{"id":25844,"date":"2020-07-17T06:13:37","date_gmt":"2020-07-17T09:13:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25844"},"modified":"2020-07-17T06:13:37","modified_gmt":"2020-07-17T09:13:37","slug":"franca-deter-a-marcha-do-capital-para-o-neofascismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25844","title":{"rendered":"Fran\u00e7a: deter a marcha do capital para o neofascismo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/regeneracion.mx\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/helguera.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->R\u00e9my Herrera<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a o governo Macron e os interesses que representa reagiram \u00e0 pandemia com escandalosa desumanidade. Foi o pa\u00eds em que mais claramente foi assumida a orienta\u00e7\u00e3o de deixar morrer uma parte dos contaminados, num sistema de sa\u00fade profundamente fragilizado por d\u00e9cadas de desinvestimento. Assumiram a pandemia como oportunidade para ir mais longe na destrui\u00e7\u00e3o de direitos c\u00edvicos e laborais. E preparam o quadro das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2022 de tal forma que os franceses tenham de optar entre a peste e a c\u00f3lera: entre Macron ou Le Pen.<\/p>\n<p>Surrealista. Os acontecimentos que, a partir de meados de mar\u00e7o de 2020, sob o ataque do coronav\u00edrus, fize<img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/graph.facebook.com\/IDADAPUBLICACAO\/picture\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->ram naufragar um pa\u00eds inteiro, e outros com ele, t\u00eam algo de surreal. Menos pela ocorr\u00eancia da pandemia do que pelas escolhas de pol\u00edtica econ\u00f3mico-sanit\u00e1ria que foram feitas. O risco de uma epidemia global era h\u00e1 anos anunciado por muitos cientistas especializados \u2013 \u00e0 imagem da amea\u00e7a ligada a eventuais cat\u00e1strofes naturais (ou nucleares), por exemplo, previstas por outros investigadores \u2026 Se a contagem di\u00e1ria de mortes causadas pelo v\u00edrus horrorizou, se o afluxo aos hospitais de pacientes infectados angustiou, a \u201cgest\u00e3o da crise do covid-19\u2033, essa, provocou repulsa. As escolhas feitas no topo da pir\u00e2mide de poderes estavam carregadas de consequ\u00eancias, extremamente graves, simplesmente monstruosas. Porque se quis aceitar como normal o fato de que as equipes m\u00e9dicas, despojadas ex ante dos meios para exercer a sua profiss\u00e3o &#8211; que consiste em salvar vidas &#8211; foram for\u00e7adas ex post a fazer a triagem entre os pacientes para os quais tudo seria tentado a fim de sobreviverem e os outros, idosos, vulner\u00e1veis, chamados \u201cpolipatol\u00f3gicos\u201d, \u201ccom\u00f3rbidos\u201d, ou seja, efetivamente aqueles que, pelo seu pr\u00f3prio estado de sa\u00fade, necessitariam de mais cuidados. Essas escolhas revelaram, qu\u00e3o dramaticamente, a imoralidade cortadora das principais autoridades do pa\u00eds, pol\u00edticas evidentemente mas tamb\u00e9m, e acima de tudo, econ\u00f3micas \u2013 uma vez que a vassalagem dos primeiros em rela\u00e7\u00e3o aos segundos, do interesse geral aos interesses de uma capelinha de grandes acionistas rapaces e ferozes, al\u00e9m de vergonhosamente antipatri\u00f3ticos, acaba por colocar em risco uma humanidade: depois de arruinar o mundo, desesperar os nossos jovens, degradar as nossas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho, eis que quereriam abandonar os nossos mais antigos.<\/p>\n<p>Com o espanto e a incredulidade dissipados, largas faixas do povo franc\u00eas perceberam ent\u00e3o que seus dirigentes n\u00e3o lhes prestariam qualquer ajudaria numa situa\u00e7\u00e3o semelhante &#8211; excepcional, certamente, mas onde o indiv\u00edduo sente como nunca a necessidade vital de ser protegido. Rapidamente perceberam que \u00e9 contra eles, e n\u00e3o contra um v\u00edrus, que os representantes das classes dominantes foram \u201cpara a guerra\u201d e que, de fato, n\u00e3o faziam parte desse \u201cn\u00f3s\u201d de que E. Macron havia falado no seu discurso de 16 de mar\u00e7o. O nosso \u201cn\u00f3s\u201d, o dos governados, foi reduzido ao limite, for\u00e7ado a reconhecer que a sociedade em que estamos amuralhados \u00e9 a do cada um por si, do todos contra todos e do salve-se quem puder. Uma sociedade na qual os governantes e os poderes aos quais s\u00e3o devotados est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de decretar que n\u00e3o h\u00e1 lugar para todos n\u00f3s &#8211; n\u00e3o h\u00e1 lugares que cheguem no \u201cmercado\u201d do trabalho nem no da habita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 que chegue para ganhar um sal\u00e1rio que lhe permita viver dignamente ou para se expressar democraticamente, nem mais lugares na fila de espera das entregas de m\u00e1scaras cir\u00fargicas ou de servi\u00e7os de reanima\u00e7\u00e3o em tempos do coronav\u00edrus. Esta sociedade tem um nome. Esse nome \u00e9 capitalismo.<\/p>\n<p>No final de fevereiro, muito poucas d\u00favidas subsistiam entre os microbiologistas, antes de mais os virologistas, mas tamb\u00e9m os epidemiologistas, infectologistas e outras vozes autorizadas: a inevitabilidade da pandemia estava cientificamente estabelecida. Fazia quase um m\u00eas que a OMS declara \u201cemerg\u00eancia mundial de sa\u00fade p\u00fablica\u201d; mais de um m\u00eas e meio que os investigadores chineses tinham identificado o v\u00edrus, descoberto (ultra rapidamente) um teste de despistagem, publicado a sequ\u00eancia gen\u00e9tica do novo agente infeccioso. Em 6 de mar\u00e7o, \u201cgozando a vida a toda a for\u00e7a\u201d, o presidente franc\u00eas e sua esposa sa\u00edam \u00e0 noite para aplaudir a representa\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a de teatro (que coloca em cena um chefe de Estado rec\u00e9m-eleito, mas doente, dialogando com um psiquiatra [lapso revelador?]). Passeando nos Champs \u00c9lys\u00e9es, sob os flashes crepitantes, os pombinhos novamente ignoravam o perigo em 9 de mar\u00e7o. A mensagem endere\u00e7ada aos franceses neste momento t\u00e3o singular? Divirtam-se! Cinco dias j\u00e1 desde que o coordenador da primeira miss\u00e3o da OMS a Wuhan, o dr. Bruce Aylward, canadense, insistira no New York Times (4 de mar\u00e7o) sobre a extraordin\u00e1ria gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A 29 de fevereiro, um dia ap\u00f3s a transi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para o \u201cn\u00edvel 2\u2033 e a recomenda\u00e7\u00e3o da OMS de mobilizar \u201ctodo o governo\u201d para controlar a pandemia, a agenda do Conselho de Ministros \u201cexcepcional\u201d dedicado ao coronav\u00edrus foi virada do avesso pelo executivo de um outro pequeno coroado que estava visivelmente mais preocupado em respeitar a agenda de demoli\u00e7\u00e3o das conquistas sociais um pouco menos ditada pelo MEDEF: demolir a bulldozer modelo 49.3 o sistema de pens\u00f5es, proibir todas as manifesta\u00e7\u00f5es e, para que o ru\u00eddo do ariete antidemocr\u00e1tico fosse ouvido, a \u201cgest\u00e3o \u00e0 francesa\u201d da pandemia de covid-19 foi catastr\u00f3fica. De uma ponta a outra. Os desordenadores da Fran\u00e7a entrar\u00e3o na hist\u00f3ria pela porta antes usada por criminosos e traidores. Tinham j\u00e1 confirmado a senten\u00e7a de execu\u00e7\u00e3o por garrote do hospital p\u00fablico, proferida pelos seus antecessores, fechando leitos, pagando o pessoal \u00e0 pedrada, precarizando os estrangeiros, arcaizando as instala\u00e7\u00f5es, transformando a sa\u00fade num supermercado. Tinham deslocalizado a produ\u00e7\u00e3o de equipamentos e medicamentos, entregue a investiga\u00e7\u00e3o \u00e0 sede de lucro dos laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos privados, passado a verdade cient\u00edfica pela peneira do c\u00e1lculo dos lucros. Era isto suficiente?<\/p>\n<p>No momento da \u201ccrise do Covid-19\u2033, decidiram conscientemente, cinicamente, criminalmente, n\u00e3o proteger a popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tratar os doentes &#8211; coisa absolutamente incr\u00edvel. \u201cSe tens sintomas de coronav\u00edrus, talvez estejas doente. Nesse caso\u2026 jingle\u2026 fica em casa!\u201d Foi essa foi a alucinante indica\u00e7\u00e3o divulgada pelas autoridades de sa\u00fade. Que n\u00e3o consideraram \u00fatil realizar testes em larga escala, nem de constituir a tempo as indispens\u00e1veis reservas de respiradores, entubadores, m\u00e1scaras, \u00f3culos de prote\u00e7\u00e3o, batas, luvas, gel hidro-alco\u00f3lico. Sem mencionar os tratamentos provocando qualquer, aparentemente favor\u00e1vel, contra o coronav\u00edrus \u2013 em simult\u00e2neo com indigentes pol\u00e9micas de jornalistas autoproclamados especialistas esquecidos de preencher o espa\u00e7o \u201cconflitos de interesse\u201d. Os m\u00e9dicos e suas equipes, enviados para a frente de combate por um Chefe dos ex\u00e9rcitos brincando com eles como com soldados de chumbo vestidos com sacos de lixo e com m\u00e1scaras costuradas em casa com trapos, nem sequer tiveram sedativos suficientes para aliviar os moribundos, os infelizes \u201cn\u00e3o reanim\u00e1veis\u201d que n\u00e3o tinham obtido um \u201cscore de fragilidade\u201d correcto \u2026 Em v\u00e1rios lugares, nenhum equipamento de prote\u00e7\u00e3o foi atribu\u00eddo aos servi\u00e7os de psiquiatria &#8211; deliberadamente? Para n\u00e3o falar dos l\u00fagubres EHPAD, onde numerosas dire\u00e7\u00f5es rapidamente cessaram de enviar as contagens de mortos \u00e0s inst\u00e2ncias \u201ccompetentes\u201d. No terreno? Faltava-nos tudo, exceto a coragem. Hurra para os her\u00f3is!<\/p>\n<p>L\u00e1 embaixo, os confinados. Que s\u00f3 puderam sobreviver gra\u00e7as aos trabalhadores dos sectores essenciais, tamb\u00e9m eles heroicos: agricultores, oper\u00e1rios das ind\u00fastrias de agroalimentares, caixas dos armaz\u00e9ns, motoristas de entregas, trabalhadores da manuten\u00e7\u00e3o, trabalhadores de limpeza, recolha de lixo, agentes dos servi\u00e7os p\u00fablicos, tantos outros invis\u00edveis e an\u00f4nimos \u2026 E l\u00e1 em cima? Os imbecis completos! Por entre confetes estatais espalhados aqui e ali, res\u00edduos dos bacanais e das orgias do neoliberalismo celebrando, a cada dia desde h\u00e1 quase 40 anos, a festa dos multimilion\u00e1rios!<\/p>\n<p>Durante a pandemia, os l\u00edderes do grandes patronato franc\u00eas mostraram-se abaixo de tudo. N\u00e3o sonharam em mais nada sen\u00e3o em dar-nos cabo da vida, nas suas miniditaduras de patr\u00f5es-capatazes, n\u00e3o pensavam, assim que o confinamento foi decretado, sen\u00e3o em recolocar a todos sob a palmat\u00f3ria da explora\u00e7\u00e3o. Aqueles que quase tinham acabado por convencer a maioria dos gentis organizadores da \u201cesquerda\u201d de que a classe trabalhadora e a na\u00e7\u00e3o tinham desaparecido viram-nos ressurgir com mais vigor do que nunca! Aqueles que nos diziam que poderiam por meio de magia passar sem n\u00f3s para criar riqueza ficaram subitamente em p\u00e2nico quando sem n\u00f3s o ciclo do capital, a sua bomba de dinheiro, ficou bloqueado. Aqueles que, para fazer esquecer que a na\u00e7\u00e3o, nascida entre n\u00f3s, \u00e9 o quadro da luta de classes e um baluarte contra sua globaliza\u00e7\u00e3o selvagem, a lan\u00e7am de novo como pasto \u00e0 extrema direita. A Airbus reabriu rapidamente suas f\u00e1bricas e, assim, privou de m\u00e1scaras (FFP2) os prestadores de cuidados que as n\u00e3o tinham. Sanofi, priorizando os Estados Unidos, humilhou o Tesouro que, entretanto, lhe havia assinado grossos cheques.<\/p>\n<p>A Renault de depois anunciou os seus milhares de despedidos, encaixando milhares de milh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico. A Peugeot p\u00f3s-covid preferiu recorrer a \u201cdestacamentos\u201d pontuais do que a trabalhadores tempor\u00e1rios locais. B. Arnault e Vuitton repetiram o filme de Notre-Dame, fazendo-se um belo golpe publicit\u00e1rio. O Medef, que durante d\u00e9cadas pressionou pela flexibiliza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o dos contratos, que descomprometeu as empresas do financiamento da Seguran\u00e7a Social e encorajou as deslocaliza\u00e7\u00f5es, \u00e9 sem d\u00favida e imensamente, respons\u00e1vel n\u00e3o apenas pela desindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds &#8211; o que j\u00e1 nem sabe mesmo fabricar um escovilh\u00e3o (um cotonete flex\u00edvel!) ou paracetamol &#8211; mas tamb\u00e9m pela dram\u00e1tica pen\u00faria que reinou. E que o governo dissimulou.<\/p>\n<p>Agradecemos tamb\u00e9m aos \u201cher\u00f3is da primeira linha\u201d, dispensando-os assim que o confinamento foi levantado. T\u00ednhamos visto patr\u00f5es arrumar ou quebrar as m\u00e1quinas das \u00faltimas f\u00e1bricas de m\u00e1scaras em Fran\u00e7a; vemos o naufr\u00e1gio de 300 PMEs do sector que ingenuamente acreditaram na palavra de Macron. N\u00e3o sabiam elas que a &#8220;Kreatur&#8221; dos ogros das finan\u00e7as s\u00f3 diz a verdade apenas aos banqueiros, que, t\u00e3o desprovidos de escr\u00fapulos como o seu elfo dom\u00e9stico, n\u00e3o alimentaram a fraude? Nenhuma d\u00favida sobre isso. Mais cedo ou mais tarde chegar\u00e1 a hora da justi\u00e7a social em que todos esses grandes accionistas ser\u00e3o julgados por alta trai\u00e7\u00e3o, condenados, expropriados. Ainda vai demorar algum tempo para que as contas sejam prestadas e os privil\u00e9gios sejam abolidos, mas o esc\u00e2ndalo revolta de tal modo que chegar\u00e1 em breve o momento em que encontraremos for\u00e7as para os fazer regurgitar o que nos roubam, ensinar boas maneiras aos riqu\u00edssimos que n\u00e3o se importam com nada, ensinar aos novos aristocratas bolsistas e \u00e0 sua m\u00e1 frequ\u00eancia dos para\u00edsos fiscais a comportar-se bem, a viver em sociedade. Educar os detentores da viol\u00eancia dita \u201cleg\u00edtima\u201d que, na nossa Rep\u00fablica, n\u00e3o se sufocam as pessoas, n\u00e3o se lhes d\u00e1 pauladas, n\u00e3o as cegamos, n\u00e3o se arrancam nem as m\u00e3os nem os p\u00e9s nem nada, e tamb\u00e9m n\u00e3o se diz \u201cbicot\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, os trabalhadores resistiram em toda a Fran\u00e7a, pelo direito \u00e0 reforma, o desengate, a apresenta\u00e7\u00e3o de queixas: nos hospitais p\u00fablicos (como quando da mobiliza\u00e7\u00e3o de 16 de junho); na ind\u00fastria, a autom\u00f3vel e seus subcontratados (Valeo, Faurecia, Burelle), a aeron\u00e1utica (Daher, Safran), as infraestruturas ferrovi\u00e1rias (Alstom), os estaleiros navais (Atl\u00e2ntico), a ind\u00fastria sider\u00fargica (ArcelorMittal), a embalagem (Allard); nos servi\u00e7os (Carrefour, Amazon, La Redoute, Deliveroo, Uber Eats, La Poste, etc.). Entre muitos outros. E sempre ser\u00e1 necess\u00e1rio resistir, lutar com todas as nossas for\u00e7as contra a Blitzkrieg hoje desencadeada pelo patronato com o objectivo de varrer o que resta das ru\u00ednas do C\u00f3digo do Trabalho, sob o pretexto de \u201csalvar a economia\u201d. Um patronato acompanhado pelas lideran\u00e7as sindicais mais fracas, colaboradoras de classe e eur\u00f3latras (que ter\u00e1 a CGT a ganhar se permanecer entre eles se n\u00e3o se perder?), e apoiado por um executivo com prerrogativas constantemente refor\u00e7adas, mas cujo poder os nossos concidad\u00e3os j\u00e1 n\u00e3o consentem, enojados com tantas submiss\u00f5es, trai\u00e7\u00f5es, corrup\u00e7\u00f5es, repress\u00f5es.<\/p>\n<p>Na rampa em que desliza precipitando-a nas glauqu\u00edssimas \u00e1guas das candidaturas \u00e0 C\u00e2mara de Paris, a ex-ministra da Sa\u00fade Agn\u00e8s Buzyn largou que sabia o que estava a acontecer e como os teria informado a todos &#8211; disse ter avisado o chefe de Estado desde 11 de janeiro, avisou depois o primeiro-ministro no dia 30 que o pico da epidemia era esperado em Fran\u00e7a por volta de 15 de mar\u00e7o &#8211; todos sabiam. Invocar a desenvoltura de Emmanuel Macron, um pouco menos penosa de suportar que a de um D. Trump ou B. Johnson, \u00e9 importante: recorda que foram os poderes do dinheiro que vampirizam as nossas economias que fizeram passar o elenco de actores da \u00f3pera bufa em que a democracia burguesa se tornou. Evocar a incompet\u00eancia de tal ou tal eleito ou ministro tem tamb\u00e9m a sua import\u00e2ncia, mas n\u00e3o s\u00e3o eles apenas os para-raios que cobrem as opera\u00e7\u00f5es de seus senhores, os verdadeiros, os accionistas do Leviat\u00e3 Financeiro e seus imp\u00e9rios econ\u00f4micos que brincam com o planeta como o globo de pl\u00e1stico do ditador Adeno\u00efd Hynkel, governam as nossas sociedades, maltratam os nossos servi\u00e7os p\u00fablicos, escravizam as nossas consci\u00eancias, controlam todos os aspectos da nossa exist\u00eancia individual. Esses grandes propriet\u00e1rios do capitalismo haviam prometido opul\u00eancia; condenam-nos \u00e0 escassez organizada &#8211; a que atravess\u00e1mos durante a pandemia do coronav\u00edrus &#8211; e \u00e0 crise sist\u00eamica &#8211; a pior depress\u00e3o econ\u00f3mica desde a aproxima\u00e7\u00e3o da Segunda Guerra Mundial. Glorificaram a liberdade, mas sequestram o trabalhador, mantido em cativeiro desde a inf\u00e2ncia at\u00e9 a morte na sua m\u00e1quina de ganhar dinheiro. Sacralizam o indiv\u00edduo, mas aniquilaram-no brutalmente para impor seu arrepiante c\u00e1lculo do \u201cvalor econ\u00f4mico\u201d de cada ser humano como crit\u00e9rio decisivo na quest\u00e3o de saber, uma vez que prevalece a falta de recursos e o fatalismo, se este poder\u00e1 viver e aquele ter\u00e1 que morrer. Em cima da fal\u00eancia made in France, o eugenismo generalizado como um projecto do capital!<\/p>\n<p>N\u00e3o nos enganemos. Os assassinos est\u00e3o instalados no topo, acima de um Estado cujos fios manipulam para nos lan\u00e7ar uns contra os outros, nos dividir, nos domesticar a ponto de j\u00e1 n\u00e3o reagir \u00e0 vis\u00e3o de pessoas sem-abrigo deitadas \u00e0 frente de um pr\u00e9dio desocupado, de migrantes engolidos pelas ondas, de fam\u00edlias bombardeadas em pa\u00edses distantes por soldados bem da nossa casa. O sistema que eles querem ver eternizar-se &#8211; o capitalismo &#8211; \u00e9 o que os fascistas vieram fortalecer em 1936, vociferando \u201cviva a morte!\u201d e \u201cque morra a intelig\u00eancia!\u201d. Parece que os tiranos que dominam aqueles que hoje nos dirigem est\u00e3o determinados a marchar para o neofascismo para perdurarem. Que eles tenham mesmo decididos que, depois do v\u00edrus, para o povo franc\u00eas, seria ou a peste ou a c\u00f3lera: se acontecesse cair uma chuva de tomates sobre o comediante E. Macron, conceder-nos-iam o direito de eleger a benjamim das meninas Le Pen. Fra\u00e7\u00f5es das classes dominantes j\u00e1 efetivamente o designaram! Estes todo-poderosos possuindo totalmente &#8211; e controlando totalitariamente &#8211; o aparelho de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um influente espectro de redes sociais, obviamente que ainda apoiam, \u00e0 dist\u00e2ncia de um bra\u00e7o, o atual ocupa do 55 rue du Faubourg-Saint-Honor\u00e9 em Paris. Mas esses patrocinadores financeiros esfor\u00e7am-se doravante de enclausurar todo o espa\u00e7o da luta de classes no quadro dos conflitos internos entre as classes dominantes &#8211; das quais Marine Le Pen faz parte &#8211; a fim de monopolizar o debate pol\u00edtico e de situar o seu centro de gravidade entre a direita e a extrema direita. Como nos Estados Unidos, onde \u201cglobalistas\u201d (Biden) e \u201ccontinentalistas\u201d (Trump) se esfarrapam entre si.<\/p>\n<p>Retiram tamb\u00e9m das suas gaiolas um bando de editorialistas e de debatedores mais reacion\u00e1rios uns que os outros, mostrando as presas, mordendo, sedentos de sangue, transmitindo racismo. Tendo como venadores excitando os c\u00e3es de ca\u00e7a, odientos censores pol\u00edticos capazes de fazer empalidecer a ORTF. Os grandes argent\u00e1rios deste regime tinham conseguiu eleger E. Macron em 2017 no final de uma campanha publicit\u00e1ria rel\u00e2mpago, entre televendas e telerrealidade. Mudam de m\u00e9todo com vista \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2022. At\u00e9 ao escrut\u00ednio decisivo eles andar\u00e3o atr\u00e1s deste povo rebelde, o perseguir\u00e3o com as bestas imundas do neofascismo como numa ca\u00e7ada corrida, \u00e0 corneta e ao grito cujo objetivo \u00e9 capturar por exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o que fazer nestas condi\u00e7\u00f5es? Vai ser necess\u00e1rio sermos mais resistentes, muito mais combativos, passar da defensiva \u00e0 ofensiva, para podermos esperar libertar-nos dessa armadilha dilem\u00e1tica, para que o nosso \u201cmundo do depois\u201d n\u00e3o seja a sua \u201cordem nova\u201d &#8211; da qual nasceu em 1972 o FN &#8211; para que o slogan de \u201cuni\u00e3o nacional\u201d do LaReM n\u00e3o prefigure o advento do RN, como \u201crevolu\u00e7\u00e3o nacional\u201d, ressuscitando o pior da hist\u00f3ria do pa\u00eds. E para vencer, teremos que convencer. Convencer que, se queremos fazer descarrilar a m\u00e1quina infernal da crise sist\u00eamica e das guerras imperialistas, da destrui\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, das sociedades e do meio ambiente, do agravamento das desigualdades, do racismo e do patriarcado, da bestifica\u00e7\u00e3o cultural, da regress\u00e3o dos direitos civis e democr\u00e1ticos, teremos que supera de vez o capitalismo e, de fato, empreender uma transi\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25844\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[109],"tags":[228],"class_list":["post-25844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c122-franca","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6IQ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}