{"id":25239,"date":"2020-04-01T04:44:12","date_gmt":"2020-04-01T07:44:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25239"},"modified":"2020-04-01T04:44:12","modified_gmt":"2020-04-01T07:44:12","slug":"coronavirus-e-expressao-da-mundializacao-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25239","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus \u00e9 express\u00e3o da mundializa\u00e7\u00e3o do capital!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/unidadeclassista.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/WhatsApp-Image-2020-03-30-at-12.58.31-800x454.jpeg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->DIEGO DE OLIVEIRA SOUZA*<\/p>\n<p>N\u00e3o foi a pandemia da Covid-19 (doen\u00e7a causada pelo novo coronav\u00edrus) que determinou o caos social, mas foi o caos social (inerente ao capitalismo) que criou as bases para o estabelecimento da pandemia! Mais especificamente, devemos reconhecer que foi a mundializa\u00e7\u00e3o do capital \u2013 ora manifesta no que se convencionou chamar de globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 a respons\u00e1vel pelas bases sociais da pandemia do coronav\u00edrus, sobretudo pela velocidade com a qual se desenvolveu.<\/p>\n<p>Para Fran\u00e7ois Chesnais, a mundializa\u00e7\u00e3o do capital marca a fase contempor\u00e2nea do capitalismo, porquanto ocorra a centraliza\u00e7\u00e3o de capitais gigantescos ante um \u201cnovo\u201d conjunto de rela\u00e7\u00f5es internacionais, que (re)modela a esfera econ\u00f4mica e que elimina qualquer fronteira que se interponha \u00e0 expans\u00e3o geopol\u00edtica do capital. Tal processo se reflete em determinada conforma\u00e7\u00e3o da vida social, em um novo arranjo espa\u00e7o temporal, com acelera\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o do capital nas suas variadas formas (sobremaneira na especula\u00e7\u00e3o financeira), tr\u00e2nsito r\u00e1pido de pessoas e objetos por grandes dist\u00e2ncias e com repercuss\u00e3o global de fatos nacionais.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica se reproduz at\u00e9 mesmo nas microinst\u00e2ncias, determinando padr\u00f5es fugazes de educa\u00e7\u00e3o, cultura e consumo em geral. Mesmo entre os segmentos mais pauperizados da classe trabalhadora, introjeta-se um estilo de vida determinado por esse formato internacional, ainda que lhes seja prometido e, logo depois, negado o acesso \u00e0 maior parte das supostas \u201cbenesses\u201d da globaliza\u00e7\u00e3o (1). Pensando com M\u00e9sz\u00e1ros, a din\u00e2mica contempor\u00e2nea do capitalismo nada mais \u00e9 do que a resposta do capital \u00e0 sua crise estrutural (2).<\/p>\n<p>Ao chegar aos seus limites e evidenciar a sua insustentabilidade, o capital tenta remediar o irremedi\u00e1vel. Tanto \u00e9 que a superficial sensa\u00e7\u00e3o de administra\u00e7\u00e3o da crise cai por terra quando se percebe que a partir das respostas dadas surgem novas amea\u00e7as e, assim, descobre-se que o \u201crem\u00e9dio\u201d \u00e9, na verdade, \u201cveneno\u201d. Essa din\u00e2mica an\u00e1rquica e catastr\u00f3fica est\u00e1 no \u201cgen\u00f3tipo\u201d (ess\u00eancia) capitalista e o atual momento da sa\u00fade global \u00e9 o seu \u201cfen\u00f3tipo\u201d (apar\u00eancia). Fica clarividente o car\u00e1ter contradit\u00f3rio desse modo de organizar a vida, inclusive porque o corol\u00e1rio de medidas neoliberais em resposta do capital \u00e0 crise estrutural foi respons\u00e1vel por fragilizar as estruturas sociais capazes de mitigar a pandemia.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos temos acompanhado um desmonte intenso das pol\u00edticas de sa\u00fade p\u00fablica em v\u00e1rias partes do mundo, fragiliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia ou o direcionamento das pesquisas aos interesses sup\u00e9rfluos do mercado e, agora, o Estado Neoliberal se v\u00ea obrigado a recorrer a tudo aquilo que ele negou e relegou. Todavia, basta um olhar mais atento sobre o que \u00e9 o sistema do capital para ver que esse car\u00e1ter contradit\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 uma excepcionalidade, mas algo que lhe \u00e9 constituinte.<\/p>\n<p>Obviamente, nesses momentos mais agudos, fica mais f\u00e1cil perceber quem \u00e9 o verdadeiro \u201cgigante de p\u00e9s de barro\u201d. Podem at\u00e9 existir argumentos que afirmem que, se foi a globaliza\u00e7\u00e3o que criou as bases da pandemia, \u00e9 tamb\u00e9m ela que, devido \u00e0 alta velocidade de troca de informa\u00e7\u00f5es, vai resolver o problema.<\/p>\n<p>Tal reflex\u00e3o, al\u00e9m de rasa, apenas ratifica o car\u00e1ter contradit\u00f3rio do sistema, inclusive porque os resultados dessa suposta resolu\u00e7\u00e3o, se acompanharem o que a hist\u00f3ria tem demonstrado, n\u00e3o passar\u00e3o de deslocamentos do eixo do problema e\/ou disfarces. Ademais, o quiproqu\u00f3 do problema ganhar\u00e1 suas formas mais claras quando a Covid-19 se tornar epidemiologicamente mais relevante nos pa\u00edses da periferia capitalista, inclusive entre indiv\u00edduos que ter\u00e3o dificuldades em seguir as normas de preven\u00e7\u00e3o com o rigor que a situa\u00e7\u00e3o exige. Portanto, as respostas dadas \u00e0 pandemia chegar\u00e3o com intensidades diferentes nos polos que constituem essa rela\u00e7\u00e3o desigual e, talvez, quando a doen\u00e7a se tornar menos relevante nos pa\u00edses de economia avan\u00e7ada, as institui\u00e7\u00f5es globalizadas passem a lhe dar menor import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Novamente, a desigualdade social inerente ao sistema poder\u00e1 determinar consequ\u00eancias desiguais entre as classes sociais, o que pode adiar a conten\u00e7\u00e3o da curva ascendente no n\u00famero de casos novos e de mortes por Covid-19, mas sem o mesmo apelo social.<\/p>\n<p>Com efeito, a estrat\u00e9gia moment\u00e2nea de enfrentamento da pandemia se localiza nas medidas de preven\u00e7\u00e3o que envolvem higiene e isolamento social (o que \u00e9 urgente!). Entretanto, n\u00e3o podemos fechar os olhos para o fato de que a dura\u00e7\u00e3o e as sequelas da Covid-19 ter\u00e3o impactos diferentes nas na\u00e7\u00f5es e, dentro delas, nas classes sociais.<\/p>\n<p>S\u00f3 o combate radical \u00e0 desigualdade social (e, portanto, da estrutural social que lhe determina) poder\u00e1 abrir horizontes verdadeiramente humanos para a sa\u00fade global, at\u00e9 porque o processo de mundializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa d\u00favidas de que para o capital n\u00e3o h\u00e1 fronteiras (o que vale tamb\u00e9m para as doen\u00e7as), alcan\u00e7ando tudo e todos, mas sempre de formas desiguais.<\/p>\n<p>Cita\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>1 \u2013 Chesnais, F. A mundializa\u00e7\u00e3o do capital, S\u00e3o Paulo: Xam\u00e3,1996.<\/p>\n<p>2 \u2013 M\u00e9sz\u00e1ros, I. Para al\u00e9m do Capital: rumo a uma teoria da transi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Boitempo. 2009.<\/p>\n<p>*Professor do PPGSS-UFAL\/ Macei\u00f3 e da gradua\u00e7\u00e3o em Enfermagem\/UFAL\/Arapiraca<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"EqWKloK4ay\"><p><a href=\"http:\/\/unidadeclassista.org.br\/geral\/o-coronavirus-e-expressao-da-mundializacao-do-capital\/\">O CORONAV\u00cdRUS \u00c9 EXPRESS\u00c3O DA MUNDIALIZA\u00c7\u00c3O DO CAPITAL!<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#8220;O CORONAV\u00cdRUS \u00c9 EXPRESS\u00c3O DA MUNDIALIZA\u00c7\u00c3O DO CAPITAL!&#8221; &#8212; Unidade Classista\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" src=\"http:\/\/unidadeclassista.org.br\/geral\/o-coronavirus-e-expressao-da-mundializacao-do-capital\/embed\/#?secret=EqWKloK4ay\" data-secret=\"EqWKloK4ay\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25239\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[219],"class_list":["post-25239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-manchete"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6z5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}