{"id":25117,"date":"2020-03-13T14:00:41","date_gmt":"2020-03-13T17:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25117"},"modified":"2020-03-13T14:00:41","modified_gmt":"2020-03-13T17:00:41","slug":"capitalismo-crise-e-caos-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25117","title":{"rendered":"Capitalismo, crise e caos social"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/shBywTpYahKVMhmMF5LVvfsv-0YxaVi_hoA-lIdp9pRlPof26iiINFwad9YhbzFVOLqZtoraXTBcOVZDQJyrjICGOtWxubW3Yym1qWl2Rvy8DAzRYo4OHdjE9FJCMv8jjrAh3CSB9nmQJuDMz7s3mRReQwaDdCNA1tza6nkkR4y11FNsWqJob26gYLGwLt2GlD03IxM4qPJ_1UPyy6n5WRnkqWsR7Gt4Ao3dLh6Uehy9voT-Dv9IvS6ql4cns9uNryJAVxlWsjVEim86XdTm0L2OnTY75pWg5eq9ucIR7tfM7NSrszBzPsaD0AncRoZj4kPHMskk6yHvBbxHfyKFQgreuEZixWoQwF56F3lf9BdeRrIvbY3vfU0KZkf1yVZik7DpJjxnh28rBznFK-HbLh0Lr0mpRekf3_EKnupDxXpYvcLxpRZpYu5chBgMEFiGXAlIQ4g0qwWJktGw9RjQAPDyGp7q1a5xE3sFEcE4gcNLpIApvng4WUJR_ImdGWptCaXje-sE6idtk5Yo4hebhrP_f51qjLQOuWR9Ye5hglGKsdf3x4CvU8gjEftRR5JW0_cvRB9mDcfpftzEghfTiyLU1cScjFaVg8XIZM-pmmVkmEdY2MWUbrM0xnpgGtPc7R2vk47ADMBp8cxGQce6pRv2gYAdOQ9k1TPNNJ6x6atq0n4x0QAipm3nHoPXiR5WSPW0pYtMIvmePZ3OFlX7-07hOgmgThShEI-SmHdKoflrnrE=w960-h830-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Charge: Mauro Iasi<\/p>\n<p>Lu\u00eds Fernandes &#8211; professor de Hist\u00f3ria e membro do Comit\u00ea Central do PCB<\/p>\n<p>Crise, colapso social e o exerc\u00edcio desigual da soberania dos Estados: o esfor\u00e7o de uma reflex\u00e3o militante<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da pandemia do coronav\u00edrus (COVID-19) e as disputas na geopol\u00edtica do petr\u00f3leo entre R\u00fassia e Ar\u00e1bia Saudita anteciparam uma grande turbul\u00eancia na economia capitalista global. Para os principais organismos internacionais e economistas, a desacelera\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 mesmo a recess\u00e3o do PIB mundial, no primeiro trimestre de 2020, est\u00e1 dada. Diferente de 2008, a crise \u00e9 acompanhada por sensa\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas de amplos setores da sociedade em fun\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o, sucateamento de sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade e a incapacidade dos Estados nacionais de coordenarem e planejarem medidas efetivas de combate ao custo social em curso.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ocorrer uma grande queima de capitais fict\u00edcios nas bolsas de valores, se o novo v\u00edrus parece ser inofensivo para os jovens, entre os idosos as taxas de mortalidades e interna\u00e7\u00e3o s\u00e3o significativas. Tirando os casos de Estados com planejamento central como China, Cuba e Vietn\u00e3, a maioria dos infectologistas j\u00e1 reconhecem que as medidas de controle da pandemia nos pa\u00edses ocidentais s\u00e3o insuficientes. Ou seja, a atual crise evidencia cada vez mais os limites civilizat\u00f3rios da acumula\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o mundial do capitalismo. Seguindo os cl\u00e1ssicos do marxismo, o capital \u00e9 valor que busca se valorizar incessantemente e as crises cumprem um papel de \u201cqueimar\u201d capitais em excesso, assim como for\u00e7as produtivas, incluindo trabalhadores.<\/p>\n<p>Para muitos articulistas liberais de direita e esquerda diante do predom\u00ednio da atividade financeira, a lei do valor desenvolvida por Marx estaria ultrapassada para se compreender a din\u00e2mica contempor\u00e2nea capitalista. A economia financeira existe muito antes do neoliberalismo. O pr\u00f3prio Marx, em seu tempo, j\u00e1 identificava, em seu tempo, a exist\u00eancia de capitais que tinham como finalidade n\u00e3o a troca de diferentes valores de uso, mas a simples valoriza\u00e7\u00e3o do valor. O que \u00e9 peculiar a esse capital \u00e9 a forma externa de retorno, apartada do ciclo mediador. O capitalista que cede o empr\u00e9stimo aparta-se de seu capital, transfere-o ao capitalista industrial, sem receber em troca um equivalente. Sua cess\u00e3o n\u00e3o constitui de modo algum um ato do processo c\u00edclico efetivo do capital, mas o introduz mediante o ciclo que o capitalista industrial tem de realizar. Essa primeira mudan\u00e7a de lugar do dinheiro n\u00e3o expressa nenhum ato da metamorfose, nem compra nem venda. O que constatamos no capital portador de juros, tanto na devolu\u00e7\u00e3o como na cess\u00e3o do capital, \u00e9 mero resultado de uma transa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica entre propriet\u00e1rio do capital e uma segunda pessoa. O que vemos \u00e9 apenas cess\u00e3o e devolu\u00e7\u00e3o. Tudo que se encontra entre esses dois polos se esfuma.<\/p>\n<p>Segundo Marx, a exterioriza\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o capitalista sob a forma do capital portador de juros gera novas fun\u00e7\u00f5es para os bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras. Essas institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas absorvem bols\u00f5es de dinheiro inativo onde quer que estejam e os convertem em capital-dinheiro ao emprest\u00e1-los a qualquer um que esteja interessado em aproveitar oportunidades lucrativas de investimento. Na posi\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rias, as institui\u00e7\u00f5es financeiras agem como o capital comum da classe capitalista. Elas desempenham um papel decisivo na acelera\u00e7\u00e3o da equaliza\u00e7\u00e3o da taxa de lucro, retirando fundos daqueles que trabalham com setores econ\u00f4micos de baixa rentabilidade e redirecionando-os para onde quer que a taxa de lucros seja mais alta. Tamb\u00e9m t\u00eam certo poder de cria\u00e7\u00e3o de dinheiro, independentemente de qualquer aumento na vaz\u00e3o de valor.<\/p>\n<p>O estouro das bolsas, com as devidas media\u00e7\u00f5es, \u00e9 o estouro da lei do valor. Trata-se de um afastamento crescente entre valor realizado e valor prometido, tornando-se um grande risco para o grande capital, em especial quando os grandes especuladores percebem que sua expectativa de lucratividade n\u00e3o poder\u00e1 ser honrada, em outras palavras, quando as mais-valias financeiras jamais poder\u00e3o ser realizadas por falta de mais-valia suficiente na produ\u00e7\u00e3o. Esse crescente descolamento e forma\u00e7\u00e3o de grandes bolhas financeiras possuem determina\u00e7\u00f5es multicausais e complexas, j\u00e1 esmiu\u00e7adas por alguns economistas marxistas como Michael Roberts e Eric Toussaint. No entanto, nesse pequeno texto de esfor\u00e7o militante destacamos o papel da d\u00edvida privada, os seus elos com a geopol\u00edtica do Petr\u00f3leo e o ciclo de juros baixos.<\/p>\n<p>O papel da d\u00edvida privada das corpora\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>No dia 10\/03, foi publicado um curioso artigo no Financial Times, assinado pela articulista Ranna Foroohar, onde se afirmava que a dita recupera\u00e7\u00e3o da economia norte-americana p\u00f3s 2008 dependeu de bolhas de ativos para sobreviver. Isto \u00e9, a pol\u00edtica de est\u00edmulos monet\u00e1rios nos EUA geriu uma economia que dependia de juros baixos para puxar o pre\u00e7o dos ativos. A crescente desindustrializa\u00e7\u00e3o, estagna\u00e7\u00e3o da produtividade e compress\u00e3o dos sal\u00e1rios potencializaram o avan\u00e7o das desigualdades sociais no centro do capitalismo. J\u00e1 as pol\u00edticas de inje\u00e7\u00e3o de trilh\u00f5es de d\u00f3lares no mercado financeiro por parte dos governos engordaram a rentabilidade do grande capital.<\/p>\n<p>Antes mesmo do avan\u00e7o da epidemia e da crise nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, a economia mundial j\u00e1 dava sinais de desacelera\u00e7\u00e3o. A economia estadunidense crescia em m\u00e9dia apenas 2 %, a It\u00e1lia, t\u00e3o afetada pelo v\u00edrus, enfrentava 17 meses seguidos de decl\u00ednio de sua produ\u00e7\u00e3o industrial, a UE e o Jap\u00e3o, esse \u00faltimo com todo est\u00edmulo de juros negativos, cresciam apenas 1%. Enquanto isso, os pa\u00edses ditos emergentes (com exce\u00e7\u00e3o da China), como o Brasil, vivem um ciclo de estagna\u00e7\u00e3o e fuga de capitais. Se, em 2008, o estouro da bolsa se deu a partir dos t\u00edtulos podres ligados ao mercado imobili\u00e1rio, em 2020, grande parte do p\u00e2nico nos mercados financeiros, al\u00e9m das instabilidades t\u00edpicas do capitalismo de cassino, tamb\u00e9m se deve \u00e0 dif\u00edcil equa\u00e7\u00e3o para o refinanciamento da d\u00edvida privada das empresas, em especial as de grande capital.<\/p>\n<p>Quando falamos de grande capital, nos referimos ao capital financeiro hipercentralizado na atual etapa neoliberal de acumula\u00e7\u00e3o. A partir de dados de 2009, coletados do peri\u00f3dico \u201cFinancial Times\u201d, constatamos o alto grau de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o dos capitais. Grandes empresas controlam a maior parte do mercado mundial. Por exemplo: 10 grandes empresas farmac\u00eauticas controlam 69% do mercado; no ramo de autom\u00f3veis, as 10 maiores controlam 77%; no setor de equipamentos de telefonia m\u00f3vel, as tr\u00eas l\u00edderes dominam 77% do mercado; e o caso mais espantoso \u00e9 nos avi\u00f5es comerciais de grande porte, onde duas empresas controlam 100% do mercado mundial.<\/p>\n<p>Sendo assim, os dados de endividamento das grandes corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o alarmantes. Segundo reportagem rec\u00e9m divulgada no \u201cValor Econ\u00f4mico\u201d, empresas n\u00e3o financeiras de pa\u00edses imperialistas e dos \u201cemergentes\u201d precisam refinanciar cerca de 1,3 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2020. Em 4 anos, a fatura a pagar \u00e9 de 4,4 trilh\u00f5es. Para manter a sua rentabilidade, essas empresas necessitam ampliar sua margem de lucro num cen\u00e1rio de retra\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. Em 2019, o montante total da d\u00edvida privada das corpora\u00e7\u00f5es alcan\u00e7ou 13,5 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, duas vezes mais que em 2008! A maior parte dessa d\u00edvida (mais de 10 trilh\u00f5es) est\u00e1 concentrada em pa\u00edses da OCDE.<\/p>\n<p>Nos EUA, um dos setores mais endividados \u00e9 o da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Desde 2008, esse pa\u00eds deixou de ser um dos maiores importadores de petr\u00f3leo para se tornar o segundo maior exportador do produto do mundo, gra\u00e7as \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de uma t\u00e9cnica chamada fracking [faturamento hidr\u00e1ulico], que permitiu enorme aumento da produ\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica de juros baixos e grande liquidez do mercado de capitais ajuda a prosperar essas empresas. A a\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, que fez desabar o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, fundamentalmente, foi uma resposta ao cerco e \u00e0s san\u00e7\u00f5es norte-americanas atrav\u00e9s de um ataque econ\u00f4mico aos EUA, tendo em vista que o mercado financeiro \u00e9 o grande credor dessas empresas petroleiras e o risco do n\u00e3o pagamento das d\u00edvidas aumentou.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da quest\u00e3o geopol\u00edtica em si, podemos suspeitar que, diante do aumento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo nos EUA e da descoberta do pr\u00e9 sal no Brasil, h\u00e1 uma superprodu\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo acompanhada da diminui\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho necess\u00e1rio para a produ\u00e7\u00e3o dessa mercadoria, fazendo reduzir o seu valor, mas, at\u00e9 ent\u00e3o, por outras determina\u00e7\u00f5es, mantendo pre\u00e7os altos. Cen\u00e1rio que pode se repetir tamb\u00e9m com outras mercadorias e cadeias produtivas.<\/p>\n<p>Sendo assim, longe de esgotar o tema, h\u00e1 uma clara tend\u00eancia do ponto de vista do capital a pressionar no curto, m\u00e9dio e longo prazo a press\u00e3o por extra\u00e7\u00e3o de mais valia dos trabalhadores, principalmente relativa, atrav\u00e9s de investimentos em produtividade nos centros imperialistas, como na Alemanha e Jap\u00e3o, ou mesmo absoluta, com o avan\u00e7o da total desregulamenta\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho e expropria\u00e7\u00f5es variadas na periferia do capitalismo. Essa tend\u00eancia entra em contradi\u00e7\u00e3o com a necessidade de realiza\u00e7\u00e3o da massa de mais valia, isto \u00e9, atrav\u00e9s da circula\u00e7\u00e3o de mercadoria. O trabalhador, no capitalismo, al\u00e9m de produz a riqueza tamb\u00e9m \u00e9 fonte da realiza\u00e7\u00e3o de sua explora\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do consumo. Nesse sentido, a atual din\u00e2mica neoliberal de acumula\u00e7\u00e3o imp\u00f5e uma dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o da chamada demanda efetiva no mundo.<\/p>\n<p>A crise e o exerc\u00edcio desigual da soberania dos Estados<\/p>\n<p>Al\u00e9m da lei do valor, a atual crise sist\u00eamica tende tamb\u00e9m a atenuar outra tend\u00eancia do capitalismo, em sua fase imperialista: o seu desenvolvimento desigual. A din\u00e2mica do desenvolvimento desigual do capitalismo tamb\u00e9m se relaciona com as diversas formas pol\u00edticas do Estado capitalista. Na atual fase de mundializa\u00e7\u00e3o financeira, apesar do desmantelamento de estruturas pol\u00edticas e econ\u00f4micas estatais, para o grande capital financeiro o Estado segue sendo um instrumento fundamental para garantir as condi\u00e7\u00f5es gerais de sua reprodu\u00e7\u00e3o e, mais do que isso, necessita de um sistema interestatal para garantir a atual etapa de mundializa\u00e7\u00e3o financeira. Segundo o intelectual marxista latino americano Jaime Os\u00f3rio, \u00e9 essencial para o sistema mundial capitalista operar com o exerc\u00edcio desigual de soberania entre os centros e periferias. Mais do que uma divis\u00e3o ou deslocamento do poder, houve uma tremenda centraliza\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o das hierarquias no sistema imperialista.<\/p>\n<p>Mesmo no interior do campo imperialista, \u00e9 poss\u00edvel identificar que, por exemplo, os EUA possuem muito mais mecanismos para enfrentar a crise capitalista, se comparado a outros pa\u00edses como a Alemanha e o Jap\u00e3o. Ao possu\u00edrem a hegemonia do d\u00f3lar, maior for\u00e7a militar e serem considerados o grande porte seguro para os capitais, os EUA conseguem drenar grande parte dos capitais e da mais valia produzida no capitalismo, mesmo num cen\u00e1rio de recuo de seu setor industrial e aumento das desigualdades. Esse exerc\u00edcio desigual de soberania que repercute em diferentes instrumentos de pol\u00edtica econ\u00f4mica entre os Estados imperialistas tamb\u00e9m merece maior aten\u00e7\u00e3o e estudo.<\/p>\n<p>No Brasil, nos \u00faltimos dias, se ensaiaram algumas dissid\u00eancias no interior do pensamento liberal sobre a atual agenda austera e de contrarreformas econ\u00f4micas, administrativas e sociais. Segundo a economista ligada ao instituto Millenium, Monica de Bolle, com a mudan\u00e7a de cen\u00e1rio o governo deveria adotar medidas contrac\u00edclicas, a partir da PEC do teto dos gastos p\u00fablicos. O presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia, em entrevista para a famigerada neoliberal Miriam Leit\u00e3o, defendeu que o pa\u00eds deveria adotar algumas medidas emergenciais para a crise, sem abandonar, claro, a agenda de reformas.<\/p>\n<p>Entre os chamados heteredoxos e intelectuais progressistas, seriam flagrantes a incompet\u00eancia e a insensatez de tais ideias austeras, predominantes nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, economistas e agentes do Estado, levando, notoriamente, o pa\u00eds para um enorme desmonte e abismo social. O que devemos notar \u00e9 que, desde 2015, ainda sob governo Dilma, a ideia de um \u201cEstado falido\u201d, \u201ccrise fiscal\u201d e a necessidade de reformas do Estado a fim de que a Constitui\u00e7\u00e3o \u201ccaiba no or\u00e7amento\u201d ganhou imenso terreno e hegemonia nas pol\u00edticas governamentais.<\/p>\n<p>Se essas pol\u00edticas, em grande parte, est\u00e3o nos levando para uma nova \u201cd\u00e9cada perdida\u201d em termos de crescimento, reprimariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e mudan\u00e7as significativas em nossa pauta exportadora, elas tamb\u00e9m garantiram o avan\u00e7o da desnacionaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a centraliza\u00e7\u00e3o de capitais, aumento das margens dos lucros das maiores empresas n\u00e3o financeiras e a valoriza\u00e7\u00e3o de ativos financeiros. A hist\u00f3ria do neoliberalismo j\u00e1 nos mostra que a rentabilidade dos capitais n\u00e3o necessariamente leva a desenvolvimento, gera\u00e7\u00e3o de empregos e promo\u00e7\u00e3o de direitos sociais, muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Sem menosprezar poss\u00edveis disputas interburguesas, est\u00e1 n\u00edtido que a insist\u00eancia de Guedes, Rede Globo e outros agentes na import\u00e2ncia das \u201creformas\u201d para combater a crise \u00e9 mais uma constata\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos do atual governo e do remodelamento do Estado dependente com os interesses do grande capital financeiro internacional, em associa\u00e7\u00e3o com parte da burguesia brasileira que lucra com o processo de centraliza\u00e7\u00e3o de capitais em curso.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das pautas pela revoga\u00e7\u00e3o do teto de gastos, contrarreformas da previd\u00eancia e trabalhista, \u00e9 de suma import\u00e2ncia que as for\u00e7as populares apresentem uma plataforma de lutas concretas contra o neoliberalismo, que reforce a l\u00f3gica de promo\u00e7\u00e3o de direitos, direito ao trabalho, estatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas estrat\u00e9gicas, fortalecimento dos bancos p\u00fablicos como promotores do desenvolvimento social, planejamento estatal e investimento p\u00fablico direto, com o controle progressivo dos capitais, em especial o especulativo curto-pracista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25117\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[9],"tags":[222],"class_list":["post-25117","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6x7","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}