{"id":25594,"date":"2020-05-26T23:29:13","date_gmt":"2020-05-27T02:29:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25594"},"modified":"2020-05-26T23:29:13","modified_gmt":"2020-05-27T02:29:13","slug":"trabalhadores-maritimos-e-luta-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25594","title":{"rendered":"Trabalhadores mar\u00edtimos e luta de classes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3d5Fcm9leVHBa-J1eV72mMVWxnzarDSa42-_C53tAqHfUxMUWoKH5cy3b-HN865kamv7mxyGtFFvb-VQfv52Mqi35Y6Mm7q1daCzIkSqJKj6fTPNLXbRhNmKqpSyXqwqoxXAqc74spF1eC_zPO12zE-=w880-h638-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e da consci\u00eancia de classe como constru\u00e7\u00e3o do poder popular no Brasil<\/p>\n<p>Marcelo Schmidt &#8211; militante da Unidade Classista e do PCB-RJ<\/p>\n<p>Este artigo, t\u00e3o especial para mim, fala da epopeia dos trabalhadores do mar, fala dos mar\u00edtimos, fala da hist\u00f3ria da luta de classes no Brasil no centro do problema da organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, fala de grandes militantes trabalhistas, socialistas e especialmente comunistas, fala da import\u00e2ncia do controle estrat\u00e9gico das for\u00e7as produtivas a partir dos trabalhadores estrat\u00e9gicos, fala do controle obreiro e do poder popular. Fazer este artigo foi uma grande alegria, pela cr\u00edtica do trabalho de base!<\/p>\n<p>\u201cSil\u00eancio nos navios, vibra\u00e7\u00e3o nos sindicatos\u201d. Assim noticiava o jornal \u201cA Voz Oper\u00e1ria\u201d durante a grande greve dos cem mil mar\u00edtimos de 1953. Nela, o comandante Em\u00edlio Bonfante Demaria trabalhador n\u00e1utico, \u00e0 frente dos \u2018trabalhadores do mar\u2019 discursou para uma assembleia gigantesca, dizendo que a greve de seis dias conquistou muito mais do que tr\u00eas anos de negocia\u00e7\u00f5es com patr\u00f5es e pedidos ao governo. Ao lado, os Oper\u00e1rios Navais Mar\u00edtimos, iniciavam \u201ca \u00e9poca dos oper\u00e1rios navais\u201d, colocando o l\u00edder Irineu Jos\u00e9 de Souza \u00e0 frente do SONRJ, sindicato dos oper\u00e1rios navais do Rio de Janeiro; come\u00e7ava uma s\u00e9rie de gest\u00f5es combativas sob influ\u00eancia comunista, com enfrentamento diferenciado e classista na classe at\u00e9 o golpe de 1964. Come\u00e7amos desta forma nosso estudo sobre a organiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos trabalhadores mar\u00edtimos no Brasil.<\/p>\n<p>O comandante Bonfante Demaria e o oper\u00e1rio naval Irineu Jos\u00e9 de Souza foram lideran\u00e7as de uma \u00e9poca, mas ambos constitu\u00edam uma vanguarda que era parcela de uma classe em expans\u00e3o, cuja for\u00e7a coletiva e o modo organizativo por lutas imediatas, mas tamb\u00e9m pol\u00edticas gerais, precisam ser estudadas por todos aqueles que se dedicam a compreender as estrat\u00e9gias de constru\u00e7\u00e3o do poder \ufffcgestor, direto e popular da classe trabalhadora. Nesta \u00e9poca, o oper\u00e1rio naval mar\u00edtimo era como um martelo pesado, quente e acabado ali mesmo na forja da luta de classes dos anos 50 e 60; nos marcos da ind\u00fastria pesada e log\u00edstica do pa\u00eds, geralmente estatais, que constitu\u00edram o n\u00facleo do chamado velho sindicalismo. Os trabalhadores mar\u00edtimos n\u00e1uticos eram e continuam sendo estrat\u00e9gicos, nas art\u00e9rias do sistema mundial e nos caminhos e veias do Brasil.<\/p>\n<p>Um presidente oper\u00e1rio que expressa a vontade da massa: \u201cEram seis mil trabalhadores e foram eles que me fizeram l\u00edder, eu fui levado diretamente por eles \u00e0 presid\u00eancia do sindicato\u201d. Quando Irineu assume o sindicato, este se torna instrumento da luta, uma ferramenta unit\u00e1ria e participativa do mar\u00edtimo para o enfrentamento de toda a classe. \u201cEu busquei unidade, e a greve de 1953 foi bonita pela unidade que teve, todos do setor no mesmo movimento. Sab\u00edamos que j\u00e1 havia luta antes de n\u00f3s, mas o objetivo era construir um enfrentamento maior do que o de 1935 no setor, e foi isso que fizemos\u201d.<\/p>\n<p>Na greve de 1953 o comandante Bonfante assume o papel da vanguarda no comando geral de greve dos 100 mil mar\u00edtimos. Para entender a import\u00e2ncia do seu legado \u00e0 beira do cais, que inspirou for\u00e7a e coragem na a\u00e7\u00e3o coletiva dos trabalhadores da \u00e9poca, mas tamb\u00e9m para novas gera\u00e7\u00f5es de mar\u00edtimos, escutemos a avalia\u00e7\u00e3o de Severino Almeida, atual presidente da Confedera\u00e7\u00e3o do setor: \u201co Bonfante foi uma lideran\u00e7a extremamente reconhecida por todos, inclusive por aqueles que tinham uma ideologia divergente. Ele impunha respeito pelo exemplo de como se comportava no mundo real\u201d. O pr\u00f3prio Bonfante sintetizou os motivos da grande greve: \u201cDeflagrada a greve porque n\u00e3o foi cumprido o acordo\u201d para \u2018o jornal \u00faltima hora\u2019 em 16 de outubro de 1953. No jornal \u201ca orla mar\u00edtima\u201d de sua autoria, lia-se: \u201cprotesta o povo contra o alto custo de vida\u201d e \u201cvoltaram \u00e0 greve os oper\u00e1rios navais\u201d, esta era a mistura explosiva da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Os mar\u00edtimos tradicionalmente transportam tudo que podemos pensar na navega\u00e7\u00e3o de longo curso. No Brasil mais modernamente, eles est\u00e3o concentrados no setor de \u201coffshore\u201d ligados a ind\u00fastria do petr\u00f3leo, no transporte de cargas, de passageiros na navega\u00e7\u00e3o interior e de grandes rios do pa\u00eds; e nas grandes regi\u00f5es metropolitanas, como no transporte de massa entre Rio de Janeiro e Niter\u00f3i. Para pensar o trabalhador mar\u00edtimo historicamente precisamos pensar naqueles que reparam, fabricam e conduzem seu instrumento de trabalho. Oper\u00e1rios e condutores do mundo aqu\u00e1tico na cadeia de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o, controle e desenvolvimento das for\u00e7as produtivas; na organiza\u00e7\u00e3o do setor, na infraestrutura nos marcos da unidade da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o dos setores estrat\u00e9gicos est\u00e1 a possibilidade do debate sobre a manufatura, mas principalmente sobre o transporte dela por caminhos intercontinentais, oce\u00e2nicos, de liga\u00e7\u00e3o com o mundo; e na redistribui\u00e7\u00e3o disso at\u00e9 o centro do nosso pa\u00eds. Este setor \u00e9 fundamental para o funcionamento da cadeia log\u00edstica global do sistema capitalista, que pode ser desenvolvido, disputado e paralisado localmente. Toda m\u00e1quina, bens de produ\u00e7\u00e3o e mercadoria passa por um porto, e dele para estradas, de caminhos de ferro, de transporte rodovi\u00e1rio pesado, e de \u00e1guas interiores. Pensar o Brasil a partir da integra\u00e7\u00e3o dos modais de transporte e dos trabalhadores estrat\u00e9gicos \u00e9 pensar a uni\u00e3o de toda a classe trabalhadora, a partir da uni\u00e3o dos trabalhadores estrat\u00e9gicos. Controlar este processo, desde a manufatura at\u00e9 a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e pessoas; e a sua distribui\u00e7\u00e3o interna pelas hidrovias, ferrovias e rodovias, est\u00e1 no centro do problema da constru\u00e7\u00e3o e do exerc\u00edcio do poder popular no Brasil, para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Mas qual seria o poder dos trabalhadores mar\u00edtimos no contexto dos trabalhadores estrat\u00e9gicos organizados historicamente? \u00c9 importante n\u00e3o nos esquecermos, que estes trabalhadores j\u00e1 se organizavam desde tempos imemoriais, antes mesmo de o Brasil existir; lutando por pagamento justo, pelo fim de castigos corporais a bordo, para chegar ao destino e voltar para suas fam\u00edlias. Mundialmente foram pioneiros: na funda\u00e7\u00e3o da federa\u00e7\u00e3o internacional dos trabalhadores em transportes, a ITF; na federa\u00e7\u00e3o sindical mundial, a FSM; construindo mecanismos para uma legisla\u00e7\u00e3o mundial e na luta contra a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho em navios de bandeiras de conveni\u00eancia, as FOCs. No Brasil, eles passam por diferentes s\u00ednteses e formas organizativas: a corpora\u00e7\u00e3o militar, mutualismo, anarquismo, anarcossindicalismo, at\u00e9 1953 sob a influ\u00eancia dos trabalhistas de esquerda, dos socialistas em geral e principalmente dos comunistas, disputando o controle da estrat\u00e9gia do desenvolvimento do pa\u00eds a partir do seu pr\u00f3prio senso comum.<\/p>\n<p>Todas estas formas organizativas criam ac\u00famulo organizacional cl\u00e1ssico nas categorias de transportes. Mar\u00edtimos, portu\u00e1rios e ferrovi\u00e1rios, ap\u00f3s muita prepara\u00e7\u00e3o, acumularam for\u00e7as para um enfrentamento direto, massivo e completo. A partir dos anos cinquenta patr\u00f5es e governos veriam greves de magnitude no setor, tamanha a ousadia de parar completamente o abastecimento do pa\u00eds. Tal enfrentamento gera um efeito pedag\u00f3gico nas fileiras da classe trabalhadora, na base organizada, refina a revolta e a compreens\u00e3o do papel do conjunto destes trabalhadores como vital no funcionamento da cadeia produtiva. O inimigo tenta retirar trabalho, renda e espa\u00e7o de poder da classe, com fortes impactos locais na vida de cada um; mas a consci\u00eancia do posicionamento vital contra o ataque e a explora\u00e7\u00e3o permanente nas estruturas mundiais do sistema, refor\u00e7a a consci\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o do poder direto no setor que move o mundo.<\/p>\n<p>A categoria ciente da sua posi\u00e7\u00e3o, historicamente organizada e pacientemente enfrenta o poder privado do controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o da burguesia, seus governos, suas for\u00e7as de seguran\u00e7a, e for\u00e7as armadas procurando dividir este bloco. Aproveitando os momentos de expans\u00e3o log\u00edstica dos governos mais nacionalistas, acumulando experi\u00eancias de organiza\u00e7\u00e3o, e coes\u00e3o estrat\u00e9gica. O inimigo sempre procurou quebrar o exerc\u00edcio de poder, o elo entre a fabrica\u00e7\u00e3o de navios e o conhecimento log\u00edstico do setor, os v\u00ednculos hist\u00f3ricos de camaradagem, a assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica na luta de classes, a uni\u00e3o do nacionalismo de esquerda com as for\u00e7as armadas, a alta taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o, o apoio popular na sociedade, a unidade na luta dos trabalhadores, a continuidade.<\/p>\n<p>A ruptura do golpe de 1964 foi muito profunda, mas as lutas n\u00e3o se interromperam. Os mar\u00edtimos procuraram preencher o espa\u00e7o geracional entre a \u00e9poca de ouro e a nova realidade concreta com novas perspectivas buscando um sentido organizacional na sua pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o diante da ditadura. Os patr\u00f5es queriam destruir a identidade profissional e pol\u00edtica dos mar\u00edtimos, que responderam com a sua tradi\u00e7\u00e3o classista. Mas a partir de 1968 houve um aperto no regime, e at\u00e9 a sindicaliza\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica ficou proibida at\u00e9 1977. Ao mesmo tempo, os sucessivos planos de constru\u00e7\u00e3o naval visavam \u201cmodernizar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d afastando a \u2018forma\u00e7\u00e3o mestre e contramestre\u2019 para a forma\u00e7\u00e3o empresarial. Mesmo com automa\u00e7\u00e3o, no fim da d\u00e9cada de 70 os estaleiros tinham mais de 40 mil trabalhadores, de novo perfil, n\u00e3o mais mar\u00edtimos, mas metal\u00fargicos \u00e0 for\u00e7a pela organiza\u00e7\u00e3o patronal-militar, sem \u201csindicalismo para fora\u201d, sem conselhos de base.<\/p>\n<p>Neste sentido, a tradi\u00e7\u00e3o mar\u00edtima foi fundamental para continuar influente sobre o conjunto do setor, o objetivo era \u201ccontar o poder\u201d: Como tudo come\u00e7ou com a greve de massa dos 300 mil em S\u00e3o Paulo, influenciando sua greve dos 100 mil em 1953; greves econ\u00f4micas e pol\u00edticas, para empossar presidente da rep\u00fablica, a da paridade de 1960 para igualar o sal\u00e1rio de civis com militares cujo sal\u00e1rio era muito maior, que contou com o apoio de funcion\u00e1rios p\u00fablicos civis, mas tamb\u00e9m de policiais; o presidente era Juscelino Kubitschek e quatro ou cinco ministros ca\u00edram por conta da greve, nos testemunha o Comandante Bonfante. Greves para influir na log\u00edstica do pa\u00eds, pelas reformas estruturais de base da sociedade brasileira, a greve dos 700 mil de 1963, e para resistir ao golpe em 1964. O aprendizado, onde ele continuou forte, foi \u201caprendido com o mais antigo\u201d. O trabalho de massa da velha guarda fortalece o elo geracional e a tradi\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o dos mar\u00edtimos mais jovens, preparando a grande greve que viria.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do comandante Bonfante, o motivo de n\u00e3o haver mais mobiliza\u00e7\u00f5es expressivas como as da d\u00e9cada de 50 e 60: \u201c\u00c9 que a ascens\u00e3o das greves foi estancada pelo militarismo. O movimento grevista n\u00e3o parou sen\u00e3o no golpe de estado de 1964, que, em minha opini\u00e3o, foi deflagrado exatamente por isso, para barrar o avan\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o e da luta dos trabalhadores do Brasil\u201d. O golpe, patronal e militar, \u00e9 fortemente apoiado pela classe m\u00e9dia. \u201cEu acho que foi um golpe promovido pela burguesia brasileira, que por ter esgotado sua lideran\u00e7a, seus m\u00e9todos pol\u00edticos de atua\u00e7\u00e3o, apelou para o seu bra\u00e7o armado, que s\u00e3o as For\u00e7as Armadas\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, registra-se que havia uma poss\u00edvel uni\u00e3o c\u00edvico-militar no pr\u00e9 1964, atrav\u00e9s do testemunho do pr\u00f3prio exemplo do comandante Bonfante, que registra este belo epis\u00f3dio: \u201cEu estava preso no Centro de Armamento da Marinha (CAM), em Niter\u00f3i. Da janela da cela avistei o almirante Fraz\u00e3o, ent\u00e3o vice-comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, que fora detido depois de ter se recusado a assumir o lugar do comandante, que tamb\u00e9m fora preso. Fraz\u00e3o se dirigia a uma lancha, acompanhado por um oficial. Ao chegar ao fim do cais, deu meia-volta e seguiu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 minha cela. Apresentou-se, prestou contin\u00eancia e me fez votos de liberdade. Ele me disse: \u2018Eu estava preso aqui e estou sendo posto em liberdade por for\u00e7a do Superior Tribunal Militar, de modo que desejo o mesmo para o senhor. Que o senhor seja solto dentro desses breves dias. \u2019 O oficial que o acompanhava ficou boquiaberto. Quanto a mim, me senti muito honrado e muito reconfortado por receber esse tipo de solidariedade\u201d.<\/p>\n<p>Emilio Bonfante Demaria foi um agitador de boas causas e leal aos seus pares. Em duas das v\u00e1rias vezes em que foi preso, engoliu as listas com os nomes dos companheiros de milit\u00e2ncia antes de ser levado pela pol\u00edcia. Durante os anos do regime militar, at\u00e9 a Anistia em 1979, ele foi detido e torturado quatro vezes, teve o registro profissional cassado, e foi privado do conv\u00edvio familiar ao se exilar na R\u00fassia\u2019. Depois outra gera\u00e7\u00e3o de lutadores se forja, ela veria a crise do setor nos anos 80 e 90. E ambos os comunistas, o oper\u00e1rio Irineu e o comandante Bonfante na fala abaixo, expressam a necessidade de \u2018passar o bast\u00e3o\u2019 para que a luta se perpetue, sendo cultivada gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. \u201cAgora, n\u00f3s mais velhos temos que ceder espa\u00e7o, abrir caminho para a juventude. Por isso que eu me sinto muito envaidecido com a posse do companheiro Severino na diretoria do nosso Sindicato. Eu, na posse dele, disse que havia sido eleito em 1954 e n\u00e3o tinha tomado posse, mas tomei posse quando o Severino tomou posse.\u201d<\/p>\n<p>Nos marcos dos anos 80, a greve de 1987 \u00e9 a refer\u00eancia do setor mar\u00edtimo, e no conjunto da classe, uma das paralisa\u00e7\u00f5es de maior repercuss\u00e3o ap\u00f3s o fim da ditadura. \u201cEssa greve foi dirigida pelo Areias, pelo Severino e pelo companheiro Ponce, radiotelegrafista. Essa greve, que a meu ver formou uma unidade bastante s\u00f3lida entre os oficiais de Marinha Mercante, \u00e9 uma greve hist\u00f3rica. Ela foi a greve mais importante ocorrida com a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds\u201d, afirmou o comandante Bonfante. Nos anos 80, foi uma conquista da constitui\u00e7\u00e3o de 88 a prote\u00e7\u00e3o da Marinha Mercante brasileira, a influ\u00eancia dos trabalhadores no setor, com a garantia de mar\u00edtimos nacionais em nossa cabotagem. Mas a chegada de FHC ao poder inicia um processo de destrui\u00e7\u00e3o sem paralelo, via mudan\u00e7as no Congresso Nacional, atrav\u00e9s da Emenda Constitucional n\u00ba 7.<\/p>\n<p>Paralelamente, a crise atingiria muito fortemente a ind\u00fastria naval e com ela todo o setor. Os 40 mil trabalhadores dos anos setenta chegam a 2 mil no final dos anos noventa. Este n\u00famero voltaria a crescer nos anos dois mil. Sabe-se que onde n\u00e3o existe log\u00edstica n\u00e3o h\u00e1 trabalho nem possibilidades de poder. No cora\u00e7\u00e3o do setor naval, a vitoriosa greve dos mar\u00edtimos de 1987, de certa forma repete a greve de 1953, une o que sobra do setor em torno de reivindica\u00e7\u00f5es concretas depois de anos de ditadura.<\/p>\n<p>A luta foi por sal\u00e1rio e direitos, por trabalho, por autoestima e para manter a produ\u00e7\u00e3o, a cabotagem e a log\u00edstica brasileira com a possibilidade do controle direto dos trabalhadores brasileiros. Quando o governo FHC retirou as garantias de 1988, houve muita luta e esfor\u00e7o para que estas garantias retornassem parcialmente com a Lei 9432\/1997 garantindo que nos navios com nossa bandeira devessem ser nacionais o comandante, o chefe de m\u00e1quinas e 2\/3 da tripula\u00e7\u00e3o. A RN 72\/2006 do Conselho Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o (transformada na RN 6 em 2017) estabeleceu o emprego de mar\u00edtimos brasileiros em navios estrangeiros na cabotagem, por\u00e9m, em quantidade inferior aos 2\/3 de brasileiros em parte das embarca\u00e7\u00f5es autorizadas a operar em nossas \u00e1guas. Um esfor\u00e7o institucional, atua\u00e7\u00e3o internacional, e luta sindical contra os patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Os mar\u00edtimos seguem nesta disputa porque aliam uma estrat\u00e9gia de poder direto com as lutas institucionais e internacionais; ao mesmo tempo, os \u2018agora\u2019 metal\u00fargicos navais tinham obtido ganhos substanciais nos anos 2000, mas isso se perde, a estrat\u00e9gia dos mar\u00edtimos mostrou-se superior no longo curso, o novo sindicalismo metal\u00fargico no setor foi mais imediatista. Foi neste cen\u00e1rio que l\u00edderes como os comandantes Areias e Severino Almeida, reinventam a luta. O setor sofre uma sucess\u00e3o de golpes que acompanham os golpes no pa\u00eds; no passado, presente e futuro s\u00e3o os mesmos, contra a estrutura log\u00edstica e contra a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Para os liberais de todo tipo, com m\u00e9todos fascistas muitas vezes, era preciso acabar com a for\u00e7a estrat\u00e9gica dos trabalhadores estrat\u00e9gicos, acabando com o seu trabalho, com a sua sindicaliza\u00e7\u00e3o, com a luta classista, com a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o direta nas for\u00e7as produtivas e na log\u00edstica do pa\u00eds. Destruir a capacidade log\u00edstica como projeto de destrui\u00e7\u00e3o per si.<\/p>\n<p>Esta nova gera\u00e7\u00e3o de mar\u00edtimos se conectava com a velha, nela a luta pela grande meta espec\u00edfica est\u00e1 conectada a grande meta geral, que disputa as estruturas produtivas nos marcos da luta de classes, procura se inserir no correto tempo de matura\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia dos trabalhadores, protege o financiamento universal, a unicidade e trabalha a consci\u00eancia do autofinanciamento, os v\u00ednculos de solidariedade no contexto dos trabalhadores da Am\u00e9rica Latina, e do mundo. Os trabalhadores brasileiros n\u00e3o precisavam renegar, nos marcos do novo sindicalismo, as formas organizativas para o poder direto, decorrentes da luta de classes no pr\u00e9-64, no pr\u00e9- 68, no pr\u00e9-79. Porque isso corresponde a um conjunto de ac\u00famulo, que uma vez renegado, tamb\u00e9m renega a constru\u00e7\u00e3o da identidade classista de uma parte da classe, renegando o poder da classe.<\/p>\n<p>O inimigo objetivou parar qualquer tentativa de controle das for\u00e7as produtivas, parar o sonho do CGT sob a lideran\u00e7a dos ferrovi\u00e1rios na cabe\u00e7a do CGT at\u00e9 1964, parar o setor na greve de 1987: impedir que os trabalhadores interfiram na linha log\u00edstica de movimenta\u00e7\u00e3o de mercadorias e de passageiros do mundo no Brasil, parar o poder. Por isso era t\u00e3o importante dividir e destruir mar\u00edtimos, portu\u00e1rios, ferrovi\u00e1rios, aerovi\u00e1rios e aeronautas, os cinco principais sindicatos do CGT, e destruir qualquer possibilidade de uma poss\u00edvel aproxima\u00e7\u00e3o classista com soldados da marinha, ex\u00e9rcito e aeron\u00e1utica. A partir da vit\u00f3ria de 1987, o objetivo inimigo ser\u00e1 destruir onde ainda persistam os mesmos objetivos hist\u00f3ricos da classe, nos que est\u00e3o mais bem posicionados para isso.<\/p>\n<p>Destruir o trip\u00e9 da estrat\u00e9gia de controle estrat\u00e9gico nacional evidenciado na greve de 1987, porque quase a metade da carga do Brasil ainda passava pelo projeto de controle direto dos trabalhadores mar\u00edtimos: Bens e passageiros pelo Lloyd, uma antiga estrutura da \u00e9poca do Brasil imp\u00e9rio, que chegou a ter uma das maiores marinhas mundiais. Das minas pela Docenave, para transportar min\u00e9rio e a\u00e7o do Brasil para o mundo. E do petr\u00f3leo e derivados pela Fronape, depois pela Transpetro; na luta junto com petroleiros pela Petrobras, e por tecnologias de explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no PR\u00c9-SAL. Aquilo que em 1987 era quase a metade das cargas transportadas no pa\u00eds, em 2020 n\u00e3o chega a 3%, fica clara a estrat\u00e9gia de ataque e destrui\u00e7\u00e3o pela explora\u00e7\u00e3o. Vivemos um momento de defensiva dos trabalhadores, e por isso mesmo o esfor\u00e7o por mais controle direto \u00e9 vital.<\/p>\n<p>Os golpes burgueses de Fernando Collor e FHC destroem de vez a pol\u00edtica de log\u00edstica e a soberania econ\u00f4mica no transporte de cabotagem exterior, com a destrui\u00e7\u00e3o do Lloyd brasileiro, de outras empresas estatais, e da pol\u00edtica de confer\u00eancia de carga (40\/40\/20, 40% para navios brasileiros, o mesmo percentual para estrangeiros, e o resto de mistos). De acordo com Luciano Ponce, l\u00edder hist\u00f3rico da categoria mar\u00edtima, \u201ca destrui\u00e7\u00e3o do Lloyd brasileiro n\u00e3o foi apenas uma destrui\u00e7\u00e3o dirigida ao trabalhador mar\u00edtimo, mas atingiu cada trabalhador brasileiro\u201d. Cada trabalhador sente no bolso o pre\u00e7o do frete.<\/p>\n<p>Depois da greve de 1987, os capitalistas seguindo uma tend\u00eancia mundial, procuram derrotar o sistema mar\u00edtimo em si, com suas regras de abastecimento, de frete nacional, e de controle obreiro. A privatiza\u00e7\u00e3o da companhia Vale do Rio Doce destr\u00f3i a Docenave no governo Fernando Henrique Cardoso. Os estaleiros, como foi dito, chegaram a ter 40 mil trabalhadores, passam para 2 mil e s\u00f3 voltam a subir para 100 mil nos governos Lula e Dilma. Isso evidencia a necessidade da estrat\u00e9gia da disputa pela produ\u00e7\u00e3o, a gera\u00e7\u00e3o de trabalho e o poder popular; se chegaram a 100 mil, imaginem quanto n\u00e3o chegariam se os tr\u00eas setores: o geral de mercadorias, de min\u00e9rios e petr\u00f3leo estivessem sobre controle obreiro. Fica clara no longo curso tamb\u00e9m a permanente associa\u00e7\u00e3o do imperialismo com a burguesia nacional nos pa\u00edses perif\u00e9ricos para o seu poder: Hoje h\u00e1 menos trabalhadores na industrial naval do que no per\u00edodo FHC.<\/p>\n<p>Se existe um projeto de poder dos mar\u00edtimos, tamb\u00e9m existe um projeto de poder imperialista com a burguesia nacional, projetos que s\u00e3o incompat\u00edveis. O aniquilamento da possibilidade da pol\u00edtica de liga\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com o mundo, e dentro disso, a pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria naval faz parte do projeto imperialista operado pela burguesia nacional. Nem a ind\u00fastria, nem o controle, muito menos o poder dos trabalhadores pode ser exercido na cadeia de produ\u00e7\u00e3o do setor porque n\u00e3o pode existir setor enquanto setor, apenas como fragmento. Todas as possibilidades de baratear e otimizar o frete das mercadorias, ou interligar a navega\u00e7\u00e3o interior, muito mais barata; ou ter uma pol\u00edtica de hidrovias, com empresas para cabotagem interior a partir das de longo curso; ou mesmo de ferrovias; ou ainda de rodovias complementando o sistema se exaure no fatiamento, na privatiza\u00e7\u00e3o e na posterior destrui\u00e7\u00e3o do sistema. A fragmenta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores tamb\u00e9m \u00e9 um fator muito importante neste jogo mortal.<\/p>\n<p>O fatiamento e a destrui\u00e7\u00e3o do sistema log\u00edstico nacional atrav\u00e9s de extrema viol\u00eancia obrigam os trabalhadores mar\u00edtimos a se agruparem e a se reinventarem no setor que sobrou, o de petr\u00f3leo. A nova estrat\u00e9gia seria intensificar a unidade dos trabalhadores no setor, salvaguardar o que restou do controle dos trabalhadores neste sistema. A constru\u00e7\u00e3o do sindicalismo unit\u00e1rio acontece em tordo de uma \u00fanica federa\u00e7\u00e3o, a FNTTAA, e uma confedera\u00e7\u00e3o do setor de mar, portos e aeroportos, a CONTTMAF, na esperan\u00e7a que os demais setores fa\u00e7am o mesmo: juntar independentemente de divis\u00f5es. Logrou-se vincular luta concreta na luta de classes, alternando greves, negocia\u00e7\u00f5es e trabalho institucional. Em 2017, trinta anos depois da grande greve de 1987 e mais de 60 anos depois da hist\u00f3rica greve de 1953, os trabalhadores mar\u00edtimos alcan\u00e7am uma das suas maiores bandeiras: O um por um (1&#215;1). Trabalhar 28 dias e folgar 28 dias, o que seria comparando com um trabalhador comum, como se este trabalhasse somente quinze dias do m\u00eas. Uma luta que come\u00e7ou com FHC e s\u00f3 terminou com Temer.<\/p>\n<p>O novo ataque e novo golpe \u00e9 atrav\u00e9s do governo Bolsonaro que tenta \u201cmodernizar\u201d a cabotagem no Brasil, com fortes preju\u00edzos para o trabalhador brasileiro. A tal da \u201cBR do mar\u201d. O sonho da patronal \u00e9 acabar com a cabotagem brasileira, acabar com a possibilidade dos trabalhadores brasileiros exercerem poder sobre a log\u00edstica brasileira. Uma radiografia do transporte mostra: 60% rodovias contra 16% de hidrovias (10% de navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima costeira e 6% de hidrovias); ent\u00e3o \u201cmodernizar\u201d significa iniciativa privada pela boca. Os gigantes armadores da navega\u00e7\u00e3o formam um oligop\u00f3lio mundial, no Brasil s\u00e3o tr\u00eas empresas dominando 99% do mercado. O transporte de containers no mundo \u00e9 tamb\u00e9m um grande \u2018clube priv\u00e9\u2019. No Brasil a cabotagem \u00e9 operada por oligop\u00f3lios estrangeiros ou por \u201cempresas brasileiras\u201d de capital estrangeiro.<\/p>\n<p>Esta \u201cnova BR do mar\u201d n\u00e3o visa apenas retirar as garantias conquistadas no setor e rebaixar a legisla\u00e7\u00e3o, se utilizando de uma err\u00f4nea interpreta\u00e7\u00e3o da MLC 2006 conven\u00e7\u00e3o internacional dos mar\u00edtimos da OIT recentemente ratificada pelo congresso brasileiro; ela visa \u2018entregar aos tubar\u00f5es\u2019 tudo que entra e sai do Brasil; a BR do mar \u00e9 um \u2018presente de grego\u2019 para cada trabalhador brasileiro. Para Carlos M\u00fcller, atual presidente do Sindmar, \u201cas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem abrir m\u00e3o de uma Marinha Mercante nacional forte e representativa, que possa contribuir como garantia de seguran\u00e7a log\u00edstica, comercial e alimentar para sua popula\u00e7\u00e3o em \u00e9poca de paz e em momentos de conflito\u201d, e afirma que somente a luta constr\u00f3i o destino dos trabalhadores mar\u00edtimos: \u201cN\u00e3o caiu do c\u00e9u nem nos deram de presente, a luta sindical \u00e9 respons\u00e1vel pelos mar\u00edtimos brasileiros terem alcan\u00e7ado patamar muito acima das conven\u00e7\u00f5es da OIT\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do ataque permanente, h\u00e1 a pandemia de Covid 19, impactando o setor aquavi\u00e1rio que respondem por 95% das cargas importadas e exportadas pelo Brasil, nele os n\u00edveis de trabalho e de fluxo de cargas seguem normais. Se segue normal, os sal\u00e1rios precisam seguir normais, porque a taxa de lucro e de mais valia dos patr\u00f5es tamb\u00e9m seguem normais. Mas existem armadores oportunistas, que baseados na lei de livre negocia\u00e7\u00e3o solicitaram aos trabalhadores que aceitassem diminuir seu sal\u00e1rio, os sindicatos agem para coibir este abuso. Existem termos aditivos assinados que impedem os patr\u00f5es oportunistas de agir, mas se aproveitando da pandemia, existe press\u00e3o para que se fa\u00e7am acordos individuais que prejudicam os direitos estabelecidos. Por outro lado, se o transporte de containers est\u00e1 est\u00e1vel, existe uma diminui\u00e7\u00e3o no transporte de passageiros nos rios e no transporte metropolitano, mas at\u00e9 o momento isso n\u00e3o trouxe diminui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios para os trabalhadores. A prioridade \u00e9 seguran\u00e7a j\u00e1 que a garantia de trabalho e 100% dos sal\u00e1rios se encontra assegurada. Os sindicatos cobram medidas de evacua\u00e7\u00e3o de casos graves a bordo; seguran\u00e7a para manter os n\u00edveis de funcionamento da atividade e o abastecimento do pa\u00eds no enfrentamento da pandemia.<\/p>\n<p>Outro grande exemplo de controle e poder dos mar\u00edtimos \u00e9 a hist\u00f3ria dos trabalhadores que operam a liga\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, que se organizam em torno de um dos sindicatos mais antigos do Brasil, o Sindfogo. Este sindicato foi um dos protagonistas da revolta e greve das barcas de 1959 junto com os oper\u00e1rios navais. Tamb\u00e9m seria o grande protagonista da greve das barcas, nos marcos da greve geral de 2017. Trinta anos depois da grande greve de 1987, os trabalhadores mar\u00edtimos das barcas, massacrados por privatiza\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o de seus direitos, chegam ao impasse na campanha salarial. No dia 28 de abril de 2017 aderem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da greve geral unificando luta concreta \u00e0 pauta pol\u00edtica. As barcas que normalmente transportam 100 mil pessoas para o Rio a partir de Niter\u00f3i por dia, neste dia transportaram apenas 10 mil.<\/p>\n<p>A greve de 2017 tamb\u00e9m serviu para colocar no centro deste debate a quest\u00e3o do transporte metropolitano como quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores mar\u00edtimos. A hist\u00f3ria da destrui\u00e7\u00e3o da CONERJ, companhia p\u00fablica de navega\u00e7\u00e3o do Estado do Rio de Janeiro significou um forte golpe para estes trabalhadores, mas n\u00e3o apenas para os mar\u00edtimos. A destrui\u00e7\u00e3o da navega\u00e7\u00e3o metropolitana \u201catinge em cheio\u201d o transporte metropolitano. Foi por isso que os mar\u00edtimos em 2017 se juntaram a juventude e os movimentos populares, e no seu piquete conversaram com a popula\u00e7\u00e3o que usa o transporte todo dia os motivos pol\u00edticos daquela greve geral. Neste dia se conseguiu combinar pol\u00edtica de transportes para a popula\u00e7\u00e3o, apoio popular, o poder e a vitrine da a\u00e7\u00e3o conjunta e popular dos mar\u00edtimos no Rio de Janeiro; no debate do que poderia ser a liga\u00e7\u00e3o aquavi\u00e1ria mais pr\u00e1tica e autossustent\u00e1vel para as massas trabalhadoras, se fosse p\u00fablico, estatal e do trabalhador, e se torna o pesadelo di\u00e1rio pela gest\u00e3o privada.<\/p>\n<p>Desenvolver as for\u00e7as produtivas com possibilidades de exerc\u00edcio de controle e autogest\u00e3o pelos trabalhadores contra o sistema capitalista. Do comandante Severino Almeida, hoje presidente da CONTTMAF \u00e9 a frase: \u201cEnquanto os patr\u00f5es n\u00e3o inventarem uma m\u00e1quina que passe milh\u00f5es de toneladas de mercadorias e pessoas de um lado para o outro do mundo, n\u00f3s temos poder, porque somos n\u00f3s que transportamos tudo isso, ent\u00e3o somos n\u00f3s que temos que exercer este poder\u201d. O protagonismo dos trabalhadores estrat\u00e9gicos organizados \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio para toda a classe.<\/p>\n<p>Uma nova fase se inicia: desde o golpe de 2016 os mar\u00edtimos exercitam novas formas de consulta da categoria, trabalham a comunica\u00e7\u00e3o virtual e institucional, melhoram sua infraestrutura organizacional e ousam ir al\u00e9m: a forma\u00e7\u00e3o da frente de transportes do Rio de Janeiro (com mar\u00edtimos, uni\u00e3o intersindical portu\u00e1ria, aerovi\u00e1rios, rodovi\u00e1rios, caminhoneiros, metrovi\u00e1rios e ferrovi\u00e1rios) nasceu para construir a greve geral no ano de 2017, na forma de um pacto de unidade e a\u00e7\u00e3o no setor. No dia 28 de abril de 2017 esta unidade vai \u00e0 prova: os trabalhadores do porto, das barcas em Niter\u00f3i e do aeroporto Santos Dumont \u201ccruzam os bra\u00e7os\u201d; mas infelizmente caminhoneiros, rodovi\u00e1rios, metrovi\u00e1rios, ferrovi\u00e1rios e aeronautas n\u00e3o aderem \u00e0 greve. A aus\u00eancia destes setores foi mortal para a greve geral no Rio de Janeiro, apesar dos bloqueios de rua, dos esfor\u00e7os de outros sindicatos, do movimento popular, da juventude organizada.<\/p>\n<p>Nesta disputa, os mar\u00edtimos s\u00e3o um dos poucos a guardar um processo de forma\u00e7\u00e3o autonomamente financiado, e ao mesmo tempo, operado em conjunto com a Marinha de Guerra. Isso significa dizer que para formar trabalhadores, os patr\u00f5es precisam do Estado e do sindicato, neste sentido, formar tamb\u00e9m \u00e9 poder. O trabalho organizativo e institucional se reverte na constru\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o c\u00edvico-militar, quando cursos e palestras sobre conjuntura nacional, estudos brasileiros, desenvolvimento estrat\u00e9gico no setor dialoga com nacionalistas militares na disputa estrat\u00e9gica da realidade. Outra vincula\u00e7\u00e3o forte \u00e9 com a academia brasileira: intelectuais org\u00e2nicos s\u00e3o chamados ao sindicato para refletir sobre a realidade brasileira nos marcos do controle desta realidade. Neste mesmo ano de 2017, durante a constru\u00e7\u00e3o da greve geral, houve uma palestra de forma\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com Carlos Lessa, Jos\u00e9 Paulo Netto dentre outros pensadores brasileiros na sede da federa\u00e7\u00e3o mar\u00edtima: refletir sobre unidade, sindicalismo unit\u00e1rio, classista, combativo e internacionalista, criar um espa\u00e7o de reflex\u00e3o e lutas para os trabalhadores.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente da federa\u00e7\u00e3o Ricardo Ponzi, especialista em estrat\u00e9gia de transporte na navega\u00e7\u00e3o aquavi\u00e1ria, fluvial e de interiores, a quest\u00e3o do poder que se coloca neste momento \u00e9 como construir uma greve geral de tal magnitude que coloque o poder no centro, unindo mar\u00edtimos e petroleiros com toda a cadeia do petr\u00f3leo, que envolva tamb\u00e9m portu\u00e1rios, aerovi\u00e1rios, caminhoneiros e ferrovi\u00e1rios. A quest\u00e3o do poder estrat\u00e9gico para parar a produ\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias \u00e9 chave para o trabalhador mar\u00edtimo, para os demais trabalhadores estrat\u00e9gicos, para o petroleiro, para a defesa da Petrobras, para o conjunto dos trabalhadores e o futuro do Brasil. \u00c9 neste sentido que os mar\u00edtimos trabalham desde o \u00faltimo golpe, em como retomar a grande agenda de luta dos trabalhadores no pa\u00eds: a partir da luta pela infraestrutura, que passa pelo controle da cadeia do petr\u00f3leo e da log\u00edstica das mercadorias estrat\u00e9gicas no Brasil.<\/p>\n<p>Portanto, hoje, quais s\u00e3o as verdadeiras demandas dos trabalhadores mar\u00edtimos? Definitivamente est\u00e3o para al\u00e9m das demandas imediatas, elas est\u00e3o na disputa pela cadeia log\u00edstica e nela, pelo poder direto dos trabalhadores estrat\u00e9gicos nos marcos do poder popular. Passadas as grandes lutas do passado, ficou o ac\u00famulo para refletir sobre o Brasil; a constru\u00e7\u00e3o de um grande enfrentamento a partir da conscientiza\u00e7\u00e3o do povo brasileiro sobre o PR\u00c9-SAL, como se fez no passado pela campanha do petr\u00f3leo; e por este caminho, de toda a cadeia produtiva no Brasil. O petr\u00f3leo, que se tornou uma \u00faltima trincheira para o trabalhador mar\u00edtimo, neste longo momento de conjuntura de destrui\u00e7\u00e3o de direitos dos trabalhadores desde os anos setenta, tamb\u00e9m pode ser a possibilidade do ascenso das lutas da classe trabalhadora nos setores estrat\u00e9gicos no primeiro quarto do s\u00e9culo XXI. O controle direto \u00e9 uma possibilidade real.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da estrat\u00e9gia brasileira, destaca-se uma experi\u00eancia muito importante unindo mar e petr\u00f3leo, \u00e9 o sindicato de trabalhadores mar\u00edtimos do petr\u00f3leo argentino. O \u2018sindicato naviero de hidrocarburos\u2019. Este sindicato pratica \u2018el controle obrero\u2019: opera sua pol\u00edtica sindical intervindo diretamente atrav\u00e9s de tr\u00eas estruturas. Os trabalhadores controlam uma empresa de navega\u00e7\u00e3o, uma cooperativa, e atrav\u00e9s do pr\u00f3prio sindicato, toda a cadeia produtora de petr\u00f3leo desde a fabrica\u00e7\u00e3o dos navios, toda a log\u00edstica, at\u00e9 a entrega do produto do outro lado do mundo ou para as refinarias argentinas. O sindicato, segundo Daniel Ocampo, controla al\u00e9m da estrutura, os sal\u00e1rios, a contrata\u00e7\u00e3o e a demiss\u00e3o dos trabalhadores. Um poder de tal magnitude \u00e9 raro, \u00e9 \u00fanico, e por isso mesmo deve ser, junto com o poder de intervir no controle do setor, o grande objetivo.<\/p>\n<p>Existem experi\u00eancias em curso. As experi\u00eancias precisam ser estudadas e estimuladas. A tarefa de estudo para o controle da produ\u00e7\u00e3o desde a feitura do navio at\u00e9 o frete e sua navega\u00e7\u00e3o no setor de petr\u00f3leo pode ser um princ\u00edpio na associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre mar\u00edtimos, petroleiros, e demais trabalhadores. Os mar\u00edtimos nos ensinam que o exerc\u00edcio do controle para controlar o estado oper\u00e1rio j\u00e1 come\u00e7ou, come\u00e7a agora, contra as elites nacionais, pela disputa pol\u00edtica dentro do estado burgu\u00eas. Controlar a infraestrutura, controlar os trabalhadores (trabalhadores no exerc\u00edcio de autogest\u00e3o pelo controle sindical classista), controlando pelo poder direto, quem \u00e9 contratado, quem \u00e9 demitido, quanto ganha de acordo com a produ\u00e7\u00e3o, abrindo todos os livros patronais \u00e9 um caminho para a elimina\u00e7\u00e3o dos patr\u00f5es pelo exerc\u00edcio do controle direto e popular.<\/p>\n<p>Se a luta priorit\u00e1ria \u00e9 por trabalho, e a partir do trabalho, pelo controle da cadeia produtiva brasileira a partir da cadeia do petr\u00f3leo; dela \u00e9 poss\u00edvel disputar para retomar a cadeia do min\u00e9rio, do gr\u00e3o, e de todo o fluxo de mercadorias que entram pela importa\u00e7\u00e3o e que saem pela exporta\u00e7\u00e3o. O controle da cadeia produtiva do petr\u00f3leo une mar\u00edtimos, portu\u00e1rios, petroleiros, metal\u00fargicos que fabricam navios, caminhoneiros e ferrovi\u00e1rios, e une aeronautas e aerovi\u00e1rios. Cada categoria pode, na estrada da greve de 1953 recuperar a sua mensagem, seu senso comum e construir consci\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>Para os mar\u00edtimos \u201ccontar a hist\u00f3ria do poder\u201d significa \u201cfazer navios para navegar e plataformas para explorar o petr\u00f3leo\u201d, cada setor a partir da estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o do poder popular pode interferir na produ\u00e7\u00e3o: do a\u00e7o, dos gr\u00e3os, de todos os bens do pa\u00eds. Neste sentido estes esfor\u00e7os se casam \u00e0 associa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com rodovi\u00e1rios, metrovi\u00e1rios, porque o controle das mercadorias e bens se completa no controle da circula\u00e7\u00e3o dos passageiros; e atrav\u00e9s dos movimentos populares e da juventude os bloqueios das ruas para protestar: isso \u00e9 controle obreiro sobre a circula\u00e7\u00e3o de bens e mercadorias, mas tamb\u00e9m dos pr\u00f3prios trabalhadores e at\u00e9 da circula\u00e7\u00e3o da elite; um controle que finaliza no controle da cidade, das ruas, estradas, do transporte de massa e dos aeroportos. Um controle de novo tipo, anticapitalista, antiimperialista e antifascista.<\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o devem temer anunciar as suas inten\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas; aprendizado e controle das pol\u00edticas p\u00fablicas da log\u00edstica, da infraestrutura, do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, no caminho do controle direto dos meios de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens, mercadorias e pessoas. S\u00e3o os trabalhadores, pelo seu controle direto e exerc\u00edcio de poder popular, que devem ser os protagonistas dos locais de trabalho, de moradia, e das pol\u00edticas que governam a comuna e a sociedade. Este poder precisa ser o poder estrat\u00e9gico da classe trabalhadora, discutido a partir dos setores estrat\u00e9gicos do trabalho.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da organiza\u00e7\u00e3o comunal dos bairros vermelhos e oper\u00e1rios de Niter\u00f3i, Rio de Janeiro, e S\u00e3o Gon\u00e7alo mostrou esta possibilidade. Cada trabalhador foi part\u00edcipe da constru\u00e7\u00e3o da sua casa, do seu bairro e da pol\u00edtica p\u00fablica da cidade pensando o Brasil. A orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 determinante, porque sem o controle do Estado pelo poder obreiro, que come\u00e7a nas pequenas coisas, passa pela log\u00edstica e pela pol\u00edtica, e o seu desenvolvimento; n\u00e3o pode existir nem desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, nem desenvolvimento econ\u00f4mico-social planejados pela classe, para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da boa orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, os trabalhadores da gera\u00e7\u00e3o de 1953, de 1987, e porque n\u00e3o de 2017, podem e devem intervir criticamente neste mundo; a continuidade geracional das lutas e a tradi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores mar\u00edtimos precisam ser estudadas pelo conjunto da classe trabalhadora. A hist\u00f3ria da oposi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de classe \u00e0 ideologia capitalista \u00e9 a hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o para organiza\u00e7\u00e3o, enfrentamento, inclusive insurrecional; podendo tamb\u00e9m ajudar a organizar a massa de trabalhadores prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos. E a partir de estruturas estrat\u00e9gicas, um guarda-chuva de sindicatos e movimentos populares, pode-se formar um grande f\u00f3rum, por direitos e garantias democr\u00e1ticas, por trabalho, por moradia, por sa\u00fade, por educa\u00e7\u00e3o, e pelo controle estrat\u00e9gico da log\u00edstica e das for\u00e7as produtivas. Um f\u00f3rum de sindicatos, movimentos e juventudes. Os trabalhadores mar\u00edtimos t\u00eam muito a contribuir para esta constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da luta estrat\u00e9gica do exerc\u00edcio de poder popular dos trabalhadores mar\u00edtimos nos ensina que: trabalhadores estrat\u00e9gicos na disputa do controle do setor podem apreender a disputar a empresa oper\u00e1ria, a cooperativa oper\u00e1ria, o sindicalismo oper\u00e1rio unit\u00e1rio, classista, combativo e internacionalista, pelo exerc\u00edcio de controle obreiro e direto, dentro, pelo, e pela supera\u00e7\u00e3o do Estado capitalista. Na educa\u00e7\u00e3o para o poder popular, nos lugares de moradia e de trabalho, durante breves momentos, mas que pode ressurgir e pode debater para al\u00e9m da quest\u00e3o concreta, com os trabalhadores a pauta m\u00ednima e a pauta m\u00e1xima, o controle direto da infraestrutura, das for\u00e7as produtivas, da tecnologia, da produ\u00e7\u00e3o e da circula\u00e7\u00e3o de bens. O exerc\u00edcio de planejamento do Estado oper\u00e1rio dentro da disputa pelo controle do Estado burgu\u00eas. O exerc\u00edcio do poder popular, na luta concreta, na luta de classes, no tempo de matura\u00e7\u00e3o, o exerc\u00edcio cr\u00edtico pela cr\u00edtica do trabalho de base, da consci\u00eancia de classe na classe.<\/p>\n<p>Neste sentido, o projeto da constru\u00e7\u00e3o de uma vanguarda hist\u00f3rica dos trabalhadores teve uma grande contribui\u00e7\u00e3o da vanguarda hist\u00f3rica dos trabalhadores mar\u00edtimos, e grande parte da hist\u00f3ria e do projeto dos mar\u00edtimos \u00e9 o projeto hist\u00f3rico da classe trabalhadora. Unificar os trabalhadores para controlar a estrutura estrat\u00e9gica de desenvolvimento, para exercer o controle da fabrica\u00e7\u00e3o e da circula\u00e7\u00e3o, para que cada um tenha trabalho para poder se somar na luta a partir do trabalho; e quando organizado se somar na produ\u00e7\u00e3o e desenvolver as for\u00e7as produtivas neste processo. O sonho de fazer navios para navegar, pode ser a realidade que entra por terra adentro; de mar\u00edtimos a portu\u00e1rios, a caminhoneiros, a petroleiros, a metal\u00fargicos, a aerovi\u00e1rios e aeronautas;e a rodovi\u00e1rios e metrovi\u00e1rios, de trabalhadores estrat\u00e9gicos a trabalhadores em geral, por solidariedade no conjunto da classe trabalhadora, para ter p\u00e3o, paz, trabalho e liberdade.<\/p>\n<p>O maior exemplo dos trabalhadores mar\u00edtimos no seio dos trabalhadores estrat\u00e9gicos foi viver sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria como classe se opondo a classe patronal. Sair do pensamento individual e patronal e criar o seu pr\u00f3prio senso comum de solidariedade e compreens\u00e3o do setor. Neste caminho poder desenvolver suas ideias a partir da experi\u00eancia concreta de reflex\u00f5es e poder exercido, fruto da solidariedade de classe que eles constru\u00edram para todos os trabalhadores; ideias sempre opostas \u00e0 ideologia patronal, diametralmente opostas \u00e0s ideias hegem\u00f4nicas do sistema. Os mar\u00edtimos nos ensinam que a possibilidade de supera\u00e7\u00e3o da ideologia deste sistema no caminho de constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia da classe s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a disputa e supera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es materiais que originam estas ideias dominantes. Por isso os mar\u00edtimos se esfor\u00e7aram tanto para controlar toda a cadeia produtiva do setor e se associam a outros trabalhadores para controlar as condi\u00e7\u00f5es materiais de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de bens e pessoas no Brasil.<\/p>\n<p>Finalmente, a maior demanda, a maior li\u00e7\u00e3o que os trabalhadores mar\u00edtimos podem nos dar \u00e9 abrir a porta das possibilidades de organiza\u00e7\u00e3o da classe a partir da organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadores estrat\u00e9gicos dentro do sistema capitalista. Pelo maior controle da produ\u00e7\u00e3o e da log\u00edstica, pelo exerc\u00edcio deste poder autogestion\u00e1rio e diretamente inserido no controle das for\u00e7as produtivas nas massas. Quando se aumenta o n\u00famero de trabalhadores, pode-se aumentar tamb\u00e9m, pela cr\u00edtica do trabalho de base, o n\u00famero de sindicalizados, e proporcionalmente o n\u00famero de trabalhadores engajados na luta. Pode-se ainda aumentar o n\u00famero de trabalhadores diretamente interessados pelo maior controle da produ\u00e7\u00e3o e da log\u00edstica sob o controle dos trabalhadores, como estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o do poder popular. O grande desafio da constru\u00e7\u00e3o do poder popular que a hist\u00f3ria do poder mar\u00edtimo evoca, \u00e9 possibilidade de refletir no caminho de constru\u00e7\u00e3o do poder gestor, do poder direto, do poder dos trabalhadores neste sistema, com um pensamento de super\u00e1-lo e de n\u00e3o reproduzir a sua maneira de governar este mundo.<\/p>\n<p>Do oper\u00e1rio naval Irineu que chegou a presidente e l\u00edder hist\u00f3rico \u00e9 a frase: \u201cVeja o que a forma\u00e7\u00e3o e a luta fizeram por este velho militante, que n\u00e3o tinha nada o que comer e despejava maxixe na vala. Hoje eu olho para tr\u00e1s e posso dizer que sou feliz pela luta que eu participei, eu me completei na luta por dias melhores para o nosso pa\u00eds e para os nossos filhos\u201d. Do comandante Bonfante: \u201cA luta dos trabalhadores para n\u00e3o serem esmagados pelo capitalismo \u00e9 uma luta sem tr\u00e9guas. Eu prefiro as l\u00e1grimas da derrota \u00e0 vergonha de n\u00e3o ter lutado. Amo a vida. \u00c9 o maior bem que existe. O objetivo deve ser sempre melhorar a vida para que as pessoas possam usufruir desse bem\u201d. O exemplo da tentativa de criar poder dos trabalhadores mar\u00edtimos precisa chegar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, para que elas possam atrav\u00e9s da consci\u00eancia conhecer os her\u00f3is da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>Castro Gomes, \u00c2ngela \u2013 A \u00e9poca dos oper\u00e1rios navais, Niter\u00f3i, 1999<br \/>\nGon\u00e7alves da Fonte Pessanha, Elina \u2013 Os oper\u00e1rios navais do Rio de Janeirosob a ditadura do p\u00f3s-64: repress\u00e3o e resist\u00eancia, Dossi\u00ea trabalhadores e ditadura, 2014<br \/>\nNavegadores de plant\u00e3o: Biografia do excepcional comandante Em\u00edlio Bonfante Demaria, 2020<br \/>\nMontalv\u00e3o, S\u00e9gio \u2013 Uma greve em dois tempos: O movimento nacional dos mar\u00edtimos de 1953 no Rio de Janeiro, e os impasses da historiografia pol\u00edtica, 2020<br \/>\nMontalv\u00e3o, S\u00e9gio \u2013 A greve dos mar\u00edtimos de 1953 nas lentes de outubro: uma revis\u00e3o historiogr\u00e1fica,<br \/>\nA Voz Oper\u00e1ria, 27 de junho de 1953<br \/>\nRevista UNIFICAR, N\u00famero 46, Sindmar, 2017<br \/>\nRevista UNIFICAR, N\u00famero 53, Sindmar, 2020<br \/>\nPucu, Wollmann do Amaral, Luciana \u2013 Niter\u00f3i oper\u00e1rio: trabalhadores, pol\u00edtica e lutas sociais na antiga capital fluminense (1942-1964)<br \/>\nBuonicuore, Augusto C\u00e9sar \u2013 Os comunistas e a estrutura sindical corporativa (1948-1952) entre a reforma e a revolu\u00e7\u00e3o, 1996<br \/>\nBuonicuore, Augusto C\u00e9sar \u2013 Sindicalismo Vermelho: a pol\u00edtica sindical do PCB entre 1949-1952, 2020<br \/>\nBadar\u00f3 Mattos, Marcelo \u2013 Greves, sindicatos e repress\u00e3o policial no Rio de Janeiro (1954-1964), 2004<br \/>\n<span class=\"embed-youtube\" style=\"text-align:center; display: block;\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"747\" height=\"421\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WvCUaVKYMS4?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox\"><\/iframe><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25594\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[226],"class_list":["post-25594","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6EO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25594"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25594\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}