{"id":2536,"date":"2012-03-12T19:38:27","date_gmt":"2012-03-12T19:38:27","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=2536"},"modified":"2012-03-12T19:38:27","modified_gmt":"2012-03-12T19:38:27","slug":"pagina-infeliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2536","title":{"rendered":"P\u00c1GINA INFELIZ"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cSomos o que fazemos. Mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos.\u201d<\/p>\n<p>(Eduardo Galeano)<\/p>\n<p>O Globo, publicado em 10 de mar\u00e7o de 2012<\/p>\n<p>\u201cBrasileiro n\u00e3o tem mem\u00f3ria\u201d, diz o senso comum. Entretanto, um povo s\u00f3 avan\u00e7a em civiliza\u00e7\u00e3o conhecendo sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Esquecer per\u00edodos \u00e9 postura obscurantista e perigosa: quem n\u00e3o se recorda do passado corre o risco de reviv\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Os crimes de persegui\u00e7\u00e3o, tortura, assassinato e desaparecimento de presos pol\u00edticos, cometidos pela ditadura civil-militar implantada com o golpe de 1964, foram hediondos. Ningu\u00e9m pode ser conivente com eles. Quando se alega que tamb\u00e9m houve pr\u00e1tica \u201cterrorista\u201d por parte daqueles que se insurgiram contra a ditadura, igualando-os aos torturadores, omite-se importante aspecto: enquanto o governo militar agia, sem legitimidade para tanto, sobre pessoas imobilizadas, os que ousavam resistir ao regime pagaram seus atos com pris\u00e3o, sev\u00edcias cru\u00e9is, ex\u00edlio ou morte. J\u00e1 foram violentamente punidos, sem limites. Seus algozes, por outro lado, at\u00e9 ascenderam na hierarquia do servi\u00e7o p\u00fablico ou no mundo empresarial!<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 revanchismo: ningu\u00e9m quer torturar torturadores, realizar pris\u00f5es ilegais e negar direito de defesa, mas fazer valer o direito \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 justi\u00e7a. Passado \u00e9 o que passou e o que, sendo devidamente lido e relido, nos constitui. A m\u00e1quina de terror montada pela ditadura n\u00e3o pode ser \u201cp\u00e1gina infeliz\u201d virada, arrancada ou lida \u00e0s pressas. Nem \u201cpassagem desbotada na mem\u00f3ria das nossas novas gera\u00e7\u00f5es\u201d, como alerta a den\u00fancia po\u00e9tica de Chico Buarque e Francis Hime.<\/p>\n<p>A sociedade tem o direito irrenunci\u00e1vel de conhecer quem ordenou a tortura e torturou, quem montou a estrat\u00e9gia, quem a financiou, quem praticou atos t\u00e3o covardes que nem mesmo o regime, embora os tenha organizado \u201ccientificamente\u201d e exportado know how para ditaduras vizinhas, os assumiu.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia democr\u00e1tica n\u00e3o compreenderia a ades\u00e3o da oficialidade contempor\u00e2nea a processos esp\u00farios, que s\u00f3 desonraram seus estamentos. Que corporativismo seria aquele que defendesse como seu \u201cpatrim\u00f4nio\u201d pr\u00e1ticas que atentaram contra os mais elementares direitos das pessoas? Ou que corroborasse, passadas tr\u00eas d\u00e9cadas, escandalosas mentiras?<\/p>\n<p>O princ\u00edpio humanista garante que as fam\u00edlias que n\u00e3o tiveram sequer o direito de sepultar seus entes queridos, ou que viveram o drama indiz\u00edvel de sab\u00ea-los nas masmorras, sofrendo todo tipo de agress\u00e3o, conhe\u00e7am seus carrascos. Para usar, se desejarem, o direito de acion\u00e1-los judicialmente. Os protagonistas da repress\u00e3o encapuzada devem ter a hombridade de reconhecer que praticaram atrocidades, caminhando assim para o que em direito se chama de \u201carrependimento eficaz\u201d, como ocorreu na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Parlamentar da Verdade, que j\u00e1 tarda, e suas similares nos Legislativos, devem atuar dentro deste vi\u00e9s humanista: com firmeza, serenidade e vis\u00e3o de processo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>CHICO ALENCAR \u00e9 deputado federal (PSOL-RJ).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 1.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nChico Alencar\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/2536\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-2536","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-EU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2536","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2536"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2536\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2536"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2536"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2536"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}