{"id":25565,"date":"2020-05-21T00:52:43","date_gmt":"2020-05-21T03:52:43","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25565"},"modified":"2020-05-21T00:52:43","modified_gmt":"2020-05-21T03:52:43","slug":"covid-19-dois-paises-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25565","title":{"rendered":"Covid-19: dois pa\u00edses nos EUA"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/bloximages.chicago2.vip.townnews.com\/phillytrib.com\/content\/tncms\/assets\/v3\/editorial\/2\/91\/291c0a07-7e26-57b8-be4a-d7ab284ba597\/55e11e9cb31b3.image.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more--><br \/>\nJorge Cadima<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Tal como no rescaldo do furac\u00e3o Katrina em 2005, a epidemia Covid-19 p\u00f5e a nu, de forma brutal, a realidade social da superpot\u00eancia imperialista e o total desprezo das classes dominantes para com os trabalhadores e o povo dos EUA. Nem a comunica\u00e7\u00e3o social de regime consegue esconder essa realidade dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias desta Primavera (no Hemisf\u00e9rio Norte) de 2020 v\u00e3o ser tremendas, e a Hist\u00f3ria est\u00e1 ainda por se escrever. Ainda \u00e9 cedo para avaliar todo o impacto da pandemia Covid-19, mas as suas consequ\u00eancias ser\u00e3o m\u00faltiplas e profundas. Em muitos pa\u00edses, e nomeadamente nos centros imperialistas que s\u00e3o hoje o epicentro da epidemia, uma crise de sa\u00fade p\u00fablica est\u00e1 a transformar-se numa cat\u00e1strofe social. Mas as classes dominantes ao servi\u00e7o do grande capital est\u00e3o j\u00e1 a procurar usar a crise provocada pelo coronav\u00edrus SARS-CoV-2 como pretexto para justificar mais prebendas para o grande capital e mais sacrif\u00edcios para quem trabalha. Tal fato, que marca todo o mundo capitalista, \u00e9 particularmente evidente nos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Os EUA: uma trag\u00e9dia com marca de classe<\/p>\n<p>Tal como no rescaldo do furac\u00e3o Katrina em 2005, a epidemia Covid-19 p\u00f5e a nu, de forma brutal, a realidade social da superpot\u00eancia imperialista e o total desprezo das classes dominantes para com os trabalhadores e o povo dos EUA. Nem a comunica\u00e7\u00e3o social de regime consegue esconder essa realidade dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Escrevendo ainda antes de os Estados Unidos se tornarem o pa\u00eds com (de longe) o maior n\u00famero de casos de Covid-19, o Financial Times (6.3.20) antevia a vulnerabilidade da superpot\u00eancia imperialista. As causas referidas refletem uma brutal e desenfreada explora\u00e7\u00e3o: \u00abRespons\u00e1veis de sa\u00fade p\u00fablica e acad\u00eamicos est\u00e3o preocupados por a conjuga\u00e7\u00e3o de um elevado n\u00famero de pessoas sem seguros [de sa\u00fade], a inexist\u00eancia de baixas m\u00e9dicas pagas e uma classe pol\u00edtica que minimizou a amea\u00e7a poderem vir a significar que [o v\u00edrus] venha a alastrar de forma mais r\u00e1pida do que noutros pa\u00edses [\u2026] alguns consideram que o pa\u00eds poder\u00e1 vir a ser um dos mais afetados pela pandemia global. [\u2026] O alastramento do coronav\u00edrus pode ser alimentado pelo fato de pacientes recearem procurar cuidados [m\u00e9dicos], devido aos elevados custos do sistema de sa\u00fade nos EUA. Quase 18 milh\u00f5es de americanos n\u00e3o tinham seguro [de sa\u00fade] em 2018 [\u2026]. Mesmo pacientes com seguros podem ver-se em dificuldades para pagar as contribui\u00e7\u00f5es que asseguram esses cuidados. [\u2026] Embora 11 Estados e 25 cidades tenham aprovado leis que obrigam as empresas a pagar baixas m\u00e9dicas, continua a n\u00e3o existir a exig\u00eancia a n\u00edvel Federal de o fazer, e ativistas afirmam que cerca de 30% dos trabalhadores dos EUA ainda n\u00e3o t\u00eam esse direito. Peritos afirmam que isso pode aumentar o alastramento do coronav\u00edrus se trabalhadores doentes, com receio de perder a sua paga, acabam por ir trabalhar e infectar outros. De acordo com um estudo acad\u00eamico publicado em 2012, a falta de pol\u00edticas laborais tais como baixas m\u00e9dicas pagas levou a um excesso de 5 milh\u00f5es de doen\u00e7as de tipo gripal durante a eclos\u00e3o da gripe su\u00edna H1N1 em 2009\u00bb.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no princ\u00edpio de mar\u00e7o, o New York Times (9.3.20) explicava porque \u00e9 que \u00abo encerramento das escolas p\u00fablicas ser\u00e1 um \u00faltimo recurso\u00bb: \u00aba cidade de Nova Iorque tem a maior rede de escolas p\u00fablicas dos Estados Unidos [\u2026] com cerca de 750 000 crian\u00e7as pobres, incluindo cerca de 144 000 sem abrigo [!]. Para estes estudantes, a escola pode ser o \u00fanico lugar onde conseguem ter tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es quentes por dia e cuidados m\u00e9dicos, ou at\u00e9 lavar a sua roupa suja. \u00c9 por isso que as escolas p\u00fablicas da cidade dever\u00e3o permanecer abertas mesmo que o novo coronav\u00edrus se torne mais prevalente em Nova Iorque\u00bb. Acrescenta que \u00abmesmo um \u00fanico dia de neve pode perturbar seriamente as vidas das crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis de Nova Iorque e os seus pais e outros parentes, cujos empregos muitas vezes n\u00e3o asseguram o pagamento de baixas\u00bb. O artigo do NYT transmite um testemunho sobre a realidade da maior cidade dos EUA, nesta \u2018era digital\u2019: \u00abNicole Manning, uma professora de matem\u00e1tica do 9.\u00ba ano no liceu Herbert H. Lehman, no Bronx, calcula que quase metade dos seus alunos n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet em casa. \u2018N\u00e3o podemos fazer ensino \u00e0 dist\u00e2ncia\u2019, afirma. \u2018N\u00e3o seria justo\u2019\u00bb.<\/p>\n<p>Ainda o NYT informava (20.3.20) que \u00abpode afirmar-se que os EUA n\u00e3o est\u00e3o apenas a seguir o curso de It\u00e1lia, mas est\u00e3o pior preparados, pois a Am\u00e9rica tem menos m\u00e9dicos e camas hospitalares per capita do que It\u00e1lia \u2013 e uma esperan\u00e7a de vida menor, mesmo em tempos melhores\u00bb. E isto apesar de em It\u00e1lia o n\u00famero de camas hospitalares por mil habitantes ter descido cerca de 25% nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas de \u2018euroausteridade\u2019 (Estat\u00edstica de Sa\u00fade da OCDE).<\/p>\n<p>Um artigo da CNN online (23.3.20) estima em 320 mil o n\u00famero dos sem-abrigo no Reino Unido, para quem as instru\u00e7\u00f5es para \u00abficar em casa\u00bb t\u00eam um sabor particularmente amargo. D\u00e1 conta que \u00abos bancos alimentares que garantem apoio vital a alguns dos 14 milh\u00f5es de pobres estimados est\u00e3o com falta de volunt\u00e1rios, muitos dos quais se viram for\u00e7ados a autoisolar-se, bem como da pr\u00f3pria comida, no seguimento do p\u00e2nico de compras nos supermercados\u00bb. E acrescenta que a situa\u00e7\u00e3o social agravou-se \u00abap\u00f3s a crise financeira global de 2007-8\u00bb quando \u00abmilhares de milh\u00f5es de libras foram retiradas do sistema de seguran\u00e7a social\u00bb a fim de efetuar \u00abcortes radicais nas despesas estatais\u00bb. Se nos lembrarmos dos milh\u00f5es de milh\u00f5es que t\u00eam sido entregues \u00e0 banca neste mesmo per\u00edodo, para manter \u00e0 tona um sistema financeiro falido, torna-se evidente que o capitalismo, mesmo nos seus principais centros, \u00e9 uma criminosa m\u00e1quina de gerar riquezas imensas \u00e0 custa duma enorme pobreza.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o social agravou-se abruptamente com a eclos\u00e3o da epidemia. Em apenas tr\u00eas semanas do final de mar\u00e7o a in\u00edcio de abril, o n\u00famero oficial de novos desempregados nos Estados Unidos cresceu quase 17 milh\u00f5es, \u00abum n\u00famero que os economistas dizem que pode elevar a taxa de desemprego para 14%, superior ao pico da \u00faltima crise financeira\u00bb (Financial Times, 9.4.20). Economistas do Banco da Reserva Federal de St. Louis estimam que o n\u00famero de novos desempregados possa mesmo chegar aos 47 milh\u00f5es, com uma taxa de desemprego de 32% (CNBC, 30.3.20). Esta realidade dram\u00e1tica levou \u00e0 quebra de alguns sistemas inform\u00e1ticos para pedidos de subs\u00eddio, com a forma\u00e7\u00e3o de longas filas de rec\u00e9m-desempregados (Newsweek, 8.4.20), que arriscaram o cont\u00e1gio para n\u00e3o ficarem sem o jantar. Nos EUA, a perda de emprego \u00e9 tamb\u00e9m, muitas vezes, a perda a prazo da casa ou (se existir) do seguro de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mesmo no plano estritamente m\u00e9dico, o impacto da epidemia tem a marca de classe. A ABC (3.4.20) relata que, \u00abo v\u00edrus n\u00e3o poupou nenhuma parte da Cidade de Nova Iorque, mas novos dados mostram que os bairros mais pobres de Queens, Bronx e Brooklyn est\u00e3o a ser particularmente atingidos\u00bb. Uma fonte noticiosa de Chicago (WBEZ, 5.4.20) relata que \u00abem Chicago, 70% dos mortos de Covid-19 s\u00e3o negros\u00bb, uma percentagem muito superior aos 29% na popula\u00e7\u00e3o. E explica: \u00abHistoricamente, as comunidades negras de Chicago t\u00eam sido atingidas de forma desproporcionada por problemas de sa\u00fade, dadas a pobreza, a polui\u00e7\u00e3o ambiental, a segrega\u00e7\u00e3o e o acesso limitado a cuidados m\u00e9dicos\u00bb.<\/p>\n<p>Os outros EUA<\/p>\n<p>Mas se para os trabalhadores e o povo dos EUA a trag\u00e9dia sanit\u00e1ria se transforma em calamidade, a realidade \u00e9 outra para o grande capital. Tal como em 2008, o \u2018dinheiro dos contribuintes\u2019, que \u2018n\u00e3o existe\u2019 para despesas sociais, aparece logo, e em quantidades astron\u00f4micas, para sustentar o grande capital financeiro. Ainda antes do final de mar\u00e7o, o governo dos EUA abriu os cord\u00f5es \u00e0 bolsa, com \u00abuma resposta fiscal no valor de 2 trilh\u00f5es de d\u00f3lares\u00bb, ou seja, $2.000.000.000.000. Mas o Financial Times (Martin Wolf, FT, 31.3.20) esclarece: \u00abapenas um vig\u00e9simo [5%] desta quantidade ir\u00e1 para os hospitais [\u2026] e haver\u00e1 um fundo de 500 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares [25%] para as grandes empresas, que provavelmente estar\u00e1 debaixo do controlo, n\u00e3o supervisionado, do Sr. Trump\u00bb. Os \u2018mercados\u2019 (nome de c\u00f3digo para o grande capital financeiro) reagiram extasiados: o \u00edndice Dow Jones teve uma subida de 11,4% \u00aba maior desde 1933\u00bb (FT, 24.3.20). Poucos dias depois, \u2018h\u00e1 dinheiro\u2019 para um novo pacote de \u00ab$2,3 trilh\u00f5es em cr\u00e9ditos e para apoiar o mercado de d\u00edvidas de alto rendimento de grandes empresas [high-yield corporate debt]\u00bb (FT, 9.4.20). O \u2018dinheiro dos contribuintes\u2019 que est\u00e3o nas filas do desemprego \u00e9 usado para \u00abapoiar o mercado\u00bb, de \u00abd\u00edvidas\u00bb, de \u00abalto rendimento\u00bb, de \u00abgrandes empresas\u00bb!<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, longe do jarg\u00e3o com que o capital financeiro procura camuflar as suas negociatas, o sistema financeiro capitalista, j\u00e1 sustentado pela metadona do Estado desde 2008, est\u00e1 hoje totalmente quebrado e precisa desesperadamente da hero\u00edna do Estado. S\u00f3 sobrevive com a total fic\u00e7\u00e3o de os Estados inventarem dinheiro (que ficar\u00e1 nas d\u00edvidas p\u00fablicas) para comprarem tudo aquilo que \u2018os mercados\u2019 querem desesperadamente vender. Um articulista do Financial Times (24.3.20) fala na \u00ab\u2018nacionaliza\u00e7\u00e3o\u2019 do mercado de T\u00edtulos do Tesouro que ajudou a acalmar os nervos\u00bb. Ou seja, o Estado a comprar a d\u00edvida do Estado\u2026 E acrescenta: \u00aba [Reserva Federal] comprometeu-se a comprar d\u00edvida governamental em quantidades ilimitadas, na mais recente tentativa de impedir que o choque econ\u00f4mico do coronav\u00edrus se transforme numa derrocada dos mercados. A decis\u00e3o segue-se a medidas semelhantes do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra\u00bb. Outro articulista escreve (FT, 23.3.20) \u00abos gigantescos e atualmente disfuncionais mercados de T\u00edtulos do Tesouro dos EUA, cr\u00e9dito hipotec\u00e1rio e de grandes empresas, t\u00eam agora um comprador de \u00faltimo recurso \u2013 a Reserva Federal\u00bb, isto \u00e9, o \u2018banco central\u2019 dos EUA que, sendo um conjunto de bancos privados, assenta no dinheiro do Estado. O FT fala em \u00abQuantitave Easing infinito\u00bb e afirma que as d\u00edvidas da Reserva Federal \u00abaumentar\u00e3o de forma assinal\u00e1vel, \u00e0 medida que se torna no comprador de \u00faltimo recurso nos mercados\u00bb, n\u00e3o antevendo nenhuma altera\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o \u00abdada a dimens\u00e3o da euforia de endividamento ap\u00f3s 2009\u00bb (lembram-se de quando prometiam \u2018reduzir o endividamento\u2019?).<\/p>\n<p>A vergonha p\u00f3s-2008 (que Portugal conheceu t\u00e3o bem) vai-se repetir numa escala incomensuravelmente maior: os dinheiros p\u00fablicos v\u00e3o ser entregues aos bancos para estes fazerem neg\u00f3cio. Escreve de novo o Financial Times (1.4.20): \u00ab[os banqueiros] est\u00e3o a ser chamados para ajudar a distribuir programas de est\u00edmulo sem precedentes, no valor de trilh\u00f5es de d\u00f3lares [\u2026]. Embora os governos e os bancos centrais estejam a fornecer boa parte do dinheiro, est\u00e1 a ser pedido aos emprestadores que sirvam de \u2018correia de transmiss\u00e3o\u2019 para assegurar que o apoio chegue \u00e0s empresas e consumidores que dele mais necessitam\u00bb. Os preju\u00edzos e as d\u00edvidas ser\u00e3o dos Estados, dos trabalhadores, dos pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios. Para o grande capital financeiro ir\u00e3o os lucros e mais alguns milh\u00f5es de escravos, subjugados por essas d\u00edvidas. A \u2018solidariedade do capital financeiro\u2019 v\u00ea-se at\u00e9 nos pormenores: \u00abna ter\u00e7a-feira, os maiores bancos do Reino Unido cederam \u00e0 press\u00e3o do Banco de Inglaterra e suspenderam [o pagamento de] todos os dividendos [aos acionistas]. A iniciativa chocou os investidores e provocou profundas quebras no pre\u00e7o das suas a\u00e7\u00f5es\u00bb (FT, 1.4.20).<\/p>\n<p>Li\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo que a pandemia Covid-19 p\u00f4s em evid\u00eancia \u00e9 a criminalidade de um sistema social e econ\u00f4mico que apenas existe em fun\u00e7\u00e3o duma parasit\u00e1ria minoria de ultrarricos. D\u00e9cadas de cortes nas pol\u00edticas e investimentos sociais revelam agora os seus efeitos. Estes cortes, tal como toda a pol\u00edtica econ\u00f4mica e social das grandes pot\u00eancias capitalistas, tem servido apenas um objetivo: enriquecer ainda mais quem j\u00e1 era obscenamente rico.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m para impedir que esta realidade b\u00e1sica se transforme em consci\u00eancia de largas massas que foi desencadeada a monumental campanha de falsidades que visa encontrar o \u2018inimigo externo\u2019. \u00c9 f\u00e1cil desmontar a mentira, propalada profusamente por Trump e os escribas ao seu servi\u00e7o, que a China \u2018escondeu\u2019 a doen\u00e7a. Ela foi comunicada oficialmente \u00e0 OMS no dia 31 de Dezembro (se tivesse sido mais tarde, seria Covid-20\u2026), quando havia poucas dezenas de casos de uma doen\u00e7a ainda desconhecida (WHO Situation Report 1). Durante dois meses, quando parecia que a epidemia se confinava \u00e0 China, Ir\u00e3 e pa\u00edses vizinhos, a comunica\u00e7\u00e3o social entretinha-se a denegrir a China e os seus esfor\u00e7os de conten\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 epidemia. Tudo era \u2018culpa do regime\u2019. Falavam do \u00abmomento Chernobil de Xi Jinping\u00bb e anteviam o \u00abcolapso\u00bb. Mas a realidade \u00e9 que, com medidas firmes, apoiadas em mecanismos de prote\u00e7\u00e3o social, a China foi capaz de conter a epidemia essencialmente numa \u00fanica prov\u00edncia, e pode bem vir a ser dos pa\u00edses menos afetados (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o) pela pandemia. N\u00e3o fez as manchetes, mas no final duma not\u00edcia do New York Times (20.3.20) l\u00ea-se que \u00abn\u00e3o se conhece nenhum caso, entre os 42 000 trabalhadores da sa\u00fade enviados para Wuhan, de infec\u00e7\u00e3o com o coronav\u00edrus. Os Estados Unidos n\u00e3o est\u00e3o a proteger os trabalhadores da sa\u00fade com a mesma determina\u00e7\u00e3o: parecem estar a tra\u00ed-los\u00bb.<\/p>\n<p>O \u2018salve-se quem puder\u2019 das principais pot\u00eancias imperialistas tornou-se degradante. Destruindo os mitos da \u2018solidariedade europeia\u2019, Fran\u00e7a e Alemanha proibiram a exporta\u00e7\u00e3o dos seus materiais sanit\u00e1rios quando a trag\u00e9dia italiana estava no auge, e assobiaram para o lado. \u00c9 conhecido o banditismo na disputa por m\u00e1scaras e testes, na qual os EUA se destacam. Pelas malhas da censura passa a realidade bem diferente, solid\u00e1ria mesmo quando afetada pela crise, de pa\u00edses \u2018p\u00e1rias\u2019 como Cuba, a China, a pr\u00f3pria R\u00fassia. Fatos que deixar\u00e3o marcas em pa\u00edses como a It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Nem em tempo de pandemia os centros imperialistas cessam a sua pol\u00edtica de guerra, subvers\u00e3o e inger\u00eancia. No Conselho de Seguran\u00e7a da ONU uma mo\u00e7\u00e3o proposta pela R\u00fassia e 27 outros pa\u00edses, pedindo o levantamento das san\u00e7\u00f5es unilaterais impostas \u00e0 margem da ONU, dada a pandemia, foi rejeitada pelos EUA e pelos pa\u00edses da UE (os sancionadores unilaterais). Novas san\u00e7\u00f5es foram impostas pelos EUA ao Ir\u00e3. As manobras de guerra dos EUA contra a Venezuela (que, contrariando as previs\u00f5es \u2013 quase s\u00faplicas \u2013 da comunica\u00e7\u00e3o social imperialista, tem escapado at\u00e9 agora \u00e0 pandemia), est\u00e3o sendo intensificadas por Pompeo, o amigo do MNE Santos Silva. Mas o pa\u00eds \u2018excepcional\u2019, que n\u00e3o poupa meios na promo\u00e7\u00e3o da guerra e subvers\u00e3o no planeta inteiro, quantas vezes invocando pretextos \u2018humanit\u00e1rios\u2019, n\u00e3o \u00e9 capaz de proteger a sua popula\u00e7\u00e3o quando atingida por trag\u00e9dias naturais ou de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Apesar dos muitos milh\u00f5es de milh\u00f5es de apoios p\u00fablicos ao grande capital financeiro, o capitalismo mundial estava j\u00e1 a entrar num novo pico da crise, mesmo antes da eclos\u00e3o da pandemia. Se o Covid-19 age como catalizador para \u00aba pior recess\u00e3o desde a Grande Depress\u00e3o\u00bb dos anos 30, nas palavras da Diretora-Geral do FMI (Reuters, 9.4.20), a verdade \u00e9 que o capitalismo mundial nunca saiu da crise de 2008 e j\u00e1 s\u00f3 vive da teta do Estado. O coronav\u00edrus veio agravar tudo, mas tamb\u00e9m criar uma desculpa que ser\u00e1 usada at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o. O v\u00edrus \u00e9 muito pequeno mas tem as costas muito largas.<\/p>\n<p>Talvez a principal li\u00e7\u00e3o a extrair disto tudo seja constatar como ao fim de tantos anos de destrui\u00e7\u00e3o de empregos, vidas, reformas, servi\u00e7os p\u00fablicos \u2013 tudo em nome dos \u2018mercados\u2019 e da sua \u2018l\u00f3gica\u2019 \u2013 a prioridade nas despesas em tempo de pandemia n\u00e3o vai para a sa\u00fade e o povo, mas para os multimilion\u00e1rios banqueiros porque, dizem, sem esses apoios o sistema financeiro internacional vai ao fundo. A pergunta \u00e9 \u00f3bvia: mas afinal para que serve esse \u2018sistema financeiro internacional\u2019? \u00c9 urgente mand\u00e1-lo mesmo ao fundo.<\/p>\n<p>Fonte: http:\/\/www.omilitante.pcp.pt\/pt\/366\/Internacional\/1426\/Covid-19-dois-pa%C3%ADses-nos-EUA.htm?tpl=142<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25565\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[165],"tags":[227],"class_list":["post-25565","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eua","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6El","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25565"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25565\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}