{"id":248,"date":"2010-01-11T21:18:58","date_gmt":"2010-01-11T21:18:58","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=248"},"modified":"2010-01-11T21:18:58","modified_gmt":"2010-01-11T21:18:58","slug":"breve-historia-sobre-o-partido-comunista-da-bolivia-pcb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/248","title":{"rendered":"Breve hist\u00f3ria sobre o Partido Comunista da Bol\u00edvia (PCB)"},"content":{"rendered":"\n<p>A milit\u00e2ncia do nascente Partido Comunista foi notavelmente juvenil. Procedia principalmente da Juventude do PIR (Partido da Esquerda Revolucion\u00e1ria), organiza\u00e7\u00e3o que se declarava marxista-leninista, mas com forte inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00f5es socialdemocratas. Alguns fundadores do Partido procediam de partidos irm\u00e3os. Tamb\u00e9m se incorporaram jovens que n\u00e3o haviam pertencido a nenhuma outra organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas se identificavam com posturas revolucion\u00e1rias e da esquerda marxista.<\/p>\n<p>Qualquer que tenha sido a origem pol\u00edtica do militantes a grande maioria procedia de setores estudantis. A milit\u00e2ncia oper\u00e1ria era escassa e os ligados aos setores populares eram predominantemente mestres, artes\u00e3os e empregados do com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Por sua juventude os n\u00facleos partid\u00e1rios eram muito ativos e temporariamente participaram em fortes confronta\u00e7\u00f5es de classe como a greve e manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias fabris de maio de 1950.<\/p>\n<p>O ascenso de massas do come\u00e7o da d\u00e9cada de 50 se traduziu, em 9 de abril de 1952, numa Insurrei\u00e7\u00e3o Popular que ulteriormente foi apreciada pelo Partido como a abertura ao processo da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril. N\u00e3o houve uma participa\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do Partido nesta luta revolucion\u00e1ria, mas quase espontaneamente v\u00e1rios militantes em La Paz e Oruro, aderiram \u00e0 fileiras dos combatentes. O chapeleiro Manuel Miranda \u00e9 considerado o primeiro her\u00f3i do Partido. Ele caiu em batalha lutando contra o ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Ainda que dirigida pelo Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR), partido de ess\u00eancia e composi\u00e7\u00e3o pequeno-burguesa, a Revolu\u00e7\u00e3o executou, sob press\u00e3o popular, algumas medidas avan\u00e7adas como a nacionaliza\u00e7\u00e3o das minas, a reforma agr\u00e1ria, a reforma educativa e instalou o voto universal. A derrota do ex\u00e9rcito provocou a apari\u00e7\u00e3o de \u201cmilicias populares\u201d (oper\u00e1rios e camponeses). Algumas delas que n\u00e3o se converteram em mercen\u00e1rias, particularmente nas minas, estiveram sob a dire\u00e7\u00e3o de membros do Partido. Os primeiros tempos da vida org\u00e2nica do Partido se caracterizaram pela busca de uma correta pol\u00edtica org\u00e2nica e a realiza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios leninistas de organiza\u00e7\u00e3o. At\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do 1\u00ba Congresso Nacional (1959) aconteceram v\u00e1rias confer\u00eancias nacionais. Se destaca a 6\u00aa Confer\u00eancia (1954) que aprovou a pol\u00edtica de \u201cconcentra\u00e7\u00e3o de quadros\u201d. Esta implicava um grande esfor\u00e7o org\u00e2nico destacando jovens, sobre tudo \u00e0 minas, para construir o Partido. O resultado veio \u00e0 tona no 1\u00ba Congresso que contou com a forte presen\u00e7a de delegados oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>A partir daqueles tempos o Partido teve uma forte presen\u00e7a nos sindicatos oper\u00e1rios de mineiros, fabril, ferrovi\u00e1rios e constru\u00e7\u00e3o. Apesar do dom\u00ednio, muitas vezes at\u00e9 policialesco, do MNR, o PCB influi notavelmente na Central Oper\u00e1ria Boliviana (COB) lutando por sua unidade e pela independ\u00eancia de classe que devia caracteriz\u00e1-la. At\u00e9 a instaura\u00e7\u00e3o da neoliberalismo e sua a\u00e7\u00e3o delet\u00e9ria sobre o movimento sindical (aproximadamente 1985) a COB foi uma grande e influente for\u00e7a social que atuou, em geral, sob os princ\u00edpios pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos defendidos dentro dela pelo PCB. O ponto culminante do conflito de tend\u00eancias na COB e a derrota da tend\u00eancia nacionalista reformista foi a elei\u00e7\u00e3o dos Secret\u00e1rios Executivos que pertenciam \u00e0s fileiras do Partido (1985).<\/p>\n<p>O MNR n\u00e3o foi mais al\u00e9m das medidas antes assinaladas e, ao contr\u00e1rio, capitulou ante as press\u00f5es do conservadorismo e a direita reacion\u00e1ria, convertendo-se, crescentemente, num governo d\u00f3cil aos ditames do imperialismo e entregando o pais ao saque \u00e0 corpora\u00e7\u00f5es transnacionais. Durante todos os anos, sobre tudo a partir de 1955, o Partido calibrou sua linha pol\u00edtica defendendo a cria\u00e7\u00e3o de uma frente democr\u00e1tica de liberta\u00e7\u00e3o nacional. Esta frente devia agrupar as for\u00e7as sociais e pol\u00edticas interessadas na conquista da soberania nacional, o desenvolvimento independente do pais, a conquista de uma democracia rela para o povo, a liquida\u00e7\u00e3o do latifundi\u00e1rio e o fortalecimento e defesa de todo o patrim\u00f4nio nacional.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, era o cumprimento de um programa democr\u00e1tico de liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Ao fracasso de doze anos de gest\u00e3o do MNR, sobrevivem os regimes e se inaugura, com o General Barrientos, a \u00e9poca dos golpes militares sob a cobertura da \u201cdoutrina de seguran\u00e7a nacional\u201d. Durante este governo surge a guerrilha de \u00d1ancahuaz\u00fa, comandada por Ernesto Guevara. O Che n\u00e3o conseguiu seus objetivos militares, mas provoca um not\u00e1vel aumento das lutas anti-imperialistas e anti-olig\u00e1rquicas em toda a Am\u00e9rica Latina. Este epis\u00f3dio da hist\u00f3ria do PCB \u00e9 ainda controvertido. As aprecia\u00e7\u00f5es, em seu tempo, diferiram acerca do m\u00e9todo de luta. O PCB, apoiando-sena hist\u00f3ria e experi\u00eancia da lutas do povo boliviano, sustentava a via preferencia da insurrei\u00e7\u00e3o de massas, com o desenlace da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>O Partido ajudou na prepara\u00e7\u00e3o da guerrilha e inclusive, no seu final, organizou o resgate dos tr\u00eas combatentes cubanos sobreviventes. \u00c9 prov\u00e1vel que algum dirigente tenha adquirido \u2013 \u00e0 margem do conhecimento pleno da dire\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria \u2013 certos compromissos que n\u00e3o se cumpriram, o que ocasionou posteriormente desaven\u00e7as ou diferentes vis\u00f5es, que o tempo j\u00e1 superou em grande medida.<\/p>\n<p>Nem todos os governo militares foram reacion\u00e1rios e antipopulares. O governo do General Alfredo Ovando (1969-1970) revogou os dispositivos anti-sindicais da lei de seguran\u00e7a anterior; reverter ao Estado concess\u00f5es mineiras e nacionalizou a Gulf Oil Co. Por sua vez o governo do General J. J. Torres praticou outras medidas progressistas, recuperou sal\u00e1rios dos mineiros e facilitou o funcionamento da Assembl\u00e9ia Popular (1971), na qual o Partido teve forte presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas o destempero de setores radicais e a falta de unidade popular, facilitaram o caminho para a conspira\u00e7\u00e3o da extrema direita e \u00e0 instiga\u00e7\u00e3o do imperialismo. Torres foi derrotado pelo ent\u00e3o Coronel Hugo Banzer, instalando-se um governo de estrema direita, de corte fascista. Nesse per\u00edodo se aplicou na Bol\u00edvia o \u201cPlano Condor\u201d.<\/p>\n<p>Novamente o Partido, da clandestinidade, lutou pela unidade das for\u00e7as democr\u00e1ticas, o que se alcan\u00e7ou em 1978, depois de conquistar uma abertura democr\u00e1tica imposta por uma grande movimento de massas. Surgiu a Unidade Democr\u00e1tica Popular (UDP) que agregou os principais partidos de esquerda (MNR-I, MIR e PCB). A UDP se imp\u00f4s em tr\u00eas elei\u00e7\u00f5es consecutivas, conseguindo cada vez mais apoio popular, sobre tudo no ocidente do pais.<\/p>\n<p>Foi um per\u00edodo politicamente agitado. Depois do terceiro triunfo eleitoral sobreveio o sangrento golpe de Garcia Meza que instalou um regime envolvido com o narcotr\u00e1fico e uma raivosa persegui\u00e7\u00e3o contra qualquer elemento progressista, de esquerda e at\u00e9 mesmo o simples democrata. A resist\u00eancia popular e certas condi\u00e7\u00f5es internacionais encurtaram a ditadura militar e, finalmente em 1982 se restabeleceu o parlamento; Hern\u00e1n Siles Zuaza assumiu a presid\u00eancia do pais. Seu governo foi dif\u00edcil. Sete anis de ditadura deixaram vest\u00edgios profundos no aparato do Estado e na sociedade civil. Na UDP n\u00e3o havia coer\u00eancia pol\u00edtica. Suas propostas program\u00e1ticas foram pouco aplicadas. Houve partidos cujo \u00fanico prop\u00f3sito foi a promo\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e pessoal e se envolveram em atos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A direita conspirou desde o primeiro momento e praticou a sabotagem econ\u00f4mica, a especula\u00e7\u00e3o desorganizou a economia que j\u00e1 havia acumulado fatores cr\u00edticos, sobre tudo com o desmedido endividamento exterior. Se desencadeou uma hiperinfla\u00e7\u00e3o, produto de erros do governo e para a qual contribuiu a desordem social e demandas reprimidas de v\u00e1rios setores sociais, estimuladas pela ultra-esquerda que, na pr\u00e1tica, foi funcional aos planos desestabilizadores da direita.<\/p>\n<p>Siles Zuazo renunciou a uma ano de seu mandato para evitar uma regress\u00e3o antidemocr\u00e1tica. Apesar de todas as dificuldades seu governo e o da UDP marcaram de forma duradoura a mem\u00f3ria popular.<\/p>\n<p>A direita soube aproveitar a derrota pol\u00edtica da UDP que se dissolveu sobre tudo pelo abandono oportunista de quase todos os seus componentes. Veio a s\u00e9rie de governos conservadores, restabelecendo-se o dom\u00ednio da oligarquia e das transnacionais, sob a nova modalidade de domina\u00e7\u00e3o conhecida como neoliberalismo. O neoliberalismo foi imposto mediante o Decreto Supremo N\u00ba 21060, todo um plano de sistem\u00e1tico saque do patrim\u00f4nio nacional, de privatiza\u00e7\u00f5es e de desmantelamento das conquistas sociais. O plano neoliberal se seguiu de uma grande campanha propagandista de desrespeito das id\u00e9ias de esquerda, do marxismo e do socialismo, dos partidos comunistas e at\u00e9 dos sindicatos.<\/p>\n<p>O Partido, golpeado por dois processos divisionistas continuou em busca da unidade das enfraquecidas for\u00e7as de esquerda. Ensaiou organizar coaliz\u00f5es progressistas e de esquerda at\u00e9 que em 1996 se consolida um pacto com organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas camponesas (ASP) e sob a sigla da Izquierda Unida (IU) chegam ao parlamento alguns deputados, entre eles o atual presidente Evo Morales. Mas esse acordo pol\u00edtico encontrou alguns obst\u00e1culos e a UI deixou de existir como coaliz\u00e3o. Mesmo assim, na pr\u00e1tica seguia a converg\u00eancia, do PCB e o Movimento ao Socialismo (MAS) na luta contra o neoliberalismo. O ascenso das massas culminou com a Insurrei\u00e7\u00e3o Popular de outubro de 2003, expulsando do poder o mais consp\u00edcuo representante do neoliberalismo.<\/p>\n<p>Evo Morales, com o remodelado MAS teve crescentes \u00eaxitos at\u00e9 que em 2005 obteve um ressonante triunfo conquistando a presid\u00eancia da Rep\u00fablica. O PCB junto com outros agrupamentos de esquerda, organizadas na Alian\u00e7a Revolucion\u00e1ria Anti-imperialista (ARA), ap\u00f3iam o processo de mudan\u00e7as e buscam seu aprofundamento sob a consigna RESGATAR A P\u00c1TRIA RUMO AO SOCIALISMO.<\/p>\n<p>Secretariado do Comit\u00ea Central.<\/p>\n<p>La Paz, janeiro de 2010.<\/p>\n<p>Traduzido por: Dario da Silva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.pcbolivia.net\n\n\n\n\nDezessete de janeiro \u00e9 data convencional da funda\u00e7\u00e3o do PCB. A data est\u00e1 ligada a dias de protesto popular contra uma das habituais aumentos de tarifas do transporte e de pre\u00e7os de produtos de consumo amplo. O pais estava comandado por um governo reacion\u00e1rio. Mas na realidade j\u00e1 em fins de 1949 existiam algumas c\u00e9lulas que reivindicavam uma posi\u00e7\u00e3o comunista, sobre a base ideol\u00f3gica do marxismo-leninismo.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/248\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c55-bolivia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-40","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}