{"id":25659,"date":"2020-06-07T19:31:43","date_gmt":"2020-06-07T22:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25659"},"modified":"2020-06-07T19:31:43","modified_gmt":"2020-06-07T22:31:43","slug":"basta-de-genocidio-do-povo-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25659","title":{"rendered":"Basta de genoc\u00eddio do povo negro!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/anamontenegro.org\/cfcam\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Justi%C3%A7a-por-Miguel-1024x1024.png\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Coordena\u00e7\u00e3o Nacional do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro<\/p>\n<p>O genoc\u00eddio do povo negro, como um projeto de Estado, fica cada vez mais exposto e noticiado em meio aos \u00faltimos acontecimentos e protestos que se manifestam em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, mostrando a viol\u00eancia estatal legitimada pelo racismo estrutural que extermina vidas negras e assassina de maneira covarde e brutal crian\u00e7as e jovens negros. Somos atingidos por outra perda que tem nome, classe social e continua se enquadrando no perfil \u00e9tnico racial que \u00e9 alvo.<\/p>\n<p>Miguel, filho de Mirtis, uma trabalhadora dom\u00e9stica em Recife (PE), acompanhou a m\u00e3e em mais um dia de trabalho em meio \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus. O trabalho dom\u00e9stico no Brasil carrega fortes ra\u00edzes escravocratas. O servi\u00e7o bra\u00e7al e o cuidado com crian\u00e7as dos senhores de engenho era destinado \u00e0s mulheres negras escravizadas. Essa origem na escravid\u00e3o perdurou ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, pois a inser\u00e7\u00e3o das mulheres na sociedade, passando a ser ent\u00e3o \u00e0 base de trabalho assalariado, n\u00e3o se ampliou para al\u00e9m dos lares de fam\u00edlias de classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Mirtis, assim como muitas trabalhadoras de sua categoria profissional que \u00e9 formada em sua maioria por mulheres negras, n\u00e3o foi liberada para cumprir o isolamento social previsto pela quarentena. Algumas semanas atr\u00e1s, o trabalho dom\u00e9stico foi posto e rapidamente retirado como servi\u00e7o essencial. A patroa, Sari Mariana Costa Gaspar Corte Real, n\u00e3o permitiu a ela esse direito. Como muitas mulheres negras e pobres desse pa\u00eds, Mirtis necessitava trabalhar e n\u00e3o teve com quem deixar seu filho, levando-o consigo. A crian\u00e7a, de cinco anos de idade, foi v\u00edtima de neglig\u00eancia no local de trabalho de sua m\u00e3e, ap\u00f3s a patroa ter ficado impaciente com o seu choro e se isentado da responsabilidade de garantir sua seguran\u00e7a, enquanto a m\u00e3e do menino passeava com o cachorro dos patr\u00f5es. O descaso com o menino resultou em morte ap\u00f3s a crian\u00e7a ter sido colocada em um elevador e parado no nono andar do pr\u00e9dio, de onde caiu de uma altura estimada em 35 metros.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o que levantou ainda mais revolta foi a imediata libera\u00e7\u00e3o de Sari com o pagamento de 20 mil reais em fian\u00e7a, ap\u00f3s ter sido autuada por homic\u00eddio culposo (sem inten\u00e7\u00e3o de matar). 20 mil reais que foram pagos de maneira imediata, sem contesta\u00e7\u00e3o ao que fez para n\u00e3o pagar o sal\u00e1rio de uma trabalhadora dom\u00e9stica, mantendo-a em isolamento durante o per\u00edodo da quarentena. Sari \u00e9 o retrato da classe dominante de origem escravocrata, que age como se fosse propriet\u00e1ria da vida de suas funcion\u00e1rias. Outra quest\u00e3o que causa revolta \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o de que lado a justi\u00e7a burguesa se coloca, mostrando que a vida de uma crian\u00e7a negra vale menos que alguns milhares de reais, no contexto de explos\u00e3o de campanhas nas redes sociais, as quais imp\u00f5em que Vidas Negras importam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25659\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[22],"tags":[222],"class_list":["post-25659","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6FR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25659"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25659\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}