{"id":24943,"date":"2020-02-20T01:33:58","date_gmt":"2020-02-20T04:33:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=24943"},"modified":"2020-02-20T01:33:58","modified_gmt":"2020-02-20T04:33:58","slug":"o-dolar-das-empregadas-domesticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24943","title":{"rendered":"O d\u00f3lar das empregadas dom\u00e9sticas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/criticadaeconomia.com\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/BR-D%C3%B3lar-dispara-fev20-1158x630.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Jos\u00e9 Martins<\/p>\n<p>Cr\u00edtica da Economia<\/p>\n<p>O d\u00f3lar come\u00e7ou a quinta-feira (13) batendo novas m\u00e1ximas e chegando a R$ 4,38, ap\u00f3s quatro recordes consecutivos em rela\u00e7\u00e3o ao real. O Banco Central entrou pesadamente no mercado para segurar a disparada.<\/p>\n<p>Menos de um ano atr\u00e1s, essa desastrosa desvaloriza\u00e7\u00e3o do real era impens\u00e1vel para os empres\u00e1rios brasileiros e seus economistas. Ao contr\u00e1rio, eles at\u00e9 amea\u00e7avam a sociedade de forma terrorista com uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o do real se n\u00e3o fosse aprovada a sua reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Era o que eles comunicavam na edi\u00e7\u00e3o de 01\/03\/2019 do jornal Valor Econ\u00f4mico: \u201cXP Investimentos: d\u00f3lar pode chegar a R$ 4,20 se a reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o passar\u201d. E complementava: \u201cPor outro lado, com uma aprova\u00e7\u00e3o integral do projeto apresentado pelo governo Jair Bolsonaro, o d\u00f3lar iria a R$ 3,40 \u2026\u201d<\/p>\n<p>A reforma passou como eles queriam, mas, ao inv\u00e9s da taxa prometida de R$ 3,40, agora eles presenteiam a sociedade exatamente com a taxa de R$ 4,20 que utilizaram para chantagear o Congresso e a opini\u00e3o p\u00fablica para a aprova\u00e7\u00e3o da reforma.<\/p>\n<p>O discurso dos empres\u00e1rios e dos seus economistas sempre muda para justificar sua not\u00f3ria incompet\u00eancia. Na maior cara de pau. O que seria desastroso um ano atr\u00e1s agora passa a ser grande virtude da atual pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O novo bonito passa a ser exatamente uma moeda nacional enfraquecida, a liquida\u00e7\u00e3o pura e simples da capacidade produtiva instalada e dos parcos rendimentos da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora.<\/p>\n<p>Para realizar essa contor\u00e7\u00e3o mental, instala-se nos imundos sal\u00f5es do governo um inacredit\u00e1vel turbilh\u00e3o de falsidades econ\u00f4micas e de agress\u00f5es racistas reais.<\/p>\n<p>Em evento nesta quarta-feira (12), em Bras\u00edlia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o d\u00f3lar mais baixo de tempos atr\u00e1s \u00e9 que era um grande problema. T\u00e3o grande que permitia at\u00e9 empregadas dom\u00e9sticas viajarem \u00e0 Disneyl\u00e2ndia, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cPreferimos manter c\u00e2mbio a R$ 4 com juros baixos, do que a R$ 1,80 com os juros l\u00e1 em cima. Vou exportar menos, substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, turismo, todo mundo indo para a Disneyl\u00e2ndia. Empregada dom\u00e9stica indo pra Disneyl\u00e2ndia, uma festa danada\u201d \u2013 declarou a mais alta autoridade econ\u00f4mica dos empres\u00e1rios brasileiros.<\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es morais a parte, porque isso n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia na dura realidade da luta de classes, duas r\u00e1pidas observa\u00e7\u00f5es. A primeira, que o ministro da Economia n\u00e3o est\u00e1 conseguindo manter o c\u00e2mbio a R$ 4 que, no citado discurso, ele disse \u201cpreferir manter\u201d. J\u00e1 alcan\u00e7ou R$ 4,38 nesta manh\u00e3 de quinta-feira. E quem garante que n\u00e3o continuar\u00e1 subindo?<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o governo e os demais economistas do sistema n\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima no\u00e7\u00e3o da natureza do processo deflacion\u00e1rio dos pre\u00e7os que atinge o mercado mundial e, por tabela, a economia brasileira.<\/p>\n<p>A teoria econ\u00f4mica vulgar (neocl\u00e1ssica, monetarista ou keynesiana) n\u00e3o \u00e9 capaz de determinar nem a origem, nem as causas da varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. Esse \u00e9 um problema te\u00f3rico insuper\u00e1vel pelos capitalistas. Da\u00ed a sua incapacidade de evitar as crises peri\u00f3dicas. As supera\u00e7\u00f5es destas \u00faltimas s\u00e3o decididas pela viol\u00eancia policial do Estado.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que s\u00f3 os mais grosseiros destes economistas, como o atual ministro da Economia, ainda ensaiam, mesmo que timidamente, comemorar e reivindicar a paternidade da desinfla\u00e7\u00e3o e da queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) da economia.<\/p>\n<p>Fazem o papel de palha\u00e7os (de p\u00e9ssima qualidade art\u00edstica) em suas apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, porque est\u00e3o comemorando coisas que deveriam ser lamentadas \u2013 muito lamentadas para seus pr\u00f3prios interesses de propriet\u00e1rios privados dos meios sociais de produ\u00e7\u00e3o \u2013 como a queda dos pre\u00e7os, da taxa de juros e, finalmente, da desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda nacional frente ao d\u00f3lar (c\u00e2mbio).<\/p>\n<p>Como se pode comemorar uma renitente defla\u00e7\u00e3o da taxa geral de lucro embutida nos pre\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o e uma taxa b\u00e1sica de juro real j\u00e1 pr\u00f3xima de zero \u2013 que n\u00e3o colaboram em nada para a recupera\u00e7\u00e3o dos investimentos e do crescimento da economia?<\/p>\n<p>Como comemorar esses \u201cbons fundamentos econ\u00f4micos\u201d de queda dos pre\u00e7os e das taxas de juro se a economia real continua estagnada, com crescente tend\u00eancia ao afundamento?<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que os economistas brasileiros s\u00e3o totalmente incapazes para dizer alguma coisa sensata sobre a futura evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os ao consumidor (infla\u00e7\u00e3o) e da taxa de juros do Banco Central (Selic).<\/p>\n<p>Da mesma maneira que as desorientadas e at\u00f4nitas autoridades do Banco Central frente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica atual, os economistas e comentaristas est\u00e3o completamente perdidos sobre as pr\u00f3ximas decis\u00f5es de pol\u00edtica monet\u00e1ria a serem tomadas quanto \u00e0 taxa de juros.<\/p>\n<p>A Selic pode subir, cair ou ficar parada, \u00e9 o diagnostico que se pode ler na edi\u00e7\u00e3o desta quarta-feira (12) do jornal Valor Econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u00c9 nisto que se resume toda a sapi\u00eancia da economia vulgar dos capitalistas, seus in\u00fateis economistas e comentaristas quando s\u00e3o obrigados a diagnosticar a real situa\u00e7\u00e3o da capacidade produtiva instalada da economia (e principalmente seu grau atual de ociosidade):<\/p>\n<p>\u201c A ata do Copom mostra que os membros do colegiado est\u00e3o divididos sobre qual \u00e9 a real capacidade ociosa da economia. A ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central esclareceu as d\u00favidas sobre o que significa, afinal, uma \u201cinterrup\u00e7\u00e3o\u201d no ciclo de baixa de juros: \u00e9 uma pausa ao longo dos pr\u00f3ximos meses para avaliar a evolu\u00e7\u00e3o da economia e decidir os futuros passos na condu\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria. O rumo da taxa de juros depois dessa \u201cinterrup\u00e7\u00e3o\u201d, por\u00e9m, parece mais incerto do que h\u00e1 uma semana\u2026 Em tese, h\u00e1 espa\u00e7o para cortar os juros, para mant\u00ea-los e at\u00e9 mesmo para subi-los mais cedo\u201d.<\/p>\n<p>Pode apostar que eles ser\u00e3o obrigados a continuar reduzindo a Selic. Mas estas novas redu\u00e7\u00f5es nominais das taxa de juros n\u00e3o ter\u00e3o nenhum efeito expansivo dos investimentos na ind\u00fastria e, consequentemente, na totalidade da economia. Apenas altera\u00e7\u00f5es na din\u00e2mica e redirecionamentos do capital fict\u00edcio da economia, como j\u00e1 ocorrem.<\/p>\n<p>O mais importante de tudo \u00e9 que os donos do capital est\u00e3o dirigindo a economia no escuro. Eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma capacidade te\u00f3rica e muito menos pr\u00e1tica para reverter a prostra\u00e7\u00e3o produtiva do capital, o desemprego oper\u00e1rio e o desespero das massas esfomeadas. O desastre \u00e9 inevit\u00e1vel. Para acontecer na pr\u00f3xima curvatura do ciclo.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"neLgziYnGC\"><p><a href=\"https:\/\/criticadaeconomia.com\/2020\/02\/o-dolar-das-empregadas-domesticas\/\">O d\u00f3lar das empregadas dom\u00e9sticas<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#8220;O d\u00f3lar das empregadas dom\u00e9sticas&#8221; &#8212; \" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"https:\/\/criticadaeconomia.com\/2020\/02\/o-dolar-das-empregadas-domesticas\/embed\/#?secret=neLgziYnGC\" data-secret=\"neLgziYnGC\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/24943\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[223],"class_list":["post-24943","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6uj","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24943\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}