{"id":25232,"date":"2020-04-01T04:33:39","date_gmt":"2020-04-01T07:33:39","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25232"},"modified":"2020-04-01T04:33:39","modified_gmt":"2020-04-01T07:33:39","slug":"um-importante-debate-teorico-e-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25232","title":{"rendered":"Um importante debate te\u00f3rico e pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/chinazctv.com\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Mao-Zedong1.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Uma discuss\u00e3o sobre teoria francesa, economia, na\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica e mao\u00edsmo a partir de Safatle<\/p>\n<p>por Diogo Fagundes<\/p>\n<p>Respeito bastante o trabalho do fil\u00f3sofo Vladimir Pinheiro Safatle. Admiro o fato de ele procurar ser um \u201cintelectual p\u00fablico\u201d, n\u00e3o restrito apenas \u00e0 discuss\u00e3o entre pares nos espa\u00e7os acad\u00eamicos, uma figura muito necess\u00e1ria e em extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No plano pol\u00edtico, ele cumpre um papel principalmente em denunciar o que persiste da ditadura militar nas institui\u00e7\u00f5es e nos valores da sociedade brasileira atual, particularmente no car\u00e1ter assassino e racista das pol\u00edcias nas periferias brasileiras, contr\u00e1rio a uma certa apologia acr\u00edtica e comum da transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e da \u201cmodera\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d da Nova Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>J\u00e1 no plano mais propriamente filos\u00f3fico, compartilho da sua vis\u00e3o da subjetividade humana influenciada pela psican\u00e1lise lacaniana e do retorno \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica de Hegel, o que o coloca numa certa tend\u00eancia contempor\u00e2nea do pensamento cr\u00edtico &#8212; o exemplo mais famoso \u00e9 Zizek &#8212; de valoriza\u00e7\u00e3o da falta, da exce\u00e7\u00e3o, da conting\u00eancia irredut\u00edvel, da incompletude e indetermina\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do sujeito; caracter\u00edsticas estas presentes na pr\u00f3pria realidade.<\/p>\n<p>No entanto, ao longo do tempo fui percebendo algumas lacunas importantes nas suas an\u00e1lises: a aus\u00eancia de reflex\u00e3o a respeito da \u201cquest\u00e3o nacional\u201d e um certo distanciamento da ideia de desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico. Estes temas foram o alfa e \u00f4mega da esquerda brasileira durante os anos 50 e 60 e retomaram nova atualidade com o neoliberalismo.<\/p>\n<p>Ao longo deste texto, extrapolarei os textos e coment\u00e1rios do autor para especular a respeito de uma certa l\u00f3gica que opera em ambientes impregnados de uma atmosfera cultural da esquerda que se pretende radical e contempor\u00e2nea, principalmente influenciada pela filosofia da Europa continental e psican\u00e1lise. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 debater criticamente com certo estilo de pensamento que oblitera tanto o problema da depend\u00eancia nacional quanto a tem\u00e1tica do desenvolvimento das \u201cfor\u00e7as produtivas\u201d presente no marxismo cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>Compreendo o fato do desd\u00e9m do fil\u00f3sofo, mas n\u00e3o coaduno: os pensamentos associados ao desenvolvimento da na\u00e7\u00e3o foram apropriados de certa forma por um setor dos milicos na ditadura militar (pense em Ernesto Geisel), quando as profecias de certa necessidade de reformas estruturais tais como a reforma agr\u00e1ria para a decolagem da economia brasileira, associadas ao nacionaldesenvolvimentismo progressista, pareciam fora de prop\u00f3sito, afinal de contas o Brasil havia adensado cadeias produtivas, criado um parque industrial de respeito e se tornado a principal economia da periferia capitalista sem redistribuir renda ou riqueza.<\/p>\n<p>No entanto, esta \u00e9 uma vis\u00e3o cujo sentido fica restrito \u00e0 \u00f3tica dos anos 80. Hoje est\u00e1 claro que o Brasil desde ent\u00e3o sofre um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o, com consequ\u00eancias sociais tr\u00e1gicas para o emprego, renda e produtividade, se distanciando daquelas pot\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o as quais havia diminu\u00eddo a dist\u00e2ncia em capacidade cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica e ficando para tr\u00e1s at\u00e9 de economias que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo eram bem inferiores ao aparato produtivo nacional (China, Coreia do Sul, \u00cdndia).<\/p>\n<p>Nesta conjuntura, uma cr\u00edtica gen\u00e9rica a todo e qualquer \u201cdesenvolvimentismo\u201d significa coadunar, de certa forma, com os ide\u00f3logos do mercado globalizado: o problema do desenvolvimento e da depend\u00eancia, principalmente a dos EUA, fora superado, ou ent\u00e3o, simplesmente constitui um falso problema.<\/p>\n<p>O que Satafle diz a respeito do atraso tecnol\u00f3gico brasileiro, da sua completa falta de rela\u00e7\u00e3o com os avan\u00e7os da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 (mas j\u00e1 anteriormente, na chamada \u201cterceira revolu\u00e7\u00e3o industrial\u2019 da microeletr\u00f4nica), sua regress\u00e3o na divis\u00e3o internacional do trabalho para um padr\u00e3o prim\u00e1rio-exportador, sua especializa\u00e7\u00e3o em setores intensivos em mat\u00e9rias-primas?<\/p>\n<p>Ora, o Brasil n\u00e3o \u00e9 a Fran\u00e7a, onde Safatle aprofundou seus conhecimentos em filosofia e de onde mais claramente retira suas influ\u00eancias. L\u00e1 desindustrializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada a um elevado n\u00edvel de desenvolvimento e exporta\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas para pa\u00edses mais pobres; aqui, significa mais neocolonialismo mesmo. Faz sentido para um pensador franc\u00eas colocar entre par\u00eanteses o tema do desenvolvimento econ\u00f4mico; no Brasil significa adequa\u00e7\u00e3o ao consenso de que o PIB n\u00e3o precisa crescer tanto e que a desnacionaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9, na verdade, algo positivo.<\/p>\n<p>Mas o Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma rep\u00fablica das Antilhas: seu tamanho territorial, recursos naturais e popula\u00e7\u00e3o exigem que pensemos a respeito de sua economia com a mesma r\u00e9gua adotada para se enxergar os EUA, a Uni\u00e3o Europeia, o Jap\u00e3o &#8212; pa\u00edses que nem de longe abdicam da soberania econ\u00f4mica. \u00c9 o crit\u00e9rio que a China, um pa\u00eds da categoria \u201cem desenvolvimento\u201d, adota, por exemplo: elevar o PIB per capita de forma r\u00e1pida, adquirir autonomia tecnol\u00f3gica, diversificar sua sociedade e seus servi\u00e7os a partir do crescimento da ind\u00fastria. Sem isso, qualquer pretens\u00e3o de soberania estatal \u00e9 conto da carochinha, pois ficamos condenados &#8212; e por conseguinte, a Am\u00e9rica Latina, pois n\u00e3o h\u00e1 nenhum outro pa\u00eds nesta regi\u00e3o do globo com esta potencialidade &#8212; a sermos eternamente subordinados \u00e0s outras pot\u00eancias.<\/p>\n<p>Falei em soberania nacional. Talvez estas palavras sejam o problema. Afinal de contas, pensar a liberta\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o significa ficar a reboque de um mito (a \u201cburguesia nacional\u201d anti-imperialista) compartilhado pelo PCB e enterrado por FHC &#8212; ou numa vis\u00e3o mais radical, por Ruy Mauro Marini, ostracizado durante muito tempo pela teoria da depend\u00eancia mais mainstream &#8212; h\u00e1 mais de cinquenta anos. Al\u00e9m do mais, a l\u00f3gica nacional tem que ser suprimida se quisermos pensar de maneira universalista e igualit\u00e1ria, para al\u00e9m dos particularismos e suas rivalidades, que tantas guerras e mal nos trouxeram.<\/p>\n<p>Esta abordagem, por mais que parta de problemas reais, torna-se insuficiente para quem est\u00e1 inserido na periferia do capitalismo. Sim, a quest\u00e3o \u201cnacional\u201d \u00e9 algo historicamente burgu\u00eas. No entanto, \u00e9 ilus\u00f3rio achar que est\u00e1 colocado na ordem do dia &#8212; apesar de ser nosso horizonte &#8212; a supera\u00e7\u00e3o do Estado nacional e da geopol\u00edtica dos conflitos entre interesses nacionais distintos. Quem se prop\u00f5e a discutir o fim do Estado nacional dentro dos par\u00e2metros econ\u00f4micos atuais est\u00e1, na pr\u00e1tica, propondo sua fraqueza relativa frente a outros poderes, principalmente o das corpora\u00e7\u00f5es transnacionais.<\/p>\n<p>Urge, portanto, pensar a quest\u00e3o nacional dentro de um paradigma presente em Leon Trotsky: \u00e9 uma tarefa democr\u00e1tico-burguesa &#8212; assim como a reforma agr\u00e1ria, por exemplo &#8212; pendente nos pa\u00edses de capitalismo retardat\u00e1rio, cuja solu\u00e7\u00e3o efetiva pode advir somente de um processo que supere os marcos burgueses, devido \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o das burguesias locais ao imperialismo e a poderes tradicionais antigos, como o latif\u00fandio.<\/p>\n<p>Mais abstratamente ainda, \u00e9 preciso pensar este tema dentro de uma problem\u00e1tica hegeliana (universalidade, particularidade, singularidade) que, como toda dial\u00e9tica genu\u00edna, opera em tr\u00edade e n\u00e3o em binarismos absolutos. O universal, o comunismo &#8212; Satafle n\u00e3o utiliza a palavra, mas penso que n\u00e3o h\u00e1 outro nome poss\u00edvel a uma real alternativa \u00e0 modernidade diferente ao capitalismo &#8212; pode se realizar no nacional: pensemos em Cuba e como em sua l\u00f3gica patri\u00f3tica, uma das for\u00e7as essenciais \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, em nada antagoniza \u00e0 solidariedade universal que tantas vezes demonstrou, seja no aux\u00edlio a guerrilhas anticoloniais ou no envio de m\u00e9dicos a pa\u00edses afetados por cat\u00e1strofes. Na verdade, \u00e9 algo presente desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa em sua fase mais igualit\u00e1ria, a jacobina: o nacionalismo c\u00edvico andava em conson\u00e2ncia com a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos nas col\u00f4nias e a recusa ao exclusivismo chauvinista (todo cidad\u00e3o que adotasse algu\u00e9m ou cuidasse de um idoso era considerado franc\u00eas).<\/p>\n<p>\u00c9 verdade, contudo, que este ainda \u00e9 um terreno cheio de obst\u00e1culos e armadilhas. Para quem quiser visualiz\u00e1-los pode olhar os posicionamentos paranoicos de alguns comentaristas do portal Duplo Expresso, \u00e0s vezes flertando com del\u00edrios conspiracionistas mais remetente \u00e0 En\u00e9as Carneiro do que a Che Guevara, com afinidades eletivas enormes com os integralistas ou seguidores do Alexander Dugin &#8212; algu\u00e9m que merece ser lido e de uma originalidade ecl\u00e9tica interessante, mas tal como Julius Evola, Oswald Spengler e pensadores do estilo, jamais pode basear o pensamento de algum socialista ou comunista; ali\u00e1s, ele se coloca explicitamente contr\u00e1rio a isto.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso dizer que esta aspira\u00e7\u00e3o universalista cubana foi mantida &#8212; ainda que com limita\u00e7\u00f5es, impostas pelo isolamento e bloqueio &#8212; devido ao fato de seu Estado n\u00e3o estar inserido numa l\u00f3gica direta de disputa de territ\u00f3rios, fronteiras, mercados, mat\u00e9rias-primas. Em experi\u00eancias de tentativas de ultrapassagem capitalista em Estados com condi\u00e7\u00f5es virtuais ou reais de pot\u00eancia, tais como a URSS e a China, a l\u00f3gica geopol\u00edtica, voltada ao atendimento prim\u00e1rio de suas fronteiras internas, se imp\u00f5e, ap\u00f3s tentativas iniciais de aspira\u00e7\u00e3o internacionalista, o que configura um problema ainda n\u00e3o solucionado na tradi\u00e7\u00e3o comunista &#8212; que n\u00e3o deve ser resumido \u00e0 figura do Stalin e seu \u201csocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d, como faz certo trotskismo vulgar, mas \u00e0s press\u00f5es da in\u00e9rcia do mundo tal como ele \u00e9 ap\u00f3s o esgotamento das energias revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Todo este debate faz muito mais sentido para n\u00f3s, latino-americanos do que \u00e0s pot\u00eancias do chamado equivocadamente de \u201cOcidente\u201d, nas quais pensadores de esquerda podem se gabar de imaginar o fim da l\u00f3gica estatal de Westf\u00e1lia &#8212; ou mesmo qualquer Estado &#8212; e a fuga da discuss\u00e3o do desenvolvimento e da depend\u00eancia. Ali\u00e1s, nem na Fran\u00e7a esta tem\u00e1tica pode ser abordada de maneira \u201cpura\u201d: o orientador de doutorado de Vladimir Safatle, o fil\u00f3sofo Alain Badiou, em suas interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas costuma discorrer sobre a subordina\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a ao capitalismo norte-americano, inclusive em seus valores (a \u201camericaniza\u00e7\u00e3o\u201d presente no consumismo hedonista e \u00e0 imbeciliza\u00e7\u00e3o da cultura de massas, associados ao EUA, por exemplo), mas principalmente, na l\u00f3gica geopol\u00edtica &#8212; a discuss\u00e3o sobre a OTAN e sua l\u00f3gica colonial de bombardeios, saques e demais agress\u00f5es aos pa\u00edses dos antigos Segundo e Terceiro Mundo.<\/p>\n<p>Pois bem, Badiou me leva \u00e0 segunda metade do meu texto &#8212; sim, \u00e9 um aut\u00eantico \u201ctext\u00e3o\u201d, t\u00e3o livre e ca\u00f3tico quando as redes sociais &#8212; que almejava: as rela\u00e7\u00f5es entre teoria francesa e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a conheceu, ap\u00f3s a febre do existencialismo, uma vaga chamada de \u201cestruturalismo\u201d.<\/p>\n<p>A express\u00e3o serve para designar um conjunto guarda-chuva de autores, bastante diferentes entre si, muitas vezes se opondo de maneira pol\u00eamica, marcado por uma semelhan\u00e7a &#8212; a tentativa de dar rigor formal \u00e0s ci\u00eancias humanas por meio da lingu\u00edstica. Das aporias aparentemente insol\u00faveis do estruturalismo &#8212; estrutura x sujeito; hist\u00f3ria x pol\u00edtica; natureza x cultura &#8212; surge o mal definido \u201cp\u00f3s-estruturalismo\u201d, que inclui muitas vezes os mesmos autores do primeiro, a exemplo de Jacques Lacan e Michel Foucault.<\/p>\n<p>Durante muito tempo julguei toda essa heran\u00e7a intelectual como \u201cidealismo p\u00f3s-moderno\u201d, preso que eu estava a um certo marxismo vulgar e esquem\u00e1tico &#8212; \u201cse n\u00e3o fala de economia n\u00e3o \u00e9 materialista\u201d. Em um per\u00edodo posterior, um pouco mais habituado \u00e0 dial\u00e9tica e a Hegel, \u201ccomprei\u201d a cr\u00edtica presente em autores de vi\u00e9s lukacsiano, at\u00e9 hoje refer\u00eancias maiores para mim, como Carlos Nelson Coutinho e Jos\u00e9 Paulo Netto. Tamb\u00e9m me influenciava bastante as considera\u00e7\u00f5es cr\u00edticas vindas de Perry Anderson. Em um certo historicismo, eu enxergava, portanto, este movimento como um modismo irracionalista da fase \u201cdecadente\u201d, pessimista e contrarrevolucion\u00e1ria da burguesia p\u00f3s-1848 &#8212; obras de Luk\u00e1cs tais como \u201cA destrui\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o\u201d permitem uma leitura que cataloga gen\u00e9rica e apressadamente todo este corpo de pensamento.<\/p>\n<p>O palavr\u00f3rio complexo e \u00e0s vezes herm\u00e9tico de boa parte destes autores &#8212; a dificuldade de ler Lacan \u00e9 famosa, por exemplo &#8212; certamente n\u00e3o ajudava no meu primeiro contato com estas obras, mas hoje percebo a riqueza e inventividade deste per\u00edodo recente do pensamento ocidental, que colocou novas quest\u00f5es e desafios para qualquer um que queira pensar na contemporaneidade.<\/p>\n<p>Jacques Lacan, por exemplo, uma das refer\u00eancias maiores de Safatle, sofre as maiores distor\u00e7\u00f5es pregui\u00e7osas. A sua leitura racionalista de Freud, interpretando o inconsciente n\u00e3o como algo il\u00f3gico &#8212; como faz a Lebensphilosphie &#8212; mas, sim, como uma estrutura simb\u00f3lica complexa, \u00e9 de um racionalismo quase cartesiano (ali\u00e1s, ele faz alus\u00e3o explicitamente ao cogito de Descartes em sua leitura do sujeito), mas, bizarramente, ainda o acusam de irracionalista.<\/p>\n<p>Cr\u00edticos dizem que falta dial\u00e9tica, mas somente uma leitura muito mal feita poderia chegar a esta conclus\u00e3o: a tr\u00edade do imagin\u00e1rio, simb\u00f3lico e real \u00e9 uma das dial\u00e9ticas mais sofisticadas j\u00e1 criadas pelo pensamento humano. Ali\u00e1s, foram as pr\u00f3prias considera\u00e7\u00f5es sobre o real vindas deste autor que colocaram quest\u00f5es novas e complexas para a ci\u00eancia e o materialismo filos\u00f3fico, tirando a psican\u00e1lise de uma mera defesa conformista e \u201cadaptativa\u201d do ego &#8212; como \u00e9 dominante neste disciplina no mundo anglo-americano &#8211;, fazendo ela desvendar a fundo as complexidades da subjetividade humana.<\/p>\n<p>Alguns dos subprodutos deste universo podem ser encontrado na revista \u201cCahier pour l\u2019analyse\u201d, editada na \u00e9poca por seguidores lacano-mao\u00edstas (pois \u00e9!) de Louis Althusser. L\u00e1 encontramos excelentes e inovadores reflex\u00f5es sobre epistemologia, em busca de compatibilizar marxismo, psican\u00e1lise e o rigor formal exigido pelo estado atual das ci\u00eancias. Infelizmente, trata-se de algo esquecido, inclusive por alguns dos seus principais nomes &#8212; como Jacques-Alain Miller, que de mao\u00edsta lacaniano inovador se tornou um defensor dogm\u00e1tico tanto de um dogmatismo lacaniano escol\u00e1stico (uma contradi\u00e7\u00e3o em termos) quanto um apologeta da democracia liberal burguesa.<\/p>\n<p>Muitos devem ter se espantado com a men\u00e7\u00e3o ao \u201clacano-mao\u00edsmo\u201d. Pois \u00e9, na Fran\u00e7a &#8212; mas tamb\u00e9m nos EUA, basta ver a influ\u00eancia do mao\u00edsmo no pensamento dos Panteras Negras e figuras associadas ao movimento negro radical tais como o poeta Amiri Baraka &#8212; o movimento mao\u00edsta constituiu um evento intelectual radical e criativo. Um dos maiores problemas das leituras que se faz deste per\u00edodo intelectual est\u00e1 na ignor\u00e2ncia acerca deste fato. Assim, muitos leitores de Ranci\u00e8re, Badiou, Balibar ou mesmo Deleuze e Foucault (que polemizavam com os mao\u00edstas) e Sartre (que panfletava jornais mao\u00edstas na rua) n\u00e3o conseguem apreender determina\u00e7\u00f5es importantes destes autores por desconhecerem a tradi\u00e7\u00e3o comunista, mais em geral, e o mao\u00edsmo, em particular. Esta hist\u00f3ria rica foi apagada pelos donos do mundo. Ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o conservadora dos anos 80\/90 mencionar o nome de Mao virou pecado mortal para setores amplos e dominantes da academia, t\u00e3o arrogantes quanto ignorantes.<\/p>\n<p>A\u00ed reside uma das causas da minha problematiza\u00e7\u00e3o do pensamento influenciado pela Fran\u00e7a deste per\u00edodo que se abst\u00e9m de considerar a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria daquela \u00e9poca, atrav\u00e9s de uma leitura puramente acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Alain Badiou, por exemplo, ao contr\u00e1rio de Safatle, nunca falaria que n\u00e3o \u00e9 um homem para disputar partido &#8212; nisto Safatle lembra mais Adorno &#8212; como o professor da USP deu a entender na entrevista com o Fernando Haddad, rec\u00e9m divulgada em v\u00eddeo. Para Badiou, a pol\u00edtica emancipat\u00f3ria \u00e9 sempre coletiva, popular (\u201cas grandes trocas de experi\u00eancias com as massas\u201d, um jarg\u00e3o do mao\u00edsmo) e elaborada de maneira organizada e disciplinada. Assim, as reflex\u00f5es e experi\u00eancias do intelectual franc\u00eas acerca do fim da forma partido (que para ele est\u00e3o associadas a uma supera\u00e7\u00e3o do leninismo j\u00e1 presente no pr\u00f3prio Mao da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural) podem se tornar perora\u00e7\u00f5es anarc\u00f3ides e espontane\u00edstas ou simplesmente antipol\u00edtica de classe m\u00e9dia quando descoladas de seu substrato cultural e hist\u00f3rico original.<\/p>\n<p>O mao\u00edsmo franc\u00eas era diversificado e continha diversas tend\u00eancias, desde a nostalgia pelo passado do PCFML, uma certa tentativa de reavivamento dos anos mais duros e her\u00f3icos do comunismo franc\u00eas quando liderado por Maurice Thorez, passando pelas tend\u00eancias quase anarquistas da Gauche Proletari\u00e9nne, com seu culto \u00e0 viol\u00eancia espetaculosa e midi\u00e1tica &#8212; car\u00e1ter pequeno-burgu\u00eas que j\u00e1 anunciava a posterior convers\u00e3o de Bernard-Henri L\u00e9vy e outros jovens mao\u00edstas em fil\u00f3sofos pop star mais habituados \u00e0 m\u00eddia do que \u00e0 reflex\u00e3o cr\u00edtica &#8212; at\u00e9 a UCFML, talvez o grupo mais original, liderado por Alain Badiou mas tamb\u00e9m por outras figuras intelectuais interessantes como Sylvain Lazarus e Natacha Michel. O mao\u00edsmo, al\u00e9m disto, estava impregnado, ainda que de forma um tanto est\u00e9tica, na influente revista liter\u00e1ria \u201cTel Quel\u201d&#8211; associada a Philippe Sollers e outros escritores importantes.<\/p>\n<p>Este partido, ou melhor, esta uni\u00e3o de comunistas em busca de um \u201cpartido de novo tipo\u201d, como eles pr\u00f3prio se definiam, assim como a sua transforma\u00e7\u00e3o (a Organisation Politique) em um contexto p\u00f3s-crise do movimento oper\u00e1rio, do marxismo e do fim da URSS, constituem condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para se entender a \u00e9poca e extrair o conte\u00fado real do pensamento produzido por aqueles envolvidos no p\u00f3s-maio de 1968. No entanto, s\u00e3o poucos os que o fazem. Safatle, por exemplo, abarca v\u00e1rias dimens\u00f5es da trajet\u00f3ria empreendida por Badiou &#8212; as artes de vanguarda, os debates do estruturalismo, o pensamento de Lacan, a dial\u00e9tica de Hegel &#8212; com a exce\u00e7\u00e3o (al\u00e9m da matem\u00e1tica p\u00f3s cantoriana) daquilo que n\u00e3o pode ser nomeado: Mao e o comunismo.<\/p>\n<p>O que buscavam estes mao\u00edstas? Liam no Mao justamente aquilo que faltava no pensamento stalinista &#8212; que nada mais \u00e9 que o leninismo petrificado em dogmas da economia e da pol\u00edtica&#8211;, mas tamb\u00e9m \u00e0 tentativa de Althusser (ele pr\u00f3prio tamb\u00e9m inluenciado por Mao) de reformular o marxismo-leninismo e o materialismo dial\u00e9tico e hist\u00f3rico, esbarrando no impasse estruturalista mais comum: a import\u00e2ncia da subjetividade e da transforma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria (compreendida em termos de estruturas, tend\u00eancias ou leis objetivas) em ag\u00eancia pol\u00edtica transformadora.<\/p>\n<p>Mao, dentre todos os nomes do marxismo, \u00e9 o revolucion\u00e1rio que mais \u00eanfase deu ao papel da subjetividade: o entusiasmo das massas capaz de derrotar ex\u00e9rcitos muito mais poderosos &#8212; como de fato ocorreu na revolu\u00e7\u00e3o chinesa &#8211;, a valoriza\u00e7\u00e3o da luta cultural contra o \u201cvelho\u201d(\u201cdevemos ser tanto a flecha quanto o alvo\u201d), o papel das massas acima da burocracia partid\u00e1ria, a busca fren\u00e9tica para alcan\u00e7ar o comunismo visto na sua acep\u00e7\u00e3o mais igualit\u00e1ria poss\u00edvel (a supera\u00e7\u00e3o das \u201ctr\u00eas grandes divis\u00f5es\u201d, envolvendo a supera\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o entre trabalho manual e intelectual; campo e cidade; e entre as nacionalidades, mas tamb\u00e9m entre g\u00eaneros, haja vista a import\u00e2ncia da liberta\u00e7\u00e3o feminina no programa da revolu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Havia portanto um Mao diferente daquele que defendeu o legado de St\u00e1lin contra Kruschev (este \u00e9 um dos que tamb\u00e9m existia): o escritor de coment\u00e1rios cr\u00edticos ao manual de economia pol\u00edtica sovi\u00e9tico, o cr\u00edtico da pol\u00edtica de industrializa\u00e7\u00e3o de St\u00e1lin baseada na coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do campo, o estimulador rebelde da juventude estudantil contra a autoridade do pr\u00f3prio partido. At\u00e9 mesmo naquilo que falhou de maneira barulhenta (o Grande Salto Adiante, a incapacidade da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural criar um novo modelo globalmente distinto ao sovi\u00e9tico), est\u00e3o presentes estas marcas de subjetivismo contr\u00e1rias a uma ortodoxia de leis econ\u00f4micas r\u00edgidas definindo a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ele, afinal de contas, defendia que a superestrutura poderia definir a infraestrutura, que as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o poderiam ganhar proemin\u00eancia frente \u00e0s for\u00e7as produtivas; que a for\u00e7a rebelde das massas poderia estar \u00e0 frente da consci\u00eancia da vanguarda partid\u00e1ria; que o campesinato poderia ocupar um papel de mais destaque at\u00e9 que o proletariado industrial. Neste sentido \u201cheterodoxo\u201d, encontro paralelos com Che Guevara e com intelectuais das revolu\u00e7\u00f5es anticoloniais (como Franz Fanon).<\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s deste mao\u00edsmo que muitos &#8212; incluindo o Badiou &#8212; encontraram uma maneira de contornar os impasses derivados do objetivismo cientificista de Louis Althusser e outros arautos do anti-humanismo te\u00f3rico. Um pensamento do sujeito radicalmente novo &#8212; o que era negado por todos deste movimento estruturalista, com exce\u00e7\u00e3o de Lacan, da\u00ed a import\u00e2ncia deste \u00faltimo &#8212; p\u00f4de surgir, englobando toda uma \u00e9tica pr\u00f3pria. At\u00e9 mesmo as dificuldades e limita\u00e7\u00f5es destes autores, como uma tend\u00eancia ao voluntarismo pol\u00edtico sem media\u00e7\u00f5es com a economia, uma certa vis\u00e3o subjetivista das classes sociais, vistas mais como constructos filos\u00f3ficos do que como conjuntos econ\u00f4mico-sociais, uma incapacidade de formular o problema do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas nos pa\u00edses atrasados, gerando o problema do \u201cigualitarismo na pobreza\u201d&#8211; limita\u00e7\u00f5es estas que Safatle ret\u00e9m, ao meu ver, e que impedem estes autores de atribu\u00edrem valores positivos \u00e0 China atual &#8212; devem ser lidas como tentativas de fugir do economicismo determinista do \u201cmaterialismo dial\u00e9tico e hist\u00f3rico\u201d divulgado por Stalin e operado na base do sistema filos\u00f3fico oficial da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Mao, para Alain Badiou, \u00e9 o nome pr\u00f3prio que circula e \u201cd\u00e1 cola\u201d \u00e0quilo que deve se extrair de Jean-Paul Sartre, Althusser e Lacan em conjunto. Era uma maneira de ao mesmo tempo defender o movimento da vida e a cria\u00e7\u00e3o do novo, preservando uma abertura frente \u00e0 jaula de a\u00e7o da estrutura, e manter no entanto, uma ideia de consist\u00eancia e ordem, ao contr\u00e1rio de Deleuze, suas \u201cm\u00e1quinas desejantes\u201d e outros de tend\u00eancia mais anarquista dos legat\u00e1rios de maio de 68 &#8212; o fato de Deleuze poder ser apropriado atualmente por liberais defensores do capitalismo p\u00f3s-moderno nos faz pensar em como o anarquismo, a ideia de horizontalidade din\u00e2mica e totalmente fluida, o antiautoritarismo gen\u00e9rico, podem se converter em liberalismo, o que nos permite ver a limita\u00e7\u00e3o estrutural de Antonio Negri e autores p\u00f3s-marxistas do g\u00eanero.<\/p>\n<p>(Da\u00ed porque o absurdo, defendido at\u00e9 por professores universit\u00e1rios, de que n\u00e3o se deve ler ou discutir St\u00e1lin. Sem este contato, n\u00e3o se entende nada das discuss\u00f5es do movimento comunista do s\u00e9culo XX. Da\u00ed tamb\u00e9m porque o absurdo cometido por alguns trotskistas quando igualam simplisticamente Mao a St\u00e1lin).<\/p>\n<p>Apenas para concluir esta passagem pelo mao\u00edsmo e chegar ao argumento central do meu escrito: um dos erros de interpreta\u00e7\u00e3o mais evidentes, para mim, do pensamento de Alain Badiou, est\u00e1 na associa\u00e7\u00e3o de sua teoria do evento &#8212; uma conting\u00eancia ontol\u00f3gica imprevis\u00edvel capaz de dar origem a uma verdade nova e universal &#8212; a algo da ordem do milagre, da gra\u00e7a divina, totalmente sem rela\u00e7\u00f5es com o mundo atual. Somente comete este erro de leitura quem esquece de revisitar as suas pol\u00eamicas dentro do movimento mao\u00edsta, quanto se colocou de forma contr\u00e1ria \u00e0 doutrina esquerdista da novidade absoluta, a \u201contologia do anjo\u201d de Christian Jambet e Guy Lardreau. A academia &#8212; e a\u00ed situo Vladimir Safatle, talvez injustamente &#8212; n\u00e3o d\u00e1 a import\u00e2ncia a estas quest\u00f5es pol\u00edticas, como se elas n\u00e3o fossem essenciais para interpretar n\u00e3o apenas Badiou, mas todos os intelectuais deste per\u00edodo hist\u00f3rico na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Safatle, resumindo, ao meu ver, mant\u00e9m limita\u00e7\u00f5es desta tradi\u00e7\u00e3o francesa &#8212; a aus\u00eancia de reflex\u00e3o sobre economia e geopol\u00edtica &#8212; ao mesmo tempo em que n\u00e3o se apropria da rica discuss\u00e3o pol\u00edtica derivada dos impasses do marxismo-leninismo, que ganharam uma tentativa de reformula\u00e7\u00e3o por meio do mao\u00edsmo na Europa e EUA &#8212; aqui na Am\u00e9rica Latina, algo paralelo ocorreu por meio das guerrilhas guevaristas, se chocando com as mesmas dificuldades e bloqueios.<\/p>\n<p>Estas lacunas e vieses de interpreta\u00e7\u00e3o fazem justi\u00e7a, de certa forma, a Domenico Losurdo, quando este acusa o \u201cmarxismo ocidental\u201d de renegar o debate da liberta\u00e7\u00e3o nacional e do desenvolvimento econ\u00f4mico na periferia do capitalismo. Modestamente afirmo que esta \u201cpolitiza\u00e7\u00e3o\u201d maior do pensamento filos\u00f3fico do professor brasileiro certamente enriqueceria sua capacidade anal\u00edtica e daria contornos ao mesmo tempo mais radicais e mais pr\u00e1ticos \u00e0s suas interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25232\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[33],"tags":[228],"class_list":["post-25232","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c34-marxismo","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6yY","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25232\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}