{"id":24786,"date":"2020-01-27T00:37:09","date_gmt":"2020-01-27T03:37:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24786"},"modified":"2020-02-02T23:33:44","modified_gmt":"2020-02-03T02:33:44","slug":"sindicato-dos-bancarios-rj-comemora-90-anos-de-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24786","title":{"rendered":"Sindicato dos Banc\u00e1rios-RJ comemora 90 anos de luta!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/HIMsDtogaYRT0qfwU6QLqaHMz-8LhwxxkfWyS5eZ5yDB4bNLZlLB1LPbO544ZG4BDkUCD11sglN5WPD3M90ZsnJs753nATCCwSRzT4ZBDAooIzJQHqBuOESQ_ZUGMoViOi_R2xjc-D-kXhXauWh8dNfViSINEX8zfxRXaU5gmPaggO0eSJL1d3XetwA_U233TqfI35cRLW6NZmYFxNaDUM1Qevuvlf4Q-lQe4MgO2aVlqHL93aJGIgPyW9fEE8YSdtuKpUfQ_fhbSK62yPwMF6W2UJtZ1SKj5bvgu9H3FfQECGasnViVt8b4y31lZjy2jZPgmI67Ef4eH_r4VkhOvjPm0_4J2nXnnqUR21ee8hbPtkqBxxAJvGwAPcQARC3k7vOaSTlZo7rxCm5ldh7BYjH4gLkxau6yyGn08fIpaOApNQxdpystEU7qCszKwftxDPiTpKeP7k9k3Gl-XHyWXsmNrkqGo0FzqKPpVS5JkauB0A2B4tmWTby5unaevTbez_0O7JjwHW5JtoU1NoM7VoMDlus55Kun9OKUTvjqaDKmd5udtJ4tyIgsLamk2u9Kln7iTZjk6v8sOEKYAvHI7iVB0mmYzV8N6WBH4yFI6D3WpuHg3c8s7cfvbZBzEGPSwJOpZ7SiKKACbGmaKNF5XxO52XIS5Wkclq_Z7jSFx3cBjctXtO5Qfos=w449-h371-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Chegar\u00e1 ao Centen\u00e1rio?<\/p>\n<p>Ivan Pinheiro (*)<\/p>\n<p>Como o tempo passa!<\/p>\n<p>H\u00e1 exatos 40 anos, eu era Presidente do nosso Sindicato quando ele completou 50 anos. Lembro disso n\u00e3o para contar hist\u00f3rias e menos ainda vantagens, mas para ver que li\u00e7\u00f5es podemos tirar fazendo paralelos entre esses dois momentos.<\/p>\n<p>Em 1980, viv\u00edamos em uma ditadura burguesa sob a forma militar. S\u00f3 eram permitidos dois partidos pol\u00edticos (MDB e ARENA), o primeiro de centro e o outro de direita. N\u00e3o havia elei\u00e7\u00e3o direta para Presidente. A ditadura prendia, torturava e assassinava opositores. Greves e centrais sindicais eram proibidas por lei. Em 1979, nosso Sindicato acabara de sair de uma longa interven\u00e7\u00e3o do governo, que no mesmo ano interveio novamente!<\/p>\n<p>No entanto, a partir da greve dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo, em 1978, os trabalhadores fizeram muitas outras greves memor\u00e1veis e conquistaram grandes vit\u00f3rias: acabaram com o arrocho salarial e suas lutas foram decisivas para a decad\u00eancia e o fim da ditadura. Era uma \u00e9poca em que prevalecia a unidade de a\u00e7\u00e3o na luta, em cada sindicato e entre os sindicatos, que n\u00e3o lutavam apenas por conquistas econ\u00f4micas. Protagonizavam as grandes lutas pol\u00edticas gerais da \u00e9poca (anistia, elei\u00e7\u00f5es diretas, assembleia constituinte, defesa das estatais) al\u00e9m das espec\u00edficas, como a defesa da liberdade sindical e do direito de greve.<\/p>\n<p>Houve uma grande explos\u00e3o do movimento sindical e de massas naquela \u00e9poca, em resposta a uma demanda social reprimida por mais de uma d\u00e9cada de explora\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o. Nosso Sindicato, como sempre, assumiu a vanguarda dessas lutas no Rio de Janeiro, onde liderou pol\u00edtica e materialmente campanhas como as \u201cDiretas J\u00e1!\u201d e teve papel decisivo nas articula\u00e7\u00f5es intersindicais estaduais e nacionais.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2020, vivemos no que chamam cinicamente de \u201cestado democr\u00e1tico de direito\u201d. O golpe que derrubou a Presidente Dilma n\u00e3o foi militar, n\u00e3o precisou de nenhum tiro. Foi armado pelas classes dominantes de forma que n\u00e3o parecesse golpe, atrav\u00e9s de manipula\u00e7\u00f5es da m\u00eddia hegem\u00f4nica legitimadas pelo Congresso Nacional e aben\u00e7oadas pelo \u201csagrado\u201d manto do STF, acima do qual s\u00f3 recorrendo a divindades. Com o agravamento da crise econ\u00f4mica, o capital j\u00e1 n\u00e3o queria mais a concilia\u00e7\u00e3o de classe e as pol\u00edticas compensat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es \u201clivres e democr\u00e1ticas\u201d, precedidas da pris\u00e3o sem provas do candidato favorito com base no \u201cdevido processo legal\u201d, somos hoje governados por um idiota pol\u00edtico ideologicamente fascista. Os grandes capitalistas se aproveitam da distra\u00e7\u00e3o que geram diuturnamente as trapalhadas e asneiras do bobo da corte para levar adiante contrarreformas para tirar direitos dos trabalhadores e privatizar o Estado, enquanto controlam o idiota \u00fatil para que n\u00e3o exagere nem acabe com o \u201cestado de direito\u201d. N\u00e3o porque sejam democratas, mas porque o que chamam de democracia \u00e9 a sua mais confort\u00e1vel e charmosa forma de domina\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma esp\u00e9cie de sanfona, que eles abrem ou fecham em fun\u00e7\u00e3o de suas necessidades para manter a explora\u00e7\u00e3o e os lucros. De qualquer maneira, a democracia fajuta em que vivemos \u00e9 melhor para lutarmos que a ditadura escancarada.<\/p>\n<p>No entanto, como vimos, o grau de liberdades democr\u00e1ticas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator que influi na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre o capital e o trabalho.<\/p>\n<p>Nossa for\u00e7a era muito maior naqueles tempos do que nos atuais. T\u00ednhamos vit\u00f3rias e conquistas; hoje, colecionamos derrotas. Isso acontece porque h\u00e1 fatores que nos tiram for\u00e7a, como a fragmenta\u00e7\u00e3o, o aparelhamento e o apassivamento do movimento sindical, o lado negativo do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, o desemprego estrutural e as mudan\u00e7as regressivas na rela\u00e7\u00e3o capital\/trabalho impostas pelo estado burgu\u00eas, em fun\u00e7\u00e3o da crise sist\u00eamica do capitalismo. E ainda pagamos o pre\u00e7o do mundo unipolar surgido ap\u00f3s o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, quando o capital se aproveitou para implantar o chamado neoliberalismo. O sindicalismo ainda vive mundialmente uma crise de representatividade e a maioria da esquerda de identidade.<\/p>\n<p>Essa reflex\u00e3o sobre \u00e9pocas e realidades diferentes da luta de classes nos ajuda a encontrar caminhos para tentar reverter esta correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desfavor\u00e1vel. Ainda mais porque podemos estar \u00e0s v\u00e9speras de uma nova explos\u00e3o em grande escala da luta dos trabalhadores, em fun\u00e7\u00e3o de uma gigantesca demanda social mundial reprimida e dos sinais de esgotamento das possibilidades de o capital extrair valor retirando direitos e saqueando os cofres p\u00fablicos. Revoltas populares massivas explodem em v\u00e1rios pa\u00edses, algumas com sinais de insurrei\u00e7\u00e3o, como no Chile, n\u00e3o por coincid\u00eancia, exatamente o principal laborat\u00f3rio da farsa do sucesso do capitalismo \u201cselvagem\u201d.<\/p>\n<p>Talvez a principal li\u00e7\u00e3o que podemos tirar \u00e9 que os sindicatos precisam superar o corporativismo e o economicismo aos quais sucumbiram.<\/p>\n<p>Talvez esteja na hora de nosso sindicato resgatar sua voca\u00e7\u00e3o de vanguarda e contribuir para aglutinar o sindicalismo de orienta\u00e7\u00e3o classista de diversas categorias profissionais e as for\u00e7as do movimento popular em unidade de a\u00e7\u00e3o, sem partidariza\u00e7\u00e3o, para contribuir nas grandes lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es populares de que necessitamos para barrar os retrocessos pol\u00edticos, sociais e econ\u00f4micos em curso.<\/p>\n<p>Uma iniciativa interessante pode ser a de promover um encontro de todas as centrais e correntes sindicais classistas de nosso Estado para iniciarem um processo de aproxima\u00e7\u00e3o e de experi\u00eancias de a\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias. Lutas comuns \u00e9 o que n\u00e3o faltam!<\/p>\n<p>Mas permitam-me expressar aqui a quest\u00e3o que mais me angustia. Nosso Sindicato corre o risco de n\u00e3o comemorar 100 anos de vida, sobretudo se continuar representando apenas os banc\u00e1rios do Munic\u00edpio do RJ. Todos sabemos que nossa profiss\u00e3o est\u00e1 sendo cada vez mais rapidamente \u201cuberizada\u201d e deixar\u00e1 em breve de existir, pelo menos como a conhecemos. A cada \u201cbanco digital\u201d que surge, l\u00e1 se v\u00e3o as ag\u00eancias f\u00edsicas e com elas os empregos. J\u00e1 se prev\u00ea que, em breve, perder\u00e1 a utilidade a pr\u00f3pria moeda, o que acarretar\u00e1 o fim dos caixas, humanos e eletr\u00f4nicos!<\/p>\n<p>Est\u00e1 na hora de pensar e agir com ousadia e de mudar radicalmente alguns paradigmas. \u00c9 preciso refletir sobre iniciativas que certamente ser\u00e3o dif\u00edceis de serem coroadas de \u00eaxito. Muitas delas ter\u00e3o como principais obst\u00e1culos o corporativismo e o oportunismo de sindicalistas que d\u00e3o mais valor aos seus pr\u00f3prios interesses e vaidades. \u00c9 o caso da necess\u00e1ria fus\u00e3o de sindicatos, tanto do ponto de vista da base territorial como de categorias profissionais. O \u00eaxito dessa empreitada depender\u00e1 do interesse dos trabalhadores representados sindicalmente pela velha estrutura corporativa, raz\u00e3o pela qual eles ser\u00e3o os principais atores dessas necess\u00e1rias mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Precisamos transitar o quanto antes para o sindicato por ramo de produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o mais por categoria profissional, sob pena de extin\u00e7\u00e3o de fato da nossa entidade, ainda que sobreviva de direito. Se houver vontade pol\u00edtica, \u00e9 preciso iniciar imediatamente estudos, sondagens e contatos para entender o que significa, no nosso caso, o ramo de produ\u00e7\u00e3o dentro do chamado setor de servi\u00e7os da economia e quais os caminhos que poder\u00e3o nos levar a este objetivo.<\/p>\n<p>Alguns companheiros devem estar pensando por que algu\u00e9m vem a esta comemora\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio para falar mais dos nossos problemas do que da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u00c9 porque toda vez que nos encontramos para comemorar um anivers\u00e1rio de quem gostamos, desejamos-lhe sempre, como aqui e agora ao nosso querido Sindicato, MUITOS ANOS DE VIDA! N\u00e3o me sentiria honesto em expressar este desejo, se n\u00e3o me preocupasse com o nosso futuro.<\/p>\n<p>(*) &#8211; Ivan Pinheiro foi presidente do Sindicato dos Banc\u00e1rios do RJ (1979\/1982) e delegado junto \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o (1982\/1985)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24786\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[15,31],"tags":[221],"class_list":["post-24786","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s18-sindical","category-c31-unidade-classista","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6rM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24786"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24786\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}