{"id":25468,"date":"2020-05-05T22:49:31","date_gmt":"2020-05-06T01:49:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25468"},"modified":"2020-05-08T00:34:16","modified_gmt":"2020-05-08T03:34:16","slug":"aldir-blanc-poeta-da-vida-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25468","title":{"rendered":"Aldir Blanc, poeta da vida do povo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/5u9mOMl23Z_oAOs6QhCweN7u9jUTwgfQ4FWlMpVB6FfTznBAoyERfq1ro0T8DNS6jlsbIeOe7rReNZBeWviUaWdQI7JO4DdrLhBnzpEphRE1sn2BEzvlPLGuCtgSxNzMp8LihJVWqm8hvtDqT0WDWkc5Hndy56PQPL-sRqK9mEMZ7gi4C9jLq_EpyH2WBuRcuMGWj3XUwH8l0W9so0oGhsfZ1tiQs1AuGuzUexOt1wTj4RoERSsyJJksCPowiqtstmuewxflOmTLQO9AT6nXJsXGynbgiP6llTV9tJal3z0V2FjXD_Kr4jrA0ZpjZ1HY7AHqCCO0kPhCgEpUNjXY8bMnPMGeFgIqtvy29WY2SmISyMH90_xxyA0_tXQDV4QrefiNOd7_E4z0Nk5LXwKnjxTuDUb6seiV8pHvdVOSY0NXd_8ND3ycaP_7ivROep9zIx2M7327lMEtR8Z0DgDrQMkW0kizcefD_O0r7hWotXK_PtLUgEPvox0ThD98NX2ZGHQSllN89-bg-Q7Bluw9_W2SmsfRm79VY7VE8iDIdzuAXP7VDQbjbkaP-BjpmPzpgaFcGFxDpzdSkqsHTYQFiAATinywhZY_lABSHH3ZNWrtnR88edXiBpJMASetufTijiUpCMoTkXj7JOxtsusUALYd5nn2Gly9mi19YfpsVrpkY998NDYtoyeX2cua0jXTvexS8ctytj5bnNAHz732oim_2EOu4Wvi6D_6NowHTE53ZrrJeUxpjDE=w347-h208-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->O PCB e o Jornal O Poder Popular prestam a devida homenagem ao inigual\u00e1vel artista brasileiro Aldir Blanc, que a crise sanit\u00e1ria e o capitalismo levaram na manh\u00e3 da segunda-feira. Reproduzimos abaixo os textos de Marcelo Chalr\u00e9o, Heitor C\u00e9sar e Ricardo Costa, que foram publicados em nossas p\u00e1ginas do Facebook. Aldir Blanc, presente! Hoje e sempre!<\/p>\n<p>Marcelo Chalr\u00e9o<\/p>\n<p>Presto aqui nessas breves linhas uma singela homenagem a Aldir Blanc, falecido neste dia 04 de maio por conta do Covid 19. Aldir, o &#8220;ourives do palavreado&#8221; no dizer de Dorival Caymmi, que versou sobre almirantes negros, boias frias, b\u00eabados e equilibristas, corpos estendidos no ch\u00e3o, roncos de raiva e de fome, band-aid no calcanhar, dos que deviam algum no jogo e tanto mais, era poeta da vida crua e nua de milh\u00f5es e milh\u00f5es de brasileiras e brasileiros e tais como esses n\u00e3o dispunha de um plano de sa\u00fade privado, caro e custoso, que o permitisse se socorrer da sa\u00fade mercantilizada e privada.<\/p>\n<p>Pagamento de direitos autorais em nosso pa\u00eds \u00e9 pouco mais pouco menos do que uma vergonhosa expropria\u00e7\u00e3o do talento dos nossos artistas. Aldir vivia com mod\u00e9stia. S\u00f3 n\u00e3o era modesto no pensamento largamente democr\u00e1tico, an\u00e1rquico, ateu, emotivo e solid\u00e1rio.<br \/>\nRecluso h\u00e1 anos na rua Garibaldi &#8211; que se presta a homenagear ambos lutadores, Giuseppe e Anita, exist\u00eancia ambivalente ao encaixe da personalidade do Bardo da Tijuca &#8211; vivia entre seus milhares de livros (todos lidos), na companhia da combativa Mary, no embalo das visitas das filhas e nos extremos carinhos dos netos e das netas.<\/p>\n<p>Aldir, personalidade carioca e de paix\u00e3o intensa pela cidade do Rio de Janeiro \u00e0 qual se referia como sua fonte prim\u00e1ria de praticamente tudo, da sua vida e obra. Estaciano com dimens\u00e3o nacional e do mundo, amigo pra muitas coisas, ferrenho antifascista, agora trova em outra parte do universo, mas, tenham certeza, irmanado conosco estar\u00e1 sempre por uma sociedade mais justa, igual e solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>At\u00e9 qualquer dia, camarada !<\/p>\n<p>Marcelo Chalr\u00e9o \u00e9 advogado e conselheiro da OAB-RJ<\/p>\n<p>Texto de Heitor C\u00e9sar:<\/p>\n<p>&#8220;Batidas na porta da frente<br \/>\n\u00c9 o tempo&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Aldir Blanc do &#8220;Me d\u00ea a Pen\u00faltima&#8221; teve sua saideira em tempos de bares fechados.<br \/>\nHoje, dia 4 de maio de 2020, perdemos Aldir Blanc, um dos grandes nomes da m\u00fasica brasileira. Compositor, Aldir Blanc foi respons\u00e1vel, em sua parceria com Jo\u00e3o Bosco e outros, por produzir poesias sobre o cotidiano e suas maravilhas dram\u00e1ticas. Bares, vida noturna e bo\u00eamia, como poucos Aldir soube descrever o dia a dia, ou melhor, a noite a noite, daqueles que se esbarram e vivem onde a tristeza se encontra fingindo ser alegria e onde alegrias se somam tornando felicidade. Perdemos hoje aquele que melhor soube traduzir botequins e bares em poesia&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;&#8230;Mas hoje eu estou de bem comigo<br \/>\nE isso \u00e9 dif\u00edcil<br \/>\nAh, vida noturna<br \/>\nEu sou a borboleta mais vadia<br \/>\nNa doce flor da tua hipocrisia&#8221;<\/p>\n<p>Bom descanso, Aldir Blanc&#8230;<\/p>\n<p>Texto de Ricardo Costa para O Poder Popular:<\/p>\n<p>Perdemos o poeta que cantava a vida da gente simples, do morro, do asfalto, da favela, das vielas, das biroscas, das encruzilhadas, das esquinas, das avenidas, dos terreiros, das quadras de samba, de todo o canto desta na\u00e7\u00e3o. Da noite, do dia, do alvorecer, entardecer, das madrugadas, dos sonhos e pesadelos, dos porres hom\u00e9ricos, das lutas, das batalhas contra o drag\u00e3o da ditadura, do permanente bom combate por nossos direitos, pela dignidade, pela vida, pela vida, pela vida! Salve, guerreiro e mestre Aldir Blanc! Presente hoje e sempre!<\/p>\n<p>O Cavaleiro e os Moinhos<\/p>\n<p>Acreditar<br \/>\nNa exist\u00eancia dourada do sol<br \/>\nMesmo que em plena boca<br \/>\nNos bata o a\u00e7oite cont\u00ednuo da noite<br \/>\nArrebentar<br \/>\nA corrente que envolve o amanh\u00e3<br \/>\nDespertar as espadas<br \/>\nVarrer as esfinges das encruzilhadas<br \/>\nTodo esse tempo<br \/>\nFoi igual a dormir num navio<br \/>\nSem fazer movimento<br \/>\nMas tecendo o fio da \u00e1gua e do vento<br \/>\nEu, baderneiro<br \/>\nMe tornei cavaleiro<br \/>\nMalandramente<br \/>\nPelos caminhos<br \/>\nMeu companheiro<br \/>\nT\u00e1 armado at\u00e9 os dentes<br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais moinhos<br \/>\nComo os de antigamente<\/p>\n<p>Compositores: Aldir Blanc \/ Jo\u00e3o Bosco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25468\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50,140,20],"tags":[221],"class_list":["post-25468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria","category-c140-jornal-o-poder-popular","category-c1-popular","tag-2a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6CM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}