{"id":25271,"date":"2020-04-07T08:05:55","date_gmt":"2020-04-07T11:05:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25271"},"modified":"2020-04-07T08:05:55","modified_gmt":"2020-04-07T11:05:55","slug":"arte-e-isolamento-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25271","title":{"rendered":"Arte e isolamento social"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/E9-_wO3Woy_7ql7lfS6dRE0ApNYKOOZaeLlf_2dOpgR8BneSSFvnOVLoCLumlHSJJTJPRHRNDbvqcXMovxEIfkCdXxVW-FYjBd9y533OEpm0MrApymZvszcmwEO1yU38NXYYQp6ZsyhNLRA7z8Y7yrFCLydzdLAg3-uyT3yfEWEIxNxc6LC6gM7C2cSrbYfiSQlEGSlemPu5GmfC2feqHfQWeAxu2UCJbhqUpCclEbcWDsEv4pnhgaTcfJNPoC3HEl601M0TbLbiJzoNXe9oRcXSRQjEOTwCbFdKRIAOqsstPxR2GsxJDW_pkRdQjiEBcPOL2nmNrM56j3VlSwOeVQCewzLK8IuQ-gneciDKgiFwvdqBelGMn7hvWrOZxizH2wLCbtOoRSoKIf4PTR6J8E_0X7MYwTOTqmuA4thcaEpeB_abGa4vlmbz7uE9vdX5k2466tAh0g84WEtBV34b4TxIm9ZRYTxLr7dLjqDNVEhRYzroHGV3CMVFOU9JgiYWOiqdOnBllHrqt0JuUdaX4uwOpWwy3pjcOFPd8-bgmSpy7qjxXEST2zoqM3Qr3oEUINipuBpIMqB9-BVdMD-PLdtZuN7dLT0LT691Nnf3iPz9DzSx2-DEu-ZaoHyuToEGLUECSDjrBUDbqvQVpx5cQxA-WMUfl-v9zVIYx-LvwxrKW0CQLnRuAEwhlUIkiFW-qjXAyhx990yCpxXf23xxN_O2lgRhk6NKkDbPXYx1JYUZYEEttkmscw=w444-h308-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Ilustra\u00e7\u00e3o de Edward Hopper &#8211; Morning Sun (1952)<\/p>\n<p>OLHAR COMUNISTA<\/p>\n<p>Fran Rebelatto, militante do Partido Comunista Brasileiro no Paran\u00e1<\/p>\n<p>Qual a sa\u00edda para o(a)s trabalhadore(a)s do setor art\u00edstico e cultural diante desta crise?<\/p>\n<p>O isolamento social \u00e9 a \u00fanica medida imediata poss\u00edvel para evitarmos a prolifera\u00e7\u00e3o do Covid-19. Uma alternativa que tem impactado fortemente nossas formas de conv\u00edvio social e de organiza\u00e7\u00e3o do tempo cotidiano, especialmente controlado pelo mundo do trabalho. As imagens poss\u00edveis deste isolamento nos remetem \u00e0s obras de Edward Hopper \u2013 pintor, artista gr\u00e1fico e ilustrador norte-americano, conhecido por suas pinturas realistas sobre a solid\u00e3o dos indiv\u00edduos. Grande parte das suas personagens encontram-se sozinhas em seus ambientes privados, apenas interagindo com a luz que vem de suas janelas. Tamb\u00e9m nos faz lembrar do filme Janela Indiscreta, de Alfred Hitckock, no qual um fot\u00f3grafo profissional, na impossibilidade de sair de casa, desde sua janela, vasculha a vida dos vizinhos com um bin\u00f3culo, presenciando situa\u00e7\u00f5es que o comprometem.<\/p>\n<p>Se o isolamento social abre espa\u00e7o para que possamos buscar nas express\u00f5es art\u00edsticas representa\u00e7\u00f5es para este momento, tamb\u00e9m nos convoca a pensar em como a arte responder\u00e1, por meio de suas mais diversas express\u00f5es, ao momento posterior da pandemia, e como estaremos preparadas\/os enquanto categoria art\u00edstica para fazer a disputa das sensibilidades da classe trabalhadora em geral. Mas sobre essas quest\u00f5es nos debru\u00e7aremos em texto posterior.<\/p>\n<p>Interessa-nos agora discutir os impactos da crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica do Covid-19 para as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia dos\/as trabalhadores\/as do campo art\u00edstico em nosso pa\u00eds. Por um lado, temos percebido o quanto as express\u00f5es art\u00edsticas t\u00eam sido indicadas como uma forma de manter a mente s\u00e3 no per\u00edodo de distanciamento social. Por isso, diversos\/as trabalhadores\/as das artes t\u00eam democratizado o acesso \u00e0s suas obras nas redes sociais. Festivais de cinema, cineastas, companhias de teatro e de dan\u00e7as, m\u00fasicos e artistas visuais organizam e disponibilizam suas obras e indica\u00e7\u00f5es para que tenhamos mais op\u00e7\u00f5es de \u201clazer\u201d neste espa\u00e7o de confinamento.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 que o campo art\u00edstico brasileiro \u00e9 composto por uma enorme massa de trabalhadores que, com a realidade dos cinemas, teatros, museus e espa\u00e7os culturais fechados, perder\u00e3o tamb\u00e9m suas formas de subsist\u00eancia. No Brasil, o problema se agrava ainda mais, pois, mesmo antes da pandemia, enfrent\u00e1vamos imensos desafios com a desestrutura\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas culturais do governo protofascista de Jair Bolsonaro, que tem desmantelado o setor cultural com as escusas de um falacioso combate ao chamado \u201cmarxismo cultural\u201d. Uma derrota para toda classe art\u00edstica brasileira foi de imediato, logo ap\u00f3s a posse do novo governo, a decreta\u00e7\u00e3o do fim do Minist\u00e9rio da Cultura, de modo que as pol\u00edticas espec\u00edficas do setor ficaram relegadas a uma pasta no Minist\u00e9rio do Turismo. De 2019 para 2020 o corte or\u00e7ament\u00e1rio da pasta j\u00e1 foi de 36,6%.<\/p>\n<p>Sabe-se, no entanto, que a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural do pa\u00eds depende quase exclusivamente do financiamento p\u00fablico e, por isso, a redu\u00e7\u00e3o dos editais impede o avan\u00e7o deste setor produtivo e das possibilidades de sobreviv\u00eancia materiais das\/os trabalhadoras\/es. Ao mesmo tempo, o governo leva adiante seu projeto ideol\u00f3gico extremamente conservador, que, entre outros epis\u00f3dios, nos colocou em 2019 diante da manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica do ex-secret\u00e1rio de cultura Roberto Alwim ao reproduzir um discurso do ministro de propaganda do genocida Adolf Hitler. Devido \u00e0 repercuss\u00e3o negativa de tal pronunciamento, Alwim foi afastado do cargo e em seu lugar assumiu a pasta a latifundi\u00e1ria, atriz e apoiadora de Bolsonaro, Regina Duarte.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da pandemia pelo mundo, diversos pa\u00edses t\u00eam apresentado a\u00e7\u00f5es emergenciais para ajudar o setor art\u00edstico e cultural, como nos casos da Alemanha e do Reino Unido. No Brasil, no entanto, o que vemos \u00e9 uma grande paralisia da Secretaria da Cultura, cujo \u00fanico movimento nos \u00faltimos meses foi a aprova\u00e7\u00e3o de um projeto pela Lei Rouanet com or\u00e7amento elevad\u00edssimo para um Festival de M\u00fasica Gospel do Rio de Janeiro, o que tamb\u00e9m denuncia a perspectiva ideol\u00f3gica que atende aos interesses exclusivos neopentecostais. Por certo, a Ag\u00eancia Nacional de Cinema, que nos anos anteriores ao atual governo tinha se convertido num importante instrumento de financiamento, produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica do pa\u00eds, hoje \u00e0s moscas, tem como presidente um pastor evang\u00e9lico. Editais foram cancelados, outros ainda nem sa\u00edram do papel, levando \u00e0 paralisia da produ\u00e7\u00e3o de diversas obras f\u00edlmicas e o desemprego em massa no setor.<\/p>\n<p>Frente a tudo isso, \u00e9 fundamental que possamos reconhecer enquanto espectadores que, por traz de cada filme, de cada m\u00fasica, de cada texto liter\u00e1rio que apreciarmos no per\u00edodo de isolamento social, encontram-se milhares de trabalhadores e trabalhadoras, que dependem de pol\u00edticas p\u00fablicas para o desenvolvimento de uma arte, que como tal possa superar minimamente a l\u00f3gica burguesa da arte como mercadoria.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1ria a convoca\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o dos\/as trabalhadores\/as da arte e cultura e da sociedade em geral, para que organizadas\/os, mesmo que distantes, possamos gritar das nossas janelas pela taxa\u00e7\u00e3o das grandes fortunas deste pa\u00eds, pela revoga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional 95, em defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos; mas, tamb\u00e9m, para que gritemos e lutemos por pol\u00edticas emergenciais ao setor art\u00edstico e cultural, pois, ao colocarmos a vida acima dos lucros, n\u00e3o podemos pensar nessa vida sem ser atravessada pela arte, que junto com a filosofia e a ci\u00eancia, s\u00e3o os grandes pilares de nossa forma\u00e7\u00e3o para a verdadeira emancipa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25271\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[100],"tags":[227],"class_list":["post-25271","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c113-a-semana-no-olhar-comunista","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6zB","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25271\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}