{"id":25203,"date":"2020-03-27T21:32:14","date_gmt":"2020-03-28T00:32:14","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25203"},"modified":"2020-03-27T21:32:14","modified_gmt":"2020-03-28T00:32:14","slug":"salvar-o-capital-ou-salvar-o-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25203","title":{"rendered":"Salvar o capital ou salvar o povo?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\"  alt=\"imagem\"  src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.aljazeera.com\/mritems\/Images\/2020\/3\/23\/b43160fdd3d6434c8ebe4159c999468c_18.jpg\"\/><!--more-->\u2013 Expropriar os bancos, as empresas estrat\u00e9gicas e naturalmente a sa\u00fade privada, inclusive as farmac\u00eauticas<\/p>\n<p>por \u00c1ngeles Maestro &#8211;\u00a0M\u00e9dica, dirigente da Red Roja (Espanha)<\/p>\n<p>A atual crise sanit\u00e1ria e social tem propor\u00e7\u00f5es gigantescas e consequ\u00eancias ainda por se determinar, sem compara\u00e7\u00e3o desde h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 ultrapassada enquanto os hospitais de gest\u00e3o privada com financiamento p\u00fablico olham para o outro lado, mant\u00eam boa parte das suas instala\u00e7\u00f5es fechadas e continuam a sua atividade habitual. As seguradoras privadas, em meio \u00e0 trag\u00e9dia, multiplicam a publicidade pretendendo aproveitar-se da ang\u00fastia das pessoas enquanto aproveitam as medidas do governo para reduzir o seu pessoal.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, surge uma aut\u00eantica hecatombe social.<\/p>\n<p>O confinamento decretado para tentar minimizar os cont\u00e1gios revelou toda a magnitude da criminosa desordem capitalista. A pol\u00edcia, a guarda civil e o ex\u00e9rcito tomaram as ruas para evitar que as pessoas saiam de casa sem motivo justificado enquanto se deixa ao livre arb\u00edtrio do grande capital manter ou n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o. A incongru\u00eancia produz situa\u00e7\u00f5es aberrantes como trabalhadores e trabalhadoras indo trabalhar em setores n\u00e3o indispens\u00e1veis, apinhadas no metr\u00f4, enquanto o ex\u00e9rcito com metralhadora em punho ou a pol\u00edcia as impedem de dar um passeio pelo seu bairro no fim de semana. Ao mesmo tempo, a redes sociais refletem um n\u00famero crescente de abusos, arbitrariedades e brutalidade policial na aplica\u00e7\u00e3o, precisamente, da Lei Morda\u00e7a.<\/p>\n<p>De fato, as empresas que fecharam fizeram-no, na maioria dos casos, em consequ\u00eancia da exig\u00eancia do pessoal. Milhares de empresas mant\u00eam sua produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os n\u00e3o essenciais; e fazem-no expondo seu pessoal \u2013 mesmo com casos e sintomas positivos e sob amea\u00e7a de demiss\u00e3o \u2013 a correr o risco de cont\u00e1gio e de se converterem em novas fontes de infec\u00e7\u00e3o. Um dos muitos casos relatados foi o da multinacional dinamarquesa VESTAS, que fabrica turbinas e\u00f3licas e obriga os seus 1.300 funcion\u00e1rios a trabalhar na sua sede em Saragoza, apesar de ter v\u00e1rios casos confirmados de Coronav\u00edrus. Os sindicatos denunciaram que esta empresa armazena e esconde milhares de m\u00e1scaras, luvas de nitrilo, \u00f3culos e macac\u00f5es de seguran\u00e7a, etc\u00a0[1]\u00a0.<\/p>\n<p>O sindicato CGT da Airbus, depois de comprovar que tanto na empresa como em ind\u00fastrias auxiliares havia centenas de trabalhadores e trabalhadoras com sintomas \u2013 positivo ou em quarentena \u2013 e perante a recusa da empresa em parar a produ\u00e7\u00e3o, convocaram greve indefinida a partir de 30 de mar\u00e7o. O objetivo \u00e9 dar cobertura a todas as pessoas que decidam n\u00e3o comparecer ao trabalho.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 o dinheiro?<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel pensar que esta pen\u00faria desesperada de meios da sa\u00fade p\u00fablica e de mis\u00e9ria em milh\u00f5es de lares \u00e9 consequ\u00eancia da aus\u00eancia generalizada de recursos. N\u00e3o \u00e9 assim, nada que se pare\u00e7a. Recordo alguns dados relativos a fundos que saem dos Or\u00e7amentos Gerais do Estado, que v\u00e3o parar em setores de prioridade discut\u00edvel e que n\u00e3o o Estado de Alarme n\u00e3o alterou em absoluto:<\/p>\n<p>S\u00f3 o pagamento dos juros da D\u00edvida\u00a0[2]\u00a0que triplicou depois de transferir dezenas de bilh\u00f5es de euros de dinheiro p\u00fablico \u00e0 banca e que n\u00e3o foi devolvido \u2013 sem contar os vencimentos de capital \u2013 sup\u00f5e \u20ac31,4 bilh\u00f5es por ano, \u20ac86 milh\u00f5es por dia\u00a0[3]. O gasto militar \u00e9 de \u20ac31,4 bilh\u00f5es por ano, \u20ac87 milh\u00f5es por dia\u00a0[4]. As subven\u00e7\u00f5es \u00e0 igreja cat\u00f3lica, mais de \u20ac11 bilh\u00f5es\/ano, \u20ac30 milh\u00f5es\/dia\u00a0[5]. O pagamento \u00e0 casa real, oito mi milh\u00f5es de euros por ano, \u20ac22 mil\/dia\u00a0[6]\u00a0.<\/p>\n<p>A tudo isto temos de somar os dados da evas\u00e3o fiscal dos grandes bancos e empresas, que se em condi\u00e7\u00f5es normais provocam indigna\u00e7\u00e3o, hoje s\u00e3o diretamente escandalosos.<\/p>\n<p>As empresas do [\u00edndice] Ibex 35 mant\u00eam 805 filiais em para\u00edsos fiscais, 80% delas na pr\u00f3pria UE, para os quais desviam lucros empresariais, provocando perdas multimilion\u00e1rias nas receitas do Estado pelo j\u00e1 muito desvalorizado imposto sobre Sociedades. Desta forma, apesar do incremento espetacular de lucros declarados nestes \u00faltimos anos, as receitas estatais com este imposto foram a metade, ao passo que as receites provenientes de impostos indiretos como o IVA subiram 14%. Os lucros destas empresas nos anos de 2018 e 2019, segundo a CNMV, somam 77.677 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>As empresas do Ibex que mais filiais possuem em para\u00edsos fiscais s\u00e3o o Banco Santander com 207, seguindo-se ACS com 102, Repsol com 70, Ferrovial com 65 e Arcelor Mital com 55\u00a0[7]\u00a0.<\/p>\n<p>E um respirador, material pelo qual clama a sa\u00fade p\u00fablica, custa 4.000 euros.<\/p>\n<p>O grande capital aumenta seu poder com o Estado de Alarme<\/p>\n<p>E frente a esta situa\u00e7\u00e3o, que antes do coronav\u00edrus j\u00e1 partia de condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria dram\u00e1ticas para 12 milh\u00f5es de pessoas e de pen\u00faria para mais da metade da popula\u00e7\u00e3o\u00a0[9], o governo espanhol, na declara\u00e7\u00e3o do Estado de Alarme, limitou-se a p\u00f4r rid\u00edculos remendos frente ao desmoronamento social e econ\u00f4mico em curso.<\/p>\n<p>O governo estabeleceu mecanismos de controle social estritos da popula\u00e7\u00e3o, alguns deles com justifica\u00e7\u00e3o mais do que duvidosa, ao passo que o capital continua a atuar em fun\u00e7\u00e3o dos seus lucros e contra a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pelos seus pr\u00f3prios trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>As medidas econ\u00f4micas anunciadas pelo governo do PSOE-PODEMOS no passado dia 17 de mar\u00e7o, tal como ocorreu h\u00e1 uma d\u00e9cada, p\u00f5em em poder da banca e das grandes empresas a capacidade de decis\u00e3o sobre os fundos p\u00fablicos que, sem d\u00favida, v\u00e3o empregar para resgatarem-se a si pr\u00f3prias. A oligarquia econ\u00f4mica e financeira, cujas empresas e bancos est\u00e3o interpenetrados, n\u00e3o s\u00f3 se ver\u00e1 beneficiada por esta gigantesca emerg\u00eancia sanit\u00e1ria e social como \u00e9 a banca que decidir\u00e1 a que empresas concede cr\u00e9ditos com o aval do Estado e a quais n\u00e3o concede.<\/p>\n<p>Como mandam os c\u00e2nones da luta de classes, o grande capital, com o governo &#8220;progressista&#8221; a seu servi\u00e7o, mant\u00e9m o cetro do poder, ainda mais aumentado, para beneficiar-se com o desastre da imensa maioria.\u00a0Vejamos o mecanismo.<\/p>\n<p>Dos 200 bilh\u00f5es que se anunciam, 100 mil s\u00e3o avais do Estado que o governo p\u00f5e em m\u00e3os dos bancos para que os administrem. Ou seja, s\u00e3o os bancos que avaliar\u00e3o a solv\u00eancia das empresas que os solicitarem e que decidir\u00e3o a quais delas dar\u00e3o e a quais n\u00e3o dar\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da sua capacidade de assegurar a devolu\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito concedido. E sem nenhum risco, porque, se por acaso errassem na decis\u00e3o e se verificasse o n\u00e3o pagamento, o Estado atuaria com o aval.<\/p>\n<p>Existe alguma d\u00favida quanto a que empresas ser\u00e3o consideradas solventes, tendo em conta que os mesmos capitalistas s\u00e3o donos de bancos e grandes multinacionais? Haver\u00e1 alguma possibilidade de que as mais de 150 mil pequenas empresas ou os mais de tr\u00eas milh\u00f5es de aut\u00f4nomos que est\u00e3o vendo afundar os seus neg\u00f3cios acessem majoritariamente esses cr\u00e9ditos? \u00c9 evidente que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi aos bancos, portanto, que foi concedida a enorme prenda de poder vender a sua mat\u00e9ria-prima, o dinheiro, dando cr\u00e9ditos no valor da enorme soma de 100 bilh\u00f5es de euros. E vender\u00e3o seus cr\u00e9ditos \u00e0 taxa de juros &#8220;de mercado&#8221; quando o Banco Central Europeu (BCE) empresta a eles, e se emprestam entre si, \u00e0 taxa zero ou inclusive negativa\u00a0[10]\u00a0.<\/p>\n<p>A eles somar-se-\u00e3o os 750 bilh\u00f5es do BCE para comprar &#8220;ativos p\u00fablicos e privados&#8221;, ou seja, para insuflar essa enorme quantidade de dinheiro p\u00fablico mediante a compra de t\u00edtulos \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es, enquanto o risco \u00e9 assumido pelo BCE. Ou seja, a parte desses 750 bilh\u00f5es que caiba \u00e0 Espanha ir\u00e1 parar aos mesmos grandes bancos e \u00e0s mesmas empresas multinacionais.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s medidas destinadas \u00e0s necessidades mais prementes da classe oper\u00e1ria, habita\u00e7\u00e3o, luz, g\u00e1s, \u00e1gua, etc, s\u00e3o meros adiamentos de pagamentos de hipotecas e faturas, que se acumular\u00e3o para depois. E caso nos esque\u00e7amos, os credores s\u00e3o os mesmos grandes bancos e as grandes multinacionais.<\/p>\n<p>O resto das medidas do governo que impliquem gasto ir\u00e3o incrementar a D\u00edvida p\u00fablica, essa que pagamos todos, sem que ao grande capital se tenha imposto qualquer fardo. Muito pelo contr\u00e1rio, como vimos. E o que mais veremos quando &#8220;para sair da crise&#8221; reclamem redu\u00e7\u00f5es, ainda mais, no Imposto de Sociedades e outros impostos diretos.<\/p>\n<p>Na sua neglig\u00eancia criminal, porque h\u00e1 vidas a pagar por ela, o Executivo n\u00e3o assumiu medidas paliativas que foram adotadas por outros governos europeus, pelo menos durante do Estado de Alarme, como:<\/p>\n<p>Proibi\u00e7\u00e3o absoluta de demiss\u00f5es neste per\u00edodo, como na It\u00e1lia e Gr\u00e9cia, declarando nulo qualquer demiss\u00e3o que se verifique. Na It\u00e1lia, cada aut\u00f4nomo receber\u00e1 um abono de 600 euros em mar\u00e7o e abril. Na Gr\u00e9cia o Estado dar\u00e1 800 euros em abril \u00e0queles que tiverem perdido seu emprego. Na Dinamarca, o Estado pagar\u00e1 75% dos sal\u00e1rios de empresas em risco de crise em contrapartida de n\u00e3o haver demiss\u00f5es. Na Fran\u00e7a, morat\u00f3ria no pagamento de alugu\u00e9is \u00e0s PMEs, que al\u00e9m disso n\u00e3o pagar\u00e3o \u00e1gua, luz ou g\u00e1s. Na Alemanha, at\u00e9 h\u00e1 pouco gendarme da austeridade na UE, ser\u00e1 utilizado o banco p\u00fablico KfW para usar os 550 mil milh\u00f5es de euros em empr\u00e9stimos \u00e0s empresas durante a crise e ser\u00e3o usadas ajudas p\u00fablicas para que n\u00e3o haja demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste quadro resumem-se as medidas adotadas por alguns pa\u00edses. Como se pode ver, a Espanha est\u00e1 na cauda das ajudas se tivermos em conta as aprovadas at\u00e9 22 de mar\u00e7o \u00faltimo<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem100\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/espanha\/imagens\/angeles_ajudas.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><b>Estado<\/b><\/td>\n<td><b>% Total ajudas\/PIB<\/b><\/td>\n<td><b>% Ajudas directas\/PIB<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Alemanha<\/td>\n<td>22%<\/td>\n<td>19,09%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>It\u00e1lia<\/td>\n<td>20,98%<\/td>\n<td>1,40%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Reino Unido<\/td>\n<td>17,21%<\/td>\n<td>1,36%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fran\u00e7a<\/td>\n<td>14,26%<\/td>\n<td>1,86%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>EUA<\/td>\n<td>12,15%<\/td>\n<td>4,86%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Espanha<\/td>\n<td>9,40%<\/td>\n<td>1,37%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: recopila\u00e7\u00e3o de an\u00fancios governamentais (22 de mar\u00e7o) Carlos Sanchez Mato\u00a0<a href=\"https:\/\/www.resistir.info\/espanha\/angeles_26mar20.html#notas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">[11]<\/a><br \/>\nFonte: recopila\u00e7\u00e3o de an\u00fancios governamentais (22 de mar\u00e7o) Carlos Sanchez Mato\u00a0[11]<\/p>\n<p>Como se pode ver, at\u00e9 na It\u00e1lia, com um governo de direita, as medidas de choque social superam amplamente as aprovadas pelo governo espanhol.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o urgente: p\u00f4r o salvamento do povo no posto de comando<\/p>\n<p>Por muito que queiram ocultar, sob o sinistro manto do Coronav\u00edrus, \u00e9 evidente que a pandemia foi s\u00f3 o detonador de uma nova crise, de muito maior envergadura e menos margem de manobra que aquela de uma d\u00e9cada atr\u00e1s, e que j\u00e1 estava em avan\u00e7ado estado de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta conclus\u00e3o n\u00e3o tem interesse s\u00f3 para economistas. \u00c9 indispens\u00e1vel saber que quando a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria se atenuar estaremos em meio \u00e0 mais gigantesca crise social e econ\u00f4mica que se recorda.<\/p>\n<p>Os dados j\u00e1 s\u00e3o alarmantes: 50 mil demiss\u00f5es di\u00e1rias, 760 mil pessoas somaram-se a uma paralisa\u00e7\u00e3o (tempor\u00e1ria?). Na semana passada perderam-se mais empregos do que em todo o ano de 2019 e a cara da fome sem paliativos surge com intensidade progressiva nos bairros oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>O governo, como se viu, n\u00e3o abordou as responsabilidades essenciais que lhe cabem perante uma situa\u00e7\u00e3o de grave emerg\u00eancia como a atual. Nem sequer quando j\u00e1 se ouvem os estalidos da derrocada foram inclu\u00eddos nas decis\u00f5es do Conselho de Ministros de 24 de mar\u00e7o migalhas como a morat\u00f3ria ou ajudas ao pagamentos de alugu\u00e9is ou a prote\u00e7\u00e3o social mais ampla (fala-se em 70% da base reguladora) para as trabalhadoras do lar quando s\u00e3o milh\u00f5es as mulheres, chefes de fam\u00edlia, na economia submersa e que ficam sem nada ao perder o trabalho devido ao Coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>O Governo de Coliga\u00e7\u00e3o mostra com cada vez mais clareza de quem recebe as ordens e o Podemos continua a somar batalhas perdidas a mostrar que n\u00e3o serve sen\u00e3o para dar uma imagem &#8220;progressista&#8221; no relato, n\u00e3o nos fatos. Enquanto isso, cada vez mais setores da classe trabalhadora v\u00e3o descobrindo na sua pr\u00f3pria pelo que n\u00e3o se pode continuar assim.<\/p>\n<p>O conto de que n\u00e3o se pode fazer outra coisa sen\u00e3o salvar banqueiros e grandes capitalistas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 comprado por ningu\u00e9m, sobretudo depois de haver comprovado como o Rei Em\u00e9rito \u00e9 provavelmente o maior ladr\u00e3o do reino e isso quando a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00e1rdua.<\/p>\n<p>As dimens\u00f5es do desastre n\u00e3o podem ser enfrentadas sen\u00e3o com medidas que considerem as causas, n\u00e3o apenas os sintomas, e que devem constituir o programa b\u00e1sico de uma Frente para salvar o povo.<\/p>\n<p>1. Nacionaliza\u00e7\u00e3o de todos os recursos sanit\u00e1rios e planifica\u00e7\u00e3o do seu funcionamento a servi\u00e7o das necessidades de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e da prote\u00e7\u00e3o eficaz daqueles que est\u00e3o na primeira linha: os trabalhadores e trabalhadoras de todo o sistema sanit\u00e1rio.<br \/>\n2. Paralisa\u00e7\u00e3o da atividade em todos aqueles setores n\u00e3o indispens\u00e1veis para a sobreviv\u00eancia e interven\u00e7\u00e3o das empresas produtoras de recursos sanit\u00e1rios, inclu\u00eddas as farmac\u00eauticas.<br \/>\n3. Interven\u00e7\u00e3o em todas as grandes empresas de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o para impedir a fuga maci\u00e7a de capitais que j\u00e1 se verificam e declarar a fun\u00e7\u00e3o social das empresas estrat\u00e9gicas.<br \/>\n4. Expropria\u00e7\u00e3o da banca que parasita o resto da sociedade. Recusa a pagar a D\u00edvida, criada em boa parte ao transferir dinheiro p\u00fablico \u00e0 banca, e n\u00e3o aceitar os limites do gasto p\u00fablico impostos pela UE.<\/p>\n<p>S\u00f3 com estes instrumentos se pode abordar o objetivo essencial:<\/p>\n<p>5. Planifica\u00e7\u00e3o racional da economia em fun\u00e7\u00e3o das necessidades sociais.<\/p>\n<p>Em definitivo, o que \u00e9 incontorn\u00e1vel \u00e9 a necessidade de sair da barb\u00e1rie de um funcionamento social destinado com m\u00e3o f\u00e9rrea a assegurar o incremento permanente dos lucros de grandes capitalistas, \u00e0 custa da mis\u00e9ria, da sa\u00fade, da repress\u00e3o e da vida daqueles que, precisamente, criam suas riquezas.<\/p>\n<p>Junto a estas medidas inescap\u00e1veis, cuja urg\u00eancia ir\u00e1 crescendo a cada dia, surge a necessidade de construir o poder capaz de mostrar o caminho \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular que sem d\u00favida se produzir\u00e1 ap\u00f3s esta fase de confinamento e catatonia e, em definitivo, lev\u00e1-las a cabo. Com base nestas coloca\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas, enunciadas de uma maneira ou de outra, \u00e9 preciso construir uma Frente destinada \u00e0 salva\u00e7\u00e3o do povo, a partir do acordo pol\u00edtico de organiza\u00e7\u00f5es e da constru\u00e7\u00e3o de poder popular a partir da base.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria nos ensina que nos momentos de crise grave \u00e9 que se veem as coisas com mais clareza e chegou o momento de p\u00f4r m\u00e3os \u00e0 obra.<\/p>\n<p>26\/Mar\u00e7o\/2020<\/p>\n<p>[1]\u00a0https:\/\/intersindicalaragon\u00a0.<br \/>\n[2] Como se recorda, a D\u00edvida P\u00fablica triplicou em sete ano. Passou de 37% do PIB em 2007 para 100% em 2014. A rubrica mais importante pela qual se verificou este incremento espectacular foi a transfer\u00eancia aos grandes bancos de dezenas de milhares de milh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico que, como \u00e9 sabido, perante a passividade absoluta do governo, nega-se a devolver.<br \/>\nPrecisamente neste lapso de crise social agud\u00edssima, em 2011, o PSOE e o PP reformaram o artigo 135 da Constitui\u00e7\u00e3o, para juntamente com o Tratado de Estabilidade da UE considerar seu pagamento como prioridade absoluta frente a qualquer outra necessidade. At\u00e9 \u00e0 data esta considera\u00e7\u00e3o continua a ser a mesma.<br \/>\n[3]\u00a0https:\/\/byzness.elperiodico\u00a0.<br \/>\n[4]\u00a0https:\/\/www.elsaltodiario.com\/<br \/>\n[5]\u00a0https:\/\/www.elplural.com\/<br \/>\n[6]\u00a0\u00a0https:\/\/cadenaser.com\/ser\/<br \/>\n[7]\u00a0\u00a0https:\/\/www.europapress.es\/<br \/>\n[8]\u00a0\u00a0https:\/\/www.elconfidencial\u00a0.<br \/>\n[9]\u00a0\u00a0https:\/\/www.rtve.es\/noticias\/<br \/>\n[10]\u00a0\u00a0https:\/\/www.lavanguardia.com\/<br \/>\n[11]\u00a0\u00a0https:\/\/elmundoencifras.es\/<\/p>\n<p>O original encontra-se em\u00a0www.redroja.net\/&#8230;<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em\u00a0https:\/\/resistir.info\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25203\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[233],"class_list":["post-25203","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6yv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25203","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25203"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25203\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25203"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25203"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25203"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}