{"id":25532,"date":"2020-05-15T22:56:45","date_gmt":"2020-05-16T01:56:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25532"},"modified":"2020-05-15T22:56:45","modified_gmt":"2020-05-16T01:56:45","slug":"fascismo-e-regime-de-sonho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25532","title":{"rendered":"Fascismo e \u00abregime de sonho\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.arknews.net\/files\/nnn_1_0.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Cr\u00e9ditos \/ nato.int<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o<\/p>\n<p>ABRIL ABRIL<\/p>\n<p>Completaram-se 75 anos sobre a derrota militar do nazifascismo. As chamadas democracias liberais juntaram-se \u00e0s \u00abdemocracias iliberais\u00bb em redor da agenda de comemora\u00e7\u00f5es estabelecida por estas e que apaga da Hist\u00f3ria a decisiva contribui\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para a vit\u00f3ria \u2013 ditando assim a segunda morte das mais de 26 milh\u00f5es pessoas sacrificadas neste pa\u00eds para que ela fosse poss\u00edvel. N\u00e3o foi uma celebra\u00e7\u00e3o, foi uma vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nada mais natural. O fascismo latente e em exerc\u00edcio nas nossas sociedades n\u00e3o iria tolerar que se assinalasse com rigor hist\u00f3rico, humanista e libertador o dia da sua derrocada. Num momento em que os herdeiros pol\u00edticos dos vencidos j\u00e1 t\u00eam de novo r\u00e9deas de poder e ditaram o ambiente pol\u00edtico-ideol\u00f3gico-econ\u00f4mico da abordagem do ep\u00edlogo da Segunda Guerra Mundial seria contranatura qualquer evoca\u00e7\u00e3o patrocinada pelo \u00abesp\u00edrito\u00bb da OTAN que refletisse seriamente sobre as causas e consequ\u00eancias da derrota do nazifascismo.<\/p>\n<p>Os epis\u00f3dios associados \u00e0 efem\u00e9ride confirmam a influ\u00eancia que as tend\u00eancias fascistas voltaram a exercer sobre a sociedade ocidental e a maneira como algumas importantes correntes pol\u00edticas n\u00e3o fascistas, arrastadas pelo vigor da ditadura econ\u00f4mica, v\u00e3o se rendendo aos avan\u00e7os do autoritarismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um fascismo de botas de coturno, de impressionantes e militarizadas mobiliza\u00e7\u00f5es de massas e apoiado no terror espalhado por grupos de choque \u2013 embora estes andem por a\u00ed, como se percebe nos Estados Unidos, no Brasil, na Col\u00f4mbia, na Hungria. \u00c9 um fascismo aparentemente mais polido, movendo-se ainda entre as baias da democracia pol\u00edtica formal, insidioso, at\u00e9 bem-falante e elaborado na express\u00e3o do racismo e da xenofobia.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se pense que o fascismo que nos cerca \u00e9 apenas o de grupos e movimentos facilmente identific\u00e1veis como tal na sua demagogia, no racismo prim\u00e1rio, nas saudades por express\u00f5es fascistas de outros tempos, no restauracionismo animado por \u00e2nsias de vingan\u00e7a. O novo fascismo n\u00e3o se assume como tal, est\u00e1 ainda em rivalidade com essas correntes, digamos, tradicionais, e tem ambi\u00e7\u00f5es globalizantes.<\/p>\n<p>A casa-m\u00e3e e os pais do neoliberalismo<br \/>\nH\u00e1 um conceito econ\u00f4mico de sociedade unindo todas as manifesta\u00e7\u00f5es de fascismo que nos amea\u00e7am: o neoliberalismo como estado selvagem do capitalismo. O fascismo \u00e9 a casa-m\u00e3e do neoliberalismo implantado em 1973 pelos Chicago Boys no Chile de Pinochet, dando corpo \u00e0s ideias de Friedrich von Hayek e Milton Friedman \u2013 ambos devidamente agraciados com o Pr\u00eamio Nobel. Foi \u00abencontrado o regime de sonho do capitalismo\u00bb, sentenciou ent\u00e3o a revista The Economist, a b\u00edblia destes assuntos.<\/p>\n<p>O neoliberalismo \u00e9 o \u00abregime de sonho\u00bb que nos governa e que dita a pol\u00edtica como qualquer coisa subsidi\u00e1ria da economia \u2013 a economia da \u00abm\u00e3o invis\u00edvel\u00bb do mercado, como pregava von Hayek. Governa-nos \u00e0 escala da Uni\u00e3o Europeia e tendencialmente global porque a sua consolida\u00e7\u00e3o a partir do in\u00edcio dos anos oitenta do s\u00e9culo passado se processou com a chamada globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ideol\u00f3gica e tecnol\u00f3gica suportada num pensamento \u00fanico decorrente das grandes centrais de informa\u00e7\u00e3o e propaganda que formatam a comunica\u00e7\u00e3o social corporativa. Uma globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal que se tornou program\u00e1tica e obrigat\u00f3ria atrav\u00e9s do \u00abConsenso de Washington\u00bb de 1989 \u2013 a instaura\u00e7\u00e3o do neoliberalismo como fascismo econ\u00f4mico que viria a modelar a Uni\u00e3o Europeia e a dominar as pr\u00e1ticas econ\u00f4micas e financeiras \u00e0 escala mundial. Num quadro de unilateralismo geopol\u00edtico e geoestrat\u00e9gico sustentado pelo aparelho militar mundializante da OTAN.<\/p>\n<p>De Reagan e Thatcher a Merkel, de Blair a Bush, Hollande e Mark Rutte, do casal Clinton a Cavaco, Barroso, Conte, van der Leyen e muitos outros com variados r\u00f3tulos pol\u00edticos, foi-se casando a democracia pol\u00edtica formal com o absolutista e inquestion\u00e1vel fascismo econ\u00f4mico. \u00abAlgumas das linhas aplicadas no Chile s\u00e3o inaceit\u00e1veis\u00bb, desculpava-se Margaret Thatcher em carta ao seu guru van Hayek. \u00abPor vezes o processo poder\u00e1 parecer dolorosamente lento mas estou certa de que o concretizaremos \u00e0 nossa maneira e no nosso tempo\u00bb. Ent\u00e3o, acrescentou, \u00abficar\u00e1 para durar\u00bb.<\/p>\n<p>Ele a\u00ed est\u00e1, o neoliberalismo de hoje, a servi\u00e7o de uma elite cada vez mais restrita em n\u00famero dos ultrajantemente ricos e ao mesmo tempo globalista na sua amplitude. A seletividade do grupo, a voca\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria e autorit\u00e1ria das institui\u00e7\u00f5es e dos mecanismos transnacionais foi sacrificando pelo caminho algumas burguesias nacionais ambiciosas que, como rea\u00e7\u00e3o, foram buscar inspira\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social ao fascismo retinto sem porem minimamente em causa o c\u00f3digo de conduta neoliberal \u2013 abrindo uma guerra dentro do \u00abregime de sonho\u00bb; a qual, no entanto, n\u00e3o \u00e9 suficientemente fratricida para gerar discord\u00e2ncias quanto ao esp\u00edrito com que foi evocado o fim da Segunda Guerra Mundial. Olhemos tamb\u00e9m, nesse \u00e2mbito, os paninhos quentes com que as inst\u00e2ncias de Bruxelas, Parlamento Europeu inclu\u00eddo, tratam as \u00abdemocracias iliberais\u00bb \u2013 o respeitoso pudor diz tudo \u2013 na Hungria, Pol\u00f4nia, nos Estados b\u00e1lticos, na Cro\u00e1cia e outros para entender como prevalece a converg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao modelo econ\u00f4mico neoliberal. Sem esquecer que foi a Uni\u00e3o Europeia, de bra\u00e7o dado com a corrente pol\u00edtica de refer\u00eancia do neoliberalismo globalista, o Partido Democr\u00e1tico dos Estados Unidos, que deu o golpe dito \u00abdemocr\u00e1tico\u00bb na Ucr\u00e2nia que se institucionalizou como regime, de fato, fascista, europe\u00edsta, atlantista e neoliberal.<\/p>\n<p>O efeito COVID-19<br \/>\nA fronteira entre o \u00abliberal\u00bb e o \u00abiliberal\u00bb, entre a democracia formal e o fascismo de velho-novo tipo \u00e9, portanto, bastante difusa. Sobretudo nas fases de crise aguda do capitalismo como a que agora atravessamos.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que existe um confronto pol\u00edtico aceso e estrat\u00e9gico entre as correntes neoliberais globalista e fascista porque h\u00e1 acentuados desequil\u00edbrios na reparti\u00e7\u00e3o do man\u00e1 que resulta da gest\u00e3o totalit\u00e1ria de um mundo onde as fronteiras n\u00e3o perturbam quem tem a for\u00e7a do seu lado. A guerra est\u00e1 quente no cora\u00e7\u00e3o do imperialismo e do unilateralismo, os Estados Unidos da Am\u00e9rica, onde o fascismo que tomou conta do Partido Republicano veio abalar os feudos do globalismo que se expressam fundamentalmente atrav\u00e9s do aparelho do Partido Democr\u00e1tico e respectivas emana\u00e7\u00f5es do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial e da falsa \u00abAgenda Verde\u00bb. E a partir da\u00ed o conflito dissemina-se por todo o cen\u00e1rio ocidental: de um lado ainda a democracia formal como cobertura pol\u00edtica para o totalitarismo econ\u00f4mico; do outro, o fascismo \u2013 sem disfarces apesar dos r\u00f3tulos eufem\u00edsticos que lhe aplicam.<\/p>\n<p>A pandemia de COVID-19 e os problemas econ\u00f4micos que lhe est\u00e3o associados fizeram explodir o neoliberalismo numa crise que j\u00e1 estava anunciada, eventualmente sem a gravidade que agora assume.<\/p>\n<p>O neoliberalismo vai querer sobreviver \u2013 \u00abficar\u00e1 para durar\u00bb, profetizou Thatcher. Por isso, h\u00e1 que esperar uma resposta ao n\u00edvel da gravidade dos problemas que o sistema enfrenta para garantir os seus objetivos de sempre, o m\u00e1ximo fluxo de lucros.<\/p>\n<p>N\u00e3o surpreender\u00e1, portanto, que entre os danos colaterais da resposta \u00abmusculada\u00bb \u2013 termo que cedo come\u00e7ou a fazer carreira na comunica\u00e7\u00e3o social corporativa \u2013 esteja a pr\u00f3pria democracia formal. \u00abTemporariamente\u00bb, prometem; estas coisas s\u00e3o sempre \u00abtempor\u00e1rias\u00bb antes de se eternizarem. \u00abAs restri\u00e7\u00f5es \u00e0 democracia podem ser necess\u00e1rias num per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o\u00bb, j\u00e1 dizia Friedrich van Hayek.<\/p>\n<p>No seu af\u00e3 pela sobreviv\u00eancia, o neoliberalismo tender\u00e1 a encaminhar-se para a casa-m\u00e3e fascista. Para salvaguardar as leis de mercado, \u00abum governo ditatorial pode ser mais liberal que uma democracia\u00bb, escreveu o mesmo Friedrich van Hayek. E se \u00aba op\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria \u00e9 a \u00fanica oportunidade que existe num determinado momento, ent\u00e3o pode ser a melhor solu\u00e7\u00e3o\u00bb, acrescentou em 1981 ao jornal chileno El Mercurio, \u00f3rg\u00e3o oficioso da ditadura fascista de Pinochet e dos Chicago Boys.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil imaginar o lado pelo qual o neoliberalismo vai nivelar a sua resposta pol\u00edtica \u00e0s dificuldades econ\u00f4micas resultantes da pandemia. O globalismo escorregar\u00e1 naturalmente para o autoritarismo \u00abiliberal\u00bb na converg\u00eancia recomendada pelos ide\u00f3logos hist\u00f3ricos do neoliberalismo.<\/p>\n<p>Pacote autorit\u00e1rio em vigor<br \/>\nAtos como a ca\u00e7a aos dados pessoais dos cidad\u00e3os a pretexto de medidas sanit\u00e1rias, as restri\u00e7\u00f5es a direitos e liberdades sem prazo fixo, a imposi\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria de novas modalidades laborais, os controles de movimentos, a multiplica\u00e7\u00e3o de medidas de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para seguir rastros das pessoas, incluindo a aplica\u00e7\u00e3o de chips de detec\u00e7\u00e3o \u2013 como sugere Netanyahu, homem experiente em metodologias fascistas \u2013 fazem parte de um pacote autorit\u00e1rio j\u00e1 ativo. N\u00e3o s\u00e3o medidas avulsas; uma vez aplicadas entrar\u00e3o no acervo dos mecanismos de controlo de pessoas que se tornar\u00e3o irrevers\u00edveis, como vem alertando Edward Snowden baseado na sua experi\u00eancia de trabalho nas ag\u00eancias norte-americanas de espionagem.<\/p>\n<p>Vivemos os dias de hoje envolvidos em promessas irrealistas \u2013 como a de n\u00e3o existir a amea\u00e7a de mais austeridade \u2013, declara\u00e7\u00f5es de boas inten\u00e7\u00f5es e embalados pelo slogan de culto a dizer-nos que \u00abvai ficar tudo bem\u00bb. Em paralelo, o \u00abregime de sonho do capitalismo\u00bb, de pesadelo para milhares de milh\u00f5es de habitantes do planeta, vai usando o pretexto do COVID-19 e do p\u00f3s-pandemia para tecer a camisa-de-for\u00e7a com que pretende nos imobilizar, convencendo-nos da justeza da sua aplica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do refor\u00e7o dos mecanismos cens\u00f3rios contra todos os meios que tenham a ousadia de n\u00e3o alinharem com a opini\u00e3o \u00fanica, a que \u00e9 manipulada pela \u00abm\u00e3o invis\u00edvel\u00bb do mercado.<\/p>\n<p>Unidas na nega\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria da Segunda Guerra Mundial e num ritual de vingan\u00e7a dos que a perderam, as democracias liberais e \u00abiliberais\u00bb convergem tamb\u00e9m na plataforma fascista que assegurar\u00e1 a sobreviv\u00eancia do neoliberalismo como \u00abregime de sonho do capitalismo\u00bb \u2013 que n\u00e3o hesitar\u00e1 em atropelar os colaborantes n\u00e3o fascistas se a tanto for preciso chegar.<\/p>\n<p>No entanto, apesar da complexidade e dos perigos da situa\u00e7\u00e3o, com mais ou menos apertadas camisas-de-for\u00e7a, o problema de fundo n\u00e3o se alterou: para extirpar o monstro \u00e9 necess\u00e1rio derrotar o capitalismo.<\/p>\n<p>Este artigo \u00e9 um exclusivo O Lado Oculto\/AbrilAbril<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25532\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[9],"tags":[227],"class_list":["post-25532","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s10-internacional","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6DO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25532\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}