{"id":2498,"date":"2012-03-06T19:10:49","date_gmt":"2012-03-06T19:10:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2498"},"modified":"2012-03-06T19:10:49","modified_gmt":"2012-03-06T19:10:49","slug":"chavez-apresenta-vantagem-de-18-pontos-sobre-rival-capriles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2498","title":{"rendered":"Ch\u00e1vez apresenta vantagem de 18 pontos sobre rival Capriles"},"content":{"rendered":"\n<p>Ch\u00e1vez apresenta vantagem de 18 pontos sobre rival CaprilesTexto: O presidente da Venezuela, Hugo Ch\u00e1vez, apresenta vantagem de 18 pontos sobre o candidato da oposi\u00e7\u00e3o, Henrique Capriles, nas inten\u00e7\u00f5es de voto das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de outubro, conforme indicou uma pesquisa feita pela Hinterlaces e divulgada nesta segunda-feira pelo canal de televis\u00e3o Venevisi\u00f3n.<\/p>\n<p>De acordo com a consulta Hinterlaces, realizada entre 24 de fevereiro e 1\u00ba de mar\u00e7o a partir de 730 entrevistas, 52% dos entrevistados afirmaram que se as elei\u00e7\u00f5es fossem no pr\u00f3ximo fim de semana votariam em Ch\u00e1vez, enquanto 34% prefeririam Capriles.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros, indica a empresa respons\u00e1vel pela pesquisa, aumentam ligeiramente a vantagem de 49% contra 37% que Ch\u00e1vez tinha sobre Capriles logo ap\u00f3s as prim\u00e1rias de 12 de fevereiro, que transformaram o tamb\u00e9m governador do estado de Miranda no candidato de unidade da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a avalia\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de Ch\u00e1vez atingiu 66% de aprova\u00e7\u00e3o (dois pontos acima de janeiro), contra 31% dos que rejeitam seu desempenho, de acordo com a pesquisa, que tem uma margem de erro de 3,5%.<\/p>\n<p>O levantamento abordou ainda v\u00e1rios dados relacionados \u00e0\u00a0hip\u00f3tese de que Ch\u00e1vez, que extraiu um tumor cancer\u00edgeno no \u00faltimo dia 26 e dever\u00e1\u00a0se submeter \u00e0\u00a0radioterapia, n\u00e3o possa se apresentar \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de outubro.<\/p>\n<p>Questionados sobre a doen\u00e7a do presidente, que no domingo informou que o tumor que retirou \u00e9\u00a0cancer\u00edgeno e que se submeter\u00e1\u00a0 \u00e0\u00a0radioterapia, 49% dos venezuelanos afirmaram acreditar que o estado de sa\u00fade de Ch\u00e1vez seja grave, mas 71% acham que o governante conseguir\u00e1\u00a0se curar e participar da disputa.<\/p>\n<p>Apesar de Ch\u00e1vez ter informado sobre o novo tumor ap\u00f3s garantir que tinha se recuperado do c\u00e2ncer que teve diagnosticado em junho em Cuba, 54% acham que o presidente n\u00e3o mentiu, enquanto 35% acreditam que tenha faltado com a verdade.<\/p>\n<p>A pesquisa trouxe ainda opini\u00f5es sobre um cen\u00e1rio eleitoral sem Ch\u00e1vez. Para 49% dos entrevistados, se o presidente n\u00e3o concorrer a oposi\u00e7\u00e3o sair\u00e1\u00a0vitoriosa, frente a 36% que apostam pelo chavismo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 55% dos questionados consideram que n\u00e3o h\u00e1\u00a0um l\u00edder dentro do governo que possa continuar a tarefa do presidente se ele abandonar a pol\u00edtica, contra 36% que avaliam o contr\u00e1rio. A maioria, 54%, considera que o presidente n\u00e3o deveria se retirar da pol\u00edtica para cuidar de sua sa\u00fade, enquanto 39% acham que deveria faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Troca de acusa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Nesta segunda-feira, governo e oposi\u00e7\u00e3o trocaram acusa\u00e7\u00f5es por causa de um tiroteio que deixou feridos durante um evento de campanha eleitoral, domingo, na Venezuela. Partid\u00e1rios de Capriles disseram que militantes ligados a Ch\u00e1vez abriram fogo quando o candidato e seus seguidores caminhavam no bairro de Cotiza, na periferia de Caracas.<\/p>\n<p>Dois partid\u00e1rios de Capriles, inclusive o filho de um parlamentar, teriam ficado feridos. Autoridades governamentais de alto escal\u00e3o disseram que o relato da oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 mentiroso, e que os guarda-costas de Capriles iniciaram o tiroteio, deixando quatro feridos.<\/p>\n<p>Governo e oposi\u00e7\u00e3o usaram seus canais de TV para exibir repetidamente imagens em diferentes \u00e2ngulos, tentando corroborar sua vers\u00e3o dos fatos. Em todas elas, \u00e9\u00a0poss\u00edvel ouvir disparos e ver gente correndo. &#8220;Enquanto esse governo debate com armas, n\u00f3s debatemos com ideias&#8221;, disse o centro-esquerdista Capriles, de 39 anos, ap\u00f3s o incidente. &#8220;Do que eles est\u00e3o com medo?&#8221;<\/p>\n<p>O ministro do Interior, Tareck el Aissami, prometeu investiga\u00e7\u00e3o do incidente, mas disse que policiais do Estado de Miranda &#8211; governado por Capriles &#8211; estariam agindo sem autoriza\u00e7\u00e3o fora da sua circunscri\u00e7\u00e3o, e teriam atacado partid\u00e1rios do governo envolvidos em outra atividade. &#8220;Foram eles os promotores da viol\u00eancia&#8221;, afirmou. &#8220;Eles decidiram montar esse show durante a atividade do candidato da direita, que n\u00e3o conseguiu atrair nem dez pessoas&#8221;, disse o ministro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Brasil deve aumentar seu poderio militar, diz americano<\/strong><\/p>\n<p>Folha de S.Paulo<\/p>\n<p>O Brasil deve aumentar seu poderio militar porque s\u00f3\u00a0soft power (poder brando) n\u00e3o basta, e uma maior capacidade brasileira em defesa abre a possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o com os EUA. \u00c9 o que sugere Richard Haass, que fez carreira na diplomacia americana, ocupando postos importantes em governos republicanos, e desde 2003 preside o Council on Foreign Relations, centro de estudos influente na pol\u00edtica externa do seu pa\u00eds. Ele falou \u00e0 Folha ap\u00f3s viagem de estudos de uma semana em que liderou uma delega\u00e7\u00e3o de 19 pessoas por Rio, S\u00e3o Paulo e Bras\u00edlia, incluindo reuni\u00f5es com a presidente Dilma Rousseff e o chanceler Antonio Patriota. Abaixo, a \u00edntegra da entrevista.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Em que essa viagem mudou ou n\u00e3o sua percep\u00e7\u00e3o do Brasil?<\/p>\n<p>RICHARD HAASS &#8211; Tenho vindo aqui h\u00e1\u00a015, 20 anos. \u00c9\u00a0dif\u00edcil n\u00e3o ficar impressionado com o sucesso econ\u00f4mico. O que realmente me impressionou \u00e9\u00a0que parei de pensar no Brasil como um pa\u00eds em desenvolvimento; o vejo como um pa\u00eds maduro. Seus desafios econ\u00f4micos e sociais me lembram os EUA: a infraestrutura obsoleta, a educa\u00e7\u00e3o, o capital humano, o peso dos impostos e da estrutura regulat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Outra coisa \u00e9\u00a0como \u00e9\u00a0boa rela\u00e7\u00e3o entre EUA e Brasil. N\u00e3o significa que concordamos em tudo, mas o n\u00edvel de conforto \u00e9\u00a0 alto.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; O subsecret\u00e1rio de Estado William Burns descreveu o Brasil como uma &#8220;pot\u00eancia global emergente&#8221;. Usaria a mesma descri\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; A resposta curta \u00e9\u00a0sim. A palavra emergente \u00e9\u00a0 dif\u00edcil. Em alguma medida, o Brasil j\u00e1\u00a0chegou l\u00e1. Economicamente, o Brasil j\u00e1\u00a0\u00e9\u00a0uma pot\u00eancia mundial. Diplomaticamente, tem assumido um papel maior. Militarmente, ainda \u00e9\u00a0modesto, e tem que decidir que tipo de capacidade o pa\u00eds quer, que papel quer desempenhar.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Sobre o que foi a conversa com a Dilma, sobre a rela\u00e7\u00e3o bilateral?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; Foi bastante sobre isso, e tamb\u00e9m sobre a vis\u00e3o dela sobre a Am\u00e9rica. Como americano, achei alentador. Nos EUA temos um debate permanente sobre se estamos em decl\u00ednio. \u00c9\u00a0bom ter uma conversa com sua presidente em que ela se mostrou t\u00e3o confiante e positiva sobre a capacidade de os EUA superarem seus problemas, nossa flexibilidade, nossa abertura, nossa criatividade, nossa tradi\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o, a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes em nossos debates internos esquecemos disso.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Dilma tem ressaltado a vontade de aprofundar o interc\u00e2mbio com os EUA em educa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9\u00a0suficiente para a rela\u00e7\u00e3o? Toda a viagem de Burns girou em torno da decis\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea de cancelar a licita\u00e7\u00e3o vencida pela Embraer.<\/p>\n<p>HAASS &#8211; Sempre haver\u00e1\u00a0dificuldades sobre essa ou aquela decis\u00e3o, mas fora do governo coisas como essas parecem pequenas, uma distra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao quadro maior de uma rela\u00e7\u00e3o cada vez maior entre dois pa\u00edses que enfrentam desafios comuns em suas economias, suas sociedades.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Aprofundar a parceria em defesa \u00e9\u00a0 importante para a rela\u00e7\u00e3o bilateral?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; Apoio uma rela\u00e7\u00e3o maior entre os dois pa\u00edses no campo da defesa. Gosto da ideia de que o Brasil desenvolva maiores capacidades nessa \u00e1rea. Isso abre a possibilidade de que o Brasil e os EUA possam ter parcerias em desafios na \u00c1sia, no Oriente M\u00e9dio ou na Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o vamos concordar sempre, mas se o Brasil n\u00e3o tem essa capacidade e se n\u00f3s n\u00e3o temos a coopera\u00e7\u00e3o, mesmo se concordarmos, n\u00e3o podemos fazer muito.<\/p>\n<p>Gosto da ideia de o Brasil gradualmente desenvolver maior poder militar. Precisamos de parceiros. N\u00e3o precisa ser um aliado, pode manter sua independ\u00eancia, mas ter uma uma colabora\u00e7\u00e3o seletiva quando vermos coisas do mesmo modo, e a defesa \u00e9 parte disso.<\/p>\n<p>As pessoas aqui gostam de falar de soft power, muito bem. Mas h\u00e1 \u00e9pocas no mundo em que voc\u00ea precisa se voltar para o poder duro. \u00c0s vezes a economia e a diplomacia s\u00e3o suficientes, mas \u00e0s vezes nenhuma das duas funciona, e voc\u00ea precisa usar a for\u00e7a militar. Nessas ocasi\u00f5es, esperaria que houvesse ao menos a possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o entre Brasil e EUA.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Uma pergunta que se faz aqui \u00e9\u00a0se o Brasil pode ser uma pot\u00eancia mundial sem armas nucleares, como as pot\u00eancias atuais t\u00eam. Qual a sua opini\u00e3o?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; Um pa\u00eds pode ser um poder regional ou global sem armas nucleares. Pense no Jap\u00e3o, na Alemanha, na Turquia e na \u00c1frica do Sul. Em segundo lugar, ter armas nucleares n\u00e3o torna um pa\u00eds uma pot\u00eancia necessariamente. Veja o caso da Coreia do Norte e do Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Finalmente, a maioria dos pa\u00edses que s\u00e3o pot\u00eancias e t\u00eam armas nucleares s\u00e3o pot\u00eancias por outras raz\u00f5es. Isso se aplica aos EUA, \u00e0\u00a0China e a outros. O Brasil pode se tornar uma pot\u00eancia global sem armas nucleares. N\u00e3o vejo nenhuma raz\u00e3o estrat\u00e9gica para que o Brasil as desenvolva. N\u00e3o aumentaria a seguran\u00e7a do pa\u00eds, mas complicaria muitas de suas rela\u00e7\u00f5es e drenaria recursos.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Por suas conversas aqui, considera que h\u00e1\u00a0consenso sobre o papel que o Brasil deve desempenhar no mundo?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; Consenso \u00e9\u00a0uma palavra muito forte. Acho que h\u00e1\u00a0 um debate sobre as prioridades internas e internacionais. N\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0surpreendente porque a ideia de o Brasil ser um ator global e n\u00e3o regional \u00e9\u00a0relativamente nova.<\/p>\n<p>Um exemplo: agora voc\u00eas t\u00eam a realidade desses grandes recursos petrol\u00edferos na costa. Isso tem consequ\u00eancias, o Brasil vai ter que repensar como dar seguran\u00e7a a esses grandes investimentos.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Por que, apesar de ainda haver diverg\u00eancias entre os dois pa\u00edses sobre o Ir\u00e3, a tens\u00e3o n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0a mesma de dois anos atr\u00e1s?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; Em parte \u00e9\u00a0porque, quando a rela\u00e7\u00e3o melhora, voc\u00ea\u00a0 aprende a discordar. Tamb\u00e9m acho que o crit\u00e9rio de uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0se voc\u00ea\u00a0concorda todo o tempo, isso \u00e9\u00a0imposs\u00edvel. Mas voc\u00ea\u00a0faz com que as \u00e1reas em que voc\u00ea\u00a0discorda n\u00e3o travem o caminho daquelas em que voc\u00ea\u00a0coopera. Acho que h\u00e1\u00a0 mais \u00e1reas de concord\u00e2ncia na economia e na diplomacia. Na S\u00edria h\u00e1\u00a0bastante concord\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Muitos americanos no neg\u00f3cio, entre aspas, da pol\u00edtica externa, n\u00e3o pens\u00e1vamos no Brasil h\u00e1\u00a020 anos. Isso mudou e essa \u00e9\u00a0 uma da raz\u00f5es pelas quais o Council on Foreign Relations est\u00e1 no Brasil agora, porque \u00e9 importante globalmente. A rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 se tornando mais ampla e profunda.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; O sr. teme uma nova guerra no Oriente M\u00e9dio antes do fim do ano?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; \u00c9\u00a0uma possibilidade. No caso do Ir\u00e3, uma possibilidade real. Escrevi um artigo em que argumentei que, al\u00e9m de continuar pressionando com san\u00e7\u00f5es, dever\u00edamos oferecer uma proposta diplom\u00e1tica ampla. N\u00e3o sei se o Ir\u00e3\u00a0vai aceitar, e se n\u00e3o aceitar, acho que as chances de um ataque por Israel, pelos EUA ou por outro pa\u00eds\u00a0\u00e9\u00a0 uma possibilidade real. Claro que \u00e9\u00a0passo arriscado e custoso, mas ningu\u00e9m deve subestimar o custo de o Ir\u00e3\u00a0ter armas nucleares.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; O Brasil consultou o secret\u00e1rio-geral da ONU sobre a legalidade de um ataque ao Ir\u00e3. O sr. conversou sobre esses temas com o Patriota?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; Um ataque \u00e0s\u00a0instalala\u00e7\u00f5es nucleares do Ir\u00e3 seria o se chama de ataque preventivo. \u00c9 controvertido legalmente, diplomaticamente. A quest\u00e3o \u00e9 se, apesar disso, dada a trajet\u00f3ria do Ir\u00e3, dada a implica\u00e7\u00e3o potencial de uma bomba iraniana, ainda vale a pena fazer. Para mim a lei internacional n\u00e3o \u00e9 preto e branco, tem muito cinza. Um l\u00edder israelense pode pensar que tem que pesar a lei, mas tamb\u00e9m a seguran\u00e7a de seu pa\u00eds. Os EUA t\u00eam que pensar em seu compromisso com Israel, sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o nuclear, o pre\u00e7o e a oferta de petr\u00f3leo, a cria\u00e7\u00e3o de um precedente nas rela\u00e7\u00f5es internacionais sobre o uso da for\u00e7a. H\u00e1 toda uma gama de considera\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o ser\u00e1 uma decis\u00e3o f\u00e1cil para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; O Brasil deveria voltar a ser chamado para as negocia\u00e7\u00f5es com o Ir\u00e3?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; N\u00e3o vejo raz\u00e3o no momento. O Ir\u00e3\u00a0tem uma linha de comunica\u00e7\u00e3o clara com a AIEA (Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica). No momento o problema n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0a falta de mediadores, mas a recusa do Ir\u00e3\u00a0em cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es internacionais. Se o P5+1 (as cinco pot\u00eancias do Conselho de Seguran\u00e7a) e a ONU estiverem dispostos a p\u00f4r na mesa uma oferta razo\u00e1vel, que n\u00e3o seja para humillhar o Ir\u00e3 mas permita que o pa\u00eds tenha atividades limitadas nessa \u00e1rea, desde que coopere com os inspetores internacionais, n\u00e3o precisamos do Brasil ou de outro pa\u00eds nas negocia\u00e7\u00f5es. N\u00e3o queremos ter uma situa\u00e7\u00e3o em que temos cinco mediadores e os iranianos escolham qual querem, e usam a situa\u00e7\u00e3o para ganhar tempo. Isso n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica ao Brasil, acho que h\u00e1 clareza sobre o que \u00e9 necess\u00e1rio e a verdadeira quest\u00e3o \u00e9 se o Ir\u00e3 est\u00e1 disposto a compromissos.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; A for\u00e7a-tarefa do CFR recomendou que os EUA apoiem a candidatura brasileira ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Isso lhe pareceu importante para os brasileiros?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; O assunto aparece algumas vezes, mas n\u00e3o sempre. Para alguns \u00e9\u00a0importante como um s\u00edmbolo, para outros por causa da subst\u00e2ncia, porque o Brasil estaria numa posi\u00e7\u00e3o de maior influ\u00eancia. Para outros n\u00e3o tem tanta import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Para ser honesto, eu tenho duas posi\u00e7\u00f5es sobre isso. Eu acho que Brasil, \u00cdndia e Jap\u00e3o deveriam ter cadeiras permanentes no Conselho de Seguran\u00e7a, que n\u00e3o reflete mais a realidade geopol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por outro lado, por causa dos vetos e com mais pa\u00edses, a ina\u00e7\u00e3o que \u00e0s vezes existe hoje vai continuar. N\u00e3o acho que se deve equiparar a ONU com multilateralismo. O Brasil n\u00e3o precisa ser membro do CS para ter um papel importante no mundo.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; Os EUA anunciaram prioridade para o Pac\u00edfico, por causa da China. Como o Brasil se encaixa nisso?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; H\u00e1\u00a0um ajuste na pol\u00edtica externa americana, de afastamento do Grande Oriente M\u00e9dio e aproxima\u00e7\u00e3o com a \u00c1sia-Pac\u00edfico, onde acredito que muito do s\u00e9culo 21 ser\u00e1\u00a0tra\u00e7ado e decidido. Para os EUA fazerem isso, precisamos p\u00f4r a economia interna em ordem e ter parceiros para trabalhar conosco na regi\u00e3o. O Brasil \u00e9\u00a0um parceiro potencial. Tamb\u00e9m precisamos que este hemisf\u00e9rio permane\u00e7a est\u00e1vel. Parte da capacidade de nos envolvermos mais com a \u00c1sia depende da estabilidade das Am\u00e9ricas. H\u00e1\u00a0poucas grandes pot\u00eancias na hist\u00f3ria com vizinhan\u00e7as pac\u00edficas e est\u00e1veis. N\u00f3s temos, em grande medida. \u00c9\u00a0uma exce\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria e um luxo em termos hist\u00f3ricos. Mas \u00e9\u00a0tamb\u00e9m algo que deve continuar a ser trabalhado pelo Brasil e os EUA. Para mim tudo isso refor\u00e7a o argumento de que Brasil e EUA devem ter um di\u00e1logo estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>FOLHA &#8211; J\u00e1\u00a0se falou muito na perspectiva de uma rivalidade crescente entre Brasil e EUA. Acredito nisso?<\/p>\n<p>HAASS &#8211; De jeito nenhum. Brasil e EUA enfrentam desafios e oportunidades. De certa maneira, ou vamos ter sucesso juntos ou vamos fracassar juntos, seja no hemisf\u00e9rio ou al\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Desembargador aplica multa in\u00e9dita contra trabalhadores grevistas em Rond\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>Rond\u00f4nia ao Vivo<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais ganha contornos cada vez mais criativos justamente onde a a\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a seria fundamental para estabelecer a democracia.<\/p>\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria, o poder Judici\u00e1rio resolve multar n\u00e3o apenas o sindicato ou seus diretores, mas tamb\u00e9m os trabalhadores grevistas, em uma flagrante tentativa de coa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato ocorreu na mesma Rond\u00f4nia, onde a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria de oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o paralisou a constru\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, em 2011.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o liminar do desembargador Gilberto Barbosa concedida ao governo do Estado determina o fim imediato da greve dos profissionais em educa\u00e7\u00e3o, que cruzaram os bra\u00e7os no \u00faltimo dia 23 por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Como pena, o magistrado arbitrou uma multa di\u00e1ria no valor de R$ 100 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o em Rond\u00f4nia (Sintero), de R$ 2 mil a cada diretor da entidade e, de forma in\u00e9dita, de R$ 200 a cada servidor que permanecer em greve. De acordo com dados do sindicato, 80% dos 24 mil funcion\u00e1rios\u00a0 aderiram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do exotismo, a pena a cada grevista \u00e9\u00a0uma ataque \u00e0\u00a0 liberdade de organiza\u00e7\u00e3o prevista na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. A medida, por\u00e9m, n\u00e3o afeta a mobiliza\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o iremos recuar\u201d, afirma Manoel Rodrigues, presidente do Sintero, que participa neste momento de uma negocia\u00e7\u00e3o no Pal\u00e1cio do Governo, em Porto Velho, capital rondoniense.<\/p>\n<p>Pauta de reivindica\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>A lista de reivindica\u00e7\u00f5es dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o conta com 16 pontos, que incluem a reposi\u00e7\u00e3o salarial de 35,23%, aprova\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o do novo Plano de Carreira, incorpora\u00e7\u00e3o das gratifica\u00e7\u00f5es ao vencimento, pagamento de auxilio transporte para os trabalhadores de todos os munic\u00edpios e de adicional aos profissionais que trabalham no per\u00edodo noturno. H\u00e1\u00a0ainda a exig\u00eancia de que os servidores de limpeza, merenda e secretaria nas escolas n\u00e3o sejam terceirizados.<\/p>\n<p>A pauta foi entregue em novembro do ano passado, mas, at\u00e9\u00a0ent\u00e3o, o governador Conf\u00facio Moura (PMDB-RO) n\u00e3o havia aceitado abrir a negocia\u00e7\u00e3o. Ele ofereceu como contraproposta uma eleva\u00e7\u00e3o salarial de 6,5%, \u00edndice equivalente \u00e0\u00a0reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, a agilidade da Justi\u00e7a para definir as puni\u00e7\u00f5es poderia ser aplicada a outras a\u00e7\u00f5es como como o pagamento de precat\u00f3rios do sal\u00e1rio m\u00ednimo aos quais os trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o t\u00eam direito e cuja decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a aguardam h\u00e1 mais de 10 anos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Fidel Castro se encontra com ativistas do Cruzeiro Pela Paz<\/strong><\/p>\n<p>Reuters<\/p>\n<p>O l\u00edder cubano Fidel Castro se reuniu na quinta-feira com mais de 700 japoneses que integram o Cruzeiro Pela Paz, que visita a ilha, aos quais pediu para denunciar a exist\u00eancia de armas nucleares pelo mundo, de acordo com a imprensa local.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o estatal mostrou imagens do encontro, em que Fidel, de 85 anos, apareceu sentado, por\u00e9m conversando de forma animada com os visitantes. O l\u00edder cubano deixou a Presid\u00eancia de Cuba em 2008, depois que uma doen\u00e7a intestinal limitou sua apari\u00e7\u00e3o na cena pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&#8220;Um emotivo encontro aconteceu nesta tarde no Pal\u00e1cio das Conven\u00e7\u00f5es entre o l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana Fidel Castro e 770 integrantes do Cruzeiro Pela Paz, entre eles 10 sobreviventes dos ataques com bomba at\u00f4mica em Hiroshima e Nagasaki&#8221;, afirmou o site oficial\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cubadebate.cu\/\" target=\"_blank\">www.cubadebate.cu<\/a>.<\/p>\n<p>O Cruzeiro Pela Paz, navio japon\u00eas que percorre o mundo para promover o desarmamento, chegou \u00e0\u00a0ilha na quinta-feira com centenas de ativistas, que tamb\u00e9m visitaram centros hospitalares e escolas em Havana.<\/p>\n<p>&#8220;Fidel nos pediu para divulgar mais os horrores das consequ\u00eancias dos bombardeios contra Hiroshima e Nagasaki, continuar investigando os efeitos dos testes nucleares realizados no oceano Pac\u00edfico, denunciar a exist\u00eancia irracional de 25 mil armas nucleares no mundo e lutar pela paz e pela sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie humana&#8221;, afirmou o Cubadebate.<\/p>\n<p>Fidel teve encontro parecido com visitantes japoneses quando o Cruzeiro Pela Paz atracou na costa de Havana, em 2010.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>&#8216;Vamos precisar de cinco planetas Terra&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Se pa\u00edses como Brasil, China e \u00cdndia resolverem copiar o estilo de vida dos pa\u00edses ricos, a conta n\u00e3o fecha. Seriam necess\u00e1rios cinco planetas Terra para atender a tamanha demanda. O diagn\u00f3stico foi feito pelo chin\u00eas\u00a0Sha Zukang, secret\u00e1rio-geral da ONU para a Rio+20, a confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel que ser\u00e1 realizada na cidade entre os dias 20 e 22 de junho. De passagem pelo Brasil para preparar a log\u00edstica do encontro e participar de negocia\u00e7\u00f5es com a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, Sha deixou claro que &#8220;\u00e9 urgente definir um conjunto de objetivos para garantir o sucesso da confer\u00eancia&#8221;. E admitiu: &#8220;N\u00e3o podemos falhar&#8221;.<\/p>\n<p>O GLOBO: Qual \u00e9\u00a0sua expectativa para a Rio + 20, j\u00e1\u00a0que, no fim do m\u00eas, ser\u00e1\u00a0realizado em Nova York mais um encontro para definir o documento da confer\u00eancia?<\/p>\n<p>SHA ZUKANG: Em janeiro \u00faltimo, definimos o &#8220;rascunho zero&#8221; do documento final da Rio+20. O prazo final para entrega das propostas foi no \u00faltimo dia 29 de fevereiro, mas ainda estamos esperando algumas contribui\u00e7\u00f5es. S\u00f3\u00a0depois que recebermos todas as propostas dos pa\u00edses \u00e9\u00a0que vamos come\u00e7ar as negocia\u00e7\u00f5es. Estamos tendo muitas dificuldades nessas reuni\u00f5es preparat\u00f3rias. Est\u00e1\u00a0bem dif\u00edcil chegar a um acordo. Depois de todas as reuni\u00f5es preparat\u00f3rias, teremos apenas 15 dias para fechar as negocia\u00e7\u00f5es. A restri\u00e7\u00e3o de tempo \u00e9\u00a0uma das nossas maiores dificuldades.<\/p>\n<p>O senhor acredita que a crise financeira internacional tamb\u00e9m\u00a0\u00e9\u00a0um empecilho?<\/p>\n<p>SHA: Sem d\u00favida a situa\u00e7\u00e3o internacional n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0muito favor\u00e1vel, at\u00e9\u00a0porque ela est\u00e1\u00a0atingindo os pa\u00edses ricos. E s\u00e3o justamente esses pa\u00edses os que t\u00eam mais responsabilidades na discuss\u00e3o clim\u00e1tica. E para piorar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, esses pa\u00edses est\u00e3o, nesse momento, preocupados com as elei\u00e7\u00f5es nos seus pr\u00f3prios pa\u00edses. E s\u00e3o justamente os pa\u00edses da zona do euro os maiores doadores. E como a transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono necessita de recursos financeiros, temos um problema, porque os pa\u00edses que s\u00e3o grandes doadores est\u00e3o em crise financeira. Tudo isso est\u00e1 dificultando bastante as negocia\u00e7\u00f5es. Ainda assim, estou confiante.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do mundo do ponto de vista ambiental est\u00e1\u00a0se agravando?<\/p>\n<p>SHA: Temos que reconhecer que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0urgente, at\u00e9\u00a0 porque muitas das decis\u00f5es tomadas h\u00e1\u00a020 anos, na Rio-92, ainda n\u00e3o foram implementadas. E, nessas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3\u00a0piorou, tanto do ponto de vista da produ\u00e7\u00e3o como do ponto de vista do consumo. O atual padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e consumo n\u00e3o pode continuar. \u00c9\u00a0uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia da humanidade. Se todos os pa\u00edses emergentes, como Brasil, China e \u00cdndia, por exemplo, decidirem copiar o estilo de vida dos pa\u00edses desenvolvidos, seria necess\u00e1rios cinco planetas Terra para atender a todo esses aumento de demanda. Hoje, temos sete bilh\u00f5es de pessoas no mundo; em 2050, seremos nove bilh\u00f5es. Os recursos naturais est\u00e3o dando sinais de escassez, enquanto a popula\u00e7\u00e3o mundial n\u00e3o para de crescer. E ainda precisamos erradicar a pobreza no mundo.<\/p>\n<p>Logo, o que o senhor est\u00e1\u00a0dizendo, \u00e9\u00a0 que a conta n\u00e3o est\u00e1\u00a0fechando?<\/p>\n<p>SHA: Existe uma grande responsabilidade. Vejo a Rio + 20 como uma chance hist\u00f3rica de cuidar do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Em vez de olharmos como uma quest\u00e3o de pa\u00edses desenvolvidos ou em desenvolvimento, \u00e9\u00a0um tema que une toda a humanidade. N\u00e3o podemos falhar, temos que ter sucesso.<\/p>\n<p>Qual \u00e9\u00a0o papel do Brasil nesse contexto?<\/p>\n<p>SHA: O Brasil \u00e9\u00a0um l\u00edder, e n\u00e3o digo isso apenas para agradar ao pa\u00eds anfitri\u00e3o. \u00c9\u00a0um pa\u00eds grande, com influ\u00eancia regional e global. E fez um trabalho tremendo em integrar os tr\u00eas pilares: social, econ\u00f4mico e ambiental. H\u00e1\u00a0\u00f3timas experi\u00eancias em erradica\u00e7\u00e3o de pobreza sob a gest\u00e3o do presidente Lula e do atual governo.<\/p>\n<p>O que se espera do resultado da Rio + 20?<\/p>\n<p>SHA: Devemos ser ambiciosos e muito pr\u00e1ticos. Precisamos de objetivos. Claro que teremos palavras ao negociar, mas precisamos \u00e9\u00a0de a\u00e7\u00e3o. A economia verde \u00e9\u00a0o principal tema. Precisamos de um plano amplo, com etapas, op\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas e um conjunto de boas pr\u00e1ticas. Tamb\u00e9m\u00a0\u00e9\u00a0interessante uma esp\u00e9cie de leve responsabilidade e um f\u00f3rum que possa rever e acompanhar o que estiver em curso. \u00c9\u00a0 preciso de objetivos para medir quanto progresso estamos fazendo. Um conjunto de objetivos \u00e9\u00a0absolutamente necess\u00e1rio. Outro ponto importante \u00e9\u00a0o arcabou\u00e7o institucional. Algumas propostas defendem uma esp\u00e9cie de conselho de desenvolvimento sustent\u00e1vel ou uma comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Por que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o est\u00e1\u00a0na agenda da Rio +20?<\/p>\n<p>SHA: Mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9\u00a0um tema sustent\u00e1vel. Quaisquer resultados que tenhamos v\u00e3o certamente facilitar a quest\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e temos como o uso eficiente de energia. Tudo est\u00e1\u00a0relacionado. N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0verdade (que o assunto mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o ser\u00e1\u00a0 tratado). Mas a Rio + 20 est\u00e1\u00a0tratando de um assunto muito mais amplo e maior do que a quest\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>O que \u00e9\u00a0a economia verde?<\/p>\n<p>SHA: Temos um debate sobre a defini\u00e7\u00e3o (do que \u00e9\u00a0economia verde). N\u00e3o h\u00e1\u00a0uma defini\u00e7\u00e3o clara. Pessoas diferentes t\u00eam vis\u00f5es diferentes. Mas certamente concordamos que (economia verde) n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0um substituto para desenvolvimento sustent\u00e1vel, n\u00e3o deve levar ao protecionismo nem gerar condicionalidades para ajudas. A economia verde pode permitir a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e tem o potencial de integrar os tr\u00eas pilares: econ\u00f4mico, social e ambiental. Mas a verdade \u00e9\u00a0que atualmente muitos pa\u00edses praticam a economia verde. No meu pa\u00eds (China), fizemos uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. At\u00e9\u00a0 pa\u00edses africanos s\u00e3o exemplos.<\/p>\n<p>Diante da atual situa\u00e7\u00e3o internacional, podemos esperar que pa\u00edses doadores e institui\u00e7\u00f5es internacionais abram seus cofres?<\/p>\n<p>SHA: A quest\u00e3o financeira \u00e9\u00a0cr\u00edtica para os pa\u00edses em desenvolvimento. Por que temos uma confer\u00eancia sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel? Porque n\u00e3o h\u00e1\u00a0sustentabilidade. Os pa\u00edses em desenvolvimento s\u00e3o o que podemos chamar de v\u00edtimas. N\u00e3o estou culpando ningu\u00e9m, mas nosso passado de desenvolvimento nos \u00faltimos 400 anos criou os problemas que enfrentamos hoje. Pa\u00edses em desenvolvimento n\u00e3o foram respons\u00e1veis por isso, eles estavam ocupados demais em encher seus est\u00f4magos. J\u00e1 os pa\u00edses desenvolvidos t\u00eam responsabilidade de cumprir os compromissos j\u00e1 feitos, sen\u00e3o v\u00e3o perder credibilidade. \u00c9 por isso que dou \u00eanfase \u00e0 palavra implementa\u00e7\u00e3o. Foi feito um compromisso h\u00e1 20 anos. N\u00e3o precisamos de mais palavras, mas de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas como esperar doa\u00e7\u00f5es quando os pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o em crise?<\/p>\n<p>SHA: A maior parte dos pa\u00edses doadores est\u00e1\u00a0enfrentando problemas financeiros. N\u00f3s s\u00f3\u00a0podemos desejar que esses problemas acabem em breve ou muito rapidamente. Ficamos felizes, por exemplo, com o fato de os Estados Unidos estarem se recuperando. Mas a crise financeira \u00e9\u00a0tempor\u00e1ria, de curto prazo, enquanto o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u00e9\u00a0(uma quest\u00e3o) para o futuro, longo prazo. N\u00e3o misturem. Os pa\u00edses desenvolvidos devem olhar \u00e0\u00a0frente, com uma vis\u00e3o de longo prazo. Desenvolvidos ou em desenvolvimento, todos temos responsabilidades comuns. Deixe-me tamb\u00e9m enfatizar que a sustentabilidade deve ser uma responsabilidade do pa\u00eds. Nenhum pa\u00eds deve depender apenas da ajuda dos pa\u00edses desenvolvidos. Para alguns, alguma assist\u00eancia ser\u00e1\u00a0 necess\u00e1ria para dar o pontap\u00e9\u00a0ou acelerar o processo.<\/p>\n<p>Quais devem ser os pontos mais delicados do processo de negocia\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>SHA: Como mencionei, o tempo deve ser a principal barreira. E h\u00e1\u00a0 a quest\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o de economia verde, que n\u00e3o existe. Al\u00e9m disso, teremos que negociar algumas regras, que eventualmente v\u00e3o restringir o com\u00e9rcio. Alguns objetivos podem afetar os pa\u00edses em desenvolvimento, que podem n\u00e3o ser capazes de atingir os crit\u00e9rios e perder mercado. Tamb\u00e9m ter\u00e3o que ter tecnologia, coisa que pa\u00edses pobres geralmente n\u00e3o t\u00eam. Nem possuem recursos para comprar. Essas s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o podemos ter objetivos ou crit\u00e9rios como uma f\u00f3rmula que sirva para todos. O desenvolvimento sustent\u00e1vel deve ser apenas o come\u00e7o, n\u00e3o um fim.<\/p>\n<p>O que \u00e9\u00a0mais dif\u00edcil para os pa\u00eds mudarem?<\/p>\n<p>SHA: Os pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o acostumados a um estilo de vida, ent\u00e3o n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0um trabalho simples mudar. At\u00e9\u00a0para emergentes como China e Brasil n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0f\u00e1cil. O uso de energias renov\u00e1veis, por exemplo, \u00e9\u00a0muito bom. Vamos usar energia e\u00f3lica, solar, hidrel\u00e9trica, nuclear. Mas elas s\u00e3o caras, quem vai pagar? Como atingir o equil\u00edbrio entre usar a energia que vai reduzir a emiss\u00e3o de carbono, mas ao mesmo tempo ter energia suficiente para produzir comida? O importante, no entanto, \u00e9\u00a0que transformemos desafios em oportunidades.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>BC pressiona bancos por R$ 44,7 bi<\/strong><\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>BRAS\u00cdLIA. O Banco Central (BC) deu prazo at\u00e9\u00a0o fim do m\u00eas para que os bancos Econ\u00f4mico e Nacional &#8211; que est\u00e3o em liquida\u00e7\u00e3o desde o Proer dos anos 90 &#8211; informem como quitar\u00e3o o d\u00e9bito de R$ 44,7 bilh\u00f5es com a institui\u00e7\u00e3o. Este valor embute um desconto considerado &#8220;bem generoso&#8221; pela autarquia. Foi autorizado pela Lei do Refis da Crise, mas s\u00f3 ser\u00e1 concedido se os bancos negociarem o parcelamento do d\u00e9bito com a autoridade monet\u00e1ria. Sem o desconto, a d\u00edvida chega a R$ 62,6 bilh\u00f5es, valor que ser\u00e1 cobrado na Justi\u00e7a pelo governo, caso n\u00e3o haja acordo.<\/p>\n<p>Os bancos insistem em pagar as d\u00edvidas com o BC com cr\u00e9ditos do Fundo de Compensa\u00e7\u00e3o de Varia\u00e7\u00f5es Salariais (FCVS). S\u00f3\u00a0que os advogados do governo consideram que esse papel \u00e9\u00a0apenas um reconhecimento de d\u00edvida e n\u00e3o um t\u00edtulo p\u00fablico que poderia ser aceito para quitar os d\u00e9bitos. O Parlamento tentou abrir essa possiblidade de quita\u00e7\u00e3o. Incluiu o dispositivo em uma lei, vetado pela presidente Dilma Rousseff em junho do ano passado.<\/p>\n<p>Os bancos queriam que o BC aceitasse os pap\u00e9is com o valor de mercado. Juntos, os dois bancos t\u00eam R$ 27,6 bilh\u00f5es em FCVS. Na \u00e9poca do Proer, esses pap\u00e9is foram dados em garantia aos empr\u00e9stimos concedidos pelo BC, mas h\u00e1 um longo caminho para que sejam reconhecidos como cr\u00e9dito e aceitos no pagamento dessa d\u00edvida. E os bancos devem trilhar esse caminho antes de quitar a d\u00edvida.<\/p>\n<p>&#8211; O Banco Central n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0escrit\u00f3rio de devedor. O Banco Central \u00e9\u00a0uma entidade p\u00fablica e n\u00e3o aceita ativos incertos &#8211; disse o procurador-geral da institui\u00e7\u00e3o, Isaac Ferreira. &#8211; O Banco Central n\u00e3o vai conceder um centavo a mais de desconto do que a Lei j\u00e1\u00a0concedeu.<\/p>\n<p>Os dois bancos poder\u00e3o, como o Bamerindus, parcelar a d\u00edvida nos moldes do Refis, ou seja, dividir o passivo em 180 meses. A institui\u00e7\u00e3o tem pago as parcelas em dia e est\u00e1\u00a0adimplente com BC.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Mercado interno sustenta PIB<\/strong><\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>RIO e S\u00c3O PAULO. A despeito de uma infla\u00e7\u00e3o elevada, o consumo das fam\u00edlias, mais uma vez, segurou o desempenho da economia brasileira. Assim preveem analistas ouvidos pelo GLOBO, que projetam um crescimento em 2011 entre 2,6% e 3% para o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds), que ser\u00e1\u00a0divulgado hoje pelo IBGE. Ap\u00f3s essa forte desacelera\u00e7\u00e3o (em 2010, o pa\u00eds cresceu 7,5%), contudo, os especialistas vislumbram um cen\u00e1rio um pouco mais favor\u00e1vel para 2012, com previs\u00f5es de alta de at\u00e9\u00a04,5%.<\/p>\n<p>&#8211; Mesmo sustentando o PIB, o consumo das fam\u00edlias deve ter desacelerado no quarto trimestre de 2011, reflexo ainda dos juros altos. Mas a expectativa \u00e9\u00a0de que, com uma infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia menor, essa demanda volte a acelerar &#8211; comentou Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, acrescentando que o c\u00e2mbio baixo tamb\u00e9m estimula o consumo.<\/p>\n<p>A economista Alessandra Ribeiro, da Consultoria Tend\u00eancias, avalia que as medidas tomadas pelo governo, como est\u00edmulo ao cr\u00e9dito e isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria para bens dur\u00e1veis da linha branca, fizeram o consumo das fam\u00edlias crescer 1% na margem no quarto trimestre. J\u00e1\u00a0o setor de servi\u00e7os deve ter crescido 1,2%, resultado de um mercado de trabalho com menos demiss\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; Foi o desempenho da ind\u00fastria que decepcionou. No ano, estimamos um crescimento para o PIB industrial menor que os 10,4% registrados no ano passado. Nossa ind\u00fastria sofre concorr\u00eancia de importa\u00e7\u00e3o de bens de capital e dur\u00e1veis. \u00c9\u00a0um cen\u00e1rio que prevalece em 2012 &#8211; disse ela.<\/p>\n<p>Para este ano, o quadro come\u00e7a parecido com o \u00faltimo trimestre de 2011: a ind\u00fastria apresenta desempenho, com vendas mais fracas do setor automobil\u00edstico em fevereiro. J\u00e1\u00a0no varejo, as vendas devem ganhar destaque, puxadas pelo aumento de 14% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Para o primeiro trimestre do ano, o Citibank estima crescimento de 0,9% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior.<\/p>\n<p>&#8211; Prevemos um crescimento de menos de 3,5% para 2012. Come\u00e7amos o ano &#8220;carregando&#8221; a desacelera\u00e7\u00e3o no fim de 2011. Por isso, ser\u00e1\u00a0necess\u00e1rio mais esfor\u00e7o da economia para crescer acima dos 3%. O an\u00fancio de que a China diminuiu sua meta de crescimento n\u00e3o deve ter impacto significativo no Brasil. A Europa preocupa mais. Embora a hip\u00f3tese de uma crise banc\u00e1ria esteja afastada, ainda existe o fator Gr\u00e9cia e pode haver um calote no processo de troca de d\u00edvida &#8211; disse Marcelo Kfoury, superintendente do Departamento Econ\u00f4mico do Citibank no Brasil.<\/p>\n<p>Revis\u00e3o de crescimento da China n\u00e3o deve afetar PIB de 2012<\/p>\n<p>M\u00f4nica de Bolle, economista da Galanto, n\u00e3o acredita num &#8220;efeito China&#8221; sobre a economia brasileira, com a divulga\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o de metas do pa\u00eds asi\u00e1tico &#8211; de 8,0% para 7,5%.<\/p>\n<p>&#8211; Tradicionalmente, as autoridades divulgam uma expectativa que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma meta, mas um piso de crescimento. N\u00e3o vejo impactos para o PIB brasileiro.<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, prev\u00ea\u00a0 um crescimento de 0,3% do PIB no \u00faltimo trimestre de 2011, em compara\u00e7\u00e3o com a estagna\u00e7\u00e3o verificada no terceiro trimestre. Para ele, a ind\u00fastria teve uma contra\u00e7\u00e3o de 1,1% nos tr\u00eas\u00a0\u00faltimos meses do ano, impactada pela ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, resultado do ajuste de estoques iniciado em meados de 2011. Ele lembra ainda que a contribui\u00e7\u00e3o do setor externo deve vir negativa no quarto trimestre, com demanda global enfraquecida. Para 2011, o economista do Bradesco aposta numa expans\u00e3o de 3%. E para 2012, 3,7%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\niG\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2498\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2498","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ei","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2498"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2498\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}