{"id":25088,"date":"2020-03-09T03:47:49","date_gmt":"2020-03-09T06:47:49","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25088"},"modified":"2020-03-09T03:47:49","modified_gmt":"2020-03-09T06:47:49","slug":"cubanidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25088","title":{"rendered":"Cubanidades"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/pbs.twimg.com\/media\/ENM4XhIWoAEFRxT?format=jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Atilio A. Boron<\/p>\n<p>Que \u00e9 Cuba? Qual \u00e9 o mist\u00e9rio da ilha rebelde?<\/p>\n<p>Tratarei de diz\u00ea-lo em poucas palavras, como o fazia o grande Eduardo Galeano, ainda que eu n\u00e3o tenha seus dons.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 m\u00fasica e mais m\u00fasica. M\u00fasica em todos os lugares: no in\u00edcio de uma cerim\u00f4nia, quando termina, no intervalo. Com m\u00fasicos jovens ou velhos, ou at\u00e9 crian\u00e7as. Em um teatro, na rua ou portas adentro de uma casa ou institui\u00e7\u00e3o. M\u00fasica popular, m\u00fasica cl\u00e1ssica, Mozart e Bethoven se misturavam com Ernesto Lecuona e o Buena Vista Social Club. S\u00e3o Chucho Vald\u00e9s e Daniel Barenboim. \u00c9 Omara Portuondo, Polo Monta\u00f1\u00e9z e Benny Mor\u00e9 com Pavarotti, Placido Domingo ou John Lennon e The Beatles. \u00c9 Alicia Alonso dan\u00e7ando com Nureyev; \u00e9 o &#8220;Colmenita&#8221; e o &#8220;Van Van&#8221;. Cuba \u00e9 som, \u00e9 salsa, \u00e9 Compay Segundo, o Nueva Trova; \u00e9 Silvio, \u00e9 reggaeton, \u00e9 cumbia, \u00e9 jazz, \u00e9 guaguanc\u00f3, \u00e9 rumba, \u00e9 bolero. Tudo, absolutamente tudo, em Cuba se torna m\u00fasica, \u00e9 feito com m\u00fasica, \u00e9 celebrado com m\u00fasica, \u00e9 comemorado com m\u00fasica. Com pianos de cauda, saxofones, violinos, guitarras, obo\u00e9s e flautas transversais ao g\u00fciro, ao chequer\u00e9, ao bong\u00f3 e \u00e0s tumbadoras. E em todos os momentos: de manh\u00e3, \u00e0 tarde, \u00e0 noite. Cuba \u00e9 m\u00fasica e s\u00e3o casais dan\u00e7ando na rua, no cal\u00e7ad\u00e3o, nos jardins do excelente Hotel Nacional, nas casas, onde e a qualquer momento. Seu povo carrega m\u00fasica no sangue e nunca se cansa de demonstr\u00e1-la.<\/p>\n<p>E a Revolu\u00e7\u00e3o se encarregou de promover esse magn\u00edfico gene de cubanos e cubanas, multiplicando-se por toda a ilha in\u00fameras escolas e conservat\u00f3rios onde, de gra\u00e7a, as pessoas aprendem a tocar os mais variados instrumentos e a cantar profissionalmente. Cuba \u00e9 tamb\u00e9m literatura, poesia, romances, contos, hist\u00f3rias, revistas, livros, encontros, mesas redondas. Cuba \u00e9 ci\u00eancia e consci\u00eancia, \u00e9 humanismo e pensamento cr\u00edtico. S\u00e3o Carpentier, Guill\u00e9n, Lezama Lima, Vitier e tamb\u00e9m Cort\u00e1zar, Walsh e Gabo; e Retamar, que recentemente nos abandonou para conhec\u00ea-los. S\u00e3o suas duas contribui\u00e7\u00f5es excepcionais e essenciais para a cultura e identidade do Caribe latino-americano: Casa de las Am\u00e9ricas e ICAIC. Tamb\u00e9m sua enorme Feira do Livro, n\u00e3o por acaso, encenada no primeiro territ\u00f3rio livre do analfabetismo nas Am\u00e9ricas. E \u00e9 Havana, um dos principais centros culturais do mundo, e n\u00e3o apenas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Sua oferta no campo do teatro e espet\u00e1culos de todos os tipos \u00e9 incr\u00edvel, compar\u00e1vel \u00e0 das maiores cidades do continente, como Buenos Aires, M\u00e9xico ou S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 uma resist\u00eancia heroica a um bloqueio criminoso, sem perder o senso de humor muito fino e contundente , a capacidade de rir de si mesmos e tirar sarro da grosseria de seus descerebrados carrascos. E tamb\u00e9m \u00e9 solidariedade militante, pr\u00e1tica, concreta. O pa\u00eds mais solid\u00e1rio do mundo, sem d\u00favida. Distribui o que tem e o que n\u00e3o tem tamb\u00e9m, sem esperar nada em troca. Enquanto o Imp\u00e9rio e seus vassalos saqueiam o resto dos pa\u00edses e enviam tropas, espi\u00f5es, torturadores e assassinos ao exterior, Cuba envia m\u00e9dicos, professores alfabetizadores, professores de m\u00fasica e dan\u00e7a e treinadores esportivos. A diferen\u00e7a moral \u00e9 esmagadora: Cuba \u00e9 Mart\u00ed, Mella, Guiteras, Che, Camilo, Vilma, Frank Pa\u00eds, Armando Hart, Abel e Hayd\u00e9e Santamar\u00eda. E, \u00e9 claro, Fidel, que est\u00e1 em todo lugar, mesmo que n\u00e3o exista uma \u00fanica pra\u00e7a, rua, avenida, est\u00e1dio, hospital, pr\u00e9dio p\u00fablico, ponte, porto ou estrada com seu nome, algo que o comandante expressamente proibiu e cumpriu estritamente. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de nome\u00e1-lo, porque seu esp\u00edrito e seu legado permeiam toda a ilha. Ele morreu e se tornou milh\u00f5es. Hoje todos e todas s\u00e3o Fidel.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 Havana e Santiago; Guanabacoa e Trinidad; Cienfuegos e Holgu\u00edn; Bir\u00e1n e Sancti Spiritus; o Moncada e a Sierra Maestra; Gir\u00f3n e a Segunda Frente; Santa Clara e o Granma. \u00c9, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, os sete rifles que Fidel empunhava firmemente quando disse a um at\u00f4nito Raul: &#8220;vencemos a guerra&#8221;, alguns dias ap\u00f3s o ca\u00f3tico desembarque do Granma e com a maioria dos expedicion\u00e1rios espalhados pela montanha, tentando n\u00e3o ser metralhado no ar pela avia\u00e7\u00e3o de Batista. A vontade revolucion\u00e1ria, no seu melhor, combinou-se, em Fidel, com um formid\u00e1vel realismo ao fazer uma leitura correta da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 uma boa mesa com mouros e crist\u00e3os, feij\u00f5es e l\u00e1pides, carne de porco fatiada, cordeiro assado, lagosta e peixe recheado de camar\u00e3o. Tamb\u00e9m tamales em ca\u00e7arola e mandioca com molho de alho, torresmo e lim\u00e3o. Al\u00e9m disso, s\u00e3o sopas que lhe fazem voltar \u00e0 vida, deliciosos sorvetes, sobremesas cada qual mais doce e um elixir chamado caf\u00e9. Cuba s\u00e3o mojitos, pi\u00f1a coladas e, para terminar o banquete, basta deliciar-se com os requintados runs e charutos incompar\u00e1veis, \u00fanicos no mundo. Cuba tamb\u00e9m s\u00e3o as suas in\u00fameras enseadas, suas centenas de quil\u00f4metros de praias de areia branca e \u00e1guas azul-turquesa. \u00c9 o mar batendo contra aquele vasto e magn\u00edfico pared\u00e3o de Havana, com suas ondas subindo ao c\u00e9u e atraindo por um momento belas figuras e um branco imaculado que hipnotiza os passantes.<\/p>\n<p>Cuba s\u00e3o os belos edif\u00edcios da Velha Havana, que um governo acossado e bloqueado por d\u00e9cadas est\u00e1 determinado a restaurar e devolver seu esplendor e beleza originais pelo historiador da cidade, um brilhante humanista renascentista chamado Eus\u00e9bio que as rezas da santeria cubana fizeram renascer em Havana com a miss\u00e3o de reconstru\u00ed-la. E ele est\u00e1 fazendo isso. Apesar do bloqueio, \u00e9 o pa\u00eds em que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea crian\u00e7as na rua, implorando com os p\u00e9s descal\u00e7os e em trapos, lutando no lixo para encontrar algo para comer. Todos os meninos e meninas, absolutamente todos, est\u00e3o na escola, bem vestidos e com sapatos. Um pa\u00eds onde n\u00e3o h\u00e1 homens e mulheres, nem fam\u00edlias inteiras, dormindo nas ruas, como em muitas cidades da Am\u00e9rica e at\u00e9 nos Estados Unidos. Onde os alimentos s\u00e3o garantidos, assim como a sa\u00fade p\u00fablica para todos. Cuba \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o universal, gratuita e de qualidade, do jardim de inf\u00e2ncia \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Cuba \u00e9 a seguran\u00e7a cidad\u00e3, o tr\u00e2nsito por suas cidades sem os medos que incomodam os cidad\u00e3os de tantos pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>Estas conquistas seriam imposs\u00edveis sem a clarivid\u00eancia e a coragem de Fidel e a lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria e a incr\u00edvel engenhosidade do povo cubano, de quem um dos verbos idiossincr\u00e1ticos \u00e9 &#8220;resolver&#8221;. Eles resolvem tudo, seja o que for; caso contr\u00e1rio, o bloqueio os colocaria de joelhos. Eles s\u00e3o capazes de operar com efici\u00eancia um Ford, Buick ou Chevrolet dos anos cinquenta, um verdadeiro feito mec\u00e2nico que provoca a admira\u00e7\u00e3o (e \u00e0s vezes a inveja) dos turistas americanos. Ou transformam um sedan decr\u00e9pito dessas marcas em um convers\u00edvel resplandecente, removendo o teto original e refazendo as pe\u00e7as. Carros brilhantes e reluzentes que causam inveja a Hollywood, que pagaria fortunas por lev\u00e1-los a seus est\u00fadios. Mas eles s\u00e3o heran\u00e7a cubana e n\u00e3o v\u00e3o embora. Somente com carros americanos? N\u00e3o! Eles fazem o mesmo, em uma opera\u00e7\u00e3o j\u00e1 com acabamentos francamente milagrosos, com um Lada sovi\u00e9tico de 1985 capaz de ir de Havana a Santiago sem nenhum inconveniente, apesar de seus confortos prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>Cuba tem apenas uma conex\u00e3o f\u00edsica pela qual os impulsos da Internet viajam: o cabo submarino de fibra \u00f3tica que chegou da Venezuela em janeiro de 2011, gra\u00e7as \u00e0 ajuda de Ch\u00e1vez para quebrar o bloqueio da inform\u00e1tica na ilha. Apesar da insufici\u00eancia que o referido cabo tem ao enfrentar a demanda do n\u00famero elevado e crescente de internautas da Ilha, cubanos e cubanas \u201cresolvem\u201d as enormes dificuldades que o acesso via sat\u00e9lite \u00e0 internet enfrenta com grande engenhosidade, o que lhes permite acessar atrav\u00e9s de programas &#8220;made in Cuba&#8221; (que eu n\u00e3o vi em nenhum outro pa\u00eds) a quase tudo na web. Sei que Bill Gates e as empresas do Vale do Sil\u00edcio n\u00e3o sabem mais o que fazer para atrair os perspicazes inform\u00e1ticos cubanos.<\/p>\n<p>Existe um problema? &#8220;Voc\u00ea vai ver e resolver&#8221; \u00e9 a senha de identidade do cubano. Dever\u00edamos apoiar o governo do MPLA em Angola para impedir que a CIA e os racistas sul-africanos assolassem esse pa\u00eds? Bem, h\u00e1 a engenhosidade cubana que alcan\u00e7ou outro milagre: transportar, em in\u00fameras viagens de uma h\u00e9lice de quatro motores antiga, a Bristol Britannia, um grande n\u00famero de militares e equipamentos cubanos, com uma prepara\u00e7\u00e3o muito especial dessa aeronave (prec\u00e1rios tanques suplementares de combust\u00edvel, reduzindo ao m\u00ednimo a carga n\u00e3o militar, regulando velocidade e altura etc.), nos 10.952 quil\u00f4metros que separam Havana de Luanda, onde esses avi\u00f5es chegaram quase sem um litro de combust\u00edvel em seus tanques. Fidel se envolveu pessoalmente na log\u00edstica da opera\u00e7\u00e3o, supervisionando tudo, desde as toneladas de carga poss\u00edveis at\u00e9 a velocidade e altura do cruzeiro necess\u00e1rias para garantir a feliz conclus\u00e3o do voo. Nem Washington nem Moscou acreditavam que esse transporte a\u00e9reo funcionaria com aqueles artefatos. Mas aconteceu que os cubanos &#8220;resolveram&#8221; o desafio e Cuba e o MPLA venceram a guerra!<\/p>\n<p>Por isso a sociedade e a cultura cubanas resistiram a sessenta anos de bloqueios de todos os tipos. Apesar de tal agress\u00e3o, que devido \u00e0 sua escala e dura\u00e7\u00e3o \u00e9 sem precedentes na hist\u00f3ria universal, Cuba alcan\u00e7a em quest\u00f5es delicadas, como alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a cidad\u00e3, o que quase ningu\u00e9m conseguiu e o b\u00e1rbaro da Casa Branca diz que o socialismo \u00e9 um fracasso! Imagine por um momento o que Cuba seria se n\u00e3o tivesse sofrido o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, com toda a sua sequ\u00eancia de agress\u00f5es, sabotagens, atentados e ataques de todos os tipos. Um para\u00edso tropical. Da\u00ed que a Ilha \u00e9 um exemplo terr\u00edvel contra a qual Washington lutou e lutar\u00e1 incansavelmente, apelando para os piores m\u00e9todos e violando todas as normas da legalidade internacional. Oscar Wilde estava certo quando sentenciou que \u201cos Estados Unidos s\u00e3o o \u00fanico pa\u00eds que passou da barb\u00e1rie \u00e0 decad\u00eancia sem passar pela civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 o Davi do nosso tempo que terminou com o apartheid na \u00c1frica do Sul; o pa\u00eds que curou centenas de milhares de pacientes em mais de cem pa\u00edses e criou a famosa ELAM, a Escola Latino-Americana de Medicina, preparando m\u00e9dicos para cuidar daqueles que nunca viram um em suas vidas. Cuba assumiu cuidar dos filhos de Chernobyl quando a Europa e os Estados Unidos, a Ucr\u00e2nia e a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica lhes deram as costas. Sem pedir nada em troca, colaborou com todas as lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional travadas no Terceiro Mundo, sem aproveitar a riqueza de qualquer pa\u00eds e trazendo para casa nenhuma outra coisa sen\u00e3o os restos mortais dos cubanos ca\u00eddos em combate.<\/p>\n<p>Seus detratores, com Mario Vargas Llosa na primeira fila, acusam Cuba de estar &#8220;isolada do mundo&#8221;. Os dados contradizem isso n\u00e3o apenas por causa dos milh\u00f5es de visitantes que, ano ap\u00f3s ano, desafiam as proibi\u00e7\u00f5es e chantagens de Washington e v\u00eam visitar a ilha e apreciar suas belezas, seu povo, seus sabores, sua m\u00fasica, sua alegria, sua cultura, sua gastronomia. Tamb\u00e9m porque, como express\u00e3o da extraordin\u00e1ria gravita\u00e7\u00e3o internacional da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e de sua integra\u00e7\u00e3o muito ativa no mundo, n\u00e3o h\u00e1 menos de 114 embaixadas em Havana contra 86 que est\u00e3o em Buenos Aires, 66 em Santiago, 60 em Bogot\u00e1 e 43 em Montevid\u00e9u. Quem est\u00e1 mais isolado?<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 a vontade de ferro de construir o socialismo, mesmo nas piores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, de recusar a arriar as bandeiras do mais nobre desejo da humanidade. A d\u00edvida de nossos pa\u00edses com Cuba \u00e9 imensa por d\u00e9cadas de ajuda e por n\u00e3o permitir que o farol que nos guiou na busca do socialismo se apague. Imagine o que teria acontecido na Am\u00e9rica Latina e no Caribe se a ilha rebelde se rendesse ao ass\u00e9dio daqueles que, no in\u00edcio dos anos 90, aconselharam Fidel a esquecer o socialismo, que o capitalismo triunfara, que havia chegado o fim da hist\u00f3ria. O \u201cciclo pol\u00edtico\u201d progressista e de esquerda iniciado em 1999 com a presid\u00eancia de Ch\u00e1vez n\u00e3o existiria e a ALCA, como um grande projeto anexionista do Imp\u00e9rio, teria sido conclu\u00edda em Mar del Plata em 2005. Se isso n\u00e3o aconteceu, devemos, antes de mais nada, a Cuba e Fidel. E \u00e9 claro tamb\u00e9m ao coadjuvante do grande estrategista cubano: Hugo Ch\u00e1vez Fr\u00edas. E a Nestor Kirchner e Lula da Silva, que embarcaram nessa batalha hom\u00e9rica. Certamente, sem a virtuosa obstina\u00e7\u00e3o do comandante em construir o socialismo, nem Ch\u00e1vez, nem Lula, nem Nestor, nem Evo, Correa, nem Tabar\u00e9, nem Lugo, nem Cristina, nem Dilma, nem Pepe, nem Maduro existiriam. Sem d\u00favida, teriam sido pol\u00edticos importantes, dificilmente governantes de seus pa\u00edses, mas n\u00e3o teriam o hist\u00f3rico que lhes concedeu a insolente perman\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e que lhes permitiu desempenhar o papel exercido nos \u00faltimos vinte anos.<\/p>\n<p>Porque homens e mulheres s\u00e3o criadores de hist\u00f3ria, sim, mas apenas sob certas circunst\u00e2ncias. E estes foram criados por essa revolu\u00e7\u00e3o na maior parte das Antilhas, mantendo-se firme enquanto a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica entrou em colapso, o COMECON desapareceu, o Pacto de Vars\u00f3via se desintegrou, as &#8220;democracias populares&#8221; da Europa Oriental voltaram em massa ao seu passado reacion\u00e1rio e se prostraram aos p\u00e9s do imperador al\u00e9m do Atl\u00e2ntico e os escribas do Imp\u00e9rio comemoraram o advento do &#8220;novo s\u00e9culo americano&#8221;, que, como Fidel antecipou, nem se tornou uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Em suma, Cuba \u00e9 o que \u00e9 porque, para milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, ela encarna os belos sonhos de Dom Quixote no aqui e agora da hist\u00f3ria, quando disse que sua miss\u00e3o era \u201csonhar o sonho imposs\u00edvel, lutar contra o inimigo imposs\u00edvel, correr onde os bravos n\u00e3o ousaram ir, alcan\u00e7ar a estrela inacess\u00edvel&#8221;. Esse \u00e9 o meu destino. Por tudo isso, com Cuba sempre!<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"PhQeGTNSgw\"><p><a href=\"http:\/\/atilioboron.com.ar\/cubanidades\/\">Cubanidades<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#171;Cubanidades&#187; &#8212; Atilio Boron\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/atilioboron.com.ar\/cubanidades\/embed\/#?secret=PhQeGTNSgw\" data-secret=\"PhQeGTNSgw\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25088\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[48],"tags":[228],"class_list":["post-25088","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c58-cuba","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6wE","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25088\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}