{"id":25557,"date":"2020-05-19T22:11:11","date_gmt":"2020-05-20T01:11:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25557"},"modified":"2020-05-21T01:00:12","modified_gmt":"2020-05-21T04:00:12","slug":"tirando-as-mascaras-para-falar-da-escola-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25557","title":{"rendered":"Tirando as m\u00e1scaras para falar da escola p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3eSMQr6ZFSFTAFv6XCYREYDb5WElkaA3K6Yp5l5d0z3k7jFR0E-yI94ORxGJ9LG-2J-IKqP2aKo7VK_wnKSKjKweQgfpe9l8tzfexXMfvRyKkmWG0htraxAade7-7Mb9bOEoW1T1_G_6SBZ8ymel_jh=w405-h720-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Uma an\u00e1lise na pandemia e para al\u00e9m dela<\/p>\n<p>Izadora dos Santos Pires \u2013 Professora de Qu\u00edmica<\/p>\n<p>Victor Ferreira Dias Santos \u2013 Professor de Qu\u00edmica e Militante do PCB<\/p>\n<p>H\u00e9lio da Silva Messeder Neto \u2013 Professor de Qu\u00edmica e Militante do PCB<\/p>\n<p>Estamos passando por um per\u00edodo dif\u00edcil. As medidas de quarentena adotadas pelos estados, paralisaram a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica brasileira. No dia 28 de abril, o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), com a colabora\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), divulgou orienta\u00e7\u00f5es para estados e munic\u00edpios adequarem suas atividades educativas durante a pandemia em todos os n\u00edveis educativos [1]. Em suma, as recomenda\u00e7\u00f5es do documento tencionam a ades\u00e3o aos recursos digitais. Somado a isso, o MEC criou uma plataforma de monitoramento das institui\u00e7\u00f5es federais que est\u00e3o com as atividades suspensas [2]. Ambas posturas do MEC tencionam para a retomada das atividades educativas em todos os n\u00edveis, mas n\u00e3o h\u00e1, por ora, nenhum plano efetivo que considere as desigualdades e seja realmente comprometido com a oferta de educa\u00e7\u00e3o de qualidade e seguran\u00e7a para todos.<\/p>\n<p>As orienta\u00e7\u00f5es do CNE refor\u00e7am as atividades educativas que est\u00e3o sendo mantidas em algumas institui\u00e7\u00f5es privadas, atrav\u00e9s de formatos digitais, sem olhar para como esse processo est\u00e1 acontecendo. Na pr\u00e1tica, as orienta\u00e7\u00f5es podem funcionar como uma forma de pressionar os professores da rede p\u00fablica de ensino, sem pautar, por exemplo, as necessidades de computadores, c\u00e2meras, celulares, internet. A custo disso, professores\/as e alunos\/as da rede p\u00fablica tiveram que mudar suas din\u00e2micas de ensino e aprendizagem fazendo essas atividades em casa, espa\u00e7os que podem n\u00e3o dispor de infraestrutura material e social, pois, as condi\u00e7\u00f5es das resid\u00eancias da classe trabalhadora, em grande parte, s\u00e3o prec\u00e1rias. E aqui vale relembrar: professores\/as fazem parte desta classe! Neste sentido, \u00e9 preciso ressaltar que ainda n\u00e3o houve, por parte do governo, nenhuma medida ou qui\u00e7\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o para regulamentar essas atividades em meio \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Dessa forma, as orienta\u00e7\u00f5es do CNE n\u00e3o trazem implica\u00e7\u00f5es diretas para os professores\/as que j\u00e1 alteraram suas din\u00e2micas de ensino e os quais, possivelmente, precisar\u00e3o se adequar \u00e0s novas demandas sem as condi\u00e7\u00f5es ou instrumentos necess\u00e1rios para que os desenvolvimentos dos seus trabalhos possam chegar aos alunos\/as (se chegarem) com condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de qualidade. Sendo assim, esperamos apontar os problemas desse projeto, que, na pr\u00e1tica, se constitui como avan\u00e7os neoliberais de precariza\u00e7\u00e3o do ensino e acelera propostas anteriores que vinham sendo debatidas, uma vez que, hoje, mais do que nunca, precisamos defender a escola p\u00fablica e sua primazia: um espa\u00e7o de desenvolvimento e forma\u00e7\u00e3o humana, principalmente, para as filhas\/os da classe trabalhadora. Portanto, buscamos lutar contra os objetivos neoliberais que buscam extrair cada vez mais lucros por meio da escola, vista como um espa\u00e7o no qual preparam-se indiv\u00edduos apenas para o mercado de trabalho, com condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ESCOLA P\u00daBLICA QUE TEMOS E A ESCOLA P\u00daBLICA QUE QUEREMOS!<\/p>\n<p>No Brasil, o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de qualidade \u00e9 um direito constitucional. No entanto, a escola p\u00fablica vem sendo, ao longo dos anos, literalmente, precarizada e demolida, seja nos aspectos constitucionais como em investimentos financeiros (manuten\u00e7\u00e3o e aprimoramento) e, at\u00e9 mesmo, humanos (professores\/as, gestores\/as e alunos\/as). Paradoxalmente, a pandemia que se instalou no mundo nos permite olhar para a luta de classes na pol\u00edtica acentuada na escola p\u00fablica, em que busca-se, neste momento de crise, combater os avan\u00e7os neoliberais, colocando em movimento o que queremos como futuro educativo para a classe trabalhadora. Neste sentido, temos que conhecer nosso campo de batalha.<\/p>\n<p>Segundo dados do censo escolar 2019, No ano de 2019, foram registradas 47,9 milh\u00f5es de matr\u00edculas nas 180,6 mil escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil, cerca de 582 mil matr\u00edculas a menos em compara\u00e7\u00e3o com o ano de 2018, o que corresponde a uma redu\u00e7\u00e3o de 1,2% no total de matr\u00edculas [3]. Ainda sobre o n\u00famero de matr\u00edculas, os dados apresentados apontam que a educa\u00e7\u00e3o infantil cresceu 12,6% de 2015 a 2019, atingindo 8,9 milh\u00f5es em 2019. Esse crescimento decorreu, principalmente, do acr\u00e9scimo de 706 mil matr\u00edculas em creches no per\u00edodo [3]. Devemos olhar para diminui\u00e7\u00e3o de matr\u00edculas ao longo dos \u00faltimos anos na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, atentando para os fatores internos e externos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o como: a pol\u00edtica, a economia e as reformas curriculares. Dessa forma, o agravamento das desigualdades pode estar contribuindo para a diminui\u00e7\u00e3o da oferta de vagas, a evas\u00e3o escolar e, tamb\u00e9m, para a migra\u00e7\u00e3o desses alunos \u00e0s institui\u00e7\u00f5es privadas. Ao omitir essas discuss\u00f5es, o neoliberalismo segue avan\u00e7ando e utiliza os n\u00fameros da diminui\u00e7\u00e3o de matr\u00edculas como justificativas para fechar escolas. O Quadro 1 reflete esse movimento.<\/p>\n<p>Quadro 1- N\u00famero de estabelecimentos da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica ao longo dos anos<\/p>\n<p>Todas as redes Rede P\u00fablica Rede Privada<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2013 190.706 151.884 38.822<br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2014 188.673 149.098 39.575<br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2015 186.441 147.110 39.331<br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2016 186.081 146.065 40.016<br \/>\nEduca\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2018 181.939 141.298 40.641<\/p>\n<p>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base em consulta aos documentos \u201cAnu\u00e1rio Brasileiro da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica\u201d<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos dados do quadro acima, percebe-se que a rede p\u00fablica sofreu uma diminui\u00e7\u00e3o quantitativa das institui\u00e7\u00f5es de ensino, enquanto na rede privada houve um aumento. Ressaltamos que n\u00e3o encontramos dados referentes aos anos de 2017[1] e 2019 no Anu\u00e1rio Brasileiro da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Na busca para obter uma dimens\u00e3o do ano de 2019, dados do censo escolar apontam que O Brasil conta, em 2019, com 180.610 escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica [3]. Ao compararmos esses dados com o de todas as redes de 2018, verificamos um padr\u00e3o na diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de escolas, implicando em uma pol\u00edtica de diminui\u00e7\u00e3o das redes de ensino.<\/p>\n<p>Em oposi\u00e7\u00e3o a esse movimento, defendemos que a escola \u00e9 um espa\u00e7o que deve ser ocupado e as atividades educativas devem ser desenvolvidas com qualidade, pois o Brasil ainda possui n\u00fameros alarmantes de analfabetismo. Um estudo desenvolvido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), possui dados indicando que No Brasil, em 2018, havia 11,3 milh\u00f5es de pessoas com 15 anos ou mais de idade analfabetas [4]. Esses dados nos revelam que a alfabetiza\u00e7\u00e3o, como uma condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica dos indiv\u00edduos, ainda n\u00e3o est\u00e1 sendo suprida. Podemos ampliar essa problem\u00e1tica para al\u00e9m desse quadro. Com a pandemia instaurada, verificamos, cada vez mais, a necessidade da ci\u00eancia e da tecnologia para o combate dessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o Brasil, nesse cen\u00e1rio de combate, o que tem feito? A preocupa\u00e7\u00e3o do atual governo \u2013 Bolsonaro-Mour\u00e3o \u2013 \u00e9 de restabelecer as atividades e estancar a sangria da economia, enquanto as mortes continuam a acumular e se amplia um crescimento, quase que incontrol\u00e1vel, de casos da Covid-19. Al\u00e9m da alfabetiza\u00e7\u00e3o, devemos lutar pela ampla transmiss\u00e3o dos conhecimentos cient\u00edficos, no sentido de se tornarem instrumentos para a classe trabalhadora. Poder\u00edamos, nesse momento, sermos mais um pa\u00eds na linha de frente na produ\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para a resolu\u00e7\u00e3o dessa problem\u00e1tica. E, por outro lado, a popula\u00e7\u00e3o com acesso a esse saber, poderia efetuar uma an\u00e1lise mais consciente da situa\u00e7\u00e3o e enfrentar as atuais a\u00e7\u00f5es desse governo neofacista que, pelo falso discurso da economia, ataca a vida de diversos trabalhadores\/as, colocando-os na linha direta da contamina\u00e7\u00e3o do Covid-19.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o de matr\u00edculas pari passu \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de escolas mant\u00e9m a superlota\u00e7\u00e3o em salas de aula, conforme pode-se perceber nos indicadores educacionais divulgados no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP) [5]. Com base nos dados de 2019, formulamos a tabela 1.<\/p>\n<p>Tabela 1 \u2013 Distribui\u00e7\u00e3o de alunos por sala em 2019<\/p>\n<p>Regi\u00f5es Creche Pr\u00e9-escola Anos iniciais Anos finais 1\u00aa s\u00e9rie 2\u00aa s\u00e9rie 3\u00aa s\u00e9rie 4\u00aa s\u00e9rie<br \/>\nNorte 17,2 18,6 22,5 26 30,7 28,9 28,3 22<br \/>\nNordeste 16,1 17,1 20,4 26,5 33,2 30,8 30,3 23,7<br \/>\nSudeste 13,5 18,4 22,4 27,5 31,2 29,2 29,4 31,3<br \/>\nSul 13,1 16,7 20,7 24 28,3 25,7 25,1 19,4<br \/>\nBrasil 14,3 17,9 21,6 26,5 31,1 29,0 28,8 23,1<\/p>\n<p>Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com base nos dados Indicadores Educacionais de 2019<\/p>\n<p>Os dados expostos na tabela refletem o dia a dia de professores\/as que possuem turmas com o contingente elevado de alunos\/as. Sendo assim, um retorno das atividades escolares que desconsidere o controle do n\u00famero de alunos por sala colocam todos em risco. Enfatizamos que os n\u00fameros que comp\u00f5em a tabela correspondem a uma m\u00e9dia geral do Brasil, j\u00e1 que, no documento, os dados s\u00e3o referentes \u00e0s zonas rural, urbana e por depend\u00eancia administrativa (federal, estadual, municipal, no setor p\u00fablico e privado). Desta forma, podem haver discrep\u00e2ncias na medida em que se aprofunda a an\u00e1lise, considerando, por exemplo, as particularidades das regi\u00f5es geogr\u00e1ficas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ainda discutindo os elementos de ataque \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sabemos que, na l\u00f3gica capitalista, o empenho se concentra em formas de reduzir custos e que os programas de educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia servem aos interesses da classe dominante. Na conjuntura atual, se agudiza os objetivos da burguesia em rela\u00e7\u00e3o ao ensino. A l\u00f3gica do empreendedorismo e o aumento da competitividade se elevam. Com isso, n\u00e3o \u00e9 mais objetivo da escola ensinar os conte\u00fados cient\u00edficos, filos\u00f3ficos e art\u00edstico, mas, sim, desenvolver uma consci\u00eancia voltada para a adapta\u00e7\u00e3o desse sistema desigual e capitalista no qual vivemos. No caminho, \u00e9 recorrente a afirma\u00e7\u00e3o de que a escola est\u00e1 ultrapassada e, com a internet, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de ensinarmos, mas, sim, mostrarmos os caminhos para que alunas\/os aprendam a como aprender. Portanto, nos vemos em uma situa\u00e7\u00e3o extremamente precarizada e com s\u00e9rios riscos de a escola ser destru\u00edda. Com isso, o problema da pandemia pode provocar uma r\u00e1pida incorpora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de ensino a dist\u00e2ncia para institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Neste caso, a educa\u00e7\u00e3o pode ser ainda mais sucateada se vier a implementar as orienta\u00e7\u00f5es do CNE e essas se consolidarem como uma forma prec\u00e1ria e apol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, pois, tais orienta\u00e7\u00f5es n\u00e3o consideram as desigualdades existentes no pa\u00eds, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos professores\/as, a realidade concreta dos alunos\/as, ou seja, as especificidades da escola p\u00fablica e sua comunidade. Este projeto j\u00e1 est\u00e1 em curso e pode ser percebido na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, especificamente, na reforma do Ensino M\u00e9dio, pela Lei 13.415\/2017, 20% da carga hor\u00e1ria total no diurno e at\u00e9 30% no noturno podem ser contempladas com atividades a dist\u00e2ncia [6]. O atual governo est\u00e1 disponibilizando programas como o \u201cEduca\u00e7\u00e3o conectada\u201d e a \u201cPlataforma MEC de Recursos Educacionais Digitais\u201d. No caso da plataforma, percebe-se que os apoiadores s\u00e3o da rede privada e de grandes conglomerados da burguesia nacional e internacional, conforme pode se verificar em: https:\/\/plataformaintegrada.mec.gov.br\/sobre#parceiros<\/p>\n<p>Os elementos at\u00e9 aqui expostos possibilitam uma vis\u00e3o mais imediata do cen\u00e1rio em que a escola se encontra e dos projetos de educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia embutidos nas reformas curriculares. Certamente, as parcerias entre os setores p\u00fablico e privados, na pr\u00e1tica, se consolidam como fonte lucrativa para o setor privado empresarial. No entanto, expor os problemas escolares, que se constituem como o \u00eaxito do projeto burgu\u00eas de fornecer uma educa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria para a classe trabalhadora, se estabelece como um dos elementos do nosso ponto de partida.<\/p>\n<p>Neste sentido, buscamos, ao inv\u00e9s de sa\u00eddas imediatas, discutir, tencionar e cobrar dos gestores estaduais pautas para pensar a luta por uma educa\u00e7\u00e3o com qualidade para a comunidade escolar durante a quarentena. Dada a urg\u00eancia de se preservar as institui\u00e7\u00f5es escolares e sua primazia como espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o humana, individual e coletiva, pensamos que este seja o momento para nos posicionarmos frente \u00e0s novas necessidades que as escolas ter\u00e3o quando as atividades presenciais puderem ser retomadas. Nos adiantamos aqui a pensar em um cen\u00e1rio no qual as medidas de distanciamento social permaneceriam, mesmo quando for poss\u00edvel a retomada das aulas presenciais. Por isso, endossamos os posicionamentos contr\u00e1rios \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de atividades a dist\u00e2ncia sem as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas necess\u00e1rias para professores\/as e alunos\/as. Al\u00e9m de nossa posi\u00e7\u00e3o, podemos encontrar outras frentes defendendo esse mesmo indicativo como consta no documento Pondera\u00e7\u00f5es sobre o ensino escolar em tempos de quarentena: carta \u00e0s professoras e professores brasileiros [7].<\/p>\n<p>Tensionamos, assim, para que os governos estaduais e municipais possam buscar, junto com as secretarias de educa\u00e7\u00e3o e os trabalhadores\/as da educa\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para uma reorganiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o escolar, nas quais sejam poss\u00edveis alocar o menor n\u00famero de alunos por sala. Isso, consequentemente, exigiria contrata\u00e7\u00e3o de docentes em regime de urg\u00eancia por processos simplificados, podendo dispor das tecnologias para isso. Compreendemos, ainda, que qualquer pol\u00edtica realmente comprometida com a qualidade da educa\u00e7\u00e3o deve se colocar com primazia \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional 95 (EC 95) que congela os gastos com educa\u00e7\u00e3o durante 20 anos. Entendemos, assim, que a perman\u00eancia desta (EC 95) compromete qualquer projeto que esteja realmente empenhado em melhorar as condi\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>1 \u2013 MINIST\u00c9RIO DA EDUCA\u00c7\u00c3O. CNE aprova diretrizes para escolas durante a pandemia. Publicado em 28 de abril de 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;portal.mec.gov.br\/busca-geral\/12-noticias\/acoes-programas-e-projetos-637152388\/89051-cne-aprova-diretrizes-para-escolas-durante-a-pandemia&gt; Acesso em 30 de abril de 2020<\/p>\n<p>2 &#8211; MINIST\u00c9RIO DA EDUCA\u00c7\u00c3O. MEC lan\u00e7a portal de monitoramento de a\u00e7\u00f5es e opera\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de ensino durante a pandemia. Publicado em 20 de abril de 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;portal.mec.gov.br\/component\/content\/article?id=88801&gt; Acesso em 30 de abril de 2020<\/p>\n<p>3 &#8211; BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep). Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2019: Resumo T\u00e9cnico. Bras\u00edlia, 2020. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/portal.inep.gov.br\/documents\/186968\/0\/Notas+Estat%C3%ADsticas+-+Censo+da+Educa%C3%A7%C3%A3o+B%C3%A1sica+2019\/43bf4c5b-b478-4c5d-ae17-7d55ced4c37d?version=1.0&gt; Acesso em: 30 de abril de 2020.<\/p>\n<p>4 &#8211; AG\u00caNCIA IBGE NOT\u00cdCIAS. Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). PNAD Cont\u00ednua 2018: educa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a no pa\u00eds, mas desigualdades raciais e por regi\u00e3o persistem. Dispon\u00edvel :&lt;https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/24857-pnad-continua-2018-educacao-avanca-no-pais-mas-desigualdades-raciais-e-por-regiao-persistem&gt; Acesso em 30 de abril de 2020.<\/p>\n<p>5 &#8211; TODOS, PELA EDUCA\u00c7\u00c3O. Anu\u00e1rio brasileiro da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2018. An\u00e1lise dos dados referentes a 2016.<\/p>\n<p>6 &#8211; SANTOS, A. A. Educa\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia: tens\u00f5es entre expans\u00e3o e qualidade. In: Educa\u00e7\u00e3o contra a barb\u00e1rie: por escolas democr\u00e1ticas e pela liberdade de ensinar. Boi tempo Editorial, 2019.<\/p>\n<p>7 &#8211; Centro Esportivo Virtual &#8211; CEV. Pondera\u00e7\u00f5es Sobre o Ensino Escolar em tempos de quarentena: Carta \u00e0s professoras e professores Brasileiros. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/cev.org.br\/biblioteca\/ponderacoessobreoensinoescolaremtemposdequarentena-cartaasprofessoraseprofessores-brasileiros\/?fbclid=IwAR09bNoUFns53VYipqJ8vX76iGuJPKK0XK1o5YRIT1EC1rE7qA_1IXr0tw4&gt; Acesso em 30 de abril de 2020.<\/p>\n<p>8 &#8211; TODOS, PELA EDUCA\u00c7\u00c3O. Anu\u00e1rio brasileiro da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2015. An\u00e1lise dos dados referentes a 2013<\/p>\n<p>9 &#8211; TODOS, PELA EDUCA\u00c7\u00c3O. Anu\u00e1rio brasileiro da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2016. An\u00e1lise dos dados referentes a 2014.<\/p>\n<p>10 &#8211; TODOS, PELA EDUCA\u00c7\u00c3O. Anu\u00e1rio brasileiro da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2017. An\u00e1lise dos dados referentes a 2015.<\/p>\n<p>11 &#8211; TODOS, PELA EDUCA\u00c7\u00c3O. Anu\u00e1rio brasileiro da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2019. An\u00e1lise dos dados referentes ao ano de 2018.<\/p>\n<p>12 &#8211; (INEP). Indicadores Educacionais. Dispon\u00edvel em: &lt;portal.inep.gov.br\/web\/guest\/indicadores-educacionais&gt; Acesso em 30 de abril de 2020.<\/p>\n<p>[1] O anu\u00e1rio publicado em 2018 deveria trazer dados do ano de 2017, por\u00e9m, o documento discute aspectos da educa\u00e7\u00e3o com base nos dados obtidos em 2016, justificando que \u201cA crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social brasileira se prolongou em 2017, tornando todo cen\u00e1rio imprevis\u00edvel, ainda mais em um ano de elei\u00e7\u00f5es\u201d. ([7], p.7)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25557\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[60],"tags":[223],"class_list":["post-25557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c71-educacao","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6Ed","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25557\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}