{"id":2483,"date":"2012-03-02T21:04:05","date_gmt":"2012-03-02T21:04:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2483"},"modified":"2012-03-02T21:04:05","modified_gmt":"2012-03-02T21:04:05","slug":"camponeses-lancam-manifesto-pela-reforma-agraria-apos-encontro-historico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2483","title":{"rendered":"Camponeses lan\u00e7am manifesto pela Reforma Agr\u00e1ria ap\u00f3s encontro hist\u00f3rico"},"content":{"rendered":"\n<p>Os movimentos sociais do campo, que fizeram uma reuni\u00e3o no come\u00e7o desta semana em Bras\u00edlia, lan\u00e7aram um manifesto em defesa da Reforma Agr\u00e1ria, do desenvolvimento rural com o fim das desigualdades, da produ\u00e7\u00e3o e acesso a alimentos saud\u00e1veis, da agroecol\u00f3gica e da garantia e amplia\u00e7\u00e3o de direitos sociais aos trabalhadores rurais.<\/p>\n<p>As entidades mais representativas do meio rural no Brasil consideraram a reuni\u00e3o &#8220;um momento hist\u00f3rico, um espa\u00e7o qualificado, com dirigentes das principais organiza\u00e7\u00f5es do campo que esperam a ades\u00e3o e o compromisso com este processo&#8221;.<\/p>\n<p>No manifesto, foi criticado tamb\u00e9m o modelo de produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>commodities <\/em>agr\u00edcolas baseado em latif\u00fandios, na expuls\u00e3o das fam\u00edlias do campo e nos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>&#8220;O agroneg\u00f3cio representa um pacto de poder das classes sociais hegem\u00f4nicas, com forte apoio do Estado Brasileiro, pautado na financeiriza\u00e7\u00e3o e na acumula\u00e7\u00e3o de capital, na mercantiliza\u00e7\u00e3o dos bens da natureza, gerando concentra\u00e7\u00e3o e estrangeiriza\u00e7\u00e3o da terra, contamina\u00e7\u00e3o dos alimentos por agrot\u00f3xicos, destrui\u00e7\u00e3o ambiental, exclus\u00e3o e viol\u00eancia no campo, e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos, lideran\u00e7as e lutas sociais&#8221;, afirmam no manifesto.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 assinado pelo MST, Via Campesina, Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), entre outras entidades\u00a0<em>(veja a lista no final)<\/em>.<\/p>\n<p>Os movimentos sociais prometem &#8220;um processo de luta unificada em defesa da Reforma Agr\u00e1ria, dos direitos territoriais e da produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Na tarde desta ter\u00e7a-feira (28\/2), os movimentos apresentam o manifesto \u00e0 sociedade em ato pol\u00edtico no plen\u00e1rio 15 da C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Abaixo, leia a vers\u00e3o integral do manifesto.<\/p>\n<p><strong>MANIFESTO DAS ORGANIZA\u00c7\u00d5ES SOCIAIS DO CAMPO<\/strong><\/p>\n<p>As entidades APIB, C\u00c1RITAS, CIMI, CPT, CONTAG, FETRAF, MAB, MCP, MMC, MPA e MST, presentes no Semin\u00e1rio Nacional de Organiza\u00e7\u00f5es Sociais do Campo, realizado em Bras\u00edlia, nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2012, deliberaram pela constru\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de um processo de luta unificada em defesa da Reforma Agr\u00e1ria, dos direitos territoriais e da produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Considerando:<\/p>\n<p>1) O aprofundamento do capitalismo dependente no meio rural, baseado na expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio, produz impactos negativos na vida dos povos do campo, das florestas e das \u00e1guas, impedindo o cumprimento da fun\u00e7\u00e3o socioambiental da terra e a realiza\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria, promovendo a exclus\u00e3o e a viol\u00eancia, impactando negativamente tamb\u00e9m nas cidades, agravando a depend\u00eancia externa e a degrada\u00e7\u00e3o dos recursos naturais (primariza\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>2) O Brasil vive um processo de reprimariza\u00e7\u00e3o da economia, baseada na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de commodities agr\u00edcolas e n\u00e3o agr\u00edcolas (minera\u00e7\u00e3o), que \u00e9 incapaz de financiar e promover um desenvolvimento sustent\u00e1vel e solid\u00e1rio e satisfazer as necessidades do povo brasileiro.<\/p>\n<p>3) O agroneg\u00f3cio representa um pacto de poder das classes sociais hegem\u00f4nicas, com forte apoio do Estado Brasileiro, pautado na financeiriza\u00e7\u00e3o e na acumula\u00e7\u00e3o de capital, na mercantiliza\u00e7\u00e3o dos bens da natureza, gerando concentra\u00e7\u00e3o e estrangeiriza\u00e7\u00e3o da terra, contamina\u00e7\u00e3o dos alimentos por agrot\u00f3xicos, destrui\u00e7\u00e3o ambiental, exclus\u00e3o e viol\u00eancia no campo, e a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos, lideran\u00e7as e lutas sociais.<\/p>\n<p>4) A crise atual \u00e9 sist\u00eamica e planet\u00e1ria e, em situa\u00e7\u00f5es de crise, o capital busca sa\u00eddas cl\u00e1ssicas que afetam ainda mais os trabalhadores e trabalhadoras com o aumento da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho (inclusive com trabalho escravo), super explora\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o dos bens e recursos naturais (reprimariza\u00e7\u00e3o), flexibiliza\u00e7\u00e3o de direitos e investimento em tecnologia excludente e predat\u00f3ria.<\/p>\n<p>5) Na atual situa\u00e7\u00e3o de crise, o Brasil, como um pa\u00eds rico em terra, \u00e1gua, bens naturais e biodiversidade, atrai o capital especulativo e agroexportador, acirrando os impactos negativos sobre os territ\u00f3rios e popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas. Externamente, o Brasil pode se tornar alavanca do projeto neocolonizador, expandindo este modelo para outros pa\u00edses, especialmente na Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica.<\/p>\n<p>6) O pensamento neodesenvolvimentista centrado na produ\u00e7\u00e3o e no lucro, defendido pela direita e por setores de esquerda, exclui e trata como empecilho povos ind\u00edgenas, quilombolas e camponeses. A op\u00e7\u00e3o do governo brasileiro por um projeto neodesenvolvimentista, centrado em grandes projetos e na exporta\u00e7\u00e3o de commodities, agrava a situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o e de viol\u00eancia. Consequentemente n\u00e3o atende as pautas estruturais e n\u00e3o coloca a reforma agr\u00e1ria no centro da agenda pol\u00edtica, gerando forte insatisfa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es sociais do campo, apesar de pequenos avan\u00e7os em quest\u00f5es perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o as raz\u00f5es centrais que levaram as organiza\u00e7\u00f5es sociais do campo a se unirem em um processo nacional de luta articulada. Mesmo reconhecendo a diversidade pol\u00edtica, estas compreendem a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o da unidade, feita sobre as bases da sabedoria, da maturidade e do respeito \u00e0s diferen\u00e7as, buscando conquistas concretas para os povos do campo, das florestas e das \u00e1guas.<\/p>\n<p>Neste sentido n\u00f3s, organiza\u00e7\u00f5es do campo, lutaremos por um desenvolvimento com sustentabilidade e focado na soberania alimentar e territorial, a partir de quatro eixos centrais:<\/p>\n<p>a) Reforma Agr\u00e1ria ampla e de qualidade, garantia dos direitos territoriais dos povos ind\u00edgenas e quilombolas e comunidades tradicionais: terra como meio de vida e afirma\u00e7\u00e3o da identidade sociocultural dos povos, combate \u00e0 estrangeiriza\u00e7\u00e3o das terras e estabelecimento do limite de propriedade da terra no Brasil.<\/p>\n<p>b) Desenvolvimento rural com distribui\u00e7\u00e3o de renda e riqueza e o fim das desigualdades;<\/p>\n<p>c) Produ\u00e7\u00e3o e acesso a alimentos saud\u00e1veis e conserva\u00e7\u00e3o ambiental, estabelecendo processos que assegurem a transi\u00e7\u00e3o para agroecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>d) Garantia e amplia\u00e7\u00e3o de direitos sociais e culturais que permitam a qualidade de vida, inclusive a sucess\u00e3o rural e perman\u00eancia da juventude no campo.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um momento hist\u00f3rico, um espa\u00e7o qualificado, com dirigentes das principais organiza\u00e7\u00f5es do campo que esperam a ades\u00e3o e o compromisso com este processo por outras entidades e movimentos sociais, setores do governo, parlamentares, personalidades e sociedade em geral, uma vez que a agenda que nos une \u00e9 uma agenda de interesse de todos e todas.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 28 de fevereiro de 2012.<\/p>\n<p>APIB \u2013 Associa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil<\/p>\n<p>C\u00c1RITAS Brasileira<\/p>\n<p>CIMI \u2013 Conselho Indigenista Mission\u00e1rio<\/p>\n<p>CPT \u2013 Comiss\u00e3o Pastoral da Terra<\/p>\n<p>CONTAG \u2013 Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Trabalhadores na Agricultura<\/p>\n<p>FETRAF \u2013 Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura Familiar<\/p>\n<p>MAB \u2013 Movimento dos Atingidos por Barragens<\/p>\n<p>MCP \u2013 Movimento Campon\u00eas Popular<\/p>\n<p>MMC \u2013 Movimento de Mulheres Camponesas<\/p>\n<p>MPA \u2013 Movimento dos Pequenos Agricultores<\/p>\n<p>MST \u2013 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra<\/p>\n<p>Via Campesina Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: MST\n\n\n\n\n\n\n\n\nDa P\u00e1gina do MST\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2483\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-2483","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-E3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}