{"id":25390,"date":"2020-04-22T23:52:07","date_gmt":"2020-04-23T02:52:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25390"},"modified":"2020-04-25T00:22:53","modified_gmt":"2020-04-25T03:22:53","slug":"as-lutas-da-juventude-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25390","title":{"rendered":"As lutas da juventude no s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/V37zAlAgRWOiapmNmPEGHao88f6FC9miEJ-U45YSsLSe1fTvyGYso4Hi9pSHRahw70zv0YxAHk_UmOPwMYZ3pE2f3_tCAk1srD5JjxPt2JNbjyjmbnocKZKGp9o0ZovvZF4KouX0ly63G7t4woHAD0800o2CyzvIsyesD-natuUZF2TFkIYkiQdquhg0dnRCSoCXqSfE0koq6Q_SMjRsGgPkuM4NfCTaJV_RJ-CmqNe4xI3vmusvCokjPRSwC9aXHN0a8LEgBy3GixsY4NMejBMg750mrV76rDQUWKO1y7I-GavOK7TehT9T-1JHpZhY8nhKd21-PoaGbeTLG_fBvAwUq02aibCioh7xAhVLdyDOvMFKeznJ9E2gUocvFVv03hCE-SgJH7dQlkiG_CXy2aTqHbo5ewADcgRoOlFzEm5TgQKxxnyAn4uhcjCIOCLPPcrFDlfB1TmfVar9RG-FvCvhw5CzCPmpXVu6J0Iz6aaV3KvF-zwwZLGQtfpiTiqlT5JIGrmJMYfmXS6z5n1h1Q1cCetuH0xX1f2b3CBWg2PUqrRPR1AHZhmIrB3MndPn920LbaMbuO819q8HmgoNHPwGTR44wn6k7bsICGTIX8cw5k3wMNUaRFx2hubyB1Dc19hPYKXD1M00OTI118EqUEtf5CR9kdKpr3PX5eTM1bKPA3vxq0FDN_JjbkywOwbBeC_h4EhLLeV5CKGuQgCbRsTAeNl4chBDuGI-7_MHyFAZ0eCxONtVFA=s638-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Por Gabriel Lazzari &#8211; Secret\u00e1rio Pol\u00edtico da UJC<\/p>\n<p>Devemos ainda ser leninistas?<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o dos 150 anos do nascimento de Vladimir Lenin, o secret\u00e1rio pol\u00edtico da Uni\u00e3o da Juventude Comunista, Gabriel Lazzari, escreveu um texto formulando as lutas da juventude atualmente e a vig\u00eancia do leninismo. Segue o texto na \u00edntegra:<\/p>\n<p>Minha forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica pol\u00edtica come\u00e7ou ainda no Ensino M\u00e9dio nas aulas de sociologia. Foi ali que conheci, pela primeira vez, alguns pontos fundamentais da obra de Karl Marx. Para mim, em um ambiente complicado como foi o meu Ensino M\u00e9dio, Marx deu certo sentido aos problemas que eu enfrentava. Mas foi anos mais tarde, em debates sobre os fundamentos da pr\u00e1tica pol\u00edtica que me deparei com o pensamento de um outro marxista, um comunista revolucion\u00e1rio, que tinha dirigido o processo de luta na Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Foi o estudo de sua obra \u2013 e a aplica\u00e7\u00e3o de seus princ\u00edpios \u2013 que mudou minha forma de ver a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>H\u00e1 exatos 150 anos, na ent\u00e3o cidade de Simbirsk, \u00e0s margens do rio Volga, na parte ocidental da R\u00fassia, nasceu, de um casal de professores, uma crian\u00e7a que ajudaria a mudar a hist\u00f3ria da humanidade. Vladimir Ilitch Uli\u00e1nov foi um aluno exemplar, \u00e1vido leitor, e aos 17 anos ingressou na Universidade de Kazan, j\u00e1 tendo perdido seu pai para um derrame e seu irm\u00e3o, enforcado por participar de atividades revolucion\u00e1rios contra o czarismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi at\u00e9 cumprir uma pena de ex\u00edlio na Sib\u00e9ria que Vladimir abandonou o apelido de \u201cVolodya\u201d que seus pais lhe deram, para passar a ser conhecido por seu pseud\u00f4nimo, que at\u00e9 hoje inspira o terror nos exploradores e capitalistas: L\u00eanin. Seu nome deu origem a uma nova corrente de pensamento dentro do marxismo: o leninismo.<\/p>\n<p>Nesse momento de crise, de desemprego, de desemprego, de mis\u00e9ria crescente e avan\u00e7o da extrema-direita, de guerras e invas\u00f5es militares, de crises de refugiados, novamente surge a pergunta: n\u00f3s, a juventude trabalhadora no s\u00e9culo XXI, ainda devemos ser leninistas?<\/p>\n<p>O que fez L\u00eanin?<\/p>\n<p>L\u00eanin teve contato, desde o come\u00e7o de sua forma\u00e7\u00e3o intelectual, com uma s\u00e9rie de intelectuais e formuladores pol\u00edticos influenciados direta ou indiretamente pelo marxismo. Desde Chernichevsky a Plekh\u00e1nov, passando por diversos socialistas camponeses, populistas, ut\u00f3picos e terroristas, L\u00eanin conseguiu observar, na imensa variedade que havia no pensamento \u201cde esquerda\u201d da R\u00fassia um campo f\u00e9rtil para sua pol\u00eamica afiada. Foi nesse campo que fincou o p\u00e9 e come\u00e7ou a desenvolver, a seu modo, a teoria e a pr\u00e1tica revolucion\u00e1rias, ajudando a fundar, no come\u00e7o, a Liga de Luta pela Emancipa\u00e7\u00e3o da Classe Oper\u00e1ria de S\u00e3o Petersburgo.<\/p>\n<p>A principal arma de L\u00eanin foi, por\u00e9m, a retomada do marxismo como tal. Sua intensa luta pol\u00edtica, desde seus primeiros escritos, tinha como objetivo restaurar o \u00edmpeto revolucion\u00e1rio que \u201cum certo marxismo\u201d tinha perdido j\u00e1 no fim do s\u00e9culo XIX. O maior partido de inspira\u00e7\u00e3o marxista, o Partido Social-Democrata da Alemanha, revisava quase ponto a ponto a teoria de Marx, jogando fora sua pot\u00eancia de descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da realidade e, junto, seu aporte como guia para a pr\u00e1tica. Na R\u00fassia, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era melhor: os anos de hegemonia das correntes \u201cpopulistas\u201d, ligadas ao campesinato, e do liberalismo disfar\u00e7ado de teoria cr\u00edtica deram um grande material para L\u00eanin combater.<\/p>\n<p>Algumas de suas principais s\u00ednteses, no entanto, v\u00eam a partir de uma nova forma de colocar o problema da luta de classes: a organiza\u00e7\u00e3o da vanguarda em um Partido. N\u00e3o desprezando seus estudos e brilhantes an\u00e1lises sobre o desenvolvimento do capitalismo no mundo, em geral, e na R\u00fassia, em particular, L\u00eanin observa que, em mat\u00e9ria de luta de classes, a forma era t\u00e3o fundamental quanto o conte\u00fado. \u00c9 nessa contenda, especialmente contra a ala oportunista do Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata de Toda a R\u00fassia (POSDR), que ele vai demonstrar como a forma de organiza\u00e7\u00e3o do Partido e a estrat\u00e9gia e a t\u00e1tica da luta pelo socialismo est\u00e3o intimamente vinculadas.<\/p>\n<p>O oportunismo no programa est\u00e1 naturalmente ligado ao oportunismo na t\u00e1tica e ao oportunismo em mat\u00e9ria de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua perspectiva n\u00e3o \u00e9 de criar um simples partido de esquerda, com tantos filiados quanto poss\u00edvel, um partido das grandes massas trabalhadoras, como havia na Europa Ocidental. Sua pergunta \u00e9 como criar uma vanguarda, um \u201cEstado-maior\u201d do ex\u00e9rcito prolet\u00e1rio em luta contra o capitalismo. E foi esse Partido que, combatendo ferozmente os v\u00edcios liberais das diversas outras correntes pol\u00edticas russas e internacionais, conseguiu dirigir um dos maiores feitos da hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio: a Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa abalou todas as estruturas da sociedade mundial em 1917. J\u00e1 haviam se passado 46 anos desde a primeira tentativa de um governo puramente trabalhador, com a Comuna de Paris, que fora esmagada pela alian\u00e7a entre a Fran\u00e7a e a Pr\u00fassia. Quando, em 8 de mar\u00e7o (no calend\u00e1rio atual), as mulheres sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar pelo fim da guerra, poucos imaginavam que uma semana depois o czar Nicolau II, descendente de uma dinastia que j\u00e1 governava h\u00e1 mais de 300 anos, abdicaria do trono e daria origem a Rep\u00fablica na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Mas, para L\u00eanin, isso n\u00e3o era o bastante. N\u00e3o era o bastante derrubar um governo imperial que oprimia diversas classes na R\u00fassia por um governo burgu\u00eas que continuaria oprimindo os camponeses pobres e o proletariado. \u00c9 em abril de 1917, ent\u00e3o, que ele retorna \u00e0 R\u00fassia de seu ex\u00edlio na Su\u00ed\u00e7a e convence todo o Partido Bolchevique (a cis\u00e3o revolucion\u00e1ria do POSDR) de que a quest\u00e3o agora era tirar o poder das m\u00e3os do governo provis\u00f3rio, que levantava a bandeira do socialismo mas governava para os capitalistas, e coloc\u00e1-lo nas m\u00e3os dos Conselhos que os camponeses, os soldados e os oper\u00e1rios haviam constru\u00eddo em todo o processo de luta contra o czarismo. Esses Conselhos ficaram mundialmente conhecidos por seu nome russo, soviet. Dava in\u00edcio, a\u00ed, a mais longa experi\u00eancia de um Estado oper\u00e1rio na hist\u00f3ria da humanidade: era o come\u00e7o da Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas.<\/p>\n<p>A credibilidade do pseud\u00f4nimo de Vladimir Ulyanov marcou \u00e9poca: seus aliados em vida travaram disputas intensas entre si, depois de sua morte, levantando, de ambos lados, a bandeira do leninismo. Era bastante claro, durante boa parte do s\u00e9culo XX, que ser leninista era ser um revolucion\u00e1rio, comprometido com a causa internacional da classe trabalhadora, e disposto a uma luta \u00e1rdua pela liberta\u00e7\u00e3o dos povos e pela emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade. Ser leninista era sin\u00f4nimo de acuidade te\u00f3rica, de esfor\u00e7o incans\u00e1vel, de clareza pol\u00edtica e de esp\u00edrito pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>L\u00eanin, ainda hoje?<\/p>\n<p>Muitos eventos sucederam \u00e0 morte de L\u00eanin. Mas meu objetivo com esse texto n\u00e3o \u00e9 fazer um balan\u00e7o da hist\u00f3ria da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ou do socialismo real, ou dos sucessos e desventuras dos comunistas no s\u00e9culo XX. Meu objetivo \u00e9 responder \u00e0 pergunta: n\u00f3s, os jovens no s\u00e9culo XXI, ainda devemos ser leninistas?<\/p>\n<p>Minha gera\u00e7\u00e3o (nasci em 1993) n\u00e3o viu a experi\u00eancia gloriosa da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e do bloco socialista no mundo \u2013 nem seu auge, nem eu seu descenso. N\u00e3o viu a press\u00e3o que o incr\u00edvel avan\u00e7o dos direitos sociais e do bem-estar fazia sobre o mundo capitalista, servindo de contraponto \u00e0 barb\u00e1rie do sistema de mercado. Eu me lembro de, tendo come\u00e7ado a militar na Uni\u00e3o da Juventude Comunista, conversar com a minha m\u00e3e sobre o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. \u00c0 \u00e9poca, no fim de 1991, ela era uma estudante universit\u00e1ria que cursava Servi\u00e7o Social. O impacto na \u00e1rea, nos docentes, at\u00e9 mesmo nas concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que balizavam seu curso, foi imenso, segundo ela. Professores choravam ao falar do fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o que lhes parecia, no momento, o fim de um sonho por um mundo melhor.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foram apenas os professores de Servi\u00e7o Social que come\u00e7aram a duvidar da possibilidade de um mundo sem explora\u00e7\u00e3o. A ideologia capitalista, por diversos meios, se fez presente nos anos 1990, buscando construir um novo consenso mundial: o socialismo seria n\u00e3o apenas indesej\u00e1vel, mas imposs\u00edvel. A melhor express\u00e3o disso foi a obra do ide\u00f3logo burgu\u00eas Francis Fukuyama, \u201cO fim da hist\u00f3ria e o \u00faltimo homem\u201d, em que defendia, tendo em vista os eventos da virada dos anos 1980 para os 1990, que a democracia liberal (burguesa) seria o ponto culminante da hist\u00f3ria da humanidade e qualquer alternativa seria imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Muitos, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, fizeram coro a essa tese. A hist\u00f3ria teria de fato chegado a seu fim e o ideal comunista seria enterrado junto com o s\u00e9culo XX. \u00c0 direita, a \u201cterceira via\u201d de Tony Blair e Bill Clinton, governantes dos centros imperialistas, era a solu\u00e7\u00e3o \u2013 um capitalismo neoliberal com migalhas de pol\u00edticas sociais; no espectro \u201coposto\u201d, a \u201cnova esquerda\u201d buscava criar \u201cac\u00famulos de for\u00e7a\u201d por dentro da democracia burguesa para pautar uma \u201cresist\u00eancia\u201d \u00e0 ordem capitalista por meio de medidas distributivas e uma singela participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ao fim e ao cabo, a semelhan\u00e7a entre elas revelou a similaridade do pensamento liberal que as fundamentou.<\/p>\n<p>No entanto, houve aqueles que n\u00e3o se contentaram com esse pessimismo hist\u00f3rico e essa resigna\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Houve comunistas que, em grande esp\u00edrito leninista, buscaram nadar contra a corrente de confus\u00e3o dos anos 1990 (como fez nosso Vladimir Ulyanov contra o revisionismo da II Internacional). \u00c9 nesse momento hist\u00f3rico que o Partido Comunista da Gr\u00e9cia rompe com a Coaliz\u00e3o da Esquerda, dos Movimentos e da Ecologia (Synaspismos); que membros do Partido Popular Socialista no M\u00e9xico resolvem refundar o Partido dos Comunistas Mexicanos; que membros do Partido pelo Poder Socialista na Turquia decidem refundar o Partido Comunista, depois tornado Partido Comunista da Turquia; que surge o Partido Comunista da Federa\u00e7\u00e3o Russa dos escombros do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica; e, finalmente, que, no Brasil, dedicados militantes decidem manter vivo o Partido Comunista Brasileiro, apesar da tentativa de dissolu\u00e7\u00e3o realizada em 1992, em um fraudulento congresso. Mas, apesar de seus esfor\u00e7os e de sua firmeza na luta revolucion\u00e1ria, o impacto na opini\u00e3o geral sobre o fim da hist\u00f3ria e a eternidade do capitalismo permanecia.<\/p>\n<p>Foi principalmente ap\u00f3s o come\u00e7o da crise sist\u00eamica do capitalismo, em 2008, que novamente os setores \u201ccr\u00edticos\u201d voltaram-se para o marxismo como ferramenta para compreender os fundamentos da situa\u00e7\u00e3o que passava o mundo. As perspectivas de \u201cmicrorresist\u00eancias\u201d, \u201cinclus\u00e3o\u201d e \u201cjusti\u00e7a social\u201d nesse modo de produ\u00e7\u00e3o se mostraram cada vez menos poss\u00edveis \u2013 e menos desej\u00e1veis. Novamente, estava colocada a oposi\u00e7\u00e3o consagrada pela revolucion\u00e1ria alem\u00e3 Rosa Luxemburgo (assassinada pela social-democracia em 1919): agora temos, novamente, que escolher entre \u201csocialismo ou barb\u00e1rie\u201d.<\/p>\n<p>O que fazer depois da contrarrevolu\u00e7\u00e3o dos anos 1990?<\/p>\n<p>As experi\u00eancias da minha gera\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o nos armaram para essa necessidade e essa possibilidade: a de construirmos uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. O impacto ideol\u00f3gico da contrarrevolu\u00e7\u00e3o nos anos 1990, o discurso liberal majorit\u00e1rio (na esquerda e na direita), o desmonte das nossas ferramentas de luta nos \u00faltimos 20 anos: n\u00e3o estamos familiarizados com os par\u00e2metros da luta revolucion\u00e1ria pelo socialismo.<\/p>\n<p>Os elementos objetivos da situa\u00e7\u00e3o analisada por L\u00eanin, ainda que tenham sofrido imensas mudan\u00e7as em mais de um s\u00e9culo, continuam estruturalmente os mesmos: ainda vivemos sob um sistema mundial do capitalismo em sua fase imperialista; a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores continua rendendo imensas riquezas para a burguesia; os setores oportunistas continuam oferecendo sa\u00eddas \u201cf\u00e1ceis\u201d e \u201cposs\u00edveis\u201d dentro do capitalismo, com a concilia\u00e7\u00e3o de classes; a monopoliza\u00e7\u00e3o dos capitais e as interven\u00e7\u00f5es e agress\u00f5es pol\u00edticas e militares aos pa\u00edses dependentes continuam extremamente verdadeiras. A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica para a qual L\u00eanin formulou sua pol\u00edtica continua atual \u2013 e, portanto, tamb\u00e9m seus princ\u00edpios pol\u00edticos continuam atuais \u2013 ou, melhor, necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 que podemos responder a essa pergunta: devemos, ainda, n\u00f3s, jovens do s\u00e9culo XXI, ser leninistas?<\/p>\n<p>E a resposta, creio, n\u00e3o poderia estar mais clara. Parafraseando o camarada Ivan Pinheiro, em sua interven\u00e7\u00e3o no fraudulento congresso que tentou enterrar o PCB (e n\u00e3o conseguiu):<\/p>\n<p>Se ser leninista \u00e9 acreditar na luta de classes, e n\u00e3o na concilia\u00e7\u00e3o delas, ent\u00e3o devemos ser leninistas. Se ser leninista \u00e9 ser internacionalista e defender as experi\u00eancias do socialismo, ent\u00e3o devemos ser leninistas. E se ser comunista \u00e9, necessariamente, ser leninista, ent\u00e3o devemos ser leninistas.<\/p>\n<p>Lembrar de L\u00eanin, 150 anos depois de seu nascimento, n\u00e3o pode se resumir a uma mem\u00f3ria bonita: precisa se converter em uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que \u00e9, ao mesmo tempo, pr\u00e1tica e te\u00f3rica \u2013 de formula\u00e7\u00e3o nos rigorosos princ\u00edpios do marxismo e de aplica\u00e7\u00e3o disciplinada e abnegada a todo tempo. Uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que \u00e9, ao mesmo tempo, internacionalista e cotidiana \u2013 de compreender o movimento da classe trabalhadora no mundo todo e de entender cada m\u00ednima express\u00e3o dessa luta de classes. Uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que seja direcionada \u00e0s massas dos trabalhadores mas que n\u00e3o se confunda com as impress\u00f5es imediatas \u2013 nunca caindo no sectarismo paralisante de quem s\u00f3 fala para si mesmo e nem no oportunismo ing\u00eanuo de quem fala apenas o que o outro quer escutar. Uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica organizada e com esp\u00edrito de iniciativa \u2013 de quem compreende o Partido Comunista, o centralismo democr\u00e1tico, a cr\u00edtica e a autocr\u00edtica como princ\u00edpios fundamentais e de quem cria, em cima das condi\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, uma pol\u00edtica que n\u00e3o se prenda a dogmas. Uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria e socialista \u2013 de quem compreende a necessidade de supera\u00e7\u00e3o do capitalismo por uma ruptura dr\u00e1stica na sociedade burguesa e de quem compreende a igualmente necess\u00e1ria e \u00e1rdua tarefa da constru\u00e7\u00e3o do socialismo sem medo das decis\u00f5es dif\u00edceis. Uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, enfim, que confie de cora\u00e7\u00e3o na pot\u00eancia latente da classe trabalhadora para transformar esse mundo \u2013 e que veja no Poder Popular e no socialismo as formas e os conte\u00fados da emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>\u00c9 retomando o leninismo como teoria revolucion\u00e1ria que nossa gera\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ajudar a cumprir com o papel hist\u00f3rico dos trabalhadores, organizar o processo revolucion\u00e1rio e construir a sociedade socialista. Afinal, como nos ensinou o jovem russo que batalhou contra tudo e todos em nome da revolu\u00e7\u00e3o socialista: \u201cSem teoria revolucion\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 pr\u00e1tica revolucion\u00e1ria.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25390\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[6],"tags":[225,247],"class_list":["post-25390","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s5-juventude","tag-4a","tag-jd"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Bw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25390\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}