{"id":24941,"date":"2020-02-20T01:32:25","date_gmt":"2020-02-20T04:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24941"},"modified":"2020-02-20T01:32:25","modified_gmt":"2020-02-20T04:32:25","slug":"eua-fora-do-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24941","title":{"rendered":"EUA fora do Oriente M\u00e9dio!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/moriente\/imagens\/steigan_1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por P\u00e5l Steigan*<\/p>\n<p>Atualmente os EUA t\u00eam grande dificuldade em manter a sua hegemonia no Oriente M\u00e9dio. As suas tropas foram declaradas indesej\u00e1veis no Iraque. Na S\u00edria, os EUA e sua legi\u00e3o estrangeira de terroristas perdem terreno e posi\u00e7\u00f5es todos os meses. Os Estados Unidos responderam a isso com uma escalada significativa, enviando mais tropas e amea\u00e7as constantes contra o Ir\u00e3. Ao mesmo tempo, viram-se fortes movimentos de protesto no L\u00edbano, Iraque e Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>O projeto para o novo Oriente M\u00e9dio<\/p>\n<p>Quando milh\u00f5es de iraquianos sa\u00edram \u00e0s ruas recentemente, o seu principal slogan era &#8220;Os EUA fora do Oriente M\u00e9dio!&#8221; Como devemos analisar este facto?<\/p>\n<p>Obviamente, existem muitas tens\u00f5es sociais no M\u00e9dio Oriente baseadas nas classes sociais e de natureza \u00e9tnica, religiosa e cultural. A regi\u00e3o \u00e9 uma manta de retalhos de conflitos e tens\u00f5es que remonta n\u00e3o apenas a centenas de anos, mas at\u00e9 mesmo a milhares. H\u00e1 sempre, em qualquer parte do mundo, muitas raz\u00f5es para o povo se rebelar contra a corrup\u00e7\u00e3o das classes exploradoras. Mas nenhuma rebeli\u00e3o pode ter \u00eaxito se n\u00e3o for baseada numa an\u00e1lise realista e exaustiva das condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada pa\u00eds e regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal como na \u00c1frica, as fronteiras do Oriente M\u00e9dio foram arbitrariamente tra\u00e7adas. S\u00e3o o produto das manipula\u00e7\u00f5es das pot\u00eancias imperialistas e em muito menor grau o que os pr\u00f3prios povos queriam.<\/p>\n<p>Durante a era da descoloniza\u00e7\u00e3o, houve um movimento pan-\u00e1rabe forte e secular que queria criar um mundo \u00e1rabe unificado. Esse movimento foi influenciado pelas ideias nacionalistas e socialistas que tinham forte apoio popular na \u00e9poca. O rei Abdallah I da Jord\u00e2nia imaginou um reino que inclu\u00edsse a Jord\u00e2nia, a Palestina e a S\u00edria. O Egito e a S\u00edria estabeleceram durante algum tempo uma uni\u00e3o chamada Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida. Kadafi queria unir a L\u00edbia, S\u00edria e Egito numa federa\u00e7\u00e3o de rep\u00fablicas \u00e1rabes. Em 1958, uma confedera\u00e7\u00e3o rapidamente dissolvida foi estabelecida entre a Jord\u00e2nia e o Iraque, chamada Federa\u00e7\u00e3o \u00c1rabe Todos esses esfor\u00e7os foram transit\u00f3rios. O que resta \u00e9 a Liga \u00c1rabe, que afinal n\u00e3o \u00e9 uma federa\u00e7\u00e3o estatal nem sequer uma alian\u00e7a. E, claro, temos a reivindica\u00e7\u00e3o de um Estado curdo, ou algo semelhante, consistindo num ou mais miniestados curdos. Ainda assim, ap\u00f3s ter terminado a Primeira Guerra Mundial, a medida que mais divis\u00f5es provocou foi o estabelecimento do Estado de Israel em solo palestiniano. Durante a Primeira Guerra Mundial, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Gr\u00e3-Bretanha, Arthur Balfour, emitiu o que ficou conhecido como a Declara\u00e7\u00e3o Balfour , que &#8221; [&#8230;] considera favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu&#8221;.<\/p>\n<p>Mas qual \u00e9 a base de todas essas tentativas de cria\u00e7\u00e3o de Estados? Quais s\u00e3o os pr\u00e9-requisitos para o sucesso ou fracasso?<\/p>\n<p>As pot\u00eancias imperialistas dividem o mundo de acordo com as rela\u00e7\u00f5es de poder entre elas<\/p>\n<p>Lenin deu a melhor e mais duradoura explica\u00e7\u00e3o para isso, no seu ensaio &#8220;O imperialismo, estado superior do capitalismo&#8221; . A\u00ed, ele exp\u00f4s cinco caracter\u00edsticas b\u00e1sicas da era do imperialismo:<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e do capital evoluiu para um situa\u00e7\u00e3o preponderante, criando monop\u00f3lios que passaram a desempenhar um papel decisivo na vida econ\u00f4mica;<br \/>\nA fus\u00e3o do capital banc\u00e1rio com o industrial e a cria\u00e7\u00e3o, com base nesse &#8220;capital financeiro&#8221;, de uma oligarquia financeira;<br \/>\nA exporta\u00e7\u00e3o de capital, diferentemente da exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias, adquire uma import\u00e2ncia excecional;<br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es capitalistas monopolistas internacionais que compartilham o mundo entre si;<br \/>\nA divis\u00e3o territorial do mundo inteiro entre as maiores pot\u00eancias capitalistas est\u00e1 conclu\u00edda.<br \/>\nMas Lenin tamb\u00e9m apontou que os pa\u00edses capitalistas estavam se desenvolvendo de maneira desigual, principalmente devido ao desigual desenvolvimento das for\u00e7as produtivas nos v\u00e1rios pa\u00edses capitalistas. Depois de algum tempo, surgem discrep\u00e2ncias entre a forma como mundo est\u00e1 dividido e a for\u00e7a relativa das pot\u00eancias imperialistas. Essa disparidade acaba por for\u00e7ar uma redistribui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de influ\u00eancia, uma nova divis\u00e3o do mundo, baseada na nova rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Como afirmou Lenin:<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o: que outros meios al\u00e9m da guerra podem existir no capitalismo para superar a disparidade entre o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e a acumula\u00e7\u00e3o de capital, por um lado, e a divis\u00e3o de col\u00f3nias e esferas de influ\u00eancia do capital financeiro, por outro?&#8221;<\/p>\n<p>As duas guerras mundiais foram guerras que surgiram devido \u00e0 desigualdade nas rela\u00e7\u00f5es de poder entre as pot\u00eancias imperialistas. O Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico havia passado o auge e o capitalismo brit\u00e2nico ficou para tr\u00e1s na competi\u00e7\u00e3o. Os Estados Unidos e a Alemanha foram as grandes pot\u00eancias com maior crescimento industrial e tecnol\u00f3gico e, consequentemente, esse desalinhamento explodiu. N\u00e3o uma, mas duas vezes.<\/p>\n<p>Versalhes e Yalta<\/p>\n<p>Os vencedores da Primeira Guerra Mundial dividiram o mundo entre si \u00e0s custas dos perdedores. Os principais perdedores foram a Alemanha, o Imp\u00e9rio Austro-h\u00fangaro, a R\u00fassia (Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) e o Imp\u00e9rio Otomano. Esta divis\u00e3o foi estabelecida no Tratado de Versalhes e noutros tratados menores.<\/p>\n<p>No final da Segunda Guerra Mundial, as superpot\u00eancias vitoriosas reuniram-se em Yalta, na Crimeia, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Roosevelt, Churchill e Stalin fizeram um acordo sobre como a Europa seria dividida ap\u00f3s a iminente derrota da Alemanha. Os dois blocos que surgiram se tornaram a base da Guerra Fria. Note-se que a Iugosl\u00e1via, criada ap\u00f3s Versalhes em 1919, foi mantida e consolidada como &#8220;um pa\u00eds entre os blocos&#8221;. Portanto, era um pa\u00eds que possu\u00eda em si a heran\u00e7a dos acordos de Versalhes e Yalta.<\/p>\n<p>A fat\u00eddica mudan\u00e7a de \u00e9poca quando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica caiu<\/p>\n<p>Com o imperialismo, sempre houve uma luta entre v\u00e1rias grandes pot\u00eancias. As guerras t\u00eam sido sobre mercados, acesso a m\u00e3o de obra barata, mat\u00e9rias-primas, energia, rotas de transporte e controlo militar. Os pa\u00edses imperialistas dividem o mundo entre si de acordo com sua for\u00e7a. Mas as pot\u00eancias imperialistas desenvolvem-se desigualmente.<\/p>\n<p>Se um poder entrar em colapso ou perder o controle sobre algumas \u00e1reas, os rivais competir\u00e3o para preencher o vazio. O imperialismo segue o princ\u00edpio que Arist\u00f3teles na sua f\u00edsica chamou de horror vacui \u2013 o horror da Natureza ao vazio.<\/p>\n<p>E foi o que aconteceu quando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica perdeu a Guerra Fria. Em 1991, a URSS deixou de existir, e logo o bloco oriental tamb\u00e9m passou \u00e0 hist\u00f3ria. Assim, o equil\u00edbrio que mantinha a antiga ordem foi quebrado. Uma enorme \u00e1rea estava dispon\u00edvel para uma nova divis\u00e3o. A R\u00fassia enfraquecida mal conseguiu preservar o seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio e de forma alguma a \u00e1rea antes controlada pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca uma \u00e1rea t\u00e3o grande foi aberta para tornar a ser dividida. O resultado de duas terr\u00edveis guerras mundiais estava novamente em disputa. N\u00e3o poderia deixar de levar \u00e0 guerra&#8221;. (P\u00e5l Steigan 1999)<\/p>\n<p>Quando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica se desintegrou, os acordos de Yalta e Versalhes entraram em colapso e abriram o caminho a uma corrida feroz para controlar esse espa\u00e7o geopol\u00edtico vazio.<\/p>\n<p>Foi o que lan\u00e7ou as bases da Geostrat\u00e9gia Americana para a Eur\u00e1sia, que se concentrou em garantir o controlo sobre o vasto continente da Euro\u00e1sia. \u00c9 esta luta pela redistribui\u00e7\u00e3o a favor dos EUA que tem sido a base da maioria das guerras desde 1990: Som\u00e1lia, Iraque, Balc\u00e3s, L\u00edbia, Ucr\u00e2nia, S\u00edria.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos t\u00eam liderado agressivamente esta situa\u00e7\u00e3o. O processo para expandir a OTAN para leste, criando mudan\u00e7as de regime sob a forma das chamadas &#8220;revolu\u00e7\u00f5es coloridas&#8221;, fez parte dessa luta. O golpe em Kiev, a transforma\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia numa col\u00f4nia americana com elementos nazis e a guerra no Donbass tamb\u00e9m fazem parte deste quadro. A guerra n\u00e3o vai parar at\u00e9 que a R\u00fassia seja conquistada e desmembrada ou que ela ponha um fim \u00e0 ofensiva dos EUA.<\/p>\n<p>Recapitulando: o mundo j\u00e1 est\u00e1 dividido entre pot\u00eancias imperialistas, n\u00e3o h\u00e1 novas col\u00f4nias a serem conquistadas, as grandes pot\u00eancias s\u00f3 podem lutar pela redistribui\u00e7\u00e3o. O que cria as bases e as possibilidades de uma nova divis\u00e3o \u00e9 o desenvolvimento desigual do capitalismo. As for\u00e7as que est\u00e3o a desenvolver-se mais rapidamente econ\u00f4mica e tecnologicamente exigir\u00e3o mercados maiores, mais mat\u00e9rias-primas, mais controlo geoestrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Os resultados das duas terr\u00edveis guerras mundiais est\u00e3o novamente em disputa<\/p>\n<p>A Primeira Guerra Mundial causou talvez 20 milh\u00f5es de mortes e pelo menos o mesmo n\u00famero de feridos. A Segunda Guerra Mundial causou cerca de 72 milh\u00f5es de mortes. Estes s\u00e3o n\u00fameros aproximados e ainda h\u00e1 controv\u00e9rsia em torno dos n\u00fameros exatos, mas falamos desta ordem de grandeza. As duas guerras mundiais, que tiveram como resultado os tratados de Versalhes e Yalta, causaram pouco menos de 100 milh\u00f5es de mortos, al\u00e9m de um n\u00famero incr\u00edvel de outros sofrimentos e perdas.<\/p>\n<p>Desde 1991, uma &#8220;guerra mundial&#8221; de baixa intensidade \u00e9 travada, principalmente pelos EUA, para conquistar o &#8220;vazio&#8221;. Donald Trump afirmou recentemente que os Estados Unidos travaram guerras baseadas em mentiras, que custaram 8 milh\u00f5es de milh\u00f5es de d\u00f3lares e milh\u00f5es de vidas. Portanto, a redistribui\u00e7\u00e3o de esp\u00f3lios feita pelos EUA n\u00e3o aconteceu pacificamente.<\/p>\n<p>&#8220;A rebeli\u00e3o contra Sykes-Picot&#8221;<\/p>\n<p>No debate sobre a situa\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio, certas pessoas que gostariam de parecer de esquerda, radicais e anti-imperialistas, dizem que \u00e9 hora de se rebelar contra as fronteiras artificiais tra\u00e7adas pelos tratados de Sykes-Picot e Versalhes. Certamente que essas fronteiras s\u00e3o artificiais e imperialistas. Mas qu\u00e3o de esquerda e anti-imperialista \u00e9 lutar para que essas fronteiras sejam revistas agora?<\/p>\n<p>Na realidade, s\u00e3o os EUA e Israel que lutam por uma redistribui\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os de influ\u00eancia no Oriente M\u00e9dio. Essa \u00e9 a base subjacente ao &#8220;Acordo do S\u00e9culo&#8221; de Donald Trump, que tem o objetivo de enterrar a Palestina para sempre e estabelecer definitivamente o plano dos EUA de dividir o Iraque.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 apenas uma vers\u00e3o atualizada do plano Sionista Yinon que visava dividir todo o Oriente M\u00e9dio em cant\u00f5es, com o objetivo de que Israel n\u00e3o tivesse oponentes reais e pudesse dominar toda a regi\u00e3o, possivelmente criando um Grande Israel.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o os anti-imperialistas que lideram as vias para rever as fronteiras imperialistas de 1919. S\u00e3o os imperialistas. Para conseguir isso, eles costumam explorar movimentos inicialmente populares ou nacionais, mas que depois se tornam ferramentas e meros servidores de um jogo maior. Isto aconteceu tantas vezes na hist\u00f3ria que dificilmente pode ser contado.<\/p>\n<p>A Alemanha de Hitler explorou o nacionalismo croata usando os bandos ustachis para os colocar ao seu servi\u00e7o. De 1939 a 1945, eles mataram centenas de milhares de s\u00e9rvios, judeus e ciganos. Os seus descendentes ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos realizaram uma limpeza \u00e9tnica extremamente brutal na \u00e1rea da Krajina expulsando pela for\u00e7a mais de 200 mil s\u00e9rvios na chamada Opera\u00e7\u00e3o Tempestade em 1995. Hitler tamb\u00e9m usou o nacionalismo extremista da Ucr\u00e2nia do OUN de Stepan Bandera e ap\u00f3s a morte de Bandera, a CIA continuou a us\u00e1-los como uma quinta coluna contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>A guerra de baixa intensidade dos EUA contra o Iraque, a Guerra do Golfo em 1991 a Guerra do Iraque em 2003, ajudaram a dividir o pa\u00eds em enclaves. O Curdist\u00e3o iraquiano alcan\u00e7ou autonomia no norte, rico em petr\u00f3leo com a ajuda de uma &#8220;zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea&#8221; dos EUA. Os Estados Unidos criaram assim um quase-Estado que foi a sua ferramenta no Iraque. Sem d\u00favida, que os curdos no Iraque foram oprimidos sob Saddam Hussein. Mas tamb\u00e9m, sem d\u00favida, que o &#8220;Curdist\u00e3o&#8221; iraquiano se tornou um Estado vassalo sob o controlo dos Estados Unidos. E tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que as zonas de exclus\u00e3o a\u00e9rea eram ilegais, como admitiu numa conversa com John Pilger o secret\u00e1rio-geral da ONU, Boutros-Ghali.<\/p>\n<p>Agora os EUA ainda est\u00e3o usando os curdos no norte do Iraque no seu plano de dividir o Iraque em tr\u00eas partes. Para isso, est\u00e3o construindo o maior consulado do mundo em Erbil. O que eles planeiam fazer \u00e9 simplesmente &#8220;criar um pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, os Estados Unidos tamb\u00e9m usam os curdos na S\u00edria como pretexto para manter 27% do pa\u00eds ocupado. N\u00e3o importa quanto as mil\u00edcias curdas SDF e PYD invoquem democracia, feminismo e comunalismo; acabaram a pedir aos Estados Unidos para manterem a ocupa\u00e7\u00e3o do nordeste da S\u00edria.<\/p>\n<p>Preparativos para uma nova guerra mundial<\/p>\n<p>Israel e os EUA est\u00e3o se preparando para a guerra contra o Ir\u00e3. Nesta luta, eles desenvolver\u00e3o uma ret\u00f3rica &#8220;progressista&#8221;, necess\u00e1ria para enganar as pessoas. A verdadeira insatisfa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, que h\u00e1 todos os motivos para ter, ser\u00e1 ampliada na propor\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Os &#8220;movimentos sociais&#8221; ser\u00e3o equipados com as \u00faltimas &#8220;fake news&#8221; israelenses e norte-americanas, receber\u00e3o treino e apoio log\u00edstico, al\u00e9m de muito dinheiro vivo.<\/p>\n<p>Pode haver boas raz\u00f5es para rever as fronteiras de 1919, mas na situa\u00e7\u00e3o de hoje, esse movimento desencadear\u00e1 rapidamente uma grande guerra. Alguns dizem que os curdos t\u00eam direito ao seu pr\u00f3prio Estado, e talvez sim. A quest\u00e3o ser\u00e1 finalmente decidida por todos, exceto pelos pr\u00f3prios curdos. O problema \u00e9 que, na situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica de hoje, a cria\u00e7\u00e3o de um Curdist\u00e3o unificado exigir\u00e1 que &#8220;algu\u00e9m&#8221; derrote a Turquia, a S\u00edria, o Iraque e o Ir\u00e3. \u00c9 dif\u00edcil ver como isso pode acontecer sem que os seus aliados, principalmente a R\u00fassia e a China, sejam atra\u00eddos para o conflito. E ent\u00e3o temos uma nova guerra mundial nas m\u00e3os. Nesse caso, n\u00e3o estamos a falar de 100 milh\u00f5es de mortos, mas talvez de dez vezes mais, ou o colapso da civiliza\u00e7\u00e3o como a conhecemos. A quest\u00e3o curda n\u00e3o vale tanto.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o se deva lutar contra a opress\u00e3o e a injusti\u00e7a, seja social e nacional. Qualquer um certamente que o deve fazer. Mas \u00e9 preciso entender que rever o mapa do Oriente M\u00e9dio \u00e9 um plano muito perigoso correndo-se o risco de acabar em muito perigosa companhia. A alternativa \u00e9 apoiar uma luta pol\u00edtica que mine a hegemonia dos EUA e Israel e, assim, crie melhores condi\u00e7\u00f5es para futuras lutas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que as pequenas na\u00e7\u00f5es confiam em situa\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas para alcan\u00e7ar alguma forma de independ\u00eancia nacional. Foi o caso, por exemplo, da Noruega, meu pa\u00eds de origem. Foi a derrota da Fran\u00e7a na Guerra Napole\u00f4nica que levou a Dinamarca a perder a prov\u00edncia da Noruega para a Su\u00e9cia, em 1814, mas, ao mesmo tempo, criou espa\u00e7o para uma Constitui\u00e7\u00e3o norueguesa separada e um governo com autonomia. Toda honra aos fundadores noruegueses de 1814, mas isso foi decidido nos campos de batalha na Europa.<\/p>\n<p>Novamente, foi a derrota da R\u00fassia na Guerra Russo-Japonesa que lan\u00e7ou as bases geopol\u00edticas para a dissolu\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o for\u00e7ada com a Su\u00e9cia quase cem anos depois, em 1905 (Isto est\u00e1 apresentado esquematicamente e h\u00e1 muitos mais detalhes, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a perda de grande parte da frota russa no Extremo Oriente criou um v\u00e1cuo de poder no ocidente, que foi explorado).<\/p>\n<p>Portanto, a melhor coisa a fazer agora n\u00e3o \u00e9 apoiar a fragmenta\u00e7\u00e3o dos Estados, mas apoiar uma frente unida para expulsar os Estados Unidos do Oriente M\u00e9dio. A marcha de milh\u00f5es de pessoas em Bagd\u00e1 fez a bola rolar. H\u00e1 todas as raz\u00f5es para criar ainda mais for\u00e7a por tr\u00e1s disso. Somente quando os Estados Unidos estiverem fora, os povos e pa\u00edses da regi\u00e3o poder\u00e3o chegar a acordos pac\u00edficos entre si, que permitir\u00e3o o desenvolvimento de um futuro melhor. E, neste contexto, \u00e9 uma vantagem que a China desenvolva a &#8220;Rota da Seda&#8221;, n\u00e3o porque a China seja mais nobre que outras grandes pot\u00eancias, mas porque esse projeto, pelo menos na situa\u00e7\u00e3o atual, n\u00e3o \u00e9 sect\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 exclusivo e \u00e9 genuinamente multilateral. A alternativa a uma lideran\u00e7a monopolista dos EUA, com uma pol\u00edcia mundial controlada por Washington, \u00e9 um mundo multipolar. Ela cresce enquanto falamos. Os dias do Imp\u00e9rio est\u00e3o contados. Se isso ser\u00e1 daqui a 20 ou 50 anos, ainda est\u00e1 para ser visto.<\/p>\n<p>[*] Jornalista, noruegu\u00eas, editor do site de not\u00edcias independente steigan.no\/tag\/english\/ .<\/p>\n<p>A vers\u00e3o em ingl\u00eas encontra-se em steigan.no\/&#8230;<br \/>\ne em www.informationclearinghouse.info\/52930.htm<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em https:\/\/resistir.info\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24941\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[73,165],"tags":[225],"class_list":["post-24941","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c86-anti-imperialismo","category-eua","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6uh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24941\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}