{"id":25846,"date":"2020-07-17T06:15:33","date_gmt":"2020-07-17T09:15:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=25846"},"modified":"2020-07-17T06:15:33","modified_gmt":"2020-07-17T09:15:33","slug":"a-critica-do-trabalho-de-base-e-os-rodoviarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25846","title":{"rendered":"A cr\u00edtica do trabalho de base e os rodovi\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh3.googleusercontent.com\/pw\/ACtC-3f8hjibkRVVu6eEQlSHzYcoFvxT0HocqT3v6zZKsi8mH9A-uAdxS30NW0ufBkNascLtwH9knjFOkZOR3mqjOnZEJEk-ow_NVnzmKyguZAB7_csR-0ZgcaGyH3WMv4O3DX50qdkW7F4ntjrq3JndBonj=w567-h318-no\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Foto: Greve de 2018 na garagem da empresa Real na Avenida Brasil \u2013 Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Marcelo Schmidt \u2013 militante da Unidade Classista e do PCB-RJ<\/p>\n<p>\u201cO rodovi\u00e1rio \u00e9 chamado de \u2018le\u00e3o\u2019 porque ele enfrenta tudo. Calor, tr\u00e2nsito. Tudo que \u00e9 brabo o le\u00e3o enfrenta, ent\u00e3o ele \u00e9 o rei da selva.\u201d (Caiafa 2002)<\/p>\n<p>O principal objetivo deste estudo \u00e9 ajudar a compreender a natureza da classe rodovi\u00e1ria na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro no Brasil, sua ferramenta, sua organiza\u00e7\u00e3o e luta. E determinar se as condi\u00e7\u00f5es de disputa da ferramenta sindical dos trabalhadores rodovi\u00e1rios \u00e9 a mesma que faz a disputa para aumentar a sua for\u00e7a organizativa e o seu poder nos marcos da luta de classes.<\/p>\n<p>Os desafios s\u00e3o os maiores poss\u00edveis: determinar se existe dentro desta categoria, considerada, segundo nossa hip\u00f3tese, a mais local dos trabalhadores em transportes e dos trabalhadores estrat\u00e9gicos, um potencial internacionalista que agregue as quest\u00f5es sociais da classe rodovi\u00e1ria \u00e0s suas quest\u00f5es aparentemente mais distantes, tais como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a autossustentabilidade local e global dos transportes nos marcos da luta de classes; se existe a possibilidade de unir a luta concreta da classe rodovi\u00e1ria com isso.<\/p>\n<p>Para compreender os trabalhadores rodovi\u00e1rios e sua luta n\u00f3s precisamos compreender a import\u00e2ncia deste tipo de transporte na regi\u00e3o metropolitana. O transporte rodovi\u00e1rio \u00e9 o principal transporte de massas da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. Um estudo feito na cidade do Rio de Janeiro (Belo de Souza 2017), concluiu que o transporte rodovi\u00e1rio de passageiros responde por setenta por centro do transporte coletivo na cidade. Enquanto na regi\u00e3o metropolitana esse n\u00famero \u00e9 ainda maior, porque fora da cidade do Rio, as op\u00e7\u00f5es de metr\u00f4, trens e barcas nos marcos dos transportes de massa s\u00e3o ainda menores.<\/p>\n<p>Outro ponto muito importante para compreendermos a import\u00e2ncia do transporte rodovi\u00e1rio no conjunto da rede de transportes da regi\u00e3o metropolitana \u00e9 o fato de que o trabalhador de maior precariedade no trabalho, menor renda e menor educa\u00e7\u00e3o habita as regi\u00f5es mais perif\u00e9ricas; e gasta mais tempo para se deslocar de casa para o trabalho e vice versa. A exce\u00e7\u00e3o disso muitas vezes explica a ocupa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento das favelas e as ocupa\u00e7\u00f5es feitas pelos movimentos populares na sua luta pelo espa\u00e7o urbano, ou a luta dos sem moradia no centro da cidade. O transporte coletivo conecta os guetos \u00e0 cidade, torna a cidade mais p\u00fablica e permite quebrar de certa forma a imobilidade que o poder de classe imp\u00f5e \u00e0s parcelas exploradas e tamb\u00e9m exclu\u00eddas.<\/p>\n<p>O transporte coletivo \u00e9 no seu sentido p\u00fablico um combate \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o do movimento urbano, que \u00e9 modernamente pr\u00f3pria do sistema capitalista. Tudo \u00e9 privatizado no sentido mais amplo na cidade. No sentido contr\u00e1rio, o transporte p\u00fablico urbano pode inclusive combater a l\u00f3gica privatizante do sistema capitalista e o seu Estado. Por isso, para esta investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante identificar as possibilidades do transporte coletivo urbano tanto para o movimento pendular casa-trabalho, mas tamb\u00e9m para outras formas de conviv\u00eancias coletivas. Se o sistema de transportes foi completamente privatizado, o que resta \u00e9 uma completa exclus\u00e3o. Da\u00ed a import\u00e2ncia da an\u00e1lise do transporte coletivo p\u00fablico e urbano, como tamb\u00e9m do seu trabalhador condutor rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>Existe menos poder do trabalhador tanto mais a cidade \u00e9 privatizada e tanto mais s\u00e3o os meios de transporte. Na mesma linha seguem os direitos ao trabalho, \u00e0 renda, \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o de qualidade, que s\u00e3o tanto mais prec\u00e1rios quanto mais se distancia do centro e das \u00e1reas nobres da cidade. A tend\u00eancia \u00e9 que o n\u00famero de trabalhadores moradores de favelas, periferia e sem teto tenham como principal objetivo al\u00e9m de sobreviver, o de morar perto do trabalho. Isso tudo explica a precariedade do transporte urbano, p\u00fablico, coletivo, de massas; e dentro disso a explora\u00e7\u00e3o e precariedade do transporte rodovi\u00e1rio completamente privatizado, onde os rodovi\u00e1rios enfrentam uma realidade prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es da falta de estrutura e condi\u00e7\u00f5es dignas para o transporte urbano de massas cujo maior n\u00famero \u00e9 o transporte rodovi\u00e1rio \u00e9 simples: o poder da elite por sobre a massa trabalhadora. A elite capitalista local n\u00e3o utiliza este meio de transporte, portanto n\u00e3o se importa como o trabalhador chega ao trabalho ou volta para casa, nem com sua quantidade ou qualidade, e menos ainda com quem o conduz no dia a dia. O transporte rodovi\u00e1rio \u00e9 popular. A elite brasileira nega o popular, por isso a classe trabalhadora em geral e a classe rodovi\u00e1ria precisam afirmar o poder popular. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho da classe rodovi\u00e1ria, sua falta de direitos, baixos sal\u00e1rios e aus\u00eancia de respeito est\u00e3o associados \u00e0 aus\u00eancia do poder popular da classe em geral sobre os meios de transporte.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde at\u00e9 o s\u00e9culo XX trabalhar era mal visto pela elite nacional, o transporte rodovi\u00e1rio ainda \u00e9 considerado por todos como transporte de \u201csegunda classe\u201d, da classe que trabalha, operado por quem trabalha, e desservido de poder para reivindicar melhorias no seu trabalho, comunidade e transporte. No fundo todo o nosso estudo se refere ao poder da classe rodovi\u00e1ria e da classe trabalhadora na regi\u00e3o metropolitana. A classe rodovi\u00e1ria sofre do mesmo problema do resto da classe trabalhadora prec\u00e1ria e perif\u00e9rica na utiliza\u00e7\u00e3o do transporte rodovi\u00e1rio: a falta de trabalho, a explora\u00e7\u00e3o, perda da sa\u00fade, do tempo, e a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia urbana.<\/p>\n<p>Neste sentido, o estudo da condi\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria n\u00e3o se refere apenas \u00e0s categorias estrat\u00e9gicas, mas tamb\u00e9m \u00e9 o estudo da classe trabalhadora prec\u00e1ria e perif\u00e9rica da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. Quando falamos do poder ou da cria\u00e7\u00e3o de poder destes trabalhadores estamos, pela cr\u00edtica do trabalho de base, falando da cria\u00e7\u00e3o de poder e do poder direto da classe rodovi\u00e1ria associada ao poder dos trabalhadores e das comunidades prec\u00e1rias e perif\u00e9ricas. No Brasil mais da metade do povo trabalhador brasileiro utiliza transporte coletivo urbano e o \u00f4nibus \u00e9 o mais utilizado. A partir da cidade do Rio de Janeiro podemos claramente ver este quadro.<\/p>\n<p>\u201cO sistema de \u00f4nibus municipal do Rio de Janeiro \u00e9 o principal sistema de transportes operado por 57 operadores em quatro cons\u00f3rcios, cada um atuando em uma zona geogr\u00e1fica da cidade. Ao fim de 2016 existiam 733 linhas de \u00f4nibus, com idade m\u00e9dia de 4,3 anos, transportando 1,8 milh\u00f5es de passageiros, sendo destes 18% gratuidades, pessoas com defici\u00eancia, estudantes e idosos\u201d. (Codatu 2019). \u00c9 neste lugar que est\u00e1 o trabalhador rodovi\u00e1rio, conduzindo vidas de trabalhadores, e \u00e9 tamb\u00e9m neste lugar que est\u00e1 o seu maior desafio, n\u00e3o ser conduzido pela patronal exercendo um servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Figura 1 \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o modal na RMRJ. Fonte: PDTU 2015<\/p>\n<p>(Visualizar o gr\u00e1fico em: https:\/\/www.facebook.com\/jornalopoderpopular\/notes\/?ref=page_internal)<\/p>\n<p>A origem do transporte rodovi\u00e1rio de passageiros est\u00e1 na inversa propor\u00e7\u00e3o da deteriora\u00e7\u00e3o e desaparecimento do transporte ferrovi\u00e1rio ou sobre trilhos; aquilo que deveria ter sido complementar e a servi\u00e7o dos trabalhadores foi feito para servir de ascens\u00e3o de um tipo de empresariado sobre o outro. O transporte p\u00fablico, permitido, concedido ou privatizado, significou tamb\u00e9m o desenvolvimento patronal no seu controle e dom\u00ednio por sobre a cidade. A cidade do capital foi feita para servir a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e pessoas para que uns poucos ficassem ricos e a maioria ficasse pobre sem se preocupar com a sustentabilidade da comunidade ou da cidade.<\/p>\n<p>O transporte rodovi\u00e1rio inicialmente era operado por tra\u00e7\u00e3o animal, depois se tornou el\u00e9trico atrav\u00e9s dos bondes, portanto, nasceu como transporte h\u00edbrido de trilho e rodas. Da maneira como o conhecemos aparece nos anos vinte, mas foi nos anos quarenta que ele ganha uma import\u00e2ncia maior; para nos anos sessenta come\u00e7ar a se tornar hegem\u00f4nico na regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. Esta hegemonia filha da destrui\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria se afirma completamente nos anos oitenta, para se tornar absoluta no s\u00e9culo XXI, n\u00e3o apenas no Rio de Janeiro, mas na maioria das cidades do Brasil.<\/p>\n<p>As chamadas \u2018lota\u00e7\u00f5es\u2019 existiam para suprir uma demanda sem planejamento, e serviam \u201cpara levar transporte\u201d aos n\u00e3o servidos por transporte metropolitano coletivo e p\u00fablico. Esta din\u00e2mica de suprir a falta de planejamento do transporte de massas se tornou a principal caracter\u00edstica da falta de planejamento estrat\u00e9gico da megal\u00f3pole constru\u00edda a partir da cidade do Rio de Janeiro. Mais do que um suposto erro dos governantes, foi um ato premeditado da patronal, dos ricos, dos capitalistas; colocar no mesmo \u201cbalaio\u201d a classe rodovi\u00e1ria e a classe trabalhadora em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de transportes, mas tamb\u00e9m de moradia. Os bondes el\u00e9tricos, n\u00e3o por coincid\u00eancia acabam em 1964, deixando o caminho preparado para o transporte rodovi\u00e1rio ser l\u00edder absoluto.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo analisemos a representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rodovi\u00e1rios: O tipo de representa\u00e7\u00e3o sindical da classe rodovi\u00e1ria coincide com o decl\u00ednio do velho sindicalismo baseado nos setores de transportes: trabalhadores ferrovi\u00e1rios, mar\u00edtimos e portu\u00e1rios foram fortemente atingidos pelo golpe militar de 1964. O rodovi\u00e1rio tamb\u00e9m sofre este golpe, o mesmo golpe contra a organiza\u00e7\u00e3o dos setores mais fortes foi tamb\u00e9m o grande golpe sobre o conjunto da classe. Depois da imposi\u00e7\u00e3o de um sindicalismo submetido pelo golpe, o novo sindicalismo que surge para a classe rodovi\u00e1ria, com algumas exce\u00e7\u00f5es, \u00e9 um sindicalismo passivo, assistencial e patronal.<\/p>\n<p>O regime de permiss\u00e3o ao inv\u00e9s da concess\u00e3o torna mais f\u00e1cil para a patronal rodovi\u00e1ria gerir um servi\u00e7o p\u00fablico, o poder p\u00fablico por sua vez, concede ao poder privado rodovi\u00e1rio o poder de planejar a cidade no que tange este tipo de transportes, legalizando uma verdadeira m\u00e1fia contra a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora, mas tamb\u00e9m contra os trabalhadores rodovi\u00e1rios. O final disso s\u00e3o os cons\u00f3rcios que s\u00e3o verdadeiros oligop\u00f3lios dos transportes vivendo \u00e0 custa de chantagens, incentivos, benef\u00edcios e financiamentos p\u00fablicos que colocam na cabe\u00e7a do trabalhador rodovi\u00e1rio e do trabalhador em geral que o pre\u00e7o da passagem de \u00f4nibus precisa aumentar para o rodovi\u00e1rio ter aumento de sal\u00e1rio e o trabalhador em geral ter um bom servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Nos anos oitenta a patronal teve um forte ataque com a estatiza\u00e7\u00e3o de grande parte das empresas de \u00f4nibus, mas com a mudan\u00e7a de governador (Brizola), e a afirma\u00e7\u00e3o do modelo neoliberal e de privatiza\u00e7\u00f5es no Brasil, as empresas foram devolvidas aos seus antigos donos. Antes de serem encampadas houve um incidente interessante, a cria\u00e7\u00e3o das linhas 462 e 463 de \u00f4nibus no Rio de Janeiro permitiram que pela primeira vez os trabalhadores moradores da periferia pudessem utilizar as praias das \u00e1reas nobres da cidade consideradas maior lazer do carioca; o que foi noticiado como esc\u00e2ndalo nos jornais de 1984, como uma prova da evid\u00eancia de uma cidade partida e da parte que ocupa cada classe. (Belo de Souza 2017).<\/p>\n<p>A propaganda neoliberal e os \u00faltimos governadores do Estado do Rio, todos presos por corrup\u00e7\u00e3o, evidencia que os interesses da classe trabalhadora e da classe rodovi\u00e1ria sempre foram submetidos aos interesses dos patr\u00f5es do setor e da cidades. Que a elite geral, os detentores dos meios de transportes e os seus governantes corruptos, agem contra os interesses gerais atrav\u00e9s da corrup\u00e7\u00e3o no setor de transportes. Por outro lado, a lideran\u00e7a da classe rodovi\u00e1ria, como j\u00e1 foi dito, desde a metade dos anos sessenta foi literalmente patronal, educando a classe para submiss\u00e3o e covardia. Incapaz de educar a classe rodovi\u00e1ria para a luta de classes, ou para enxergar o poder estrat\u00e9gico da classe rodovi\u00e1ria, no conjunto da classe carioca e fluminense, isso durou at\u00e9 a crise de 2008.<\/p>\n<p>A crise capitalista deu origem \u00e0s greves de 2012, e as manifesta\u00e7\u00f5es de 2013 pelo pre\u00e7o da passagem abriram ainda mais essa ferida exposta. Uma ferida que no in\u00edcio do s\u00e9culo XX foi feita pelos mesmos motivos, virando e queimando bondes, passa pelos anos 20, 40, 60, 80, 2000, at\u00e9 a crise de 2008, as greves em 2012, 2013, 2014, s\u00e3o pelos mesmos motivos. Estas crises afirmam que n\u00e3o foi s\u00f3 por 20 centavos. A mais valia e os sal\u00e1rios da classe rodovi\u00e1ria, das suas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, de educa\u00e7\u00e3o e de moradia e seguran\u00e7a e direitos s\u00e3o os problemas da classe como um todo.<\/p>\n<p>A grande insatisfa\u00e7\u00e3o na forma das greves rodovi\u00e1rias de 2012, 2013 e 2014 que passam por cima das dire\u00e7\u00f5es burocratizadas provam a vontade difusa da classe. Por outro lado, se uma parte das lideran\u00e7as, influenciadas por uma dire\u00e7\u00e3o classista, promove fus\u00f5es e mudan\u00e7as significativas, que resultam, por exemplo, na greve de 2018; outros que persistem no caminho de submiss\u00e3o e burocratiza\u00e7\u00e3o fazem o contr\u00e1rio, se fecham ainda mais na pol\u00edtica pelega e patronal. No conjunto da classe, tanto mais se afasta da regi\u00e3o metropolitana mais burocratizada fica sua representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s podemos diante disso, afirmar que, a lideran\u00e7a sindical que j\u00e1 era tradicionalmente vendida para a patronal no s\u00e9culo XX, amansando a classe nas suas revoltas difusas, se sofistica no s\u00e9culo XXI, tanto a partir de 2008, como na sua completa aus\u00eancia durante a greve geral de 2017, ou sua completa aus\u00eancia durante a pandemia de covid 19 em 2020. No setor rodovi\u00e1rio, de maneira geral o novo sindicalismo foi c\u00famplice do sindicalismo burocr\u00e1tico; n\u00e3o priorizou a organiza\u00e7\u00e3o destes trabalhadores estrat\u00e9gicos, entregando tudo aos pelegos, atrav\u00e9s de pactos de conviv\u00eancia e n\u00e3o agress\u00e3o, e foi a partir de 2012 que se evidenciou a necessidade estrat\u00e9gica da sua completa reorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia da privatiza\u00e7\u00e3o completa do setor, da representa\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica nos sindicatos, da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho se deu no meio de in\u00fameras fal\u00eancias no setor. Por outro lado, gra\u00e7as a uma pequena vanguarda presente e ativa, muitos trabalhadores conheceram, pela presen\u00e7a minorit\u00e1ria nestes sindicatos, outro tipo de representa\u00e7\u00e3o de classe. A obra magna \u201cSal\u00e1rio, pre\u00e7o e lucro\u201d de Karl Marx, foi disponibilizada para os rodovi\u00e1rios, que puderam vivenciar sua praticidade quando os patr\u00f5es desapareceram nas empresas que falidas, deixaram momentaneamente os trabalhadores operando os meios de produ\u00e7\u00e3o. Os rodovi\u00e1rios aprendiam na pr\u00e1tica o processo de explora\u00e7\u00e3o; e foi poss\u00edvel ensinar na pr\u00e1tica a explora\u00e7\u00e3o patronal junto com a possibilidade da sua supera\u00e7\u00e3o pela elimina\u00e7\u00e3o daqueles que n\u00e3o trabalham, mas vivem desta explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O exemplo da fal\u00eancia da empresa \u2018S\u00e3o Silvestre\u2019 em 2017 colocou o motorista rodovi\u00e1rio, j\u00e1 cobrando e dirigindo, sabedor do quanto ele arrecadava por dia em todos os \u00f4nibus, e em cada rota espec\u00edfica. Como n\u00e3o havia pagamento com cart\u00e3o, suspenso pelo poder p\u00fablico, mas apenas pagamento em dinheiro; o motorista recebia aquele dinheiro, colocava em um fundo comum, que depois das despesas com diesel, material, reparos, etc; era dividido por todos na forma cooperada, de trabalhadores sem patr\u00e3o. Isso durou um m\u00eas e foi utilizado por uma vanguarda presente para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio do controle direto a servi\u00e7o da comunidade por causa do debate com as associa\u00e7\u00f5es de bairros; e com auto-sustentabilidade, pela economia e racionalidade de combust\u00edvel. Uma breve experi\u00eancia da classe trabalhadora atrav\u00e9s da classe rodovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>De acordo com Caiafa: \u201co aproveitamento minucioso do tempo de trabalho do rodovi\u00e1rio \u00e9 a marca da explora\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio rodovi\u00e1rio. \u00c9 sobre a for\u00e7a de trabalho do trabalhador rodovi\u00e1rio que vai incidir a explora\u00e7\u00e3o capitalista\u201d. (Belo de Souza 2017). Se por um lado prova-se o processo de explora\u00e7\u00e3o, prova-se tamb\u00e9m o potencial organizativo estrat\u00e9gico pelo trabalho de base cr\u00edtico, pela cr\u00edtica do trabalho de base. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m provar no final a necessidade de recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical, para a organiza\u00e7\u00e3o baseada na luta de classes, para a luta concreta e hist\u00f3rica n\u00e3o apenas da classe rodovi\u00e1ria, mas para servir o conjunto da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Todas estas experi\u00eancias provam que os trabalhadores rodovi\u00e1rios s\u00e3o os mais acess\u00edveis potencialmente aos processos organizativos das for\u00e7as revolucion\u00e1rias. Toda rua que passa um \u00f4nibus, toda comunidade servida por transporte urbano, toda vizinhan\u00e7a que se conecta, todo munic\u00edpio ligado por uma linha metropolitana ou comunit\u00e1ria de transportes coletivos \u00e9 um local potencial para se fazer o trabalho de base entre os trabalhadores rodovi\u00e1rios. O problema na realidade que se evidencia \u00e9 o d\u00e9ficit organizativo da vanguarda classista e revolucion\u00e1ria, tecnicamente operacional, e por outro lado a impossibilidade da base organizada rodovi\u00e1ria debater a teoria cr\u00edtica por causa da aus\u00eancia de quadros operadores da luta de classes e do poder popular.<\/p>\n<p>O que determina esta acessibilidade \u00e9 a natureza do trabalho rodovi\u00e1rio, de maior proximidade com os trabalhadores em geral que utilizam o transporte p\u00fablico rodovi\u00e1rio todos os dias. Uma acessibilidade de quem passa muitas vezes na porta da casa das pessoas; profissionais que transportam vidas, que ajudam o cadeirante e trabalhadores com baixa mobilidade, idosos; toda esta solidariedade e humanidade no caminho do trabalho e cansada na volta dela n\u00e3o tem a oportunidade de vivenciar um debate cr\u00edtico que os capacite para recuperar a ferramenta sindical burocratizada; como tamb\u00e9m processos classistas de organiza\u00e7\u00e3o que os equipe para a luta concreta na luta de classes.<\/p>\n<p>O conceito de acessibilidade destes profissionais aos locais de trabalho e nos locais de moradia, que conhecem no seu trajeto cada rua e pessoas humanas, n\u00e3o se completa pela aus\u00eancia do processo organizacional classista; e o trabalhador rodovi\u00e1rio que estuda a cidade, opera na cidade, transporta a cidade, n\u00e3o participa da luta de classes na sua cidade, porque n\u00e3o se reconhece como trabalhador transportando trabalhador. A aus\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o classista contribui para a sua ignor\u00e2ncia; como o trabalhador rodovi\u00e1rio caminhoneiro aut\u00f4nomo transportador de cargas conhece o Brasil, o trabalhador rodovi\u00e1rio de passageiros conhece a sua cidade. Nenhum outro trabalhador estrat\u00e9gico \u00e9 t\u00e3o conectado \u00e0 cidade, \u00e0 comunidade, por isso mesmo, nenhum outro trabalhador de setores estrat\u00e9gicos estaria t\u00e3o acess\u00edvel a toma classista de experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Em cada comunidade e munic\u00edpio do pa\u00eds continente chamado Brasil existe um setor estrat\u00e9gico potencialmente acess\u00edvel atrav\u00e9s da possibilidade de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rodovi\u00e1rios. Uma oportunidade infelizmente negligenciada pelo conjunto da vanguarda revolucion\u00e1ria brasileira. Ao mesmo tempo os trabalhadores rodovi\u00e1rios s\u00e3o domesticados diariamente por dire\u00e7\u00f5es traidoras patronais que acham normal receber dinheiro da patronal para manter seus mimos e mordomias, negando a classe qualquer possibilidade de exerc\u00edcio do seu poder; e procurando compensar estes trabalhadores com formas assistenciais, assistencialistas e amortecedoras da luta de classes. Por isso a recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical se torna uma prioridade.<\/p>\n<p>Mas qual seria o objetivo estrat\u00e9gico destes trabalhadores no seu processo de recupera\u00e7\u00e3o da sua ferramenta sindical, da sua forma organizacional e da sua luta imediata e da sua luta hist\u00f3rica? A conquista do controle direto da circula\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus feito em parceira com o Estado e com a comunidade; a constru\u00e7\u00e3o de um transporte economicamente e ecologicamente auto-sustent\u00e1vel para servir a comunidade e o planeta Terra; a possibilidade de servir de forma adequada a cidade com periodicidade, seguran\u00e7a e dignidade. Com controle direto a servi\u00e7o da comunidade e autossustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O controle direto n\u00e3o se resume a conquistar direitos, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a sal\u00e1rio justo, mas \u00e9 a luta pelo poder de controlar a produ\u00e7\u00e3o dos meios de transportes, a contrata\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, a demiss\u00e3o e a aposentadoria. Ao mesmo tempo, a consci\u00eancia da autossustentabilidade da cidade, do planeta com emiss\u00e3o zero de carbono n\u00e3o \u00e9 algo que vir\u00e1 sem conquistar a luta imediata do rodovi\u00e1rio, o seu interesse de classe, e os interesses da comunidade onde estes profissionais trabalham e vivem. Tudo precisa estar conectado: Luta concreta do trabalhador, da comunidade e da classe.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica do trabalho de base \u00e9 de enorme import\u00e2ncia para o setor rodovi\u00e1rio nos marcos dos trabalhadores dos transportes. Neste sentido, afirmar que nos \u00faltimos 40 anos a ferramenta sindical rodovi\u00e1ria tem sido operada de maneira a deseducar os trabalhadores para a luta de classes \u00e9 falar a verdade. Deseduca-se para compreender o papel da ferramenta sindical, deseduca-se para o processo de organiza\u00e7\u00e3o e sindicaliza\u00e7\u00e3o. E finalmente n\u00e3o se educou ou n\u00e3o se educa para a participa\u00e7\u00e3o sindical combativa, classista e internacionalista, para o correto processo de sindicaliza\u00e7\u00e3o nestes marcos; e se deseduca completamente para luta de classes e para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o da luta de classes pode proporcionar atender os interesses da classe rodovi\u00e1ria, da autossustentabilidade, e dos interesses da comunidade, nos marcos dos interesses da luta de classes da classe trabalhadora. O problema \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o para a luta de classes na classe rodovi\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 feita h\u00e1 muito tempo, isso impacta a luta pela ferramenta sindical, a luta pela organiza\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria luta imediata por melhorias nos marcos da luta de classes. O problema dos rodovi\u00e1rios est\u00e1 na sua lideran\u00e7a fragmentada, patronal, pelega, incapaz de conduzir os trabalhadores para o front social com a patronal, sem resolver isso n\u00e3o se pode avan\u00e7ar para a autossustentabilidade.<\/p>\n<p>Os caminhos para a disputa pela ferramenta sindical da classe rodovi\u00e1ria est\u00e3o dispon\u00edveis para uma organiza\u00e7\u00e3o competente, atrav\u00e9s de quadros competentes, do apoio estrutural necess\u00e1rio, e da prioriza\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o no setor, local e tempo exatos. A luta pela ferramenta sindical \u00e9 absolutamente negligenciada nos marcos da luta de classes; a luta pelo processo organizacional \u00e9 feita com bases equivocadas assistencialistas; a luta imediata n\u00e3o \u00e9 conectada \u00e0 luta de classes. Este \u00e9 o desafio.<\/p>\n<p>Neste sentido, falta priorizar na luta sindical os caminhos da conquista da ferramenta sindical, inserir as pautas da luta imediata conectadas \u00e0 luta de classes desde o princ\u00edpio; da\u00ed conectar no processo o caminho organizacional nos marcos da luta de classes. Recuperar a ferramenta sindical dos pelegos para os trabalhadores; organizar os trabalhadores pelo correto processo de sindicaliza\u00e7\u00e3o; preparar a luta imediata na luta de classes no correto tempo de assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Leve quantas lutas levar. Ao mesmo tempo, a quest\u00e3o da autossustentabilidade na comunidade, no trabalho; precisa estar associada a n\u00e3o receber dinheiro da patronal e a n\u00e3o educar o trabalhador no assistencialismo, educar para o assistencialismo \u00e9 deseducar para a luta. A assist\u00eancia precisa servir a luta de classes.<\/p>\n<p>O problema maior \u00e9 respeitar a vontade do trabalhador organizado, nos marcos que tamb\u00e9m respeitem o seu tempo de matura\u00e7\u00e3o destas ideias de autossustentabilidade, auto-organiza\u00e7\u00e3o (que n\u00e3o \u00e9 financiada pela patronal, mas pelo trabalhador) em nenhum dos processos de educa\u00e7\u00e3o da classe, que n\u00e3o se baseiem em pr\u00e1ticas assistencialistas que desarmam a vontade de associa\u00e7\u00e3o por uma vontade artificial de se \u201cjuntar para o lazer\u201d ou para o servi\u00e7o de assist\u00eancia. O problema pedag\u00f3gico respeita o processo e o tempo pedag\u00f3gico da classe, mas aponta para fazer um trabalho de base cr\u00edtico a partir de uma perspectiva revolucion\u00e1ria, no n\u00famero necess\u00e1rio, com o apoio necess\u00e1rio; e com o apoio e a autonomia necess\u00e1rias para percorrer todo o processo de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No processo de recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical \u00e9 muito importante unificar a oposi\u00e7\u00e3o e seguir unido at\u00e9 completar o processo de disputa. Aproveitar o processo de disputa para unificar o grupo atrav\u00e9s do trabalho di\u00e1rio. Formar o grupo para al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o sindical, buscando uma forma\u00e7\u00e3o classista e pol\u00edtica no sentido da luta de classes. Utilizar o processo de cria\u00e7\u00e3o da unidade para ter mais unidade para organizar e lutar. A luta pela recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical n\u00e3o \u00e9 um fim em si, mas um caminho para enfrentar a patronal pelo processo de conscientiza\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por isso o processo de recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical precisa envolver mais o conjunto das for\u00e7as revolucion\u00e1rias. A\u00ed vai se verificar quem tem o perfil para trabalhar de forma externa a classe rodovi\u00e1ria, a\u00ed se forjam os operadores quadros organizadores da classe. O grande desafio que se coloca \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da unidade das for\u00e7as envolvidas no projeto de recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical para a categoria. Quando se coloca o setor rodovi\u00e1rio como o mais acess\u00edvel dentre os setores de transportes estrat\u00e9gicos, se refor\u00e7a o papel da constru\u00e7\u00e3o de uma oposi\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria que tenha a capacidade de se sustentar unida at\u00e9 o final do embate para recuperar a ferramenta sindical para a classe.<\/p>\n<p>Construir unidade do conjunto das for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o e chegar unidos no dia do enfrentamento. Depois submeter a teoria cr\u00edtica para a base organizada para que a vontade da base no tempo da base prevale\u00e7a; e de forma preparada agir com a vanguarda de modo a liderar o esfor\u00e7o de vit\u00f3ria das for\u00e7as dos trabalhadores, como for\u00e7as populares. \u00c9 interessante observar como este trabalho impacta no conjunto da comunidade e da cidade. A constru\u00e7\u00e3o da unidade, a sua sustenta\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de enfrentamento sindical, quando feita de forma classista nos marcos da luta de classes, prepara o caminho da sindicaliza\u00e7\u00e3o e o caminho do enfrentamento na constru\u00e7\u00e3o da greve da categoria e geral. O que no final vai representar a constru\u00e7\u00e3o em bases locais.<\/p>\n<p>\u00c9 muito importante colocar a constru\u00e7\u00e3o da unidade do conjunto das for\u00e7as envolvidas na disputa sindical, como fato de constru\u00e7\u00e3o do acesso privilegiado \u00e0 base dos rodovi\u00e1rios para responder ao seu chamado, anseio e posicionamento. Quanto mais envolvimento no trabalho de vencer menos disputa interna. Finalmente a constru\u00e7\u00e3o da unidade, a submiss\u00e3o da teoria cr\u00edtica para a base organizada vai se coroar com a dire\u00e7\u00e3o de uma vanguarda preparada, comprometida com a vit\u00f3ria final das for\u00e7as dos trabalhadores nos marcos da luta de classes na sua forma mais local porque comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O sindicalismo rodovi\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de ser bem conduzido, ainda que ele seja muito acess\u00edvel, ele requer t\u00e9cnica e observa\u00e7\u00e3o refinadas, e muita paci\u00eancia; conhecimento e disciplina revolucion\u00e1ria para ser corretamente conduzido pelas for\u00e7as populares e dos trabalhadores, para uma vit\u00f3ria das for\u00e7as dos trabalhadores e populares sobre a patronal. Isso se evidencia exatamente porque o trabalhador rodovi\u00e1rio \u00e9 comunit\u00e1rio, e portanto, influenciado pela fam\u00edlia, pelos amigos, escola, trabalho, m\u00eddia, igreja, tudo mais presente na superestrutura em poder das for\u00e7as capitalistas. O sindicalismo rodovi\u00e1rio \u00e9 sindicalismo popular, e suas respostas v\u00e3o impactar na comunidade.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos disputou-se uma a\u00e7\u00e3o, narrativa, uma din\u00e2mica que j\u00e1 estava presente nos \u00faltimos quarenta anos, onde ainda que com algumas exce\u00e7\u00f5es, n\u00e3o houve trabalho de base cr\u00edtico na classe rodovi\u00e1ria. Mais uma vez afirmamos que o novo sindicalismo n\u00e3o conseguiu construir uma estrat\u00e9gia de lutas dentro dos marcos da luta de classes para a classe rodovi\u00e1ria. Praticamente todo trabalho de base na classe rodovi\u00e1ria desarmou os rodovi\u00e1rios para o verdadeiro enfrentamento contra a patronal. O desafio que se coloca para uma nova pr\u00e1tica \u00e9 recuperar a ferramenta sindical rodovi\u00e1ria para a luta de classes, isso significa derrotar a estrat\u00e9gia pelega de submiss\u00e3o, trocando um sindicalismo burocr\u00e1tico e patronal por um sindicalismo classista, combativo e internacionalista para a organiza\u00e7\u00e3o e lutas.<\/p>\n<p>Por isso o primeiro esfor\u00e7o de lutas \u00e9 o de construir uma base organizada unit\u00e1ria para recuperar a ferramenta sindical. Este \u00e9 um esfor\u00e7o priorit\u00e1rio pedag\u00f3gico sindical, classista e pol\u00edtico que precisa construir as bases de novos enfrentamentos, sem repetir as pr\u00e1ticas do sindicalismo burocr\u00e1tico, pelego e patronal: a compra de votos, o pagamento de di\u00e1rias, a mercantiliza\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o de lutas. N\u00e3o se pode substituir \u2018seis por meia d\u00fazia\u2019, mas construir um processo pedag\u00f3gico da classe para a classe, que tamb\u00e9m substitua velhos m\u00e9todos por novos m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No processo de transforma\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical na ferramenta da classe rodovi\u00e1ria \u00e9 preciso convencer a classe rodovi\u00e1ria pelo m\u00e9todo correto, o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o classista da base organizada na forma de uma oposi\u00e7\u00e3o unificada. Este processo n\u00e3o pode ter como a\u00e7\u00e3o central a sindicaliza\u00e7\u00e3o baseada no assistencialismo e no servi\u00e7o, mas na luta concreta na luta de classes baseada no correto tempo de matura\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de cada trabalhador. Uma consci\u00eancia coletiva que se efetiva no correto processo de sindicaliza\u00e7\u00e3o. Isso se repete com a constru\u00e7\u00e3o das lutas.<\/p>\n<p>Por isso o processo de sindicaliza\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria j\u00e1 se inicia na recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical e termina na luta contra a patronal. \u00c9 na luta contra a patronal nos marcos da luta de classes que se torna efetiva a participa\u00e7\u00e3o do trabalhador na constru\u00e7\u00e3o da verdadeira consci\u00eancia coletiva. A constru\u00e7\u00e3o da luta concreta para a classe rodovi\u00e1ria nasce da aspira\u00e7\u00e3o da base por mudan\u00e7as concretas nos sal\u00e1rios, nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e nos direitos rodovi\u00e1rios. Mas esta luta precisa terminar nos marcos da luta de classes. Neste sentido a luta por poder direto dos rodovi\u00e1rios come\u00e7a no processo de recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical e passa pelo processo de sindicaliza\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m percorre todo o processo de lutas imediatas.<\/p>\n<p>A luta concreta dos rodovi\u00e1rios precisa ter como pauta principal o direito ao trabalho do rodovi\u00e1rio, motorista e cobrador; o direito ao trabalho n\u00e3o terceirizado, n\u00e3o intermitente e n\u00e3o prec\u00e1rio. Sal\u00e1rio: o sal\u00e1rio m\u00e9dio do rodovi\u00e1rio motorista que j\u00e1 foi de cinco sal\u00e1rios m\u00e9dios hoje pode cair para dois sal\u00e1rios; e na atual condi\u00e7\u00e3o da pandemia de covid 19 pode cair em 50% e at\u00e9 80%. Finalmente, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho da classe s\u00e3o as piores poss\u00edveis com excesso de trabalho, extrema inseguran\u00e7a, insalubridade, e morte. A classe rodovi\u00e1ria \u00e9 uma das mais atingidas pela pandemia de covid 19. Por isso seguran\u00e7a, trabalho e a recupera\u00e7\u00e3o dos dias n\u00e3o pagos s\u00e3o prioridade hoje.<\/p>\n<p>Neste sentido, a constru\u00e7\u00e3o de uma boa equipe na forma de uma base organizada \u00e9 o trabalho priorit\u00e1rio do quadro externo e do quadro interno de liga\u00e7\u00e3o entre a vanguarda e a base organizada. Isso se explica na liga\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia e vanguarda rodovi\u00e1ria, de um quadro externo que estuda a classe trabalhadora em geral, com um quadro interno especializado na classe rodovi\u00e1ria. A constru\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o presente, di\u00e1ria, disciplinada, constante que conecta o imediato, que fa\u00e7a sair do lugar comum e aponta para uma luta concreta superior, e neste sentido a conecta com a luta de classes, s\u00f3 se faz poss\u00edvel com a presen\u00e7a di\u00e1ria da vanguarda nos locais de trabalho e de moradia.<\/p>\n<p>O trabalho di\u00e1rio intenso significa: uma lideran\u00e7a diligente qualificada, um bom grupo intermedi\u00e1rio, condi\u00e7\u00f5es log\u00edsticas necess\u00e1rias, material de divulga\u00e7\u00e3o adequado, correta agita\u00e7\u00e3o e propaganda, uma pol\u00edtica de finan\u00e7as adequada, a organiza\u00e7\u00e3o dividida por equipes por empresa, o comando correto e generoso e respeitoso com a lideran\u00e7a da classe, o grupo intermedi\u00e1rio e o conjunto da base organizada. Um correto processo educativo para a forma\u00e7\u00e3o de uma nova vanguarda, que deve corresponder no m\u00e1ximo a 20% do grupo fazem com que um trabalho simples e diligente possa prevalecer: a din\u00e2mica \u00e9 pedag\u00f3gica. E deve se formar para formar sem abra\u00e7ar o mundo, mas com paci\u00eancia formar o necess\u00e1rio para continuar formando no tempo e espa\u00e7o corretos. Neste caso formar um grupo menor \u00e9 mais produtivo.<\/p>\n<p>No final queremos ver construir um rodovi\u00e1rio com a consci\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o conjunta com a comunidade na autossustentabilidade; o rodovi\u00e1rio vai precisar aliar a sua pauta com a da comunidade por um transporte p\u00fablico de qualidade. Um rodovi\u00e1rio com a consci\u00eancia de que a quest\u00e3o sustent\u00e1vel, do clima e do planeta tem muito a ver com a sua pauta espec\u00edfica. E que a sua pr\u00f3pria pauta espec\u00edfica por sal\u00e1rio, por condi\u00e7\u00f5es de trabalho e por direitos tem que ver com a pauta do poder da classe rodovi\u00e1ria no conjunto da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Somente um rodovi\u00e1rio consciente da luta da comunidade, por um mundo mais comunit\u00e1rio, ecol\u00f3gico e autossustent\u00e1vel, da sua luta concreta na luta de classes pode recuperar a sua ferramenta sindical da forma mais correta, se organizar corretamente, e mudar sua vida coletivamente atrav\u00e9s da luta, pela cr\u00edtica do trabalho de base. Ao mesmo tempo, somente com um trabalho de base cr\u00edtico podemos disputar a base para a cr\u00edtica do trabalho de base unindo o imediato, o concreto, a autossustentabilidade e a luta de classes.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria atrav\u00e9s da sindicaliza\u00e7\u00e3o classista; e ambas somam na luta concreta na luta de classes, no correto tempo de matura\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da base organizada. A cr\u00edtica do trabalho de base no rodovi\u00e1rio \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria a partir da base concretamente organizada para transformar a teoria, na luta concreta na luta de classes. Problema concreto virando problema da classe na luta.<\/p>\n<p>O concreto \u00e9 o s\u00f3lido que se pega com as m\u00e3os e se mostra em um boletim de agita\u00e7\u00e3o e propaganda. O trabalho pedag\u00f3gico da luta de classes se faz no debate cotidiano olho no olho, a a\u00e7\u00e3o virtual serve ao mesmo tempo em que se faz o concreto. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe rodovi\u00e1ria: baseado nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e na luta concreta, da volta do cobrador, da aposentadoria especial, das 6 hs 40, dos banheiros nos terminais, da meta de 3 sal\u00e1rios, do vale alimenta\u00e7\u00e3o (sodexo) integral de 1 sal\u00e1rio, do adicional de insalubridade, do contrato de trabalho n\u00e3o intermitente e n\u00e3o terceirizado, etc; com as lutas da cidade, de um mundo mais limpo e saud\u00e1vel, tudo junto da constru\u00e7\u00e3o da humanidade, cada idoso, estudante, cadeirante, cada trabalhador \u00e9 o servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>A humanidade do motorista e o cadeirante e se op\u00f5em a qualquer \u2018meta\u2019 do capitalista. \u201cO motorista parou o carro ao ser solicitado, mas n\u00e3o conseguiu levar o passageiro porque ele n\u00e3o conseguia levantar da cadeira de rodas. Por essa raz\u00e3o, o uso do elevador, nesse caso, era imprescind\u00edvel. Naquele momento, o motorista explicou ao cadeirante o fato do elevador do \u00f4nibus estar defeituoso e ainda lhe orientou que procurasse seus direitos da seguinte forma: &#8216;Olha, eu n\u00e3o te levo n\u00e3o \u00e9 porque eu n\u00e3o quero. \u00c9 porque n\u00e3o posso: o elevador est\u00e1 quebrado! Busque seus direitos: denuncie esta situa\u00e7\u00e3o!&#8217; A seguir, prosseguiu seu caminho com tristeza e lamentando n\u00e3o ter conseguido levar o cadeirante, apesar da tentativa\u201d (Belo de Souza 2017).<\/p>\n<p>\u201cIsso posto, uma das pistas que pensamos ter encontrado \u00e9 que, possivelmente, a pressa figure como parte do g\u00eanero profissional dos motoristas de \u00f4nibus da cidade do Rio de Janeiro incentivada, inclusive, pelos empres\u00e1rios de \u00f4nibus \u00e0 medida que, ainda de acordo com Caiafa: [&#8230;] interessa ao capitalista que o motorista corra porque isso \u00e9 aumento de produtividade. Se ele parar para pegar passageiros que v\u00e3o pagar tarifa, de resto a correria significa que mantendo a mesma jornada de trabalho \u2013 num mesmo tempo que o capitalista paga ao rodovi\u00e1rio \u2013 o motorista pode cumprir um percurso maior, recolhendo os passageiros que acenam, entram e pagam. Aumenta o n\u00famero de viagens de um mesmo ve\u00edculo e com o mesmo par de funcion\u00e1rios que v\u00e3o produzir mais (vender lugares nos \u00f4nibus) pelo mesmo sal\u00e1rio (CAIAFA, 2002, p.47). Nesse caso, a pressa tamb\u00e9m tem por objetivo garantir bons resultados para a empresa, sendo, de certa maneira, um recurso para enfrentar as situa\u00e7\u00f5es presentes no dia a dia desses trabalhadores, sobretudo no que diz respeito \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o de, ao final de seu dia de trabalho, alcan\u00e7ar \u00e0 meta de 350 passageiros pagantes\u201d. (Belo de Souza 2017).<\/p>\n<p>\u201cDe acordo com Caiafa, quanto mais passageiros forem transportados em menor tempo, isso se refletir\u00e1 em mais passagens vendidas. Como o motorista trabalha por horas di\u00e1rias e n\u00e3o por viagens percorridas, observa-se que a pressa tamb\u00e9m o beneficia. O fato \u00e9 que o capitalista quer ganhar dinheiro, sempre. Os meios de produ\u00e7\u00e3o, o capital constante, s\u00f3 existem, do ponto de vista da cria\u00e7\u00e3o da mais-valia, para absorver trabalho e com cada gota de trabalho uma por\u00e7\u00e3o proporcional de trabalho excedente. Se n\u00e3o realizam isto, sua mera exist\u00eancia constitui pura perda para o capitalista, pois durante o tempo que \u2018est\u00e3o parados\u2019 representam adiantamento in\u00fatil de capital (MARX, 1980, p.290 apud CAIAFA, 2002, p.46)\u201d. (Belo de Souza 2017). \u00c9 muito importante conectar a consci\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o, da busca por direitos \u00e0s possibilidades do controle direto e da revolu\u00e7\u00e3o, nas coisas mais acess\u00edveis cotidianas.<\/p>\n<p>\u201cAinda a respeito desse seu desgaste f\u00edsico, o motorista relatou durante a entrevista que nesses 18 anos trabalhando como rodovi\u00e1rio \u2013 sendo a maior parte deles como motorista, tendo passado inicialmente pela fun\u00e7\u00e3o de cobrador \u2013, o maior dano por ele sofrido se deu a partir da implementa\u00e7\u00e3o da dupla fun\u00e7\u00e3o: a de motorista e cobrador ao mesmo tempo, que \u00e9 uma caracter\u00edstica do trabalho contempor\u00e2neo: a acumula\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, o motorista entrevistado transparecia em seus coment\u00e1rios um sofrimento not\u00f3rio advindo da aus\u00eancia de um companheiro de trabalho que, inclusive, o pudesse auxiliar, por exemplo, sinalizando o momento de fechar a porta traseira do \u00f4nibus ap\u00f3s a sa\u00edda de passageiros. Nesse particular, o motorista relata que quando o \u00f4nibus se encontra lotado e, em consequ\u00eancia disso, alguns passageiros viajam em p\u00e9, ele n\u00e3o consegue observar o espelho localizado na porta traseira do ve\u00edculo para auxili\u00e1-lo no fechamento das portas logo ap\u00f3s os embarques e desembarques. Ele ressalta que, dentre as colabora\u00e7\u00f5es que aconteciam quando trabalhava com um companheiro cobrador, auxili\u00e1-lo na vis\u00e3o da porta traseira do \u00f4nibus era uma delas. Conforme reproduzimos a seguir, sua declara\u00e7\u00e3o quanto a essa dupla fun\u00e7\u00e3o \u00e9 contundente: \u201cIsso tem que acabar! Acontecem muitos acidentes por causa disso. \u00c9 que n\u00e3o h\u00e1 divulga\u00e7\u00e3o, mas existem muitos acidentes ocasionados pela dupla fun\u00e7\u00e3o. Isso tem que acabar!\u201d, (Belo de Souza 2017).<\/p>\n<p>Listamos, portanto, alguns dos desafios para organizar a classe rodovi\u00e1ria a partir das reflex\u00f5es mais prementes destes trabalhadores.<\/p>\n<p>1- Compreender a situa\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria e o exerc\u00edcio do seu of\u00edcio \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a organiza\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>2- Quatro eixos principais, a natureza do trabalho (desumanizada pelo patr\u00e3o capitalista e em competi\u00e7\u00e3o com o outro, a covardia); a sa\u00fade (um rodovi\u00e1rio de 36 anos sem os dois rins, tornou-se paciente renal cr\u00f4nico preso a hemodi\u00e1lise em Cabo Frio), no depoimento do seu irm\u00e3o eu pude observar seus olhos distantes&#8230;; as condi\u00e7\u00f5es deste trabalho, e a viol\u00eancia patronal e da cidade do capital; o papel protagonista de uma vanguarda operando um trabalho de base cr\u00edtico, interno e externo por sobre uma base organizada<\/p>\n<p>3- A a\u00e7\u00e3o da base organizada por sobre a base em geral<\/p>\n<p>4- O processo pedag\u00f3gico de ambas na luta concreta, na luta de classes no correto tempo de matura\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia e assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p>5- O estudo da patronal a partir do estudo da classe rodovi\u00e1ria; e o estudo da classe como um todo e da patronal como um todo.<\/p>\n<p>6- Como os estudos da situa\u00e7\u00e3o da mulher e do jovem pioram porque s\u00e3o \u00e0 margem da composi\u00e7\u00e3o da classe rodovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>7- Um potencial enorme do estudo geral e espec\u00edfico em cada cidade do Brasil no contexto da Am\u00e9rica Latina para o estudo do trabalhador rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>No final a mais importante tarefa \u00e9 ajudar o trabalhador rodovi\u00e1rio a recuperar o seu protagonismo e o seu respeito. Respeitar o trabalhador rodovi\u00e1rio \u00e9 um exerc\u00edcio di\u00e1rio da vanguarda revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s destes eixos acima podemos ascender aos maiores objetivos da classe, e no caminho recuperar o respeito do trabalhador, dentre outras coisas. O grande desafio da classe rodovi\u00e1ria \u00e9 se conectar a outros setores estrat\u00e9gicos nacionais e internacionais, buscando unificar a luta rodovi\u00e1ria nacionalmente e internacionalmente da classe rodovi\u00e1ria, e ao mesmo tempo manter a sua localidade e o seu car\u00e1ter comunit\u00e1rio. De mudan\u00e7a co-unit\u00e1ria com a comunidade, inclusive com os grandes objetivos da classe como um todo.<\/p>\n<p>Respeito \u2013 Para que todos possam participar e ajudar a recuperar o respeito da classe rodovi\u00e1ria atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o de todos, todos os rodovi\u00e1rios participando na retomada do poder da classe rodovi\u00e1ria. Atrav\u00e9s dos comit\u00eas de empresa de sal\u00e1rios e a elei\u00e7\u00e3o de representante sindicais de base com estabilidade.<\/p>\n<p>Recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical para a luta classista \u2013 Construir uma ferramenta de lutas classista a partir da ferramenta sindical da categoria. Conectar os sindicatos de rodovi\u00e1rios, unificando as assembleias dos sindicatos e unificando a luta classista dos setores de transportes e de energia.<\/p>\n<p>Seguran\u00e7a &#8211; A pandemia do covid 19 provou que o trabalhador rodovi\u00e1rio est\u00e1 e estar\u00e1 mais exposto \u00e0s doen\u00e7as nesta pandemia e em outras por causa da falta do cobrador, do excesso de jornada e da falta de EPIs; assim como pela falta de um adicional de insalubridade que pressione a patronal a diminuir a exposi\u00e7\u00e3o do rodovi\u00e1rio ao perigo. Por isso nunca foi t\u00e3o importante a luta pela volta do cobrador, pelo turno de 6 horas, pela aposentadoria especial e pela seguran\u00e7a do trabalhador rodovi\u00e1rio, com uma proposta de sa\u00fade preventiva, corporativa e p\u00fablica pelo fortalecimento do SUS.<\/p>\n<p>O trabalho \u2013 Ter direito ao trabalho \u00e9 o maior direito do rodovi\u00e1rio, precisamos continuar o processo de conscientiza\u00e7\u00e3o do trabalhador rodovi\u00e1rio para a import\u00e2ncia do seu trabalho, que precisa estar \u00e0 altura da import\u00e2ncia do desafio do transporte coletivo metropolitano. Por isso a luta contra a patronal pela reestatiza\u00e7\u00e3o do transporte coletivo, contra o trabalho intermitente, contra a terceiriza\u00e7\u00e3o e o trabalho prec\u00e1rio e uberizado s\u00e3o fundamentais. Quando o trabalhador rodovi\u00e1rio construir o seu poder o poder do trabalhador rodovi\u00e1rio vai se espelhar no poder da comunidade e da cidade.<\/p>\n<p>Sal\u00e1rio \u2013 No caminho do poder, a luta por melhores sal\u00e1rios e pelo vale alimenta\u00e7\u00e3o (sodexo). A luta por sal\u00e1rios demonstra que no passado o trabalhador rodovi\u00e1rio recebia cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, n\u00e3o chegando hoje at\u00e9 tr\u00eas. Precisamos aumentar o poder do trabalhador a partir da luta por melhores sal\u00e1rios, e a luta por melhores sal\u00e1rios pela luta por um acordo coletivo forte, com melhores direitos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, com uma luta conjunta pela melhoria do vale alimenta\u00e7\u00e3o. O interesse da patronal (do galego) \u00e9 inversamente proporcional ao do rodovi\u00e1rio, um quer mais sal\u00e1rio e o outro mais lucro.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o \u2013 A educa\u00e7\u00e3o profissional do rodovi\u00e1rio precisa voltar a ser feita dentro do sindicato, a profissional, a acad\u00eamica e a pol\u00edtica. O sindicato precisa se interessar como ferramenta de lutas a capacitar o trabalhador para a sua profiss\u00e3o, para a educa\u00e7\u00e3o formal, e a educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Compreender como funciona a sociedade a partir da compreens\u00e3o cr\u00edtica da explora\u00e7\u00e3o capitalista significa capacitar o trabalhador para tomar poder.<\/p>\n<p>S\u00edmbolo \u2013 A data base do trabalhador precisa ser unificada nacionalmente no m\u00eas de mar\u00e7o, m\u00eas que prepara a luta no primeiro de maio. A hist\u00f3ria dos trabalhadores rodovi\u00e1rios precisa coincidir com uma narrativa nacional dos rodovi\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o de uma conven\u00e7\u00e3o coletiva nacional com direitos m\u00ednimos dos trabalhadores rodovi\u00e1rios. Unificados em uma \u00fanica federa\u00e7\u00e3o nacional; unificados tamb\u00e9m em uma \u00fanica confedera\u00e7\u00e3o de transporte terrestres, trabalhadores rodovi\u00e1rios de passageiros e cargas, aut\u00f4nomos e empregados, com trabalhadores nos trilhos, ferrovi\u00e1rios e metrovi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Jur\u00eddico \u2013 O departamento jur\u00eddico do sindicato precisa educar o trabalhador a brigar pelo seu direito trabalhando e n\u00e3o depois de demitido, para isso \u00e9 preciso fazer as palestras para educar para o direito, dar assist\u00eancia jur\u00eddica integral ao trabalhador.<\/p>\n<p>Estrutura \u2013 A estrutura classista das sedes e subsedes precisa servir a luta de classes nas comunidades onde elas atuam. \u00c9 preciso construir um grande guarda chuva dos sindicatos mais fortes para os sindicatos mais fr\u00e1geis, para os movimentos populares e para a juventude. Unificando os trabalhadores estrat\u00e9gicos dos transportes e tamb\u00e9m da energia capitaneados pelos petroleiros. A luta do rodovi\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 a luta pela Petrobr\u00e1s. O sindicato dos trabalhadores rodovi\u00e1rios precisa ser recuperado para a luta de classes, e esta ferramenta como estrutura, precisa ser operada para servir a luta da classe trabalhadora, a comunidade pela classe e a fam\u00edlia rodovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Este estudo conclui que se existe um lugar comum para unir luta concreta com luta de classes \u00e9 com o trabalhador rodovi\u00e1rio. O rodovi\u00e1rio \u00e9 um trabalhador marcado pela sua humanidade e pela sua popularidade. Um trabalhador que todos conhecem e que todos confiam no caminho do trabalho e no caminho de casa. A humanidade do trabalhador rodovi\u00e1rio \u00e9 expressa todo dia. No cuidado com o trabalhador passageiro da comunidade, da periferia, do gueto e da cidade. No cuidado com o cadeirante, no cuidado com o trabalhador aposentado e idoso; no grande servi\u00e7o de levar os estudantes gratuitamente, para que as crian\u00e7as e a juventude deste pa\u00eds possam se somar um dia com poder aos que trabalham.<\/p>\n<p>A humanidade do trabalhador rodovi\u00e1rio se expressa quando transporta o colega uniformizado para casa ou para o trabalho. E finalmente, para fazer a economia funcionar, porque o trabalhador precisa do transporte coletivo urbano para chegar ao trabalho e produzir a riqueza deste pa\u00eds, e tamb\u00e9m para voltar para casa com dignidade e seguran\u00e7a. A pandemia de covid 19 provou que o trabalhador \u00e9 o pa\u00eds. O trabalhador rodovi\u00e1rio atrav\u00e9s do seu trabalho e humanidade transporta vidas humanas, e conduz os trabalhadores para o seu destino, por isso recuperar o seu respeito e dignidade \u00e9 t\u00e3o importante; por isso n\u00e3o ser conduzido pela patronal, mas conduzir \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>Aqueles que dizem que o sindicato \u00e9 ferramenta do passado nesta disputa, ou que a disputa pela ferramenta sindical n\u00e3o serve para conectar toda a luta concreta, com as experi\u00eancias de luta pedag\u00f3gica da classe, com os movimentos e a juventude da comunidade e da cidade, n\u00e3o percebem o potencial da luta sindical como escola da revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conhecem dentro disso o potencial da luta da classe rodovi\u00e1ria. Portanto, n\u00e3o conhecem o valor da recupera\u00e7\u00e3o desta ferramenta revolucion\u00e1ria que cria poder popular no caminho da revolu\u00e7\u00e3o brasileira; \u00e9 preciso disputar as dire\u00e7\u00f5es sindicais, tomar estas ferramentas, armar estas ferramentas, para que elas sejam \u201cguarda-chuvas\u201d unit\u00e1rios, classistas, internacionalistas, combativos e solid\u00e1rios; a partir de sindicatos dos setores estrat\u00e9gicos para outros sindicatos, movimentos populares; e se inserindo na nova classe, a massa prec\u00e1ria, perif\u00e9rica, desempregada. Este \u00e9 o centro da luta de classes atrav\u00e9s da classe rodovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os rodovi\u00e1rios s\u00e3o um grande laborat\u00f3rio estrat\u00e9gico local. Os rodovi\u00e1rios ter\u00e3o um grande papel local na constru\u00e7\u00e3o da greve geral e do Enclat (encontro nacional da classe trabalhadora, dos movimentos populares e da juventude) no Brasil, no contexto da Am\u00e9rica Latina; na medida em que constru\u00edrem o seu trabalho de base cr\u00edtico desde o processo de recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical, passando pelo processo organizativo, na luta concreta na luta de classes. Isso envolve a participa\u00e7\u00e3o da comunidade, da quest\u00e3o eco-sustent\u00e1vel e da conex\u00e3o entre a luta concreta e a luta de classes da classe rodovi\u00e1ria. Nos rodovi\u00e1rios parte-se da condu\u00e7\u00e3o de trabalho da classe e da luta concreta pela cr\u00edtica do trabalho de base.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da luta da classe rodovi\u00e1ria abre-se a grande oportunidade, a partir dos setores estrat\u00e9gicos, cujo maior setor \u00e9 o dos trabalhadores de transportes, pode-se de forma qualificada pensar, estudar, lutar nas cadeias de valor. O poder dos trabalhadores tem na classe rodovi\u00e1ria a quest\u00e3o central. O Sindicato em cada comunidade \u00e9 para todos e n\u00e3o \u00e9 um clube. Os trabalhadores precisam compreender a quest\u00e3o do poder em si e para si, compreender o mercado e o poder dos trabalhadores global. Para tomar posse deste poder precisam aprender a comandar este poder. Os trabalhadores est\u00e3o se levantando e se colocando na posi\u00e7\u00e3o de luta. Eles podem em cada cidade transitar do mundo poss\u00edvel ao necess\u00e1rio, tudo isso n\u00e3o vir\u00e1 fora do esfor\u00e7o revolucion\u00e1rio. Por isso precisamos partir do tang\u00edvel para o ideal, lutar pelo necess\u00e1rio atrav\u00e9s do poss\u00edvel, e n\u00e3o se vender no caminho ao capital; chegar ao concreto e lutar pelo muito dif\u00edcil, e expor cotidianamente o qu\u00e3o dif\u00edcil aos trabalhadores organizados.<\/p>\n<p>Precisamos parar de \u2018chorar pitangas\u2019 sobre o que os que os \u2018galegos\u2019 do setor ou os capitalistas em geral pensam e fazem, para conscientizar os trabalhadores naquilo que os capitalistas pensam e fazem. Uma vez conscientes podemos organizar para a luta baseado naquilo que os trabalhadores pensam e fazem. A crise sanit\u00e1ria est\u00e1 nos dando a chance de fortalecer a consci\u00eancia dos trabalhadores localmente e tamb\u00e9m o internacionalismo prolet\u00e1rio. Se n\u00e3o existe greve nacional rodovi\u00e1ria hoje, existe muito trabalho pela frente; trabalho local e comunit\u00e1rio com muito d\u00e9ficit organizativo. Se nenhuma classe \u00e9 t\u00e3o desunida como a rodovi\u00e1ria, nenhuma \u00e9 t\u00e3o acess\u00edvel, nenhuma \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria para explicar a cr\u00edtica do trabalho de base.<\/p>\n<p>Os trabalhadores rodovi\u00e1rios podem se preparar diariamente para descer as alamedas at\u00e9 os espa\u00e7os de poder, como quem constr\u00f3i greves gerais; atacar pela ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os os donos da cidade e os donos de todas as empresas ao mesmo tempo. Ocupar as alamedas! Os rodovi\u00e1rios s\u00e3o aqueles que mais facilmente podem parar a circula\u00e7\u00e3o da cidade. Por isso este \u00e9 o seu maior desafio, o exerc\u00edcio deste poder. Neste caminho est\u00e1 o desafio que os trabalhadores t\u00eam para compreender que a melhor, a \u00fanica escolha \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o; e que ela come\u00e7a todo os dias nos locais de trabalho, moradia e nas ruas, nas alamedas ocupadas e no trabalho parado e na comunidade conscientizada.<\/p>\n<p>Reivindicar, demonstrar, revolucionar. Rodovi\u00e1rios s\u00e3o mais do que uma categoria, s\u00e3o a classe da comunidade, da cidade que conhece as ruas e os passageiros trabalhadores, neste sentido povo; pela acessibilidade qualquer um faz trabalho de base; que traz nas suas formas organizativas de recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical uma similaridade com a forma organizativa e da luta de classes. N\u00e3o existem desafios imposs\u00edveis para a classe rodovi\u00e1ria em movimento, no seu movimento di\u00e1rio est\u00e1 a forte contribui\u00e7\u00e3o para a revolu\u00e7\u00e3o brasileira e para o poder popular. De um lado precisamos afirmar a humanidade e proximidade do rodovi\u00e1rio como parte do povo trabalhador; e do outro, afirmar a lideran\u00e7a da base organizada e se submeter ao seu comando, para nos conectarmos; conectar vanguarda e base geral a partir da base organizada e irmanada de todos os trabalhadores de transportes, estrat\u00e9gicos, prec\u00e1rios e perif\u00e9ricos deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>A luta pela recupera\u00e7\u00e3o da ferramenta sindical \u00e9 poss\u00edvel, a partir de um pequeno grupo coeso e organizado, em uma base organizada, onde quadros externos e internos operam com assist\u00eancia; tanto mais sejam mantidos os n\u00edveis de coes\u00e3o, de unidade e de trabalho mais haver\u00e1 sucesso. Mas onde principalmente o aprendizado cr\u00edtico possa acontecer. Esta luta pode se reverter na luta organizativa e na luta concreta na luta de classes se os n\u00edveis de coes\u00e3o, unidade e trabalho aumentarem na medida em que se organiza a base organizada e se forma o conjunto restrito da milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Em certo sentido estamos sempre aprendendo e tecnicamente atrasados diante do setor que estamos nos esfor\u00e7ando para n\u00f3s nos inserirmos estrategicamente. Por outro lado estamos sempre apressados para levar concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e cr\u00edticas, que apesar de important\u00edssimas, demandam tempo de matura\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o cr\u00edtica por parte da base organizada; mas devemos acima de tudo respeitar os trabalhadores. O objetivo da vanguarda revolucion\u00e1ria comunista n\u00e3o \u00e9 se esquivar nem de um lado e nem do outro, mas encarar este desafio: como revolucion\u00e1rios, preparados, no n\u00famero necess\u00e1rio, com autonomia e apoio log\u00edstico, e principalmente respeitando e compreendendo que cabe a base organizada alterar a teoria cr\u00edtica segundo sua experi\u00eancia na luta concreta na luta de classes, pela cr\u00edtica do trabalho de base<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>CAIAFA, Janice \u2013 Jornadas Urbanas, exclus\u00e3o, trabalho e subjetividades nas viagens, FGV, 2002, Rio de Janeiro<\/p>\n<p>BELO DE SOUZA, F\u00e1tima Val\u00e9ria \u2013 O Of\u00edcio de dirigir \u00f4nibus na cidade do Rio de Janeiro: uma aproxima\u00e7\u00e3o na perspectiva da atividade, UERJ, 2017<\/p>\n<p>Entrevista com Maura L\u00facia, rodovi\u00e1ria, refer\u00eancia da luta pela volta dos cobradores, e militante grevista &#8211; 2014-2018<\/p>\n<p>Entrevista com Luiz Ferreira, rodovi\u00e1rio e militante da Unidade Classista \u2013 2016 \u2013 2020.<\/p>\n<p>Entrevista com Ricardo Wagner, rodovi\u00e1rio e militante comunista \u2013 2016 \u2013 2020.<\/p>\n<p>Entrevistas com rodovi\u00e1rios do Rio de Janeiro durante a elei\u00e7\u00e3o do SINTRATURB \u2013 2016, agradecimentos especiais aos rodovi\u00e1rios Alexandre, Isa\u00edas e Jorge Mengo.<\/p>\n<p>Entrevistas com rodovi\u00e1rios do Rio de Janeiro prepara\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o da greve dos rodovi\u00e1rios \u2013 2018<\/p>\n<p>Entrevistas com rodovi\u00e1rios de Niter\u00f3i at\u00e9 Arraial do Cabo durante a elei\u00e7\u00e3o do SINTRONAC &#8211; 2020<\/p>\n<p>CODATU \u2013 Panorama do sistema de transporte de passageiros no Rio de Janeiro \u2013 2019 https:\/\/www.codatu.org\/actualites\/panorama-do-sistema-de-transporte-de-passageiros-no-rio-de-janeiro\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/25846\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[31],"tags":[224],"class_list":["post-25846","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c31-unidade-classista","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6IS","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25846\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}