca de \u20ac 700 bilh\u00f5es de d\u00edvida vencendo este ano, os bancos poder\u00e3o usar boa parte da ampla liquidez fornecida nas duas opera\u00e7\u00f5es feitas pelo BCE para refinanciar seu endividamento.<\/p>\n<p>Em todo caso, a expectativa nos mercados \u00e9 que a forte liquidez apoiar\u00e1 o apetite global por riscos por algum momento. &#8220;As chances de &#8220;carry trade&#8221; parecem ser bem maiores, com alta nos ativos de risco&#8221;&#8221;, exemplifica Simon Smith, economista chefe da consultoria FxPro, em Londres. Para o Barclays Capital, as opera\u00e7\u00f5es de carry trade podem envolver principalmente o rublo russo, o peso mexicano e o real brasileiro &#8211; portanto, aumentando potencialmente o fluxo de capitais para o Brasil.<\/p>\n<p>O total que os bancos pegaram emprestado no BCE representa um recorde na hist\u00f3ria da autoridade monet\u00e1ria. E se explica em parte por um fen\u00f4meno de substitui\u00e7\u00e3o. Os bancos reduziram sua participa\u00e7\u00e3o em outras opera\u00e7\u00f5es de refinanciamento de mais curto prazo para se concentrar nos empr\u00e9stimos de tr\u00eas anos. A opera\u00e7\u00e3o de ontem superou os \u20ac 489 bilh\u00f5es emprestados no leil\u00e3o anterior, em dezembro. Isso sugere que os pr\u00f3prios est\u00edmulos do BCE podem ter ajudado a reduzir qualquer estigma associado com os empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>Sobretudo, a liquidez realmente nova no sistema financeiro representa \u20ac 310 bilh\u00f5es, com os outros \u20ac 220 bilh\u00f5es representando opera\u00e7\u00f5es que chegavam a seu prazo de pagamento. Em todo caso, \u00e9 muito mais do que o montante l\u00edquido de \u20ac 192 bilh\u00f5es de dezembro.<\/p>\n<p>Para analistas, os empr\u00e9stimos do BCE v\u00e3o ter impacto positivo no setor banc\u00e1rio. Basta ver que a opera\u00e7\u00e3o de dezembro evitou uma crise iminente de &#8220;funding&#8221; para os bancos, e ajudou a baixar os juros no interbanc\u00e1rio. Mas as institui\u00e7\u00f5es financeiras usaram boa parte do dinheiro para pagar empr\u00e9stimos entre elas.<\/p>\n<p>Agora, o desejo do BCE \u00e9 de que a nova liquidez se dirija para a economia real. S\u00f3 que as chances de isso ocorrer parecem pequenas. Primeiro, a demanda de cr\u00e9dito na zona do euro em recess\u00e3o continua fraca. E, segundo, os bancos continuam a reduzir os balan\u00e7o para se adequar a novas exig\u00eancias de capital pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Para a analista Jennifer Mckeown, em Londres, quem espera &#8220;encorajamento&#8221;&#8221; para os bancos comprarem amplas quantias de t\u00edtulos de d\u00edvida soberana, aumentando fortemente seus empr\u00e9stimos para as companhias e fam\u00edlias, pode se decepcionar.<\/p>\n<p>Bancos na It\u00e1lia e na Espanha elevaram suas aquisi\u00e7\u00f5es de t\u00edtulos de d\u00edvida soberana em janeiro, contribuindo para a baixa dos spreads desses pap\u00e9is. Mas as compras em toda a zona do euro cresceram menos em janeiro do que em novembro e dezembro, antes da primeira opera\u00e7\u00e3o de liquidez de tr\u00eas anos. &#8220;Mesmo se os bancos tiverem mais dinheiro para investir depois da opera\u00e7\u00e3o de hoje, n\u00e3o estamos convencidos de que v\u00e3o aplicar em t\u00edtulos soberanos arriscados&#8221;&#8221;, acredita Jennifer.<\/p>\n<p>&#8220;Essas medidas ajudaram os bancos a reduzir os riscos de funding, mas n\u00e3o a reduzir as incertezas sobre os t\u00edtulos soberanos europeus&#8221;&#8221;, acrescenta Anshull Pradhan, do Barclays.<\/p>\n<p>Para economistas do banco holand\u00eas Rabobank, o BCE continua a comprar tempo para os pol\u00edticos europeus tomarem decis\u00f5es politicamente dif\u00edceis para a zona do euro sair da crise.<\/p>\n<p>Quanto ao impacto nos financiamentos dos bancos, o que os dados do BCE apontam \u00e9 uma persistente fragilidade nos cr\u00e9ditos para a economia real. Os bancos endureceram ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de financiamento, dobrando a cautela nesses tempos de recess\u00e3o. A falta de cr\u00e9dito poder\u00e1 continuar a frear a atividade econ\u00f4mica na zona do euro.<\/p>\n<p>O BCE n\u00e3o revela os nomes dos bancos que obtiveram os empr\u00e9stimos, ontem. Mas confirma que at\u00e9 institui\u00e7\u00f5es brasileiras com subsidi\u00e1rias na zona do euro podem ter acesso ao financiamento por tr\u00eas anos. Analistas acreditam que o Ita\u00fa, por exemplo, n\u00e3o recorreu a nenhuma das opera\u00e7\u00f5es. Pela caracter\u00edstica das opera\u00e7\u00f5es de Bradesco e Banco do Brasil, tamb\u00e9m parece dif\u00edcil que tenham participado. \u00c9 preciso que o banco tenha ativos eleg\u00edveis de maior prazo para oferecer como garantia para receber o financiamento do BCE.<\/p>\n<p>Para a opera\u00e7\u00e3o de ontem, sete pa\u00edses da zona do euro aceitaram que seus bancos dessem garantia de ativos que at\u00e9 agora recusavam. Trata-se de cr\u00e9ditos para empresas e organismos do setor p\u00fablico, com exce\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos imobili\u00e1rios, opera\u00e7\u00f5es cujo risco de inadimpl\u00eancia seja igual ou inferior a 1%. At\u00e9 agora, os bancos centrais na Europa s\u00f3 aceitavam ativos de garantia com risco de calote inferior a 0,4%. A flexibiliza\u00e7\u00e3o favoreceu a participacao de bancos que tinham dificuldade em fornecer garantias suficientes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2476\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-DW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}