{"id":25217,"date":"2020-03-29T21:42:42","date_gmt":"2020-03-30T00:42:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25217"},"modified":"2020-03-29T21:42:42","modified_gmt":"2020-03-30T00:42:42","slug":"notas-sobre-misteriosa-criatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25217","title":{"rendered":"Notas sobre misteriosa criatura"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/fm.cnbc.com\/applications\/cnbc.com\/resources\/img\/editorial\/2016\/12\/08\/104153840-GettyImages-595710916.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->CR\u00cdTICA DA ECONOMIA<\/p>\n<p>por Jos\u00e9 Martins<\/p>\n<p>A t\u00e3o esperada crise geral (catastr\u00f3fica) do capital faz seus primeiros e assustadores estragos na ordem capitalista mundial. Como em todo retorno desta misteriosa criatura, as ideias dos economistas e demais porta vozes dos empres\u00e1rios a respeito s\u00e3o as mais despirocadas poss\u00edveis.<\/p>\n<p>O problema fica mais instigante ainda porque esta n\u00e3o \u00e9 uma crise comum, uma \u201crecess\u00e3o\u201d como eles dizem. Pior ainda: a crise do coronav\u00edrus! Por isso, essas ideias da economia pol\u00edtica vulgar ficar\u00e3o ainda mais in\u00fateis para esclarecer qualquer coisa do que est\u00e1 acontecendo na medida em que inimagin\u00e1veis massas de for\u00e7as produtivas sociais \u2013 e de sua contra face de milh\u00f5es de trabalhadores produtivos de valor e de mais-valia \u2013 forem sendo rapidamente sucateadas e amontoadas em todas as principais economia do mercado mundial.<\/p>\n<p>S\u00f3 a classe prolet\u00e1ria internacional disp\u00f5e de uma atual\u00edssima teoria econ\u00f4mica \u2013 a \u201ceconomia pol\u00edtica dos trabalhadores\u201d, como Marx gostava de chamar sua pr\u00f3pria teoria \u2013 capaz de orientar a an\u00e1lise das crises do sistema capitalista, tal como se desenrolam com \u00edmpetos cada vez mais destrutivos, neste in\u00edcio de s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>Monumentais epidemias sociais em escala planet\u00e1ria. J\u00e1 nos Princ\u00edpios do Comunismo (1843) e no Manifesto do Partido Comunista (1848), Marx e Engels definiam da seguinte maneira essas modernas crises do regime capitalista:<\/p>\n<p>\u201c H\u00e1 muitas d\u00e9cadas a hist\u00f3ria da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio se apresenta como a revolta das for\u00e7as produtivas modernas contra as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o modernas, contra o sistema de propriedade que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia da burguesia e do seu regime. Basta lembrar as crises econ\u00f4micas peri\u00f3dicas que amea\u00e7am cada vez mais a exist\u00eancia da sociedade burguesa. Nestas crises s\u00e3o destru\u00eddas n\u00e3o s\u00f3 uma grande parte dos produtos j\u00e1 criados mas tamb\u00e9m das for\u00e7as produtivas instaladas. Explode uma epidemia social que em qualquer outra \u00e9poca pareceria um absurdo: a epidemia da superprodu\u00e7\u00e3o. Bruscamente, a sociedade se encontra novamente relan\u00e7ada em um estado de barb\u00e1rie moment\u00e2neo: \u00e9 como se uma fome, uma guerra de destrui\u00e7\u00e3o universal tivesse cortado seus alimentos; a ind\u00fastria, o com\u00e9rcio, parecem aniquilados. E por que? Porque a sociedade tem muita civiliza\u00e7\u00e3o, muitos alimentos, muita ind\u00fastria, muito com\u00e9rcio. As for\u00e7as produtivas que ela disp\u00f5e j\u00e1 n\u00e3o agem mais a favor da propriedade burguesa. Ao contr\u00e1rio, elas se tornaram, muito potentes para as institui\u00e7\u00f5es burguesas, que n\u00e3o lhe s\u00e3o mais do que entraves; e quando elas superam esses entraves precipitam toda a sociedade burguesa na desordem e colocam em perigo a exist\u00eancia da propriedade burguesa. As institui\u00e7\u00f5es burguesas tornaram-se muito estreitas para conter a riqueza que elas criaram\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComo a burguesia supera essas crises que se repetem quase regularmente, a cada cinco a sete anos? De um lado, impondo a destrui\u00e7\u00e3o de uma massa de for\u00e7as produtivas; de outro lado, se amparando de novos mercados e aprofundando a explora\u00e7\u00e3o dos antigos. O que isso quer dizer? Que ela prepara crises mais gerais e mais profundas, ao mesmo tempo em que reduz os meios de preveni-las\u201d \u2013 KARL MARX OEUVRES ECONOMIE I.. \u2026 Edi\u00e7\u00e3o traduzida do alem\u00e3o para o franc\u00eas e com anota\u00e7\u00f5es de Maximilien RUBEL. \u2026 GALLIMARD \/ BIBLIOTHEQUE DE LA PLEIADE, Paris, 1963, pg. 167 e nota 2 pg 1577.<\/p>\n<p>A obra de Marx e Engels foi para estabelecer precisamente a forma e o conte\u00fado das crises peri\u00f3dicas de superprodu\u00e7\u00e3o de capital, quer dizer, dos pontos de fratura material do regime capitalista.<\/p>\n<p>Esta obra de Marx e Engels, que Rosa de Luxemburgo elegeu como o programa da revolu\u00e7\u00e3o, no seu discurso de funda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Oper\u00e1rio da Alemanha (KAPD), n\u00e3o procura estabelecer unicamente a anatomia do regime capitalista \u2013 como querem os marxistas de Estado e outros reformistas sociais \u2013 mas a sua necrologia, como demonstram os partid\u00e1rios da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria internacional.<\/p>\n<p>Esta procura obsessiva da economia pol\u00edtica dos trabalhadores pelos regulares e sucessivos pontos de explos\u00e3o da superprodu\u00e7\u00e3o de capital, caracter\u00edstica material mais importante do atual regime de explora\u00e7\u00e3o social, deve-se a uma tamb\u00e9m atual\u00edssima tese hist\u00f3rica do proletariado internacional: s\u00f3 na esteira de uma crise catastr\u00f3fica do capital mundial pode ocorrer uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria internacional. E, completa Marx, disciplinadamente seguido por Rosa de Luxemburgo, \u201cuma \u00e9 t\u00e3o certa quanto a outra\u201d.<\/p>\n<p>A materialidade e possibilidades reais da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 assim marcada praticamente e a ferro e fogo pelas pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es e limites materiais (econ\u00f4micos) de exist\u00eancia da burguesia e do seu regime.<\/p>\n<p>O trabalho te\u00f3rico da classe prolet\u00e1ria internacional n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para estabelecer da maneira mais pr\u00f3xima poss\u00edvel a data destas explos\u00f5es, mas, principalmente, as particularidades de cada uma destas explos\u00f5es. Atenta observa\u00e7\u00e3o de todas as condi\u00e7\u00f5es reais e imediatas do ciclo em processo e, finalmente, da sua explos\u00e3o.<\/p>\n<p>Importante: estas observa\u00e7\u00f5es das formas particulares de cada ciclo peri\u00f3dico n\u00e3o pode ser separada do conte\u00fado e determina\u00e7\u00f5es fundamentais dos ciclos econ\u00f4micos especificamente capitalistas. Unidade org\u00e2nica entre forma e conte\u00fado de um fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>Assim, o conte\u00fado da sempre lembrada crise geral dos anos 1920 e 1930 foi exatamente o mesmo que o de todas as anteriores crises gerais e parciais de superprodu\u00e7\u00e3o de capital \u2013 ocorridas pela primeira vez na hist\u00f3ria a partir do inicio do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que aquelas primeiras crises modernas de superprodu\u00e7\u00e3o de capital n\u00e3o foram presenciadas por Adam Smith e outros grandes economistas porque elas ainda n\u00e3o existiam nos s\u00e9culos 17 e 18. As determina\u00e7\u00f5es das crises econ\u00f4micas eram outras. As crises apareciam, at\u00e9 ent\u00e3o, apenas como crises monet\u00e1rias, financeiras, de insufici\u00eancia de demanda, de subconsumo das massas e de outras formas pr\u00e9-capitalistas de circula\u00e7\u00e3o simples das mercadorias.<\/p>\n<p>Mas as formas modernas e contempor\u00e2neas da crise de superprodu\u00e7\u00e3o do capital em seu conjunto, crises especificamente capitalistas, foram vividas com grande fertilidade te\u00f3rica por David Ricardo, o maior dos economistas, na primeira metade do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>Foram estas inauditas crises realmente capitalistas que levaram este abastado burgu\u00eas propriet\u00e1rio de a\u00e7\u00f5es e de enormes propriedades fundi\u00e1rias a se interessar pelos estudos da origem do valor e das causas da varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, enriquecendo assim os necessariamente limitados trabalhos de Smith e de outros grandes te\u00f3ricos fundadores da Economia Pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Todo este arco hist\u00f3rico das modernas crises capitalistas de superprodu\u00e7\u00e3o ensina uma coisa muito importante. Uma coisa comum a todas as ci\u00eancias. Apesar do conte\u00fado e determina\u00e7\u00f5es comuns, inalterados, cada crise especificamente capitalista se realiza em formas sucessivas historicamente particulares.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o rigorosa da periodicidade das crises capitalistas \u2013 e n\u00e3o, ao contr\u00e1rio, ideias pregui\u00e7osas como as de ciclos longos, longa depress\u00e3o, crise permanente, crise estrutural e outras asneiras \u2013 \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para listar particularidades e condi\u00e7\u00f5es cruciais para as perspectivas e possibilidades reais da a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. A forma da luta de classes depender\u00e1 materialmente destas particularidades de cada ciclo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Mas, nunca \u00e9 demais repetir: para que estas cruciais particularidades de cada ciclo econ\u00f4mico sejam criteriosamente observadas \u00e9 n\u00e3o menos importante salientar o fato de que o conte\u00fado e as determina\u00e7\u00f5es fundamentais da crise geral dos anos 1920\/1930 foram tamb\u00e9m os mesmos das crises parciais ocorridas posteriormente, no decorrer dos \u00faltimos setenta e cinco anos do per\u00edodo p\u00f3s-guerra (1945) e, finalmente, da crise geral (catastr\u00f3fica) que explode agora, em 2020.<\/p>\n<p>Como nas ci\u00eancias f\u00edsicas em geral, a rara experi\u00eancia de um fen\u00f4meno especial e real \u00e9 important\u00edssima para o conhecimento e a a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Como a passagem de um cometa, por exemplo. \u00c9 exatamente isto que est\u00e1 acontecendo neste exato momento para a boa Economia Pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Embora com o conte\u00fado inalterado de outros cometas anteriores, ser\u00e3o divulgados nos pr\u00f3ximos boletins da Cr\u00edtica da Economia as observa\u00e7\u00f5es sobre as particularidades e perspectivas anunciadas por este novo cometa que assombra a popula\u00e7\u00e3o mundial neste tempestuoso m\u00eas de mar\u00e7o 2020.<\/p>\n<p>\u00c9 unicamente para contribuir para essa necessidade de conhecimento dos trabalhadores produtivos que a Cr\u00edtica da Economia existe h\u00e1 trinta e tr\u00eas anos: investigar rigorosamente os movimentos imediatos do capital e prever a pr\u00f3xima explos\u00e3o destes revolucion\u00e1rios pontos de fratura material do atual regime de explora\u00e7\u00e3o social. Ininterrupta no tempo e invariante nos princ\u00edpios!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25217\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[223],"class_list":["post-25217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6yJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25217\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}