{"id":25197,"date":"2020-03-26T22:26:02","date_gmt":"2020-03-27T01:26:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25197"},"modified":"2020-03-26T22:26:02","modified_gmt":"2020-03-27T01:26:02","slug":"quem-fara-a-ruptura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25197","title":{"rendered":"Quem far\u00e1 a ruptura no Brasil?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2020\/03\/cr2jl22hmkkbaab3ujqrxjdpfa.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Milton Pinheiro<\/p>\n<p>BLOG DA BOITEMPO<\/p>\n<p>Com o advento do coronav\u00edrus no quadro de condensa\u00e7\u00e3o de crises no qual nos encontramos, abriu-se uma disjuntiva com for\u00e7a na luta de classes: ou a classe trabalhadora derruba Bolsonaro ou o militar-presidente, na sua l\u00f3gica bonapartista, far\u00e1 a ruptura no Brasil.<\/p>\n<p>O aprofundamento da crise brasileira, iniciada pelas contendas entre as fra\u00e7\u00f5es da burguesia interna quando do afastamento da presidente Dilma, fugiu ao controle desses segmentos e autonomizou-se com a chegada ao governo do nefasto agitador fascista, Jair Bolsonaro. A incapacidade pol\u00edtico-administrativa do militar-presidente tem acelerado o quadro de condensa\u00e7\u00e3o de crises no qual o Brasil, com o advento do coronav\u00edrus, est\u00e1 desenvolvendo.<\/p>\n<p>A grave crise sist\u00eamica da ordem do capital tem operado mudan\u00e7as dr\u00e1sticas no capitalismo, desvelando seu car\u00e1ter corrosivo, modificando o papel do Estado na rela\u00e7\u00e3o com o processo de acumula\u00e7\u00e3o da burguesia. Nessa nova din\u00e2mica, o Estado capitalista foi capturado para esse patamar de uma reiterada tentativa de encontrar formas extremas no processo de revaloriza\u00e7\u00e3o do capital e, sendo assim, avan\u00e7ar na espolia\u00e7\u00e3o de forma agressiva. Aproveitando-se desse controle, a ordem do capital estabeleceu uma plataforma ideol\u00f3gica cuja domina\u00e7\u00e3o alterou consistentemente a subjetividade do proletariado e imp\u00f4s o individualismo como conduta pol\u00edtica para a l\u00f3gica cotidiana do senso comum.<\/p>\n<p>Afirma-se, portanto, uma permanente crise sist\u00eamica que se alimentou dos passos incontorn\u00e1veis que a crise de 2008 trilhou, sendo importante registrar que ela j\u00e1 manifestava sinais anteriores a esse epifen\u00f4meno. Por\u00e9m, ao examinar a crise a partir de datas c\u00edclicas, a vulgata econ\u00f4mica (posi\u00e7\u00e3o neocl\u00e1ssica) n\u00e3o consegue responder ao debate em curso e apresenta uma an\u00e1lise de elevador, apenas justificando o que sobe e o que desce em sua constante fuga da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na ordem sociometab\u00f3lica do sistema do capital a estagna\u00e7\u00e3o capitalista e a d\u00edvida das empresas com bancos privados t\u00eam sido a dupla farsa do jogo de apar\u00eancias para executar uma grotesca expropria\u00e7\u00e3o de mais-valia. Ao lado dessa opera\u00e7\u00e3o, o imperialismo reacendeu a sua formata\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria: crise e guerra, o que possibilitou \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus desvelar a face oculta do capitalismo: a extra\u00e7\u00e3o de mais-valia.<\/p>\n<p>A crise em curso tem demonstrado que o neoliberalismo est\u00e1 cada mais exposto, suas caracter\u00edsticas primordiais que s\u00e3o as contrarreformas na ordem\/forma do Estado capitalista apresentam-se comprovadamente como falsa solu\u00e7\u00e3o. A cena pol\u00edtica tende a ser desvelada e a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pode modificar de forma c\u00e9lere em escala global.<\/p>\n<p>O governo de extrema direita do fascista Jair Bolsonaro colocou o Brasil no laborat\u00f3rio do Caos Controlado. A vis\u00e3o spenceriana (pol\u00edtica p\u00fablica de desarticula\u00e7\u00e3o do acompanhamento social aos pobres) no comando da l\u00f3gica do mercado cria um sentido para que se projete um caos na vida social. Esse projeto tem destru\u00eddo a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior, a ci\u00eancia e a pesquisa, ao tempo em que ataca de forma sem precedente a sa\u00fade, portanto, colocando em risco de morte a popula\u00e7\u00e3o mais carente no Brasil.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do Caos Controlado permitiu que o governo ampliasse, atrav\u00e9s das redes de cont\u00e1gios (as v\u00e1rias redes virtuais), a agita\u00e7\u00e3o fascista atrav\u00e9s do militar-presidente e implementasse pautas obscurantistas na ordem dos costumes, contrariando o m\u00ednimo de progresso que existia nas rela\u00e7\u00f5es da superestrutura.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do projeto de governo, Bolsonaro tem consolidado um grupo palaciano formado por militares que s\u00e3o contra a soberania do Brasil e que, apesar de n\u00e3o integrar a burguesia, grosso modo opera o Estado brasileiro na perspectiva de facilitar a\u00e7\u00f5es para o pleno exerc\u00edcio econ\u00f4mico daquelas fra\u00e7\u00f5es da burguesia que conformam o bloco no poder, em especial, aquelas que agem a partir do capital financeiro e do pequeno c\u00edrculo monopolista do varejo.<\/p>\n<p>A \u00e1rea econ\u00f4mica do governo, comandada pelo operador de fundos de pens\u00e3o, Paulo Guedes, j\u00e1 demonstrou desconhecimento macroecon\u00f4mico e completa incapacidade para atuar no setor p\u00fablico. O Caos Controlado est\u00e1 fugindo do controle do governo do ponto de vista econ\u00f4mico, direcionando-se para aventuras imprevis\u00edveis no cen\u00e1rio da pol\u00edtica econ\u00f4mica, cujo primeiro sinal \u00e9 a estagna\u00e7\u00e3o e a queda sem limite da proje\u00e7\u00e3o do PIB. A recente queda das bolsas, inclusive no Brasil, estimulada pelo avan\u00e7o do v\u00edrus, est\u00e1 sendo colocada como elemento central da crise. Contudo, a crise sist\u00eamica j\u00e1 havia encapsulado o governo do militar-presidente, diante da sua incapacidade, e se estabelecido de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O governo do militar-bonapartista Jair Bolsonaro tem privilegiado o capital financeiro, atacado o setor p\u00fablico e beneficiado o capital monopolista e suas empresas. Contudo, apesar das tradicionais fra\u00e7\u00f5es da burguesia n\u00e3o terem, at\u00e9 este momento, aprimorado o duelo entre elas, avan\u00e7ou a pequena pol\u00edtica de balc\u00e3o com o est\u00edmulo do Pal\u00e1cio do Planalto para o imediato sequestro do fundo p\u00fablico.<\/p>\n<p>O caos pol\u00edtico tem estimulado proje\u00e7\u00f5es e come\u00e7am a iluminar a luta de classes. Com o prov\u00e1vel acirramento da condensa\u00e7\u00e3o de crises existe uma consistente possibilidade das fra\u00e7\u00f5es burguesas que, at\u00e9 aqui, restringiram seus confrontos ao ambiente do balc\u00e3o, alimentarem o confronto entre elas e o imponder\u00e1vel entrar em cena, com escolhas pol\u00edticas mais abruptas.<\/p>\n<p>O governo da repeti\u00e7\u00e3o monetarista tem usado as reservas cambiais para conter o d\u00f3lar, ao lado disso sinaliza com um prov\u00e1vel aporte para permitir que os bancos continuem na zona de conforto; o farol da escolha acendeu uma op\u00e7\u00e3o pela fra\u00e7\u00e3o financeira dentro do bloco no poder. Mas, a l\u00f3gica da insensatez \u00e9 a marca registrada do governo. Apesar da imensa subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 geopol\u00edtica estadunidense, e, em particular, aos ditames do despachante da Casa Branca, Donald Trump, o governo do agitador fascista provavelmente se manter\u00e1 ainda mais distante da defesa da economia global e procurar\u00e1 sa\u00eddas dentro da l\u00f3gica da pequena pol\u00edtica numa configura\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica antiglobalista e de conte\u00fado fascista para afirmar o projeto da extrema direita.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do caos controlado est\u00e1 fugindo ao controle do chefe fascista no Brasil. A convoca\u00e7\u00e3o para que a sua base de apoio fosse \u00e0s ruas contra o STF, o Congresso Nacional e a esquerda, em momento de forte manifesta\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica, abriu algumas possibilidades para a constitui\u00e7\u00e3o de um novo cen\u00e1rio. Todavia, existe uma quest\u00e3o, a pauta do capital monopolista no Brasil ser\u00e1 efetivada na infraestrutura e na superestrutura com a vis\u00edvel condensa\u00e7\u00e3o da instabilidade?<\/p>\n<p>Essa condensa\u00e7\u00e3o de crises, causada pela expans\u00e3o do v\u00edrus e da crise econ\u00f4mica, tem levado Bolsonaro a jogar sua lideran\u00e7a na aposta pelo isolamento pol\u00edtico e na hist\u00e9rica defesa do capital financeiro e do varejo. Ao afirmar que o v\u00edrus, no Brasil, ser\u00e1 uma gripe sem maior import\u00e2ncia, ele garante, se isso ocorrer, uma confort\u00e1vel presen\u00e7a entre as massas e pode avan\u00e7ar no seu projeto bonapartista. Contudo, se houver a confirma\u00e7\u00e3o dos especialistas de que o v\u00edrus ser\u00e1 letal em nosso pa\u00eds, Bolsonaro recorrer\u00e1 ao que ainda tem: expressivos segmentos neopentecostais, hordas de policiais (militares e civis), setores das For\u00e7as Armadas e seguran\u00e7as privados, bem como extratos racistas da pequena burguesia (classe m\u00e9dia), latifundi\u00e1rios e assaltantes de terras para operar o mesmo projeto: a ruptura da ordem institucional.<\/p>\n<p>Nesse quadro de possibilidades, dentro do novo cen\u00e1rio, percebe-se que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na luta de classes tem se alterado. Existe presen\u00e7a de massa para o fora Bolsonaro, contudo, precisamos ir mais longe. A emerg\u00eancia da crise sist\u00eamica, o ataque imperialista no mundo, a l\u00f3gica do ataque aos trabalhadores, a escassez em tempos de abund\u00e2ncia, a tentativa de destruir as diversas identidades que s\u00e3o desrespeitadas no capitalismo em curso, nos permite analisar que s\u00f3 o proletariado com seu freio hist\u00f3rico conter\u00e1 a barb\u00e1rie, o golpe da extrema direita e o fascismo em curso. Abriu-se uma disjuntiva com for\u00e7a na luta de classes: ou a classe trabalhadora derruba Bolsonaro ou o militar-presidente, na sua l\u00f3gica bonapartista, far\u00e1 a ruptura no Brasil.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Milton Pinheiro \u00e9 Cientista Pol\u00edtico e professor Titular de Hist\u00f3ria Pol\u00edtica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Autor\/Organizador de v\u00e1rios livros, entres eles, Ditadura: o que resta da transi\u00e7\u00e3o (Boitempo, S\u00e3o Paulo, 2014). Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2020\/03\/26\/quem-fara-a-ruptura-no-brasil\/\">Quem far\u00e1 a ruptura no&nbsp;Brasil?<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25197\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[221],"class_list":["post-25197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6yp","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25197\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}