{"id":2522,"date":"2012-03-09T01:53:05","date_gmt":"2012-03-09T01:53:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2522"},"modified":"2012-03-09T01:53:05","modified_gmt":"2012-03-09T01:53:05","slug":"colombia-procura-paz-e-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2522","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia procura paz e justi\u00e7a:"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>James Petras<\/strong><\/p>\n<p>Entre 21 e 23 de Abril, o\u00a0<a href=\"http:\/\/marchapatriotica.org\/index.php\/comunicados\/47-comunicados\/294-convocatoria-consejo-patriotico-nacional\" target=\"_blank\">Conselho Nacional Patri\u00f3tico<\/a> vai convocar milhares de activistas da maior parte dos principais movimentos sociais urbanos e rurais e de sindicatos, grupos dos direitos humanos e movimentos ind\u00edgenas, afro-colombianos, que se v\u00e3o juntar para unir for\u00e7as e lan\u00e7ar o que promete ser o novo movimento pol\u00edtico mais significativo da hist\u00f3ria recente. Unidos num compromisso comum de procurar uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para acabar com 60 anos de conflito social armado, o encontro vai decidir uma estrat\u00e9gia para derrotar os narco-regimes pol\u00edticos do passado e do presente, recuperar as terras e as casas de 4 milh\u00f5es de camponeses, \u00edndios, agricultores e afro-colombianos desalojados. O ponto central da miss\u00e3o deste encontro ser\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o da soberania nacional, gravemente comprometida pela presen\u00e7a de sete bases militares americanas, pela apropria\u00e7\u00e3o a grande escala e a longo prazo por parte das multinacionais estrangeiras dos recursos minerais e energ\u00e9ticos do pa\u00eds, e a protec\u00e7\u00e3o das comunidades ind\u00edgenas e afro-colombianas contra a depreda\u00e7\u00e3o ambiental. O encontro de Abril tem vindo a ser preparado por reuni\u00f5es de massas, organizadas por conselhos populares, determinados a p\u00f4r fim \u00e0s m\u00e1quinas pol\u00edticas paramilitares e dos latifundi\u00e1rios que controlam o eleitorado.<\/p>\n<p>H\u00e1 boas raz\u00f5es para crer que este movimento pol\u00edtico ter\u00e1 \u00eaxito onde outros falharam, em grande parte por causa da amplitude e abertura dos participantes, da crescente coopera\u00e7\u00e3o e unidade em lutas comuns pela reforma agr\u00e1ria, por uma democracia participada e pela oposi\u00e7\u00e3o quase universal ao militarismo apoiado pelos EU e ao acordo neoliberal de com\u00e9rcio livre.<\/p>\n<p><strong>Perspectivas internacionais: Um contexto promissor <\/strong><\/p>\n<p>Nunca o clima internacional foi t\u00e3o favor\u00e1vel, em especial na Am\u00e9rica Latina, para o crescimento da iniciativa democr\u00e1tica popular da Col\u00f4mbia e para o poss\u00edvel \u00eaxito pol\u00edtico deste &#8220;movimento de movimentos&#8221;.<\/p>\n<p>Por quase toda a Am\u00e9rica do Sul e Cara\u00edbas um momento hist\u00f3rico favor\u00e1vel de autonomia regional assumiu uma forma organizada, apoiado por quase todos os principais pa\u00edses da regi\u00e3o. A ALBA (Alternativa Bolivariana para a Am\u00e9rica Latina) liga uma dezena de pa\u00edses das Cara\u00edbas e dos Andes num pacto de integra\u00e7\u00e3o regional liderado pelo din\u00e2mico governo democr\u00e1tico e anti-imperialista de Hugo Chavez, presidente da Venezuela. A UNASUR (Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Sul-americanas), o MERCOSUR (Mercado Comum do Sul) e outras organiza\u00e7\u00f5es regionais, s\u00e3o express\u00e3o da crescente independ\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f3mica da Am\u00e9rica Latina e uma rejei\u00e7\u00e3o da OEA (Organiza\u00e7\u00e3o de Estados Americanos). Em termos pr\u00e1ticos, o crescimento destas organiza\u00e7\u00f5es regionais independentes significa uma rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar patrocinada pelos EUA, conforme ilustrado pelo seu rep\u00fadio ao golpe militar nas Honduras apoiado por Washington em 2009. A oposi\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina ao Acordo de Com\u00e9rcio Livre da Am\u00e9rica, de Washington, levou ao crescimento do com\u00e9rcio intra-regional e for\u00e7ou Washington a procurar &#8216;acordos bilaterais de com\u00e9rcio livre&#8217; com o Chile, a Col\u00f4mbia, o Panam\u00e1 e o M\u00e9xico.<\/p>\n<p>O crescimento da integra\u00e7\u00e3o regional aut\u00f3noma proporciona duas vantagens estrat\u00e9gicas: reduz a depend\u00eancia econ\u00f3mica em rela\u00e7\u00e3o aos EUA e enfraquece a vantagem de Washington em impor san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas contra qualquer governo nacionalista, populista ou socialista na regi\u00e3o. Isso \u00e9 evidente no fracasso de Washington em conseguir apoio latino-americano para o seu bloqueio a Cuba ou para as san\u00e7\u00f5es contra a Venezuela. A queda da influ\u00eancia pol\u00edtica e do dom\u00ednio econ\u00f3mico dos EUA abre uma oportunidade hist\u00f3rica para um governo popular nacionalista e democr\u00e1tico na Col\u00f4mbia para, de forma realista, desenvolver um novo modelo de desenvolvimento alternativo centrado numa maior igualdade social.<\/p>\n<p>O crescimento din\u00e2mico dos mercados asi\u00e1ticos, em especial da China, fornece \u00e0 Am\u00e9rica Latina uma oportunidade hist\u00f3rica de diversificar os seus mercados, aumentar o com\u00e9rcio e garantir pre\u00e7os favor\u00e1veis \u00e0s suas exporta\u00e7\u00f5es. A vantagem das rela\u00e7\u00f5es comerciais asi\u00e1ticas \u00e9 que estas n\u00e3o est\u00e3o inquinadas pela subvers\u00e3o da CIA e do Pent\u00e1gono \u2013 baseiam-se em estritas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas mutuamente ben\u00e9ficas e na n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es internas de cada pa\u00eds. A diversifica\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio est\u00e1 bastante avan\u00e7ada: a China substituiu os EUA e a UE como principais parceiros comerciais do Brasil, da Argentina, do Chile e do Peru e a lista est\u00e1 a aumentar \u00e0 medida que a \u00c1sia cresce rapidamente a mais de 8% e as economias dos EUA e da UE patinham na recess\u00e3o.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina deixou de estar sujeita \u00e0 volatilidade c\u00edclica dos mercados financeiros EUA-UE. Durante as crises financeiras dos EUA e da Europa em 2009-2010, a Am\u00e9rica Latina conseguiu virar-se cada vez mais para a China para financiamento: os empr\u00e9stimos da China \u00e0 Am\u00e9rica Latina passaram de mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2008 para 18 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2009 e 36 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2010. Al\u00e9m disso, pa\u00edses como a Argentina e o Equador, que n\u00e3o t\u00eam acesso aos mercados de capitais privados nos EUA e na UE por causa de incumprimento da d\u00edvida, podem contrair empr\u00e9stimos em bancos estatais chineses. Entre 2005-2010, a China emprestou \u00e0 Am\u00e9rica latina 75 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e em 2010 os empr\u00e9stimos chineses ultrapassaram os empr\u00e9stimos conjuntos do FMI, do Banco Mundial e do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento].<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os bancos estatais chineses n\u00e3o imp\u00f5em &#8216;condi\u00e7\u00f5es&#8217; pol\u00edticas e econ\u00f3micas severas aos seus devedores latinos, como faz o FMI. Por outras palavras, os latino-americanos que recorrem ao financiamento externo, podem contrair empr\u00e9stimos na China para financiar mudan\u00e7as estruturais, incluindo a reforma agr\u00e1ria e a nacionaliza\u00e7\u00e3o de bancos, sem medo de repres\u00e1lias econ\u00f3micas dos seus emprestadores al\u00e9m-mar.<\/p>\n<p>A ALBA proporciona um importante &#8216;agrupamento sub-regional&#8217; e um f\u00f3rum que representa uma poderosa rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s guerras imperialistas, uma oportunidade para maior integra\u00e7\u00e3o das Cara\u00edbas e uma defesa contra a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar imperialista assim como subs\u00eddios favor\u00e1veis sobre as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo. A ALBA fornece \u00e0 Col\u00f4mbia uma oportunidade para aprofundar os seus la\u00e7os estrat\u00e9gicos com a Venezuela e o Equador, j\u00e1 que partilham uma fronteira comum, economias altamente complementares e um legado bolivariano hist\u00f3rico e cultural comum.<\/p>\n<p>Em contraste com o per\u00edodo entre finais dos anos 70 e 2000, quando Washington dominava a Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s de regimes clientes militares e civis e santificava o dogma neoliberal do chamado Consenso de Washington de 1996, e limitava a liberdade de ac\u00e7\u00e3o dum governo popular independente, uma Col\u00f4mbia livre e independente neste momento teria um ambiente internacional, pol\u00edtico e econ\u00f3mico muit\u00edssimo mais favor\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>O decl\u00ednio do poder global dos EUA <\/strong><\/p>\n<p>A influ\u00eancia dos EUA est\u00e1 em queda a n\u00edvel mundial: a China e a \u00cdndia substitu\u00edram os EUA enquanto principais parceiros comerciais na \u00c1sia, na Am\u00e9rica Latina, em \u00c1frica e em importantes pa\u00edses do M\u00e9dio Oriente. A economia e as for\u00e7as armadas da R\u00fassia recuperaram da pilhagem catastr\u00f3fica durante a era de Yeltsin e est\u00e1 a prosseguir uma pol\u00edtica independente. Isso \u00e9 evidente nas vendas militares e nos acordos de petr\u00f3leo da R\u00fassia com a Venezuela, no veto no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU quanto ao assalto mercen\u00e1rio \u00e0 S\u00edria, apoiado pela NATO, e nas suas liga\u00e7\u00f5es mais estreitas com a China.<\/p>\n<p>Juntamente com o aparecimento de um mundo multi-polar da R\u00fassia-China-Am\u00e9rica Latina, o M\u00e9dio Oriente e o Norte de \u00c1frica est\u00e3o no meio de uma s\u00e9rie de rebeli\u00f5es democr\u00e1ticas populares e anti-imperialistas que amea\u00e7am as ditaduras clientes dos EUA.<\/p>\n<p>Igualmente importante, as guerras dos EUA, prolongadas, dispendiosas e fracassadas no Iraque e no Afeganist\u00e3o t\u00eam sido imensamente impopulares internamente, e em conjunto com o d\u00e9fice fiscal e comercial e as crises financeiras, t\u00eam corro\u00eddo o apoio p\u00fablico para novas guerras territoriais a grande escala.<\/p>\n<p>Por outras palavras, os EUA est\u00e3o muito menos capacitados para sustentar uma interven\u00e7\u00e3o militar de grande escala contra um pa\u00eds importante como a Col\u00f4mbia, se e quando for eleito um novo governo popular.<\/p>\n<p><strong>A morte do modelo capitalista neoliberal <\/strong><\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca na hist\u00f3ria recente, o actual &#8220;capitalismo de mercado livre&#8221; real demonstrou \u00e0 escala mundial o seu fracasso em proporcionar os princ\u00edpios essenciais a uma vida boa. Na Gr\u00e9cia, em Espanha, em Portugal, na It\u00e1lia, o desemprego juvenil paira entre 35% a 50%; e o desemprego geral aproxima-se ou ultrapassa os 20%. Na UE e nos EUA o desemprego e o subemprego reais ultrapassam um quarto da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o econ\u00f3mica, as crises financeiras e as condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho em queda s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que definem os EUA e a Europa. Por outras palavras, o modelo capitalista em crise h\u00e1 cinco anos n\u00e3o oferece alternativa para a grande maioria que trabalha nos &#8216;pa\u00edses imperialistas desenvolvidos&#8217; nem nos chamados &#8216;pa\u00edses em desenvolvimento&#8217;.<\/p>\n<p>Isso apresenta uma oportunidade ideol\u00f3gica de ouro para demonstrar que uma sociedade socialista baseada na participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica \u00e9 uma alternativa vi\u00e1vel para crises suscitadas pelo capitalismo.<\/p>\n<p><strong>Lutas de classe e nacionais: A realidade emergente <\/strong><\/p>\n<p>Actualmente por todo o mundo, desde o sul da Europa at\u00e9 ao M\u00e9dio Oriente, desde a \u00c1sia at\u00e9 \u00e0 Am\u00e9rica do Norte, sucedem-se revoltas populares de massas. Greves gerais, manifesta\u00e7\u00f5es de massas e lutas de rua alastram-se nas capitais da Gr\u00e9cia, de Portugal e da It\u00e1lia. Movimentos democr\u00e1ticos de massas desafiam ditadores no Egipto, na Tun\u00edsia, no Bahrain e nos estados do Golfo. Os &#8216;movimentos de ocupa\u00e7\u00e3o&#8217; nos EUA e em Espanha espalharam-se a outros pa\u00edses, rejeitando a &#8220;austeridade&#8221; baseada em classes. Perante a recupera\u00e7\u00e3o de lucros \u00e0 custa de enormes cortes em sal\u00e1rios, servi\u00e7os p\u00fablicos, pens\u00f5es e cuidados de sa\u00fade, juntam-se \u00e0 luta novos sectores da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Mesmo nos pa\u00edses capitalistas asi\u00e1ticos de acentuado crescimento, como a China, a classe trabalhadora revolta-se contra as desigualdades e a explora\u00e7\u00e3o: mais de 200 mil greves e manifesta\u00e7\u00f5es de protesto em 2011 fazem recordar as rebeli\u00f5es populares da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural contra a hierarquia e o abuso. Em resumo, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as regional e mundial \u00e9 muito favor\u00e1vel ao aparecimento de um novo movimento pol\u00edtico unificado e din\u00e2mico na Col\u00f4mbia. No entanto, h\u00e1 perigos e obst\u00e1culos que \u00e9 necess\u00e1rio ter em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Obst\u00e1culos e desafios <\/strong><\/p>\n<p>O decl\u00ednio e decad\u00eancia do poder e da influ\u00eancia dos EUA n\u00e3o diminui os perigos de assass\u00ednios directos pelas For\u00e7as Especiais, da interven\u00e7\u00e3o militar indirecta atrav\u00e9s de aliados militares locais e da desestabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>Washington aperfei\u00e7oou um ex\u00e9rcito clandestino de for\u00e7as especiais, de opera\u00e7\u00f5es armadas assassinas, em 75 pa\u00edses. Os EUA mant\u00eam 750 bases militares em todo o mundo. Como vimos nas Honduras, os EUA ainda t\u00eam poder sobre militares e aliados entre os oligarcas para derrubar um governo progressista. Os EUA t\u00eam um ex\u00e9rcito de reserva de pol\u00edticos locais e de ONG pronto para substituir os ditadores quando estes s\u00e3o derrubados.<\/p>\n<p>Washington e a Europa da NATO forneceram apoio a\u00e9reo e naval e forneceram armas a mercen\u00e1rios e fundamentalistas locais para derrubar chefes independentes como Kadhafi na L\u00edbia. Agora est\u00e3o a fornecer armas a mercen\u00e1rios para atacar o presidente Assad na S\u00edria. Os EUA e a UE est\u00e3o a montar uma frota militar cercando o Ir\u00e3o e a promover san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas para estrangular a sua economia. Mais preocupante ainda, Washington est\u00e1 a cercar a China e a R\u00fassia com bases militares, m\u00edsseis e navios de guerra.<\/p>\n<p>Por outras palavras, o imperialismo em decl\u00ednio econ\u00f3mico mant\u00e9m contudo op\u00e7\u00f5es militares para deter o avan\u00e7o dum sistema pol\u00edtico global pluralista. Os estados imperialistas n\u00e3o abdicam do poder a n\u00e3o ser que tenham pela frente alian\u00e7as regionais unificadas e, igualmente importante, governos com apoio popular de massas unificado.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o positiva da integra\u00e7\u00e3o latino-americana \u00e9 um passo para uma maior independ\u00eancia mas tem fraquezas estrat\u00e9gicas: nomeadamente contradi\u00e7\u00f5es e conflitos de classe internos quanto a modelos de desenvolvimento. O crescimento econ\u00f3mico e a diversifica\u00e7\u00e3o de mercados tem enfraquecido o dom\u00ednio dos EUA mas tamb\u00e9m tem refor\u00e7ado o poder e a riqueza das classes dirigentes internas e das grandes empresas multinacionais agro-minerais.<\/p>\n<p>As desigualdades de riqueza, de receitas e de posse das terras florescem no Brasil, no Chile, no Peru, no Equador, na Bol\u00edvia e n\u00e3o s\u00f3, apesar de alguns desses regimes afirmarem ser &#8220;governos populares&#8221;. Al\u00e9m disso, o &#8220;anti-imperialismo&#8221; dos pa\u00edses da ALBA como a Bol\u00edvia n\u00e3o se estende \u00e0s dezenas de multinacionais estrangeiras, donas da extrac\u00e7\u00e3o de minerais e da explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, que dominam o pa\u00eds. A Argentina pode promover uma pol\u00edtica estrangeira independente mas mais de um ter\u00e7o do seu territ\u00f3rio est\u00e1 nas m\u00e3os de capital estrangeiro.<\/p>\n<p>Por outras palavras, embora o aumento de governos independentes na Am\u00e9rica Latina contribua para limitar o dom\u00ednio dos EUA, os movimentos colombianos t\u00eam tamb\u00e9m que reconhecer as limita\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es de classe dos pa\u00edses &#8216;progressistas&#8217; da regi\u00e3o. S\u00f3 a Venezuela tem concretizado pol\u00edticas fortemente redistributivas e nacionalistas.<\/p>\n<p>Os principais obst\u00e1culos que os novos movimentos pol\u00edticos colombianos enfrentam s\u00e3o internos: a oligarquia entrincheirada e os seus aliados no estado, em especial no seio das for\u00e7as militares e paramilitares. Se o ambiente externo \u00e9 fortemente favor\u00e1vel, o regime pol\u00edtico interno apresenta-se como um obst\u00e1culo formid\u00e1vel, principalmente os continuados assass\u00ednios de dezenas de importantes sindicalistas, de camponeses e de activistas dos direitos humanos.<\/p>\n<p>A desmilitariza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, a come\u00e7ar pelo desmantelamento das bases militares americanas, o abandono do Plano Col\u00f4mbia e a desmobiliza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas (mais de 300 mil fora os grupos paramilitares privados) s\u00e3o importantes passos para a abertura de espa\u00e7o pol\u00edtico para o exerc\u00edcio de direitos democr\u00e1ticos. A democratiza\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es exige o fim da penetra\u00e7\u00e3o estatal e da coac\u00e7\u00e3o da sociedade civil.<\/p>\n<p>A democratiza\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia exige o crescimento de poderosos movimentos sociais independentes que representem todos os sectores populares da sociedade colombiana; \u00e9 necess\u00e1rio que a investiga\u00e7\u00e3o judicial e o julgamento do ex narco-presidente \u00c1lvaro Uribe e dos seus colaboradores mais pr\u00f3ximos, por homic\u00eddios pol\u00edticos, se alargue ao actual regime de Santos. O recente &#8220;acordo de com\u00e9rcio livre&#8221; entre Obama e Santos tem que ser repudiado porque \u00e9 um obst\u00e1culo ao desenvolvimento interno e ao aprofundamento de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas mais promissoras com a Venezuela e o resto da Am\u00e9rica Latina e a \u00c1sia.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso mobilizar mais de 4 milh\u00f5es de colombianos espoliados, desapossados \u00e0 for\u00e7a pelo regime de Uribe, para recuperarem as suas terras, e fornecer-lhes cr\u00e9ditos, empr\u00e9stimos e uma oportunidade de fugir \u00e0 sua actual mis\u00e9ria e sofrimento.<\/p>\n<p>Os actuais dirigentes da Col\u00f4mbia n\u00e3o podem apontar um \u00fanico exemplo dum modelo neoliberal bem sucedido na Europa, na Am\u00e9rica Latina ou nos Estados Unidos. O M\u00e9xico e a Am\u00e9rica Central neoliberais est\u00e3o dominados por cart\u00e9is da droga, com mais de 80 mil homic\u00eddios nos \u00faltimos cinco anos e t\u00eam as taxas de crescimento mais baixas da regi\u00e3o. A economia dos EUA est\u00e1 estagnada com mais de 20% de desempregados e subempregados. A Uni\u00e3o Europeia est\u00e1 \u00e0 beira da desintegra\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 a ser confirmada claramente a cr\u00edtica de Marx sobre a crescente pauperiza\u00e7\u00e3o no capitalismo. Chegou a altura de os novos movimentos pol\u00edticos considerarem uma &#8220;via colombiana para o socialismo&#8221; constru\u00edda sobre a propriedade p\u00fablica dos altos comandos da economia, da reforma agr\u00e1ria, da agricultura sustent\u00e1vel e da protec\u00e7\u00e3o ambiental sob controlo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c9 com esp\u00edrito de optimismo e an\u00e1lise cr\u00edtica que envio a minha solidariedade e apoio incondicional aos organizadores, activistas e participantes militantes que v\u00e3o estar presentes neste encontro hist\u00f3rico. Estou confiante em que mais cedo que tarde guiar\u00e3o a Col\u00f4mbia \u00e0 sua &#8220;segunda e final independ\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>28\/Fevereiro\/2012<\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=29529\" target=\"_blank\">http:\/\/www.globalresearch.ca\/index.php?context=va&amp;aid=29529<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nO contexto internacional e nacional\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2522\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-2522","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-EG","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2522"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2522\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}