{"id":2523,"date":"2012-03-09T22:27:01","date_gmt":"2012-03-09T22:27:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2523"},"modified":"2012-03-09T22:27:01","modified_gmt":"2012-03-09T22:27:01","slug":"governo-aceita-desculpas-da-fifa-diz-ministerio-do-esporte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2523","title":{"rendered":"Governo aceita desculpas da Fifa, diz Minist\u00e9rio do Esporte"},"content":{"rendered":"\n<p>O Minist\u00e9rio do Esporte anunciou na tarde desta quinta-feira (8) que o governo brasileiro aceitou os pedidos de desculpas da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol (Fifa) ap\u00f3s declara\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio-geral da entidade, J\u00e9r\u00f4me Valcke, de que o Brasil precisava de um &#8220;pontap\u00e9 no traseiro&#8221;. Valcke criticava a demora para a aprova\u00e7\u00e3o da Lei da Copa no Congresso e atrasos nos preparativos para o evento, em 2014, no Brasil.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio tamb\u00e9m informou que a presidente Dilma Rousseff receber\u00e1 em audi\u00eancia o presidente da Fifa, Joseph Blatter, &#8220;em data a ser marcada&#8221;. Na carta a Blatter, Aldo pede &#8220;que epis\u00f3dios como este n\u00e3o podem se repetir, em prol da boa prepara\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo no Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>As cartas enviadas pelo minist\u00e9rio \u00e0 Fifa, divulgadas por volta das 17h desta quarta, n\u00e3o deixam claro se Valcke ser\u00e1 mantido como interlocutor para assuntos relacionados \u00e0 Copa.<\/p>\n<p>A assessoria de imprensa da pasta informou que Aldo aceita que Valcke continue como interlocutor. Mas disse que se trata de uma decis\u00e3o da Fifa, que s\u00f3 deve ser anunciada ap\u00f3s encontro entre Blatter e as autoridades brasileiras.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, Aldo foi questionado por jornalistas sobre o epis\u00f3dio ap\u00f3s participar de uma reuni\u00e3o entre Dilma e o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional. Ele evitou confirmar se Valcke seria aceito novamente como interlocutor da Fifa com o governo.<\/p>\n<p>&#8220;O que eu tinha que dizer sobre esse epis\u00f3dio, que eu n\u00e3o desejei, que eu n\u00e3o procurei, eu j\u00e1 disse em uma entrevista coletiva, em uma carta que enderecei ao presidente da Fifa, em outra carta ao secret\u00e1rio e outra ao presidente. E n\u00e3o vou alimentar nenhuma especula\u00e7\u00e3o sobre esse epis\u00f3dio&#8221;, disse o ministro.<\/p>\n<p>Sobre a audi\u00eancia que Blatter pediu com a presidente Dilma para a pr\u00f3xima semana, Aldo afirmou: &#8220;Eu n\u00e3o recebi sequer a confirma\u00e7\u00e3o da visita da representa\u00e7\u00e3o da Fifa ao Brasil no come\u00e7o da pr\u00f3xima semana&#8221;. Mais uma vez, evitou dizer se Valcke estar\u00e1 presente \u00e0 reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Crise<\/p>\n<p>A crise entre Brasil e Fifa come\u00e7ou ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o, na \u00faltima sexta (2), de que\u00a0 J\u00e9r\u00f4me Valcke disse que o Brasil precisava de&#8221;pontap\u00e9 no traseiro&#8221;, na tradu\u00e7\u00e3o da express\u00e3o em ingl\u00eas &#8220;kick up in the backside&#8221;.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado (3), ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, convocou a imprensa para dizer que o governo brasileiro n\u00e3o mais aceitaria Valcke como interlocutor para assuntos da Copa.<\/p>\n<p>Depois, em carta enviada ao governo brasileiro nesta segunda (5), Valcke explicou que a express\u00e3o foi utilizada em franc\u00eas, &#8220;se donner un coup de pied aux fesses&#8221;, e significa apenas &#8220;acelerar o ritmo&#8221;. No mesmo dia, o governo enviou pedido oficial para Fifa para afastar Valcke das negocia\u00e7\u00f5es com o Brasil.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o pr\u00f3prio presidente da Fifa, Joseph Blatter, tamb\u00e9m pediu desculpas e solicitou uma audi\u00eancia com Aldo Rebelo e a presidente Dilma Rousseff. Na resposta a Blatter, Aldo Rebelo afirma que o Cerimonial da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica agendar\u00e1 o encontro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;Tesouro poder\u00e1 comprar d\u00f3lares para pagar d\u00edvida&#8217;<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Tesouro Nacional deve ser aliado de peso do Banco Central (BC) no enxugamento dos d\u00f3lares no mercado brasileiro para impedir uma valoriza\u00e7\u00e3o excessiva do real. Refor\u00e7ando o discurso do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou ontem que n\u00e3o h\u00e1 limite para compra de d\u00f3lares no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos continuar sendo proativos para ter um c\u00e2mbio adequado&#8221;, frisou Augustin.<\/p>\n<p>Segundo resolu\u00e7\u00e3o do Banco Central, o Tesouro Nacional pode adquirir a moeda estrangeira antecipadamente para pagamento de d\u00edvida externa com vencimento de at\u00e9 1.500 dias ou o equivalente a quatro anos. Por\u00e9m, se a \u00e1rea econ\u00f4mica considerar necess\u00e1rio, esse prazo poder\u00e1 ser alterado para intensificar a compra de d\u00f3lares no curto prazo. Pelo menos por enquanto, Augustin considera uma mudan\u00e7a desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 limite para antecipar [compra de d\u00f3lares para pagamento de d\u00edvida externa]&#8221;, frisou. &#8220;Nosso objetivo \u00e9 diminuir a volatilidade e evitar uma valoriza\u00e7\u00e3o excessiva do real. Evitar uma valoriza\u00e7\u00e3o que prejudique nossas exporta\u00e7\u00f5es&#8221;, afirmou Augustin.<\/p>\n<p>No Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2012, divulgado ontem, o Tesouro Nacional j\u00e1 fez a compra antecipada de US$ 7,4 bilh\u00f5es, o suficiente para pagar 49% da d\u00edvida externa que vencer\u00e1 at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da compra antecipada de d\u00f3lares, o pa\u00eds tem a um &#8220;colch\u00e3o de liquidez&#8221; suficiente para bancar seis meses da d\u00edvida p\u00fablica federal &#8211; ou o equivalente a quase R$ 190 bilh\u00f5es, considerando os vencimentos entre janeiro e junho desde ano.<\/p>\n<p>Augustin adiantou, ontem, que nas pr\u00f3ximas semanas o governo pretende fazer capta\u00e7\u00f5es no mercado externo. Embora ainda n\u00e3o esteja decidido, o que se pretende \u00e9 fazer emiss\u00f5es em reais. Todo o foco do governo \u00e9 para enfrentar a guerra cambial, que tem provocado a valoriza\u00e7\u00e3o das moedas de pa\u00edses emergentes como o Brasil devido \u00e0s pol\u00edticas expansionistas adotadas pelas na\u00e7\u00f5es desenvolvidas para estimular o crescimento.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio ressaltou a import\u00e2ncia da entrada do investimento estrangeiro direto no pa\u00eds para estimular o crescimento econ\u00f4mico, mas disse que o governo est\u00e1 atento para impedir a vinda de capital especulativo.<\/p>\n<p>No mercado de c\u00e2mbio, o d\u00f3lar comercial teve a primeira queda ap\u00f3s quatro dias seguidos de valoriza\u00e7\u00e3o. A moeda americana caiu 0,17%, e fechou negociada a R$ 1,762 para a venda. Mas chegou a fazer m\u00e1xima a R$ 1,782 (+0,96%). Na semana, o d\u00f3lar acumulou valoriza\u00e7\u00e3o de 1,73%.<\/p>\n<p>Segundo o gerente da mesa de c\u00e2mbio da Icap Brasil, \u00cdtalo dos Santos, conforme as bolsas e o euro aceleraram alta no decorrer da tarde, os vendedores vieram a mercado. A aus\u00eancia do BC na ponta de compra tamb\u00e9m explica a baixa da moeda, que se concentrou no fim do preg\u00e3o.<\/p>\n<p>Sinal de que havia investidores esperando um leil\u00e3o de compra da autoridade monet\u00e1ria foi a queda acentuada no cupom cambial (juro em d\u00f3lar no mercado local) no fim do dia. Quando essa taxa cede, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 de que h\u00e1 fluxo de recursos \u00e0 vista. Pela manh\u00e3, lembrou o especialista, a din\u00e2mica do mercado foi outra, conforme se percebia a presen\u00e7a de um grande comprador no mercado.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Santos, o corte de 0,75 ponto percentual na Selic, anunciada pelo Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), j\u00e1 estava no pre\u00e7o, por isso n\u00e3o serve de justificativa \u00e0 alta de pre\u00e7o do d\u00f3lar registrada em parte do dia.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o gerente, persiste o receio dos investidores com novas medidas de restri\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p>No entanto, pondera Santos, se o humor externo continuar melhorando, o &#8220;comprado&#8221; em d\u00f3lar fica em uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais complicada.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o comprada em d\u00f3lar tem um custo de carregamento. Ent\u00e3o, h\u00e1 possibilidade de um efeito manada de venda se o quadro externo continuar sinalizando baixa no pre\u00e7o da moeda americana.<\/p>\n<p>Apesar da alta recente no pre\u00e7o do d\u00f3lar, bancos e estrangeiros seguem com posi\u00e7\u00e3o l\u00edquida vendida no mercado de derivativos cambiais.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es financeiras est\u00e3o com uma posi\u00e7\u00e3o pr\u00f3-real de US$ 7,976 bilh\u00f5es, sendo US$ 2,661 bilh\u00f5es vendidos em d\u00f3lar e outros US$ 5,315 bilh\u00f5es em cupom cambial (DDI &#8211; juro em d\u00f3lar no mercado local). J\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o do estrangeiro \u00e9 pouco relevante. Apenas US$ 1,644 bilh\u00e3o. A contraparte dos vendidos s\u00e3o os fundos locais, com posi\u00e7\u00e3o total comprada de US$ 8,373 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No c\u00e2mbio externo, o dia foi de recupera\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o de euro em fun\u00e7\u00e3o das not\u00edcias positivas sobre a rolagem da d\u00edvida grega.<\/p>\n<p>A moeda comum, subiu cerca de 1%, para US$ 1,328.<\/p>\n<p>Na m\u00e3o contr\u00e1ria, o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdeu cerca de 0,70%.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;Brasil tem de lidar com a realidade de atrair capital&#8217;<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Brasil tem que aprender a lidar com as consequ\u00eancias de ser um pa\u00eds interessante para os investimentos, inclusive com a consequente atra\u00e7\u00e3o dos recursos que promove atualmente o excesso de liquidez internacional. Essa \u00e9 a opini\u00e3o do diretor-gerente do Instituto de Finan\u00e7as Internacionais (IIF), que re\u00fane as principais institui\u00e7\u00f5es financeiras do mundo, Charles Dallara. Em entrevista ao Valor, ele, que j\u00e1 foi secret\u00e1rio assistente do Tesouro americano e diretor-executivo para os Estados Unidos do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), defende que o Brasil procure coordenar pol\u00edticas macroecon\u00f4micas em uma esp\u00e9cie de novo G-7, j\u00e1 que o G-20, grupo do qual participa atualmente, &#8220;n\u00e3o est\u00e1 funcionando como deveria&#8221;. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p>Valor: A presidente da Rep\u00fablica Dilma Rousseff j\u00e1 demonstrou uma preocupa\u00e7\u00e3o com a possibilidade de que a excessiva liquidez internacional tenha efeito sobre o Brasil e que esses recursos venham para o pa\u00eds em uma esp\u00e9cie de &#8220;tsunami&#8221;. O senhor concorda com as preocupa\u00e7\u00f5es da presidente?<\/p>\n<p>Charles Dallara: Ela tem um ponto. Na verdade, estamos globalmente interconectados. O Brasil tem um interesse leg\u00edtimo nas pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal. Outros pa\u00edses, como EUA, Europa e China t\u00eam um ponto de vista mais amplo sobre isso, o que tamb\u00e9m significa que t\u00eam um interesse leg\u00edtimo nas pol\u00edticas do Brasil. \u00c9 preciso ver isso pelas duas perspectivas. H\u00e1 coordena\u00e7\u00e3o muito melhor entre as pol\u00edticas na maioria dos pa\u00edses hoje em dia. Agora, os pa\u00edses precisam sentar em volta de uma mesa e conversar. Esse era o prop\u00f3sito do G-20, mas isso n\u00e3o est\u00e1 funcionando como deveria. Ent\u00e3o, estou satisfeito que sua presidente aponte isso. Mas \u00e9 preciso que haja maior comprometimento de todos os principais pa\u00edses &#8211; Estados Unidos, China, Europa, Brasil, \u00cdndia, e talvez alguns outros &#8211; de sentar \u00e0 mesa e coordenar as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Valor: Quais pol\u00edticas devem ser coordenadas?<\/p>\n<p>Dallara: As pol\u00edticas macroecon\u00f4micas: fiscal, monet\u00e1ria e cambial. Com o tempo, deve haver at\u00e9 mesmo alguma coordena\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas estruturais. Isso n\u00e3o significa que o Brasil precise fazer exatamente o que os Estados Unidos querem, ou vice-versa. Mas eles devem tentar encontrar um m\u00fatuo e compat\u00edvel conjunto de pol\u00edticas. Essa \u00e9 a chave. Caso contr\u00e1rio, as coisas ficam muito dif\u00edceis de gerenciar. Esse \u00e9 o ponto fundamental, que eu concordo com a sua presidente. Eu encorajaria o Brasil n\u00e3o a responder com barreiras de com\u00e9rcio e controle, mas a responder com fascinante, consistente e ainda melhor coordena\u00e7\u00e3o soberana. Quando os EUA v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a uma taxa de juros muito baixa, eles deveriam discutir isso com o Brasil e outros pa\u00edses primeiro, no contexto do G-20 ou em alguma vers\u00e3o do G-7, que inclua o Brasil, agora que voc\u00eas s\u00e3o a quinta ou sexta maior economia do mundo.<\/p>\n<p>Valor: Isso pode afetar as taxas de c\u00e2mbio?<\/p>\n<p>Dallara: Claro que pode. Se voc\u00ea coordenar os fundamentos, isso vai expor demasiadamente a influ\u00eancia da taxa de c\u00e2mbio. O Brasil vai ter que, no entanto, lidar com a realidade de que est\u00e1 se tornando um lugar atrativo para os investimentos, o que \u00e9 bom para o pa\u00eds. A taxa de c\u00e2mbio vai se expor demasiadamente e a tend\u00eancia ser\u00e1 de aprecia\u00e7\u00e3o. Isso deve ser monitorado, para que n\u00e3o se torne supervalorizada. Ao mesmo tempo, h\u00e1 alguns benef\u00edcios com isso, ao permitir que o Brasil importe mercadorias e servi\u00e7os mais baratos. A qualidade da importa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira se torna maior. E os consumidores brasileiros tamb\u00e9m se beneficiam com a compra de produtos externos com pre\u00e7os mais razo\u00e1veis. Ent\u00e3o, para os brasileiros haver\u00e1 alguns benef\u00edcios e, para a ind\u00fastria, ser\u00e1 desafiador.<\/p>\n<p>Valor: Isso poderia afetar a ind\u00fastria brasileira ainda mais do que a desacelera\u00e7\u00e3o registrada no ano passado?<\/p>\n<p>Dallara: Quando eu estava no Tesouro americano, h\u00e1 anos, eu lidava com as taxas de c\u00e2mbio. Quando o d\u00f3lar estava muito forte, receb\u00edamos muitas reclama\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria. Mas n\u00f3s n\u00e3o pod\u00edamos operar independentemente. Sim, n\u00f3s fizemos algumas interven\u00e7\u00f5es para resistir \u00e0s press\u00f5es. Mas a chave foi o Acordo Plaza [de 1985], que foi uma coordena\u00e7\u00e3o do G-5 [Fran\u00e7a, Alemanha Ocidental, Jap\u00e3o, Estados Unidos e Inglaterra] para derrubar o valor do d\u00f3lar. Mas a chave era a coordena\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 o que eu encorajaria o Brasil a fazer: insistir em uma coordena\u00e7\u00e3o grande de todos os envolvidos.<\/p>\n<p>Valor: Ent\u00e3o, o senhor acredita que antes de gerenciar a taxa de c\u00e2mbio, o Brasil deveria conversar com outros pa\u00edses?<\/p>\n<p>Dallara: Exatamente. E insistir que apoiem [o Brasil] e tentar coordenar com eles as pol\u00edticas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Leil\u00e3o de transmiss\u00e3o de energia ter\u00e1 14 participantes<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) informou ontem que 14 empresas e cons\u00f3rcios se candidataram a concorrer a cinco lotes do leil\u00e3o de linhas e subesta\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o de energia que ser\u00e1 realizado hoje, \u00e0s 10h, na sede da BM&amp;F Bovespa, em S\u00e3o Paulo. Ao todo ser\u00e3o ofertados oito linhas de transmiss\u00e3o, com 1.709 quil\u00f4metros no total, e sete subesta\u00e7\u00f5es, com 1.710 mega-volt-amperes (MVA) de pot\u00eancia.<\/p>\n<p>Individualmente, foram inscritas para o leil\u00e3o as empresas Eletronorte, Chesf, Furnas, Abengoa, Alupar, Elecnor, Isolux e Neoenergia. Os grupos habilitados para o leil\u00e3o s\u00e3o: Cons\u00f3rcio Transmiss\u00e3o Teles Pires (Eletronorte, Chesf, Cteep e Taesa); Guaraciaba (Copel e State Grid); Marimbondo (Alupar, Furnas e Eletrosul); Paranaita (Bimetal e Engeglobal); Sino-Copeliano (Copel, State Grid); e Sudoeste Goiano Transmissora (Celg e FR Incorporadora).<\/p>\n<p>Ao todo, seis Estados dever\u00e3o receber refor\u00e7o em suas redes de transmiss\u00e3o: Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Goi\u00e1s, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O valor total da Receita Anual Permitida (RAP), definido pela Aneel para todos os lotes, est\u00e1 limitado a R$ 363,9 milh\u00f5es. Esse montante \u00e9 reduzido conforme ocorre o acirramento da disputa entre as empresas.<\/p>\n<p>Segundo a Aneel, os empreendimentos dever\u00e3o demandar R$ 2,9 bilh\u00f5es em investimentos, com gera\u00e7\u00e3o de 11,6 mil empregos diretos. Os prazos para conclus\u00e3o variam de 18 a 32 meses.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ind\u00fastria fraca provoca queda nas proje\u00e7\u00f5es do PIB do 1\u00ba tri<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A forte queda na produ\u00e7\u00e3o industrial observada em janeiro, quando a atividade nas f\u00e1bricas encolheu 2,1% frente a dezembro, feitos os ajustes sazonais, acendeu uma luz amarela sobre a retomada do crescimento econ\u00f4mico no primeiro trimestre de 2012. O recuo j\u00e1 estava no radar de analistas por causa do setor de ve\u00edculos, mas veio com mais intensidade e, por isso, afetou as proje\u00e7\u00f5es mais otimistas para o avan\u00e7o do Produto Interno Bruto (PIB) do per\u00edodo. De 15 institui\u00e7\u00f5es consultadas pelo Valor, seis colocaram em perspectiva de baixa suas estimativas para a expans\u00e3o do PIB entre o \u00faltimo quarto de 2011 e o primeiro trimestre de 2012, na compara\u00e7\u00e3o livre de efeitos sazonais, e duas j\u00e1 cortaram essas previs\u00f5es.<\/p>\n<p>Para o ano, no entanto, a maioria dos analistas manteve suas expectativas, concentradas entre 3% e 3,5% para o crescimento do PIB, contando com efeito maior do ciclo de redu\u00e7\u00e3o dos juros no segundo semestre &#8211; que foi cortado em 0,75 ponto percentual na \u00faltima reuni\u00e3o do Copom, para 9,75% ao ano &#8211; e mais medidas que devem ser tomadas pelo governo para incentivar a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial de janeiro, a LCA Consultores imp\u00f4s &#8220;forte vi\u00e9s de baixa&#8221; em sua proje\u00e7\u00e3o de 0,9% para a expans\u00e3o da economia no primeiro trimestre frente ao per\u00edodo anterior e espera nova queda do PIB industrial, que ser\u00e1 a quarta seguida nessa base de compara\u00e7\u00e3o, afirma Br\u00e1ulio Borges, economista-chefe da consultoria. &#8220;Antes prev\u00edamos avan\u00e7o entre 0,5% e 1% para o PIB. Agora, acreditamos que o intervalo est\u00e1 mais para entre zero e 0,5%&#8221;, comenta. Borges ressalta que, mesmo com alguma retomada da produ\u00e7\u00e3o em fevereiro, ela n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para recuperar toda a queda do m\u00eas anterior e, al\u00e9m disso, os dados antecedentes do varejo n\u00e3o s\u00e3o promissores.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros de janeiro e fevereiro da Pesquisa Mensal do Com\u00e9rcio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos, mas a atividade do com\u00e9rcio medida pela Serasa Experian caiu 0,3% em fevereiro frente a janeiro na s\u00e9rie dessazonalizada. No primeiro m\u00eas do ano, tamb\u00e9m houve recuo na compara\u00e7\u00e3o com dezembro, de 1,6%. J\u00e1 as vendas de ve\u00edculos, medidas pela Fenabrave, ca\u00edram 23% e 6,9% em janeiro e fevereiro, respectivamente, em ambos os casos frente ao m\u00eas anterior. &#8220;Aparentemente o consumo n\u00e3o est\u00e1 indo t\u00e3o bem neste in\u00edcio de ano como no fim de 2011&#8221;, diz Borges.<\/p>\n<p>O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, espera um desempenho positivo para as vendas no primeiro trimestre, que vir\u00e1 na esteira da queda dos juros e da redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para linha branca &#8211; medida que vigora at\u00e9 31 de mar\u00e7o &#8211; mas cortou de 1% para 0,7% sua proje\u00e7\u00e3o para o avan\u00e7o da economia no per\u00edodo em fun\u00e7\u00e3o do comportamento ruim previsto para a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Velho destaca que, mesmo com a forte influ\u00eancia das f\u00e9rias coletivas concedidas pelas montadoras, a queda da produ\u00e7\u00e3o em janeiro n\u00e3o pode ser vista como concentrada apenas no setor automobil\u00edstico, j\u00e1 que 51,8% do parque industrial encolheu sua produ\u00e7\u00e3o frente a dezembro. Para fevereiro, ele prev\u00ea aumento da produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a janeiro, que ir\u00e1, no entanto, apenas anular a retra\u00e7\u00e3o observada no primeiro m\u00eas do ano.<\/p>\n<p>Assim como Velho, o s\u00f3cio-diretor da RC Consultores, Fabio Silveira, acredita que o consumo ter\u00e1 um ritmo &#8220;satisfat\u00f3rio&#8221; neste in\u00edcio de ano e deve compensar parte do mau comportamento da ind\u00fastria. Por isso, n\u00e3o vai reduzir sua previs\u00e3o de 0,5% para o avan\u00e7o do PIB no primeiro quarto de 2012. &#8220;Ao longo do ano, esperamos que haja um equil\u00edbrio melhor entre os setores, mas neste primeiro trimestre o com\u00e9rcio e os servi\u00e7os continuar\u00e3o indo melhor&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em nota, a equipe econ\u00f4mica do Bradesco informou que o dado negativo da produ\u00e7\u00e3o em janeiro e a estimativa preliminar de que em fevereiro a ind\u00fastria cresceu apenas 0,2% sobre o m\u00eas anterior motivaram uma ligeira revis\u00e3o para baixo na proje\u00e7\u00e3o para o PIB no primeiro trimestre, de avan\u00e7o de 0,9% para 0,6% ante o trimestre anterior. Para o ano, o banco segue projetando expans\u00e3o de 3,7%, mas com vi\u00e9s para 3,5%. &#8220;\u00c0 medida que os est\u00edmulos de pol\u00edtica econ\u00f4mica se fizerem sentir com mais for\u00e7a na demanda, deveremos ter a ind\u00fastria voltando&#8221;, explica o departamento econ\u00f4mico da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A MCM Consultores Associados tamb\u00e9m ir\u00e1 reduzir sua proje\u00e7\u00e3o para o aumento do PIB no primeiro trimestre, atualmente entre 0,9% e 1,1%, ap\u00f3s a surpresa negativa com a produ\u00e7\u00e3o industrial, conta o economista Alexandre Teixeira. Para 2012, contudo, a estimativa de 3,2% est\u00e1 mantida. &#8220;Parte dessa queda da ind\u00fastria \u00e9 tempor\u00e1ria, porque est\u00e1 muito ligada ao setor de autom\u00f3veis. O recuo deve ser parcialmente devolvido em fevereiro, mas n\u00e3o tudo&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Alessandra Ribeiro, da Tend\u00eancias Consultoria, prefere esperar indicadores de fevereiro e mar\u00e7o para alterar a proje\u00e7\u00e3o de alta de 1,3% para o PIB do primeiro trimestre, mas antecipa que o dado da ind\u00fastria de janeiro imp\u00f5e perspectiva de baixa nessa estimativa, assim como S\u00e9rgio Vale, economista-chefe da MB Associados, que tamb\u00e9m n\u00e3o mudou sua previs\u00e3o de 1%. &#8220;Mas isso est\u00e1 tendendo a acontecer. A produ\u00e7\u00e3o acendeu um sinal vermelho em janeiro, para fevereiro a indica\u00e7\u00e3o continua ruim e, mesmo com alguma recupera\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o, o PIB industrial pode ter uma queda maior do que se imaginava.&#8221;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo j\u00e1 adotou pelo menos 16 medidas setoriais<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da gest\u00e3o de Dilma Rousseff o governo federal divulgou pelo menos 16 medidas para prote\u00e7\u00e3o comercial ou para aumentar a competitividade da ind\u00fastria dom\u00e9stica. Apesar de serem consideradas positivas, a avalia\u00e7\u00e3o de representantes das ind\u00fastrias \u00e9 de que elas demoraram para ser implementadas e tiveram efeitos pontuais. A avalia\u00e7\u00e3o se estende para as medidas mais emblem\u00e1ticas do &#8220;Brasil Maior&#8221;, a pol\u00edtica industrial aplicada a partir do ano passado.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Augusto de Castro, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), diz que o impacto do Reintegra, uma das medidas do Brasil Maior, \u00e9 insuficiente para os exportadores cobrirem a perda com o real valorizado. &#8220;S\u00e3o est\u00edmulos bem-vindos, mas \u00e9 claro que 3% \u00e9 muito pouco&#8221;, avalia. O mecanismo prev\u00ea restitui\u00e7\u00e3o do equivalente a 3% das exporta\u00e7\u00f5es de manufaturados. Anunciado em agosto, a previs\u00e3o de in\u00edcio dos pagamentos era 90 dias. A restitui\u00e7\u00e3o, no entanto, come\u00e7ou com atraso, apenas a partir de janeiro, e, por isso, diz Castro, ainda n\u00e3o h\u00e1 retorno claro sobre a efici\u00eancia da restitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, diz ele, o governo tamb\u00e9m prometeu zerar o passivo, estimado em R$ 19 bilh\u00f5es, de pedidos de ressarcimento de PIS\/Cofins nas exporta\u00e7\u00f5es. Para Castro, esse valor caiu, mas pelo aumento das opera\u00e7\u00f5es internas e pela queda das exporta\u00e7\u00f5es. &#8220;Se as vendas externas crescessem, os cr\u00e9ditos voltariam a se acumular. Claramente, o forte do governo n\u00e3o \u00e9 ressarcir empresas.&#8221;<\/p>\n<p>A desonera\u00e7\u00e3o de folha foi outra medida comemorada no Brasil Maior. Para o presidente do Sindit\u00eaxtil-SP, Alfredo Bonduki, ela decepcionou. Com a medida, as empresas passaram a pagar contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria calculada sobre a receita bruta e n\u00e3o mais sobre a folha de sal\u00e1rios. A mudan\u00e7a \u00e9 obrigat\u00f3ria. &#8220;Negoci\u00e1vamos uma al\u00edquota de 0,8% sobre a receita, mas o governo adotou 1,5% e a desonera\u00e7\u00e3o aconteceu apenas para a confec\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para o t\u00eaxtil.&#8221; Segundo ele, mais de um ter\u00e7o das empresas do setor foi prejudicada e est\u00e1 pagando mais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de confec\u00e7\u00e3o, a desonera\u00e7\u00e3o foi aplicada a segmentos de cal\u00e7ados, Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (TI) e curtumes. Jos\u00e9 Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), diz que a desonera\u00e7\u00e3o foi muito pontual. &#8220;A medida precisa ser geral e a al\u00edquota sobre receita precisa ser de 0,5% nos setores de m\u00e3o de obra intensiva.&#8221; As microempresas de TI chegaram a anunciar o questionamento judicial do benef\u00edcio.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Panos Quentes, que apertou a fiscaliza\u00e7\u00e3o na importa\u00e7\u00e3o de t\u00eaxteis, tem melhor avalia\u00e7\u00e3o. A medida \u00e9 aplicada desde 17 de agosto de 2011. Nos quatro primeiros meses, houve confer\u00eancia f\u00edsica de 521 declara\u00e7\u00f5es de importa\u00e7\u00e3o no canal vermelho &#8211; sistema no qual se verifica a documenta\u00e7\u00e3o e a carga desembarcada -, que somaram cerca de US$ 26 milh\u00f5es de bens fiscalizados, sendo que 44% apresentavam irregularidades que resultaram em reten\u00e7\u00f5es. O setor cal\u00e7adista tamb\u00e9m deve ser beneficiado com verifica\u00e7\u00e3o mais rigorosa das importa\u00e7\u00f5es na Opera\u00e7\u00e3o Passos Largos. A importa\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ados j\u00e1 tem sido alvo de medidas antidumping mais rigorosas.<\/p>\n<p>Coelho, da Fiesp, diz que as medidas de defesa comercial s\u00e3o positivas, mas t\u00eam sido modestas. &#8220;O Brasil precisa deixar de ser ing\u00eanuo. A Argentina faz medidas de prote\u00e7\u00e3o mais eficazes e os americanos suspendem a compra de avi\u00f5es brasileiros. Estamos em uma guerra comercial.&#8221;<\/p>\n<p>Entre as medidas de defesa de 2011, destacou-se o aumento de 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para ve\u00edculos com baixo conte\u00fado local e importados. A medida foi aplicada em setembro, mas, alvo de questionamento, s\u00f3 passou a vigorar em 15 de dezembro. Ao menos at\u00e9 janeiro, o efeito n\u00e3o foi de aumento da produ\u00e7\u00e3o para o setor. De acordo com os dados divulgados todos os meses pela Anfavea, entidade que re\u00fane as montadoras do setor, a fabrica\u00e7\u00e3o nacional de autom\u00f3veis caiu pouco menos de 25% desde a eleva\u00e7\u00e3o do IPI, de 188 mil unidades em dezembro para 141 mil unidades em fevereiro. As varia\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram dessazonalizadas.<\/p>\n<p>Se o IPI mais alto para autom\u00f3veis ainda n\u00e3o surtiu o impacto desejado, a desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria para itens da linha branca, anunciada em dezembro, alavancou os resultados do setor. Para a Whirlpool, fabricante das marcas Brastemp e Consul, o primeiro trimestre deve ser robusto, com crescimento de dois d\u00edgitos em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011. Entre dezembro e janeiro, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o setor de m\u00e1quinas e equipamentos, no qual est\u00e3o inseridos os produtos de linha branca, teve alta de 4,5%, contrastando com o resultado para a ind\u00fastria geral, quer amargou queda de 2,1% no per\u00edodo, feitos os ajustes sazonais.<\/p>\n<p>O Plano Brasil Maior tamb\u00e9m estendeu o prazo para o Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o do Investimento (PSI) at\u00e9 o fim deste ano, com a inclus\u00e3o de tr\u00eas novas linhas. De acordo com o BNDES, foram desembolsados R$ 42,5 bilh\u00f5es em 2011, uma redu\u00e7\u00e3o de 37,5% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Em 2012, at\u00e9 o fim de fevereiro, foram mais R$ 4 bilh\u00f5es e h\u00e1 cerca de R$ 50 bilh\u00f5es ainda dispon\u00edveis para desembolso.<\/p>\n<p>Outra medida foi a recria\u00e7\u00e3o de linha de cr\u00e9dito para revitaliza\u00e7\u00e3o das empresas, o BNDES Revitaliza, com vig\u00eancia at\u00e9 o fim de 2013. A medida passou a valer em novembro do ano passado, com R$ 6,7 bilh\u00f5es dispon\u00edveis. Desse total, j\u00e1 foi contratado, at\u00e9 mar\u00e7o, R$ 1,35 bilh\u00e3o. Bonduki, do setor t\u00eaxtil, diz que o Revitaliza \u00e9 uma alternativa vi\u00e1vel para as empresas que querem investir, mas o momento n\u00e3o \u00e9 o mais adequado. &#8220;O Revitaliza \u00e9 bom, mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, porque n\u00e3o \u00e9 o momento de investir, com a produ\u00e7\u00e3o caindo 16% como caiu no ano passado&#8221;.<\/p>\n<p>Para Roriz, da Fiesp, a ind\u00fastria tem prioridade por medidas que reduzam custo e possibilitem aumento de produ\u00e7\u00e3o. E, apesar da amplia\u00e7\u00e3o de linha e de recursos dispon\u00edveis do BNDES, diz, os financiamentos ainda n\u00e3o chegam \u00e0s pequenas e m\u00e9dias empresas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo quer desonerar folha salarial de mais setores<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O governo vai ampliar a desonera\u00e7\u00e3o da folha de sal\u00e1rios das empresas para mais setores da ind\u00fastria. Fabricantes de m\u00e1quinas e equipamentos (bens de capital), autope\u00e7as, pneus e t\u00eaxtil devem ser os pr\u00f3ximos beneficiados. A medida faz parte do &#8220;arsenal&#8221; de a\u00e7\u00f5es que a presidente Dilma Rousseff pretende lan\u00e7ar para ajudar a ind\u00fastria e impulsionar a economia.<\/p>\n<p>Esses quatro setores deixar\u00e3o de recolher a contribui\u00e7\u00e3o patronal dos empregados para o INSS, o que aliviar\u00e1 o custo das empresas. Em troca, v\u00e3o pagar um imposto sobre o faturamento. Segundo uma fonte do governo, as al\u00edquotas desse tributo ser\u00e3o negociadas por setor e calibradas para dar desonera\u00e7\u00e3o efetiva \u00e0 ind\u00fastria nacional.<\/p>\n<p>O governo j\u00e1 come\u00e7ou as simula\u00e7\u00f5es. As al\u00edquotas em estudo variam de 1% a 1,5% sobre o faturamento das empresas. Ainda podem cair as al\u00edquotas para os setores que fizeram no fim do ano passado a migra\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o da folha de pagamento para o faturamento.<\/p>\n<p>O setor de m\u00f3veis, que pediu para ser exclu\u00eddo da medida em 2011 e, agora, voltou a conversar com o governo, tamb\u00e9m ser\u00e1 inclu\u00eddo nessa nova rodada. Na outra ponta, para tornar mais caras as importa\u00e7\u00f5es dos mesmos setores, o governo deve aumentar a Cofins sobre os produtos que vierem do exterior.<\/p>\n<p>Linha branca. Tamb\u00e9m est\u00e1 em estudo a possibilidade de prorrogar a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca, como geladeiras e fog\u00f5es. A manuten\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio, que acaba no fim do m\u00eas, depende de uma decis\u00e3o da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>No entendimento da equipe econ\u00f4mica a principal defesa &#8211; a de evitar a valoriza\u00e7\u00e3o excessiva do c\u00e2mbio &#8211; j\u00e1 ocorreu com a atua\u00e7\u00e3o do governo na semana passada nas opera\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimo externo. O momento agora \u00e9 o de adotar medidas de est\u00edmulo \u00e0 economia. O foco \u00e9 a ind\u00fastria, sobretudo de manufaturados, que continua com um mau desempenho.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil (Abit) informou que negocia com o governo a desonera\u00e7\u00e3o da folha e que reivindicou al\u00edquota n\u00e3o superior a 0,8% sobre o faturamento. No entanto, a fonte do governo afirma que o setor j\u00e1 concorda 1%.<\/p>\n<p>Desde dezembro, o setor de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o passou a ser taxado em 2,5% da receita bruta das empresas enquanto cal\u00e7ados e confec\u00e7\u00f5es pagam 1,5%. Em troca deixaram de recolher a contribui\u00e7\u00e3o patronal para o INSS. As al\u00edquotas foram calibradas para n\u00e3o haver redu\u00e7\u00e3o de carga tribut\u00e1ria. Agora, o Minist\u00e9rio da Fazenda quer diminuir de fato a tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a f\u00f3rmula adotada em 2011 simplifica o pagamento, mas n\u00e3o ajuda na competitividade dos produtos brasileiros. O setor t\u00eaxtil, por exemplo, se recusou a ser inclu\u00eddo no ano passado sob o argumento de que teria aumento de tributa\u00e7\u00e3o por ter cadeia produtiva longa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Dilma pede ajuda a Temer para pacificar base aliada<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Desafiada pela base aliada, a presidente Dilma Rousseff pediu socorro ao vice, Michel Temer (PMDB), sob o impacto da derrota pol\u00edtica pessoal sofrida na v\u00e9spera, quando o Senado rejeitou sua indica\u00e7\u00e3o para a dire\u00e7\u00e3o-geral da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Temer foi chamado logo cedo ao Pal\u00e1cio do Planalto e ouviu da presidente um pedido de ajuda para retomar o di\u00e1logo com o Congresso e pacificar a base conflagrada, especialmente o PMDB.<\/p>\n<p>No curto prazo, a rebeli\u00e3o ter\u00e1 pelo menos mais um efeito colateral: a vota\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal, que estava prevista para ser realizada na semana que vem, est\u00e1 adiada, e n\u00e3o ocorrer\u00e1 mais no m\u00eas de mar\u00e7o. O governo est\u00e1 convencido de que, se a vota\u00e7\u00e3o for realizada na semana que vem, o texto apoiado pelo Planalto ser\u00e1 derrotado.<\/p>\n<p>A gravidade da situa\u00e7\u00e3o foi traduzida por um dos interlocutores mais pr\u00f3ximos da presidente. O ministro da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, Gilberto Carvalho, admitiu que o Pal\u00e1cio do Planalto vive um &#8220;momento tenso&#8221; na rela\u00e7\u00e3o com a base aliada. &#8220;Vamos dialogar, conversar, entender. N\u00e3o \u00e9 hora de nenhuma declara\u00e7\u00e3o precipitada. \u00c9 hora de entender que a democracia implica vit\u00f3ria e derrota. E vamos avan\u00e7ando.&#8221;<\/p>\n<p>Decidida a distensionar o ambiente pol\u00edtico, a presidente conduziu com tranquilidade a conversa com Temer e deu uma prova concreta de que deseja aprimorar a rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com os aliados. &#8220;Respeito a decis\u00e3o do Senado e \u00e9 preciso retomar o di\u00e1logo com o Congresso&#8221;, disse Dilma ao vice, informando que, mais adiante, vai encaminhar outro nome para a diretoria-geral da ANTT ap\u00f3s a rejei\u00e7\u00e3o de Bernardo Figueiredo no Senado.<\/p>\n<p>Fracasso. Sem alternativa diante do fracasso do esquema de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Planalto, a sa\u00edda de recorrer ao vice da Rep\u00fablica e presidente licenciado do PMDB foi um reconhecimento de que sem o apoio do maior partido da base o governo n\u00e3o ter\u00e1 sossego no Congresso. Dilma fez quest\u00e3o de registrar o compromisso com Temer na agenda presidencial para enviar aos aliados o recado p\u00fablico de que o objetivo do governo \u00e9 dialogar, e n\u00e3o retaliar.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 hora de buscar culpados. Perdemos uma batalha, mas ela tem algo a nos ensinar para vencermos as pr\u00f3ximas&#8221;, disse o l\u00edder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), destacando que os 36 votos contr\u00e1rios ao governo foram a prova de que a divis\u00e3o do PMDB se estendeu a outras bancadas. &#8220;Todos os integrantes da alian\u00e7a precisam refletir melhor sobre a vota\u00e7\u00e3o. Uma alian\u00e7a tem que ser alicer\u00e7ada a cada dia.&#8221; Segundo Calheiros, a queixa mais generalizada \u00e9 a falta de interlocu\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 uma reclama\u00e7\u00e3o concreta, de pedido de cargo por exemplo. \u00c9 uma coisa mais gen\u00e9rica.&#8221;<\/p>\n<p>Aliados fi\u00e9is ao Planalto entendem que o governo errou ao insistir na vota\u00e7\u00e3o do nome de Bernardo Figueiredo. Dizem que a ministra de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, Ideli Salvatti (PT), vinha sendo alertada do risco de derrota, por conta da insatisfa\u00e7\u00e3o da base, mas n\u00e3o soube avaliar corretamente o quadro. Um de seus interlocutores no Senado diz que ela foi v\u00edtima de um misto de &#8220;ingenuidade e soberba&#8221;. Os l\u00edderes, seguidamente ignorados em seus alertas, deixaram as bancadas &#8220;soltas&#8221; na vota\u00e7\u00e3o secreta para que o governo recebesse o recado duro dos aliados.<\/p>\n<p>Equ\u00edvocos. Para o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), o governo tem errado na pol\u00edtica e na interlocu\u00e7\u00e3o com o Congresso, mas o problema n\u00e3o \u00e9 a ministra Ideli, no entender do parlamentar. A diferen\u00e7a \u00e9 que o presidente Lula conversava com os pol\u00edticos e governadores, e a presidente Dilma at\u00e9 ent\u00e3o se recusava a assumir esse papel.<\/p>\n<p>A presidente ouviu, mais uma vez, que precisa &#8220;mudar seu padr\u00e3o de comportamento pol\u00edtico&#8221; atendendo mais as bases, fazendo mais gestos pol\u00edticos, com tratamento igualit\u00e1rio a todos os partidos e a todas as lideran\u00e7as regionais.<\/p>\n<p>Os peemedebistas se queixam que Dilma privilegia o PT. Lembram que nem s\u00f3 de verbas vivem os pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m de acenos. Citam como exemplos de gestos importantes uma simples informa\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o de um projeto para a base eleitoral de um pol\u00edtico, ou descer do avi\u00e3o junto com a presidente no respectivo Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nG1\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2523\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-2523","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-EH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2523\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}