{"id":24817,"date":"2020-02-02T00:09:11","date_gmt":"2020-02-02T03:09:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24817"},"modified":"2020-02-02T00:09:11","modified_gmt":"2020-02-02T03:09:11","slug":"os-ricos-tambem-amam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24817","title":{"rendered":"Os ricos tamb\u00e9m amam"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/criticadaeconomia.com\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/EUA-na-UTI.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Jos\u00e9 Martins<\/p>\n<p>Cr\u00edtica da Economia<\/p>\n<p>Lenin costumava dizer, n\u00e3o sem certa ang\u00fastia, que faltava \u00e0 maioria dos revolucion\u00e1rios comunistas a mesma clareza dos capitalistas quanto a seus objetivos e os meios para alcan\u00e7\u00e1-los.<\/p>\n<p>Para ele, isso acontecia porque lhes faltava a pr\u00e1tica de pensar o que ele denominava \u201can\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta\u201d.<\/p>\n<p>No \u00faltimo F\u00f3rum de Davos, realizado na semana passada, reunindo a nata dos economistas e ide\u00f3logos em geral dos capitalistas de todo o mundo, reapareceu com for\u00e7a a atualidade daquela afirma\u00e7\u00e3o do grande revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Veja-se, por exemplo, a inacredit\u00e1vel mudan\u00e7a de pele do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), institui\u00e7\u00e3o imperialista notabilizada nos \u00faltimos setenta anos do p\u00f3s-guerra pela sua defesa de famigeradas pol\u00edticas de austeridade fiscal e de indiscriminados cortes de gastos p\u00fablicos com sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, e outras formas de prote\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria do Estado para a maioria da popula\u00e7\u00e3o de miser\u00e1veis espalhados pelo mundo.<\/p>\n<p>Agora, o FMI aproveitou a reuni\u00e3o em Davos para apresentar seu relat\u00f3rio de perspectivas da economia mundial e anunciar ao mundo que est\u00e1 pensando diferente. Muito diferente.<\/p>\n<p>\u201cEm todas as economias, um imperativo chave \u2013 e cada vez mais pertinente num per\u00edodo de crescente descontentamento \u2013 consiste em ampliar a inclus\u00e3o e garantir que as redes de prote\u00e7\u00e3o social estejam de fato protegendo os mais vulner\u00e1veis, e que as estruturas de Governo reforcem a coes\u00e3o social\u201d, salienta o FMI em seu relat\u00f3rio, ao mencionar quais deveriam ser as prioridades da pol\u00edtica econ\u00f4mica dos capitalistas de todo mundo na atual situa\u00e7\u00e3o concreta da economia mundial.<\/p>\n<p>Combate imediato \u00e0s desigualdades com investimentos que protejam os mais pobres. Aparentemente, a mesma bandeira da esquerda democr\u00e1tica no per\u00edodo do p\u00f3s-guerra. Mas a coisa vai muito al\u00e9m das apar\u00eancias e do colaboracionismo daqueles antigos amigos do povo.<\/p>\n<p>De fato, o FMI admite agora que \u201co agravamento do mal-estar social em muitos pa\u00edses \u2013 devido em alguns casos \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es tradicionais e a falta de representa\u00e7\u00e3o nas estruturas de governo\u2014 poderia abalar a atividade econ\u00f4mica, complicar as iniciativas de reforma e prejudicar as iniciativas, o que faria o crescimento diminuir para aqu\u00e9m do projetado\u201d.<\/p>\n<p>Restaura\u00e7\u00e3o do Estado de bem estar social dilacerado nas \u00faltimas d\u00e9cadas pela globaliza\u00e7\u00e3o e aprofundamento dos choques c\u00edclicos? Muito mais do que isto. O s\u00fabito amor dos capitalistas pelos \u201cmais vulner\u00e1veis\u201d tem raz\u00f5es muito mais pr\u00e1ticas do que declara a v\u00e3 economia vulgar em recentes livros, relat\u00f3rios e discursos.<\/p>\n<p>Principalmente nos \u00faltimos meses, em que desataram in\u00fameras rebeli\u00f5es e protestos sociais em pa\u00edses e regi\u00f5es mais diversas do planeta, at\u00e9 o famigerado FMI defende um aumento do gasto social, a \u201cinclus\u00e3o e a coes\u00e3o social\u201d como forma de limitar o impacto da luta de classes sobre a economia e os Estados nacionais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante reconhecer que o gasto social seja bem orientado, que os mais vulner\u00e1veis sejam protegidos, e que os Governos assegurem que o crescimento e a recupera\u00e7\u00e3o sejam compartilhados por todos\u201d, declarou a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, em Davos, uma clara revis\u00e3o dos postulados defendidos nas \u00faltimas d\u00e9cadas pelo organismo.<\/p>\n<p>Mais importante ainda. Durante a apresenta\u00e7\u00e3o daquele relat\u00f3rio do FMI no F\u00f3rum de Davos, a nova presidenta do FMI, Kristalina Georgieva, citava o g\u00eanio russo Lev Tolst\u00f3i, em Anna Karenina, para dizer que \u201ctoda variedade, todo encanto e toda beleza s\u00e3o feitos de luzes e sombras\u201d.<\/p>\n<p>Georgieva \u00e9 uma economista inteligente. Coisa rara. Tem clareza da situa\u00e7\u00e3o. Referia-se claramente ao lusco-fusco, ao crep\u00fasculo que a economia global enfrentar\u00e1 nos pr\u00f3ximos trimestres. E essas suas palavras aplicam-se corretamente \u00e0s pol\u00edticas do organismo que ela agora preside.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica tradicional do FMI nunca foi criticada pelos capitalistas desde sua inaugura\u00e7\u00e3o \u2013 no bojo do Tratado de Bretton Woods (1945) \u2013 por sua imposi\u00e7\u00e3o goela abaixo da austeridade fiscal e das receitas de cortes de gastos p\u00fablicos e sociais na periferia dominada do sistema imperial.<\/p>\n<p>Muito pelo contr\u00e1rio. O FMI sempre teve as m\u00e3os totalmente livres para agir como um dos principais instrumentos pol\u00edticos da explora\u00e7\u00e3o e saque imperialista sobre as economias dominadas da periferia do sistema.<\/p>\n<p>Mas essa repentina bandeira de redu\u00e7\u00e3o das desigualdades econ\u00f4micas (n\u00e3o confundir com redu\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o) e do s\u00fabito amor dos capitalistas pelos pobres tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um mero discurso para ludibriar as massas, como sempre foi no caso dos antigos populistas do p\u00f3s-guerra na Am\u00e9rica Latina e alhures.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, agora \u00e9 para valer. O que prop\u00f5em agora os novos amigos do povo \u00e9 uma provid\u00eancia pr\u00e1tica imediata, necess\u00e1ria, cir\u00fargica, em uma situa\u00e7\u00e3o concreta de aproxima\u00e7\u00e3o do mais potente choque econ\u00f4mico global dos \u00faltimos cem anos.<\/p>\n<p>Diminuir as desigualdades como expediente para aumentar a explora\u00e7\u00e3o. Garantir a reprodu\u00e7\u00e3o material da popula\u00e7\u00e3o no estouro da crise e evitar a revolu\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o tem nada a perder a n\u00e3o ser seus grilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Todo o amor dos ricos pelos pobres resume-se, portanto, ao abafamento da luta de classes e das rebeli\u00f5es populares, principalmente no interior das principais pot\u00eancias mundiais.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 exatamente aqui, no n\u00f3 g\u00f3rdio de relacionamento entre essas pot\u00eancias mundiais, que aparece um r\u00edgido limite \u00e0s pol\u00edticas econ\u00f4micas de manuten\u00e7\u00e3o da governabilidade das diferentes burguesias nacionais.<\/p>\n<p>O capital \u00e9 internacional, mas as burguesias sempre ser\u00e3o nacionais. N\u00e3o existe possibilidade de governabilidade global.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria pol\u00edtica econ\u00f4mica enunciada agora em Davos de redu\u00e7\u00e3o das desigualdades para enfrentar os conflitos de ingovernabilidade nacionais j\u00e1 leva, antes mesmo de explodir o novo choque global, \u00e0 incontrol\u00e1vel escalada de tens\u00f5es protecionistas e potenciais choques armados entre as grandes pot\u00eancias.<\/p>\n<p>Presencia-se, nos \u00faltimos anos, fortes posicionamentos pol\u00edticos nacionais das principais burguesias nacionais (principalmente da maior pot\u00eancia econ\u00f4mica e militar do planeta) que desmancha perigosamente a globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a ordem geopol\u00edtica do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Os velhos fantasmas das grandes guerras do in\u00edcio do s\u00e9culo passado ressurgem agora com toda for\u00e7a na cabe\u00e7a e nas tarefas imediatas dos capitalistas de todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201cO in\u00edcio desta d\u00e9cada traz lembran\u00e7as inevit\u00e1veis dos anos vinte do s\u00e9culo XX: elevada desigualdade, r\u00e1pido desenvolvimento tecnol\u00f3gico e grandes retornos no \u00e2mbito financeiro\u201d, recordava Kristalina Georgieva na mesma interven\u00e7\u00e3o em Davos.<\/p>\n<p>\u201cPara que a analogia pare por a\u00ed, \u00e9 absolutamente decisivo agirmos unidos e de forma coordenada\u201d, acrescentou. \u201cEstejam preparados para agir se o crescimento se desacelerar de novo\u201d, alertou a inteligente nova diretora do FMI aos principais dirigentes das grandes economias e demais capitalistas de todo o mundo.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"OGWKNFDct4\"><p><a href=\"https:\/\/criticadaeconomia.com\/2020\/01\/os-ricos-tambem-amam\/\">Os ricos tamb\u00e9m amam<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#8220;Os ricos tamb\u00e9m amam&#8221; &#8212; \" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/criticadaeconomia.com\/2020\/01\/os-ricos-tambem-amam\/embed\/#?secret=OGWKNFDct4\" data-secret=\"OGWKNFDct4\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24817\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[223],"class_list":["post-24817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6sh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}