{"id":25102,"date":"2020-03-11T01:47:24","date_gmt":"2020-03-11T04:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25102"},"modified":"2020-03-11T01:47:24","modified_gmt":"2020-03-11T04:47:24","slug":"coronavirus-nao-e-culpado-pela-queda-na-bolsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25102","title":{"rendered":"Coronavirus n\u00e3o \u00e9 culpado pela queda na Bolsa"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/resistir.info\/financas\/imagens\/covid_19.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Eric Toussaint<\/p>\n<p>Assiste-se a uma grande crise das bolsas da Wall Street, da Europa, do Jap\u00e3o e de Shangai e alguns atribuem a responsabilidade ao coronavirus. Na \u00faltima semana de Fevereiro\/2020, a pior semana desde Outubro\/2008, o Dow Jones baixou 12,4%, o S&amp;P 500 baixou 11,5% e o Nasdaq Composite baixou 10,5%. O mesmo cen\u00e1rio na Europa e na \u00c1sia durante a \u00faltima semana de Fevereiro. Na bolsa de Londres, o FTSE-100 baixou 11,32%, em Paris o CAC40 caiu 12%, em Francoforte o DAX perdeu12,44%, na bolsa de T\u00f3quio o Nikkei baixou 9,6%, as bolsas chinesas (Shangai, Shenzhen e Hong Kong) baixaram igualmente.<\/p>\n<p>Na segunda-feira 2\/Mar\u00e7o, a seguir a (promessas de) interven\u00e7\u00f5es maci\u00e7as dos bancos centrais para sustentar as bolsas, os \u00edndices retomaram a alta salvo na de Londres. Na ter\u00e7a-feira 3\/Mar\u00e7o, o banco central dos Estados Unidos, o Fed, entrou em p\u00e2nico, baixou em 0,5% sua taxa directora, o que constitui uma redu\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel. A nova taxa directora do Fed situa-se doravante num intervalo de 1 a 1,25%. \u00c9 preciso saber que a taxa de infla\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos entre Fevereiro\/2019 e Janeiro\/2020 atingiu 2,5%, o que quer dizer que a taxa de juro real do FED \u00e9 negativa. A grande imprensa escreve que esta medida visa sustentar a economia americana amea\u00e7ada pela epidemia COVID-10. O di\u00e1rio franc\u00eas Le Figaro titula: &#8220;O coronavirus precipita uma forte baixa da taxa directora do Fed&#8221; ( www.lefigaro.fr\/&#8230; ver tamb\u00e9m em ingl\u00eas edition.cnn.com\/&#8230; ).<\/p>\n<p>Ora, a m\u00e1 sa\u00fade da economia americana data de bem antes dos primeiros casos de coronavirus na China e destes efeitos sobre a economia mundial (ver www.cadtm.org\/&#8230; ). Em resumo, o Fed e a grande imprensa n\u00e3o dizem a verdade quando explicam que a medida \u00e9 destinada a enfrentar o coronavirus. Apesar da decis\u00e3o do Fed, na ter\u00e7a-feira 3\/Mar\u00e7o o S&amp;P 500 baixou novamente 2,81%, o Dow Jones baixou 2,9% ( edition.cnn.com\/2020\/03\/03\/investing\/dow-stock-market-today\/index.html ). Nos dias 3 e 4 de Mar\u00e7o, v\u00e1rias bolsas asi\u00e1ticas experimentaram igualmente uma baixa. N\u00e3o se pode excluir uma reascens\u00e3o da bolsa de Nova York em 4\/Mar\u00e7o para saudar o retorno de Joe Biden \u00e0 corrida presidencial nos Estados Unidos aquando das prim\u00e1rias democratas de 3\/Mar\u00e7o pois isto representa para eles um al\u00edvio frente a Bernie Sanders, que entretanto continua \u00e0 frente. Joe Biden \u00e9 claramente o candidato do establishment democrata e dos miliard\u00e1rios que apoiam este partido. De notar igualmente que Donald Trump, num tweet da semana passada, ligou a sua sorte \u00e0quela da bolsa na Wall Street. Em 26\/Fevereiro ele conclamou seus colegas dos 1% mais ricos a n\u00e3o venderem suas ac\u00e7\u00f5es e a sustentarem a bolsa. Ele al\u00e9m disso afirmou que se fosse reeleito \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos em Outubro\/2020 a bolsa ascenderia enormemente mas que se perdesse assistir-se-\u00e1 a um crash bolsista de uma amplitude nunca vista (segundo o Financial Times, Trump anunciou que &#8220;The market will &#8216;jump milhares e milhares de pontos se eu vencer&#8217;, &#8230; &#8220;and if I don&#8217;t, you&#8217;re going to see a crash like you&#8217;ve never seen before. I really mean it&#8221;. www.ft.com\/content\/399783e2-57e9-11ea-a528-dd0f971febbc ). O que se vai passar precisamente nos mercados bolsistas nos pr\u00f3ximos dias e semanas \u00e9 imprevis\u00edvel mas \u00e9 muito importante analisar as verdadeiras causa da crise financeira em curso.<\/p>\n<p>Os grandes media afirmam de maneira ultra simplificadora que esta queda generalizada das bolsas de valores \u00e9 provocada pelo coronavirus e esta explica\u00e7\u00e3o \u00e9 retomada amplamente nas redes sociais. Ora, n\u00e3o \u00e9 o coronavirus e sua expans\u00e3o que constituem a causa da crise, a epidemia \u00e9 apenas um elemento detonador. Todos os factores de uma nova crise financeira est\u00e3o reunidos h\u00e1 v\u00e1rios anos, pelo menos desde 2017-2018 (ver www.cadtm.org\/Tout-va-tres-bien-madame-la datado de Novembro\/2017, www.cadtm.org\/Tot-ou-tard-il-y-aura-une-nouvelle-crise-financiere datado de Abril\/2018, ver mais recentemente pour.press\/&#8230; ). Quando a atmosfera est\u00e1 saturada de mat\u00e9rias inflam\u00e1veis, a qualquer momento uma fagulha pode provocar a explos\u00e3o financeira. Era dif\u00edcil prever de onde a fagulha iria partir. A fagulha desempenha o papel de detonador mas n\u00e3o \u00e9 ela que \u00e9 a causa profunda da crise. N\u00e3o sabemos ainda se a forte queda bolsistas do fim de Fevereiro\/2020 vai &#8220;degenerar&#8221; numa enorme crise financeira. \u00c9 uma possibilidade real. O facto de que a queda bolsista coincide com os efeitos da epidemia do coronavirus sobre a economia produtiva n\u00e3o \u00e9 fortuito, mas dizer que o coronavirus \u00e9 a causa da crise \u00e9 uma contra-verdade. \u00c9 importante ver de onde vem realmente a crise e n\u00e3o ser enganado pelas explica\u00e7\u00f5es que lan\u00e7am uma cortina de fumo diante das causas reais.<\/p>\n<p>O Grande Capital, os governantes e os media a seu servi\u00e7o t\u00eam todo o interesse nas costas de um v\u00edrus o desenvolvimento de uma grande crise financeira e econ\u00f3mica, pois isto lhes permite lavar as m\u00e3os (desculpem-me a express\u00e3o).<\/p>\n<p>A queda das cota\u00e7\u00f5es bolsistas estava prevista bem antes que o coronavirus fizesse a sua apari\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As cota\u00e7\u00f5es das ac\u00e7\u00f5es e o pre\u00e7o dos t\u00edtulos de d\u00edvida (tamb\u00e9m chamados obriga\u00e7\u00f5es ) aumentaram de um modo totalmente exagerado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o no decorrer dos \u00faltimos dez anos, com uma acelera\u00e7\u00e3o no decorrer dois \u00faltimos dois ou tr\u00eas anos. A riqueza dos 1% mais ricos tamb\u00e9m cresceu fortemente pois ela est\u00e1 baseada amplamente no crescimento dos activos financeiros.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso sublinhar que o momento em que interv\u00e9m a queda das cota\u00e7\u00f5es bolsistas \u00e9 o resultado de uma escolha (n\u00e3o falo de complot): uma parte dos muito ricos (o 1%, o Grande Capital) decidiu come\u00e7ar a vender as ac\u00e7\u00f5es que adquiriu pois considera que toda festa financeira tem um fim e, ao inv\u00e9s de a sofrer, ele prefere tomar a dianteira. Estes grandes accionistas preferem ser os primeiro a vender a fim de obterem os melhores pre\u00e7os poss\u00edveis antes de a cota\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es baixar muito fortemente. Grandes sociedade de investimentos, grandes bancos, grandes empresas industriais e miliard\u00e1rios d\u00e3o a ordem aos traders para venderem uma parte das ac\u00e7\u00f5es ou do t\u00edtulos de d\u00edvidas privadas (ou seja, obriga\u00e7\u00f5es) que possu\u00edam a fim de embolsar os 15% ou 20% de alta dos \u00faltimos anos. Eles dizem que \u00e9 o momento de faz\u00ea-lo: chamam a isto tomar os &#8220;seus ganhos&#8221;. Segundo eles, tanto pior se isto implica um efeito de venda em manada. O importante ao seu ver \u00e9 vender antes dos outros. Isto pode provocar um efeito domin\u00f3 e degenerar numa crise generalizada. Eles o sabem e dizem para si pr\u00f3prios que acabar\u00e3o por se safar sem demasiado preju\u00edzo como aconteceu para grande n\u00famero dentre eles em 2007-2009. \u00c9 o caso nomeadamente nos Estados Unidos dos dois principais fundos de investimento e de gest\u00e3o de activos Black Rock e Vanguard que se sa\u00edram bem, assim como do Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup ou a Googloe, Apple, Amazon, Facebook, etc.<\/p>\n<p>Outro elemento importante a sublinhar: os 1% vendem ac\u00e7\u00f5es de empresas privadas, o que provoca uma queda das suas cota\u00e7\u00f5es e arrasta a queda das bolsas. Ou ao mesmo tempo eles compram t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica considerados como valores seguros. \u00c9 nomeadamente o caso nos Estados Unidos onde o pre\u00e7o dos t\u00edtulos do tesouro estado-unidense aumentou na sequ\u00eancia de uma procura muito forte. De notar que um aumento do pre\u00e7o dos t\u00edtulos do tesouro que se vendem no mercado secund\u00e1rio tem como consequ\u00eancia baixar o rendimento destes t\u00edtulos. Os ricos que compram estes t\u00edtulos do Tesouro est\u00e3o dispostos a um rendimento fraco, pois o que procuram \u00e9 a seguran\u00e7a num momento em que a cota\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es das empresas est\u00e1 em baixa. Em consequ\u00eancia, h\u00e1 que sublinhar que mais uma vez s\u00e3o exactamente os t\u00edtulos dos Estados que s\u00e3o considerados pelos mais ricos como os mais seguros. Mantenhamos isto na cabe\u00e7a e estejamos prontos a diz\u00ea-lo publicamente pois h\u00e1 que esperar que dentro em breve retorne o refr\u00e3o bem conhecido da crise das d\u00edvidas p\u00fablica e dos temores dos mercados em rela\u00e7\u00e3o a t\u00edtulos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Mas vejamos outra vez o que se passa repetitivamente desde h\u00e1 pouco mais de trinta anos, ou seja, desde o aprofundamento da ofensiva neoliberal e da grande desregulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros [1] : o Grande Capital (os 1%) reduziu a parte que ele investe na produ\u00e7\u00e3o e aumentou a parte que ele p\u00f5e em circula\u00e7\u00e3o na esfera financeira (isto inclui o caso de uma firma &#8220;industrial&#8221; emblem\u00e1tica como a Apple). Ele fez isso no decorrer dos anos 1980 e isso produziu a crise do mercado obrigacionista de 1987. Ele fez mais uma vez isso no fim dos anos 1990 e isso produziu a crise das dot-com e da Enron em 2001. Ele refez isso entre 2004 e 2007 e isso produziu a crise das subprimes, dos produtos estruturados e uma s\u00e9rie de fal\u00eancias fulminantes como a do Lehman Brothers em 2008. Desta vez, o Grande Capital especulou principalmente com a alta dos pre\u00e7os das ac\u00e7\u00f5es em bolsa e com o pre\u00e7o dos t\u00edtulos da d\u00edvida no mercado obrigacionista (ou seja, o mercado onde vendem as ac\u00e7\u00f5es das empresas privadas e os t\u00edtulos de d\u00edvidas emitidos pelos Estados e outros poderes p\u00fablicos). Dentre os factores que provocaram a alta extravagante dos pre\u00e7os dos activos financeiros (ac\u00e7\u00f5es em bolsas e t\u00edtulos de d\u00edvidas privadas e p\u00fablicas), \u00e9 preciso considerar a ac\u00e7\u00e3o nefastas dos grandes bancos centrais desde a crise financeira e econ\u00f3mica de 2007-2009. Analisei isto em www.cadtm.org\/&#8230; .<\/p>\n<p>Portanto, este fen\u00f3meno n\u00e3o data da v\u00e9spera da crise de 2008-2009, ele \u00e9 recorrente no quadro da financiariza\u00e7\u00e3o da economia capitalista. E antes disso o sistema capitalista tamb\u00e9m havia experimentado fases importantes de financiariza\u00e7\u00e3o, tanto no s\u00e9culo XIX como nos anos 1920, o que conduziu \u00e0 grande crise bolsista de 1929 e ao per\u00edodo prolongado de recess\u00e3o dos anos 1930. Assim, o fen\u00f3meno da financiariza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o foi parcialmente abafado durante 40 anos ap\u00f3s a grande depress\u00e3o dos anos 1930, a Segunda Guerra Mundial e a radicaliza\u00e7\u00e3o da luta de classes que se seguiu. At\u00e9 o fim dos anos 1970, n\u00e3o houve mais grandes crises banc\u00e1rias ou bolsistas. As crises banc\u00e1rias e bolsistas ressurgiram quando os governos deram todas as liberdades ao Grande Capital para fazer o que quisesse no sector financeiro.<\/p>\n<p>Retornemos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos anos. O Grande Capital, o qual considera que a taxa de rentabilidade que ele extrai da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente, desenvolve as actividades financeiras n\u00e3o directamente ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Isto n\u00e3o quer dizer que ele abandone a produ\u00e7\u00e3o, mas que desenvolve proporcionalmente mais as suas aplica\u00e7\u00f5es na esfera financeira do que os seus investimentos na esfera produtiva. \u00c9 o que se chama a financiariza\u00e7\u00e3o ou a mundializa\u00e7\u00e3o financiarizada. O capital &#8220;faz lucro&#8221; a partir do capital fict\u00edcio por actividades grandemente especulativas. Este desenvolvimento da esfera financeira aumentar o recurso ao endividamento maci\u00e7o das grandes empresas e inclusive firmas como a Apple (escrevi uma s\u00e9rie de artigos acima www.cadtm.org\/&#8230; ).<\/p>\n<p>O capital fict\u00edcio \u00e9 uma forma do capital, ele se desenvolve exclusivamente na esfera financeira sem verdadeira liga\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o (ver caixa: O que \u00e9 o capital fict\u00edcio?). \u00c9 fict\u00edcio no sentido de que n\u00e3o repousa directamente sobre a produ\u00e7\u00e3o material e sobre a explora\u00e7\u00e3o directa do trabalho humano e da natureza. Digo bem explora\u00e7\u00e3o directa pois evidentemente o capital fict\u00edcio especula sobre o trabalho humano e sobre a natureza, o que geralmente degrada as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e da pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p>O que \u00e9 o capital fict\u00edcio?<br \/>\n&#8220;O capital fict\u00edcio \u00e9 uma forma de capital (t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica, ac\u00e7\u00f5es, cr\u00e9ditos) que circula ao passo que os rendimentos da produ\u00e7\u00e3o aos quais ele d\u00e1 direito n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o promessas cujo desfecho \u00e9 por defini\u00e7\u00e3o incerto&#8221;. Entrevista com C\u00e9dric Durand realizada por Florian Gulli, &#8220;Le capital fictif, C\u00e9drid Durand&#8221;, La Revue du projet: projet.pcf.fr\/70923 .<\/p>\n<p>Segundo Michel Husson, &#8220;o quadro te\u00f3rico de Marx permite-lhe a an\u00e1lise do &#8216;capital fict\u00edcio&#8217;, o qual pode ser definido como o conjunto dos activos financeiros cujo valor repousa sobre a capitaliza\u00e7\u00e3o de um fluxo de receitas futuras: &#8220;Chama-se capitaliza\u00e7\u00e3o a constitui\u00e7\u00e3o do capital fict\u00edcio&#8221; [Karl Marx, O Capital, Livro III]. Se uma ac\u00e7\u00e3o proporciona um rendimento anual de 100\u00a3 e a taxa de juro \u00e9 de 5%, seu valor capitalizado ser\u00e1 de 2000\u00a3. Mas este capital \u00e9 fict\u00edcio, na medida em que &#8220;n\u00e3o lhe resta absolutamente nenhum tra\u00e7o de uma rela\u00e7\u00e3o qualquer com o processo real de valoriza\u00e7\u00e3o do capital&#8221; [Karl Marx, O Capital, Livro III]. Michel Husson, &#8220;Marx et la finance: une approche actuelle&#8221;, \u00c0 l&#8217;Encontre, Dezembro\/2011, alencontre.org\/economie\/marx-et-la-finance-une-approche-actuelle.html<\/p>\n<p>Para Jean-Marie Harribey: &#8220;As bolhas explodem quando o afastamento entre valor realizado e valor prometido se torna demasiado grande e certos especuladores compreendem que as promessas de liquida\u00e7\u00e3o lucrativa n\u00e3o poder\u00e3o ser honradas para todos; por outras palavras, quando as mais-valias financeiras jamais poder\u00e3o ser realizadas por falta de mais-valia suficiente na produ\u00e7\u00e3o&#8221;. Jean-Marie Harribey, &#8220;A inconsist\u00eancia do capital fict\u00edci, leitura do Capital fictif de C\u00e9drid Durand&#8221;, Les Possibles, N\u00ba 6, Primavera 2015. france.attac.org\/&#8230;<\/p>\n<p>Ler igualmente Fran\u00e7ois Chesnais, &#8220;Capital fict\u00edcio, ditadura dos accionistas e dos credores: quest\u00f5es do momento presente&#8221;, Les Possibles, N\u00ba 6, Primavera 2015: france.attac.org&#8230;<\/p>\n<p>Estou de acordo com C\u00e9dric Durand quando ele afirma: &#8220;Uma das consequ\u00eancias pol\u00edticas importantes desta an\u00e1lise \u00e9 que a esquerda social e pol\u00edtica deve tomar consci\u00eancia do conte\u00fado de classe da no\u00e7\u00e3o de estabilidade financeira. Preservar a estabilidade financeira \u00e9 actuar de modo a que as pretens\u00f5es do capital fict\u00edcio se realizem. Para libertar nossas economias do imp\u00e9rio do capital fict\u00edcio, precisamos nos empenhar numa desacumula\u00e7\u00e3o financeira. Concretamente, isto remete de modo claro para a quest\u00e3o da anula\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas p\u00fablica e da d\u00edvida privada das fam\u00edlias modestas, como tamb\u00e9m para a diminui\u00e7\u00e3o dos rendimentos de accionistas, o que se traduz mecanicamente por uma diminui\u00e7\u00e3o da capitaliza\u00e7\u00e3o bolsista. N\u00e3o nos enganemos, tais objectivos s\u00e3o muito ambiciosos: eles implicam inelutavelmente socializar o sistema financeiro e romper com a liberdade de circula\u00e7\u00e3o do capital. Mas eles permitem dominar precisamente certas condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para virar a p\u00e1gina do neoliberalismo&#8221;. C\u00e9drid Durand, &#8220;Sobre o capital fict\u00edcio, Resposta a Jean-Marie Harribey&#8221;, Les Possibles, N\u00ba 6, Primavera 2015: france.attac.org\/<br \/>\nO capital fict\u00edcio deseja captar uma parte da riqueza produzida na produ\u00e7\u00e3o (os marxistas dizem uma parte da mais-valia produzida pelos trabalhadores na esfera da produ\u00e7\u00e3o) sem sujar as m\u00e3os, ou seja, sem passar pelo facto de ser investido directamente na produ\u00e7\u00e3o (sob a forma de compra de m\u00e1quinas, mat\u00e9rias-primas, pagamento da for\u00e7a de trabalho humana sob a forma de sal\u00e1rios, etc). O capital fict\u00edcio \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o cujo possuidor espera que lhe traga um dividendo. Ele comprar\u00e1 uma ac\u00e7\u00e3o Renault se esta prometer um bom dividendo mais poder\u00e1 tamb\u00e9m revender esta ac\u00e7\u00e3o para comprar uma ac\u00e7\u00e3o General Electric ou Glaxo Smith Kline ou Nestl\u00e9 ou Google se esta prometer um melhor dividendo. O capital fict\u00edcio \u00e9 tamb\u00e9m uma obriga\u00e7\u00e3o de d\u00edvida emitida por uma empresa ou um t\u00edtulo da d\u00edvida p\u00fablica. \u00c9 tamb\u00e9m um derivado, um produto estruturado&#8230; O capital fict\u00edcio pode dar a ilus\u00e3o de que gera lucros por si mesmo ainda que estando destacado da produ\u00e7\u00e3o. Os traders, os brokers ou dirigentes das grandes empresas est\u00e3o convencidos de que &#8220;produzem&#8221;. Mas, num certo momento, uma crise brutal explode e uma massa de capitais fict\u00edcios esfuma-se (queda das cota\u00e7\u00f5es bolsistas, quedas dos pre\u00e7os no mercado obrigacionista, queda dos pre\u00e7os do imobili\u00e1rio&#8230;).<\/p>\n<p>O Grande Capital, de maneira repetida, quer acreditar ou fazer acreditas que ele \u00e9 capaz de transformar o chumbo em ouro na esfera financeira, mas de maneira peri\u00f3dica a realidade chama-o \u00e0 ordem e a crise explode.<\/p>\n<p>Quando a crise explode \u00e9 preciso distinguir entre o elemento detonador de uma parte (hoje, a pandemia do coronavirus pode constituir o detonador) e as causas profundas, de outra parte.<\/p>\n<p>No decorrer das \u00faltimas duas d\u00e9cada houve um enfraquecimento muito importante da produ\u00e7\u00e3o material. Em v\u00e1rias grandes economias como as da Alemanha, do Jap\u00e3o (\u00faltimo trimestre de 2019), da Fran\u00e7a (\u00faltimo trimestre 2019) e da It\u00e1lia, a produ\u00e7\u00e3o industrial recuou ou enfraqueceu-se fortemente (China e Estados Unidos). Certos sectores industriais que haviam experimentado um ressurgimento ap\u00f3s a crise de 2007-2009, como a ind\u00fastria do autom\u00f3vel, reentraram numa crise muito forte nos anos 2018-2019 com uma queda muito importante das vendas e da produ\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o na Alemanha, o principal construtor autom\u00f3vel mundial, baixou 14% entre Outubro\/2018 e Outubro\/2019 [2] . A produ\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel caiu fortemente em Fran\u00e7a em 2020. A produ\u00e7\u00e3o de outra j\u00f3ia da economia alem\u00e3, o sector que produz as m\u00e1quinas e os equipamentos, baixou 4,4% s\u00f3 no m\u00eas de Outubro\/2019. \u00c9 caso igualmente do sector da produ\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas-ferramenta e de outros equipamentos industriais. O com\u00e9rcio internacional estagnou. Num per\u00edodo mais longo, a taxa de lucro baixou ou estagnou na produ\u00e7\u00e3o material, os ganhos de produtividade tamb\u00e9m baixaram.<\/p>\n<p>Em 2018-2019, estes diferentes fen\u00f3menos da crise econ\u00f3mica na produ\u00e7\u00e3o manifestaram-se muito claramente, mas como a esfera financeira continuava a funcionar em regime pleno, os grandes media e os governos faziam tudo para afirmar que a situa\u00e7\u00e3o era globalmente positiva e que aqueles e aquelas que anunciavam uma pr\u00f3xima grande crise financeira acrescentando-se ao n\u00edtido abrandamento da produ\u00e7\u00e3o eram apenas profetas da desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>O ponto de vista de classe social tamb\u00e9m \u00e9 muito importante: para o Grande Capital, enquanto a roda da fortuna na esfera financeira continuar a girar, os jogadores permanecem na pista e felicitam-se pela situa\u00e7\u00e3o. Passa-se o mesmo para todos os governantes pois actualmente eles est\u00e3o ligados ao Grande Capital, tanto nas velhas economias industrializadas como a Am\u00e9rica do Norte, a Europa ocidental ou o Jap\u00e3o como na China, na R\u00fassia ou nas outras grandes economias ditas emergentes.<\/p>\n<p>Apesar do facto de que em 2019 a produ\u00e7\u00e3o real cessou de crescer de maneira significativa ou come\u00e7ou a estagnar ou a baixar, a esfera financeira continuou a sua expans\u00e3o: as cota\u00e7\u00f5es em bolsa continuaram a aumentar, atingiram mesmo topos, o pre\u00e7o dos t\u00edtulos das d\u00edvidas privadas e p\u00fablicas continuou a sua progress\u00e3o para o alto, o pre\u00e7o do imobili\u00e1rio recome\u00e7ou a crescer numa s\u00e9rie de economias, etc.<\/p>\n<p>Em 2019, a produ\u00e7\u00e3o enfraqueceu (China e \u00cdndia), estagnou (uma boa parte da Europa) ou come\u00e7ou a baixar no segundo semestre do ano (Alemanha, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, Fran\u00e7a) nomeadamente porque a procura global baixou: a maior parte dos governos e do patronato interv\u00eam para fazer baixar os sal\u00e1rios, as pens\u00f5es, o que reduz o consumo pois o endividamento das fam\u00edlias, em aumento, n\u00e3o basta para aliviar a baixa de rendimentos. Da mesma forma, os governos prolongam uma pol\u00edtica de austeridade que implica uma redu\u00e7\u00e3o das despesas p\u00fablicas e dos investimentos p\u00fablicos. A conjun\u00e7\u00e3o da queda do poder de compra da maioria da popula\u00e7\u00e3o e a baixa das despesas p\u00fablicas implicam uma queda da procura global e, portanto, uma parte da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra sa\u00eddas suficientes, o que implica uma baixa da actividade econ\u00f3mica [3] .<\/p>\n<p>\u00c9 importante precisar em que ponto de vista se situa: falo de crise da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o porque sou um adepto do crescimento da produ\u00e7\u00e3o. Sou pela organiza\u00e7\u00e3o (a planifica\u00e7\u00e3o) do decrescimento a fim de responder nomeadamente \u00e0 crise ecol\u00f3gica em curso. Portanto, pessoalmente, a queda ou a estagna\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mundial n\u00e3o me aflige, ao contr\u00e1rio. Esta muito bem se se produzem menos carros individuais e se as suas vendas ca\u00edrem. Em contrapartida, para o sistema capitalista, n\u00e3o se passa o mesmo: o sistema capitalista tem necessidade de desenvolver sem cessar a produ\u00e7\u00e3o e de conquistar sem cessar novos mercados. Quando ele n\u00e3o consegue ou quando come\u00e7a a atrasar-se, responde \u00e0 situa\u00e7\u00e3o desenvolvendo a esfera da especula\u00e7\u00e3o financeira e emitindo cada vez mais capitais fict\u00edcios n\u00e3o ligados directamente \u00e0 esfera produtiva. Isto parece funcionar durante anos e depois, num momento dado, as bolhas especulativas explodem. Em v\u00e1rios momentos da hist\u00f3ria do capitalismo a l\u00f3gica da expans\u00e3o permanente do sistema capitalista e da produ\u00e7\u00e3o exprimiu-se por guerra comerciais (e \u00e9 novamente o caso hoje, nomeadamente entre os Estados Unidos e os seus principais parceiros) ou por guerras verdadeiras e esta quest\u00e3o hoje n\u00e3o est\u00e1 de todo exclu\u00edda.<\/p>\n<p>Se se situa do ponto de vista das classes sociais exploradas e espoliadas que constituem a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o (da\u00ed a imagem dos 99% opostos aos 1%), \u00e9 claro que a conclus\u00e3o \u00e9 de que \u00e9 preciso romper radicalmente com a l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o de capital quer ele seja produtivo ou financeiro, ou produtivo financiarizado, pouco importam os nomes. \u00c9 preciso encetar de imediato e planificar de maneira urgente o decrescimento para combater a crise ecol\u00f3gica. \u00c9 preciso produzir menos e melhor. A fabrica\u00e7\u00e3o de certos produtos vitais para o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o deve crescer (constru\u00e7\u00f5es e renova\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00f5es decentes, transportes colectivos, centros de sa\u00fade e hospitais, distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel e tratamento das \u00e1guas residuais, escolas, etc) e outras produ\u00e7\u00f5es devem baixar radicalmente (viaturas individuais) ou desaparecer (fabrica\u00e7\u00e3o de armas). \u00c9 preciso reduzir radicalmente brutalmente as emiss\u00f5es de g\u00e1s de efeito estufa [NR] . \u00c9 preciso reconverter toda uma s\u00e9rie de ind\u00fastrias e de actividades agr\u00edcolas. \u00c9 preciso anular uma grande parte das d\u00edvidas p\u00fablica e, em certos casos, a totalidade destas. \u00c9 preciso expropriar sem indemniza\u00e7\u00e3o e transferir para o servi\u00e7o p\u00fablico os bancos, as seguradoras, o sector da energia e outros sectores estrat\u00e9gicos. \u00c9 preciso atribuir outras miss\u00f5es e outras estruturas aos bancos centrais.<\/p>\n<p>Existem outras medidas, tais como a execu\u00e7\u00e3o de uma reforma fiscal global com uma forte tributa\u00e7\u00e3o do capital, uma redu\u00e7\u00e3o global do tempo de trabalho com empregos compensat\u00e1rios e a manuten\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de sal\u00e1rio, a gratuidade dos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o, transportes p\u00fablicos, medidas eficazes para garantir a igualdade entre os sexos. \u00c9 preciso repartir as riquezas respeitando a justi\u00e7a social e fazendo primar os direitos humanos e o respeito dos fr\u00e1geis equil\u00edbrios ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A grande massa da popula\u00e7\u00e3o que v\u00ea os seus rendimentos reais diminu\u00edrem ou estagnarem (o seja, o seu poder de compra real) compensa esta baixa ou esta estagna\u00e7\u00e3o pelo recurso ao endividamento a fim de manter seu n\u00edvel de consumo e, inclusive, sobre quest\u00f5es vitais (como encher seu frigor\u00edfico, como garantir a escolaridade das crian\u00e7as, como se deslocar para ir ao trabalho se for preciso comprar um carro por n\u00e3o haver transportes em comum, como pagar certos cuidados de sa\u00fade, etc). \u00c9 preciso dar solu\u00e7\u00f5es radicais a este endividamento crescente de uma maioria da popula\u00e7\u00e3o nos quatro cantos do planeta e recorrer a anula\u00e7\u00f5es de d\u00edvida. \u00c9 preciso portanto anular uma grande parte das d\u00edvidas privadas das fam\u00edlias (nomeadamente das d\u00edvidas estudantis, as d\u00edvidas hipotec\u00e1rias abusivas, as d\u00edvidas abusivas de consumo, as d\u00edvidas ligadas ao micro-cr\u00e9dito abusivo&#8230;). \u00c9 preciso aumentar os rendimentos a maioria da popula\u00e7\u00e3o e melhorar fortemente a qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transportes colectivos, praticando a gratuidade.<\/p>\n<p>Estamos confrontados com uma crise multidimensional do sistema capitalista mundial: crise econ\u00f3mica, crise comercial, crise ecol\u00f3gica, crise de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es internacionais que fazem parte do sistema de domina\u00e7\u00e3o capitalista do planeta (OMC, NATO, G7, crise no Fed \u2013 o banco central dos Estados Unidos \u2013, crise no Banco Central Europeu), crise pol\u00edtica nos pa\u00edses importantes (nomeadamente nos Estados Unidos entre os dois grandes partidos do grande capital), crise de sa\u00fade p\u00fablica, guerras&#8230; No esp\u00edrito de um grande n\u00famero de pessoas em numerosos pa\u00edses, a rejei\u00e7\u00e3o do sistema capitalista \u00e9 mais elevada do que nunca no decorrer das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas, desde o princ\u00edpio da ofensiva neoliberal sob Pinochet (1973), Thatcher (19798) e Reagan (1980).<\/p>\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas ileg\u00edtimas, esta forma de capital fict\u00edcio, deve ser inscrita num programa muito mais vasto de medidas suplementares. O eco-socialismo deve ser posto no cerne das solu\u00e7\u00f5es e n\u00e3o deixado de lado. Devemos travar a luta contra a crise multidimensional do sistema capitalista e nos empenharmos resolutamente no caminho de uma sa\u00edda ecologistda-feministra-socialista. Trata-se de uma necessidade absoluta e imediata.<br \/>\n04\/Mar\u00e7o\/2020<br \/>\n[1] Ver \u00c9ric Toussaint, Bancocratie , 2014, chapitre 3 \u00ab De la financiarisation\/d\u00e9r\u00e8glementation des ann\u00e9es 1980 \u00e0 la crise de 2007-2008 \u00bb.<br \/>\n[2] A ind\u00fastria autom\u00f3vel alem\u00e3 emprega 830 mil trabalhadores e 2 milh\u00f5es de empregos conexos dela dependem directamente (Fonte: Financial Times, , \u00ab German industrial output hit by downturn \u00bb, 7-8 d\u00e9cembre 2019).<br \/>\n[3] Quanto \u00e0 explica\u00e7\u00e3o das crises, entre os economistas marxistas, &#8220;duas grandes escolas&#8221; se defrontam: aquela que explica as crises pelo sub-consumo das massas (a super-produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo); e aquela que as explica pela &#8220;super-acumula\u00e7\u00e3o&#8221; (a insufici\u00eancia do lucro para prosseguir a expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dos bens de equipament). Esta querela n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma variante do velho debate entre os partid\u00e1rios da explica\u00e7\u00e3o das crises pela &#8220;insufici\u00eancvia da procura global&#8221; e os da explica\u00e7\u00e3o pela &#8220;desproporcionalidade&#8221;. Ernest Mandel. La crise 1974-1982. Les faits. Leur interpr\u00e9tation marxiste , 1982, Paris, Flammarion, 302 p. Na sequ\u00eancia de Ernest Mandel, considero que a explica\u00e7\u00e3o da crise actual deve ter em conta v\u00e1rios factores que n\u00e3o se podem reduzir ou a uma crise produzida pela super-produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo (e portanto uma insufici\u00eancia da procura) ou \u00e0 super-acumula\u00e7\u00e3o de capitais (e portanto a insufici\u00eancia do lucro).<\/p>\n<p>[NR] Um falso problema como resistir.info tem afirmado numerosas vezes.<\/p>\n<p>Acerca do Capital fict\u00edcio, ver tamb\u00e9m:<\/p>\n<p>[*] Doutorado em ci\u00eancias pol\u00edticas pelas universidade de Li\u00e8ge e de Paris VIII, porta-voz do CADTM internacional e membro do Conselho cient\u00edfico do ATTAC Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>O original encontra-se em www.cadtm.org\/&#8230;<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em https:\/\/resistir.info\/financas\/coronavirus_04mar20.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25102\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[227],"class_list":["post-25102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6wS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25102\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}