{"id":25712,"date":"2020-06-18T21:04:56","date_gmt":"2020-06-19T00:04:56","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25712"},"modified":"2020-06-18T21:04:56","modified_gmt":"2020-06-19T00:04:56","slug":"como-se-trama-a-uberizacao-total","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25712","title":{"rendered":"Como se trama a uberiza\u00e7\u00e3o total"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.resistir.info\/brasil\/imagens\/uberizado2.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->por Ricardo Antunes [*]<\/p>\n<p>Primeiro ato<\/p>\n<p>O mundo principiou este tr\u00e1gico ano de 2020 de modo muito diferente. N\u00e3o bastasse a recess\u00e3o econ\u00f4mica global e em curso acentuado no Brasil, j\u00e1 visualiz\u00e1vamos no radar sinais de expressivo aumento dos \u00edndices de informalidade, precariza\u00e7\u00e3o e desemprego, quer pela prolifera\u00e7\u00e3o de uma mir\u00edade de trabalhos intermitentes, ocasionais, flex\u00edveis etc., quer pelas formas abertas e ocultas de subocupa\u00e7\u00e3o, subutiliza\u00e7\u00e3o e desemprego, todos contribuindo para a amplia\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis j\u00e1 abissais de desigualdade e miserabilidade social.<\/p>\n<p>Paralelamente a esse quadro social cr\u00edtico, o l\u00e9xico empresarial que se expandia no universo maqu\u00ednico-informacional-digital estampava muita pomposidade: platform economy, crowd sourcing, gig-economy, home office, home work, sharing economy, on-demand economy, entre tantas outras denomina\u00e7\u00f5es, sem esquecer que os altos gestores (outrora presidentes e diretores das grandes corpora\u00e7\u00f5es) foram renomeados como chief executive officer (CEO). At\u00e9 o coaching foi inventado, afinal seria preciso algu\u00e9m que ganhasse um bom cacau para realizar algum afago espiritual.<\/p>\n<p>E esse novo palavr\u00f3rio, propalado pela gram\u00e1tica do capital, somou-se \u00e0quele j\u00e1 consolidado e que adulterava os reais significados etimol\u00f3gicos das palavras, que todos conhecemos: manter sempre a resili\u00eancia, atuar com muita sinergia, converter-se em aut\u00eantico colaborador e em verdadeiro parceiro, vangloriar-se da nova condi\u00e7\u00e3o de empreendedor, exercitar o trabalho volunt\u00e1rio (em verdade uma &#8220;sutil&#8221; imposi\u00e7\u00e3o, visto que o voluntariado se tornou condi\u00e7\u00e3o sine qua non para obten\u00e7\u00e3o de emprego), entre tantos outros vitup\u00e9rios \u00e0 linguagem, que lhe imputam novas &#8220;significa\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Mas o inesperado fez essa fumegante nomenclatura, que parecia t\u00e3o bela, virar pura balela. A pandemia do capital tratou de demonstrar sua impostura: &#8220;colaboradores&#8221; est\u00e3o sendo demitidos aos milhares, &#8220;parceiros&#8221; est\u00e3o podendo optar entre reduzir os sal\u00e1rios ou conhecer o desemprego e os pequenos empreendedores n\u00e3o encontram consumidores e veem sua renda se esvanecer.<\/p>\n<p>\u00c9 bom recordar, por\u00e9m, que mesmo antes da explos\u00e3o da pandemia a realidade cotidiana do labor j\u00e1 vinha expressando um inteiramente outro: pejotiza\u00e7\u00e3o, trabalho intermitente, subocupa\u00e7\u00e3o, subutiliza\u00e7\u00e3o, infoproletariado, cibertariado, escravid\u00e3o digital, professor delivery, frila fixo, prec\u00e1ri@s inflex\u00edveis etc., terminologia essa que, com tom ir\u00f4nico e cr\u00edtico, se originou da pr\u00f3pria lavra do trabalho. \u00c9 por isso que uberiza\u00e7\u00e3o tem hoje o mesmo tra\u00e7o pejorativo que a walmartiza\u00e7\u00e3o ostentou quando se falava das condi\u00e7\u00f5es de trabalho nos hipermercados.<\/p>\n<p>Se esse ainda era o cen\u00e1rio no Natal de 2019, com Trump, Bolsonaro, Orban e outras aberra\u00e7\u00f5es assemelhadas, tudo come\u00e7ou a se agravar com o advento da pandemia. Com a propaga\u00e7\u00e3o global do coronav\u00edrus, o que era desanimador se tornou desolador. E a crise econ\u00f4mica que atingia duramente o Brasil passou a ser amplificada pelas crises do governo Bolsonaro-Guedes, uma simbiose nada esdr\u00faxula entre concep\u00e7\u00f5es ditatoriais e fascistas e uma variante de neoliberalismo primitivo, devastando ainda mais nosso ch\u00e3o social j\u00e1 bastante desertificado.<\/p>\n<p>Alguns dados estampam essa crueza. Na mensura\u00e7\u00e3o referente ao primeiro trimestre de 2020, o IBGE apresentou uma intensifica\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es desumanas da classe trabalhadora: atingimos o contingente de 12,9 milh\u00f5es de desempregados, e a informalidade (flagelo que se tornou leitmotiv da a\u00e7\u00e3o do capital) superou a casa de 40%, com cerca de 40 milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras \u00e0 margem da legisla\u00e7\u00e3o social protetora do trabalho.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que esses dados n\u00e3o refletem o que vem se passando no presente (segundo trimestre), dada a expans\u00e3o exponencial da pandemia no Brasil, mas t\u00e3o somente o pouco que era vis\u00edvel at\u00e9 os primeiros dias de mar\u00e7o, visto que o desemprego (tanto aberto quanto aquele por desalento) est\u00e1 em grande medida invisibilizado pela paralisa\u00e7\u00e3o de amplos setores da economia, permitindo t\u00e3o somente uma aproxima\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica da realidade. Se a esses dados incluirmos os subocupados (que trabalham menos de 40 horas) e os subutilizados (que segundo o IBGE englobam tanto os subocupados como os desocupados e a for\u00e7a de trabalho potencial), [1] teremos uma ideia mais precisa do tamanho da trag\u00e9dia social que n\u00e3o para de se amplificar no pa\u00eds que em fins de maio se encontra no epicentro da pandemia.<\/p>\n<p>Segundo ato<\/p>\n<p>Foi nessa situa\u00e7\u00e3o verdadeiramente catastr\u00f3fica, em que a simultaneidade da crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica se verificou, que a nova pandemia aterrissou em nossos aeroportos. Muito distante de um v\u00edrus cuja responsabiliza\u00e7\u00e3o se devesse a algum desmando da natureza, t\u00e3o ao gosto da apolog\u00e9tica da ignor\u00e2ncia que hoje se esparrama aqui e alhures, o que estamos presenciando, em escala global, \u00e9 resultante da expans\u00e3o e generaliza\u00e7\u00e3o do sistema de metabolismo antissocial do capital.<\/p>\n<p>Carregando uma l\u00f3gica essencialmente destrutiva, esse metabolismo s\u00f3 pode viver e se reproduzir por meio da destrui\u00e7\u00e3o, seja da natureza, que jamais esteve em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o deplor\u00e1vel, seja da for\u00e7a de trabalho, cuja derreli\u00e7\u00e3o, corros\u00e3o e dilapida\u00e7\u00e3o se tornaram absolutamente insustent\u00e1veis. Sendo expansionista e incontrol\u00e1vel, desconsiderando a totalidade dos limites humanos, societ\u00e1rios e ambientais, o sistema de metabolismo antissocial do capital alterna-se entre produ\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o e letalidade. Sen\u00e3o, o que significa a enorme press\u00e3o de amplas parcelas do empresariado predador que exige junto ao governo-de-tipo-l\u00fampen [2] a imediata volta ao trabalho e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, em meio \u00e0 explos\u00e3o de mortes que n\u00e3o param de crescer por conta da pandemia? Ser\u00e1 para preservar os empregos, como dizem?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 de singela clareza e est\u00e1 estampada n\u00e3o s\u00f3 no pa\u00eds, mas em todos os rinc\u00f5es do mundo. Da China \u00e0 Su\u00e9cia, da Alemanha \u00e0 \u00c1frica do Sul, da \u00cdndia aos Estados Unidos, da Fran\u00e7a ao M\u00e9xico, do Jap\u00e3o \u00e0 R\u00fassia, com a eclos\u00e3o da pandemia do capital, a cria\u00e7\u00e3o de riqueza e de lucro se estancou, dada a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o das chamadas atividades essenciais (ali\u00e1s, ao ampliar ou restringir essa defini\u00e7\u00e3o, cada governo estampa seu n\u00edvel de maior sujei\u00e7\u00e3o e servilismo ao capital).<\/p>\n<p>Como as corpora\u00e7\u00f5es globais sabem melhor do que ningu\u00e9m que a for\u00e7a de trabalho \u00e9 uma mercadoria especial, uma vez que \u00e9 a \u00fanica capaz de desencadear e impulsionar o complexo produtivo presente nas cadeias produtivas globais que hoje comandam o processo de cria\u00e7\u00e3o de valor e de riqueza social, os capitais aprenderam bem, ao longo destes quase tr\u00eas s\u00e9culos de domina\u00e7\u00e3o, a lidar com (e contra) o trabalho.<\/p>\n<p>Sabedores de que, se efetivassem a completa elimina\u00e7\u00e3o do labor, eles se veriam na inc\u00f4moda posi\u00e7\u00e3o de extinguir seu pr\u00f3prio ganha-p\u00e3o, sua alquimia di\u00e1ria, cotidiana e ininterrupta est\u00e1 voltada indelevelmente para reduzir ao m\u00e1ximo o trabalho humano necess\u00e1rio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. E assim se faz por meio da introdu\u00e7\u00e3o compensadora do arsenal maqu\u00ednico-informacional-digital dispon\u00edvel, ou seja, pelo uso das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (TIC), &#8220;internet das coisas&#8221;, impress\u00e3o 3D, big data, intelig\u00eancia artificial, tudo isso enfeixado, em nossos dias, na mais do que emblem\u00e1tica proposta da ind\u00fastria 4.0.<\/p>\n<p>Que esse complexo tecnol\u00f3gico-digital-informacional n\u00e3o tenha como finalidade central os valores humano-sociais, isso \u00e9 mais do que uma obviedade. Ou ser\u00e1 que algu\u00e9m acredita que a guerra entre a norte-americana Apple e a chinesa Huawei tenha como principal objetivo melhorar substantiva e igualitariamente as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho dos bilh\u00f5es de homens e mulheres, brancos, negros, ind\u00edgenas, imigrantes, que perambulam entre o desemprego, subemprego, informalidade e intermit\u00eancia? Algu\u00e9m pode imaginar que o objetivo das grandes corpora\u00e7\u00f5es globais seja dar-lhes trabalho digno, sal\u00e1rios justos, vida dotada de sentido, atendimento pleno de suas necessidades materiais e simb\u00f3licas?<\/p>\n<p>Um breve olhar para as condi\u00e7\u00f5es de trabalho da terceirizada global Foxconn, em suas unidades na China onde produz a marca Apple, nos revelou dezessete tentativas de suic\u00eddio em 2010, das quais treze lamentavelmente se concretizaram. Podemos lembrar tamb\u00e9m as rebeli\u00f5es contra o famigerado &#8220;sistema 9-9-6&#8221;, praticado pela Huawei (e tantas outras empresas chinesas do ramo digital, como a Alibaba), que significa trabalhar das 9 \u00e0s 21 horas (9 horas), seis dias por semana. F\u00e1cil, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Mas, se assim caminhava o admir\u00e1vel mundo do trabalho antes da explos\u00e3o do coronav\u00edrus, o que est\u00e1 sendo gestado no presente, em plena pandemia do capital? Quais experimenta\u00e7\u00f5es do trabalho est\u00e3o sendo maquinadas nos laborat\u00f3rios do capital, enquanto uma parte expressiva da classe trabalhadora preenche os t\u00famulos que, a c\u00e9u aberto, est\u00e3o acolhendo seus corpos?<\/p>\n<p>Terceiro ato<\/p>\n<p>Se nossa an\u00e1lise est\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o certa, se estamos apreendendo o cheiro da coisa, a principal forma experimental do labor p\u00f3s-pand\u00eamico se encontra no trabalho uberizado. Utilizando-se ilimitadamente da informalidade, flexibilidade, precariza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o, tra\u00e7os marcantes do capitalismo no Sul global (e que se expandem intensamente tamb\u00e9m no Norte), coube \u00e0s grandes plataformas digitais e aplicativos, como Amazon (e Amazon Mechanical Turk ), Uber (e Uber Eats), Google, Facebook, Airbnb, Cabify, 99, Lyft, iFood, Glovo, Deliveroo, Rappi etc, dar um grande salto pela adi\u00e7\u00e3o das tecnologias informacionais.<\/p>\n<p>E aqui os algoritmos se destacam, visto que s\u00e3o programas cuidadosamente preparados para processar imenso volume de informa\u00e7\u00f5es (tempo, lugar, qualidade), capazes de conduzir a for\u00e7a de trabalho segundo as demandas requeridas, dando-lhes a apar\u00eancia de neutralidade. [3] Juntamente com a intelig\u00eancia artificial e todo o arsenal digital canalizado para fins estritamente lucrativos, isso vem possibilitando a cria\u00e7\u00e3o de um novo monstrengo que adultera a concretude e efetividade das rela\u00e7\u00f5es contratuais vigentes. Os trabalhos assalariados transfiguram-se em &#8220;presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os&#8221;, o que resulta em sua exclus\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o social protetora do trabalho. Impulsionados pelo ide\u00e1rio da empulha\u00e7\u00e3o, que os fazia sonhar com um &#8220;trabalho sem patr\u00e3o&#8221;, converteram-se no que, em O privil\u00e9gio da servid\u00e3o, denominei escravid\u00e3o digital.<\/p>\n<p>Realizando jornadas de trabalho frequentemente superiores a 8, 10, 12 ou mais horas por dia, muitas vezes sem folga semanal; percebendo sal\u00e1rios baixos e que est\u00e3o sendo subtra\u00eddos durante a pandemia, sem explica\u00e7\u00e3o por parte das plataformas digitais; padecendo das demiss\u00f5es sem nenhuma justificativa; tendo de arcar com os custos de manuten\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, motos, celulares e equipamentos etc., come\u00e7amos a desvendar, nos laborat\u00f3rios do capital, os m\u00faltiplos experimentos que pretendem implantar depois da pandemia, que se pode assim resumir: explora\u00e7\u00e3o e espolia\u00e7\u00e3o acentuadas e nenhum direito do trabalho.<\/p>\n<p>Se a desmedida empresarial continuar ditando o tom, teremos mais informaliza\u00e7\u00e3o com informatiza\u00e7\u00e3o, &#8220;justificada&#8221; pela necessidade de recupera\u00e7\u00e3o da economia p\u00f3s-Covid-19. E sabemos que a exist\u00eancia de uma monumental for\u00e7a sobrante de trabalho favorece sobremaneira essa tend\u00eancia destrutiva do capital p\u00f3s-pand\u00eamico.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outros exemplos ilustrativos das experimenta\u00e7\u00f5es do capital em curso. A simbiose entre trabalho informal e mundo digital vem permitindo que os gestores possam sonhar com trabalhos ainda mais individualizados e invisibilizados. Ao perceberem que o isolamento social realizado durante a pandemia vem fragmentando a classe trabalhadora e assim dificultando as a\u00e7\u00f5es coletivas e a resist\u00eancia sindical, eles procuram avan\u00e7ar na amplia\u00e7\u00e3o do home office e do teletrabalho. Desse modo, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o de custos, abrem novas portas para uma maior corros\u00e3o dos direitos do trabalho, acentuando a desigual divis\u00e3o sociossexual e racial do trabalho e embaralhando de vez o tempo de trabalho e de vida da classe trabalhadora. [4]<\/p>\n<p>Os bancos, que exercitam uma pragm\u00e1tica de enorme enxugamento h\u00e1 d\u00e9cadas, uma vez que t\u00eam se utilizado intensamente do arsenal digital, j\u00e1 devem estar fazendo os c\u00e1lculos de quanto v\u00e3o lucrar com a introdu\u00e7\u00e3o do home office e do teletrabalho.<\/p>\n<p>Vale, por fim, destacar outro exemplo que tem sido emblem\u00e1tico: o EAD (ensino a dist\u00e2ncia). Essa pr\u00e1tica, que vem se intensificando durante a pandemia, tanto no ensino privado como no p\u00fablico e especialmente nas faculdades privadas, al\u00e9m de objetivar a redu\u00e7\u00e3o dos custos e aumentar os lucros, visa fortalecer grandes conglomerados privados &#8220;educacionais&#8221;. Recentemente, como noticiou amplamente a imprensa, a Laureate, que congrega v\u00e1rias faculdades privadas, al\u00e9m de utilizar rob\u00f4s na corre\u00e7\u00e3o de trabalhos sem conhecimento dos alunos, demitiu mais de uma centena de professores.<\/p>\n<p>Assim, por meio desses e de outros mecanismos, novas modalidades de corros\u00e3o do trabalho v\u00eam ganhando forte impuls\u00e3o durante a pandemia e se ampliando nas mais diversas atividades econ\u00f4micas, invadindo tamb\u00e9m o espa\u00e7o p\u00fablico e as empresas estatais. Poucas semanas atr\u00e1s, o CEO da Petrobras somou-se ao coro ao dizer que a estatal pode &#8220;trabalhar com 50% das pessoas em casa&#8221; e assim &#8220;liberar v\u00e1rios pr\u00e9dios que custam muito&#8221;. [5] Vale recordar que, logo antes da eclos\u00e3o do coronav\u00edrus, houve uma importante greve nacional dos petroleiros.<\/p>\n<p>Em meio a tanta maquina\u00e7\u00e3o, imaginar que o apoio de R$ 600 [~120\u20ac] (por tr\u00eas meses) para os que se encontram na informalidade seja suficiente para reduzir o flagelo e o vilip\u00eandio a que est\u00e3o submetidos s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel para um governo que pratica a necropol\u00edtica e a necroeconomia, o que o levou a &#8220;descobrir&#8221; que existem mais 40 milh\u00f5es de trabalhadores\/as invis\u00edveis, dura constata\u00e7\u00e3o do principal resultado de sua pol\u00edtica genocida.<br \/>\n10\/Junho\/2020<br \/>\n[1] Ver Ricardo Antunes, Coronav\u00edrus: o trabalho sob fogo cruzado (e-book), Boitempo, S\u00e3o Paulo, 2020.<br \/>\n[2] Conforme Ricardo Antunes, Politica della caverna, Castelvecchi, Roma, 2019.<br \/>\n[3] Conforme Vitor Filgueiras e Ricardo Antunes, \u201cPlataformas digitais, uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho e regula\u00e7\u00e3o no capitalismo contempor\u00e2neo\u201d, Contracampo, Niter\u00f3i, 2020.<br \/>\n[4] Sobre home office, teletrabalho e seus usos e abusos, ver Ricardo Antunes, Coronav\u00edrus\u2026, op. cit.<br \/>\n[5] Juliana Estigarribia, &#8221; \u2018Podemos trabalhar com 50% dos funcion\u00e1rios em casa\u2019, diz CEO da Petrobras &#8220;, Exame, 15 maio 2020.<\/p>\n<p>Ver tamb\u00e9m:<br \/>\nA novil\u00edngua neoliberal no seu esplendor<br \/>\nA sabedoria convencional continua<br \/>\nLinguagem e dom\u00ednio ideol\u00f3gico da burguesia<br \/>\nEntregadores antifascistas: &#8220;N\u00e3o quero gado. Quero formar entregadores pensadores&#8221;<\/p>\n<p>[*] Soci\u00f3logo. Coordenador do livro Riqueza e mis\u00e9ria do trabalho no Brasil (IV) \u2013 Trabalho digital, autogest\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o da vida, publicado pela Boitempo .<\/p>\n<p>O original encontra-se em Le Monde Diplomatique Brasil e em<br \/>\noutraspalavras.net\/outrasmidias\/como-se-trama-a-uberizacao-total\/<\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em https:\/\/www.resistir.info\/brasil\/r_antunes_10jun20.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25712\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[233],"class_list":["post-25712","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s8-brasil","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6GI","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25712\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}