{"id":2488,"date":"2012-03-04T15:06:04","date_gmt":"2012-03-04T15:06:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2488"},"modified":"2012-03-04T15:06:04","modified_gmt":"2012-03-04T15:06:04","slug":"falemos-do-conflito-social-e-armado-colombiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2488","title":{"rendered":"FALEMOS DO CONFLITO SOCIAL E ARMADO COLOMBIANO"},"content":{"rendered":"\n<p>A Col\u00f4mbia \u00e9 um pa\u00eds bastante curioso. Todo o mundo fala de paz em abstrato, enquanto isso a guerra e as mais variadas viol\u00eancias s\u00e3o o p\u00e3o de cada dia e a \u00fanica coisa tang\u00edvel para as comunidades mais marginalizadas do pa\u00eds. Contudo, enquanto todos falam em paz em abstrato, falar de paz em termos concretos tem sido praticamente criminalizado. O pr\u00f3prio presidente Santos tem dito mais do que ningu\u00e9m que seu governo pode tomar parte nos temas de paz, que somente ele tem a bendita chave da paz[1].<\/p>\n<p>Qualquer pessoa que aborde de maneira s\u00e9ria o estudo dos processos de di\u00e1logo falidos do passado (La Uribe e San Vicente del Cag\u00faan), qualquer pessoa que aborde de maneira s\u00e9ria o estudo das fontes de viol\u00eancia na Col\u00f4mbia, suas causas estruturais e que, ainda mais, proponha transforma\u00e7\u00f5es sociais para lograr uma paz org\u00e2nica (diferente de, digamos, a paz dos cemit\u00e9rios) \u00e9 imediatamente tachada de partid\u00e1rio do \u201cterrorismo\u201d. Qualquer pessoa que chegue \u00e0 conclus\u00e3o honesta de que sem justi\u00e7a social n\u00e3o haver\u00e1 paz, este que \u00e9 o pr\u00e9-requisito para uma coexist\u00eancia civilizada, \u00e9 imediatamente estigmatizado desde os c\u00edrculos dominantes. Qualquer pessoa que busque o di\u00e1logo pol\u00edtico, \u00e9 imediatamente acusado de intentar dar \u201coxig\u00eanio \u00e0 guerrilha\u201d. Sim, todos falam de paz em abstrato, mas qualquer movimento efetivo para lograr algum avan\u00e7o at\u00e9 uma paz org\u00e2nica, com justi\u00e7a social, efetiva, \u00e9 criminalizado.<\/p>\n<p>A raiz dos comunicados do comandante das FARC-EP, Timole\u00f3n Jim\u00e9nez, nos quais chama \u00e0 retomada do di\u00e1logo em termos bem concretos, propondo como ponto de partida a agenda inconclusa do Cag\u00faan, o tema do di\u00e1logo pol\u00edtico tem sido posto novamente na agenda pol\u00edtica [2]. Desde ent\u00e3o, a maioria dos meios de comunica\u00e7\u00e3o reagiram com histeria contra a proposta da insurg\u00eancia, ainda que as vozes cr\u00edticas j\u00e1 tenham come\u00e7ado a se fazer notar, demonstrando que existem fissuras no consenso militarista imposto a sangue e fogo desde a grande noite uribista.<\/p>\n<p><strong>Duas vozes a favor do militarismo e do <em>establishment<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Todavia, um setor importante do <em>establishment<\/em> est\u00e1 alucinado com a vit\u00f3ria militar [3]. V\u00e1rios opinantes sa\u00edram opondo-se abertamente \u00e0 perspectiva do di\u00e1logo e aos convites de Timole\u00f3n Jim\u00e9nez argumentando, por um lado, que a vit\u00f3ria militar \u00e9 poss\u00edvel e, por outro, que n\u00e3o h\u00e1 nada que dialogar com a \u201cguerrilha\u201d. Humberto de la Calle, afirma no El Espectador que \u201c<em>No plano militar, derrotar as FARC equivale a desvertebrar seu ex\u00e9rcito, afetar sua unidade de mando, diminuir significativamente seus ingressos, ilhar suas frentes e perturbar de maneira importante suas comunica\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o haver\u00e1 uma batalha final, n\u00e3o haver\u00e1 um Waterloo das FARC. Mas sim um processo de desintegra\u00e7\u00e3o que \u00e9 igual a uma derrota militar. Coisa distinta \u00e9 que n\u00e3o bastam as armas. \u00c9 poss\u00edvel competir com a economia da coca, arrebatar suas bases camponesas, recuperar a popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 o oxig\u00eanio da guerrilha.<\/em>\u201d[4]<\/p>\n<p>A derrota militar \u00e9 improv\u00e1vel, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Agora, o custo humano seria pavoroso, como o demonstra o caso da derrota dos Tigres T\u00e2meis (LTTE) pelo Ex\u00e9rcito do Sri Lanka: em pouco mais de uma semana, foram massacrados mais de 25.000 civis e hoje, tr\u00eas anos depois, 300.000 t\u00e2meis seguem internos em campos de concentra\u00e7\u00e3o [5]. Certamente, o custo humano na Col\u00f4mbia seria muit\u00edssimo mais alto, pois a diferen\u00e7a dos guerrilheiros t\u00e2meis, os insurgentes colombianos n\u00e3o est\u00e3o concentrados em uma praia. A topografia e a extens\u00e3o territorial, para citar somente dois fatores, fazem com que qualquer campanha compar\u00e1vel seja uma aut\u00eantica carni\u00e7aria. Mas sabemos que para o regime n\u00e3o lhe treme a m\u00e3o para praticar o genoc\u00eddio, como foi demonstrado em repetidas ocasi\u00f5es na hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia\u2026 Ainda De la Calle, em um artigo anterior, fazendo eco da vis\u00e3o fantasiosa que a oligarquia colombiana tem de si mesma, insiste que na Col\u00f4mbia \u201c<em>o poder tem estado nas m\u00e3os de republicanos moderados, capazes de ir soltando pedacinhos de poder em fun\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias<\/em>\u201d e \u201c<em>O Ex\u00e9rcito, bra\u00e7o armado do establishment, mostrou ferocidade compar\u00e1vel a de alguns de nossos vizinhos<\/em>\u201d [6].<\/p>\n<p>Cito esta coluna, porque De la Calle \u00e9 muit\u00edssimo mais claro que outros autores na necessidade que o regime tem de atacar a popula\u00e7\u00e3o civil para adiantar sua guerra contrainsurgente. O que significa que as viola\u00e7\u00f5es massivas aos direitos humanos, por parte dos aparatos repressivos do Estado (a chamada for\u00e7a p\u00fablica), n\u00e3o s\u00e3o um aspecto incidental, responsabilidade de umas tantas ma\u00e7\u00e3s podres, mas parte de uma estrat\u00e9gia de Estado na luta contrainsurgente. Poder\u00edamos ler de outra maneira seu chamado a arrebatar as bases camponesas da insurg\u00eancia, em um pa\u00eds com cinco milh\u00f5es de deslocados e dezenas de milhares de desaparecidos esquecidos no frio das fossas comuns? Certamente De la Calle n\u00e3o se pergunta o porque um setor importante do campesinato, em vastas regi\u00f5es, tem esse v\u00ednculo hist\u00f3rico com a insurg\u00eancia, o porque h\u00e1 popula\u00e7\u00e3o que serve de oxig\u00eanio. Perguntar-se sobre isso deveria levar a entender que a solu\u00e7\u00e3o do conflito social e armado passa por mudan\u00e7as profundas e n\u00e3o pela mera desmobiliza\u00e7\u00e3o unilateral. Timole\u00f3n Jim\u00e9nez se refere a isso quando expressa que \u201ceste conflito n\u00e3o ter\u00e1 solu\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o sejam atendidas nossas vozes\u201d [7].<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m existe outra posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 ventilada pelos grandes meios que, superficialmente, pode parecer oposta a de De la Calle, mas na realidade \u00e9 seu complemento. Seu mais vis\u00edvel defensor \u00e9 Le\u00f3n Valencia, que na Semana p\u00f5e a negocia\u00e7\u00e3o como alternativa \u00e0 pol\u00edtica de liquida\u00e7\u00e3o da guerrilha. Mas sua vers\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 distinta \u00e0 vers\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o que na \u00faltima inst\u00e2ncia defende Santos (e que defendeu em seu momento Uribe), \u00e9 dizer selar a derrota militar em uma mesa onde n\u00e3o se d\u00ea nenhuma discuss\u00e3o pol\u00edtica de fundo, salvo os termos da desmobiliza\u00e7\u00e3o [das FARC]. O chamado de Valencia \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem por fim democratizar o pa\u00eds nem muito menos efetuar as mudan\u00e7as estruturais que a sociedade colombiana necessita e que s\u00e3o os que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, devem eliminar os problemas que determinam a continuidade do conflito. Seu chamado \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma maneira de defender o <em>status quo<\/em>, de defender os privil\u00e9gios de uma \u00ednfima elite que vive na suas costas enquanto os colombianos seguem a p\u00e9 empobrecendo-se e a Col\u00f4mbia segue firme no terceiro lugar mundial em desigualdade social. Segundo ele, \u201c<em>\u00e9 o melhor momento do Estado para negociar. A guerrilha enfrenta uma derrota estrat\u00e9gica (\u2026) Tem poder de negocia\u00e7\u00e3o, mas a diminui\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de suas filas n\u00e3o permite exigir demasiadamente<\/em>\u201d [8]. Ou seja, esque\u00e7am-se da reforma agr\u00e1ria, da distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, da democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade, do desmonte do paramilitarismo, da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade gratuitas e de qualidade para todos, etc. Valencia faz parte da triste e grande lista de arrependidos e tr\u00e2nsfugas que se converteram nos melhores defensores da \u00faltima rep\u00fablica olig\u00e1rquica da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p><strong>A sorte vari\u00e1vel das armas<\/strong><\/p>\n<p>Desde os meios de comunica\u00e7\u00e3o se alardeia que a insurg\u00eancia buscaria a negocia\u00e7\u00e3o porque est\u00e1 encurralada, desesperada e debilitada. Contudo, a guerra aferra-se em todo pa\u00eds, sobretudo [na prov\u00edncia] de Cauca (onde n\u00e3o se materializaram as deser\u00e7\u00f5es massivas esperadas depois do assassinato de Alfonso Cano em novembro) e em Catatumbo (onde est\u00e1 deslocado o eixo central da ofensiva militar depois de que o comandante Timole\u00f3n Jim\u00e9nez foi nomeado sucessor de Cano). As a\u00e7\u00f5es militares da insurg\u00eancia aumentaram no m\u00eas de janeiro em 40% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 2011 e em 300% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 2008 [9]. A realidade do conflito desmente estas aprecia\u00e7\u00f5es do discurso oficial: a insurg\u00eancia logrou, em meio da maior ofensiva militar de toda a hist\u00f3ria, a qual custou a vida de v\u00e1rios de seus dirigentes em bombardeios pavorosos, manter suas estruturas, inclusive recuperar terreno, adaptar-se eficazmente \u00e0s novas condiciones da guerra e golpear de maneira crescente e sustentada durante os \u00faltimos anos. Isto sem considerar a import\u00e2ncia militar da converg\u00eancia que est\u00e1 ocorrendo entre as organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras \u2013 ELN e FARC-EP &#8211; e em certas regi\u00f5es, como o Norte de Santander, inclusive com o EPL.<\/p>\n<p>Se a insurg\u00eancia d\u00e1 um salto audaz e fala de retomar a agenda de di\u00e1logo de Cagu\u00e1n, o faz porque sabe que n\u00e3o chegar\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de debilidade \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o. Pese a propaganda oficial, o governo tamb\u00e9m o sabe: por isso se nega ao di\u00e1logo e segue pedindo condi\u00e7\u00f5es imposs\u00edveis. N\u00e3o cabe nenhuma d\u00favida, que se o chamado de Timole\u00f3n Jim\u00e9nez fosse feito desde a derrota irrevers\u00edvel (militar ou pol\u00edtica), o governo aceitaria alegremente a oferta.<\/p>\n<p><strong>Conflito social e luta de classes<\/strong><\/p>\n<p>Valencia se equivoca na sua aprecia\u00e7\u00e3o sobre a \u201cderrota estrat\u00e9gica\u201d da insurg\u00eancia e seu erro se origina de uma compreens\u00e3o parcial do conflito como se fosse somente um conflito armado e n\u00e3o um conflito eminentemente social. Frequentemente, as an\u00e1lises da insurg\u00eancia e do conflito deixam de lado convenientemente o fato de que esta \u00e9 express\u00e3o de certas din\u00e2micas de resist\u00eancia, com profundas ra\u00edzes em certas comunidades rurais. Um recente artigo na Semana recordava esta quest\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o da luta armada, e suas express\u00f5es org\u00e2nicas, com as comunidades: \u201c<em>Estes grupos t\u00eam alto poder social e influ\u00eancia nas zonas onde t\u00eam presen\u00e7a. T\u00eam seus ber\u00e7os e suas popula\u00e7\u00f5es, inclusive se n\u00e3o nos agrada admitir. Certa informa\u00e7\u00e3o do sudoeste do pa\u00eds afirma que as FARC est\u00e3o trabalhando mais com as comunidades onde est\u00e3o presentes, tratando (com mais e menos \u00eaxito segundo a comunidade) de (re)estabelecer as rela\u00e7\u00f5es do passado que pelo menos n\u00e3o eram t\u00e3o violentas como as atuais e nas quais havia muitas vezes uma conviv\u00eancia importante para a popula\u00e7\u00e3o e para a guerrilha.<\/em>\u201d [10].<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se equivoca Valencia ao pensar que a insurg\u00eancia colombiana ir\u00e1 negociar uma derrota e desmobiliza\u00e7\u00e3o, renunciando \u00e0s bandeiras pol\u00edticas que lhe tem dado raz\u00e3o de ser por meio s\u00e9culo. Este \u00faltimo foi expressado de maneira bastante clara por Boris Salazar:<\/p>\n<p><em>\u201cO governo e os especialistas aspiram que as FARC se rendam sem muitas condi\u00e7\u00f5es. Qui\u00e7\u00e1 a restitui\u00e7\u00e3o dos direitos pol\u00edticos perdidos e algumas garantias de seguridade para os combatentes reintegrados constituiriam a oferta do governo. N\u00e3o muito mais (\u2026) Claro, as FARC n\u00e3o aspiram \u00e0 simples sobreviv\u00eancia. Querem mudar a sociedade colombiana. Pelo menos transformar suas condi\u00e7\u00f5es estruturais (\u2026) Sem mobiliza\u00e7\u00e3o popular, sem oposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, com uma sociedade civil silenciada ou atada \u00e0 pol\u00edtica eleitoral mais degradada e com uma ideologia conservadora difundida, a discuss\u00e3o da ordem pol\u00edtica, do modelo econ\u00f4mico ou da inclus\u00e3o social e muito menos das rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos, n\u00e3o \u00e9 nem sequer pens\u00e1vel.<\/em>\u201d[11]<\/p>\n<p>Salazar acerta em cheio quando exp\u00f5e que a for\u00e7a que efetivamente pode romper o n\u00f3 g\u00f3rdio na Col\u00f4mbia \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Afinal de contas, o conflito armado \u00e9 uma express\u00e3o, distorcida se assim desejar, da din\u00e2mica da mesma luta de classes no pa\u00eds mais desigual do continente. No conflito social e armado colombiano, o social segue sendo priorit\u00e1rio. Efetivamente, mais relevante ainda que a revitalizada capacidade militar da insurg\u00eancia, \u00e9 o auge de um novo ciclo de lutas sociais e populares em todo o pa\u00eds. As demandas do povo que protesta mais a cada dia pelas ruas de toda Col\u00f4mbia s\u00e3o, em grande medida, demandas ou compartilhadas pela insurg\u00eancia ou que podem ser articuladas em seu projeto. O bloco dominante, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o pode absorver estas demandas sem desnaturaliz\u00e1-las por completo, como o demonstra o debate em torno da lei de v\u00edtimas e de restitui\u00e7\u00e3o de terras.<\/p>\n<p>Valencia, em sua coluna, confunde o consenso pol\u00edtico do bloco dominante, do \u201cpa\u00eds pol\u00edtico\u201d, com uma medida da fortaleza do governo de Santos. O santismo perde a iniciativa pol\u00edtica em meio das dificuldades crescentes para implementar a m\u00ednima, e tamb\u00e9m menor, de suas propostas demag\u00f3gicas e diante do estranhamento de um pa\u00eds que desperta lentamente do feiti\u00e7o autorit\u00e1rio: o estrepitoso fracasso da \u201cmarcha da guerra\u201d, em 6 de dezembro [12], demonstra que o bloco dominante, mesmo tendo um n\u00edvel importante de consenso por tr\u00e1s da figura de Santos, \u00e9 incapaz de mobilizar o povo. Com o respaldo de quase todo o \u201cpa\u00eds pol\u00edtico\u201d e com o apoio da propaganda incessante dos meios de comunica\u00e7\u00e3o (todos os quais est\u00e3o vendidos para o regime), simplesmente n\u00e3o lograram levar gente \u00e0 rua.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica por tr\u00e1s do fuzil<\/strong><\/p>\n<p>Na atual conjuntura, \u00e9 principalmente no terreno pol\u00edtico onde a insurg\u00eancia est\u00e1 jogando as cartas [13]. Os comunicados de Timole\u00f3n Jim\u00e9nez (sobretudo sua resposta ao acad\u00eamico Med\u00f3filo Medina [**]) lograram come\u00e7ar a romper o cerco midi\u00e1tico em torno das propostas pol\u00edticas e da estrat\u00e9gia da insurg\u00eancia. Se Cano, como comandante m\u00e1ximo das FARC-EP, cumpriu um papel fundamental na hora de adaptar exitosamente a estrat\u00e9gia insurgente, tanto no plano militar como no pol\u00edtico \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es do Plano Col\u00f4mbia, revertendo a tend\u00eancia de quase uma d\u00e9cada de avan\u00e7o do Ex\u00e9rcito, Jim\u00e9nez est\u00e1 cumprindo um papel fundamental como um comunicador consistente das propostas e apostas do movimento insurgente.<\/p>\n<p>\u00c0s demandas hist\u00f3ricas da insurg\u00eancia (terra, rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, democracia, etc.), estes comunicados acrescentam demandas das lutas atuais que comprometem estudantes e outros setores mobilizados, por exemplo, contra o modelo agroindustrial e mineiro-extrativista santificado no Plano de Desenvolvimento Nacional [14]. \u00c9 clara a mensagem sobre a necessidade de um di\u00e1logo nacional aberto, no qual o bloco dos oprimidos e dos setores sociais subalternos, independentemente das diverg\u00eancias existentes entre suas t\u00e1ticas de luta ou de resist\u00eancia, formam uma agenda comum frente ao envelhecido bloco no poder. A capacidade de articular demandas atuais com seu pr\u00f3prio projeto hist\u00f3rico demonstra que, al\u00e9m disso, a insurg\u00eancia n\u00e3o ficou em um mundo de sessenta anos atr\u00e1s, como insistem os ide\u00f3logos do regime, sen\u00e3o que tem capacidade de ser a interlocutora sobre os problemas atuais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O governo, de sua parte, tamb\u00e9m livra uma ofensiva no plano pol\u00edtico, mas \u00e9 incapaz de abordar de maneira substancial os problemas que enfrenta o povo. O governo entende que o conflito, ao ser fundamentalmente agr\u00e1rio, requer pol\u00edticas que sirvam para tomar o terreno da insurg\u00eancia entre o campesinato. A demagogia santista em torno da \u201crevolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria\u201d, que significaria a lei de restitui\u00e7\u00e3o de terras [15], seria apenas uma piada de mal gosto n\u00e3o fosse pelos 53 l\u00edderes deslocados reclamantes de terras que foram assassinados pelos testas de ferro do regime e no marco de suas demandas. Al\u00e9m disso pretende restituir somente 2 milh\u00f5es de hectares dos mais de 6,5 milh\u00f5es roubados nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas pelo paramilitarismo; como j\u00e1 come\u00e7ou o assassinato de reclamantes, n\u00e3o \u00e9 de esperar que muita gente d\u00ea o passo adiante, sobretudo se considerarmos que esses territ\u00f3rios seguem em guerra e muitos continuam sob o dom\u00ednio de estruturas paramilitares que operam em coniv\u00eancia com o ex\u00e9rcito e a pol\u00edcia. Se o reclamante n\u00e3o quer correr o risco de voltar \u00e0 sua terra, ent\u00e3o poder\u00e1 ser indenizado pelos contribuintes e pelos que o expulsaram. Pior ainda, se ficar demonstrado que os ocupantes s\u00e3o de \u201cboa f\u00e9\u201d e t\u00eam invers\u00f5es agroindustriais, o reclamante ter\u00e1 que negociar com eles. Como a demagogia d\u00e1 para tudo, Santos mentiu descaradamente dizendo que se restitu\u00edram 852.000 hectares a 33.000 fam\u00edlias, quando na realidade o que se fez foi conceder t\u00edtulos de terrenos baldios, formalizar terras comunit\u00e1rias, regularizar possess\u00f5es em parques e zonas \u00famidas. Os expulsos foram restitu\u00eddos apenas com entorno de 10.000 hectares [16]. Isto sem mencionar que a restitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o afeta o principal problema do campo colombiano, identificado pelo \u00faltimo informe do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) [17], que \u00e9 a obscena concentra\u00e7\u00e3o de terras, a qual somente pode ser enfrentada mediante uma demanda hist\u00f3rica da insurg\u00eancia, como \u00e9 a reforma agr\u00e1ria. Esta lei ser\u00e1 um fiasco pior que a lei de Justi\u00e7a e Paz: no \u201cmelhor\u201d dos casos, servir\u00e1 para \u201cmodernizar\u201d a agricultura segundo os requerimentos da agroind\u00fastria; no pior, servir\u00e1 para legalizar os despojos.<\/p>\n<p>Por outro lado, junto das medidas cosm\u00e9ticas e demag\u00f3gicas de direitos humanos, o regime logrou avan\u00e7ar bastante na coopta\u00e7\u00e3o daquelas organiza\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o governamentais [ONGs] e mais burocratizadas (certas organiza\u00e7\u00f5es sindicais e ind\u00edgenas), paralelamente desenvolve uma campanha de revisionismo hist\u00f3rico e de confusionismo sem precedentes: come\u00e7ou com o questionamento desavergonhado do Massacre de Mapirip\u00e1n (e, por extens\u00e3o, de advogados defensores de direitos humanos) [18], seguiu com os ataques aos deslocados de Las Pavas, os quais sem nenhuma base chamaram de \u201cfalsos deslocados\u201d [19], falaram sem nenhum fundamento sobre supostas alian\u00e7as entre a insurg\u00eancia e seus tradicionais inimigos paramilitares [20], e agora dizem que supostamente Tirofijo [Manuel Marulanda], l\u00edder hist\u00f3rico das FARC-EP, era um \u201cterratenente\u201d [21]\u2026 Esta obsess\u00e3o com a amn\u00e9sia, o revisionismo e o confusionismo hist\u00f3rico t\u00eam por \u00fanico objetivo o ataque aos movimentos sociais e de direitos humanos, assim como a sataniza\u00e7\u00e3o da insurg\u00eancia. Nisto o governo tem demonstrado ser bastante eficaz, ao passo que se demonstrou completamente incompetente para dar respostas reais \u00e0s necessidades de um povo que se empobrece dia a dia.<\/p>\n<p><strong>Cag\u00faan, o n\u00e3o-retorno\u2026<\/strong><\/p>\n<p>A mera men\u00e7\u00e3o da insurg\u00eancia de retomar o di\u00e1logo pol\u00edtico onde se interrompeu a Agenda de Cag\u00faan, fez com que Santos imediatamente sa\u00edsse a dizer que se esqueceram de um segundo Cagu\u00e1n [22], deixando claro que a estrat\u00e9gia planificada desde 2011 de aprofundamento da estrat\u00e9gia militar segue em p\u00e9 e segue sendo o elemento dominante da pol\u00edtica de Santos. Isto mesmo quando est\u00e1 consciente de que existe uma necessidade de come\u00e7ar a explorar os marcos de uma eventual negocia\u00e7\u00e3o em um futuro distante e siga falando demagogicamente da \u201cchave da paz\u201d e outras bobagens. Enquanto isso, haver\u00e1 que deixar que o sangue continue correndo, buscando debilitar a insurg\u00eancia o m\u00e1ximo poss\u00edvel antes de se sentar para dialogar, evitando qualquer mudan\u00e7a de fundo na pol\u00edtica colombiana. Isso o buscam com o militarismo, mas tamb\u00e9m com iniciativas como o Marco Jur\u00eddico para a Paz que busca estimular a desmobiliza\u00e7\u00e3o, a fragmenta\u00e7\u00e3o territorial e a quebra da unidade nas fileiras insurgentes (criando cen\u00e1rios para negocia\u00e7\u00f5es regionais), al\u00e9m da impunidade para os paramilitares.<\/p>\n<p>Mas a insurg\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na sua demanda de uma negocia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que ataque as causas de fundo do conflito. O encontro \u201cO Di\u00e1logo \u00e9 a Rota\u201d de Barrancabermeja, em agosto passado, foi um importante e significativo cen\u00e1rio que articulou importantes express\u00f5es do movimento campon\u00eas, ind\u00edgena e popular, com a ideia de um di\u00e1logo nacional aberto para solucionar o conflito n\u00e3o s\u00f3 armado, mas tamb\u00e9m social [23]. Ainda mais: se ouvem vozes dissidentes na m\u00eddia. Com muito maior sentido que o de Santos e seu governo, uma coluna de dezembro na Semana, escrita por Rafael Antonio Ball\u00e9n, insistia que:<\/p>\n<p>\u201co <em>Estado e a insurg\u00eancia armada deviam ordenar o cessar imediato ao fogo e come\u00e7ar uma negocia\u00e7\u00e3o de paz. Contudo, antes de iniciar conversa\u00e7\u00f5es com a insurg\u00eancia, aqueles que representam os distintos interesses do establishment devem colocar-se de acordo em que v\u00e3o negociar com a guerrilha. Em rela\u00e7\u00e3o com os temas de negocia\u00e7\u00e3o, deve partir da \u2018Agenda comum\u2019 acordada entre Pastrana-FARC, porque os pontos contidos nesse acordo s\u00e3o os que se debateram durante vinte anos de processos de paz (1982-2002). Enquanto o procedimento da negocia\u00e7\u00e3o deve haver o cessar bilateral de fogo, a participa\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito nos di\u00e1logos, acompanhamento da comunidade internacional e concluir com uma assembleia constituinte que protocole os acordos alcan\u00e7ados na mesa de negocia\u00e7\u00e3o.<\/em>\u201d [24]<\/p>\n<p>O mais relevante nestes momentos \u00e9 que certos setores do <em>establishment<\/em> parecem estar tamb\u00e9m conscientes da necessidade de retomar a Agenda Comum de Cagu\u00e1n, mesmo que no fundo n\u00e3o creiam nela e somente a vejam como uma maneira de superar o impasse militar, oxal\u00e1 com o menor impacto pol\u00edtico poss\u00edvel. Uma entrevista ao ex-presidente Andr\u00e9s Pastrana, que impulsionou a frustrada negocia\u00e7\u00e3o de Cagu\u00e1n com as FARC-EP, publicada h\u00e1 algumas semanas \u00e9 bastante reveladora da eros\u00e3o da confian\u00e7a militarista que se imp\u00f4s com o uribismo. Nela recorda que os compromissos assumidos nesse processo de negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o compromissos assumidos pela \u201cadministra\u00e7\u00e3o Pastrana\u201d sen\u00e3o pelo Estado colombiano [25].<\/p>\n<p>Se fala muito da \u201cS\u00edndrome de Cagu\u00e1n\u201d na m\u00eddia colombiana. O objetivo \u00e9 justificar o guerreirismo, o militarismo e a viol\u00eancia do regime em um suposto \u201cconsenso\u201d social contra o di\u00e1logo com as for\u00e7as guerrilheiras. Tal consenso \u00e9 uma fabrica\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, martelada dia e noite, pela imprensa mais servil ao poder que se conhece no hemisf\u00e9rio ocidental, enquanto se criminaliza toda a iniciativa de busca de di\u00e1logo. O suposto \u201cconsenso\u201d \u00e9 manufaturado em fun\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia militarista preconcebida (o Plano Col\u00f4mbia se negociou desde 1998), e logo o efeito se busca converter, convenientemente, na causa.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 este o espa\u00e7o para entrar em demasiados detalhes sobre o falido processo de Cagu\u00e1n. Basta assinalar que um di\u00e1logo de paz, sem o cessar das hostilidades e negociando com as for\u00e7as guerrilheiras por separado [26], estava provavelmente destinado ao fracasso, como o reconheceu o mesmo Pastrana. O que vale a pena mencionar, \u00e9 que frequentemente se menciona que a insurg\u00eancia fariana utilizou o processo para se fortalecer militarmente, como um ardil para ganhar tempo para a paz, que n\u00e3o negociou de boa f\u00e9. Ainda quando do lado da insurg\u00eancia se cometeram indubitavelmente v\u00e1rios erros e atos irrespons\u00e1veis que a m\u00eddia se encarregou de assinalar como se fossem os \u00fanicos respons\u00e1veis do fracasso do di\u00e1logo, \u00e9 indubit\u00e1vel que negociaram de boa f\u00e9, pelo menos com f\u00e9 muito melhor que o governo. Inclusive, at\u00e9 poderia dizer que negociaram com demasiada inoc\u00eancia e que at\u00e9 perderam, da maneira mais c\u00e2ndida, o sentido hist\u00f3rico, esquecendo que negociavam com a oligarquia mais brutal do continente. Nosso amigo Javier Orozco, ex-dirigente sindical que participou como representante da sociedade civil nos di\u00e1logos de Cagu\u00e1n, recorda que \u201c<em>se conversou sobre as possibilidades de paz negociada e a atitude de Iv\u00e1n R\u00edos e Ra\u00fal Reyes era que se abria uma porta \u00e0 esperan\u00e7a, eles estavam convencidos, me impressionou muito, Ra\u00fal estava euf\u00f3rico, tinha muitas esperan\u00e7as de que podiam falar (\u2026) Joaqu\u00edn G\u00f3mez estava muito contente tamb\u00e9m, com todo o minguado que foi. Foi um cen\u00e1rio no qual um pensou que a coisa era s\u00e9ria, n\u00e3o somente pelo calibre das personalidades que foram, sen\u00e3o porque houve disposi\u00e7\u00e3o da guerrilha para escutar o pa\u00eds, passou muita gente que disse o que queria, articularam diferentes propostas\u2026 n\u00e3o \u00e9 que se foram para o campo e n\u00e3o queriam escutar ningu\u00e9m (\u2026) Foram muito flex\u00edveis<\/em>\u201d [27].<\/p>\n<p>Mas os meios de comunica\u00e7\u00e3o que satanizam a insurg\u00eancia e que a responsabilizam do fracasso dos di\u00e1logos de Cagu\u00e1n, esquecem a enorme parte de responsabilidade que teve o Estado no fracasso dessa negocia\u00e7\u00e3o. Mais: esquecem de que foi o Estado, mais que a insurg\u00eancia, que utilizou a negocia\u00e7\u00e3o como uma estrat\u00e9gia para recuperar o f\u00f4lego e ganhar for\u00e7a. Recordemos que, em paralelo \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o de paz com a insurg\u00eancia, se negociava o Plano Col\u00f4mbia com os Estados Unidos, que aprofundou a presen\u00e7a norte-americana no pa\u00eds, que modernizou o ex\u00e9rcito contrainsurgente e que ampliou a for\u00e7a de 200.000 efetivos militares para 450.000 \u2013 tudo isso, em meio a uma campanha coordenada para desprestigiar a insurg\u00eancia como um mero cartel de narcotraficantes, confundindo a luta contrainsurgente com a luta antinarc\u00f3ticos. Por outro lado, enquanto o Estado colombiano falava de paz com a insurg\u00eancia e chamava \u00e0 participa\u00e7\u00e3o \u201cda sociedade civil\u201d, na noite, em meio de uma estrat\u00e9gia de noite e neblina, armava, treinava e coordenava a pior maquinaria de morte de todo o conflito colombiano, as Autodefesas Unidas da Col\u00f4mbia (AUC) que dava aos diversos ex\u00e9rcitos privados paramilitares do pa\u00eds um mando \u00fanico nacional, com o pleno respaldo do ex\u00e9rcito e da pol\u00edcia. Utilizando a infraestrutura do ex\u00e9rcito, realizaram um massacre a cada tr\u00eas dias no per\u00edodo 1998-2002, deixando um rastro de 175.000 v\u00edtimas declaradas e deslocando milh\u00f5es de camponeses. Assim, enquanto se chamava \u00e0 participa\u00e7\u00e3o a \u201csociedade civil\u201d, se assassinava, desaparecia, deslocava, amea\u00e7ava e torturava dirigentes sociais e populares, ativistas pol\u00edticos (de esquerda ou comprometidos com os direitos humanos). A pol\u00edtica de exterm\u00ednio que seguiu aos chamados \u00e0 participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica voltou a se repetir de maneira n\u00e3o muito diferente aos genoc\u00eddios da UP [Uni\u00e3o Patri\u00f3tica], do A Lutar e da Frente Popular alguns anos antes, uma guerra suja muito mais grave que qualquer um dos erros que tenha podido cometer a insurg\u00eancia.<\/p>\n<p>Isso sem mencionar como o governo Pastrana desconheceu sistematicamente os acordos alcan\u00e7ados nas mesas de di\u00e1logo (acordos que n\u00e3o eram s\u00f3 governo-insurg\u00eancia, sen\u00e3o que colocaram num inv\u00f3lucro milhares de representantes da chamada \u201csociedade civil\u201d) impulsionando medidas neoliberais como uma reforma trabalhista e o sistema regressivo de pens\u00f5es, junto a m\u00faltiplos ataques aos direitos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Javier Orozco, disse que \u201c<em>muitos [de n\u00f3s] fomos enganados, pensando que o Estado seria s\u00e9rio para negociar. Apenas se passou da fase de como vamos falar o que vamos discutir, se quebraram as negocia\u00e7\u00f5es porque a guerrilha exp\u00f4s o problema sobre a propriedade e nisso n\u00e3o se toca para o governo, esse \u00e9 o imposs\u00edvel\u201d. <\/em>Nas palavras da senadora Gloria In\u00eas Ram\u00edrez:<em> \u201cUm exame objetivo de diversos fatos demonstra que, ao contr\u00e1rio do que se cr\u00ea, houve uma sabotagem constante por parte do governo e da ultradireita para impedir que o processo avan\u00e7asse<\/em>\u201d [28].<\/p>\n<p><strong>O conflito profundo e as falsas ilus\u00f5es em torno da paz<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para crer que o Estado e o bloco dominante colombiano hoje negociariam de melhor f\u00e9 que no Cagu\u00e1n. De fato, hoje sua arrog\u00e2ncia se v\u00ea fortalecida, em plena \u00e9poca de \u201cGuerra contra o Terrorismo\u201d, pela crescente criminaliza\u00e7\u00e3o, no contexto internacional, do direito dos povos \u00e0 rebeli\u00e3o (a menos, logicamente, que se trate de \u201crebeldes\u201d amigos dos Estados Unidos aos quais se lhes pode ajudar com armas e at\u00e9 com bombardeios). Estruturalmente, hoje a classe dominante colombiana \u00e9 ainda mais dependente do imperialismo norte-americano que na \u00e9poca do Cagu\u00e1n: o Plano Col\u00f4mbia aumentou a interven\u00e7\u00e3o norte-americana (e europeia e israelense) no conflito colombiano e tanto o Ex\u00e9rcito como a elite local, ano ap\u00f3s ano, realizam toda uma classe de contor\u00e7\u00f5es indignas para mendigar alguns d\u00f3lares a mais. Al\u00e9m disso, o modelo econ\u00f4mico colombiano, santificado no Plano de Desenvolvimento Nacional, depende de atividades extrativistas que em um contexto como o colombiano se traduzem necessariamente na militariza\u00e7\u00e3o e no despojo violento das comunidades, o qual alimenta o conflito social e armado.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 que fazer falsas ilus\u00f5es: nem o governo, nem nenhum setor do bloco no poder tem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de conversar, na realidade, sobre a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao conflito, pois isso colocaria em quest\u00e3o o modelo pol\u00edtico-econ\u00f4mico consolidado a sangue e fogo em quase quinze anos. Isso se depreende das palavras ainda do mesmo Pastrana (sem lugar para d\u00favidas, o pol\u00edtico do <em>establishment<\/em> mais prop\u00edcio ao di\u00e1logo) quando diz na citada entrevista que \u201c<em>O \u00fanico que nos falta aos colombianos \u00e9 a paz. Aqui podemos ter crescimento econ\u00f4mico, investimentos estrangeiros, recursos naturais, baixo desemprego, melhor educa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em>\u201d \u00c9 dizer, o \u00fanico que h\u00e1 que conversar \u00e9 sobre a paz, sem questionar as raz\u00f5es de porque existe o conflito. Todos os problemas da Col\u00f4mbia se originam do conflito \u2013 esta n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma vers\u00e3o branda da m\u00e1xima uribista que desde sempre culpou a insurg\u00eancia de todos os males do pa\u00eds. Pelo contr\u00e1rio, a guerra, no m\u00e1ximo, agrava problemas pr\u00e9-existentes da sociedade colombiana que s\u00e3o os que est\u00e3o na raiz do conflito social e armado: a resposta repressiva como resposta reativa e natural \u00e0s demandas sociais mais d\u00e9beis; o aniquilamento de formas de oposi\u00e7\u00e3o que ameacem os interesses estrat\u00e9gicos de uma elite autorit\u00e1ria e mafiosa; um modelo econ\u00f4mico fundamentado no despojo violento dos camponeses e das comunidades e no controle paramilitar da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A paz \u00e9 boa e necess\u00e1ria, independente do fato de que por este conceito \u00e0s vezes entendamos coisas radicalmente distintas [29]. Mas o fundamental, antes de falar de paz, \u00e9 falar do conflito. Entender o conflito e suas din\u00e2micas. Saber porque pelo menos tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de camponeses na Col\u00f4mbia v\u00eam al\u00e7ando-se em armas. Saber porque na Col\u00f4mbia se assassina aos dirigentes populares, se destr\u00f3i o tecido social das comunidades, se desaparece as pessoas inc\u00f4modas para alguns, porque se fazem \u201climpezas sociais\u201d, porque a riqueza na Col\u00f4mbia se acumula com fuzil e fac\u00e3o. Se converteu lugar comum dizer que a guerra na Col\u00f4mbia \u00e9 uma guerra \u201cabsurda\u201d. E na realidade n\u00e3o h\u00e1 nada absurdo na guerra colombiana. H\u00e1 uma l\u00f3gica fria e profunda que emana de um determinado modelo pol\u00edtico-econ\u00f4mico, h\u00e1 resist\u00eancias por outra parte, h\u00e1 din\u00e2micas comunit\u00e1rias que se nutriram \u00e0 sombra da viol\u00eancia. H\u00e1 toda uma hist\u00f3ria que n\u00e3o tem nada de absurdo, que ser\u00e1 macabra e tr\u00e1gica se desejar, mas n\u00e3o absurda. A viol\u00eancia na Col\u00f4mbia somente aparece como algo absurdo quando se ocultam os mecanismos sociais que a ativam e quando a amn\u00e9sia hist\u00f3rica se imp\u00f4s e apagou da mem\u00f3ria a larga cadeia de inf\u00e2mias que se concatenaram desde o assassinato de Jorge Eliecer Gait\u00e1n, passando por Marquetalia, at\u00e9 chegar \u00e0s 3.000 valas comuns que perfuraram a consci\u00eancia do pa\u00eds. Temos que compreender primeiro porque as pessoas morrem e matam antes de falar de paz.<\/p>\n<p>Quando, em 1962, Fals Borda, Guzm\u00e1n Campos e Uma\u00f1a Luna escreveram seu monumental livro \u201cA Viol\u00eancia na Col\u00f4mbia\u201d, as feridas abertas pelo primeiro ciclo de viol\u00eancia, nos anos 40 e 50, todavia derramavam sangue aos borbot\u00f5es \u2013 enquanto eram encubados os sintomas do segundo ciclo aberto com as agress\u00f5es \u00e0s comunidades camponesas de Guayabero, El Pato, Marquetalia, etc. Este n\u00e3o foi um tratado com pomposos chamados \u00e0 paz, foi sen\u00e3o uma radiografia desoladora da viol\u00eancia, na qual compreenderam as for\u00e7as sociais que a alimentam, os interesses que a servem e as din\u00e2micas sociais que a geram. Demonstraram que at\u00e9 a mais irracional das viol\u00eancias tem uma racionalidade subjacente. Hoje em dia faltam esfor\u00e7os desta magnitude para compreender a realidade colombiana. Em troca, o servilismo ao poder reina entre os opinantes, a repeti\u00e7\u00e3o de lugares comuns \u00e9 a norma e os \u201cviolent\u00f3logos\u201d e os \u201cpaz\u00f3logos\u201d dominam o espa\u00e7o pol\u00edtico de debate em torno ao conflito com ideias dogm\u00e1ticas e preconcebidas sobre a \u201cresolu\u00e7\u00e3o de conflitos e constru\u00e7\u00e3o da paz\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A intelectualidade, da qual faltam esfor\u00e7os intelectuais em torno do conflito, est\u00e1 majoritariamente cooptada e domesticada (salvo exce\u00e7\u00f5es muito not\u00e1veis, que escrevem sabendo do risco que correm por sua defesa de vis\u00f5es alternativas \u00e0s oficiais). Mas por isso mesmo, a tarefa de pensar e falar do conflito deve ser uma tarefa assumida pelo conjunto do movimento popular, da mesma maneira que v\u00e1rias express\u00f5es populares n\u00e3o esperaram a arrogante autoriza\u00e7\u00e3o do governo para assumir a discuss\u00e3o da agenda de paz. \u00c9 o povo, que vive o conflito na carne e no osso, que s\u00e3o os mortos, os desaparecidos e os presos pol\u00edticos, \u00e9 que deve discutir o conflito para disputar o espa\u00e7o desse discurso descontextualizado sobre a paz, como se fosse um assunto de mera vontade de uma das partes. Tal discurso de paz em abstrato se converte em mais um argumento da guerra, em uma maneira de naturalizar a viol\u00eancia de classe com que h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo os poderosos sufocam toda forma de protesto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se a oligarquia n\u00e3o tem vontade de discutir e solucionar os temas de fundo, que s\u00e3o inerentes ao conflito, o povo deve se mobilizar e se constituir em um poder alternativo capaz de impor sua agenda pol\u00edtica. Aqui n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para falsas ilus\u00f5es. N\u00e3o existe uma oligarquia racional, que pensa nos interesses superiores do pa\u00eds; h\u00e1 uma oligarquia da mais corrupta, entreguista e mesquinha, capaz de assassinar a metade do pa\u00eds para conservar os privil\u00e9gios absolutos que quatro linhagens de sangue azul gozam desde a funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Como dissemos, ainda Pastrana n\u00e3o est\u00e1 disposto a questionar os pilares do atual sistema colombiano, como quando fala de retomar a Agenda de Cagu\u00e1n, mas recomenda n\u00e3o tocar \u201cnos temas econ\u00f4micos e no tema social, nos quais h\u00e1 posturas ideol\u00f3gicas, como seu firme recha\u00e7o (isto \u00e9 das guerrilhas) aos TLC [tratados de livre com\u00e9rcio]\u201d [30]. Ou seja, esperam uma \u201csolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d que n\u00e3o seja mais que o mesmo que tivemos no passado: desmobiliza\u00e7\u00e3o e reformas cosm\u00e9ticas que n\u00e3o tocaram na medula dos problemas que afetam a Col\u00f4mbia. Com todas suas limita\u00e7\u00f5es, a Agenda de Cagu\u00e1n tem como vantagem, para ser um ponto de partida (n\u00e3o de chegada) \u00e0 solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o expor solu\u00e7\u00f5es estruturais \u00e0s ra\u00edzes do conflito, pois foi uma proposta pol\u00edtica ampla, participativa e com um decidido respaldo popular, particularmente das express\u00f5es hist\u00f3ricas tradicionais do povo organizado.<\/p>\n<p align=\"justify\">A solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o ser\u00e1 um bate-papo ameno de amigos ao calor de um vinho tinto. Ser\u00e1 a confronta\u00e7\u00e3o de duas vis\u00f5es de pa\u00eds radicalmente diferentes, uma constru\u00edda desde abaixo, a outra defendida pelos de cima. Ser\u00e1 a express\u00e3o m\u00e1xima de uma aguda luta pol\u00edtica, popular e de massas livrada nas ruas e nos campos, um exerc\u00edcio no qual se voltar\u00e1 a pensar um pa\u00eds diferente. O c\u00e2ncer n\u00e3o se cura com aspirina e os problemas da Col\u00f4mbia requerem mudan\u00e7as estruturais inaceit\u00e1veis para a oligarquia. Somente uma ampla e inflamada mobiliza\u00e7\u00e3o popular por parte das massas que se concebam como poder alternativo, como projeto de futuro radicalmente diferente do presente, poder\u00e1 torcer o bra\u00e7o dos donos da Col\u00f4mbia. E, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que comecemos a falar do conflito, da resist\u00eancia e da rebeli\u00e3o para entender como super\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Traduzido por Rodrigo Juruc\u00ea Mattos Gon\u00e7alves para o Partido Comunista Brasileiro &#8211; PCB<\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p>[*] Jos\u00e9 Antonio Guti\u00e9rrez D., nascido no Chile, \u00e9 militante atualmente residente na Irlanda. Tem participado no movimento estudantil e popular do Chile, assim como no movimento popular e solid\u00e1rio da Irlanda. Nota do Tradutor.<\/p>\n<p>[**] A resposta em l\u00edngua portuguesa de Timole\u00f3n Jim\u00e9nez a Med\u00f3filo Medina est\u00e1 dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2365\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2365<\/a>. Nota do Tradutor.<\/p>\n<p>[1] <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/paz\/articulo-323909-santos-no-acepta-intermediarios-hablar-de-paz\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/paz\/articulo-323909-santos-no-acepta-intermediarios-hablar-de-paz <\/a><\/p>\n<p>[2] Os comunicados centrais s\u00e3o tr\u00eas: \u201cCarta a Med\u00f3filo Medina\u201d <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142984\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142984 <\/a>, \u201cSem mentiras Santos, sem mentiras\u201d <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142757\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142757 <\/a> e \u201cAssim n\u00e3o Santos, assim n\u00e3o\u201d <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=139723\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=139723 <\/a>. H\u00e1 mais duas cartas que escreveu, uma ao general Valencia Tovar <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=141206\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=141206<\/a> e outra aos Manifestantes de 6 [de dezembro] \u201ce aos que n\u00e3o sa\u00edram\u201d <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=141050\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=141050<\/a>.<\/p>\n<p>[3] O mesmo \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez fez declara\u00e7\u00f5es nesse sentido em mais de uma ocasi\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.semana.com\/mundo\/uribe-llamo-acabar-terrorismo-negociacion\/171776-3.aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semana.com\/mundo\/uribe-llamo-acabar-terrorismo-negociacion\/171776-3.aspx<\/a>.<\/p>\n<p>[4] <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-322223-cuantas-operaciones-aguanta-el-perro\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-322223-cuantas-operaciones-aguanta-el-perro<\/a>.<\/p>\n<p>[5] Este n\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o para desenvolver o caso de Sri Lanka, mas na revista CEPA se encontram dois artigos da autoria do doutor Jude Lal Fernando sobre o assunto, os quais s\u00e3o particularmente esclarecedores: \u201cOs T\u00e2meis no Sri Lanka, as mais recentes v\u00edtimas do imperialismo\u201d (CEPA, Ano V, Vol. I, N\u00fam. 10, Mar\u00e7o-Maio de 2010) e \u201cA resist\u00eancia t\u00e2mil, as \u2018v\u00edtimas indefesas e as pot\u00eancias globais\u2019\u201d (CEPA, Caderno Internacionalista, agosto de 2011).<\/p>\n<p>[6] <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-319870-utopia-iracunda\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-319870-utopia-iracunda <\/a><\/p>\n<p>[7] <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142757\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142757 <\/a><\/p>\n<p>[8] <a href=\"http:\/\/www.semana.com\/opinion\/negociacion-liquidacion-guerrilla\/171104-3.aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semana.com\/opinion\/negociacion-liquidacion-guerrilla\/171104-3.aspx <\/a><\/p>\n<p>[9] <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-324753-guerra-el-sur\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-324753-guerra-el-sur <\/a><\/p>\n<p>[10] <a href=\"http:\/\/www.semana.com\/opinion\/meses-violentos\/171642-3.aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semana.com\/opinion\/meses-violentos\/171642-3.aspx <\/a><\/p>\n<p>[11] <a href=\"http:\/\/razonpublica.com\/index.php\/conflicto-drogas-y-paz-temas-30\/2678-inegociar-con-las-farc-el-inutil-retorno-de-lo-mismo.html\" target=\"_blank\">http:\/\/razonpublica.com\/index.php\/conflicto-drogas-y-paz-temas-30\/2678-inegociar-con-las-farc-el-inutil-retorno-de-lo-mismo.html <\/a><\/p>\n<p>[12] <a href=\"http:\/\/anarkismo.net\/article\/21349\" target=\"_blank\">http:\/\/anarkismo.net\/article\/21349 <\/a><\/p>\n<p>[13] N\u00e3o estou entendendo, de maneira manique\u00edsta, o pol\u00edtico como um polo oposto ao militar. A insurg\u00eancia sempre se definiu como um movimento de car\u00e1ter pol\u00edtico-militar. A confronta\u00e7\u00e3o militar Estado-insurg\u00eancia \u00e9 uma confronta\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter fundamentalmente pol\u00edtico (por isso n\u00e3o se pode falar de uma \u201cguerra absurda\u201d, ainda voltarei nesse ponto mais adiante). Se fa\u00e7o uma distin\u00e7\u00e3o do \u201cpol\u00edtico\u201d, a qual, assumo, pode ser um tanto artificial, \u00e9 para me referir aos aspectos que t\u00eam a ver com a mobiliza\u00e7\u00e3o social e n\u00e3o com aspectos da mobiliza\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>[14] Ver sobretudo <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142984\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=142984 <\/a><\/p>\n<p>[15] <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/politica\/articulo-323501-farc-se-oponen-restitucion-porque-les-quitamos-el-discurso\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/politica\/articulo-323501-farc-se-oponen-restitucion-porque-les-quitamos-el-discurso <\/a><\/p>\n<p>[16] <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-324475-el-gobierno-de-los-campesinos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/opinion\/columna-324475-el-gobierno-de-los-campesinos <\/a>. Ver tamb\u00e9m a interven\u00e7\u00e3o do senador Jorge Robledo sobre o tema das terras <a href=\"http:\/\/prensarural.org\/spip\/spip.php?article7168\" target=\"_blank\">http:\/\/prensarural.org\/spip\/spip.php?article7168 <\/a><\/p>\n<p>[17] <a href=\"http:\/\/pnudcolombia.org\/indh2011\/index.php\/el-informe\/resumen-ejecutivo\/31\" target=\"_blank\">http:\/\/pnudcolombia.org\/indh2011\/index.php\/el-informe\/resumen-ejecutivo\/31 <\/a><\/p>\n<p>[18] <a href=\"http:\/\/www.anarkismo.net\/article\/20919\" target=\"_blank\">http:\/\/www.anarkismo.net\/article\/20919 <\/a><\/p>\n<p>[19] <a href=\"http:\/\/prensarural.org\/spip\/spip.php?article7397\" target=\"_blank\">http:\/\/prensarural.org\/spip\/spip.php?article7397 <\/a><\/p>\n<p>[20] Segundo o investigador Mauricio Romero, da Universidade Javeriana, essas fabrica\u00e7\u00f5es t\u00eam por objetivo \u201ccriminalizar as FARC e torpedear qualquer negocia\u00e7\u00e3o com a guerrilha\u201d. <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/mundo\/noticias\/2011\/02\/110217_colombia_bacrim_ao.shtml\" target=\"_blank\">http:\/\/www.bbc.co.uk\/mundo\/noticias\/2011\/02\/110217_colombia_bacrim_ao.shtml<\/a><\/p>\n<p>[21] <a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/judicial\/articulo-322262-farc-robaron-cerca-de-90-mil-hectareas-de-tierras-santos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/judicial\/articulo-322262-farc-robaron-cerca-de-90-mil-hectareas-de-tierras-santos <\/a><\/p>\n<p>[22] <a href=\"http:\/\/www.semana.com\/nacion\/olviden-nuevo-caguan-santos-farc\/170157-3.aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semana.com\/nacion\/olviden-nuevo-caguan-santos-farc\/170157-3.aspx <\/a><\/p>\n<p>[23] <a href=\"http:\/\/anarkismo.net\/article\/20391\" target=\"_blank\">http:\/\/anarkismo.net\/article\/20391 <\/a><\/p>\n<p>[24] <a href=\"http:\/\/www.semana.com\/opinion\/como-terminar-nuestra-guerra\/169380-3.aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semana.com\/opinion\/como-terminar-nuestra-guerra\/169380-3.aspx <\/a><\/p>\n<p>[25] <a href=\"http:\/\/www.eltiempo.com\/politica\/dilogo-con-las-farc-debe-ser-afuera-y-en-secreto-andrs-pastrana_10946420-4\" target=\"_blank\">http:\/\/www.eltiempo.com\/politica\/dilogo-con-las-farc-debe-ser-afuera-y-en-secreto-andrs-pastrana_10946420-4 <\/a><\/p>\n<p>[26] Nessa \u00e9poca, se falava de dar uma zona desmilitarizada ao ELN na Serra de San Lucas, no Sul da regi\u00e3o de Bol\u00edvar. Finalmente, a iniciativa n\u00e3o prosperou. Da sua parte, tanto o ELN como as FARC-EP negociavam separadamente. Hoje a coordena\u00e7\u00e3o entre ambas organiza\u00e7\u00f5es lhes d\u00e1 uma maior fortaleza pol\u00edtica e simplificaria o processo.<\/p>\n<p>[27] Comunica\u00e7\u00e3o pessoal: <a href=\"http:\/\/www.marchapatriotica.org\/index.php\/analisis\/71-analisis\/333-hablemos-del-conflicto-social-y-armado-colombiano#13567e5bea8475a1__ftnref28\" target=\"_blank\">http:\/\/www.marchapatriotica.org\/index.php\/analisis\/71-analisis\/333-hablemos-del-conflicto-social-y-armado-colombiano#13567e5bea8475a1__ftnref28<\/a><\/p>\n<p>[28] <a href=\"http:\/\/www.senadoragloriainesramirez.org\/index.php\/2012\/02\/las-vicisitudes-de-la-salida-negociada-al-conflicto-interno\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.senadoragloriainesramirez.org\/index.php\/2012\/02\/las-vicisitudes-de-la-salida-negociada-al-conflicto-interno\/ <\/a><\/p>\n<p>[29] Para um debate sobre este tema ver: <a href=\"http:\/\/www.anarkismo.net\/article\/20115\" target=\"_blank\">http:\/\/www.anarkismo.net\/article\/20115 <\/a><\/p>\n<p>[30] <a href=\"http:\/\/www.eltiempo.com\/politica\/dilogo-con-las-farc-debe-ser-afuera-y-en-secreto-andrs-pastrana_10946420-4\" target=\"_blank\">http:\/\/www.eltiempo.com\/politica\/dilogo-con-las-farc-debe-ser-afuera-y-en-secreto-andrs-pastrana_10946420-4 <\/a>. Isto \u00e9 not\u00e1vel, porque o reconhecimento das diferen\u00e7as e posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas diante de temas t\u00e3o sens\u00edveis como s\u00e3o a economia, apresentam a fal\u00e1cia do discurso oficial sobre as guerrilhas sem propostas para o pa\u00eds, como meros narcotraficantes que buscam justificar politicamente suas atividades delinquentes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marchapatriotica.org\/index.php\/analisis\/71-analisis\/333-hablemos-del-conflicto-social-y-armado-colombiano\" target=\"_blank\">http:\/\/www.marchapatriotica.org\/index.php\/analisis\/71-analisis\/333-hablemos-del-conflicto-social-y-armado-colombiano<\/a>, 15\/02\/12.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Marcha Patriotica\n\n\n\n\n\n\n\n\nJos\u00e9 Antonio Guti\u00e9rrez D. 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