{"id":25414,"date":"2020-04-28T00:05:16","date_gmt":"2020-04-28T03:05:16","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25414"},"modified":"2020-04-28T00:05:16","modified_gmt":"2020-04-28T03:05:16","slug":"46-anos-depois-o-legado-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25414","title":{"rendered":"46 anos depois: o legado de Abril"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/4.bp.blogspot.com\/-gSGwvtYfAg4\/Vxvs3TVY5yI\/AAAAAAAA2_w\/AT6Wp_wBp-4yuAR-zyyqgS5IFTFKpBNYACLcB\/s1600\/menina-blogue.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por C\u00e9sar Pr\u00edncipe<\/p>\n<p>Milh\u00f5es intervieram na Liberta\u00e7\u00e3o de Portugal e do Imp\u00e9rio. Milh\u00f5es foram obreiros de um Grande Abril Objetivo e interlocutores de um Imenso Abril Subjetivo. O Objetivo materializado nas transforma\u00e7\u00f5es legislativas e institucionais, na estatiza\u00e7\u00e3o e cooperativiza\u00e7\u00e3o dos meios agroecon\u00f4mico-financeiros estruturantes, na dinamiza\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito coletivo e eletivo, na alfabetiza\u00e7\u00e3o das pra\u00e7as, no terminus da guerra colonial, na independ\u00eancia dos Territ\u00f3rios Ultramarinos; o Subjetivo na mobiliza\u00e7\u00e3o do potencial cr\u00edtico e criativo atrav\u00e9s de recursos ideol\u00f3gicos, simb\u00f3licos e comunicacionais (escrita liter\u00e1ria, jornal\u00edstica e agitpropagand\u00edstica, canto, pend\u00f5es, artes c\u00eanicas e murais, cartazismo, autocolantes, cartunismo). Abril fabricou durante ano e meio de produ\u00e7\u00e3o acelerada um Imagin\u00e1rio Portuguese Dream. A Intelig\u00eancia e a Est\u00e9tica Progressistas ilustraram a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, adicionando a seu contribui\u00e7\u00e3o a um dos momentos mais proeminentes, porventura o maior definidor nacional: 1139, 1383, 1640, 1820, 1910, 1974.<\/p>\n<p>Esse Abril foi h\u00e1 46 anos e j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 na flor da juventude e muito h\u00e1 que cumprir e fazer recumprir de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, tal foi a exig\u00eancia do Projeto Emancipador e Fraternizador e tantas foram as adversidades da Obra dos Capit\u00e3es e do Povo Unido. Empresa c\u00edvico-militar inacabada por desaven\u00e7as no seu seio e insufici\u00eancia de aliados face aos dispositivos da conjura interna e externa. Gorada ou enga(vetada) a Via Original para o Socialismo, consolidou-se o modelo liberal burgu\u00eas, oficializou-se o Trespasse da Soberania e ganhou foros de modernidade o Empreendedorismo das Influ\u00eancias e o Contrato Antissocial. Da parte das alas vencidas e n\u00e3o convencidas, mil vezes se tem juramentado: 25 de Abril Sempre. \u00c9 um clamor do Fundo da Hist\u00f3ria, o Mito de Eterno Retorno da Vila Morena. E assim se tem recobrado determi(na\u00e7\u00e3o) e representificado os Valores das Espingardas e M\u00e3os Floridas. E assim foi avultando o contraste entre os 25: o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975. Um chamou os pobres ao protagonismo. Outro imp\u00f4s a submiss\u00e3o das plebes. Bastar\u00e1 folhear a CRP: o Golpe Carlucciano congelou uma Parte Nuclear da Constitui\u00e7\u00e3o, c\u00f3dice humanista sem paralelo na Europa Ocidental do s\u00e9c. XX. Com \u00f3bvia desconfian\u00e7a do futuro, os constituintes (uns por convic\u00e7\u00e3o, outros por mim\u00e9tica circunstancial) acharam prudente salvaguardar as Conquistas Irrevers\u00edveis, como se um sistema devorador respeitasse profiss\u00f5es de f\u00e9 prolet\u00e1ria e conquistas civilizacionais. De resto, cindir o Movimento das For\u00e7as Armadas e o Movimento Social de Base foi meta ensaiada desde os alvores de Abril por figurantes e organiza\u00e7\u00f5es personalistas e golpistas (direitistas, reformistas, ultraesquerdistas).<\/p>\n<p>Na verdade, se o Programa do MFA assentou em Tr\u00eas DDD (Democracia, Desenvolvimento, Descoloniza\u00e7\u00e3o), formul\u00e1rio que obteve inicial e pactuado consenso, o perfil do processo foi oscilando entre Tr\u00eas III (Ideais, Ideias, Interesses). Passado um curto per\u00edodo de adula\u00e7\u00e3o do vozerio dos desfavorecidos, os ideais de diversas forma\u00e7\u00f5es foram sendo reduzidos a vagas ideias e as ideias submetidas a tortuosos interesses e estes geridos pelos Propriet\u00e1rios e Capit\u00e3es da Ind\u00fastria e da Finan\u00e7a e seus mediadores partid\u00e1rios, parlamentares e governamentais. N\u00e3o foi por acaso que, na primeira revis\u00e3o constitucional, o Arco dos Neg\u00f3cios disse ao que vinha: privilegiou a mat\u00e9ria econ\u00f4mica como prioridade das prioridades. A partir da\u00ed, este comando constitucional inverteu o alinhamento: os Tr\u00eas Motores do Desenvolvimento (Economia P\u00fablica, Cooperativa e Privada) ficaram sob o Primado da Ordem Privada. O Grande Patronato Tradicional, que pragm\u00e1tica ou intimamente fez do Regime Fascista a sua Casa de Pasto e a sua Ap\u00f3lice de Conten\u00e7\u00e3o do Mundo do Trabalho e o Grande Patronato Emergente, que gradativamente capturou o regime novembrista, depressa tomaram lugar nas Campanhas das Privatiza\u00e7\u00f5es, dos Fundos Europeus e das Novas Oportunidades.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, o 25 de Abril de regula\u00e7\u00e3o constitucional adaptou as trincheiras, acorrendo \u00e0s emerg\u00eancias econ\u00f4micas, pol\u00edticas, sociais e culturais, reeditando e reinventando as consignas das marchas da mem\u00f3ria, o animus dos cadernos denunciativos e alternativos. No decurso de 46 anos, as tropas especiais de Abril n\u00e3o deixaram de exercer a cidadania no quotidiano, nos espa\u00e7os de representa\u00e7\u00e3o, nas concentra\u00e7\u00f5es &#8220;ningu\u00e9m arreda-p\u00e9&#8221;, no recha\u00e7o dos superpredadores e dos seus empre(gados) de banqueteamento e branqueamento. O Corpo Indefect\u00edvel da Revolu\u00e7\u00e3o tem igualmente retardado e limitado o cont\u00e1gio neofascista que campeia por Europas e Am\u00e9ricas. A Vacina 25 A tem-se revelado o nosso cord\u00e3o sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>25 de Abril Sempre<\/p>\n<p>Afinal, que saudades guardar da Ditadura? Afinal, o que derrotamos em 25 de Abril de 1974? A Opress\u00e3o, a Repress\u00e3o, a Censura, a Explora\u00e7\u00e3o, o Subdesenvolvimento, a aus\u00eancia de Rede de \u00c1guas e Esgotos no mundo rural e em \u00e1reas urbanas degradadas, o Semianalfabetismo, a Subnutri\u00e7\u00e3o Cr\u00f4nica, a Falta de Assist\u00eancia na Sa\u00fade e na Previd\u00eancia, o Abandono da Terceira Idade, a Trag\u00e9dia Ag\u00f4nica do Ultramar, o Drama da Emigra\u00e7\u00e3o a Salto e o Orgulhosamente s\u00f3s no Concerto das Na\u00e7\u00f5es. E quantos presos pol\u00edticos somou a branda tirania ou autodenominado Estado Novo Salazarensis-Caetanensis? Dezenas de milhares no Continente e nos Arquip\u00e9lagos dos A\u00e7ores e da Madeira. Tal n\u00famero n\u00e3o inclui detidos e abatidos nas Col\u00f4nias. Os nomes e os n\u00fameros dos independentistas (guerrilheiros, simpatizantes ou pr\u00f3ximos) n\u00e3o mereceram registro nos Tombos do Portugal Multirracial. E na verdade, em termos de aus\u00eancia de direitos, liberdades e garantias, todos os povos penavam em m\u00faltiplos degredos, fossem ou n\u00e3o cientes dos motivos da sua condi\u00e7\u00e3o, da sua sujei\u00e7\u00e3o. O Pa\u00eds de S &amp; de C foi um exemplo de penitenci\u00e1ria global: os muros estendiam-se do Minho a Timor. E quantas sev\u00edcias e quantos assassinatos em c\u00e1rceres, col\u00f4nias penais e ou campos da morte lenta, \u00e0 queima-roupa ou nas tr\u00eas frentes africanas? S\u00f3 do lado portugu\u00eas ou metropolitano, mais de 11.000 ca\u00eddos. E do lado dos angolanos, mo\u00e7ambicanos, guineenses? N\u00e3o se cuidou de estat\u00edsticas. Eram pretos. E quantos refugiados espanh\u00f3is foram acossados como reses e entregues ao pared\u00f3n franquista? E quantos portugueses sofreram a inf\u00e2mia, o desterro e o ex\u00edlio? E quantos foram exonerados da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e os expurgados pela esfera privada colaboracionista?<\/p>\n<p>46 Abris s\u00e3o uma bela e robusta prova de vida.<br \/>\nEste artigo encontra-se em http:\/\/resistir.info\/<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos: vit\u00f3ria contra o fascismo em Portugal<\/p>\n<p>No dia 25 de abril de 1974 eclodia a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal, concluindo um longo processo de lutas que foi respons\u00e1vel pela derrubada do regime ditatorial do Estado Novo, de inspira\u00e7\u00e3o fascista e vigente desde o ano de 1933, quando ascendeu ao poder Antonio de Oliveira Salazar. O movimento foi liderado por militares descontentes com a guerra colonial portuguesa na \u00c1frica e era composto majoritariamente por capit\u00e3es, que ficaram conhecidos como os \u201cCapit\u00e3es de Abril\u201d.<\/p>\n<p>O Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP), sob a firme lideran\u00e7a de \u00c1lvaro Cunhal, teve participa\u00e7\u00e3o decisiva na luta contra a ditadura, assim como outros grupos socialistas, raz\u00e3o pela qual, logo ap\u00f3s a queda do regime autocr\u00e1tico, conquistou-se uma Constitui\u00e7\u00e3o, aprovada em 25 de abril de 1976, com grande influ\u00eancia das for\u00e7as democr\u00e1ticas e populares.<\/p>\n<p>Abril, terra da fraternidade!<br \/>\n\u00abGr\u00e2ndola, vila morena\u00bb \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o do compositor e cantor portugu\u00eas Zeca Afonso, que foi escolhida pelo Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinaliza\u00e7\u00e3o para dar in\u00edcio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, respons\u00e1vel pela derrubada da ditadura fascista em Portugal em 25 de abril de 1974.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Afonso escreveu a primeira vers\u00e3o do poema \u201cGr\u00e2ndola Vila Morena\u201d ap\u00f3s ter sido convidado a participar nos festejos do 52\u00ba Anivers\u00e1rio da Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense (SMFOG) em 17 maio de 1964 e ter ficado impressionado com o ambiente fraterno e solid\u00e1rio desta sociedade alentejana.<\/p>\n<p>\u00c0 meia noite e vinte minutos e dezoito segundos do dia 25 de abril de 1974, a can\u00e7\u00e3o foi transmitida pelo programa independente Limite atrav\u00e9s da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, como sinal para confirmar o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Gr\u00e2ndola Vila-Morena<\/p>\n<p>Zeca Afonso<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<br \/>\nDentro de ti, \u00f3 cidade<\/p>\n<p>Dentro de ti, \u00f3 cidade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<br \/>\nTerra da fraternidade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<\/p>\n<p>Em cada esquina um amigo<br \/>\nEm cada rosto igualdade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nTerra da fraternidade<\/p>\n<p>Terra da fraternidade<br \/>\nGr\u00e2ndola, vila morena<br \/>\nEm cada rosto igualdade<br \/>\nO povo \u00e9 quem mais ordena<\/p>\n<p>\u00c0 sombra duma azinheira<br \/>\nQue j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade<br \/>\nJurei ter por companheira<br \/>\nGr\u00e2ndola a tua vontade<\/p>\n<p>Gr\u00e2ndola a tua vontade<br \/>\nJurei ter por companheira<br \/>\n\u00c0 sombra duma azinheira<br \/>\nQue j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25414\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[98],"tags":[234],"class_list":["post-25414","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c111-portugal","tag-6b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6BU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25414\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}